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terça-feira, junho 07, 2022

Arquivos do Futebol Português (24)...

Fundado no dia 8 de Dezembro de 1911, este tornou-se ao longo dos anos num dos mais populares e queridos clubes do nosso país. Clube este que dá pelo nome de Sport Comércio e Salgueiros, o qual na temporada de 1917/18 viveu o seu primeiro momento de glória, ao vencer o Campeonato Regional do Porto, uma prova iniciada quatro anos antes, e que tinha como grande dominador do FC Porto, vencedor nas três edições anteriores, tendo o Boavista vencida a edição inaugural. O título dos encarnados de Paranhos foi carimbado na última e decisiva jornada do regional portuense de 17/18. Os salgueiristas visitavam o reduto do vizinho e rival Boavista, onde venceram por 3-0 e selaram a conquista. Nas páginas do jornal Sport de Lisboa, destacava-se que os do Bessa sem alguns dos seus principais jogadores com os quais havia iniciado a temporada - não será por demais recordar que por estes anos o futebol portuense ficou sem muitos dos seus intérpretes, os quais foram mobilizados para a I Guerra Mundial - sucumbiu perante um Salgueiros de qualidade. Terá sido, no entanto, um jogo duro, disputado nos limites, tendo os salgueiristas pagado caro a dureza com a expulsão de Couteiro ainda primeira parte. Porém, a expulsão terá sido perdoada no segundo tempo pelo juiz do encontro, João Diogo, que readmitiu em campo o atleta expulso (!!!), um atitude que deixou incrédula a assistência (boavisteira) e o cronista do encontro que rotulou esta atitude do árbitro de "excessiva". Além de duro este foi um jogo animado, com bons momentos de futebol, assim nos contou o Sports de Lisboa. Esta época no futebol distrital da Cidade Invicta fica marcada pela zanga entre o FC Porto e a Associação de Futebol do Porto, tendo os portistas acusado esta última entidade de não cumprirem os regulamentos, ao que a associação, com o apoio de muitos clubes da região, procedeu de pronto à suspensão do clube azul e branco da sua principal competição. 1918 foi mesmo um ano negro para o FC Porto, que além desta suspensão e de ter visto interrompida a sua hegemonia no Campeonato Regional, viu uma das suas estrelas da época tombar às mãos da guerra. O seu nome era Joaquim Vidal Pinheiro, nascido a 16 de dezembro de 1892 no Porto, tendo-se tornado na década de 10 num dos mais exímios atletas do emblema azul e branco. Entre os seus feitos como jogador destaca-se o facto de ter ajudado o clube a conquistar a primeira edição da Taça Monteiro da Costa, o primeiro grande título da história do FC Porto, em 1911. Mobilizado para a guerra, viria a tombar em combate na histórica Batalha de La Lys, no dia 9 de abril de 1918. Seria sepultado em França, no Cemitério Militar de Vieielle Chapelle, mas em 1921, o seu corpo foi transladado para o Cemitério do Prado do Repouso, na cidade do Porto.

Mas voltando ao cetro regional arrecadado pelos salgueiristas nessa temporada, para a história desta temporada ficam mesmo os nomes dos atletas que estiveram na génese deste êxito: Lino, Santos, Emílio, Xavier, Couteiro, Machado, Augusto, Sampaio, Mesquita, Almeida e Abrahão.

Benfica campeão de Lisboa em 1918

A sul, o mesmo será dizer em Lisboa, o Benfica sagrou-se novamente campeão do regional, num campeonato também muito marcado pelo conflito militar internacional, que fez com que muitos jogadores estrangeiros (na sua esmagadora maioria ingleses) que atuavam em muitos emblemas da capital tivessem de regressar aos seus países para combater. Nesse sentido o Campeonato de Lisboa foi composto somente por três clubes, a saber, o Benfica, o Sporting e o Império. Os benfiquistas terminaram a primeira volta do curto campeonato na primeira posição, fruto de duas vitórias, 2-0 sobre o Império na 1.ª jornada, e 2-1 sobre o grande rival Sporting na ronda seguinte. Isto em janeiro, sendo que a prova só regressaria em março (!), sendo que na 3.ª jornada derrotaram novamente o Império, desta feita por 2-1, sendo que na derradeira ronda conheceriam a sua única derrota na competição, aos pés do Sporting, por 1-3. Artur Garcia, Carlos Guimarães, Francisco Vieira, Alberto Mata, Clemente Guerra, Luís Caldas, Francisco Nunes, Henrique Costa, José Maria Bastos, Francisco Belas, Artur Augusto, Rogério Peres, António Brás, Fernando Jesus, Fausto Peres, Carlos Homem de Figueiredo, Silvestre Rosmaninho, Constantino Tetas, Cândido de Oliveira, Vítor Gonçalves, Manuel Crespo, Silvestre Silva, Jesus Crespo, Manuel Veloso, Ribeiro dos Reis, Alfredo Mengo, Luís Vieira, Carlos Sobral, Alberto Augusto, Alberto Rio e Herculano dos Santos, foram os homens que integraram o plantel orientado pelo treinador Cosme Damião que se sagrou vencedor da principal prova futebolística de Lisboa de então.

terça-feira, dezembro 03, 2013

Histórias do Futebol em Portugal (14)... A revolta dos operários de Alcântara!


A revolta dos operários de Alcântara, bem que podia ser o nome de um filme da autoria do malogrado João César Monteiro, ou o título de uma notícia sensacionalista aludindo ao corte de salários ou a uma ação de despedimento coletivo - situações tão comuns no Portugal dos dias de hoje! - de uma qualquer empresa do popular bairro lisboeta. Mas não, não se trata de qualquer notícia bombástica ou de uma obra de ficção cinematográfica, mas antes de um facto - ainda que metaforizado - que surpreendeu o Portugal futebolístico no ano de 1928, e que ainda hoje é encarada como uma das vitórias mais sensacionais - e sobretudo inesperadas - alcançadas por um modesto emblema na centenária história do desporto rei lusitano. Fazemos alusão ao triunfo do Carcavelinhos Futebol Clube na primeira grande competição de nível nacional - vulgo, o Campeonato de Portugal - na temporada de 1927/28. Fundado em 1912 o Carcavelinhos vivia na sombra dos grandes do futebol lisboeta, o mesmo será dizer, do Sporting, do Benfica, e do Belenenses, sendo apoiado entusiasticamente por um pequeno grupo de operários do emblemático bairro de Alcântara. A popularidade do Carcavelinhos estava porém longe de significar que este pequeno clube pudesse alcançar a glória na exigente prova que era já o Campeonato de Portugal. Mas o que é certo, é que pé ante pé, os operários de Alcântara chegaram ao topo, escrevendo quiçá o capítulo mais entusiasmante da fábula David vence Golias da Grande Enciclopédia do Futebol Português.

Este Campeonato de Portugal fica ainda marcado pelos números expressivos, não só o elevado números de clubes participantes - além dos seus campeões regionais algumas associações, casos de Lisboa e Porto, inscreveram na prova os segundo, terceiro, e quarto classificados dos seus respetivos campeonatos - mas também pelo avolumado número de golos marcados. Uma nota de rodapé também para dizer que à semelhança da temporada transata voltou a instituir-se a Competição de Classificação, uma prova disputada à margem dos campeonatos regionais que servia para apurar mais um leque de clubes para o Campeonato de Portugal.

Vendaval de golos em Lisboa e no Porto

Campeonato de Portugal cuja primeira eliminatória decorreu no dia 4 de março de 1928, e logo com uma série de goleadas que fizeram com que este fosse o certame mais produtivo - no que a golos concerne - da história desta competição que em 1938/39 encerrou portas para dar lugar à atual Taça de Portugal. A maior avalanche de golos ocorreu em Lisboa, no Campo Grande, recinto que acolheu o desnivelado duelo entre o gigante Sporting e o Torres Novas, o respresentante da Associação de Futebol de Santarém saído da Competição de Classificação. Encontro que não teve grande história, ou melhor, a história foi escrita somente em tons de verde e branco, como comprova o pesado resultado de 18-0 (!), a maior goleada de sempre do Campeonato de Portugal. Jurado foi o leão mais feroz apontado à baliza do modesto Torres Novas, já que na sua conta pessoal registou cinco golos, seguido de muito perto por José Manuel Martins e Abrantes Mendes, ambos com quatro tentos.
A norte, no Porto, o emblema mais representativo da cidade, o Futebol Clube do Porto não quis ficar atrás do rival de Lisboa, e na receção - no Campo do Bessa - ao Vila Real alcançou um triunfo por 13-1, com o destaque individual a ir para os hattricks de Freire, Valdemar Mota, e Acácio Mesquita, sendo que este último iria sair deste campeonato consagrado como o melhor marcador dos dragões, com quatro tentos.

Campo do Bessa que nesse dia teve sessão tripla, ou seja, após o vendaval portista seguiu-se um novo vendaval, desta feita protagonizado pelos donos do recinto, o
Boavista, que esmagaram o Lusitano de Vildemoinhos - o representante da Associação de Futebol de Viseu que fazia a estreia na prova - por 8-0, ao passo que para encerrar a maratona futebolística do Bessa o também caloiro Leça Futebol Clube derrotava o experiente - nestas andanças - Sporting de Braga por 2-1, graças à veia goleadora do avançado João da Costa, o autor dos dois tentos leceiros.
Na cidade conhecida como a Princesa do Lima, isto é, Viana do Castelo, o emblema local, o Vianense, caiu aos pés de outra das equipas sensação deste campeonato, o Salgueiros, por 2-1.
Estreia auspiciosa teve também o Fafe - um dos dois representantes da Associação de Futebol de Braga - que em casa, no Campo de S. Jorge, derrotou também por 2-1 a Académica, graças a dois golos de Freitas. Vitória curta seria igualmente alcançada pelo Beira-Mar, de Aveiro, que no seu Campo de S. Domingos bateu os portuenses do Sport Progresso por 3-2. Quanto aos campeões de Portugal em título, o Belenenses, receberam no Campo Grande o Luso Beja, tendo uma tarde inspirada do avançado azul Severo Tiago, autor de três golos, ajudado os pupilos de Artur José Pereira a vencer o combinado alentejano - que até esteve a ganhar - por 7-1.

Também no Campo Grande, que à semelhança do Campo do Bessa foi palco de mais do que um jogo nesse dia, o Casa Pia - cuja estrela-mor era o guarda-redes António Roquete, jogador este que no verão de 1928 defendeu a baliza da seleção nacional portuguesa nos Jogos Olímpicos de Amesterdão - derrotou por 2-1 os setubalenses do Comércio e Indústria. No Barreiro, Bento de Almeida, José Correia, e Agrípio Cardoso, desenharam um triunfo por 3-0 do Barreirense orientado por Augusto Sabbo sobre o União de Lisboa.
Por fim, em Setúbal, o finalista vencido da edição anterior, o Vitória Futebol Clube, não dava hipótese aos representantes do Algarve, o Lusitano de Vila Real de Santo António, que saiu do Campo dos Arcos vergado a uma derrota por 6-1. Vitória de Setúbal que nessa temporada tinha nas suas fileiras um atleta chamado António Palhinhas, que anos mais tarde haveria de se distinguir como...árbitro de futebol, tendo sido ele o juíz da primeira final da Taça de Portugal, disputada em 1939, entre a Académica e o Benfica.

Salgueiristas de alma grande eliminam o poderoso vizinho FC Porto

Quase dois meses depois da realização da ronda inaugural foi dada luz verde para que entrasse em cena a ronda dos oitavos-de-final, e logo com uma enorme supresa a norte. No Campo do Ameal - recinto dos portuenses do Progresso - a balança do favoritismo pendia para o lado do FC Porto na antecâmara do duelo com os vizinhos do Salgueiros. Partida que começou a um ritmo elevado, sendo que logo ao minuto cinco os salgueiristas presentes no Ameal foram ao delírio na sequência de um golpe fatal de Fernando Castro, talentoso extremo-esquerdo de Paranhos que na época posterior a esta histórica campanha da sua equipa iria transferir-se para... o FC Porto, onde jogaria nas oito temporadas seguintes. Festa do Salgueiros que no entanto iria durar apenas um minuto, já que pouco depois da bola ter ido ao centro do terreno Acácio Mesquita restabeleceu o empate. O pequeno - grande - Sport Comércio e Salgueiros não se amedrontou com esta recuperação do gigante da Invicta, e ainda antes do intervalo voltou para a frente do marcador no seguimento de um lance infeliz do portista Augusto Freire, médio que introduziu o esférico na baliza à guarda do seu colega de equipa Mihaly Siska. 2-1 para o Salgueiros, que na etapa complementar segurou heroicamente aquela que seria uma vitória histórica, e para a qual muito contribuiram Soares, Faísca, Sousa, Coentro Faria, Francisco Castro, Evaristo, Ventura, Teixeira, Américo Marques Teixeira, Reis, e Alberto Augusto (este jogador foi, recorde-se, o autor do primeiro golo da história da seleção nacional), os onze magníficos salgueiristas de alma imensa...
Quiçá envergonhados pela derrota ante o modesto vizinho de Paranhos os portistas desafiaram - mês e meio depois - os salgueiristas para um novo duelo - particular, desta feita - para tentar vingar a humilhante derrota, mas aquele não era de facto um bom ano para o FC Porto defrontar o Salgueiros, que na Constituição arrancaria um empate a duas bolas.

Nesta ronda entraria em ação o Benfica - orientado pelo lendário Ribeiro dos Reis, clube cuja estrela principal era Raul Tamanqueiro -, que na deslocação ao terreno do Fafe venceu facilmente a equipa local por 6-1. Fácil também foi o triunfo dos leões - Sporting - sobre os vizinhos do Império, por 4-1. No recém inaugurado Campo do Restelo - propriedade do Belenenses - um bis de José Correia dava a vitória (2-0) do Barreirense sobre os gansos do Casa Pia, enquanto que a norte - no Porto - o Boavista socumbia aos pés do Vitória de Setúbal por 2-4, enquanto que a aventura do Leça terminava diante de um avassalador Belenenses, que no Ameal venceu os leceiros por 8-1. Por fim, em Aveiro, sob a arbitragem do portuense Armando Moura, o futuro campeão de Portugal vencia a equipa da casa, o Beira-Mar, por 3-0, e mal passava pela cabeça dos quase desconhecidos jogadores do emblema de Alcântara que esta seria o início de uma odisseia memorável.

Agressões, insultos, e expulsões na reedição da final de 1927

A 13 de maio deu-se o pontapé de saída nos quartos-de-final da prova, e quis o sorteio que Belenenses e Vitória de Setúbal reeditassem a final da época anterior, que recorde-se havia sorrido aos azuis do Restelo. Só que este foi tudo menos um jogo de futebol, mais se assemelhando a uma batalha campal entre jogadores dos dois lados, travada no Campo das Amoreiras. Pautado por uma constante troca de insultos e agressões que levaram o árbitro do encontro, Armando Moura, a ter de dar ordem de expulsão a alguns atletas, entre outros o internacional belenense César de Matos, que estava já selecionado por Cândido de Oliveira para representar as cores nacionais no Torneio Olímpico de Amesterdão dali a poucas semanas. Pelo facto de ser um lemento fundamental na equipa das quinas a Federação Portuguesa de Futebol perdoou o castigo ao jogador belenense, que assim embarcou na aventura olímpica. Ah, quanto ao resultado desportivo desta final antecipada - assim foi denominado por muitos dos especialistas da bola daquela época - saldou-se numa vitória setubalense por 4-1, com golos de Nazaré (2), Armando Martins, e Luís Xavier, para os rapazes do Sado, enquanto que o lendário Pepe fez o tento de honra dos campeões em título, que assim caiam por terra.

Também nas Amoreiras, mas sem problemas e de forma tranquila, o Sporting batia o Barreirense por 5-0, com tentos de José Manuel Martins, Jurado, João Francisco, Abrantes Mendes, e Agostinho Cervantes.
Épico e emotivo até final foi o Benfica - União da Madeira. Aos 18 minutos os insulares colocaram as Amoreiras em silêncio, na sequência do golo de João Tomás de Sousa. A cinco minutos do descanso Pedro Sousa amplia a vantagem madeirense, e o público da casa teme o pior.
Porém, na etapa complementar apareceu Mário de Carvalho, virtuoso avançado benfiquista, que logo aos dois minutos reduziu para 1-2. O União - que teria nesta a sua única aparição no Campeonato de Portugal - não se acanhou, e três minutos volvidos fez o 3-1, de novo por intermédio de João Tomás de Sousa. A partir daqui Ribeiro dos Reis deu ordem aos seus jogadores para atacarem de todas as formas e feitios a baliza de Manuel de Sousa - de facto esta equipa do União tinha muitos Sousa's! - e ao minuto 63 Jorge Tavares encurta para 2-3 a desvantagem encarnada. O último quarto de hora foi diabólico, muito por culpa de um autêntico diabo à solta no retângulo das Amoreiras, Mário de Caravalho, de seu nome. Com dois golos - aos minutos 75 e 80 - ofereceu ao seu Benfica a passagem à meia-final frente a um União que até final lutou por um resultado positivo.

No Porto, mais precisamente no Campo do Covelo, um confronto de outsiders. Salgueiros e Carcavelinhos, lutavam pela última vaga nas meias-finais. E se contra o FC Porto os salgueiristas haviam sido heróis, ante o conjunto da capital foram uma sombra de si próprios. Os rapazes de Alcântara fizeram o que quiseram dos portuenses, chegando com facilidade à goleada (8-1), com destaque para os três golos de José Domingos e de Carlos Canuto, sendo que este último acumulava as funções de treinador e jogador. Reis foi o autor do tento solitário dos salgueiristas que assim saiam de cena mais cedo do que imaginariam, ainda para mais depois de terem posto fora do comboio um dos favoritos a chegar à estação final.

O sonho começa a transformar-se em realidade

Face ao enquadramento das meias-finais poucos seriam aqueles que não visionavam já um duelo Sporting - Benfica na final do campeonato. Os leões tinham pela frente o Vitória sadino, enquanto que as águias mediam forças com o Carcavelinhos. Favoritos eram pois os grandes de Lisboa. Mas nem sempre a teoria se confirma na prática, pelo menos no caso do Benfica. Nas Amoreiras, a 24 de junho, o Carcavelinhos fez história, Com um futebol dinâmico e artístico o emblema de Alcântara trocou as voltas ao poderoso Benfica, tendo vencido por 3-0 - todos os golos foram apontados na segunda parte. José Domingos, por duas ocasiões, e Carlos Canuto fizeram o gosto ao pé. Acontecesse o que quer que fosse este campeonato já tinha sido marcado pela surpresa chamada Carcavelinhos. Mas a história ainda não estava toda contada.
No outro jogo, também no mítico Campo das Amoreiras, o Sporting derrotava o Vitória de Setúbal por 3-1, com golos de Abrantes Mendes, José Manuel Martins, e Agostinho Cervantes, alcançando assim a desejada final.

Sporting tinha o pensamento no Brasil... e acabou por viver um pesadelo na Palhavã

No dia 30 de junho de 1928 o Campo da Palhavã (Lisboa) era pela primeira vez na sua história palco de uma final do Campeonato de Portugal. Tudo estava preparado para que a festa final fosse pintada em tons de verde e branco, as cores do super-favorito Sporting, que teria como missão provar que o surpreendente trajeto vitorioso do pequeno clube de Alcântara não tinha sido senão um mero golpe de sorte. Como estavam enganados os leões orientados por Filipe dos Santos. Além disso a equipa leonina queria rapidamente decidir aquela final, pois já tinha as malas feitas para no dia seguinte à final fazer uma longa viagem até ao Brasil, país onde iria realizar uma digressão a convite do Fluminense. O passeio até Terras de Vera Cruz terá subido em demasia à cabeça dos jogadores sportinguistas, que não querendo de maneira alguma perder o bilhete de embarque no paquete que os haveria de levar até ao Rio de Janeiro logo trataram de tirar o pé de acelerador na final do campeonato, de modo a evitar lesões que os impedisse de ir passear até ao outro lado do Atlântico. Ousadia que haveria de sair cara ao Sporting.
Até porque do outro lado estava o Carcavelinbos, equipa que para o treinador/jornalista Ribeiro dos Reis, o qual nas meias-finais havia visto o seu Benfica ser eliminado pelo clube de Alcântara, jogava de fato macaco, à operário, pois claro. «Uma equipa que possuí um sistema de ataque verdadeiramente sui generis: eram simulações a passar a bola, simulações a recebê-la, jogadores em corrida para o esférico dando a impressão de o irem dominar mas deixando-o seguir para um companheiro que já previa a manha do movimento, era, enfim, toda uma série de lances em que imaginação se aguçava, rasgava, encantava», escrevia Ribeiro dos Reis na sua análise aos campeões de Portugal de 1928.

Bom, quanto ao jogo propriamente dito - rico ao nível da qualidade técnica, de parte a parte -, o Sporting até entrou melhor, com duas oportunidades flagrantes no primeiro quarto de hora, primeiro por José Manuel Martins, que com um remate forte levou o esférico a sair a escassos centímetros do poste da baliza de Gabriel Santos, e posteriormente por Abrantes Mendes, que isolado perante o guardião de Alcântara permitiu que este num ato de bravura lhe saisse aos pés e ficasse com a posse da bola. Depois disto só deu Carcavelinhos. A magia dos operários de Alcântara entrou em campo, e aos 20 minutos na sequência de uma boa jogada de entendimento José Domingos inaugurou o marcador.
No segundo tempo o Sporting correu atrás do prejuízo, e com apenas sete minutos jogados Abrantes Mendes repõe a igualdade. Pouco depois o árbitro lisboeta Silvestre Rosmaninho é obrigado a interromper o encontro devido aos confrontos físicos que jogadores de ambos os lados da barricada levavam a efeito. Durante alguns minutos a magia do futebol - do Carcavelinhos - deu lugar a tristes cenas de pugilato, na sequência de uma entrada violenta de José Manuel Martins sobre o guarda-redes Gabriel Santos. Serenados os ânimos voltou-se ao futebol, e à magia do Carcavelinhos, traduzida em mais um golo de José Domingos. Depois disto os pupilos de Carlos Canuto tomaram as devidas precauções defensivas, abrandando um pouco o ritmo frenético do seu peculiar estilo de jogar futebol. Mas nem assim o Sporting - com a cabeça no Brasil? Ainda? - aproveitou, muito por culpa da desinspiração do seu setor ofensivo. A machadada final foi dada por Manuel Rodrigues, aos 75 minutos, com o 3-1, e este mesmo jogar ainda viria a desperdiçar uma grande penalidade já perto do final. No cair do pano a festa estalou para os lados de Alcântara, bairro popular que nesse ano viveu uma segunda noite de Santo António, devido à carreira memorável de uma equipa de artistas operários.

A figura: Carlos Alves

Até à conquista do título de campeão de Portugal a maioria dos jogadores do Carcavelinhos era totalmente desconhecida do grande público afeto ao futebol lusitano. A excessão a este quase total anonimato era Carlos Alves, o defesa-direito daquela célebre equipa de operários, e para muitos o melhor jogador português de sempre nesta posição! Carlos Alves nasceu em Lisboa, a 10 de outubro de 1903, e o Carcavelinhos foi o seu primeiro grande amor no futebol. Estreou-se no combinado de Alcântara nessa temporada de 27/28, e logo com o título de campeão de Portugal. As suas soberbas exibições nessa epopeia convenceram o selecionador nacional da altura, Cândido de Oliveira, a convocá-lo para o Torneio Olímpico de Futebol de Amesterdão, na época o maior evento futebolístico a nível global. Era além disso a primeira vez que Portugal surgia na alta roda do futebol internacional. Talvez por isso 1928 tenha sido o ano dourado da carreira de Alves: campeão de Portugal e titular do onze nacional nos Jogos Olímpicos, onde a seleção haveria somente de cair nos quartos-de-final aos pés do Egito. Portugal fez uma campanha memorável, para a qual muito contribuiu o talento de lendas como Pepe, Valdemar Mota, Vítor Silva, Raul Tamanqueiro, Jorge Vieira, Augusto Silva, César de Matos, e claro, Carlos Alves, o luvas pretas! Assim ficou eternizado o defesa direito. A razão desta alcunha? Porque jogava sempre de luvas pretas. Mas porquê? Ao que parece antes da final do Campeonato de Portugal de 1928 uma admiradora dele se abeirou e disse que se as utilizasse seria campeão. Carlos assim o fez, e de facto foi campeão. Dali em diante nunca mais deixou de usar as luvas, fosse em que jogo fosse. Deram sorte. Ainda em relação aos Jogos Olímpicos de 1928 os críticos da altura nomearam Carlos Alves como o melhor defesa-direito do torneio em parceria com o espanhol Jacinto Quincoces. Um luxo, e uma honra. Quem o viu jogar disse que era um jogador diferente, um homem que refinou a posição de defesa-direito, priveligiando a classe no toque de bola em simultâneo com a destreza do desarme, em vez do habitual - até então - estilo duro - e quase violento - dos defesas de roubar a bola ao adversário. Tinha um pé direito fortíssimo, e foi autor de muitos golos ao longo da sua carreira, muitos deles de livre direto, arte da qual era mestre.

Defendeu com brio a camisola do Carcavelinhos até 1933, altura em que viaja para o Porto para defender as cores do Académico Futebol Clube, entre 1934 e 1936. Ao serviço dos academistas participa na primeira edição do Campeonato Nacional da 1ª Divisão (34/35), ganho pelo FC Porto, emblema que em 35/66 contrata o valoroso jogador. De azul e branco vestido o luvas pretas não foi feliz, já que problemas pulmonares o atiraram para um sanatório onde ficou internado durante dois anos, e como consequência colocou um ponto final numa carreira formidável.
Depois, foi para Faro, onde treinou o Farense, criando ai a famosa equipa "o 8º Exército" - assim apelidada pela larga invencibilidade em todo o Algarve -, mas devido ao seu feitio - dizem - conflituoso abriu guerra a muitos jogadores do clube algarvio, o que levou à sua saída.
Veio depois para Albergaria-a-Velha, para treinar o modesto emblema local, o Alba, o clube onde começou a despontar o seu neto, João (Alves), que haveria de abraçar a fama na década de 70 ao serviço de clubes como o Benfica, o Paris Saint-Germain, ou o Salamanca.
Carlos Alves - que foi internacional por Portugal em 18 ocasiões - viria a falecer a 12 de novembro de 1970.

Nomes e números do Campeonato de Portugal de 1928

1ª eliminatória

Vianense - Salgueiros: 1-2

FC Porto - Vila Real: 13-1

Boavista - Lusitano Vildemoinhos: 8-0

Leça - Sp. Braga: 2-1

Fafe - Académica: 2-1

Beira-Mar - Progresso: 3-2

Sporting - Torres Novas: 18-0

Casa Pia - Comércio e Indústria: 2-1

Belenenses - Luso Beja: 7-1

Barreirense - União Lisboa: 3-0

Vitória de Setúbal - Lusitano VRSA: 6-1

Oitavos-de-final

Beira-Mar - Carcavelinhos: 0-3

Leça - Belenenses: 1-8

Sporting - Império: 4-1

Casa Pia - Barreirense: 0-2

Salgueiros - FC Porto: 2-1

Fafe - Benfica: 1-6

Quartos-de-final

Belenenses - Vitória de Setúbal: 1-4

Sporting - Barreirense: 5-0

Salgueiros - Carcavelinhos: 1-8

Benfica - União da Madeira: 4-3

Meias-finais

Benfica - Carcavelinhos: 0-3

Sporting - Vitória de Setúbal: 3-1

Final

Carcavelinhos - Sporting: 3-1

Data: 30 de junho de 1928

Árbitro: Silvestre Rosmaninho (Lisboa)

Estádio: Campo da Palhavã, em Lisboa

Carcavelinhos: Gabriel Santos, Carlos Alves, Abreu, Artur Pereira, Daniel Vicente, Carlos Domingues, Manuel Abrantes, Armando Silva, Carlos Canuto, José Domingos, e Manuel Rodrigues. Treinador: Carlos Canuto.

Sporting: Cipriano Santos, António Penafiel, Jorge Vieira, Martinho de Oliveira, Serra e Moura, Matias Lopes, João Francisco, Abrantes Mendes, João Jurado, Agostinho Cervantes, e José Manuel Martins. Treinador: Filipe dos Santos

Golos: 1-0 (José Domingos, aos 20m), 1-1 (Abrantes Mendes, aos 52m), 2-1 (José Domingos, aos 53m), 3-1 (Manuel Rodrigues, aos 75m)

Legenda das fotografias:
1-O poster do Carcavelinhos, campeão de Portugal em 1928
2-Acácio Mesquita, o melhor marcador do FC Porto nesta edição
3-Belenense Severo Tiago espreita mais uma oportunidade de golo durante o encontro com o Luso Beja
4-O guarda-redes internacional do Casa Pia, António Roquete
5-Fase do emblemático jogo entre FC Porto e Salgueiros
6-A equipa do Benfica
7-Jogadores do Carcavelinhos em ação
8-Mário de carvalho, o herói do Benfica nos quartos-de-final
9-Carlos Canuto, jogador/treinador do Carcavelinhos, e mais tarde árbitro internacional
10-O conjunto do Sporting
11-Carlos Alves disputa um lance na final do campeonato
12-Mais um lance da final do Campo da Palhavã
13-Carlos Alves, com a camisola do Carcavelinhos...
14-... e com a do Académico do Porto

sexta-feira, agosto 12, 2011

Estrelas cintilantes (28)... Alberto Augusto

O seu nome faz inevitavelmente parte da galeria de notáveis do futebol português. A entrada no restrito “Olimpo dos Deus” lusitanos deu-se quando a 18 de Dezembro de 1921, dia em que pela primeira vez na História a Selecção Nacional disputou o seu primeiro desafio internacional. Fê-lo em Madrid, ante a poderosa Espanha do lendário Ricardo Zamora. Uma estreia infeliz para o grupo luso orientado pelo mestre Cândido de Oliveira, conforme explica o resultado negativo de 1-3. Colectivamente pode não ter sido a melhor estreia na alta roda do futebol internacional mas para a nossa estrela cintilante de hoje foi um dia memorável, pois foi dele o único golo da equipa das “quinas”, o primeiro golo de Portugal em jogos internacionais! Alberto Augusto é o seu nome, um lisboeta nascido no bairro de Benfica a 31 de Julho de 1898. Avançado, iniciou a sua carreira precisamente no Benfica e desde logo se tornou numa das referências do clube encarnado graças ao seu exímio domínio de bola aliado à sua habilidade para aparecer nos momentos certos para fuzilar as balizas adversárias.
Jogou ainda como extremo-direito, formando “par” com o seu irmão Artur Augusto uma das alas mais encantadoras do futebol português da década de 20. Conhecido nos relvados como “batatinha” (desconhece-se a razão desta alcunha) foi convidado por diversas ocasiões para efectuar digressões internacionais por outros clubes. Numa dessas viagens, ao serviço do Vitória de Setúbal, deslocou-se até ao Brasil onde mostraria toda a sua classe com a bola nos pés. Conclusão: acabou por lá ficar uma temporada, actuando em jogos de exibição por alguns emblemas canarinhos.
Regressou a Portugal e ao seu Benfica onde ajudou o clube a conquistar dois títulos de campeão de Lisboa. Em 1924 saiu do emblema da capital para rumar ao norte, mais concretamente a Braga onde se tornou no primeiro jogador profissional a actuar pelos minhotos e onde até chegou a jogar como guarda-redes!
Depois de passar pelo Vitória de Guimarães colocou um ponto final na sua carreira que teve como ponto alto o tal golo apontado – de grande penalidade – ao mítico guarda-redes Zamora no histórico Espanha – Portugal de 1921. Vestiu em quatro ocasiões a camisola das "quinas". Morreria em 1973 com 75 anos de idade.

sexta-feira, junho 10, 2011

Histórias do Futebol em Portugal (2): A estreia "desnorteada" da Selecção Nacional

Foi sob o signo do puro amadorismo e – de algum – desconhecimento global do jogo que a Selecção Nacional fez o seu baptismo na alta roda do futebol internacional. Uma efeméride ocorrida há mais de 90 anos (!) no longínquo 18 de Dezembro de 1921. Nesse histórico dia um grupo de notáveis atletas e timoneiros na implantação do belo jogo no nosso país defendeu pela primeira vez o “emblema” das quinas num “match” internacional, tendo como madrinha desse baptismo a vizinha e poderosa Espanha.
Madrid e o estádio do Atlethic de Madrid – assim se chama o actual Atlético madrileno por ter sido fundado por bascos – testemunharam esse momento histórico do futebol luso. E tal como em outros tantos episódios da vida da nossa selecção também aquele Espanha – Portugal seria envolvido em polémica e quezílias desde o primeiro instante. A marcar a gigante onda de descontentamento a “política” da convocatória. Um dos maiores ases do pontapé da bola da altura, o belenense Artur José Pereira, recusou representar a nossa equipa pelo facto do seu irmão Francisco Pereira e o seu companheiro de equipa Alberto Rio não terem sido chamados.
Mas a polémica maior deu-se entre as cidades do Porto e de Lisboa. A começar pela recolha de fundos que a União Portuguesa de Futebol (organismo antecessor da actual Federação Portuguesa de Futebol) quis implementar com a disputa de um “match” entre as selecções das duas maiores cidades do país com o intuito de custear a viagem do combinado nacional a Madrid. A Associação de Futebol do Porto recusou desde logo esse jogo de angariação de fundos pois sabia de antemão que a Selecção Nacional iria ser composta por jogadores de Lisboa! E não andaria muito longe da verdade…
Portuenses que foram mais longe ao ameaçar o organismo máximo do futebol português que não permitiriam que nenhum jogador seu filiado participasse nesta estreia internacional de Portugal. Houve contudo um jogador que não acatou a ordem da entidade portuense, tendo viajado para a capital do país à revelia dos dirigentes nortenhos para se juntar à selecção nacional… que para os portuenses não era mais do que uma selecção de Lisboa! Artur Augusto era o nome do “desertor”, um homem que apesar de defender as cores do FC Porto era natural de Lisboa (!)
Ainda atiçados pela “guerra Norte-Sul” que se instalara em torno da estreia portuguesa além fronteiras os jornais do Porto lançavam provocações e lamentos sobre os seus “amigos” do sul. A revista Sporting, por exemplo, escrevia: «É para lamentar e até encher-se de pesar a alma de todos aqueles que amam o desporto e a sua terra, torrão abençoado e digno de melhor sorte, levado pela ambição, pela vaidade de meia dúzia de criaturas onde morreu o sentimento da mais elementar dignidade, a fazer-se representar em terras estranhas, fora do solo que amamos, por elementos cujos nomes foram escolhidos por simpatia, demonstrando à evidência um desconhecimento profundo de patriotismo, ligado ao maior desprezo pela causa pela qual tanto trabalhos…»
Quezílias à parte Portugal lá partiu para Madrid com um grupo de homens a quem muito o futebol nacional deve o ser. Nomes míticos como Ribeiro dos Reis, Jorge Vieira, ou o grande mestre Cândido de Oliveira fizeram parte desta primeira grande aventura. Nomes que mesmo estando possuídos de uma alegria e vontade desmedidas em levar futebolisticamente o nome de Portugal bem longe – e haveriam de consegui-lo com o passar dos anos – não foram capazes de impedir uma derrota na estreia no palco internacional deste desporto que ia já enlouquecendo multidões um pouco por todo o Mundo.
3-1 a favor da poderosa Espanha num campo pelado, duro e muitíssimo estreito (queixaram-se os portugueses) foi o resultado final deste baptismo internacional para as nossas cores. Curiosidade do acaso foi o facto do golo luso ter sido apontado pelo irmão do único jogador que não pertencia a Lisboa (!)… esse mesmo, Artur Augusto, cabendo a Alberto Augusto a honra de apontar o primeiro golo da história da Selecção Nacional, na sequência de uma grande penalidade, batedno o mítico guarda-redes espanhol “Don” Ricardo Zamora.
No Porto a derrota seria recebida com ironia… «a ansiedade dos desportistas portuenses em conhecer o resultado do desafio de Madrid foi satisfeita pelas 6 horas da tarde quando os nossos placards noticiaram que a Espanha tinha vencido o onze de Lisboa por 3-1. O resultado bastante honroso que o telégrafo nos anunciava era de molde a entusiasmar pessimistas e optimistas…»
Nota: Na fotografia o histórico “onze” que defrontou a Espanha nesse eterno dia 18 de Dezembro de 1921

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Memórias lusitanas (8)...

Campeonato Nacional da 1ª Divisão, Época 1941/42

CAMPEÃO NACIONAL: SPORT LISBOA E BENFICA

CLASSIFICAÇÃO GERAL:


CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Benfica-------22---19----0---3---74---34---38

2º Sporting--------22---17---0---5---93---31---34

3º Belenenses----22---12----6---4---66---32---30

4º FC Porto-------22---13---2---7---77---48---28

5º Académica-----22---13---0----9---77---51---26

6º Barreirense-----22---11---3---8---58---55---25

7º Unidos Lisboa---22---7---4---11---53---49---18

8º Olhanense-------22---6---2---14---42---83---14

9º Carcavelinhos----22---5---4---13---35---73---14

10º Acd. Porto------22---6---1---15---48---81---13

11º V.Guimarães----22---6---1---15---43---76---13

12º Leça--------------22---5---1---16---29---82---11

OS RESULTADOS DO CAMPEÃO:

SPORTING: 4-1 / 4-3

BELENENSES: 0-4 / 2-1

FC PORTO: 1-4 / 5-1

ACADÉMICA: 1-3 / 4-1

BARREIRENSE: 1-0 / 3-2

UNIDOS LISBOA: 4-2 / 2-0

OLHANENSE: 3-2 / 8-1

CARCAVELINHOS: 4-1 / 4-0

ACD. PORTO: 4-2 / 4-1

V. GUIMARÃES: 2-1 / 4-2

LEÇA: 5-2 / 5-0

OS NOMES DOS CAMPEÕES NACIONAIS:

Martins, Albino, Gaspar, Alfredo Valadas, Francisco Ferreira, Rodrigues, Teixeira, Nelo, Carlos Ferreira, Alcobia, Conceição, Manuel Costa, Galvão, Freire, Elói, Álvaro Pereira, Manuel Teixeira, Casimiro e António Rodrigues. Treinador: Janos Biri

A foto de família do Benfica campeão nacional português 41/42

 Clássicos do Futebol Português
(Jogos entre os Três Grandes - FC Porto, Benfica, e Sporting - no Campeonato Nacional da 1ª Divisão da época de 1941/42)

O "leão" João Cruz foi a grande figura do início do Campeonato Nacional de 1941/42, graças ao hattrick apontado ao FC Porto na abertura do certame

1ª Jornada

Sporting - FC Porto: 5-0
Data: 18 de janeiro de 1942
Campo do Lumiar (Lisboa)
Árbitro: António Palhinhas (Setúbal)

Sporting: Dores, Rui Araújo, Cardoso, Paciência, Daniel, Manuel Marques, Armando Ferreira, Pireza, Peyroteo, Canário, e Cruz. Treinador: Joseph Szabo

FC Porto: Andrasik, Sacadura, Guilhar, Anjos, A. Nunes, Baptista, Pratas, Augusto, Sarrea, Pinga, e Carlos Nunes. Treinador: Mihaly Siska

Golos: 1-0 (Cruz, aos 3m), 2-0 (Cruz, aos 5m), 3-0 (Cruz, aos 20m), 4-0 (Peyroteo, aos 50m), 5-0 (Armando Ferreira, aos 80m)

Avançado corpulento (pesava mais de 100 kg!!!) Correia Dias fez a sua estreia com a camisola do FC Porto precisamente nesta temporada. E que estreia que viria a ser! Com 36 remates certeiros ele foi o melhor marcador do campeonato, sendo que à 6ª jornada o Benfica provou do veneno do goleador da Invicta, que no seu primeiro dérbi bateu por três vezes o guardião encarnado Martins.
6ª Jornada

FC Porto - Benfica: 4-1
Data: 22 de fevereiro de 1942
Campo da Constituição (Porto)
Árbitro: Vasco Ataíde (Coimbra)

FC Porto: Andrasik, Humberto, Guilhar, Alvarenga, A. Nunes, Baptista, Pratas, António Santos, Correia Dias, Pinga, e Carlos Nunes. Treinador: Mihaly Siska

Benfica: Martins, Gaspar Pinto, Eloi, Alcobia, Francisco Ferreira, Manuel da Costa, Teixeira, Conceição, Barros, e Valadas. Treinador: Janos Biri

Golos: 1-9 (Correia Dias, aos 13m), 2-0 (Correia Dias, aos 30m), 3-0 (Correia Dias, aos 42m), 4-0 (António Santos, aos 61m), 4-1 (?)


8ª Jornada

Sporting - Benfica: 1-4
Data: 8 de março de 1942
Estádio do Lumiar (Lisboa)
Árbitro: Domingos Miranda (Porto)

Sporting: Azevedo, Rui Araújo, Cardoso, Paciência, Daniel, Manuel Marques, Mourão, Soeiro, Peyroteo, Canário, e Cruz. Treinador: Joseph Szabo

Benfica: Martins, Gaspar Pinto, Freire, César Ferreira, Albino, Francisco Ferreira, Barros, Rodrigues, Teixeira, e Valadas. Treinador: Janos Biri 

Golos: 0-1 (Rodrigues, aos 42m), 0-2 (Rodrigues, aos 49m), 0-3 (Teixeira, aos 64m), 1-3 (Rui Araújo, aos 65m), 1-4 (?)


12ª Jornada

FC Porto - Sporting: 3-0
Data: 5 de abril de 1942
Campo da Constituição (Porto)
Árbitro: António Palhinhas (Setúbal)

FC Porto:  Andrasik, Sarrea, Guilhar, A. Nunes, Anjos, Baptista, Matos, António Santos, Correia Dias, Pinga, e Carlos Nunes. Treinador: Mihaly Siska

Sporting: Azevedo, Rui Araújo, Cardoso, Paciência, Daniel, Manuel Marques, Mourão, Pireza, Soeiro, Canário, e Cruz. Treinador: Joseph Szabo

Golos: 1-0 (Correia Dias, aos 3m), 2-0 (Correia Dias, aos 19m), 3-0 (Carlos Nunes, aos 27m)


17ª Jornada

Benfica - FC Porto: 5-1
Data: 10 de maio de 1942
Campo Grande (Lisboa)
Árbitro: Álvaro Santos (Coimbra)

Benfica: Martins, Gaspar Pinto, Galvão, César Ferreira, Albino, Francisco Ferreira, Manuel da Costa, Barros, Rodrigues, Teixeira, e Valadas. Treinador: Janos Biri

FC Porto: Andrasik, Pinga, Guilhar, A. Nunes, Anjos, Baptista, Pratas, António Santos, Correia Dias, Gomes da Costa, e Carlos Nunes. Treinador: Mihaly Siska

Golos: 1-0 (Rodrigues, aos 7m), 2-0 (Manuel da Costa, aos 20m), 3-0 (Rodrigues, aos 43m), 4-0 (Pratas, aos 62m), 5-0 (Valadas, aos 77m)

A quatro jornadas do final do Nacional da 1ª Divisão de 41/42 os eternos rivais de Lisboa, Benfica e Sporting, defrontavam-se no Campo Grande naquele que na época foi classificado como o "jogo do título". Numa partida equilibrada o benfiquista Alfredo Valadas... desequilibrou, ao apontar o tento da vitória... e do título de campeão. 

19ª Jornada

Benfica - Sporting: 4-3
Data: 24 de maio de 1942
Campo Grande (Lisboa)
Árbitro: Paulo de Oliveira (Santarém)

Benfica: Martins, Gaspar Pinto, Freire, César Ferreira, Albino, Francisco Ferreira, Manuel da Costa, Barros, Rodrigues, Teixeira, e Valadas. Treinador: Janos Biri

Sporting: Azevedo, Rui Araújo, Cardoso, Paciência, Daniel, Manuel Marques, Mourão, Pireza, Peyroteo, Soeiro, e Cruz. Treinador: Joseph Szabo

Golos: 0-1 (Pireza, aos 8m), 1-1 (Francisco Ferreira, aos 30m), 1-2 (Soeiro, aos 35m), 1-3 (Cruz, aos 39m), 2-3 (?), 3-3 (Rodrigues, aos 48m), 4-3 (Valadas, aos 55m)

Melhor marcador do Campeonato Nacional da 1ª Divisão da época 1941/42:
Correia Dias (FC Porto): 36 golos

CAMPEÃO NACIONAL DA 2ª DIVISÃO: ESTORIL

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 1:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Vila Real---8---7---0---1---49---12---14

2º Famalicão---7---4---1---2---23---11---9

3º Fafe---8---3---1---2---17---19---7

4º Limarense---7---3---0---4---6---21---6

5º Operário (Famalicão)---8---1---0---7---12---44---2

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 2:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Vilanovense---10---5---4---1---28---15---14

2º Candal---10---6---1---3---39---19---13

3º Sp. Póvoa do Varzim---10---6---0---4---20---25---12

4º Avintes---10---4---1---5---20---20---9

5º Acd. Porto (reservas)---10---3---1---6---16---32---7

6º Coimbrões---10---2---1---7---22---34---5

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 3:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Ovarense---14---8---3---3---49---26---19

2º Sp. Espinho---14---9---0---5---51---30---18

3º U. Lamas---14---8---0---6---38---39---16

4º Sanjoanense---14---6---2---6---41---26---14

5º L. Coimbra---10---6---1---7---30---41---13

6º Académica (reservas)---10---5---1---8---23---54---11

7º U. Coimbra---10---5---1---8---26---32---11

8º Anadia---10---4---2---8---26---36---10

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 4:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Tondela---2---2---0---0---15---1---4

2º Mortágua---2---0---0---2---1---15---0

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 5:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Acd. Viseu---2---1---0---1---7---3---2

2º SL Viseu---2---1---0---1---3---7---2

*CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 6:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Portalegrense---4---2---2---0---9---5---6

2º Sp. Covilhã---4---1---2---1---6---2---4

3º Estrela de Portalegre---4---1---0---3---5---13---2

 *apesar de ter ganho a sua série o Portalegrense abdicou de participar na fase seguinte do campeonato, dando a vez ao Sp. Covilhã

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 7:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º U. Tomar---10---7---3---0---38---9---17

2º Vilafranquense---10---5---3---2---51---30---13

3º Atlético Vilafranquense---10---6---1---3---38---39---13

4º Acd. Santarém---10---3---2---5---41---26---8

5º Scalabitanos---10---3---1---6---30---41---7

6º Entroncamento---10---1---0---9---23---54---2

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 8:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Marinhense---4---3---1---0---19---2---7

2º Sport Marinhense---4---2---1---1---5---7---5

3º SL Marinha---4---0---0---4---2---17---0

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 9:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Torreense---4---2---2---0---9---4---6

2º Bombarralense---4---1---1---2---5---7---3

3º Caldas---4---1---1---2---5---8---3

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 10:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Benfica (reservas)---12---12---0---0---53---12---24

2º U. Lisboa (reservas)---12---7---1---4---42---24---15

3º Fósforos---12---6---1---5---35---17---13

4º Chelas---12---5---2---5---29---34---12

5º Marvilense---12---4---1---7---19---31---9

6º Sacavenense---12---2---2---8---23---54---6

7º Operário---12---2---1---9---22---51---5

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 11:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Estoril---10---7---1---2---36---14---15

2º Belenenses (reservas)---10---7---1---2---33---14---15

3º Sporting (reservas)---10---5---0---5---29---26---10

4º Carcavelinhos (reservas)---10---3---3---4---19---19---9

5º Casa Pia---10---3---1---6---13---24---7

6º Futebol Benfica---10---1---2---7---13---46---4

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 12:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º V. Setúbal---8---6---2---0---41---7---14

2º Unidos Lisboa---8---5---3---0---32---10---13

3º Onze Unidos---8---4---1---3---23---16---9

4º Aldegalense---8---1---0---7---16---31---2

5º Luso---8---1---0---7---6---54---2

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 13:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Luso Beja---6---6---0---0---23---11---12

2º Estremoz---6---2---2---2---10---9---6

3º Juv. Évora---6---2---1---3---15---15---5

4º L. Évora---6---0---1---5---5---28---1

CLASSIFICAÇÃO GERAL SÉRIE 14:

CLUBES-JOGOS-VITÓRIAS-EMPATES-DERROTAS-GM-GS-PONTOS

1º Farense---6---4---2---0---9---3---10

2º SL Faro---6---3---2---1---8---6---8

3º Lusitano VRSA---6---3---0---3---11---6---6

4º Olhanense (reservas)---6---0---0---6---4---17---0

APURAMENTO DO CAMPEÃO/PROMOÇÃO

Pré-Eliminatória

Torreense - Marinhense: 1-0

Tondela - Acd. Viseu*

*Acd. Viseu perdeu por falta de comparência

1ª Eliminatória

Leixões - Vila Real: 3-1

S. Covilhã - Tondela: 8-1

Famalicão - Vilanovense: 2-1

Estoril - U. Tomar: 5-0

Sp. Espinho - Ovarense: 0-0 / (1)

Luso Beja - Farense (2)

Benfica (reservas) - Torreense (2)

(1)desempate desconhecido 
(2)resultado desconhecido

Quartos-de-final

V. Setúbal - Estoril: 0-3

Sp. Espinho - Sp. Covilhã: 3-2

Leixões - Famalicão: 5-0

Benfica (reservas) - Luso Beja*

*resultado desconhecido

Meias-finais

Leixões - Sp. Espinho: 4-0

Estoril - Benfica (reservas): 3-2

Final

Estoril - Leixões: 4-4 / 3-1 (desempate)*

*Apesar de campeão da 2ª Divisão o Estoril abdicou de subir de escalão, dando a vez ao Leixões
Taça de Portugal, Época 1941/42

1ª Eliminatória


Belenenses - FC Porto: 5-1

Olhanense - Acd. Porto: 3-1

Unidos Lisboa - Académica: 3-3 / 4-2 (jogo de desempate)

Leixões - Luso Beja: 3-0

V. Guimarães - Estoril: 7-2

Sp. Espinho - Carcavelinhos: 4-2

Sporting - Leça: 6-2

Benfica - Barreirense: 2-0

Quartos-de-final

Belenenses - Olhanense: 1-1 / 3-0 (jogo de desempate)

Unidos Lisboa - Leixões: 6-0

V. Guimarães - Sp. Espinho: 4-1

Sporting - Benfica: 4-0

Meias-finais

Belenenses - Unidos Lisboa: 5-0

V. Guimarães - Sporting: 2-1

Final

Belenenses - V. Guimarães: 2-0


Data: 12 de Julho de 1942

Estádio: Campo do Lumiar, em Lisboa

Árbitro: Vieira da Costa, do Porto

Belenenses: Salvador Jorge, José Simões, António Feliciano, Mariano Amaro, Francisco Gomes, Serafim Neves, Artur Quaresma, António Elói, Gilberto Vicente, José Pedro e Franklin Oliveira. Treinador: Rodolfo Faroleiro.

V. Guimarães: Machado, Lino, João, Castelo, Zeferino, José Maria, Laureta, Miguel, Alexandre, Ferraz e Arlindo. Treinador: Alberto Augusto.

Marcadores: Artur Quaresma e Gilberto Vicente.

Na primeira final sem a presença de qualquer representante dos "3 grandes" do futebol lusitano o Belenenses fez história ao conquistar a sua primeira Taça de Portugal

 Clássicos do Futebol Português
(Jogos entre os Três Grandes - FC Porto, Benfica, e Sporting - na Taça de Portugal da época de 1941/42)
Quartos-de-final

Sporting - Benfica: 4-0

Data: 28 de junho de 1942
Campo do Lumiar (Lisboa)
Árbitro: Vieira da Costa (Porto)

Sporting: Dores, Rui Araújo, Cardoso, Paciência, Daniel, Manuel Marques, Armando Ferreira, Pireza, Peyroteo, Soeiro, e Cruz. Treinador: Joseph Szabo

Benfica: Martins, Gaspar Pinto, Freire, César Ferreira, Albino, Francisco Ferreira, Manuel da Costa, Barros, Rodrigues, Conceição, e Valadas. Treinador: Janos Biri

Golos: 1-0 (Cruz, aos 6m), 2-0 (Peyroteo, aos 42m), 3-0 (Soeiro, aos 53m), 4-0 (Pireza, aos 75,m)