quinta-feira, maio 21, 2026

Jogos Memoráveis (12)... Estrela da Amadora - Neuchâtel Xamax (Taça das Taças 1990/91)


Nenhum outro clube na história do futebol português conseguiu alcançar a Europa após tão curta estadia na 1.ª Divisão Nacional como o Estrela da Amadora na transição da década de 80 para a de 90. O Estrelinha, como é carinhosamente tratado o emblema tricolor pelas gentes da Amadora, chegou pela primeira vez à elite do futebol luso na temporada de 88/89 e somente duas temporadas mais tarde já inscrevia o seu nome na alta roda do futebol europeu, mais precisamente na Taça das Taças. Tal ascensão meteórica se ficou a dever aquele que é provavelmente o maior feito da história do Estrela: a conquista da Taça de Portugal na época de 89/90. Facto que permitiu ao clube da Reboleira participar na época seguinte nas provas europeias. O clube amadorense vivia ainda num período de luto após o falecimento (em 1989) do homem que tornou o pequeno Estrelinha no grande Estrela da década de 90, José Gomes. Assumiu o comando dos tricolores a meio da década de 70, quando o clube estava nos campeonatos distritais de Lisboa guiando-o na década seguinte até ao topo do futebol português. Quem também já não estava no clube aquando da entrada na Europa era João Alves, o homem (treinador) que na relva sagrada do Estádio Nacional havia a 3 de junho de 1990 arquitetado o triunfo sobre o Farense (na finalíssima) na Prova Rainha do Desporto Rei lusitano. Para o substituir chegou uma lenda que havia pendurado as chuteiras não muito tempo antes e que dava os primeiros passos como treinador: Manuel Fernandes. E na sua equipa técnica figurava um jovem preparador físico de 27 anos de idade que pouco mais de uma década mais tarde haveria de se tornar num dos maiores (e titulados) técnicos da história do futebol mundial, José Mourinho de seu nome. 19 de setembro de 1990 é, pois, a primeira de muitas noites europeias que aquele que seria eternizado como o Special One iria vivenciar ao longo da sua brilhante carreira de treinador, embora naquela longínqua noite de final de verão o tenha feito na condição de técnico-adjunto de Manuel Fernandes. 

O jovem José Mourinho no banco do Estrela


O batismo europeu do Estrelinha deu-se perante uma equipa mais experiente nas andanças europeias, os helvéticos do Neuchâtel Xamax, um conjunto que que aterrava em solo nacional repleto de vários jogadores internacionais (pelos seus respetivos países) e que era orientado por um treinador que dava os primeiros passos de uma carreira de sucesso no mundo da bola, o inglês Roy Hodgson. Por tudo isto (e mais alguma coisa) os suíços eram claramente favoritos a passar a primeira ronda da Taça das Taças. Mas na prática não foi bem assim o que se passou… inicialmente no relvado do Estádio José Gomes. Contando com um forte apoio nas bancas do Estrela esqueceu que era novato nestas andanças e sem medo do categorizado Neuchâtel Xamax cedo partiu em direção à baliza do titular da seleção helvética, Marco Pascolo, com Ricky a dar o primeiro sinal de aviso. Faltou, porém, serenidade ao avançado nigeriano não só naquele como noutros lances que se seguiram para fazer estragos nas redes contrárias. De facto, e como deu conta a crónica elaborada pelo Jornal de Notícias (JN), os avançados do Estrela naquela noite, Ricky e Abel Campos, pecaram pela inoperância ofensiva, uma «pecha que se manifesta amiudamente nas equipas portuguesas», conforme recordava o JN. Apesar desta falta de habilidade ofensiva, o conjunto luso continuou a lutar para chegar ao golo, graças ao empenho dos setores intermédio e defensivo. «Miranda no meio campo, Duílio e Agatão atrás, tentavam interpretar o futebol mais conveniente para este tipo de situações. Mas nem Abel nem Ricky logravam as situações de rutura conducentes ao golo», escrevia o JN. Os suíços resistiram ao entusiasmo inicial dos portugueses, e a partir dos 15 minutos da primeira parte começaram a discutir o jogo pelo jogo. Passaram a fazer marcação aos homens do meio campo do Estrela, anulando quase sempre a ação dos jogadores mais criativos do conjunto da Reboleira. E quase sempre, porque à passagem do minuto 26 o criativo Miranda resgatou uma bola no seu meio campo, rapidamente teve a visão para a colocar no lado direito em Abel, que por sua vez corre até ao interior da área com o esférico em seu poder. «Sobre a linha de fundo, cruzou, com prontidão, para o seio da grande área, onde apareceu, bem colocado, Ricky, que se limitou a empurrar a bola para o fundo da baliza do Neuchâtel», assim descrevia o JN o lance do primeiro golo europeu da história do Estrela da Amadora. Contudo, a experiência acabou por ditar leis nos minutos que se seguiram, já que os suíços mais habituados a estas andanças de sofrer e dar a volta por cima no contexto do futebol internacional, continuaram a exibir o seu futebol bem esquematizado e a disputar o jogo com o adversário, pese embora a iniciativa até ao intervalo tivesse pertencido sempre aos portugueses. Mas ainda antes do descanso a bola esteve muito perto de voltar a entrar numa das balizas, neste caso a de Vital, que aos 42 minutos não conseguiu segurar um remate forte e raso de Perret, deixando escapar o esférico para Chassot que na recarda e com tudo para marcar rematou de forma defeituosa ao lado. Mas… seria um sério aviso para o que se viria a passar na segunda metade. «Após o intervalo assistiu-se aquilo que já era esperado, isto é, a equipa suíça surgiu com outra agressividade e o Estrela passou a conhecer algumas dificuldades junto à baliza à guarda de Vital», conforme analisou o JN


Até que numa dessas ocasiões de perigo o tento do empate surgiu. Beat Sutter, que nas palavras do diário portuense foi um “diabo à solta” na noite da Reboleira, é lançado no seu flanco esquerdo por um companheiro seu. Correu meio campo em direção à baliza estrelista e à saída de Vital rematou cruzado para restabelecer o empate quando estavam decorridos 55 minutos. Até final, o marcador não mais se iria alterar, e ao cair do pano, e pelo que haviam sido estes 90 minutos de futebol na Reboleira, poucos vaticinaram um desfecho feliz ao Estrela neste seu batismo europeu. «Bem se pode dizer que “os estrelas” de Manuel Fernandes, devido ao remate cruzado de Sutter, podem ter acabado por entregar o ouro ao bandido, já que este golo pode valer por dois e garantir a passagem do Neuchâtel Xamax à eliminatória seguinte da Taça das Taças», assim concluía o JN, que mais à frente nesta crónica, e numa apreciação ao desempenho do Estrela neste seu primeiro jogo internacional, escrevia que «o Estrela não teve uma estreia de estalo nas competições europeias, mesmo assim os homens da Reboleira mostraram que têm gente e talento para lutar até ao fim por um lugar no grande comboio europeu. Importa, isso sim que Ricky, por exemplo, não seja tão perdulário, e que também a linha defensiva tenha outra postura, e que, enfim, a sorte do jogo esteja do lado da equipa orientada por Manuel Fernandes». E a estrelinha que faltou neste primeiro jogo reacendeu-se na segunda mão, na Suíça, onde o Estrela da Amadora ao voltar a empatar a uma bola levou a decisão para as grandes penalidades, onde seria mais feliz, avançando assim para a 2.ª eliminatória da prova, onde viria a ser eliminado pelos belgas do RFC Liège. 
Voltando ainda à estreia do Estrela na alta roda do futebol europeu, um dos treinadores-adjuntos de Manuel Fernandes, no caso, Augusto Matine, falou à imprensa no final da partida, começando por dizer que este resultado não era o que a sua equipa pretendia. «Na primeira parte jogámos bem, mas na segunda, o reforço do meio campo dos adversários dificultou-nos a missão. (…) O Neuchâtel tinha a lição bem estudada e produziu o futebol que mais lhe convinha. O Estrela não quebrou, perdeu foi o meio campo devido os reforços que entraram para o Neuchâtel após o intervalo. Consentimos o empate em casa. Os golos fora contam a dobrar, como se sabe, mas penso que udo está ainda em aberto», foram estas algumas das palavras de Augusto Matine após este encontro (arbitrado pelo belga Alphonse Constantin) cuja ficha foi a seguinte:

Estrela da Amadora: Vital, Rui Neves, Duílio, Valério, Dimas, Agatão, Miranda (Pedro Xavier, 66), Baroti (Paulo Jorge, 76), Paulo Bento, Abel Campos e Ricky. Treinador: Manuel Fernandes.

Neuchâtel Xamax: Marco Pascolo, Peter Lonn, Régis Rothenbuhler, André Egli, Walter Fernandez, Philippe Perret, Martin Jeitziner, Christophe Bonvin, Didier Gigon (Francis Froidevaux, 68), Frédéric Chassot e Beat Sutter. Treinador: Roy Hodgson.

terça-feira, maio 12, 2026

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (27)... Alves dos Santos

Poucos serão os jornalistas que em Portugal conseguiram aliar a sua mestreia e sabedoria na escrita sobre o fenómeno do futebol a uma performance que serviu (a outros) de escola na história da televisão portuguesa no que ao comentário desportivo se refere. Trocado isto em “miúdos”, esta figura conseguiu ser dos poucos jornalistas desportivos que escrevia muito bem sobre futebol e ao mesmo tempo falava de igual modo muito bem na televisão sobre esta temática. Ele é considerado ainda hoje por muitos estudiosos como o pioneiro dos comentadores desportivos (na essência da palavra e acima de tudo no desempenho digno e imparcial da função) em Portugal e dá pelo nome de Alves dos Santos. A apetência para a comunicação e para a escrita (sobretudo) descobriu-a ainda nos bancos da escola, e com apenas 16 anos abraça a carreira de jornalista no seu jornal de sempre, o Comércio do Porto. Ali, se iniciou como aprendiz na década de 20 do século passado, sempre na área do desporto, e do futebol em particular, modalidade pela qual se apaixonou desde tenra idade. Durante 35 anos acumulou as funções de jornalista com as de funcionário (com alta patente) numa grande empresa, até que em 1963 decide dedicar-se única e exclusivamente ao jornalismo. No Comércio do Porto passou uma vida inteira, tendo chefiado a delegação de Lisboa deste hoje desaparecido jornal. Os seus vastos e profundos conhecimentos sobre o futebol valeram-lhe o convite de outros vultos do jornalismo desportivo para colaborar noutras publicações. Foi o caso de A Bola, com que manteve uma colaboração permanente e assídua durante 15 anos consecutivos – desde o número 1 do mítico jornal desportivo – na sequência de um convite do mestre Cândido de Oliveira. Colaborou ainda com o Diário Popular, durante sete anos consecutivos, e também desde a edição número 1, a convite de Ricardo Ornelas. Também o Record, durante dois anos, guarda as suas exímias prosas futebolísticas. Anos depois de se ter iniciado na imprensa, Alves dos Santos passou para a rádio, a convite de outro ícone jornalístico: Lança Moreira. Na rádio foi durante 15 anos comentador e relatador de centenas de capítulos da história do futebol português. E à rádio seguiu-se a televisão, tendo entrado para a RTP em finais dos anos 50, onde cimentou as suas qualidades de grande jornalista e de comentador. A sua figura eloquente, a sua voz firme e inconfundível, e a sua competência imparcial fizeram dele uma referência para muitos dos jornalistas/comentadores que nasceram e cresceram na RTP nas décadas seguintes. Para muitos ele é mesmo a “referência”, o melhor dos comentadores desportivos que Portugal já teve. Em 1994 foi agraciado pelo Governo com a Medalha de Honra do Mérito Desportivo. Dois anos depois, com 82 anos, faleceu este homem cuja memória ainda é hoje é perpetuada através do Prémio Alves dos Santos, galardão que é atribuído pelo CNID a jornalistas que se destaquem na cobertura desportiva na área da televisão. CNID – Associação dos Jornalistas de Despor
to que foi criado em 1966, sendo que um dos seus fundadores foi precisamente Alves dos Santos.

 

 

segunda-feira, maio 04, 2026

Lista de Campeões... UEFA Women's Europa Cup

A temporada de 2025/26 marca a estreia de uma nova competição europeia de clubes ao nível do futebol feminino, a UEFA Women's Europa Cup. É uma espécie de Liga Europa na vertente feminina. Por outras palavras, é a segunda prova continental mais importante de clubes, logo a seguir à Liga dos Campeões.

2026: BK Hacken (Suécia) 

quinta-feira, abril 23, 2026

Lista de Campeões... Liga dos Campeões da Ásia 2

Esta é atualmente a segunda competição de clubes mais importante do continente asiático. Embora o nome possa sugerir alguma falta de criatividade, já que na confederação daquele continente já existe uma Liga dos Campeões, esta é digamos que uma competição distinta, ou seja, se olharmos à escala europeia podemos equipará-la à Liga Europa. A designação atual - AFC Champions League Two - foi dada na temporada de 2024/25, já que antes a prova era denominada de AFC Cup. Seguidamente apresentamos os campeões desta competição. 

2025/26: Gamba Osaka (Japão) 

2024/25: Sharjah (Emirados Árabes Unidos)
2023/24: Central Coast Mariners (Austrália)
2022: Al-Seeb (Omã)
2021: Al-Muharraq (Catar)

2020: Não se realizou devido à Covid-19

2019: Al-Ahed (Líbano) 
2018: Al-Quwa Al-Jawiya (Iraque)
2017: Al-Quwa Al-Jawiya (Iraque)
2016: Al-Quwa Al-Jawiya (Iraque)
2015: Johor Datrul Ta'zim (Malásia)
2014: Al-Qadsia (Kuwait)
2013: Al-Kuwait (Kuwait)
2012: Al-Kuwait (Kuwait)
2011: Nasaf (Uzbequistão)
2010: Al-Ittihad (Síria)
2009: Al-Kuwait (Kuwait)
2008: Al-Muharraq (Catar)
2007: Shabab Al-Ordon (Jordânia)
2006: Al-Faisaly (Jordânia)
2005: Al-Faisaly (Jordânia)
2004: Al-Jaish (Síria)

sexta-feira, abril 17, 2026

Lista de Campeões... Albânia

 

Campeões Nacionais

2026: Vllaznia

2025: Egnatia Rrogozhine
2024: Egnatia Rrogozhine
2023: Partizani Tirana
2022: KF Tirana
2021: KF Teuta
2020: KF Tirana
2019: Partizani Tirana
2018: Skenderbeu
2017: FK Kukesi
2016: Skenderbeu
2015: Skenderbeu

2014: Skenderbeu
2013: Skenderbeu
2012: Skenderbeu

2011: Skenderbeu
2010: Dinamo Tirana
2009: KF Tirana
2008: Dinamo Tirana
2007: KF Tirana
2006: Elbasani
2005: KF Tirana

2004: KF Tirana

2003: KF Tirana
2002: Dinamo Tirana 
2001: Vllaznia

2000: KF Tirana

1999: KF Tirana
1998: Vllaznia
1997: KF Tirana

1996: KF Tirana

1995: KF Tirana 
1994: KF Teuta
1993: Partizani Tirana

1992: Vllaznia
1991: Flamurtari
1990: Dinamo Tirana
1989: KF Tirana
1988: KF Tirana
1987: Partizani Tirana
1986: Dinamo Tirana 
1985: KF Tirana
1984: Elbasani 
1983: Vllaznia

1982: KF Tirana
1981: Partizani Tirana
1980: Dinamo Tirana
1979: Partizani Tirana
1978: Vllaznia

1977: Dinamo Tirana

1976: Dinamo Tirana
1975: Dinamo Tirana 
1974: Vllaznia

1973: Dinamo Tirana
1972: Vllaznia
1971: Partizani Tirana
1970: KF Tirana
1968: KF Tirana

1967: Dinamo Tirana 
1966: KF Tirana
1965: KF Tirana
1964: Partizani Tirana
1963: Partizani Tirana
1961: Partizani Tirana

1960: Dinamo Tirana

1959: Partizani Tirana

1958: Partizani Tirana

1957: Partizani Tirana

1956: Dinamo Tirana

1955: Dinamo Tirana 

1954: Partizani Tirana

1953: Dinamo Tirana

1952: Dinamo Tirana

1951: Dinamo Tirana

1950: Dinamo Tirana
1949: Partizani Tirana

1948: Partizani Tirana
1947: Partizani Tirana

1946: Vllaznia

1945: Vllaznia

De 1938 a 1944 não se realizou o campeonato

1937: KF Tirana

1936: KF Tirana

1934: KF Tirana
1933: Skenderbeu

1932: KF Tirana

1931: KF Tirana

1930: KF Tirana