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quarta-feira, abril 24, 2013

Figuras do apito (1)... John Langenus - O excêntrico belga com papel de destaque na história dos Mundiais

Na maioria das ocasiões eles dão vida ao lado mais polémico do futebol. As suas decisões nem sempre são encaradas com fair-play, e muitas vezes são apontadas como a causa de uma derrota, da perda de um título, ou mesmo da violência física tristemente portagonizada por artistas e adeptos do belo jogo. Quando se ganha ninguém se lembra deles, mas quando se perde toda a gente lhes aponta o dedo reprovador. Apesar de tudo eles fazem parte do espetáculo, são eles que o dirigem, para o bem... e para o mal. Eles são os árbitros de futebol, as figuras do apito, que de hoje em diante terão uma vitrina a eles reservada nos corredores do Museu Virtual do Futebol.
E a nossa primeira estrela - sim, eles também brilham no universo futebolístico - é quiçá a primeira figura mediática da arbitragem internacional. John Langenus, de seu nome, belga de nascimento que ficou célebre por ter dirigido a primeira final de um Campeonato do Mundo, no Uruguai, em 1930. Este terá sido um justo prémio para aquele que era na altura considerado o melhor juíz do planeta, que a nível internacional havia feito a sua estreia nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, em 1928.
Nasceu a 8 de dezembro de 1891, em Berchem, próximo de Antuérpia, e descobriu a aptidão para o apito, digamos assim, depois de comprovar o seu pouco - ou mesmo nenhum - talento para a interpretação do jogo enquanto praticante. A este propósito uma vez disse Diego Armando Maradona: «Quem tem jeito (para a prática do futebol) vai para jogador, quem não tem vai para... jornalista desportivo»! Pois bem, longas décadas antes desta célebre teoria ter sido lançada a público pela lenda argentina já Langenus a punha em prática, já que além do talento para apitar jogos de futebol ele revelava-se igualmente um habilidoso artesão das palavras, o mesmo é dizer, um notável jornalista desportivo. Esta foi pois a (dulpa)forma que este cidadão belga encontrou para continuar ligado ao desporto que tanto amava. No entanto, a sua entrada na arbitragem também não foi fácil, já que ao desconhecer a resposta para a questão sobre "o que fazer quando a bola bater num avião que voasse a baixa altitude…" (!) fez com que reprovasse no primeiro exame de admissão para ser árbitro! Acontece aos melhores...

Homem culto - dominava quatro idiomas - Langenus, que profissionalmente desempenhava funções de chefe de gabinete do governador de Antuérpia, era, como já vimos, um apreciado jornalista, tendo escrito centenas de crónicas alusivas a encontros de futebol, grande parte delas guardadas nos arquivos da prestigiada revista alemã Kicker, com quem o belga colaborou durante muito tempo. Curioso é que grande parte dos jogos analisados jornalisticamente, por assim dizer, por John Langenus eram, ou tinham sido, dirigidos... por ele próprio! Reza a lenda que no final de cada jogo recolhia aos balneários onde redigia a crónica desse mesmo jogo para depois a enviar para a Kicker. 
Dentro do campo tinha pulso forte com os jogadores, onde o seu metro e noventa de altura impunha respeito. Ganhou pois a admiração de uma classe (futebolistas) que além de respeito para com ele olhava-o com algum espanto! É verdade. Além de dar nas vistas como árbitro Langenus atraia as atenções - quer dos jogadores, quer do público - pela forma exótica como se equipava. Usava sempre umas calças largas - à golfista! -, meias até ao joelho, jaqueta cumprida, e uma pequena gravata, que lhe conferiam um visual muito peculiar.

Batismo internacional

O dia 25 de fevereiro de 1923 fica marcado na carreira do primeiro grande nome da arbitragem planetária, o dia em que dirige o seu primeiro encontro internacional, facto ocorrido em Paris, onde a França venceu por 3-2 o Luxemburgo. Dali em diante visita mais algumas cidades europeias, onde arbitra sobretudo encontros internacionais de caráter particular. Os níveis da sua popularidade foram subindo de tom, não admirando que em 1928 fosse chamado ao torneio olímpico de futebol, na altura o maior evento futebolístico à escala planetária. Em Amesterdão, localidade onde decorreram as Olimpíadas de 28, Langenus vivenciou o seu primeiro momento de glória no mundo da arbitragem, ao apitar dois jogos na qualidade de árbitro principal, e atuado como linesman (fiscal de linha, ou árbitro assistente como agora são denominados) na grande final olímpica.
A 30 de maio de 1928, no Estádio Olímpico de Amesterdão, ele dirige a partida que colocou frente a frente a equipa da casa, a Holanda, aos futuros campeões olímpicos, ou melhor, bi-campeões olímpicos, o lendário conjunto do Uruguai. Uma oportunidade única para os adeptos holandeses verem na sua pátria algumas das estrelas do futebol daqueles anos 20, casos de José Nasazzi, Héctor Scarone, a Maravilha Negra José Leandro Andrade, ou... John Langenus, também ele já uma verdadeira estrela do futebol internacional. Ainda nessa histórica Olimpíada o belga dirigiu um novo encontro, também ocorrido no estádio olímpico, e que opôs a Itália ao Egito. Em jogo estava nada mais nada menos do que a medalha de bronze, a qual iria para o peito da squadra azzurra, depois de um categórico triunfo sobre os faraós por 11-3. Este facto ocorreu a 9 de junho, quatro dias antes da final, onde marcaram presença as duas potências do futebol sul-americano da época, tidas aliás para muitos como as seleções mais fortes do mundo, a Argentina e o Uruguai.
Para apitar o jogo mais aguardado do torneio - o qual seria ganho pelos uruguaios - foi chamado o holandês Johannes Mutters, o qual seria coadjuvado pelo italiano Achile Gama e o... belga John Langenus. Era já mais do que evidente o prestígio que angariava a nível internacional.

Momento de glória vivido em Montevidéu

De tal modo que aquando da realização do primeiro Campeonato do Mundo, dois anos mais tarde, em Montevidéu, capital do Uruguai, a FIFA não teve dúvidas em colocar Langenus na lista dos árbitros convidados a marcar presença naquele importante evento. Efetuou a longa viagem para Montevidéu no majestoso navio Conte Verde, o mesmo onde viajavam as delegações da FIFA, da Roménia, França, e Bélgica, três seleções que a par da Jugoslávia - que viajou noutro navio - representavam a Europa no primeiro Mundial da história. Em Montevidéu, onde decorreu toda a ação, Langenus apitou quatro jogos, o Uruguai - Perú (1-0), o Argentina - Chile (3-1), ambos alusivos à primeira fase do torneio, o Argentina - Estados Unidos da América (6-1), e o Uruguai - Argentina (4-2), este último a grande final do evento.
Na meia-final disputada entre argentinos e norte-americanos não se livrou de duras críticas dos soccer boys, que o acusaram de fazer vista grossa ao violento jogo praticado pelos sul-americanos, para quem ao que parece tudo valia, desde empurrões, pontapés, insultos... A fúria dos yankees para com o belga foi tão grande que a equipa médica do combinado da América do Norte chegou mesmo a agredir o árbitro com um estojo médico (!) arremessado para dentro do retângulo de jogo.

Após dirigir esse polémico jogo Langenus escreveu a habitual crónica para o Kicker, aproveitando posterirmente a sua estadia na América do Sul para conhecer outros locais daquele canto do Mundo. Atravessando então o rio de La Plata - que divide o Uruguai da Argentina - visita Buenos Aires, onde dias antes da grande final, precisamente entre os dois velhos inimigos, Argentina e Uruguai, recebe um telefonema dos dirigentes da FIFA que lhe pedem que regresse de imediato a Montevidéu para apitar a... final! Um pouco surpreendido o belga compra de imediato o bilhete para regressar de barco à capital uruguaia, e é aqui que conhece os primeiros contornos da fervorosa paixão que aquele jogo estava a provocar entre os adeptos dos dois países. Ainda em Buenos Aires ele percebe que aquela final era muito mais do que um jogo, era uma questão de vida ou de morte. E como se apercebeu que não iria agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo, isto é, algum dos países iria olha-lo com ódio (!) na conclusão do Mundial, ele decide fazer de imediato um acordo com a FIFA. Para garantir a sua segurança exigiu que logo após o apito final lhe fosse facultado um transporte que o tirasse do Estádio Centenário rumo ao porto de Montevidéu, e dali embarcar rapidamente rumo à Europa, a salvo da mais do que provável ira de um dos derrotados. Exigência aceite John Langenus regressou então a Montevidéu num barco apinhado de fanáticos adeptos argentinos, que nem sequer imaginavam que aquele gentleman de envergadura alta seria o árbitro da final!

No dia 30 de julho sobe ao relvado do majestoso Estádio Centenário, construído propositadamente para este Mundial, e ainda antes de dar início ao esperado duelo a polémica estoirou. Na escolha de campo os dois capitães (Nasazzi do lado uruguaio e Ferreira do lado argentino) discutiam. O uruguaio queria jogar com uma bola feita em seu país. O argentino, com uma bola feita na Argentina. Perante esta birra o árbitro belga decidiu que no primeiro tempo joga-se com a bola argentina e no segundo com a bola uruguaia. Com a bola argentina, os uruguaios conseguiram o primeiro golo, aos 12 minutos, marcado por Dorado. Oito minutos depois, Peucelle empatou. Aos 37 minutos, Stabile, o artilheiro do campeonato, marcou o segundo tento argentino. E a primeira parte chegou ao fim com os argentinos a vencer por 2-1. Foi espantosa a  reação uruguaia na etapa complementar, jogando com a bola feita em casa. Aos 12 minutos, Cea empatou. Aos 23, num remate de fora da área, Iriarte pôs o Uruguai em vantagem. O país vivia momentos de sofrida espera quando, num contra-ataque Dorado centrou da direita, pelo alto, e Castro com uma cabeçada fulminante mandou a bola para o fundo das redes. Era o quarto golo. Um minuto depois, o jogo acabava. E o Uruguai era assim o primeiro campeão do Mundo da história.
Terminada a final Langenus correu - pelo próprio pé, já que o transporte que lhe havia sido assegurado pela FIFA não estava lá! - rapidamente para fora de um estádio que estava em profundo delírio com o triunfo da celeste. Chegado ao porto de Montevidéu as notícias para o belga não eram nada boas. O cerrado nevoeiro que se abateu sobre o rio de La Plata fez com que as autoridades marítimas cancelassem a partida de qualquer tipo de embarcação. Os planos de Langenus tinham saído furados, não tendo outro remédio senão passar a noite escondido no seu camarote do navio Duilio que o levaria no dia seguinte de volta a terra segura, isto é, a Europa.

Como grande celebridade que já era no mundo da arbitragem não foi com surpresa que quatro anos mais tarde fosse de novo chamado à fase final de um Campeonato do Mundo, desta feita em Itália, embora aqui apenas tivesse dirigido um encontro, o Checolosváquia - Roménia, disputado em Trieste, e que terminou com a vitória da primeira seleção por 2-1. E como não há duas sem três foi chamado em 1938 para um novo Mundial, desta feita em França, onde apitou dois encontros. O primeiro, disputado no Parc des Princes, em Paris, foi histórico para Langenus. Suíça e Alemanha discutiam a passagem aos quartos-de-final, e eis que aos seis minutos do prolongamento o germânico Pesser tem uma entrada para lá de violenta sobre um adversário, recebendo ordem de expulsão do belga, a única sanção disciplinar deste género que aplicou a um jogador em toda a sua carreira. A despedida dos grandes palcos ocorreria ainda nesse Mundial, quando é nomeado pela FIFA para dirigir o jogo de atribuição dos terceiros e quartos lugares, entre Brasil e Suécia, vencido pelos primeiros.
Numa altura em que os jogos internacionais eram escassos, ao contrário do que hoje acontece, John Langenus apitou um total de 85 jogos! Retirou-se definitivamente da arbitragem em 1939, tendo passeado a sua classe por diversos países do Mundo, inclusive Portugal, pais que teve a honra de receber uma visita sua, a 23 de fevereiro de 1930, quando no Porto dirigiu um Portugal-França, concluído com um triunfo luso por 2-0. Depois de retirado dedicou-se à sua outra paixão, a escrita, tendo publico entre outros livros alusivos ao futebol o célebre "Whistling in the World", uma autobiografia onde eternizou as suas aventuras pelo Mundo da bola. Faleceu na sua cidade natal, a 1 de dezembro de 1952, com 60 anos de idade.

Legenda das fotografias:
1-John Langenus
2-Na escolha de campo com os capitães de Holanda e Uruguai, nos Jogos Olímpicos de 1928
3-Como árbitro assistente na final de Amesterdão
4-Na viagem para Montevidéu
5-Com os capitães do Uruguai e Argentina, antes da final do Mundial de 1930
6-Golo da Argentina, em pleno Centenário, com Langenus ao fundo a visionar o lance
7-A peculiar imagem do primeiro grande ícone da arbitragem internacional

sexta-feira, setembro 10, 2010

Estrelas cintilantes (21)... Varallo

A sua morte eclipsou a última estrela que restava no céu que paira sobre os encantadores e saudosos caminhos do primeiro Campeonato do Mundo de futebol. A sua existência estava para o “Desporto Rei” como a Mona Lisa guardada a “sete chaves” no Louvre parisiense para a humanidade. O seu adeus ao mundo dos vivos significou o desaparecimento da única recordação viva do mágico Mundial de 1930. Francisco Varallo, “El Cañoncito” do futebol argentino deixou-nos no passado dia 30 de Agosto com a mágica idade de 100 anos e é sobre ele que o MVF abre hoje propositadamente as suas portas.
Nascido em La Plata (província de Buenos Aires) a 5 de Fevereiro de 1910 “Pancho” Varallo cedo começou a evidenciar os seus dotes futebolísticos nas “canchas” imaginárias das artérias do país da pampas. Aos 14 anos era já uma das estrelas do clube da sua terra, o 12 de Octubre, onde seria rotulado de “El Cañoncito” (o pequeno canhão) devido ao seu forte e habilidoso poder de remate. Com 18 anos foi chamado pelo “gigante” Estudiantes para um treino experimental, um treino que acabaria por prolongar-se por três jogos particulares efectuados com a camisola do clube de La Plata nos quais “Pancho” apontaria 11 golos! Posicionando-se no rectângulo mágico como avançado seria no entanto no rival do Estudiantes, o Gimnasia y Esgrima, que Varallo faria em 1929 a sua estreia oficial numa principal equipa sénior. E a estreia de “El Cañoncito” no futebol sénior não poderia ter corrido melhor, pois nesse mesmo ano o Gimnasia sagrava-se campeão argentino depois de derrotar o Boca Juniors na final. E seria curiosamente no mítico clube de “La Bombonera” que “Pancho” Varallo actuaria nas seguintes nove temporadas, o mesmo será dizer também até ao final da sua carreira. Com a camisola do Boca venceria mais três campeonatos argentinos (1931, 1934, e 1935), tendo-se tornado até há muito pouco tempo no maior goleador de sempre do clube de Buenos Aires com 180 golos em 210 encontros realizados, um célebre recorde só batido por Martín Palermo em 2008.
A transferência do Gimnasia para o Boca ficou a dever-se em grande parte às magníficas exibições de Varallo com as cores da selecção da Argentina durante o Mundial de 30, o primeiro da FIFA, e realizado como se sabe no Uruguai. “Pancho” era o elemento mais novo de uma equipa que viria a sagrar-se vice-campeã do Mundo depois de cair aos pés da fabulosa selecção do Uruguai (por 4-2) numa épica final ocorrido no “sagrado” Estádio Centenário, em Montevideu.
Um desfecho que poderia muito bem ter sido outro não fosse uma bola enviada à baliza uruguaia ter embatido na trave da mesma quando o resultado era de 2-1 a favor dos argentinos. O autor desse azarado remate? Francisco Varallo, o elemento mais novo em campo da primeira final de um Campeonato do Mundo da FIFA. Neste primeiro grande certame futebolístico de âmbito Mundial Varallo apontou um golo (ante o México na 1ª fase).
“Pancho” retirou-se dos campos com apenas 29 anos, na sequência de uma grave lesão no joelho. Estávamos no ano de 1939, dois anos depois de “Pancho” ter vencido a sua única competição com a camisola da Argentina (a qual representou em 16 ocasiões) vestida: a Copa América.
Seguidamente o MVF apresenta um precioso texto encontrado – e esquecido – nas “profundezas do báu das histórias de encantar da bola”, da autoria do jornalista Jorg Wolfrum, publicado há pouco mais de quatro anos na revista Kicker, texto esse traduzido posteriormente para a revista Trivela (Brasil) e que retrata uma entrevista feita ao único homem – na altura – vivo que jogou o primeiro Campeonato do Mundo. Aqui fica transcrita na integra esta “pérola literária da bola”...

Este senhor jogou a final de 30

Aos 95 anos, o ex-atacante argentino Francisco Varallo é o último sobrevivente da final do primeiro Mundial. O “Pequeno Canhão” recorda à revista Copa’06 (nota: posteriormente viria a chamar-se Trivela) como foi aquela partida em Montevidéu vencida por 4 a 2 pelos uruguaios

por Jorg Wolfrum

“Palo borracho” floresce com beleza na praça Brandsen, em La Plata. Tudo é muito bonito, em branco e rosa, mas a memória da bola salva por (José Leandro) Andrade em cima da linha, na final da Copa de 30, permanece viva.

Já dá para enxergar, em uma das esquinas onde cruzam as ruas 60 e 25, a Lotérica Francisco “Pancho” Varallo, localizada ali há mais de 30 anos. Em Outubro, um apostador ganhou ali um milhão de pesos (pouco menos do que o mesmo valor em reais). A casa dos fundos foi construída por Don Pancho em 1932 com os 8 mil pesos de seu primeiro salário recebido como jogador do Boca Juniors. “Uma quantia astronômica”, recorda-se o último sobrevivente da final da primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. Antes disso, ele recebia 20 pesos por semana, para jogar pelo Gimnasia y Esgrima de La Plata.

Os tempos eram outros. No “superclássico” de 1933, contra o River Plate, por exemplo, um policial queria prender Varallo porque um adversário segurou seu braço numa disputa de bola. E ele o quebrou. “Imagine só a situação”: um baixinho de 1,65 m de altura, com chuteiras tamanho 37, no meio dos grandalhões raivosos do River. Enquanto se lembra, suas rugas profundas formam um sorriso de orelha a orelha e fazem parecer menor seu grande nariz e quebram a rigidez de seu rosto.

Os tempos eram outros. Mas se aquela maldita bola tivesse entrado quando ele defendia a seleção Argentina... Num instante desaparece seu sorriso. Nesse momento, as rugas ficam ainda mais profundas em sua testa e Francisco Varallo parece irritado consigo mesmo. Mesmo com os 181 gols que marcou em 210 jogos como atacante do Boca. Uma média de 0,86 gol por partida, até hoje um recorde -e um pouco melhor até que a média de Gerd Muller na Bundesliga (365 gols em 427 partidas). Mas aquela maldita bola não queria entrar. “Nós teríamos sido campeões do mundo”.

Foi em 30 de julho de 1930, no Estádio Centenário de Montevidéu, então o maior da América Latina. Contra o Uruguai, então o melhor time do mundo. Varallo bate a mão na mesa. Não que essa lembrança o deixe irritado o tempo todo. Para isso, o homem chamado de “Pequeno Canhão” já havia vivido o bastante.

Em 1929, tornou-se campeão com o Gimnasia y Esgrima, ainda na era do amadorismo. Como profissional, conquistou três títulos com o Boca. E, com a seleção argentina, o Campeonato Sul-Americano de 1937. Ele construiu a casa onde vive até hoje e também uma para seus pais. Mas a lembrança desse momento contra o Uruguai insiste em não desaparecer de sua memória.

Depois do 1 a 0 de Dorados, Peucelle e Stabile, os artilheiros do primeiro Mundial, colocaram os visitantes na frente antes do intervalo. “Éramos claramente superiores no primeiro tempo e tínhamos de marcar pelo menos uns quatro ou cinco gols antes do intervalo”, recorda-se Varallo, que com dez minutos do segundo tempo chutou uma bola na trave. “Você tem de acreditar em mim”, ele insiste. E ele é o último dos jogadores que esteve em campo naquela partida. Nem mesmo ele consegue acreditar.

Para fugir dessa lembrança, ele muda o assunto para a comemoração do centenário de seu Boca Juniors, quando foi ovacionado. Mais aplausos do que Varallo só Diego Maradona recebeu. “De repente vieram crianças pedir para tirar uma foto comigo e que eu lhes desse autógrafos. Sabe o que eu respondi a eles?”

O que, Don Pancho?
Que eles haviam me dado o melhor presente da minha vida. “Mas vocês nunca me viram jogar”. E eles me responderam: “Por causa do senhor, Don Pancho, meu avô virou torcedor do Boca Juniors. E por isso, eu também sou”. Então contei um pouco aos garotos a respeito dessa final.

Também da sua chance desperdiçada?
Claro, mas ainda pior. Pois o Fernandez baixou o sarrafo em mim e voltei a sentir uma contusão no joelho que já me havia tirado da semifinal. Mas, naquela altura, o jogo já era uma guerra.

E havia mesmo ameaças de morte?
Levamos isso muito a sério. Cinco, seis de nós estavam se borrando de medo e nem queriam entrar em campo. Mas fui ao treinador e falei que já estava recuperado e pronto para jogar.

E não era verdade?
Era uma mentirinha, mas eu precisava fazê-lo. Mesmo eu sendo castigado no segundo tempo. Mas eu estava lá! Um moleque de 20 anos, que conseguiu realizar sua vontade.

Qual era o clima no estádio?
Inacreditável. Na época, todos os estádios eram menores. Só construíram aquele monstro (o Centenário) para a Copa do Mundo no Uruguai. Nunca havíamos visto nada igual. Era uma loucura aquele ambiente.

Você pode se explicar melhor?
Era bárbaro, uma insanidade. Meu pai mesmo precisou comprar uma bandeira uruguaia, senão teria sido morto. Na época, em Buenos Aires, existiam rumores de que o vencedor já estava certo antes do jogo. Tudo bobagem. No final das contas, ganharam da gente só porque tiveram mais culhões. Com força, brutalidade e também com astúcia. Com isso, eles conseguiram nos intimidar. E isso me deixa até hoje com raiva. Foi uma vergonha.

Por que isso aconteceu?
Eles eram mais experientes e nós, apenas uns moleques. E mesmo assim não poderíamos ter deixado isso acontecer. Quando Monti e Suarez se machucaram, aí já era. A bola pesava uma tonelada e não podíamos substituí-los. Com oito jogadores, não tínhamos chance e por isso eles marcaram três vezes e fizeram 4 a 2.

Mas a vitória foi merecida?
Claro, eles não eram bandidos, vilões. Poderiam ter ganho por até 8 a 2. Mas tínhamos prometido a vitória para Gardel.

Carlos Gardel, o rei do tango?
Ele foi à nossa concentração. Ficamos tão emocionados que até choramos. Mas depois de cantarmos um tango juntos. Então Gardel falou: “Muchachos, deixem a canção comigo. Vocês, tratem de se concentrar na final”.

A medalha do vice-campeonato lhe foi roubada anos atrás. O que resta é o tango em sua homenagem: “Varallo, Varallito, querido Varallo”. Mas o homenageado ainda espera por um bisneto. “Alguém na família tem de jogar futebol”, diz. “Mas só tivemos meninas”.

Em Fevereiro, ele foi homenageado mais uma vez, agora pela Conmebol, no Paraguai. Mas ele preferia ter ficado em La Plata e tomar uma taça de vinho, como fazia 65 anos atrás, na Copa do Mundo. “Não que a gente estivesse lá apenas para se divertir”, explica. Afinal, o melhor futebol foi jogado nas margens do rio da Prata. “Não podíamos nos acabar na farra”. E o boato de que Lucien Laurent, autor do primeiro gol da história das Copas do Mundo, teria comemorado seu feito num bordel? “Pura lenda”.

O presidente da AFA, Julio Grondona, convidou Varallo para ir à Alemanha acompanhar a Copa do Mundo. E ele quer muito ir com sua filha Maria Teresa, que toma conta da lotérica –isso quando sua artrose permite. “Não há nada mais lindo do que o futebol”. E chutes no travessão fazem
parte, infelizmente.

Legenda das fotografias:
1- Francisco Varallo com a camisola do seu Boca
2- Exibindo classe com as cores do clube de La Bombonera
3- Jogando pela Argentina diante do México no Mundial de 1930

Vídeo: PANCHO VARALLO RELEMBRA, EM ENTREVISTA, AS MEMÓRIAS DO PRIMEIRO CAMPEONATO DO MUNDO

quarta-feira, abril 16, 2008

Estrelas cintilantes (13)... Guillermo Stábile

Vamos hoje visitar outro herói da bola da primeira metade do século passado, mais precisamente dos anos 20 e 30. Um homem que viu o seu nome ser perpetuado no Atlas do Futebol Mundial por ter sido o primeiro artilheiro de um Campeonato do Mundo. Esse homem é Guillermo Stábile, nascido a 7 de Janeiro de 1905 em Buenos Aires, na Argentina. Goleador exímio Stábile começou a sua carreira no Club Atlético Huracán, de Buenos Aires, onde actuou como atleta amador entre 1920 e 1930. Por este emblema das pampas conquistou inúmeros títulos amadores, pois convém referir que a 1ª Divisão Nacional argentina apenas seria fundada em 1931.
1930 seria o ano em que Stábile se daria a conhecer ao Mundo inteiro. O ano em que foi convocado para representar a sua selecção no primeiro Mundial de futebol da FIFA, no Uruguai, onde se sagrou vice-campeão do Mundo. E se o Uruguai venceu o título mundial Stábile venceria o título de melhor marcador da competição, com um total de oito golos apontados em quatro jogos realizados. Estes seriam, aliás, os únicos jogos em que vestiria a camisola do seu país.
Fez o seu primeiro jogo no Mundial de 1930 diante do México, substituindo o habitual titular da linha avançada das pampas Roberto Cherro que se lesionara no primeiro encontro da sua equipa na competição. O jogo diante dos mexicanos terminou com a vitória da Argentina por 6-3 e Stábile marcou... três golos. No último jogo da fase de grupos os argentinos defrontaram o Chile e venceram por 3-1, com Stábile a fazer o gosto ao pé por duas vezes.
Nas meias-finais a Argentina esmagou os Estados Unidos da América por 6-1 e o nosso craque de hoje apontou mais dois golos, ajudando desta forma a sua equipa a chegar à final.
E no dia 30 de Junho de 1930 Uruguai e Argentina subiram ao relvado do majestoso Estádio Centenário, em Montevideo, para disputar o primeiro título mundial da história. O resultado final, como já aqui aludimos em várias ocasiões, cifrou-se num 4-2 a favor dos charruas, com Stábile a deixar a sua marca pessoal no encontro ao apontar o segundo golo argentino.
Sagrava-se desta forma como o primeiro melhor marcador da história de um Mundial.
A excelente campanha no Uruguai valeram-lhe vários convites de equipas europeias, tendo na temporada de 1930/31 defendido as cores dos italianos do Génova, onde permaneceria até 1935. Mudar-se-ia depois para o Nápoles, onde apenas jogaria uma temporada (1935/36).
De 1936 a 1939 actuou em França, no Red Star de Paris, clube onde findou a sua carreira de futebolista.
Após pendurar as chuteiras tornou-se treinador, e também nesta área o seu nome brilharia a grande altura. Foi seleccionador argentino entre 1939 e 1960 tendo vencido seis Copas Américas (1941, 1945, 1946, 1947, 1955 e1957)!!! Antes de pegar nos comandos da selecção do seu país trabalhou como treinador/jogador no Génova (1931/32) e como treinador no Red Star de Paris (de 1937 a 1940). Na Argentina orientou as equipas do Huracán (entre 1940 e 1949) e do Racing Club (entre 1949 a 1960). Faleceu na sua cidade natal a 27 de Dezembro de 1966.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Estrelas cintilantes (9)... Bert Patenaude

A lenda que hoje vamos recordar nasceu no longínquo ano de 1909, mais precisamente no dia 4 de Novembro, em Fall River, no Estado de Massachusetts, Estados Unidos da América.
Filho de pais franco-canadienses Bertram Albert Patenaude, ou simplesmente Bert Patenaude, foi um dos mais brilhantes futebolistas norte-americanos das décadas de 20 e 30 do século passado.
Jogou a nível profissional na antiga American Soccer League, onde apontou 114 golos em 158 jogos realizados. Ganhou por três vezes a US Open Cup (competição mais importante da época do futebol norte-americano), duas pelos Fall River Marksmen (1930 e 1931), e uma pelo St. Louis Central Breweries FC (em 1935), equipas onde fez dupla com outro astro da bola dos Estados Unidos, Billy Gonsalves, de quem já falámos aqui no Museu. Patenaude jogaria ainda pelos New York Yankees e os New York Giants.


O primeiro hattrick da história dos Mundiais pertence-lhe...

Mas o grande momento da carreira deste avançado aconteceu em 1930, durante o 1º Campeonato do Mundo da FIFA, que decorreu, como se sabe, no Uruguai. Juntamente com Gonsalves, McGhee e Florie, Patenaude formou umas das equipas mais fortes da história do soccer (futebol) dos Estados Unidos.
Nesse Mundial, mais precisamente no dia 17 de Julho, Patenaude entrou para a história do futebol planetário ao ter sido o primeiro jogador numa fase final desta competição a apontar três golos (o popularmente chamado hattrick) num só jogo. Tal feito ocorreu diante do Paraguai, jogo disputado em Montevideo que os Estados Unidos da América venceriam por 3-0, com os golos de Patenaude a serem apontados aos 10, 15 e 50 minutos.
Esta foi uma descoberta recente, pois até 2006 a FIFA atrbuía o primeiro hattrick de um Mundial ao argentino Guillermo Stabile. A entidade máxima do futebol Mundial corrigiu esse erro graças a dados fornecidos por historiadores e fãs da modalidade, assim como a uma extensa investigação seguida da confirmação pela federação de futebol dos Estados Unidos.
No Mundial de 1930 Bert Patenaude marcaria ainda contra a Bélgica no segundo e penúltimo jogo que a sua selecção realizaria no Uruguai, tendo sido eliminada nas meias-finais da prova pela Argentina por expressivos 6-1.
Patenaude marcou seis golos (quatro dos quais no Mundial de 30) em apenas quatro partidas ao serviço da selecção de seu país (três no Mundial de 30 e outra num jogo particular diante do Brasil). Curiosamente, a presença dos Estados Unidos no Mundial de 1930 foi a melhor participação deste país até aos dias de hoje, já que alcançaram o 3º lugar, ficando apenas atrás do campeão Uruguai e da vice-campeã Argentina.
O avançado entrou para o Hall of Fame do futebol de seu país em 1971. Morreria três anos depois.

Legendas das fotografias:
1- Bert Patenaude
2- Fase do jogo entre a Argentina e os Estados Unidos da América a contar para as meias-finais do Mundial de 1930

quinta-feira, outubro 04, 2007

Grandes Clássicos da Bola (2)... Uruguai - Argentina (4-2)

Entrem senhores visitantes. Fiquem à vontade e disfrutem ao máximo de mais uma deliciosa memória do não menos delicioso mundo da bola. Hoje vamos fazer uma viagem até ao saudoso ano de 1930. Ano este em que teve lugar no Uruguai o primeiro Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA, como se devem recordar.
A final desta competição foi decidida em Montevidéu entre os vizinhos, e eternos rivais, Uruguai e Argentina. Duas equipas que dois anos antes se haviam defrontado na final dos Jogos Olímpicos de Amesterdão, tendo a vitória sorrido aos primeiros por 2-1.
A Argentina procurava por isso uma desforra. Mas a tarefa não era fácil, já que pela frente tinha a melhor selecção do Mundo daquela época. Para chegar à grande final argentinos e uruguaios derrotaram por igual score (6-1) os Estados Unidos da América e a Jugoslávia, respectivamente. Nos dias que antecederam a final as cidades de Montevidéu e Buenos Aires viviam, pensavam e respiravam futebol. Na capital argentina milhares de adeptos levaram a cabo um autêntico motim exigindo mais barcos para atravessar o Rio da Prata (river plate) até Montevidéu para assistir à decisão das decisões. E nesta última cidade a confusão era ainda maior. Hotéis lotados, bilhetes na mão de candongueiros, discussões e até cenas de pancadaria surgiam aqui e ali. Tudo por um lugar nas bancadas do então recém construído Estádio Centenário. Recinto que no dia da final teve as suas bancadas completamente esgotadas. 80 mil pessoas presenciaram o nascimento da história dos Mundiais.
As equipas entram em campo recheadas das grandes estrelas do futebol mundial da altura. Nasazzi, Andrade, Scarone, Castro e Cea pelo lado uruguaio, Monti, Peucelle e Stabile do lado argentino eram nomes falados mundialmente pelas suas enormes qualidades futebolísticas.
O espectáculo estava garantido. Na escolha de campo os dois capitães discutiam. O uruguaio queria jogar com uma bola feita em seu país. O argentino, com uma bola feita Argentina. O árbitro belga, Langenus, decidiu: no 1º tempo joga-se com a bola argentina e no 2º com a bola uruguaia.
Com a bola argentina, os uruguaios conseguiram o primeiro golo, aos 12 minutos, marcado por Dorado. Oito minutos depois, Peucelle empatou. Aos 37 minutos, Stabile, o artilheiro do campeonato, marcou o segundo tento argentino. E a 1ª parte chegou ao fim com os argentinos a vencer por 2-1. Foi espantosa a reacção uruguaia na etapa complementar, jogando com a bola feita em casa. Aos 12 minutos, Cea empatou. Aos 23, num remate de fora da área, Iriarte pôs o Uruguai em vantagem. O país vivia momentos de sofrida espera quando, num contra-ataque. Dorado centrou da direita, pelo alto, e Castro com uma cabeçada fulminante mandou a bola para o fundo das redes. Era o quarto golo. Um minuto depois, o jogo acabava.
E o Uruguai era assim o primeiro CAMPEÃO DO MUNDO da história.
No Estádio Centenário sob a arbitragem do belga John Langenus as equipas alinharam com:
Uruguai: Ballesteros, Nasazzi, Mascheroni, Andrade, Fernandez, Gestido, Dorado, Scarone, Castro, Cea, Iriarte.
Argentina: Botasso, Della Torre, Paternoster, J.Evaristo, Monti, Suarez, Peucelle, Varallo, Stabile, Ferreira, M.Evaristo.
Marcadores: Dorado(12);Peucelle(20); Stábile(37);Cea(57);Iriarte(68);Castro(90).

Legendas das fotografias:

1- Capitães das duas equipas cumprimenta-se sob o olhar do árbitro belga Langenus
2- O "onze" uruguaio que entrou para a história...
3- A equipa da Argentina
4- Um dos golos uruguaios na grande final
5- O belo Estádio Centenário no dia da final... a arrebentar pelas costuras

Vídeo: HISTÓRICO RESUMO DA FINAL DO 1º MUNDIAL ENTRE URUGUAI E ARGENTINA



quinta-feira, setembro 07, 2006

Histórias dos Campeonatos do Mundo... Uruguai 1930 (1)

Iniciamos agora uma viagem pela “deliciosa” história dos Campeonatos do Mundo de Futebol. Ao pormenor, tanto quanto nos seja possível, iremos descobrir os factos, os números e as figuras dos 18 Mundiais até hoje realizados. Uma coisa é certa, é de que esta será uma longa viagem, tão longa quanto rica que é a história da mais importante competição do Mundo.
As linhas que se seguem surgem pois na sequência da leitura de inúmeros livros e enciclopédias (da minha cada vez mais extensa “biblioteca de futebol”), do visionamento de vídeos (meu Deus, já não tenho espaço para mais DVD’s nem cassetes VHS sobre futebol em minha casa...) e de pesquisa na internet.
No fundo um trabalho que me deu um ENORME prazer, ou não fosse eu um fanático do fenómeno futebol. E é esse prazer que eu quero repartir com o visitante do Museu, que sinta o mesmo interesse, a mesma curiosidade e sobretudo a mesma paixão que eu tenho pelo belo jogo. Divirtam-se...

Finalmente... o sonho tornou-se realidade

O visitante está confortável? Óptimo, pois prepare-se que vai fazer uma inesquecível viagem até ao longínquo ano de 1930, mais concretamente ao Uruguai. Bom, mas antes de “aterrarmos” neste pequeno país sul-americano há que fazer um pequeno relato sobre o nascimento do Campeonato do Mundo.
Um projecto que demorou mais de duas décadas a ser concretizado. A ideia, ainda de uma forma muito ténue, nasceu por volta de 1905, um ano depois do nascimento da FIFA. Contudo devido a divergências de última hora entre os países (federações) membros da FIFA o projecto nunca passou disso mesmo. Foi preciso esperar por 1921 para que finalmente o sonho de criar uma grande competição planetária “tivesse pernas para andar”.
E 1921 porquê? Porque foi este o ano que o lendário Jules Rimet assumiu a presidência da FIFA. A ideia de criar um Campeonato do Mundo de Futebol era uma obsessão de Rimet, que depois de constatar o sucesso dos torneios de futebol dos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 colocou o seu sonho em andamento.
O Comité da FIFA aprovaria a proposta do secretário-geral da Federação Francesa de Futebol, Henri Delaunay, de criar uma competição que juntasse de quatro em quatro anos as melhores selecções do planeta. Num congresso da FIFA realizado em Helsínquia, em 1927, Jules Rimet anunciava ao Mundo – finalmente – que em 1930 se iria realizar o primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, sendo nomeado para o efeito um Comité Organizador (CO). Foram então apresentadas várias candidaturas para a organização do evento, nomeadamente a Hungria, a Itália, a Suécia, a Holanda, a Espanha e o Uruguai. Foi definido pelo CO que o país que recebesse o evento suportaria todos os custos do mesmo, incluindo deslocações das equipas, alojamento, alimentação das mesmas, etc. Por seu turno, a FIFA exigia 10% de todas as receitas. “Exigências”, ou regras, estas que resfriaram de imediato o entusiasmo de alguns países, que não estavam de acordo em suportar todos os custos da prova. O Uruguai foi o único a aceitar todas as condições. No entanto, não foi apenas por ter aceite as regras da FIFA que este país ganhou o direito de organizar o primeiro Mundial de Futebol, já que os dirigentes uruguaios colocariam em cima da “mesa das negociações” o facto de nos meses de Junho e Julho de 1930 o país ir comemorar o centenário da sua independência, prometendo desde logo a construção de um estádio com capacidade para 100 000 pessoas. Estádio esse que desde logo recebeu o nome de... Estádio do Centenário. Para além disso, o facto de o Uruguai ser na altura a melhor selecção do Mundo, já que encantara o “planeta da bola” com o seu maravilhoso futebol culminado com as conquistas dos títulos olímpicos de 1924 (Jogos Olímpicos de Paris) e de 1928 (Jogos Olímpicos de Amesterdão), teve igualmente um certo peso na decisão da FIFA em atribuir aos uruguaios a organização da prova.
Seria sem surpresas que no Congresso da FIFA de 1929, realizado em Barcelona, a entidade que gere o futebol mundial comunicaria oficialmente que o primeiro Mundial seria no Uruguai. (Na foto ao lado vê-se a chegada de Rimet a Montevideu.)
No entanto, esta decisão não seria recebida de bom grado por todos os países membros da FIFA. Isto porque os clubes europeus consideravam absurdo pagar os ordenados aos seus melhores jogadores durante uma ausência calculada em cerca de dois meses no Uruguai para disputar o Mundial. Perante este recuo dos europeus a federação uruguaia prontificou-se de imediato a pagar os ordenados aos jogadores europeus durante esse período. No entanto, grande parte dos “craques” não aceitou a boa vontade dos uruguaios, não viajando para a América do Sul. Grandes selecções da altura como a Hungria, a Itália, a Áustria ou a Checoslováquia, no fundo, as super potências do futebol europeu da altura, não aceitaram o convite da FIFA para marcar presença no primeiro Mundial.
Abra-se desde já aqui um parênteses para sublinhar que nesta primeira edição do Mundial não houve fase de qualificação, pois as equipas que nele marcaram presença responderam a um convite da FIFA.
Outra super potência do futebol europeu da época, a França, ameaçou seguir o exemplo das selecções acima referidas e não se deslocar ao Uruguai. Não fora a intervenção de Jules Rimet (francês de nascimento), que de imediato satisfez todas as exigências dos seus compatriotas, e os gauleses não teriam ido à América do Sul. (Na foto ao lado está a selecção francesa que actuou no Mundial do Uruguai.)
De qualquer maneira dois meses antes do início do Mundial nenhuma equipa europeia estava inscrita, mas após a resolução deste problema a França, a Roménia, a Jugoslávia e a Bélgica decidiram mandar as suas selecções para o Uruguai.
E eis que em 20 de Junho de 1930 (a cerca de um mês do pontapé de saída da competição) franceses, belgas e romenos estavam em Villefranche-sur-Mer preparadas para embarcar no paquete italiano “Conte Verde” para a longa travessia no Atlântico. No dia 5 de Julho seguinte as selecções chegavam à baía de Montevideu (capital do Uruguai), isto depois de passar pelo Rio de Janeiro para dar uma boleia à equipa do Brasil.
Por seu turno, a equipa da Jugoslávia preferiu viajar sozinha (mais à larga certamente) para a América do Sul, tendo cruzado o Atlântico a bordo do luxuoso veleiro “Flórida”, cobiçado pelos grandes magnatas mundiais da época para as suas viagens. É caso para dizer...e viva o luxo!
À espera das selecções europeias estavam as suas congéneres sul-americanas, o Brasil, o Paraguai, o Peru, a Bolívia, o Chile, a Argentina e claro está, o Uruguai. A estes juntaram-se ainda o México e Estados Unidos da América, equipas que completaram o lote de participantes do primeiro Mundial. Seriam pois 13, os países que participaram no primeiro grande momento do futebol mundial. (Na imagem do lado pode ver-se a equipa da Argentina que se iria sagrar vice-campeã do Mundo nesta primeira edição.)

A bola começou a rolar
Face ao número reduzido de participantes, substitui-se o sistema de eliminação directa pela fórmula de quatro grupos. Designou-se então que quatro equipas seriam cabeças-de-série, tendo sido elas a Argentina, Brasil, Estados Unidos da América e Uruguai, sendo que os vencedores de cada grupo se qualificariam para as meias-finais.
Em jeito de homenagem a Jules Rimet a França seria uma das selecções que daria o pontapé de saída do grande evento desportivo. Como adversário no jogo inaugural os franceses tiveram o México, um jogo que seria realizado no Campo de Pocitos (Montevideu), já que o majestoso Estádio Centenário ainda não estava concluído (dizem que o cimento das bancas ainda estava fresco aquando da abertura do Mundial). A França venceria facilmente os mexicanos por 4-1, não obstante de ter alinhado grande parte do encontro com dez jogadores, por lesão do guarda-redes Thépot, já que naquela altura ainda não existiam as substituições. (Na foto de cima: uma fase do jogo entre o Brasil e a Bolívia.)
Francês foi igualmente o primeiro golo de um Mundial, de seu nome Lucien Laurent, um homem que entrou assim na história do futebol pelo facto de ter apontado o primeiro golo de um Campeonato do Mundo.
O guardião Thépot haveria de ser o herói do jogo seguinte da França, ante a Argentina, já que durante 80 minutos resistiu de uma forma heróica aos ataques avassaladores dos argentinos, e só um livre magistralmente apontado por Luigi Monti ao minuto 80 deu uma magra vitória por 1-0 ao país das pampas. (Ao lado a cerimónia de abertura do certame.) Este jogo será ainda relembrado por um caricato episódio, já que o árbitro da partida, o brasileiro Almeida Rego, daria por terminado o encontro seis minutos antes do tempo regulamentar, e só graças aos protestos dos adeptos uruguaios que assistiam ao jogo (e que torciam pela França, já que a Argentina foi, é e será sempre o eterno inimigo), que entretanto haviam invadido o campo para “acertar as contas” com o juiz da partida, é que o erro foi corrigido e o brasileiro voltou ao campo para dar continuidade ao jogo que terminaria, como já vimos, com a vitória argentina por 1-0.
No grupo 2 ficariam os melhores representantes do futebol europeu neste torneio, a Jugoslávia. Derrotaram o Brasil (2-1) e a Bolívia (4-0), classificando-se desde logo no primeiro lugar do grupo e consequente apuramento para as meias-finais. A França (grupo 1) perdeu as esperanças da qualificação para a fase seguinte após ter sido derrotada pelo Chile (0-1).
A Roménia também não fez melhor, vencendo um jogo (Perú, por 3-1) e perdendo outro (Uruguai, por 0-4). (Na imagem ao lado está a desoladora selecção brasileira que se deslocou ao Uruguai.)
A Bélgica, sem o seu melhor jogador da altura, Braine, não teve melhor sorte, já que sofreu duas derrotas no grupo 4, ante os Estados Unidos da América (0-3) e o Paraguai (0-1).
Nas meias finais encontraram-se Uruguai e Jugoslávia, e Argentina e Estados Unidos da América. No encontro que opôs argentinos e norte-americanos houve “mosquitos por cordas”, originados pelos constantes protestos dos “soccerboys” contra a interpretação do árbitro belga Langenus sobre a lei do fora-de-jogo. O treinador dos americanos, Robert Miller, tentou agredir o árbitro com a mala de massagista, errando o alvo por muito pouco. O resultado do jogo saldou-se por uns claros e controversos 6-1 a favor dos argentinos. Por igual resultado venceriam os uruguaios a equipa da Jugoslávia. Estavam assim encontrados os dois finalistas do primeiro Mundial.

A grande final...

Chegou-se ao dia 30 de Julho, e o Estádio Centenário a “abarrotar pelas costuras” com 100 000 espectadores em delírio. Uma final à qual também não faltaram peripécias. Em Buenos Aires, o ambiente era de loucura total tendo o povo organizado manifestações para que fossem postos à sua disposição mais barcos para atravessar o Rio de La Plata (River Plate) para a outra margem... para Montevideu. Estima-se que mais de 20 000 argentinos atravessaram o rio em dez barcos fretados de propósito para o efeito (diz a lenda que um destes barcos chegou a Montevideu já no fim da grande final). (Ao lado as duas equipas finalistas a entrarem em campo.) Temendo-se incidentes entre uruguaios e argentinos (velhos inimigos) as armas de fogo foram confiscadas à entrada do estádio.
Os árbitros não escapavam a este ambiente frenético e ameaçador em redor do jogo, pelo que dos quatro juizes apontados inicialmente para dirigir a final, o único a aceitar tal responsabilidade foi o belga John Langenus (na foto ao lado). Para tal a FIFA teve de satisfazer algumas exigências do belga, mais precisamente em dar-lhe protecção policial durante 24 horas, fazendo-lhe um seguro de vida e colocando à sua disposição um navio que o levaria de volta a casa logo após o término do jogo.
Seguiu-se o “episódio da bola”, ou seja, cada equipa queria jogar com a sua bola. Por sorteio foi escolhida a bola argentina, mas os uruguaios, supersticiosos, trataram logo de reclamar contra a (má) sorte. Para satisfazer a “gregos e a troianos” o árbitro decidiu que seriam usadas as duas bolas, uma em cada parte. A primeira parte foi jogada com a bola argentina, e de facto foi de má sorte para os uruguaios, que foram para o intervalo a perder por 1-2, com os tentos argentinos a serem apontados por Stabile e Peucelle, ao passo que o tento uruguaio foi de Dorado. Mas na segunda parte tudo se modificou, os uruguaios deram a volta ao marcador graças a uma exibição espectacular e inolvidável. Ninguém os parou. Venceriam por 4-2, tornando-se assim nos primeiros Campeões do Mundo. Perante a multidão em delírio o capitão uruguaio José Nazzazi ergueu o trofeú criado propositadamente para o evento pelo escultor francês Abel Lafleur. (Na imagem do lado vê-se Castro marcar o quarto golo que selou a vitória do Uruguai.)

Factos que ficam para a história...
- A receita de bilheteira deste primeiro Mundial cifrou-se em 255 107 dólares (da altura).

- Foram disputados 18 jogos no total, com um total de espectadores de 434 000, uma média de 24 111 por jogo. Na final estiveram 100 000 pessoas no Estádio Centenário.

- Estados Unidos... da Escócia: A selecção dos Estados Unidos da América, (na imagem) que neste Mundial se classificou em 3º lugar (juntamente com a Jugoslávia), a sua melhor classificação até à data, disputou a competição com vários jogadores europeus naturalizados. Na sua maioria eram escoceses, tais como Bart McGhee, Brown, Wood, e Gallacher. Do grupo fazia ainda parte um luso-americano, de seu nome Adelino “Billy” Gonsalves, nascido em “Terras do Tio Sam” mas filho de emigrantes portugueses. Pela presença no Uruguai os jogadores americanos receberam uma bolsa equivalente a seis meses de ordenado, e outro tanto pelo “bronze” alcançado.

- Um Brasil muito carioca: Devido a divergências entre cariocas e paulistas, jogadores do Estado de São Paulo foram proibidos de integrar a selecção brasileira neste Mundial. Assim só os atletas dos clubes do Rio de Janeiro tinham permissão para representar a “canarinha”. Desta forma o Brasil, orientado por Pindaro de Carvalho Rodrigues, não pôde contar com o seu grande craque da altura, o paulista Fridenreich. Dizem até que os adeptos dos clubes paulistas ficaram bem satisfeitos pelo fracasso que foi a participação da selecção neste evento.


- O grande capitão: José Nazzazi, (na foto ao lado)o capitão da equipa do Uruguai, foi o líder da “celeste” na caminhada para o título. Fez-se notar não só pelo seu talento futebolístico mas também pelos gritos de advertência que lançava aos companheiros. Ele era o verdadeiro treinador da equipa campeã do Mundo...



- O treinador que era... o rei: tal como outras selecções europeias (pelos motivos acima já explicados) a Roménia (a equipa que se encontra na foto ao lado) esteve para não ir ao Uruguai. Valeu a intervenção (foi mais uma ordem do que um pedido) do Rei Carol (o rei daquele país), que não só ordenou que os seus jogadores fossem para a América do Sul como também se encarregou de os escolher. Mais curioso que isso foi ainda o facto de o rei, que era um “doente” pelo futebol, ter sido o treinador da equipa durante o torneio.

- Guillermo Stabile: O título uruguaio foi festejado efusivamente e o próprio Governo daquele país decretou que o dia seguinte ao da final fosse feriado nacional. Os jogadores uruguaios como Nazzazi, Cea, Castro, Iriarte, Dorado, Scarone ou Andrade (A Maravilha Negra) seriam imortalizados pelo povo "charrua".
No entanto, não só de nomes uruguaios se fez este campeonato, visto que o melhor marcador do mesmo foi o argentino Guillermo Stabile (na foto ao lado), autor de oito remates certeiros. Foi ainda o autor do primeiro “hattrick” em Mundiais.



- Três estádios foram utilizados neste Mundial, o Parque Central, o Campo de Pocitos e o magnífico Estádio Centenário (na foto debaixo), todos situados em Montevideu.

-A selecção do México chegou ao Mundial de 30 assustada com os prognósticos dos expertes da modalidade. Para dar ânino aos seus jogadores o seleccionador mexicano, espanhol de nascimento, de seu nome Juan Luqué de Serrallonga, dirigiu-lhes uma mensagem de alento num dos quartos do Hotel de Montevideo, onde a equipa estava hospedada, e assegurou-lhes que a Virgem de Guadalupe estava a rezar por eles no seu país, mais precisamente no monte de Tepeyac. Concluíu a sua palestra com as seguintes palavras: "Muchachos, les quiero suplicar que se olviden de todo, novias, hermanos, padres, madres, y que solo les quede grabado en sus mentes la palabra México. Ahora que lucharemos contra Francia hay que recordar al general Ignacio Zaragoza. Si él pudo vencerlos, también lo podemos hacer nosotros". Convencidos das palavras do seleccionador os jogadores entraram no jogo diante da França a jogar de igual para igual, acabando, no entanto, por perder esse jogo por 1-4.

-Foi frente ao México que o capitão de equipa argentino Manuel "Nolo" Ferreira falhou o único jogo em todo o Mundial. O motivo da ausência deveu-se ao facto de Ferreira ter de se deslocar a Buenos Aires ra fazer um exame na Faculdade de Direito, onde se encontrava a tirar o curso de Escribão Público. Depois de ter passado no referido exame voltou de imediato a Montevideo para continuar a jogar o Mundial. Anos mais tarde reconheceria que os seus professores haviam facilitado a sua apovação no dtio exame, pelo simples facto de estar a representar a selecção argentina no grande certame futebolístico.

-A equipa da casa sofreu uma importante baixa à última da hora, mais precisamente o seu guarda-redes Mazzalli. O episódio foi assim recordado na primeira pessoa pelo capitão de equipa José Nasazzi: "El momento más triste para nosotros fue cuando separaron del plantel a Andrés Mazzalli. Había sido el arquero en París y Amsterdam, pero era muy mujeriego y una noche se escapó de la concentración para ir a encontrarce con una rubia. Lo expulsaron y no hubo defensa para él. Todos sentimos pena, pero la sanción impuesta fue irreductible y ni a mi me hicieron caso".




Resultados e classificações

Grupo 1

13 de Julho de 1930
França – México (4-1)
(Laurent, 19’; Lngiler, 40’; e Maschinot, 42’ e 87’)
(Carreño, 70’)

15 de Julho de 1930
Argentina – França (1-0)
(Monti, 80’)

16 de Julho de 1930
Chile – México (3-0)
(Vidal, 4’ e 86’ e Rosas, 51’ p.b.)

19 de Julho de 1930
Chile – França (1-0)
(Subiabre, 65’)

19 de Julho de 1930
Argentina – México (6-3)
(Stabile, 8’,17’ e 80’, Varallo, 53’ e Zumelzzu, 10’ e 55’)
(Rosas, 42’ e 55’ e Gayon, 78’ g.p.)

22 de Julho de 1930
Argentina – Chile (3-1)
(Stabile, 12’ e 14’ e Mário Evaristo, 51’)
(Subiabre, 15’)

Classificação:

1- Argentina- 9 pontos
2- Chile – 6 pontos
3- França – 3 pontos
4- México – 0 pontos

Grupo 2

14 de Julho de 1930
Jugoslávia – Brasil (2-1)
(Tirnanic, 21’ e Beck, 30’)
(Preguinho, 62’)

17 de Julho de 1930
Jugoslávia – Bolívia (4-0)
(Beck, 60’ e 67’, Marjanovic, 65’ e Vujadinovic, 85’)

20 de Julho de 1930
Brasil – Bolívia (4-0)
(Carvalho Leite, 27’ e 73’; Preguinho, 78’ e 83’)

Classificação:

1- Jugoslávia – 6 pontos
2- Brasil – 3 pontos
3- Bolívia – 0 pontos

Grupo 3

14 de Julho de 1930
Roménia – Peru (3-1)
(Staucin, 1’ e 74’ e Kovacs, 85’)
(Souza, 60’)

18 de Julho de 1930
Uruguai – Peru (1-0)
(Castro, 60’)

21 de Julho de 1930
Uruguai – Roménia (4-0)
(Dorado, 7’, Scarone, 16’, Anselmo, 30’ e Cea, 35’)

Classificação:

1- Uruguai – 6 pontos
2- Roménia – 3 pontos
3- Peru – 0 pontos

Grupo 4

17 de Julho de 1930
Estados Unidos – Bélgica (3-0)
(McGhee, 23’; Florie, 38’ e Patenaude, 68’)

13 de Julho de 1930
Estados Unidos – Paraguai (3-0)
(Patenaude, 10’, 15' e 50’)

20 de Julho de 1930
Paraguai – Bélgica (1-0)
(Peña, 40’)

Classificação:

1- Estados Unidos – 6 pontos
2- Paraguai – 3 pontos
3- Bélgica – 0 pontos

Meias-Finais

26 de Julho de 1930
Argentina – Estados Unidos (6-1)
(Monti, 20’, Scopeli, 61’, Stabile, 69’ e 87’; Peucelle, 80’ e 85’)
(Brown, 89’)

27 de Julho de 1930
Uruguai – Jugoslávia (6-1)
(Cea, 18’, 65 e 81’; Anselmo, 21’ e 39’ e Iriarte, 61’)
(Sekulic, 4’)

FINAL

30 de Julho de 1930
Estádio Centenário, Montevideu
Árbitro: John Langenus (Bélgica)

Uruguai (4): Ballestero, Nazzazi (cap.) e Mascheroni; Andrade, Fernandez e Gestido; Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte. Treinador: Alberto Supicci

Argentina (2): Botasso, Della Torre e Paternoster; Evaristo, Monti e Suarez; Peucelle, Varallo, Stabile, Ferreyra (cap.) e Mário Evaristo. Treinador Franscisco Olazar

Golos: 1-0 por Dorado, 12’; 1-1 por Peucelle, 20’; 1-2 por Stabile, 37’; 2-2 por Cea, 57’; 3-2 por Iriarte, 68’; 4-2 por Castro, 89’.


Onze Ideal do Torneio
Táctica: 2-3-5

1-Thépot (França)
2-Nazzazi (Uruguai)
3-Mascheroni (Uruguai)
4-Torres (Chile)
5-Fausto (Brasil)
6-Juan Evaristo (Argentina)
7-Peucelle (Argentina)
8-Scarone (Uruguai)
9-Stabile (Argentina)
10-Cea (Uruguai)
11-McGhee (Estados Unidos)

Os Campeões do Mundo
4 Jogos: Andrade, Cea, Fernandez, Gestido, Ballestero, Iriarte e Nazzazi.
3 Jogos: Dorado, Mascheroni e Scarone.
2 Jogos: Anselmo e Castro.
1 Jogo: Petrone, Tejera e Urdinaran.

(na foto em cima esté José Leandro Andrade, mais conhecido como a "Maravilha Negra", um dos totalistas da selecção uruguaia no Mundial.)

Não utilizados: Capuccini, Melogno, Piriz, Recoba, Secco e Saldombide.

Os marcadores do Campeão
5 golos: Cea
3 golos: Anselmo
2 golos: Castro, Dorado e Iriarte
1 golo: Scarone

Números da prova

13 países presentes
18 jogos
70 golos
3,89 média de golos por jogo
434 000 espectadores
24 111 média de espectadores por jogo
1 expulsão (Las Casas, jogador do Peru)
2 golos na própria baliza