DULCE ROSALINA (Brasil): Não é só dentro das quatro linhas que o futebol tem os seus encantos. Fora delas, o mesmo será dizer nas bancadas, ele ganha alma e paixão genuína através dos adeptos que transformam os estádios em verdadeiros palcos de emoção. A envolvência das bancadas dita o ritmo do jogo e cria uma atmosfera única. Vem isto a propósito da nossa estrela de hoje, que não só fez história ao imprimir um novo estilo de apoio nas bancadas, como e acima de tudo derrubou a barreira do preconceito em relação à presença e liderança feminina num espaço onde predominava – e ainda predomina maioritariamente – o sexo masculino. A nossa revolucionária é Dulce Rosalina, a carioca que há 70 ANOS ATRÁS se tornou na primeira mulher a líder uma claque – ou torcida – no Brasil… e no resto do Mundo. Nascida no Rio de Janeiro, em 1935, Dulce era filha de um imigrante português fanático pelo Vasco da Gama. Estabelecido no Bairro da Saúde, zona portuária que contava com uma massiva comunidade portuguesa com fortes ligações ao emblema da Cruz Maltina, o pai de Dulce foi a maior influência para que desde muito cedo a menina também ela se tornasse numa fervorosa adepta dos vascaínos. Mas não foi só a paixão pelo Vasco que este estivador de profissão transmitiu à sua filha. A defesa dos direitos humanos foi um dos ensinamentos que este homem sempre procurou transmitir à sua descendente, sobretudo no que concerne à abolição do preconceito racial. Ora, sendo o Vasco da Gama um dos clubes pioneiros no que diz respeito à integração de jogadores negros e operários nas suas equipas, deu-se aqui o casamento perfeito entre Dulce e o Gigante da Colina. Foi neste ambiente que Dulce Rosalina cresceu, até que aos 22 anos o seu nome entra na história do desporto. Estávamos em 1956, ano em que esta carioca assume a presidência da Torcida Organizada do Vasco, isto é, a maior claque da época do emblema de São Januário. Estava derrubada desta forma a barreira do preconceito em relação à mulher não só como adepta do futebol, como em relação à mulher no papel de líder de algo relacionado com esta modalidade, neste caso de uma claque organizada. Dulce Rosalina revolucionaria de imediato também o modo de apoio a um clube, ao trazer para os jogos confetis – ou papel picado – e tambores que até então só se viam e utilizavam em escolas de samba. Dulce rapidamente se tornou numa referência dentro do próprio clube, tendo o privilégio de conviver de perto e com frequência com alguns dos ídolos de então do Vasco, casos de Bellini ou Vavá. A sua popularidade seria reconhecida a nível nacional em 1960, quando a Revista do Esporte a distingue com o prémio de Melhor Torcedor do Brasil. Ela comandou a principal torcida do Vasco da Gama em vários estádios do Brasil, já que fazia questão de acompanhar o clube para onde quer que fosse. Esta acérrima paixão também lhe causou alguns momentos de sofrimento, como aquele que aconteceu em 1968, quando numa deslocação a São Paulo o autocarro em que a claque seguia teve um acidente, causando alguns ferimentos àquela que era já conhecida como a Primeira Dama do Vasco da Gama. Em 1977 ela desvincula-se da Torcida Organizada do Vasco, alegando divergências políticas com os dirigentes da época do clube. Porém, este divórcio esteve longe de significar o fim da sua relação com o clube o seu coração, já que logo depois fundou uma nova claque, a Renovascão. Foi casada com o jogador de futebol Norival Ponce de León e reza a história que sempre que o seu esposo jogava contra o Vasco, a Dona Dulce avisava-o de que ele tinha duas opções: perder o jogo ou não voltar para casa. Com o avançar da idade e o aparecimento dos problemas de saúde, Dulce Rosalina foi-se afastando dos estádios de futebol. Viria a falecer em 2004. Em jeito de homenagem, a Prefeitura – Câmara Municipal – do Rio de Janeiro atribuiu o seu nome a uma rua da cidade próxima ao Estádio de São Januário.
sexta-feira, agosto 28, 2026
terça-feira, agosto 25, 2026
Copa América (10)... Chile 1926
![]() |
| A seleção uruguaia que em 1926 recuperou o título de campeão das américas |
Em 1926 o então denominado Campeonato Sul-Americano de Futebol dava as boas vindas ao seu sexto integrante da história, a Bolívia. Foi no Chile, mais precisamente na capital Santiago, que La Verde – que na altura até vestia de branco – deu há um século atrás a esta parte o pontapé de saída da sua história no Planeta da Bola. Facto ocorrido a 17 de outubro de 1926, quando no Campos de Sports de Ñuñoa, a Bolívia entrou em campo pela primeira vez, na abertura da 10.ª edição da maior competição de seleções do continente americano. Mas puxemos a fita atrás, mais concretamente até ao dia 18 de agosto desse ano, altura em que a Federação Boliviana de Futebol – que havia sido fundada apenas um ano antes – decide aceitar o convite da sua congénere chilena para integrar o lote de seleções do 10.º Campeonato Sul-Americano. Estávamos a dois meses do início da competição, e os dirigentes bolivianos nem sequer tinham ainda uma seleção nacional montada, mas mesmo assim arriscaram participar com o argumento da visão de integrar o país no Mundo do futebol.
![]() |
| Job De La Cerda |
Foi de pronto nomeada uma comissão técnica, a qual foi liderada por Job de la Cerda, um dos pioneiros do futebol boliviano que começou a sua carreira de futebolista e mais tarde de dirigente na Argentina, para onde se havia mudado com apenas 10 anos de idade. Assim que chegou ao comando da seleção boliviana, Cerda realizou um torneio nacional com equipas das várias regiões do país no sentido de escolher os melhores que iria levar ao Chile. No rescaldo deste torneio de captação, digamos, foram selecionados 17 jogadores originários dos estados/províncias de La Paz, Oruro, Sucre, Potosí, Cochabamba e Uyuni. Escolhidos os jogadores, a seleção reuniu-se a 13 de setembro em Cochabamba, cidade que tinha um clima mais aproximado do que se verificava em Santiago do Chile, até que a 1 de outubro a delegação da Bolívia inicia a viagem de comboio até Antofagasta, onde iria pernoitar antes de apanhar o barco para Valparaíso e dali novamente de comboio até Santiago. Foram três esgotantes dias de viagem para a estreante seleção, que assim que chegou à capital chilena recebeu inúmeras manifestações de carinho, quer por parte das autoridades do Chile, quer da própria imprensa local. Sem tempo para treinar ou para se ambientar ao clima da capital chilena, os bolivianos entraram em campo diante da seleção anfitriã no dia 12 de outubro de 1926, uma data histórica, já que este foi o PRIMEIRO JOGO DE SEMPRE do combinado nacional da Bolívia. No Campos de Sports de Ñuñoa – onde anos mais tarde seria edificado o atual Estádio Nacional de Santiago – La Verde seria goleada por 7-1, um resultado que mostrava a clara inexperiência do futebol boliviano nestas andanças internacionais. Ainda assim, a equipa mostrou coragem e algum atrevimento ofensivo, como atestam as crónicas de então, facto que mereceu aplausos do público chileno. Do lado da La Roja sul americana um homem sobressaiu não só neste encontro como no resto do campeonato: David Arellano. O avançado do recém-criado Colo Colo – clube fundado um ano antes – foi autor de quatro golos neste match de estreia, ele que haveria de ficar famoso mundialmente – sim, mundialmente – por alegadamente ter sido o inventor da chilena, a designação que na América do Sul se dá ao pontapé de bicicleta. E dizemos alegadamente porque ainda hoje há uma disputa entre brasileiros e chilenos sobre quem terá sido o criador deste famoso gesto técnico, se Arellano ou Leônidas da Silva. Os chilenos dizem que foi o primeiro, enquanto que os brasileiros juram a pés juntos que o foi o seu Diamante Negro.
![]() |
| Chile - Bolívia |
![]() |
| Chile - Uruguai |
![]() |
| Seleção chilena saúda o seu público no Campos de Sports de Ñuñoa |
Numa competição que continuava a ser disputada em forma de campeonato, em que o campeão seria a seleção que somasse mais pontos, a Argentina amealha mais uma vitória no encontro diante do Paraguai na sequência de uma goleada de 8-0, com destaque para o poker de Gabino Sosa. Diga-se de passagem, que na altura este foi o campeonato sul-americano que mais golos iria produzir: 55. Uma média de 5,5 golos nos 10 encontros realizados. Um dos jogos com menos golos foi precisamente o escaldante duelo entre argentinos e uruguaios, o grande clássico de então na América do Sul. 15.000 espectadores lotaram o Campos de Sports de Ñuñoa e presenciaram um jogo onde o Uruguai provou o porquê de ser a melhor seleção do planeta, vencendo por 2-0. No jogo seguinte Hector Scarone fez história não só na competição da CONMEBOL como da própria seleção uruguaia. Ao apontar cinco dos seis golos sem resposta com que o Uruguai bateu a Bolívia, Scarone tornou-se no primeiro jogador da competição a alcançar esta marca. Esta manita confere ainda a Scarone até aos dias de hoje o recorde de único jogador com maior número de golos num só jogo pela seleção uruguaia.
![]() |
| A entrada em campo da Argentina |
![]() |
| Arellano |
O Chile acabou este torneio no segundo lugar ex-áqueo com os argentinos após esmagar o Paraguai por 5-1, com destaque para os três golos da estrela David Arellano, um futebolista nascido em Santiago, em 1902, e que revolucionou o futebol no país no começo do século XX. Fundador, capitão e primeiro ídolo do Colo Colo, ele teria um final trágico um ano após a realização deste Campeonato Sul-Americano. Em 1927 a Federação de Futebol do Chile escolheu o Colo Colo para representar o país numa série de jogos particulares na Península Ibérica. Diz a história, que foi Arellano que no âmbito dessa digressão apresentou à Europa a famosa chilena, ou pontapé de bicicleta. Seria este gesto técnico em parte o responsável pela morte de David Arellano a 3 de maio daquele ano de 1927. Em Valladolid, o Colo Colo defrontou nessa tarde o Real Unión e ao tentar executar uma das suas famosas chilenas, Arellano caiu ao mesmo tempo que o seu marcador direto nesse lance, o espanhol Hornia, o qual caiu em simultâneo com o joelho em cima do peito do avançado chileno. A pancada provocou um abscesso intra-abdominal, levando à morte de um jogador que estava no auge da sua carreira. Voltando à Copa América de 26 para dizer que Arellano foi o melhor marcador do torneio, com sete remates certeiros. Esta edição do torneio marcou ainda o início da longa travessia da ausência do Brasil da competição. Conflitos entre várias federações estaduais, sobretudo entre as do Rio de Janeiro e de São Paulo, deram origem a que os brasileiros não só não marcassem presença nesta edição como nos restantes torneios da década de 20 e boa parte da década de 30. O Brasil só voltaria a disputar um Campeonato Sul Americano em 1937.
Nomes e números:
12 de outubro de 1926
Chile – Bolívia: 7-1
(Arellano, 15’, 41’, 80’, 84’; Ramirez, 10’; Subiabre, 14’, Moreno, 47’)
(Aguilar,
62’)
16 de
outubro de 1926
Argentina
– Bolívia: 5-0
(Cherro,
9’ e 19’; Sosa, 31’; Delgado, 43’; De Miguel, 74’)
17 de
outubro de 1926
Uruguai –
Chile: 3-1
(Borjas,
22’; Castro, 32’; Scarone, 55’)
(Subiabre,
65’)
20 de outubro
de 1926
Argentina
– Paraguai: 8-0
(Sosa, 11’,
32’, 59’, 87’; Delgado, 40’, 42’; Cherro, 16’; De Miguel, 52’)
23 de
outubro de 1926
Paraguai –
Bolívia: 6-1
(Ceferino
Ramirez, 68’, 72’, 88’; Julio Ramirez, 76’; López, 57’, 81’)
(Soto, 15’)
24 de
outubro de 1926
Uruguai –
Argentina: 2-0
(Borjas,
22’; Castro, 73’)
28 de
outubro de 1926
Uruguai –
Bolívia: 6-0
(Scarone,
9’, 12’, 28’, 39’, 81’; Romano, 67’)
31 de
outubro de 1926
Chile –
Argentina: 1-1
(Saavedra,
25’)
(Tarasconi,
42’)
1 de
novembro de 1926
Uruguai –
Paraguai: 6-1
(Castro,
16’, 23’, 32’, 72’; Saldombide, 47’, 82’)
(Fretes,
41’)
3 de
novembro de 1926
Chile –
Paraguai: 5-1
(Arellano,
21’, 64’, 71’; Ramirez, 42’, 82’)
(Peña, 40’)
Classificação:
1.º
Uruguai: 8 pts.
2.º
Argentina: 5 pts.
3.º
Chile: 5 pts.
4.º
Paraguai: 2 pts.
5.º
Bolívia: 0 pts.
sexta-feira, agosto 21, 2026
Museus REAIS do Futebol - Sala de Troféus Edmur (Vitória Sport Clube)
A Sala de Troféus Edmur é o espaço museológico oficial do Vitória Sport Clube, localizada no interior do Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, tendo sido oficialmente inaugurada em finais de 2007. Assim foi batizada em homenagem a uma das maiores lendas da história do emblema minhoto: Edmur Pinto Ribeiro. Ele foi um lendário avançado brasileiro que jogou no Vitória entre as décadas de 50 e 60. Edmur tornou-se uma figura imortal da história do clube por ser o primeiro jogador do Vitória a vencer a prestigiada Bola de Prata. Ademais, ele foi de igual modo o primeiro jogador estrangeiro a vencer o afamado troféu que premeia o melhor marcador do principal campeonato português. É Edmur que nos dá as boas vindas no início desta viagem para história vitoriana, como podemos ver nas duas fotografias de cima.
quarta-feira, agosto 19, 2026
Efemérides do Futebol (59)... 100 Anos (1926-2026) da Aliança entre o Lusitano e a Associação de Futebol de Évora
![]() |
| A equipa do Lusitano em 1926 |
Reza a história que foi por volta de 1908 que um jovem evorense de nome Miranda terá introduzido o futebol na capital do Alto Alentejo. Miranda ter-se-á encantado pelo Belo Jogo em Lisboa, cidade onde então estudava, sendo que numa das visitas à sua terra natal terá ensinado alguns rapazes locais as regras do football. O Largo da Porta de Machede e o Largo dos Colegiais terão sido os primeiros palcos onde a bola foi protagonista em Évora por iniciativa do jovem Miranda, sendo que um ano mais tarde a Casa Pia evorense abraça oficialmente o futebol, podendo esta ser considerada a primeira instituição oficial da cidade a praticar e a divulgar a modalidade. Estava dado assim o pontapé de saída, tendo nos anos seguintes o futebol expandindo-se com naturalidade um pouco por toda a cidade. Criaram-se grupos/clubes que entre si deram vida aos primeiros duelos e consequentes conquistas. O Sport Vitória Académico, grupo oriundo do Liceu de Évora, é o primeiro a deter estruturas próprias muito graças à boa vontade de Augusto Barbosa Cabeça Ramos, grande proprietário e comerciante da cidade, e vence os primeiros torneios ali realizados nas épocas de 1912/13 e de 1913/14. A popularidade do futebol em Évora cresceu a um ritmo alucinante, não sendo de admirar a criação sistemática de novos clubes/grupos um pouco por toda a cidade e nos arredores desta. Muitos nasciam num dia e despareciam no outro, sendo de imediato substituídos por outros que mais dia menos dia levavam o mesmo caminho.
Outros, porém, nasceram e perduram até aos dias de hoje, como foi o caso do Lusitano, fundado na peculiar data de 11 de novembro de 1911 (11/11/11), por um grupo de estudantes e marçanos sob o lema “fazer forte fraca gente”. Como já foi referido, o fascínio pelo jogo rapidamente se alargou a toda a região, sendo 1914 um ano que exemplifica esse crescimento, ano este em que um comerciante de nome Manuel Fernandes Canhão sai de Évora rumo a Montemor-o-Novo com o duplo objetivo de ali se estabelecer sob o ponto de vista profissional e de criar uma equipa de futebol que fosse capaz de rivalizar com os grupos eborenses. Assim nascia o Grupo União Sport. Claro que por esta altura os matchs não tinham a matriz de campeonatos ou algo parecido, já que eram disputados no seguimento de convites entre os clubes. Só em 1917 surgiu aquela que podemos considerar a primeira entidade que chamou a si a organização de campeonatos/torneios, a Liga Eborense de Football, com sede no n.º 4 da praça do Sertório, nº 4, em Évora. Foi esta entidade que em 1917/18 organiza o primeiro campeonato de Évora que teve como campeão o Lusitano. Foi precisamente em 1918 que iria nascer aquele que viria a ser o grande rival dos lusitanistas no futuro, o Juventude Sport Clube. Voltando ao Campeonato de Évora, este ganha popularidade e competitividade imediata, tendo a edição de 1918/19 sido patrocinado pelos armazéns do Chiado, que ofereceram a Taça de Bronze Chiado ao campeão dessa temporada, a Casa Pia de Évora. No início dos anos 20 surgem na capital do Alto Alentejo algumas entidades que rivalizam com a Liga Evorense de Football na dinamização da modalidade através da organização de competições, como foi o caso da Federação Eborense de Sports (fundada em 1921). No início de 1926 é fundada a Associação Eborense de Sports que passa a tutelar o futebol na região, entidade esta que em setembro desse ano passa a ter a concorrência, digamos, da Associação de Futebol de Desportos Atléticos do Distrito de Évora, a qual nos finais de 1926 passa a designar-se por ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DE ÉVORA (AFE).
![]() |
| Praça do Sertório, onde nasce a AFE |
Cumprem-se assim 100 anos em 2026 da fundação desta entidade que de pronto passou a centrar em si os destinos do futebol do Distrito de Évora. É por este meio que podemos dizer que o pontapé de saída oficial das competições de futebol do citado distrito aconteceu há um século atrás, na época de 1926/27, com a realização do PRIMEIRO CAMPEONATO DISTRITAL. Participaram duas equipas de Évora, o Lusitano e o Império; outros tantos conjuntos de Estremoz, o Luso e o Estremoz FC; e o Grupo União Sport, de Montemor-o-Novo. O Juventude de Évora, que era então o campeão em título da Liga Eborense, decidiu não competir alegando que a AFE não cumpria os regulamentos ao permitir a participação de clubes que tinham nos seus respetivos grupos jogadores que competiam noutras competições espalhadas pela região. Alguns contratempos aconteceram no decorrer desta primeira edição, com desistências a meio dos jogos, uma ou outra falta de comparência, factos que fizeram com que nem todas as equipas tivessem terminado o campeonato com o mesmo número de jogos. Só dois conjuntos disputaram todos os encontros da prova, o Lusitano e o União Sport de Montemor. Ambos chegariam ao fim com o mesmo número de pontos somados, 21, pelo que a AFE para desempatar a contenda decidiu realizar uma finalíssima entre os dois emblemas em campo neutro. Acontece que esse campo neutro foi apontado para Évora, berço do Lusitano, tendo o União Sport contestado a decisão da associação e desistido de lutar pelo título, o qual por consequência seria atribuído ao Lusitano Ginásio Clube, o PRIMEIRO CAMPEÃO OFICIAL DE ÉVORA.
quinta-feira, julho 30, 2026
Histórias do Futebol em Portugal (51)...
Prestes a dar-se início à Era Jorge Jesus no comando da seleção nacional de Portugal, é oportuno olhar para trás e recordar os antecessores daquele que será o 33.º Mestre da Tática da Equipa de Todos Nós, como um dia foi batizado o combinado nacional pelo célebre jornalista Ricardo Ornelas. Uns mais conhecidos, outros menos, uns mais vitoriosos, outros nem por isso, mas todos com a honra comum de terem conduzido o nome de Portugal pelos relvados desse Mundo fora, fosse em jogos de caráter particular fosse em grandes competições planetárias. Vamos, pois, recordá-los, em breves registos biográficos individuais.
JOSÉ GOMES DA SILVA / SALVADOR DO CARMO (13 jogos): Ambos têm em comum o facto de terem estado ligados ao Belenenses, enquanto dirigentes. Salvador do Carmo, por exemplo, era dirigente deste clube quando em 1942 este venceu a sua primeira Taça de Portugal. Na seleção estiveram ambos de forma intermitente, ou seja, efetuaram passagens pelo banco nacional em alturas períodos distintos. Nos seus 13 jogos realizados, Salvador do Carmo venceu três, empatou cinco e perdeu outros cinco; ao passo que José Gomes da Silva (na imagem) venceu cinco partidas, empatou quatro e perdeu outras quatro.
Nos primeiros três jogos realizados, a seleção nacional foi orientada por um Comité de Seleção. Partidas essas de caráter particular e todas elas realizadas diante da Espanha, entre 1921 e 1923. Assim, o Comité da Seleção que realizou o primeiro jogo da história, em 18 de dezembro de 1921 foi composto por Carlos Vilar (na imagem), Pedro Del Negro, Reis Gonçalves, Virgílio Paula, Plácido Duro e Júlio de Araújo. No segundo encontro, ocorrido a 17 de dezembro de 1922, o Comité da Seleção foi composto por Reis Gonçalves, José Pereira Júnior, Joaquim Narciso Freire, Guilherme Augusto Alves de Sousa e Raúl Nunes. Por fim, o Comité da Seleção composto por Virgílio Paula, Ribeiro dos Reis e Raúl Nunes orientou o combinado nacional no terceiro jogo de sempre realizado em 16 de dezembro de 1923. Todos estes três encontros se saldaram por derrotas.













































































