segunda-feira, agosto 11, 2025
quarta-feira, junho 11, 2025
Flashes Biográficos (17)... Oswaldo de Barros Velloso
Velloso (Brasil): 20 de julho de 1930. Dia em que o brasileiro Oswaldo de Barros Velloso entrou na história do futebol mundial, e muito em particular da história dos Campeonatos do Mundo. Nesse dia, no Estádio Centenário, em Montevideu, a seleção brasileira entrava em campo para “cumprir calendário” diante da sua congénere da Bolívia no âmbito do primeiro Mundial da FIFA. Brasileiros e bolivianos tinham sido derrotados nos dois encontros anteriores do Grupo 2 do Mundial de 30 pela Jugoslávia, que desta forma avançava para as meias-finais do certame. Já sem nada a ganhar, ou a perder, o técnico brasileiro Píndaro Carvalho procede a algumas alterações no seu “onze” em relação à partida com os jugoslavos, entre elas o goleiro Velloso, que rendia o seu companheiro de posto, Joel. Quando foi convocado para defender o escrete na edição inaugural da Copa do Mundo, Velloso defendia as cores do Fluminense, emblema cujo manto sagrado vestiu entre 1928 e 1935. Paulista de nascimento (nasceu em São Paulo a 28 de maio de 1905), mas carioca de coração (além de ter desenvolvido a maior parte da sua carreira no Rio de Janeiro, viria a falecer na Cidade Maravilhosa a 8 de agosto de 1996) iniciou a sua curta carreira no futebol baiano, ao serviço do Clube Baiano de Ténis. Transferiu-se em 1928 para o gigante Fluminense, cuja baliza defendeu num total de 92 encontros, sendo que em 22 deles não sofreu qualquer golo. Enquanto futebolista, Velloso não conquistou qualquer título ao serviço do tricolor carioca, mas na condição de diretor do emblema das Laranjeiras venceu o campeonato carioca de 1951. O amor a uma mulher, neste caso a Vera Maria Tekyal, fez Velloso abandonar a carreira de futebolista cedo demais, isto é, com apenas 26 anos. Por outras palavras, o guarda-redes trocou os campos de futebol pelo casamento com Vera. Mas voltando ao início desta breve história para explicar o porquê de Oswaldo de Barros Velloso ter o seu nome registado na lista de factos históricos do Mundial da FIFA. Foi ele que defendeu a primeira grande penalidade no âmbito da fase final de um Campeonato do Mundo. Precisamente na partida diante da Bolívia, que o Brasil venceu por 4-0, e onde a certa altura o defesa Itália comete falta dentro de área que não deixou dúvidas ao árbitro inglês John Balway em assinalar o castigo máximo. Na conversão o remate do boliviano Bustamante foi barrado por uma magistral defesa de Velloso. O guarda-redes defendeu a baliza brasileira em mais três ocasiões ao longo da carreira, não sofrendo qualquer golo!
segunda-feira, maio 12, 2025
Histórias do Futebol em Portugal (50)... Pontapé de saída da 1.ª Divisão Nacional portuguesa deu-se há 90 anos
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| Manchete de Os Sports, dando conta do arranque dos campeonatos |
20 de janeiro de 1935. 15H00, mais minuto, menos minuto, e a bola rola pela primeira vez no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão. Neste dia dava-se o pontapé de saída do escalão maior do futebol português. Noventa primaveras cumpriram-se no início deste ano de 2025 deste momento histórico do futebol luso. Coimbra, Porto e Lisboa foram as cidades onde nesse longínquo dia se jogou a 1.ª jornada daquela que é hoje em dia a competição mais importante do calendário futebolístico português. Recorrendo às páginas do extinto Diário de Lisboa (DL), iremos recordar um pouco as incidências de cada um dos quatro desafios que preencheram a ronda inaugural de uma «inovação de que muito há a esperar para bem do “apuramento” do jogo “association” em Portugal», assim dava conta o DL na sua edição desse (hoje) histórico dia. Olhando na diagonal para os resultados dos quatros jogos podemos chegar à conclusão que as equipas de Lisboa levaram a melhor sobre as suas adversárias do Porto e de Coimbra: duas vitórias e outros tantos empates averbados. Mas olhando mais a fundo as incidências dos matchs, vemos mais do que isso. Vemos a mestria e preponderância na manobra das respetivas equipas de alguns dos grandes jogadores do futebol português das décadas de 20 e 30, casos do sportinguista Soeiro, do belenense José Reis e do benfiquista Alfredo Valadas. Eles foram, e no rescaldo de uma leitura pelas quatro crónicas dos desafios, as estrelas daquela tarde histórica de 20 de janeiro de 1935. Já veremos porquê.
Dois fantasmas futebolísticos do presente esgrimam argumentos no também (hoje) fantasmagórico Estádio do Lima
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| A equipa do Académico do Porto na época de estreia da 1.ª Divisão |
Iniciamos esta viagem pelo primeiro dia de vida da 1.ª Divisão Nacional – hoje denominada de Liga Portugal, acrescida do nome do patrocinador, coisa que naquele tempo nem se imaginava que viesse a acontecer! – no norte do país, no Porto, onde dois emblemas cujo futebol – enquanto modalidade – já não existe nos dias de hoje, mediram forças numa das primeiras grandes catedrais do futebol português, o Estádio do Lima. No seu esplendoroso relvado evoluíram o Académico do Porto e o União de Lisboa. Os homens da capital entraram mais decididos no encontro, dispuseram de oportunidades para abrir a contagem, até que à passagem dos 20 minutos Gerardo Maia aproveita uma confusão na área academista para fazer o primeiro da tarde no Lima. A partir daqui, assiste-se a uma luta a meio campo, com os portuenses a deterem o controlo dos acontecimentos, sendo que quatro minutos volvidos dos festejos dos unionistas um cruzamento para a área lisboeta termina no golo do empate, apontado por Jordão. Ainda antes do intervalo, o árbitro Adelino Lima (de Coimbra) anula um golo ao Académico, por fora de jogo, que na opinião do jornalista que escreveu a crónica do encontro, não existiu. Na segunda metade o jogo melhorou a nível de emoção e de técnica, conforme dá nota o escriva do DL. Assistiu-se a uma toada de parada e resposta em ambas os lados: Jordão desempatou a favor do Académico, para na resposta Armando Silva fazer o 2-2. Gerardo Maia desfez o empate, mas quase em cima dos 90 minutos Fernandes fez o resultado final (3-3) de um jogo entusiasmante que o Académico merecia vencer, nas palavras do jornalista do DL, pela classe patenteada na segunda metade.
Em dose tripla, Soeiro inicia a subida ao trono de rei dos goleadores
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| Manuel Soeiro |
Em Coimbra, no mítico Campo de Santa Cruz, assistiu-se à primeira (de muitas) demonstração de instinto felino do goleador desta edição inaugural do campeonato. Manuel Soeiro, o seu nome. Com as bancadas a abarrotar pelas costuras, o avançado nascido no Barreiro a 17 de março de 1909 ajudou o seu Sporting a derrotar a Académica por concludentes 6-0. Nessa tarde, Soeiro faria um hattrick, que o lançaria para o título de melhor marcador do campeonato, com 14 golos. Ao longo das 14 jornadas da competição o atacante que chegou ao Sporting em 1933 vindo do Luso do Barreiro só não fez o gosto ao pé em três jornadas, sendo que este jogo inaugural em Coimbra foi mesmo o seu mais produtivo em termos de golos na caminhada dos leões na 1.ª Divisão de 34/35. Soeiro foi a grande referência atacante do Sporting até à chegada do fenómeno Peyroteo ao clube em 1937, pese embora o avançado barreirense ainda tenha dividido o protagonismo com o seu colega de posto nascido em Angola até inícios da década de 40, antes do despoletar da mais famosa linha avançada leonina, os Cinco Violinos. Mas voltemos ao Campo de Santa Cruz na tarde de 20 de janeiro de 1935, para registar que antes de Vieira da Costa (do Porto) apitar para o pontapé de saída, os jogadores dos dois clubes trocaram entre si ramos de flores! Na descrição do cronista do DL, o Sporting saiu com a bola, jogando a favor do sol, num jogo que teve um início veloz e entusiasmante, embora sem jogadas de grande precisão. As bancadas manifestam-se quando o academista Rui Cunha teve duas incursões à área leonina, as quais embora não tivessem causado calafrios a Dyson, arrancaram aplausos nas hostes estudantis.
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| O team da Académica de Coimbra em 34/35 |
Alfredo Valadas abre o marcador nas Amoreiras e entra na História da 1.ª Divisão
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| Alfredo Valadas |
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| A equipa do Benfica em 34/35 |
José Reis inspirado trava o futuro campeão nacional nas Salésias
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| O poster do futuro campeão nacional: o FC Porto |
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| José Reis |
quinta-feira, novembro 09, 2023
Efemérides do Futebol (49)...
A primeira "dupla" de irmãos a jogar um Mundial
Separados por uma diferença de apenas dois anos os irmãos Manuel e Felipe Rosas Sánchez entraram em 1930 para a história do futebol planetário. Tudo porque ambos integraram a seleção mexicana que participou no primeiro Mundial da história, no Uruguai. Manuel, o mais velho (nasceu em 1908), atuava como defesa, ao passo que Felipe (nascido dois anos mais tarde) posicionava-se no terreno como médio. A seleção do México saiu de Montevideu sem qualquer ponto, fruto de três derrotas na fase de grupos, mas a história destes dois irmãos vai mais longe, já que Manuel mostrou-se um defesa goleador, já que dos quatro golos da seleção tricolor nesse Campeonato do Mundo dois foram da sua autoria. Os golos que apontou diante da Argentina fizeram com que durante mais de 20 anos detivesse o recorde de jogador mais novo a marcar num jogo de uma fase final da prova mais importante da FIFA, recorde superado em 1958 por um jovem de 17 anos chamado Pelé.
segunda-feira, novembro 21, 2022
Flashes Biográficos (14)... Jimmy Douglas
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| Jimmy Douglas |
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| A seleção dos EUA que brilhou no Mundial de 1930 |
domingo, junho 10, 2018
Histórias do Planeta da Bola (21)... O inglês que “furou” o boicote da Inglaterra aos três primeiros Mundiais da história
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| O inglês George Moorhouse |
Para os ingleses, isso seria uma estocada no seu orgulho e vaidade autoritária de donos e senhores do belo jogo.
Esta posição fez com que ignorassem por completo a ideia de Robert Guérin, jornalista (francês) do Le Matin, de Paris, e secretário do Departamento de Futebol da União Francesa de Desportos, que em 1902 iniciou contactos com algumas associações (ou federações) nacionais de países como a Espanha, a Holanda, a Suécia e a Dinamarca no sentido de criar uma organização internacional que tutelasse o futebol a nível mundial.
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| Robert Guérin |
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| A primeira sede da FIFA, em Paris |
Com Woolfall no poder os ingleses sentiam-se novamente senhores do futebol planetário.
O então presidente da FIFA teve um papel decisivo não só na internacionalização das leis do jogo, como também na criação daquela que é talvez a primeira grande competição internacional de futebol e que esteve na génese da idealização do atual Campeonato do Mundo da FIFA: o torneio olímpico de futebol.
Competição que foi inserida nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908, e que até à criação do Mundial FIFA foi a prova mais importante do futebol planetário ao nível de seleções – pese embora a FA tenha controlado as operações do primeiro torneio olímpico de futebol oficial, denotando aqui uma autoridade arrogante sobre a FIFA.
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| Jules Rimet: o pai do Campeonato do Mundo |
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| O cromo de Moorhouse nos tempos do Tranmere Rovers |
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| A "cortina de aço" yankee: Wood, Douglas e Moorhouse |
Ele foi um dos 16 selecionados de Bob Millar (treinador) para efetuar a viagem pelas águas do Atlântico rumo à América do Sul, no sentido de defender as cores da bandeira da América na primeira edição do Campeonato do Mundo da FIFA.
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| Seleção norte-americana que participou no Mundial de 1930 |
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| Fase do jogo entre EUA e Paraguai |




































