segunda-feira, março 29, 2021

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (9)...

Grupo A / 2.ª Jornada

Hungria - Roménia: 1-2

Golos: Csonka / Matan, Pascanu

Romenos acabam com sonho húngaro de alcançar a fase seguinte... 

sexta-feira, março 26, 2021

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (8)...

Grupo D / 1.ª Jornada

Portugal - Croácia: 1-0

Golo: Fábio Vieira

Lusos vencem pela margem mínima um jogo interessante... 

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (7)...

Grupo D / 1.ª Jornada

Inglaterra - Suíça: 0-1

Golo: Ndoye

Helvéticos provam que estão no Euro para brilhar e não para brincar... 

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (6)...

Grupo C / 1.ª Jornada

França - Dinamarca: 0-1

Golo: Dreyer

Jovens vikings causam enorme surpresa ao derrotar a favorita França... 

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (5)...

Grupo C / 1ª Jornada

Rússia - Islândia: 4-1

Golos: Chalov, Tiknizyan, Zakharyan, Makarov / Gudjohnsen

Russos batem islandeses com facilidade...

quinta-feira, março 25, 2021

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (4)...

Grupo B / 1.ª Jornada

Eslovénia - Espanha: 0-3

Golos: Puado, Villar, Miranda

La Rojita arregaçou as mangas na corrida à reconquista do título europeu...

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (3)...

Grupo B / 1.ª Jornada

República Checa - Itália: 1-1

Golos: Maggiore (a.g.) / Scamacca

Azar custou a vitória à jovem Squadra Azzurra... 

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (2)...

Grupo A / 1.ª Jornada

Roménia - Holanda: 1-1

Golos: Ciobanu / Schuurs

Empate ajusta-se perante equilíbrio patenteado... 

Flashes do Hungria-Eslovénia 2021/Europeu de Sub-21 (1)...

Grupo A / 1.ª Jornada

Hungria - Alemanha: 0-3

Golos: Nmecha, Baku (2)

Magiares não tiveram argumentos para travar o poder de fogo dos jovens panzers... 


terça-feira, março 16, 2021

Arquivos do Futebol Português (13)...

Equipa do Carcavellos que venceu a 1.ª edição do Campeonato de Lisboa, em 1907

O sucesso do o primeiro torneio organizado em Portugal, o Bronze Viúva Alexandre Senna, em 1906, contribuiu para uma maior organização entre os clubes então existentes no sentido de criar um campeonato de futebol com o formato de todos contra todos, à semelhança do que já se fazia em Inglaterra. Em setembro de 1907 foi fundada a Liga de Football Association, presidida por Joaquim Costa. Este organismo formado por Lisbon Cricket Club, Football Cruz Negra, Clube Internacional de Football (CIF) e Sporting Clube de Portugal, decidiu organizar o seu primeiro campeonato por pontos, no formato de todos contra todos a duas voltas.

Os vencedores da prova foram os ingleses do Carcavellos Football Club. O Sport Lisboa (futuro Sport Lisboa e Benfica), o Lisbon Cricket e o CIF foram os outros clubes envolvidos neste campeonato regional, o primeiro a ser realizado no país no sistema de pontos. Nesta prova o poderio do Carcavellos no panorama do futebol lisboeta sobressaiu, já que em 6 jogos realizados a turma inglesa - formada por empregados da Telegraph Company - apenas perdeu um, ante o Sport Lisboa. Aliás, este triunfo dos portugueses sobre os mestres ingleses foi um dos factos mais relevantes desta edição inaugural do Campeonato de Lisboa, já que quebrou um recorde de nove anos de invencibilidade dos ingleses do Carcavellos. Este episódio histórico aconteceu no dia 10 de fevereiro de 1907, com os encarnados a vencerem por 2-1. Em baixo reproduzimos a crónica do encontro no jornal Os Sports:

Os ingleses não perdiam com equipas lusas desde 1898. Para a história ficam os nomes dos heróis do Sport Lisboa que nessa tarde na Quinta Nova (instalações do Cabo Submarino) acabaram com a invencibilidade dos mestres ingleses: Manuel Mora, Henrique da Costa, Emílio de Carvalho, Fortunato Levy, António do Couto, Artur dos Santos, Manuel Costa, António Rosa Rodrigues, Daniel Queiroz dos Santos, Cândido Rosa Rodrigues e David da Fonseca.
A turma do sport Lisboa que na Quinta Nova obteve a histórica vitória ante o Carcavellos

O Sport Lisboa foi mesmo o vice-campeão deste campeonato, com 6 pontos (3 vitórias e outras tantas derrotas), a quatro do Carcavellos (que somou 5 triunfos e apenas perdeu o tal encontro com o Sport Lisboa). Na 3.ª posição ficou o Lisbon Cricket, com 4 pontos e no 4.º lugar quedou-se o CIF, também com 4 pontos, tendo ambas as equipas contabilizados duas vitórias e averbado 4 derrotas. CIF que continuava a ser dos Pinto Basto e dos amigos ingleses.

O primeiro jogo internacional realizado em solo português

No final do ano de 1907, mais concretamente a 15 de dezembro, dá-se outro acontecimento histórico no então jovem futebol português. A norte, no Porto, realiza-se o primeiro encontro internacional em solo lusitano. Frente a frente as equipas do Football Club do Porto e o Real Fortuna de Vigo. As equipas evoluíram no Campo da Rainha, reduto dos portistas, liderados por José Monteiro da Costa, o refundador do clube, tendo o resultado desse encontro caído no esquecimento! Orientados pelo francês Adolphe Cassaigne os azuis e brancos alinharam com Soares, Dumont Villares, Brugmman, Romualdo Torres, Ernesto Sá, António Pinheiro, Raws, Antunes Lemos, John Jones, Catullo Gadda e Edward de Almeida.

FC Porto e Real Fortuna de Vigo posam para a fotoigrafia

O FC Porto retribuiu a cortesia dos galegos três semanas depois, visitando Vigo, naquela que seria a primeira saída internacional de uma equipa portista. tal como o jogo da Invicta o resultado é desconhecido, sabendo-se apenas que se jogou a 12 de Janeiro de 1908, sendo que o único regista desta partida pode ser encontrado no primeiro Relatório e Contas do clube: «resolvemos iniciar as excursões desportivas visitando a cidade de Vigo, indo ali aprender para depois continuarmos por Portugal, ensinando. Porém, o estado do tempo afuguentou o maior número e com grande pesar nosso, essa visita, que seria uma alegria para os nossos amigos de Vigo, que se preparavam para receber 150 visitantes, apenas se limitou a uma pequena excursão de 23 pessoas a quem os sócios do Real Fortuna Clube e Vigo Football Club dispensaram extremos carinhos e inúmeras finezas».

quinta-feira, março 11, 2021

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (17)... Alfredo Farinha

Ele é titular indiscutível do dream team dos jornalistas desportivos portugueses. Faz parte da restrita galeria de nomes notáveis que marcaram uma era na nobre arte da escrita jornalística desportiva. Alfredo Farinha é o seu nome.

Os mais novos talvez se recordem dele como um dos comentadores residentes do extinto programa "Donos da Bola", emitido pela SIC nos anos 90, mas o percurso de Alfredo Farinha nos caminhos da comunicação vai muito, mas muito além dessa presença televisiva.

Nasceu a 19 de julho de 1925, em Cimadas Cimeiras, no concelho de Proença a Nova, mas cedo adotou Lisboa como o seu lar. E cedo também começou a mostrar mestria na escrita, tendo sido aluno de mérito na Associação dos Salesianos da Amoreira. Com o conto "Vitória Amarga" venceu o concurso literário organizado por A Bola, mal sabia ele que o histórico jornal da Travessa da Queimada iria ser a sua casa durante 40 anos.

Antes de entrar na Bola - a convite de Vítor Santos - fez uma perninha durante três anos no Mundo Desportivo. Fez da criatividade na escrita aliada a um forte sentido crítico o seu cartão de visita no jornalismo, profissão que desenvolveu com mérito a par das funções de inspetor do trabalho, depois de ter sido precetor e professor de Português e Latim.

Frontal, nunca deixou de exprimir textual e verbalmente aquilo que pensava, tendo comprado muitas guerras com diversos dirigentes desportivos. E por falar em dirigismo desportivo, também ele teve uma notável ligação a esta área, tendo sido, por exemplo, dirigente do Estoril Praia, clube este onde no qual entre outros cargos exerceu o de presidente da Direção.

Teve um papel importante no Clube Nacional de Imprensa Desportiva (CNID), já que foi um dos seus membros fundadores. Assumidamente benfiquista, clube pelo qual se apaixonou graças às célebres pedaladas do não menos célebre ciclista José Maria Nicolau, escreveu ainda vários livros, entre eles a biografia do antigo presidente do Sporting, João Rocha, ou o livro sobre futebol intitulado de "O Apagão".

O Governo português atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Desportivo e Mário Soares, na qualidade de Presidente da República o grau de Comendador.

Em outubro de 2008 recebeu o prémio Prestígio Fernando Soromenho, atribuído pelo CNID. A este propósito disse então: "Não sou um fã incondicional de Saramago, mas li recentemente uma frase sua genial: que um Nobel nada significa às portas da morte. Para mim, confesso, este prémio tem uma importância nobel, por ser do CNID, uma célula viva de apoio ao desporto, que nasceu de um grito de revolta contra a prepotência. Nesses idos anos 60, nós, jornalistas de desporto, éramos vistos apenas como colaboradores desportivos dos jornais, enquanto outros que se limitavam a copiar e a colar informações da Reuters é que eram jornalistas! Hoje as coisas e os reconhecimentos são, felizmente, muito diferentes. É por isso que recebo apaixonadamente este prémio mesmo que morra daqui a dois ou três minutos".  

Viria a falecer a 27 de março de 2009, aos 83 anos.

segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Histórias do Planeta da Bola (26)... O jogo em que a vitória significava a morte e a derrota valia a vida!

A lendária equipa do FC Start

O cinema está repleto de trabalhos que retratam factos reais da história do futebol. "O Milagre de Berna", filme de Sönke Wortmann que aborda a histórica vitória da seleção germânica no Mundial de 1954; "The Game of Their Lives", película estado-unidense realizada por David Anspaugh onde é reproduzida a impensável vitória do modesto e amador combinado norte-americano sobre os mestres ingleses na Copa do Mundo de 1950; "The Damned United", de Tom Hooper, que retrata a breve e turbulenta passagem do lendário treinador inglês Brian Clough pelo Leeds United; ou "United", de James Strong, que nos conta a história dos lendários Busby Babes do Manchester United, a equipa mais jovem da história a ganhar a Liga inglesa e que posteriormente sofreu um acidente aéreo em Munique que matou grande parte dessa célebre equipa, são alguns desses exemplos.

Contudo, há por ventura um filme que ocupa nas preferências de muitos entusiastas do Belo Jogo o lugar mais alto do pódio, no que a filme de futebol diz respeito. Talvez assim o seja pela carga dramática, e ao mesmo tempo emotiva, que a película carrega consigo, onde um grupo de homens ousou desafiar a morte! Intitulado de "Fuga para a Vitória" este mítico filme retrata a história daquele que ficou conhecido como o "Jogo da Morte", um episódio da vida real acontecido em Kiev a 9 de agosto de 1942.

Não é do filme realizado por John Huston e protagonizado por Michael Caine, Sylvester Stallone, Pelé, ou Osvaldo Ardiles, entre outros, que vamos falar - embora aconselhemos vivamente a vê-lo - mas antes da histórica verídica que esteve na sua génese.

O monumento que eterniza
este jogo histórico
Antes de tudo importa contextualizar este episódio que faz orgulhosamente parte da História de um povo, e sobre o qual já se realizaram filmes, escreveram romances, incontáveis ​​artigos e ergueram estátuas que o imortalizaram. Estávamos a meio da II Guerra Mundial, numa altura em que a Alemanha nazi já havia invadido a União Soviética. Deste país fazia então parte a Ucrânia - hoje nação independente - cuja capital, Kiev, havia sido tomada pelas tropas de Adolf Hitler a 19 de setembro de 1941.

Hitler chamou a conquista de Kiev como "a maior batalha da história mundial". A ocupação nazi impunha trabalho escravo à população local, a qual era perseguida, presa, torturada e assassinada sempre que oferecia resistência. Durante longos períodos desta ocupação, o povo de Kiev teve sua ração alimentar reduzida a 200 gramas de pão por semana (o tamanho de uma caixa de fósforos) e foi obrigada comer cães, ratos, corvos, e até esterco de vaca para se alimentar! Reza a história que apenas em Kiev mais de 100.000 pessoas morreram de fome.

Hitler nutria, aliás, um ódio feroz pela União Soviética, nação que para si era a personificação do Diabo, pois continha judeus, doisheviks e eslavos. Durante a ocupação nazi mais ucranianos morreram na guerra do que qualquer outra nação: estima-se entre 800 mil a 1 milhão de mortes (um terço de todas as perdas soviéticas).

E foi no meio de toda esta crueldade que se dá o tal evento desportivo que entrou para a história como o "Jogo da Morte". Importante será referir que no meio deste cenário de terror imposto pelas tropas nazis o futebol era um dos únicos refúgios da população de Kiev. Por esta altura, dois dos mais importantes clubes locais, o Dínamo e o Lokomotiv davam cartas nos retângulos de jogo. Os primeiros eram a equipa da polícia local, e viriam anos mais tarde a tornar-se numa das maiores potências do futebol soviético; ao passo que os segundos eram um conjunto constituído por operários ferroviários. Ambos os clubes estavam no auge até à invasão nazi, sendo que ambos seriam forçados a dissolver-se aquando a tomada de Kiev.

Um lance do Jogo da Morte
Para sobreviver, muitos dos jogadores destes clubes foram acolhidos por Iosif Kordik, proprietário de uma padaria na capital ucraniana, uma figura que ficou célebre por abrigar atletas de várias modalidades no seu estabelecimento como forma de os salvar da morte. Enquanto trabalhavam na padaria de Kordik os jogadores do Dínamo e do Lokomotiv nunca abandonaram a sua paixão pelo Belo Jogo e terão idealizado a criação de uma nova equipa, à qual deram o nome de FC Start. A ideia foi inclusive patrocinada por Kordik, que desde pronto apoiou este novo clube, tendo mesmo sido o organizador de alguns torneios onde este recém fundado clube participou como forma de animar a sofrida população de Kiev.

A equipa do Start era aquilo que se chama uma verdadeira máquina de futebol, vencia todos os encontros em que participava, um facto que não escapou aos olhos dos alemães. Auto-intitulando-se como invencíveis, mais fortes que os seus semelhantes, os alemães viram nesta equipa uma oportunidade para subjugar e humilhar ainda mais os ucranianos, de tal modo que não demorou muito tempo a formarem uma poderosa equipa que tinha como missão defrontar e vencer o FC Start. Essa equipa alemã foi denominada de Flakelf e era composto por composta por membros da brigada antiaérea da Luftwaffe, a força aérea germânica. Este combinado alemão da força aérea era considerado o que os alemães tinham de melhor em Kiev.

O primeiro duelo entre os dois conjuntos, realizado no dia 6 de agosto de 1942, terminou com a vitória do Start por 5 a 1, resultado que foi considerado como uma humilhação para os germânicos, que de pronto exigiram a desforra.

A notícia deste episódio - derrota - não só chegou a Berlim – e consequentemente aos ouvidos de Hitler –, como também encheu de orgulho o povo ucraniano, que assim via na figura dos craques padeiros os seus heróis nacionais.

Um aspeto atual da tribuna 
do Estádio Zenti
A atmosfera do segundo jogo contra foi tensa, com soldados ao redor e dentro do Estádio Zenit - com capacidade para 10.000 pessoas -, palco do duelo. Os lugares do recinto nesse dia 9 de agosto de 1942 foram ocupados por soldados nazis, que se faziam acompanhar dos seus assalariados nacionalistas ucranianos, bem como de outros aliados (húngaros, eslovacos, romenos e italianos). As áreas em pé foram ocupadas por cidadãos de Kiev, principalmente idosos, mulheres e crianças, ali reunidos para testemunhar a vitória alemã.

E para garantir a vitória os alemães escolheram para árbitro do jogo um agente da Gestapo, o qual antes do apito inicial foi ao balneário da equipa do Start deixar o seguinte aviso: 'Vencer é morrer, perder é sobreviver!'. Ordenou ainda que os jogadores ucranianos fizessem a saudação nazi antes do início do encontro.

Estes, não só não a fizeram como partiram para outro recital de futebol sobre a turma alemã, que foi reforçada com outros jogadores de nomeada do futebol germânico de então. O árbitro nazi fez vista grossa a rudes entradas dos alemães sobre os ucranianos. Tudo valia para fazer enaltecer a raça ariana, desde socos no guarda-redes do Start e pernas partidas a um ou outro jogador desta equipa.

O cartaz do Jogo da Morte

A equipa alemã marcou o primeiro golo, mas ao contrário do que seria de esperar não reuniu a simpatia do público, que vendo o comportamento violento germânico começou a apupar os oficiais alemães que estavam na tribuna do Estádio Zenit.

De aspeto subnutrido, esmurrados, cansados, o que é certo é que os jogadores ucranianos não desanimaram e conseguiram efetuar uma fantástica reviravolta no marcador ainda antes do intervalo, indo para o descanso a vencer por 3-1. Neste período um outro oficial nazi entra no balneário do FC Start e relembra o ultimato feito antes do pontapé de saída: 'Vencer é morrer, perder é sobreviver!'.

No reatamento a ameaça parece ter surtido efeito, já que os alemães marcam por duas vezes. Dois golos que talvez tenha despertado o orgulho e ao mesmo tempo a fúria dos ucranianos que quase de seguida apontam mais dois golos. 5-3, o resultado final de um jogo que entrou para a história.

De orgulho ferido os nazis não perdoaram este humilhação, sendo que os jogadores ucranianos foram presos e torturados e quatro deles foram mortos. Esta é apenas uma das muitas versões de como acabou a fabulosa história do FC Start. Certo é que este triunfo entrou na história como um dos mais macabros acontecimentos do Planeta da Bola.

sexta-feira, fevereiro 12, 2021

Mundial de Clubes/Catar 2020 (7)...

Final

Education City Stadium

Bayern (Alemanha) - Tigres UANL (México): 1-0

Golo: Pavard

Final sem brilho coroa o favorito Bayern como rei do Planeta...


Mundial de Clubes/Catar 2020 (6)...

Jogo de atribuição dos 3.º e 4.º lugares

Education City Stadium

Palmeiras (Brasil) - Al-Ahly (Egito): 0-0 (2.3 nas grandes penalidades)

Favorito Palmeiras perde a lotaria (dos penaltis) e entrega a medalha de bronze aos faraós...

terça-feira, fevereiro 09, 2021

Mundial de Clubes/Catar 2020 (5)...

Jogo de atribuição dos 5.º e 6.º lugares

Ahmad Bin Ali Stadium

Ulsan Hyundai (Coreia do Sul) - Al Duhail (Catar): 1-3

Golos: Bit-Garam / Edmilson, Muntari, Moez

Cataris ficam a sorrir no final da festa... 

Mundial de Clubes/Catar 2020 (4)...

Meias-finais

Ahmad Bin Ali Stadium

Al-Ahly (Egito) - Bayern (Alemanha): 0-2

Golos: Lewandowski (2)

Vitória curta para tanto poder ofensivo bávaro...

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Mundial de Clubes/Catar 2020 (3)...


Meias-finais

Education City Stadium

Tigres UANL (México) - Palmeiras (Brasil): 1-0

Golo: Gignac

Tigres torna-se na primeira equipa da CONCACAF a chegar a uma final de Mundial de clubes...

sexta-feira, fevereiro 05, 2021

Mundial de Clubes/Catar 2020 (2)...

Jogo 2

Education City Stadium

Al-Duhail (Catar) - Al-Ahly (Egito): 0-1

Golo: Elshahat

Faraós sofrem para derrubar muralha da casa...

Mundial de Clubes/Catar 2020 (1)...

 Jogo 1

Ahmad Bin Ali Stadium

Tigres UANL (México) - Ulsan Hyundai (Coreia do Sul): 2-1

Golos: Gignac (2
) / Keehee

Apesar do susto inicial campeões da CONCACAF seguem para as meias-finais...

terça-feira, janeiro 12, 2021

Grandes lendas do futebol mundial (15)... Vítor Baptista - O Maior

É comum dizer-se que todos os génios, seja em que área for, têm a sua dose de loucura. E a história do futebol está cheia deles! Lendas que dentro do campo pintaram cenários de verdadeira e sã loucura com a bola nos pés, jogadas e golos geniais que deixaram de queixo caído todos aqueles que tiveram o privilégio de os ver jogar. Mas de igual modo lendas que fora do terreno de jogo viviam vidas excêntricas, sempre no fio da navalha, como se o amanhã nunca houvesse.

E o génio que hoje visitamos é um desses exemplos, uma figura ímpar cuja maneira de ser o levou à ruína, contrariando uma habilidade futebolística magistral que o poderia ter levado a patamares ainda maiores do que aqueles que pisou. É com redobrado prazer que o Museu Virtual do Futebol olha hoje para a vitrina das lendas, onde repousa Vítor Baptista.


Auto-intitulou-se de "O Maior", e se não o foi - no seu tempo - foi um dos maiores, sem margem para dúvidas. Pagou caro a sua louca excentricidade, e não fosse isso quem sabe onde ele poderia ter chegado no futebol... e na vida. Nasceu no seio de uma família pobre, em Setúbal, no dia 18 de outubro de 1948. O pai, Sebastião Baptista, trabalhava na lota de Setúbal e a mãe, Cecília Baptista, ganhava a vida numa fábrica de peixe naquela mesma cidade situada nas margens do Rio Sado. Vítor era o mais novo de três irmãos. O Eduardo, era dez anos mais velho, enquanto que o Idaliano, era cinco anos mais velho. Viviam numa barraca com um só quarto, uma cozinha e uma pequena sala. Uma vida de miséria onde a fome era o prato do dia. Talvez por isso, com tenra idade, aos 10 anos, e somente com a quarta classe, teve de ir trabalhar para ajudar a pôr o pão na mesa. Teve, porque o pai morreu cedo, por essa altura. Vítor foi eletricista, carpinteiro, canalizador, entre outros duros ofícios. Mas onde era bom... era no futebol. Na rua, com os amigos de infância Pedro, Jaime e o Florival, o Vítor destacava-se. Era o maior. Rápido, forte, habilidoso, era impossível não dar nas vistas sempre que pegava na bola.

Das ruas de Setúbal até ao estrelato na catedral da Luz

Até que um dia o clube da terra, o Vitória Futebol Clube, descobriu aquele talento que despontava em Setúbal na rua e nos torneios de futebol de salão que se organizavam de forma popular. Com 14 anos viu o Vitória pagar-lhe a pensão onde então passou a residir assim que saiu de casa, e dois anos mais tarde além do aluguer do quarto o clube dava-lhe também 500 escudos mensais. Por causa da bola tinha ficado para trás o Vítor eletricista, mas como o próprio chegou a recordar não se perdeu grande coisa, porque não tinha muito jeito para este ofício.

Aos 17 anos o Vitória subiu-lhe o ordenado para três contos e a vida começou a melhorar... ou talvez não. Independente, sem pai e a viver longe da mãe e dos irmãos, Vítor caiu nas amarras da vida mundana. Começou a fumar, a beber, a sair à noite... em suma, deu os primeiros passos para aquele que haveria de ser o seu triste fim.

Mas dentro do campo era o maior. Em 1967 ainda com idade de júnior ajuda o Vitória a vencer a Taça de Portugal naquela que foi a final mais longa da história da prova rainha do futebol português. Contra a Académica de Coimbra os sadinos venceram por 3-2 ao fim de 144 minutos (90 minutos e dois prolongamentos). Por essa altura, Vítor espalhava magia pelos retângulos do futebol português. E nessa mítica final rezam as crónicas que fez um jogão! Continuou por Setúbal nos quatro anos seguintes a encantar todos aqueles que gostavam de futebol espetáculo. Foi pelo Vitória que chegou a internacional AA pela primeira vez, em 17 de fevereiro de 1971 num encontro diante da Bélgica (0-3) em Bruxelas. Ao todo foi internacional por Portugal em 11 ocasiões (3 pelo Vitória e 8 pelo Benfica). E foi precisamente em 1971 que o Benfica perdeu a cabeça por ele. Pelo seu passe o Vitória recebeu então 3000 contos, mais o passe dos jogadores José Torres, Praia e Matine, então ligados ao emblema da capital. Foi, na época, a transferência mais cara do futebol português. No Benfica partilhou o balneário com outras lendas do futebol luso, casos de Néné, Jordão, Artur Jorge ou o rei Eusébio durante sete épocas consecutivas. Com eles construiu algumas das mais temidas linhas avançadas que o país futebolístico viu até então, aterrorizando as defesas adversárias com jogadas e golos magistrais.

No Benfica raramente não era titular e quando não jogava era por motivos de ordem física. Em sete temporadas no Benfica fez 150 jogos, marcou 62 golos, conquistou 5 campeonatos e uma Taça de Portugal.

Aparte do seu deslumbrante futebol, Vítor continuava um rebelde, um homem excêntrico. Aparecia no Estádio da Luz de Jaguar e motorista, foi aliás, o primeiro futebolista português a comprar um carro daqueles na década de 70, e por vezes levava um cão para os treinos e amarrava-o a uma baliza! Vestia-se como uma autêntica popstar: usava sandálias de tacão alto, calças rasgadas, camisas abertas, brincos, amuletos ao pescoço, cabelo e barba compridos, sendo que mais parecia um dos famosos irmãos Gibb, dos Bee Gees. As mulheres adoravam-no e os homens também! A par de toda esta excentricidade outro vício não largava o génio de Vítor Baptista: a droga. Confessou, numa entrevista, que caiu pela primeira vez nas teias da droga em 1972, em África, numa digressão que ali fez ao serviço do Benfica. À liamba seguiu-se a cocaína, a heroína, o LSD, e por aí fora. Vítor experimentou de tudo. Viveu no limite, sempre. Mas na cabeça dele continuava a ser o Maior, como ele próprio se designava quando alguém mexia com ele, fossem treinadores ou colegas.

A história do brinco perdido no relvado

As histórias rocambolescas que criou à volta foram mais do que muitas, como por exemplo a do brinco perdido em plano relvado do Estádio da Luz. Aconteceu a 12 de fevereiro de 1978, num célebre jogo contra o Sporting. Vítor fez um golo de levantar o estádio: domina a bola com o peito, roda e sem a deixar cair faz um golo de bandeira. Ao invés de festejar uma obra de arte daquelas Vítor andou de gatas pelo relvado à procura de um brinco que havia perdido. O jogo esteve parado durante cinco minutos por causa da relíquia, que havia custado uma fortuna, segundo o craque, com Toni, Humberto Coelho e outros craques do Benfica a andarem de rabo para o ar à procura do brinco!

Este foi mesmo o último episódio caricato da sua passagem pelo Benfica pois pouco tempo depois voltava ao seu Vitória, porque o clube da Luz não queria aumentar o ordenado nem dar-lhe o Porsche que tanto queria.

Vítor regressou a Setúbal graças a três anónimos beneméritos que contribuíram com 400 contos para fazer regressar o filho prodígio ao Bonfim. Esteve lá dois anos, mas já não era o mesmo. A droga aliada à excentricidade faziam efeito dentro do campo onde ele já não era o mesmo, mas antes um jogador lento e preguiçoso. Espatifou carros, esbanjou dinheiro no jogo e na droga, perdeu vezes sem conta a cabeça. Até que em meados de 1979 o Major Valentim Loureiro deita-lhe a mão, levando-o para o seu Boavista. Pouco tempo lá esteve. Pouco depois e mais uma vez foram os amigos, os antigos companheiros de equipa a ajudarem-no, como por exemplo, António Simões, lenda do Benfica e da seleção nacional que em abril de 1980 o convence a ir para a Califórnia, nos Estados Unidos da América, para representar o San Jose Earthquakes, da NASL, clube cujo diretor desportivo era o próprio Simões.

Era o tempo em que o soccer dos States contratava velhas glórias da Europa para abrilhantar a galática NASL. Os Earthquakes eram propriedade de um multimilionário qualquer que gostava de contratar estrelas de futebol excêntricas, como Vítor Baptista e um tal de George Best, outro génio a quem a cabeça não deu juízo e que alinhava então nesta mesma equipa. Na América Vítor deslumbrou-se. Exigiu um Corvette descapotável e teve-o, mas pouco tempo usufruiu dele, pois duas semanas depois foi recambiado para Portugal. Veio representar o Amora, o último clube pelo qual pisou um relvado na 1.ª divisão nacional. Depois disso foi sempre a cair. Atlético da Malveira, União de Tomar, Montijo, Monte da Caparica, ou Estrelas do Faralhão, foi este o caminho descendente de um homem que com o passar do tempo se afundava cada vez mais em droga e mais droga. Pediu esmolas nas ruas de Setúbal, participou em assaltos, esteve preso por diversas ocasiões, tornou-se num marginal, tudo para sustentar o vício. Vezes sem conta os amigos tentaram dar-lhe a mão, leva-lo por outros caminhos menos duros, mas Vítor nunca se orientou e viveu até ao fim na corda bamba. A estrela apagou-se no dia 1 de janeiro de 1999 na sequência de um AVC.