O futebol e o crime deram as mãos muito antes dos escândalos mediáticos do século XXI quando nomes sonantes como Robinho, Dani Alves, Ronaldinho Gaúcho, ou Freddy Rincón viram em determinado período das suas vidas o sol “nascer aos quadradinhos” em virtude de atos criminosos cometidos. Há sensivelmente 100 anos atrás um caso pioneiro chocou a opinião pública europeia e só a fama obtida nos relvados salvou o criminoso de uma pena pesada. Corria o ano de 1928, quando Pierre Mony, um antigo defesa-esquerdo da seleção francesa, no seguimento de uma crise de ciúmes, assassinou a tiro o seu melhor amigo. Mas vamos por partes. Mony era um dos meninos queridos do futebol francês dos anos 20. Uma Era onde imperava o amadorismo, mas ainda assim capaz de popularizar nomes como Paul Nicolas – tido como o melhor futebolista gaulês da referida década –, ou Jean Boyer. Juntamente com estes dois craques, Mony integrou a seleção francesa que em 1920 participou nos Jogos Olímpicos de Antuérpia. Nascido em Paris, em 1896, Mony desenvolveu toda a sua carreira no norte de França, mais concretamente na cidade costeira de Boulogne-sur-Mer, onde representou em dois períodos distintos – entre 1918-1921 e 1925-1928 – o US Boulogne e o OSC Boulogne – entre 1923 e 1924, tendo sido, pois, nesta região que alcançou o estatuto de lenda. E foi precisamente numa altura em que já estaria afastado das lides futebolísticas que o nome de Pierre Mony voltou a ecoar pelos quatro cantos do território francês, e tudo devido a uma crise de ciúmes. A antiga estrela dos relvados vivia uma vida aparentemente pacata na cidade onde alcançou a fama, localidade onde geria um restaurante do qual era proprietário. Na noite de 15 de maio de 1928 e após dar por encerrado mais um dia de trabalho no seu restaurante, Mony fez o que habitualmente fazia: ir beber um copo com os amigos ao Popes Bar. Mas naquela noite a sua ida àquele espaço noturno tinha um outro propósito. Entrado no bar, sentou-se ao balcão junto dos seus amigos, onde entre os quais se encontrava o antigo campeão de ciclismo Jean Delpierre. Bebidas e brindes sucederam-se em catadupa até à 1H00, altura em que o bar fechou e Mony juntamente com Delpierre e outro amigo comum, de nome Maurice Dagbert, decidiram separar-se do resto do grupo e ir continuar a farra para outro lado da cidade. Diz a história que os três homens se deslocaram no carro de Delpierre até ao Hotel de La Paix com a intenção de ali continuarem a noite de copos. Porém, o hotel estava fechado, ao que os três amigos decidiram sentar-se na entrada da unidade hoteleira dando aso a uma animada cavaqueira. Nada fazia prever que a determinada altura da borga Pierre Mony tirasse do bolso uma pistola e apontando-a para Delpierre tivesse disparado quatro tiros sobre este. Enquanto Mony desatou dali a fugir, Delpierre ainda conseguiu rastejar com a ajuda de Dagbert até ao café mais próximo no sentido de pedir ajuda. Posteriormente foi transportado para o hospital local, onde seria operado sem sucesso, já que viria a falecer no dia seguinte. Por sua vez, Mony fugiu para o porto de Boulogne-sur-Mer, onde terá atirado ao mar a arma do crime, dirigindo-se depois para casa de um outro amigo a quem pediu para o levar até Calais, a casa dos seus sogros, onde se encontravam a sua mulher, Paule, e a sua filha. Ali chegado, despediu- se da filha com um beijo e foi embora, regressando a Boulogne-sur-Mer para se entregar na esquadra de polícia local onde confessou o crime. No decorrer do interrogatório policial, Mony explicou que suspeitava que Delpierre e a sua esposa tinham um caso amoroso, suspeitas que subiram de tom após uma viagem que os dois haviam feito a Nice, sendo que no regresso Paule terá pedido o divórcio a Mony. Profundamente abalado com este pedido por parte da sua esposa, Pierre Mony terá então planeado matar aquele que era um dos seus melhores amigos. Ato consumado, e Mony foi acusado pelas autoridades por assassinato premeditado, tendo sido detido por tal. O julgamento só viria a ter lugar cerca de cinco meses volvidos o crime, em Arras, cujo tribunal foi pequeno demais para albergar populares e jornalistas – que vieram de vários pontos de França – que ali se deslocaram para assistir a este julgamento mediático. Mony chegou ao tribunal visivelmente abatido e com uma expressão de quem estaria à espera da condenação. As primeiras palavras de Mony perante o juiz foram no sentido de se lamentar por ter cometido tal ato de loucura levado pelo ciúme. Uma das testemunhas que o tribunal ouviu foi a própria Paule, que perante o juiz negou ter tido qualquer afaire com Delpierre. No seu depoimento, Paule referiu ter a sua reputação manchada, retratando o seu marido como um homem imoral e preguiçoso, explicando que seguiu viagem para Nice com Delpierre após Mony a ter incitado a seguir a própria vida dela ao passo que ele seguia a sua. Porém, e após ter ouvido outras testemunhas que conheciam a vida do casal, o juiz terá chegado à conclusão de que Mony não seria nenhum santo no que aos deveres matrimoniais dizia respeito, já que a popularidade granjeada nos retângulos de futebol abriu-lhe as portas dos corações de muitas madames por aquelas bandas! Por outras palavras, cometeu por diversas ocasiões o pecado da infidelidade. Porém, a sua fama de futebolista acabou por pesar mais alto ao fim das 14 horas que durou este julgamento, sendo que quando pronunciado a deliberar a sua decisão sobre este caso o júri decidiu não culpar Mony pelo assassinato de Delpierre. Como se estivesse numa qualquer bancada de um estádio, o público presente na sala de tribunal rapidamente se levantou para ovacionar o absolvido Pierre Mony, que assim foi posto em liberdade até ao resto da sua vida.
domingo, outubro 04, 2026
quinta-feira, setembro 03, 2026
Histórias do Planeta da Bola (36)... Irmãos de sangue, destinos distintos no caminho da glória
Ser filho da mesma mãe e do mesmo pai não significa que dois (ou mais) irmãos possam ter as mesmas apetências para desempenhar uma qualquer atividade com arte e engenho. Isso acontece também no futebol, onde o talento com a bola não se repercutiu entre irmãos biológicos. Isto abre-nos a porta para recordar quatro lendas do futebol planetário cujos irmãos de sangue não conseguiram atingir o estrelato.
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| Zoca e Pelé no Santos |
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| Franz e Walter num amigável nos anos 70 entre o Bayern e o TSV 1860 |
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| Johan (o terceiro na fila de baixo) e o seu irmão Henny (segundo na fila de cima) atuaram juntos na formação do Ajax |
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| Hugo, Lalo e Diego num jogo especial que juntou os três irmãos Maradona |
segunda-feira, fevereiro 16, 2026
Histórias do Planeta da Bola (35)... Há 120 anos deu-se o pontapé de saída do Cariocão
O início do século XX marca o “pontapé de saída” de uma transformação gigante da cidade do Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa como que despe uma indumentária de trapos para passara vestir um vistoso vestido de gala, graças à implementação de um conjunto de “novidades” que a colocam na vanguarda das urbes mais modernas da América do Sul. O alargamento de avenidas, a construção de prédios imponentes que substituem os pobres cortiços, a implementação de transportes públicos como o bonde elétrico que substituiu o burro (animal), a chegada da luz elétrica às ruas da cidade, são apenas alguns dos exemplos que comprovam a modernização do Rio. A par disto, há um incremento da vida social, das classes altas, claro está, com festas/eventos sociais a mobilizar os endinheirados da Cidade Maravilhosa. Entre esses eventos destacava-se o futebol, praticado pela socialite carioca. Futebol que ainda era uma “criança” na então capital da República Brasileira, já que segundo reza a história foi na transição de séculos (XIX para XX) que Oscar Cox apresentou a primeira bola de futebol aos cariocas. Seria, pois, em 1906 que a Liga Metropolitana de Football organizaria aquele que viria a ser o primeiro Campeonato Carioca da história. Há 120 anos, portanto, que este ano, 2026, se assinalam. Seis clubes fizeram a história deste primeiro Cariocão, entre eles o Fluminense, um dos pioneiros do futebol no Rio de Janeiro, emblema que tinha sido fundado em 1902 precisamente por Oscar Cox, carioca de berço, mas filho de país inglês e mãe brasileira. Para além do Flu, proveniente do Bairro das Laranjeiras, também o Botafogo (Bairro de Botafogo), o Paysandu (do Bairro do Flamengo), o Bangu (oriundo do Bairro de Bangu), o Rio Cricket (de Niterói) e o Football and Athletic Club (do bairro do Andaraí). O sistema da competição consistia numa série de jogos em que todos os clubes se enfrentavam em duas voltas, sendo que o clube com maior número de pontos seria o campeão. Um campeonato nacional, portanto, mas naquele caso um campeonato Estadual.
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| Horácio Costa Santos, o artilheiro do primeiro Cariocão |
3 de maio de 1906 é por isso um dia histórico, já que então se deu o “pontapé
de saída” daquele que hoje em dia é denominado de Cariocão, isto é, o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Nas
Laranjeiras, casa do Fluminense, o clube anfitrião defrontava o Paysandu
Cricket Club. 7-1 a favor do Flu foi
o resultado final, com a particularidade do primeiro golo de sempre do Cariocão ter sido apontado por Horácio
Costa Santos, do Fluminense. Ele que haveria de ser tornar no artilheiro desta
edição inaugural, com 18 golos. Horácio Costa Santos nasceu a 9 de janeiro de
1880 e teve ainda a particularidade de ter feito parte do grupo de fundados do
Fluminense Football Club, sendo que a primeira reunião do emblema tricolor foi
realizada na sua casa, localizada na Rua Marques de Abrantes, número 51, no
Bairro do Flamengo. Atuava como avançado, sendo que ao serviço do Flu realizou um total (pelo que se
conhece) de 52 jogos e apontou 41 golos. 
Taça Colombo
Mas
voltando à edição de estreia do Campeonato Carioca, nunca será por demais
recordar que sendo então o futebol um desporto elitista no Rio, foram muitos os
aristocratas cariocas que viram in loco os desafios da competição. Escritos
existem que mostram que o Barão do Rio Branco, o ilustre diplomata José Maria
da Silva Paranhos Júnior, marcou presença no encontro entre Fluminense e o Rio
Cricket, que os primeiros venceram por 4-1. Foi precisamente este o jogo que
deu o título de campeão ao Flu, que precisava de ganhar ou de empatar em
Niterói para se sagrar vencedor. Horácio Costa Santos e Edwin Cox, com dois
golos cada um na conta pessoal, foram os autores dos golos da vitória e do
título de um conjunto que era formado na sua maioria por futebolistas de origem
inglesa. Na campanha da glória, o tricolor carioca somou 9 triunfos em 10 jogos
realizados (somente foi derrotado pelo Paysandu no jogo da segunda volta),
tendo apontado 52 golos e apenas sofridos 6! Ao campeão foi atribuída a Taça
Colombo, um troféu que teve este nome pelo facto de ter sido oferecido pela
Casa Colombo, uma das mais importantes lojas comerciais de artigos masculinos do
Rio e cujo proprietário era Arnaldo Portella, pai de Clyto Portella, um dos
jogadores do Fluminense. Troféu este que foi propositadamente importado de
Inglaterra, o berço do futebol moderno.
Para a eternidade aqui ficam os resultados e marcadores de todos os jogos do histórico primeiro Cariocão:
3 de maio: Fluminense – Paysandu: 7-1
Golos:
Horácio Costa Santos (3), Emile Etchegaray (3) e Edwin Cox (Fluminense); C.
Hargreaves (Paysandu).
6 de maio: Rio Cricket - Football and Athletic: 7-0
Golos: C.
Mutzenbecher (4) e Vero (3).
13 de maio: Fluminense - Botafogo: 8-0
Golos:
Horácio Costa Santos (3), Buchan, Gulden, Porthos Duque Estrada, Edwin Cox e
Félix Frias.
20 de
maio: Bangu - Football and Athletic: 3-1
Golos:
Tom Harrison, Charles Hill e Alexander Leigh (Bangu); Alberto “Baby” Alvarenga
(Football and Athletic).
27 de
maio: Botafogo - Bangu: 1-0
Golo:
Gilbert Hime.
3 de
junho: Botafogo - Paysandu: 1-5
Golos:
Ataliba Sampaio (Botafogo); C. Hargreaves (3) e C. Robinson (2).
10 de
junho: Bangu - Fluminense: 0-4
Golos:
Horácio Costa Santos (2), Edwin Cox e Emile Etchegaray.
17 de
junho: Rio Cricket - Paysandu (O Paysandu
não compareceu)
1 de
julho: Botafogo - Rio Cricket: 3-1
Golos:
Norman Hime, Ataliba Sampaio e Gilbert Hime (Botafogo); R. Brooking (Rio
Cricket).
8 de
julho: Bangu - Paysandu: 0-3
Golos: C.
Hargreaves (2) e McCullock.
8 de
julho: Botafogo - Football and Athletic: 5-0
Golos:
Ataliba Sampaio (2), Flávio Ramos, Gilbert Hime e Emmanuel Sodré.
14 de
julho: Fluminense - Football and Athletic: 7-0
Golos:
Horácio Costa Santos (2), Edwin Cox (2), Félix Frias (2) e Gulden.
15 de
julho: Bangu - Botafogo: 3-2
Golos: Alexander
Leigh (3) (Bangu); Ataliba Sampaio e Paulino de Souza (Botafogo).
22 de
julho: Football and Athletic - Paysandu: 0-8
Golos: C.
Robinson (3), McCullock (2), Leo Yeats, E. Pullen e H. Wood.
22 de
julho: Rio Cricket - Bangu: 1-0
Golo: C.
Mutzenbecher.
5 de
agosto: Fluminense – Paysandu: 1-3
Golos:
Edwin Cox (Fluminense); McCullock (2) e Leo Yeats (Paysandu).
12 de
agosto: Fluminense - Rio Cricket: 2-1
Golos: Félix
Frias e Edwin Cox (Fluminense); Vero (Rio Cricket).
19 de
agosto; Paysandu - Botafogo: 4-1
Golos: F.
Robinson (2), Leo Yeats e C. Robinson (Paysandu); Gilbert Hime (Botafogo).
26 de
agosto: Football and Athletic - Bangu: 0-7
Golos: J.
Mac Phail (4), Robert Cross (2) e Alexander Leigh.
2 de
setembro: Paysandy – Rio Cricket: 0-2
Golos: C.
Mutzenbecher e Stanischowsky.
9 de
setembro: Football and Athletic – Fluminense: 0-11
Golos:
Horácio C. Santos (4), Edwin Cox (2), Buchan (2), Emile Etchegaray (2) e Félix
Frias.
16 de
setembro: Paysandu - Bangu (O Bangu não compareceu).
23 de
setembro: Football and Athletic - Botafogo: 1-5.
Golos:
Adhemar Faria (Athletic); Flávio Ramos (2), Gilbert Hime, Norman Hime e Raul T.
Rodrigues (Botafogo).
23 de
setembro: Bangu - Rio Cricket: 0-4
Golos:
Stanischowsky (2), Tate e C. Calver.
30 de
setembro: Botafogo - Fluminense: 0-6.
Golos:
Edwin Cox (4), Emile Etchegaray e Horácio Costa Santos.
7 de
outubro: Rio Cricket - Botafogo: 6-0
Golos:
Millar (2), Stanischowsky (2), Tate e C. Mutzenbecher.
12 de
outubro: Paysandu - Football and Athletic: 2-0
Golos: H.
Wood e McCullock.
14 de
outubro: Rio Cricket – Fluminense: 1-4
Golos: Horácio
Costa Santos (na própria baliza), Horácio Costa Santos (2) e Edwin Cox (2).
21 de
outubro: Fluminense - Bangu: 2-0
Golos:
Horácio Costa Santos e Edwin Cox.
28 de
outubro: Football and Athletic - Rio Cricket (O Rio Cricket não compareceu).
Classificação:
1- Fluminense 18 pts.- 10 j- 9 v- 0 e- 1 d
2- Paisandu-
14 pts.- 10 j- 7 v- 0 e- 3 d
3- Rio
Cricket- 12 pts.- 10 j- 6 v- 0 e- 4 d
4-
Botafogo- 8 pts.- 10 j- 4 v- 0 e- 6 d
5- Bangu-
6 pts.- 10 j- 3 v- 0 e- 7 d
6- Football and Athletic- 2 pts.- 10 j- 1 v- 0 e- 9 d
quinta-feira, fevereiro 06, 2025
Histórias do Planeta da Bola (34)... Há 100 anos a Inglaterra testemunhou o primeiro preconceito racial na sua seleção
Barrar a convocatória de um futebolista para uma qualquer equipa devido à cor da sua pele é aos olhos da atualidade um ato criminoso e acima de tudo vergonhoso. Mas há precisamente 100 anos atrás nem toda a gente pensava desta forma, ou pelo menos julga-se que assim era quando recordamos o caso de Jack Leslie, o primeiro negro a ser convocado e ao mesmo tempo desconvocado para a seleção inglesa. Nascido no bairro londrino de Canning Town, no dia 17 de agosto de 1901, Jack era filho de pai jamaicano e mãe inglesa. Ao serviço do Barking Town, modesto emblema de outro bairro da capital inglesa, Leslie cedo começou a dar nas vistas pela sua veia goleadora. Conta-se que terá marcado ao serviço deste emblema mais de 250 golos nos primeiros anos de carreira, tendo tido um contributo preponderante para a conquistas da Taça Sénior Essex, em 1920; da London League Premier Division, no ano seguinte. Os feitos de Leslie começaram a ultrapassar as fronteiras de Londres, e em 1921 é contratado pelo Plymouth Argyle, clube do sudeste de Inglaterra, onde se tornaria uma verdadeira lenda nos 14 anos seguintes. Nos 400 encontros realizados com o clube apontou um total de 137 golos, fazendo uma dupla mortífera com outro ícone do clube, Sammy Black, uma parceria que ao longo de todos estes anos rendeu mais de 300 golos aos Pilgrims, a alcunha pelo qual é conhecido este emblema. E seria precisamente no auge da sua carreira, que em 1925 Leslie recebe da boca do seu treinador, Bob Jack, a notícia de que estava convocado para jogar pela seleção inglesa num jogo contra a Irlanda. A boa nova, para Leslie, foi divulgada pela imprensa, tendo o Birmingham Gazette e o Liverpool Echo feito eco da notícia. Porém, e para espanto de todos, quando a convocatória oficial saiu o nome de Jack Leslie não estava mencionado (!), sem qualquer explicação posterior dada pela Football Association (FA). De pronto, surgiram teorias de que Leslie tinha sido riscado da convocatória final devido à cor da sua pele, já que quando os responsáveis pela seleção se aperceberam que o jogador era negro simplesmente voltaram atrás na decisão de o convocar. Anos mais tarde, a FA admitiu que os seus dirigentes não sabiam inicialmente que Leslie era negro, e quando descobriram… já se sabe o resto da história. Em 1978, Leslie deu uma entrevista ao jornal Daily Mail em que disse que quando a FA descobriu que ele era negro julgaram que seria estrangeiro e como tal foi descartado da convocatória. Em 2022, ano em que Jack Leslie havia já deixado o mundo dos vivos (faleceu em 1988), a FA admitiu o erro que cometeu em 1925 e chamou os descendentes do jogador ao Estádio de Wembley, tendo-lhes entregue um boné! Sim, um boné que simbolizava a internacionalização que deveria ter acontecido quase (e então) 100 anos antes. Uma espécie de pedido de desculpas que, quiçá, terá chegado tarde demais, e que veio fazer justiça a um jogador que após pendurar as chuteiras passou o restos dos seus dias a limpar… chuteiras. Sim, nas décadas de 60 e 70 Leslie seria funcionário do West Ham United, onde se ocupava de tratar/limpar das botas/chuteiras dos futebolistas dos Hammers, entre outros de lendas como Bobby Moore, Geoff Hurst, e Martin Peters, três campeões do Mundo ao serviço da Inglaterra, em 1966. Seleção inglesa que apenas em 1978 veria um jogador negro vestir a sua camisola: Viv Anderson, o seu nome.
terça-feira, outubro 15, 2024
Histórias do Planeta da Bola (33)... A (única) aventura de uma equipa B no palco da Europa do futebol
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| O Castilla europeu |
Os regulamentos – ditados por quem tutela o futebol a nível interno e externo – definem que qualquer equipa B de um clube não pode competir oficialmente com a “casa mãe”, ou seja, a equipa A, nem tão pouco jogar uma competição europeia, mas… houve em tempos uma exceção. E para conhecer esta curiosa história recuámos até à temporada de 1980/81, quando o Real Madrid B, ou Castilla, como era denominada essa célebre equipa secundária merengue, disputou a Taça das Taças. E como é que lá chegou? Sobre esta epopeia curiosa dos putos merengues já traçámos umas linhas numa outra viagem ao passado, relembrando apenas que tal aconteceu pelo facto do Real Madrid B/Castilla ter chegado na época de 1979/80 à final da Copa del Rey, onde perdeu com… o Real Madrid (A)! A brincadeira dos meninos da cantera madrilista, o mesmo será dizer da equipa B, na taça de Espanha fez vítimas como o Atlético de Bilbao, o Hércules, a Real Sociedad, ou o Sporting de Gijón, equipas que nessa temporada militavam no principal escalão espanhol. Claro, que o pagode dos miúdos do Castilla acabou na final – disputada em pleno Santiago Bernabéu – ante os graúdos da equipa principal do Real Madrid. Doutra forma não podia (?) ser, claro. Mas na retina ficou essa façanha inédita no Planeta da Bola protagonizada por miúdos como Agustín, Chendo, Gordillo. Pineda, entre outros que fariam carreira no plano internacional com as cores quer do Real Madrid (A), quer com o manto sagrado da seleção espanhola.
Ora, e voltando ao início da nossa história, esse feito assegurou-lhes o bilhete para a edição da época seguinte da Taça das Taças, pelo facto de a “casa mãe”, isto é, o Real Madrid A, ter sido também campeão nacional e como consequência tido o direito de disputar a Taça dos Campeões Europeus (TCE).
O adversário? Um cavaleiro inglês que vivia dias de penúria!
E quis o destino que na sua aventura europeia o Castilla se cruzasse com um cavaleiro do futebol inglês a viver então na penumbra, o West Ham United. O popular emblema londrino atuava há três temporadas consecutivas na 2.ª Divisão inglesa, e esta sua aparição nas provas uefeiras devia-se ao facto de contra todas as previsões ter vencido em 79/80 a Taça de Inglaterra às custas do vizinho Arsenal. Apesar de militarem no segundo escalão inglês, os Hammers tinham um plantel recheado de bons valores e com vasta experiência nos retângulos de jogo, casos do histórico capitão Billy Bonds, de Frank Lampard (pai), ou de Trevor Brooking. Do outro lado estava um Castilla muito jovem, ou não fossem as equipas B o espaço ideal para os jovens que saem da formação dos clubes darem os primeiros passos no futebol sénior. Mesmo assim havia muita qualidade num plantel treinador por Juanjo Garcia, o homem que tinha encabeçado na época anterior o feito de atingir a final da Copa del Rey. Mas este foi apenas um dos méritos deste treinador, como veremos mais adiante. E a prova de que o Real Madrid/Castilla tinha de facto qualidade ficou bem patente na 1.ª mão da 1.ª eliminatória com o West Ham, disputada no Santiago Bernabéu perante 40.000 pessoas. Números impensáveis hoje em dia quando falamos de um jogo de uma equipa B. 3-1, venceu o Castilla, com golos de Paco, Balín e Cidón, num jogo de dupla má memória para os ingleses. Por outras palavras, não só perderam este primeiro encontro, como viram os seus adeptos que viajaram para Madrid fazerem uma figura triste na sequência de violentos confrontos com a polícia e adeptos locais (dentro e fora do estádio), entre outras cenas lamentáveis, como arrancar e arremessar as cadeiras das bancadas, ou urinar em praça pública. Era esta a pobre imagem que o futebol inglês dava no exterior no que a adeptos dizia respeito, e que viria a ter consequências mais graves quatro anos volvidos numa fatídica tarde em Bruxelas – na célebre final da TCE de 85.
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Como
consequência destes atos de vandalismo, a UEFA decretou que o jogo da 2.ª mão
em Londres seria disputado à porta fechada. Foi a primeira vez na história que
o organismo que tutela o futebol europeu castigou desta forma um clube em face
do comportamento dos seus adeptos. Ora, com uma vantagem de dois golos na
bagagem, e sem os sempre frenéticos e ruidosos adeptos ingleses contra, a
tarefa do Castilla em passar a eliminatória parecia assim facilitada. Mas não
foi bem assim. Num Upton Park às moscas – onde apenas se ouviam as instruções
dos treinadores e o barulho da bola a ser pontapeada pelos jogadores –, o West
Ham United foi muito superior no primeiro tempo, e como consequência saiu para
o intervalo a vencer por 3-0 e com a eliminatória na mão perante um Castilla
muito nervoso no futebol jogado. No descanso, Juanjo puxou as orelhas aos seus
meninos, que no segundo tempo melhoraram a sua performance e reduziram para
1-3, obrigando a que se disputassem mais 30 minutos de futebol suplementar. O nervosismo
voltou a tomar conta dos jovens merengues neste que seria rotulado para sempre
como o Ghost Match (jogo fantasma) por toda a situação envolvente atrás
descrita. Nervosismo que seria aproveitado pelo emblema londrino para fazer
mais dois golos, de nada valendo o facto de o Castilla a determinada altura do
prolongamento ter arriscado jogar com três avançados em cunha, de modo a tentar
desmoronar a veterana defesa inglesa. A juntar ao nervosismo, alguma falta de
sorte também se apoderou dos jovens madrilenos, que construíram diversas
oportunidades para sair do Upton Park com outro resultado que não a derrota por
5-1 e a consequente eliminação.
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| Uma imagem do Ghost Match |
Valeu, contudo, esta experiência inédita no futebol global. Quanto ao futuro do Castilla, este continuou a deslumbrar internamente os adeptos do Belo Jogo, tendo pouco tempo depois o técnico Juanjo formado outra notável geração de futebolistas que viria a servir com êxito o Real Madrid nos finais da década de 80 e toda a década de 90. Uma geração que ficaria eternamente conhecida como a Quinta del Buitre, e que era composta por lendas como Butragueño, Michel, Martín Vásquez, e Pardeza.
sexta-feira, junho 07, 2024
Histórias do Planeta da Bola (32)... UEFA Regions Cup – 25 anos do esplendor inocente do futebol amador europeu (parte III)
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| Entrada para a final de Dublin |
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| Kenneth Hoey |
Vingança croata serviu-se na Turquia
Em 2017 Portugal volta a participar na fase final da Taça das Regiões da UEFA, desta feita pela Associação de Futebol de Lisboa, que assim se torna na terceira associação a representar a nação lusa na fase decisiva da competição. Depois de um ano antes se ter sagrado campeã nacional da Taça das Regiões, a seleção lisboeta superou uma fase intermédia realizada na Polónia, na cidade de Legnica, em setembro de 2016, garantindo desta forma a qualificação para a fase final, um feito que não passou despercebido à Câmara Municipal de Lisboa, que homenageou a comitiva no regresso do leste da Europa. A fase final da UEFA Regions Cup de 2017 aconteceu em Istambul, na Turquia, tendo a turma lisboeta sentido o profissionalismo que a UEFA aplica nesta competição de futebol não profissional, e a prova disso é que a comitiva lusa ficou hospedada no moderno Complexo Desportivo da Federação Turca de Futebol. A competição em si não correu de feição à seleção regional portuguesa, comandada por Marco Guerreiro, já que não foi além de um 3.º lugar no Grupo A, fruto de três empates, um dos quais contra os futuros campeões do torneio, a seleção regional de Zagreb. As exibições da seleção da Associação de Futebol de Lisboa na fase final mereceram, porém, alguns elogios por parte da imprensa local e dos seus adversários diretos. E seria então no Complexo Desportivo da Federação Turca de Futebol que se realizou a final da 10.ª edição da competição, um jogo cujo desfecho soube a… vingança. Ou seja, a seleção de Zagreb vingou a derrota na edição anterior ante a seleção irlandesa da Eastern Region contra a… seleção irlandesa da Munster/Connacht. O momento chave da final aconteceu ao minuto 26, quando Toni Adzic fez o único tento do jogo que assegurou a vitória final à seleção croata. Zagreb tornou-se assim na primeira equipa da Croácia a vencer esta competição.
Polacos do Dolny Slask bisam na final dos cinco penáltis
Depois de Veneto, em 2013, foi a vez da seleção regional polaca de Dolny Slask vencer a competição pela segunda vez na história. Corria o ano de 2019, quando a região da Baviera, na Alemanha, acolheu a fase final da prova. A seleção da casa chegou à final, o que desde logo se constituiu como um feito histórico, já que até então nenhuma seleção regional germânica o havia conseguido, mas os polacos estragaram a festa numa final insólita. E porquê assim o foi? Porque todos os cinco golos do jogo que iria definir o campeão da 11.ª edição da competição foram apontados da marca de grande penalidade! Não há memória de uma final europeia assim, de facto. O primeiro golo foi para a turma da casa, por intermédio de Ugur Turk, aos 35 minutos. A seleção de Dolny Slask correu então atrás do prejuízo, e o empate chegou em cima do intervalo, novamente na cobrança de um castigo máximo. O primeiro remate de Mateusz Jaros foi defendido pelo guardião da casa, mas na recarga o polaco atirou a contar. Ainda antes do intervalo o guarda-redes da casa fez uma defesa espetacular que evitou novo tento dos forasteiros, mas aos 47 minutos da segunda metade nada pôde fazer quando o árbitro romeno Sebastian Coltescu assinalou o terceiro penálti da tarde no relvado da Wacker-Arena, em Burghausen. Kornel Traczyk não perdoou e fez o 2-1 para a seleção polaca, de nada valendo a estirada do guardião alemão, que adivinhou o lado para onde foi a bola. A tarefa dos alemães, que até começaram esta final por cima, fruto de uma maior iniciativa ofensiva, ficou mais complicada à passagem do minuto 70, quando Michael Kraus viu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com mais um jogador em campo, os polacos deram a machadada final aos 80 minutos, altura em que Bohdanowicz fez o 3-1. Os donos da casa lutaram com todas as suas armas para chegar de novo ao golo, tendo sido premiados em cima dos 90 minutos com um novo penálti, o qual seria convertido por Lukas Igrund. De nada valeu este golo, já que pela segunda vez na história a seleção de Dolny Slask levava para casa a taça.
Euforia nas Rias Baixas galegas
2020 fica para a história como o ano em que o Mundo foi assombrado por uma pandemia: a Covid-19. Em poucos meses, o vírus espalhou-se por todo o planeta, infetou mais de 75 milhões de pessoas e causou impactos negativos em todos os setores. Naturalmente que o desporto também foi e muito afetado pelo efeito da Covid-19. Foram vários os grandes eventos desportivos cancelados, ou adiados, um pouco por todo o Mundo devido ao surto do novo coronavírus. Também a Taça das Regiões da UEFA foi vítima do novo coronavírus, tendo a sua edição de 2021 sido cancelada por força da pandemia. Desta forma, só em 2023 o certame voltou à ribalta, desta feita na região da Galiza, em Espanha. E pela sexta ocasião em 25 anos de história da competição, a taça voltava a ficar em casa, isto é, conquistada pela seleção anfitriã. O título coroou uma seleção que irá, por certo, ficar na história do futebol desta região do norte de Espanha, já que a equipa orientada por Iván Cancela concluiu em Vilagarcía de Arousa, localidade que acolheu a final, um trajeto 100 por centro vitorioso de… quatro anos. Por outras palavras, a turma galega não conheceu a derrota ao longo de quatro anos consecutivos. A fase final da 12.ª edição do certame foi a todos os níveis espetacular, desde o futebol desenvolvido pelas oito seleções presentes, como de igual modo pela excelente organização.
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| Golo da Galiza contra a equipa bósnia |
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| Álex Rey festeja com os adeptos na final |
E assim chega ao fim esta nossa viagem pela história desta competição.
quinta-feira, junho 06, 2024
Histórias do Planeta da Bola (31)... UEFA Regions Cup – 25 anos do esplendor inocente do futebol amador europeu (parte II)
Esta foi na verdade uma das finais mais dramáticas e ao mesmo tempo emotivas destes 25 anos de história da competição. Quando o público da casa já festejava nas bancadas a vitória da seleção da região Sudoeste-Sofia, eis que um balde de água fria caiu sobre eles a sensivelmente 10 minutos do fim.
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| Arkadiusz Piech |
A fase final desta edição da Taça das Regiões seria então considerada pela UEFA como a melhor de sempre, até então, a julgar pelas palavras de Jim Boyce, o então vice-presidente da UEFA para o futebol juvenil e amador. Já aqui frisamos que esta competição é disputada por futebolistas não profissionais, ou que sejam semi-profissionais, mas isso não quer dizer que muitos deles não alcancem no futuro a profissionalização no futebol. E a seleção regional Dolny Slask é um bom exemplo disso, já que dois dos jogadores que venceram esta Taça das Regiões lograriam chegar à seleção principal do seu país e a jogar na 1.ª divisão da Polónia. Foram os casos de Arkadiusz Piech e Janusz Gol, que também se aventuraram no futebol internacional, ao competirem ao mais alto nível nos campeonatos da Turquia, do Chipre – no caso de Piech – e da Rússia – no que diz respeito a Gol.
Castilla e León resgata a taça para Espanha
Berço de notáveis futebolistas/treinadores espanhóis, casos Paco Llorente, Vicente Del Bosque, Juan Mata, entre outros profissionais de relevo, a região de Castilla e León levou em 2009 para Espanha pela segunda vez o título de campeão da Europa de futebol amador. Feito alcançado debaixo do sol tórrido da Croácia, mais concretamente na região de Zagreb. No entanto, a seleção regional da casa esteve muito longe de colocar a mão na taça, já que não foi além do 3.º lugar do Grupo A da fase final, ficando a 3 pontos do vencedor do grupo, os romenos da região de Oltenia. Em termos mais precisos, a seleção regional da Roménia derrotou a seleção de Privolzhie (Rússia) por 2-0, com golos de Mirel Sârbu e Adrian Marinescu, e a região de Bratislava (Eslováquia) pelo mesmo resultado, com golos de Bogdan Preda e Mirel Sarbu. No último jogo, os romenos empataram com a equipa da casa a uma bola, sendo que o tento da região de Oltenia foi apontado por Alin Vacaru. Por seu turno, a seleção de Castilla e León teve uma fase de grupos imaculada, isto é, só com vitórias, sobre os representantes da Bósnia (Gradiaka), da República da Irlanda (Region I) e da Bélgica (Kempen). Neste trajeto invicto os espanhóis apenas sofreram um golo, apontado pela equipa belga, e marcaram sete tentos. Chegados à final, realizada no Estádio do NK Inter de Zapresic, os dois combinados realizaram uma primeira parte onde imperou o futebol rápido e vertical praticado por ambos os lados. Nota de rodapé para dizer que após uma fase de grupos disputada sob intenso calor, a final foi realizada debaixo de pequenos chuviscos! Mas voltando ao encontro, seria no seguimento de uma bola dividida que aos 18 minutos António Ramirez apontou o primeiro tento dos espanhóis, após boa jogada de entendimento com o seu companheiro Alonso. Empolgada pelo golo, a seleção de Castiila e León assumiu as despesas do jogo e partiu para cima do adversário em busca de mais. Porém, aos 25 minutos, Adrian Sirbu, repôs a igualdade na sequência de um cabeceamento que apanhou desprevenido o guardião Álex. A seleção regional espanhola continuou num registo sólido na segunda metade, período este onde as duas equipas foram em busca de um novo golo de forma persistentes. Neste aspeto, foi mais eficaz a seleção de Castilla e León que aos 80 minutos chegou ao 2-1, na marcação de um livre apontado por Mato, tendo na sequência do lance Mirel Adrian Sirbu rematado com êxito para o fundo das redes de Alexandra Popescu.De Braga a Barcelos se fez o trajeto da glória portuguesa
O futebol português também guarda boas recordações da Taça das Regiões da UEFA. Corria o ano de 2011 quando a região do Minho acolhe a fase final da 7.ª edição do certame, fruto da qualificação da Associação de Futebol de Braga para a ronda final. E foi a jogar em casa, na sua região, que a seleção distrital bracarense alcançou a glória, o título de campeão, o único até à data do futebol luso no âmbito das Bodas de Prata da competição uefeira. Sobre esta conquista já traçámos noutras viagens ao passado longas linhas, pelo que aqui vamos recordar somente as incidências finais desta caminhada de glória de uma seleção que era orientada sob o ponto de vista técnico pelo malogrado Dito. Integrada no Grupo A da fase final a turma bracarense teve um trajeto imaculado, isto é, 100 por cento vitorioso, que começou com um triunfo por 3-1 no Estádio 1.º de Maio (em Braga) sobre os checos do Zlin por 3-1, com golos de Hugo Veiga, Diogo Leite e João Silva.
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| Imagens da final, em Barcelos |
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| Bracarenses fazem a festa |
Veneto bisa na casa de partida
Em 2013 a Taça das Regiões da UEFA voltou à sua casa de partida: a região de Veneto. E tal como em 1999, aquando da primeira edição, tudo terminou da mesma forma, isto é, com a seleção regional de Veneto a ficar com a taça na sua posse, entrando desde logo para a história da competição pelo facto de pela primeira vez uma seleção distrital ter-se sagrado campeã da Europa de futebol amador pela segunda ocasião. Depois de vencer o Grupo A da fase final de forma invicta, a seleção regional transalpina avançou para a final, onde tal como em 99 a esperava uma equipa vinda de Espanha, neste caso a seleção da Catalunha. Disputada tal como na primeira edição no Stadio Comunale delle Terme, em Abano, a final, com arbitragem portuguesa, a cargo de Artur Soares Dias, seria decidida nas grandes penalidades, após um nulo no final dos 120 minutos. Em termos mais precisos, assistiu-se a uma primeira parte marcada pelo equilíbrio entre duas seleções que apresentaram em campo o mesmo esquema tático: 4-3-3. A jogar em casa o conjunto italiano entrou melhor no que toca à ambição de chegar ao golo, já que logo no primeiro minuto Gasparato errou o alvo por pouco. Aos 7 minutos os catalães apareceram pela primeira vez com algum perigo junto da baliza à guarda de De Carli, com Cornella a falhar o golo na cobrança de uma falta. À passagem do quarto de hora os donos da casa fazem uma nova incursão perigosa no ataque, mas o remate de Meda é travado com atenção pelo guarda-redes Carlos Miguel. A seleção catalã só consegue colocar em sentido a defesa transalpina através de lances de bola parada, sendo que numa dessas ocasiões Cornella volta a colocar à prova De Carli, corria o minuto 29. O equilíbrio foi de novo a nota dominante na maioria da segunda parte. Aos 48 minutos, De Carli foi o primeiro guarda-redes chamado a intervir, após um belo remate do catalão Garros. Pouco depois, o Veneto cria aquela que pode ser considerada a primeira grande oportunidade do encontro, quando Furlan rematou à trave da baliza catalã. A equipa orientada pelo técnico Toniutto cresceu no jogo, e aos 53 minutos uma nova tentativa de Furlan é travada desta feita pelo guardião Carlos Miguel. Três minutos volvidos é a vez da Catalunha responder, com Pol a obrigar De Carli a defesa apertada. O jogo entrou num ritmo de parada e resposta, com mais um par oportunidades claras até final dos 90 minutos a surgirem de um lado e do outro. No prolongamento assiste-se a um jogo morno, um pouco desinteressante, sem lances de maior emoção. A única nota de relevo deu-se aos 106 minutos, altura em que o italiano Mantovani recebe ordem de expulsão de Artur Soares Dias. E com 0-0 no marcador a decisão foi para penaltis. E na marca dos 11 metros a seleção de Veneto foi mais competente e venceu por 5-4 - Lorenzatti, Vettoretto, Polonese, Gasparato e Gagno marcaram para os italianos, e Vivo falhou a grande penalidade decisiva para os catalães, depois dos seus colegas de equipa, Gallego, Puerto, Puigoriol e Munta, terem convertido com êxito os seus remates.(continua)

























