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| Uma das primeiras equipas do Boavista após a implementação do xadrez como manto sagrado |
O doloroso presente que o Boavista vive não tem força suficiente para ofuscar o seu passado de glória. Ao longo de mais de um século de vida, o emblema portuense escreveu centenas de páginas relevantes no desporto português. E esta evidência leva-nos hoje até 1933, ano em que o clube do Bessa não só se reinventou sob o ponto de vista indumentário, como de igual modo teve um papel preponderante para acabar com o profissionalismo encapotado que vigorava em Portugal. E tudo isto pela mão de uma figura incontornável do clube do Bessa e do próprio desporto nacional: Artur d’ Oliveira Valença. Nascido em fevereiro de 1897, este tripeiro de gema (viria a falecer em 1978) foi uma figura incontornável da primeira metade do século XX não só no desporto como da sociedade portuense dessa altura. Foi um homem multifacetado ao desempenhar diversos cargos ao longo da sua vida, fazendo-o sempre com um sentido de inovação que deixou marca. Era um apaixonado pelo desporto de uma forma geral, embora o boxe tenha sido o seu primeiro grande amor. Talvez porque na sua juventude viveu alguns anos em França, onde a modalidade tinha força e prestígio. Regressado a Portugal nos anos 10, não só funda o Boxing Clube de Portugal como lança e orienta as primeiras estrelas da modalidade, casos de Tavares Crespo e Santa Camarão. Como empreendedor multifacetado que era, Oliveira Valença tinha de igual modo uma paixão pela escrita, e pelos jornais em particular, sendo que nos anos 20 criou o Sporting, o primeiro jornal desportivo bissemanário portuense. Este jornal serviria – sempre pela mão do seu fundador – de embrião para a fundação de outros organismos/clubes de diversas modalidades, cados da Federação Portuguesa de Boxe, da Federação Portuguesa de Remo, da Liga Portuguesa de Clubes de Natação, do Moto Club de Portugal, da Liga Portuguesa de Atletismo, entre outros. Oliveira Valença organizaria diversas competições desportivas no país ligadas a estas e a outras modalidades. Claro que o futebol tinha também um espaço reservado no seu coração. O futebol e muito em particular o seu Boavista Futebol Clube, ao qual esteve igualmente ligado enquanto presidente. E foi nesta condição que no regresso à Invicta após uma das suas idas a França trouxe a ideia de implementar as camisolas axadrezadas no clube do Bessa. As famosas camisolas axadrezadas que tornaram o Boavista popular em todos os cantos do país e noutros cantos do planeta.
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| O peculiar equipamento e símbolo do Boavista antes do xadrez |
Até aí, o emblema portuense apresentava uma indumentária um pouco fora do comum para aqueles dias, isto é, usava uma camisola às riscas verticais em azul, vermelho e branco! Mas não só o traje foi completamente reformado por influência de Oliveira Valença. O próprio emblema do clube foi alterado para o qual conhecemos hoje em dia: um retângulo formado por 13 quadrados pretos e 12 quadrados brancos exibidos em forma de xadrez. Oliveira Valença não só apenas alterou para sempre a estética do Boavista. Ele conduziu de igual modo o clube numa luta acérrima que procurou colocar um ponto final no profissionalismo encapotado que vigorava no futebol português nos anos 20. Nessa altura já havia jogadores profissionais em Portugal, pese embora fossem remunerados secretamente e/ou escondidos em empregos de fachada, pois na verdade passavam o tempo todo a treinar e a jogar. Já na época os clubes mais endinheirados pagavam a muitos jogadores prémios de jogo de forma totalmente clandestina, e como tal longe dos olhares da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e das associações de futebol distrital, organismos que proibiam o profissionalismo. Mas Oliveira Valença foi um dos rostos principais dessa luta para acabar com o amadorismo de fachada que existia em Portugal, ele e o seu Boavista. E esse murro na mesa aconteceu oficialmente em 1933, precisamente o ano em que o clube do Bessa estreou a sua hoje mítica camisola axadrezada. O fim do profissionalismo encapotado vinha, aliás, sendo discutido aberta e frontalmente por algumas personalidades do panorama desportivo luso, casos de Cândido de Oliveira e do próprio Oliveira Valença.
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| A transição de símbolos do clube |
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| Oliveira Valença |




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