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segunda-feira, agosto 11, 2025

quarta-feira, junho 11, 2025

Flashes Biográficos (17)... Oswaldo de Barros Velloso


Velloso (Brasil): 20 de julho de 1930. Dia em que o brasileiro Oswaldo de Barros Velloso entrou na história do futebol mundial, e muito em particular da história dos Campeonatos do Mundo. Nesse dia, no Estádio Centenário, em Montevideu, a seleção brasileira entrava em campo para “cumprir calendário” diante da sua congénere da Bolívia no âmbito do primeiro Mundial da FIFA. Brasileiros e bolivianos tinham sido derrotados nos dois encontros anteriores do Grupo 2 do Mundial de 30 pela Jugoslávia, que desta forma avançava para as meias-finais do certame. Já sem nada a ganhar, ou a perder, o técnico brasileiro Píndaro Carvalho procede a algumas alterações no seu “onze” em relação à partida com os jugoslavos, entre elas o goleiro Velloso, que rendia o seu companheiro de posto, Joel. Quando foi convocado para defender o escrete na edição inaugural da Copa do Mundo, Velloso defendia as cores do Fluminense, emblema cujo manto sagrado vestiu entre 1928 e 1935. Paulista de nascimento (nasceu em São Paulo a 28 de maio de 1905), mas carioca de coração (além de ter desenvolvido a maior parte da sua carreira no Rio de Janeiro, viria a falecer na Cidade Maravilhosa a 8 de agosto de 1996) iniciou a sua curta carreira no futebol baiano, ao serviço do Clube Baiano de Ténis. Transferiu-se em 1928 para o gigante Fluminense, cuja baliza defendeu num total de 92 encontros, sendo que em 22 deles não sofreu qualquer golo. Enquanto futebolista, Velloso não conquistou qualquer título ao serviço do tricolor carioca, mas na condição de diretor do emblema das Laranjeiras venceu o campeonato carioca de 1951. O amor a uma mulher, neste caso a Vera Maria Tekyal, fez Velloso abandonar a carreira de futebolista cedo demais, isto é, com apenas 26 anos. Por outras palavras, o guarda-redes trocou os campos de futebol pelo casamento com Vera. Mas voltando ao início desta breve história para explicar o porquê de Oswaldo de Barros Velloso ter o seu nome registado na lista de factos históricos do Mundial da FIFA. Foi ele que defendeu a primeira grande penalidade no âmbito da fase final de um Campeonato do Mundo. Precisamente na partida diante da Bolívia, que o Brasil venceu por 4-0, e onde a certa altura o defesa Itália comete falta dentro de área que não deixou dúvidas ao árbitro inglês John Balway em assinalar o castigo máximo. Na conversão o remate do boliviano Bustamante foi barrado por uma magistral defesa de Velloso. O guarda-redes defendeu a baliza brasileira em mais três ocasiões ao longo da carreira, não sofrendo qualquer golo!

segunda-feira, maio 12, 2025

Histórias do Futebol em Portugal (50)... Pontapé de saída da 1.ª Divisão Nacional portuguesa deu-se há 90 anos

Manchete de Os Sports, dando conta
do arranque dos campeonatos

20 de janeiro de 1935. 15H00, mais minuto, menos minuto, e a bola rola pela primeira vez no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão. Neste dia dava-se o pontapé de saída do escalão maior do futebol português. Noventa primaveras cumpriram-se no início deste ano de 2025 deste momento histórico do futebol luso. Coimbra, Porto e Lisboa foram as cidades onde nesse longínquo dia se jogou a 1.ª jornada daquela que é hoje em dia a competição mais importante do calendário futebolístico português. Recorrendo às páginas do extinto Diário de Lisboa (DL), iremos recordar um pouco as incidências de cada um dos quatro desafios que preencheram a ronda inaugural de uma «inovação de que muito há a esperar para bem do “apuramento” do jogo “association” em Portugal», assim dava conta o DL na sua edição desse (hoje) histórico dia. Olhando na diagonal para os resultados dos quatros jogos podemos chegar à conclusão que as equipas de Lisboa levaram a melhor sobre as suas adversárias do Porto e de Coimbra: duas vitórias e outros tantos empates averbados. Mas olhando mais a fundo as incidências dos matchs, vemos mais do que isso. Vemos a mestria e preponderância na manobra das respetivas equipas de alguns dos grandes jogadores do futebol português das décadas de 20 e 30, casos do sportinguista Soeiro, do belenense José Reis e do benfiquista Alfredo Valadas. Eles foram, e no rescaldo de uma leitura pelas quatro crónicas dos desafios, as estrelas daquela tarde histórica de 20 de janeiro de 1935. Já veremos porquê.

Dois fantasmas futebolísticos do presente esgrimam argumentos no também (hoje) fantasmagórico Estádio do Lima

A equipa do Académico do Porto
na época de estreia da 1.ª Divisão

Iniciamos esta viagem pelo primeiro dia de vida da 1.ª Divisão Nacional – hoje denominada de Liga Portugal, acrescida do nome do patrocinador, coisa que naquele tempo nem se imaginava que viesse a acontecer! – no norte do país, no Porto, onde dois emblemas cujo futebol – enquanto modalidade – já não existe nos dias de hoje, mediram forças numa das primeiras grandes catedrais do futebol português, o Estádio do Lima. No seu esplendoroso relvado evoluíram o Académico do Porto e o União de Lisboa. Os homens da capital entraram mais decididos no encontro, dispuseram de oportunidades para abrir a contagem, até que à passagem dos 20 minutos Gerardo Maia aproveita uma confusão na área academista para fazer o primeiro da tarde no Lima. A partir daqui, assiste-se a uma luta a meio campo, com os portuenses a deterem o controlo dos acontecimentos, sendo que quatro minutos volvidos dos festejos dos unionistas um cruzamento para a área lisboeta termina no golo do empate, apontado por Jordão. Ainda antes do intervalo, o árbitro Adelino Lima (de Coimbra) anula um golo ao Académico, por fora de jogo, que na opinião do jornalista que escreveu a crónica do encontro, não existiu. Na segunda metade o jogo melhorou a nível de emoção e de técnica, conforme dá nota o escriva do DL. Assistiu-se a uma toada de parada e resposta em ambas os lados: Jordão desempatou a favor do Académico, para na resposta Armando Silva fazer o 2-2. Gerardo Maia desfez o empate, mas quase em cima dos 90 minutos Fernandes fez o resultado final (3-3) de um jogo entusiasmante que o Académico merecia vencer, nas palavras do jornalista do DL, pela classe patenteada na segunda metade.

Em dose tripla, Soeiro inicia a subida ao trono de rei dos goleadores

Manuel Soeiro

Em Coimbra, no mítico Campo de Santa Cruz, assistiu-se à primeira (de muitas) demonstração de instinto felino do goleador desta edição inaugural do campeonato. Manuel Soeiro, o seu nome. Com as bancadas a abarrotar pelas costuras, o avançado nascido no Barreiro a 17 de março de 1909 ajudou o seu Sporting a derrotar a Académica por concludentes 6-0. Nessa tarde, Soeiro faria um hattrick, que o lançaria para o título de melhor marcador do campeonato, com 14 golos. Ao longo das 14 jornadas da competição o atacante que chegou ao Sporting em 1933 vindo do Luso do Barreiro só não fez o gosto ao pé em três jornadas, sendo que este jogo inaugural em Coimbra foi mesmo o seu mais produtivo em termos de golos na caminhada dos leões na 1.ª Divisão de 34/35. Soeiro foi a grande referência atacante do Sporting até à chegada do fenómeno Peyroteo ao clube em 1937, pese embora o avançado barreirense ainda tenha dividido o protagonismo com o seu colega de posto nascido em Angola até inícios da década de 40, antes do despoletar da mais famosa linha avançada leonina, os Cinco Violinos
Mas voltemos ao Campo de Santa Cruz na tarde de 20 de janeiro de 1935, para registar que antes de Vieira da Costa (do Porto) apitar para o pontapé de saída, os jogadores dos dois clubes trocaram entre si ramos de flores! Na descrição do cronista do DL, o Sporting saiu com a bola, jogando a favor do sol, num jogo que teve um início veloz e entusiasmante, embora sem jogadas de grande precisão. As bancadas manifestam-se quando o academista Rui Cunha teve duas incursões à área leonina, as quais embora não tivessem causado calafrios a Dyson, arrancaram aplausos nas hostes estudantis. 

O team da Académica de Coimbra
em 34/35
A partida era jogada a um ritmo acelerado de parte a parte. Até que ao minuto 10, Pacheco endossa o esférico a Soeiro, que no interior da área faz um chapéu a Abreu e abre assim o marcador a favor do Sporting. Após o golo os lisboetas passam a dominar a partida, dando mais trabalho ao setor recuado dos estudantes, sendo que num desses lances o guardião Abreu fez a defesa da tarde ao travar um remate venenoso de Soeiro. E seria precisamente neste período de avalanche ofensiva leonina, que Soeiro bisou no jogo, quando estavam decorridos 43 minutos. A segunda parte quase não teve história, ou melhor, a história dos segundos 45 minutos resumem-se ao largo domínio territorial dos leões, traduzido em mais quatro golos, dois de Mourão, um de Ferdinando, e outro de Soeiro, que foi assim o grande herói da partida.

Alfredo Valadas abre o marcador nas Amoreiras e entra na História da 1.ª Divisão

Alfredo Valadas
E nas Amoreiras o Benfica recebia o Vitória de Setúbal, num jogo que ficaria na história para o seu avançado Alfredo Valadas. Ainda antes do pontapé de saída deste encontro, Virgílio Paula, dirigente da Federação Portuguesa de Futebol, leu uma mensagem que o presidente daquele organismo, Cruz Filipe, havia escrito propositadamente para aquele dia histórico do futebol em Portugal, dia em que se inauguravam os campeonatos da liga, «chamando-lhes (aos atletas) a sua atenção para o que estes campeonatos representam e pedindo a sua compostura para prestígio do football português», assim dava nota do DL. O Vitória dá o pontapé de saída de um match que é jogado com entusiasmo por ambos os conjuntos, pese embora com muitas cautelas defensivas. Até que logo ao minuto 6, e de forma algo inesperada, tendo em conta que Benfica e Vitória de Setúbal até então nada tinham arriscado no plano ofensivo, Valadas inaugura o marcador a favor dos lisboetas. «Esperança atira a bola para dentro da grande área; Torres corre, e da direita centra com boa conta; a defesa do Vitória não interceta, e Valadas, com oportunidade, marca imparavelmente». Um golo histórico. O PRIMEIRO GOLO DO CAMPEONATO NACIONAL DA 1.ª DIVISÃO. Alfredo Valadas o seu autor. Alentejano, nascido em Mértola a 13 de fevereiro de 1912, Valadas iniciou a sua carreira no Luso de Beja, transferindo-se depois para a capital onde começou por defender a camisola do… Sporting. Fê-lo somente em duas temporadas, transitando, após uma breve passagem pelo Sport Lisboa e Beja, para o Sport Lisboa e Benfica, onde obteve fama e glória ao conquistar cinco campeonatos nacionais da 1.ª Divisão, um Campeonato de Portugal e três Taças de Portugal. Após o golo, o Vitória perde alguma vivacidade, permitindo ao Benfica jogar de forma tranquila e perigosa quando se acercava da área sadina. E foi nesta toada que aos 14 minutos, Valadas cobra de forma magistral um livre que leva a bola a anichar-se no fundo das redes de Crujeira. 2-0. O Benfica dominava o encontro a seu bel prazer, e os remates à baliza visitante sucedem-se de forma constante, obrigado Crujeira e a sua dupla de centrais, composta por Álvaro Cardoso e António Vieira, a trabalhos redobrados. «A linha média de Setúbal está fazendo uma exibição medíocre, salvando-se apenas, por vezes, Aníbal José. Assim, o labor do trio central do Benfica encontra-se bastante facilitado», analisava o jornalista de serviço do DL neste jogo. 

A equipa do Benfica em 34/35
Os setubalenses dão um ar de sua graça à passagem do minuto 30, mas sem causar grandes aflições ao setor recuado dos encarnados. Só por uma ocasião no decorrer da primeira parte o guarda-redes benfiquista, Manuel Serzedelo, foi chamado a intervir, fazendo-o de forma tranquila. A segunda metade inicia-se com o Benfica de novo no ataque, destacando-se neste plano o avançado interior Luís Xavier, «que peca por tentar o “shoot” de muito longe». O Benfica continua a carregar, domina, mas não consegue encontrar abertas para alvejar as redes de Crujeira. Até que o Vitória começa a ganhar alguma confiança, e na sequência de um pontapé de canto, João Cruz (que haveria de fazer furor anos mais tarde com a camisola do Sporting) obriga Serzedelo a aplicar-se e a fazer a defesa da tarde. Valadas tenta serenar os ânimos setubalenses com um remate que não leva perigo à baliza sadina quase de seguida, mas seria através de um belo pontapé do seu companheiro de equipa Torres que o Benfica faria o 3-0 que praticamente sentenciou o encontro. E este novo golo viria a refletir-se na atitude dos benfiquistas até final, visto que abrandaram o ritmo de jogo, permitindo ao Vitória algumas incursões perigosas à área encarnada. A insistência sadina seria premiada a 5 minutos do final, altura em que João Cruz encurtou distâncias no marcador: «João Cruz conduz a bola, Serzedelo a procurar arrebatar-lha, não o conseguindo», agradecendo assim o extremo setubalense para selar o marcador. Na análise final ao jogo, o jornalista do DL escreve que o Benfica ganhou com justiça, «e poderia ter conseguido um resultado mais confortável, o que não obteve pela deficiência de remate (…) enquanto que o Vitória jogou abaixo dos seus créditos».

José Reis inspirado trava o futuro campeão nacional nas Salésias 

O poster do futuro campeão
nacional: o FC Porto 
Também em Lisboa, mas no Campo das Salésias, o Belenenses recebia o FC Porto. Os nortenhos davam neste dia o primeiro passo rumo à conquista do título nacional dessa temporada de 34/35, tornando-se assim nos primeiros campeões da 1.ª Divisão Nacional, tal como hoje a conhecemos. Mas o arranque rumo ao título não foi fácil para os portistas, já que não foram além de um empate a uma bola nesta ronda inaugural, e muito por culpa do inspirado guardião belenense, José Reis, que fez uma exibição soberba. O FC Porto joga a primeira parte a favor do vento, e a sua linha ofensiva inicia o jogo com boas jogadas concluídas com remates que são travados por Reis. Aos poucos, o Belenenses serena, e passa a jogar com mais frequência no meio campo adversário «com energia e entusiasmo». Porém, era o seu guarda-redes quem mais brilhava. «As melhores jogadas do primeiro quarto pertencem a Reis, keeper do Belenenses, que se distingue e provoca aplausos», dava nota o jornalista do DL encarregue de fazer a cobertura da partida. O Belenenses cresce no jogo, e aos 20 minutos Bernardo Soares lançou em velocidade José Luís, este aguenta a carga de Avelino, e posteriormente num remate rasteiro bate o guardião portista, Soares dos Reis, abrindo assim o marcador. Os portistas reagiram, e pouco depois no seguimento de um livre apontado por Carlos Pereira, Reis volta a fazer uma grande defesa. Por esta altura o FC Porto era mais acutilante no plano ofensivo, mas a defesa local mostrava-se à altura para travar o ímpeto nortenho. «O Porto tem melhor técnica e classe, nota-se. Mas o Belenenses opõe-lhe mais entusiasmo, técnica suficiente e ligação», assim descrevia os acontecimentos o DL. Nos derradeiros 15 minutos da etapa inicial o FC Porto assume o controlo territorial do jogo, mas não tem a pontaria afinada, com os atacantes Acácio Mesquita a Pinga muito apáticos no desempenho das suas funções. No entanto, a grande figura dos primeiros 45 minutos é José Reis, «e só a ele se deve o não haver um empate»

José Reis
A segunda parte não poderia ter começado melhor para os visitantes, que chegaram ao empate por Carlos Nunes, golo esse que foi descrito da seguinte forma pelo DL: «Logo no primeiro minuto Lopes Carneiro correu pelo seu corredor direito, centrou bem, Reis defendeu a soco carregado por Acácio; Pinga com a cabeça passou a Nunes, e este, também de cabeça, atirou às redes, e fez o primeiro goal, vistoso e merecido». A partida ganhou ainda mais ânimo depois desta entrada fulgurante dos portistas. Tão animado que João Nova se entusiasmou demasiado quase de seguida e cometeu grande penalidade após ter metido mão à bola dentro da área portista. Foi então a vez do outro Reis – o Soares – brilhar. O guarda-redes nortenho defendeu o remate rasteiro de Bernardo Soares e manteve o empate. O belenense Tomaz da Silva vê aos 52 minutos um golo invalidado, por fora de jogo. O público afeto à equipa da casa protesta, ao mesmo tempo que incentiva os seus rapazes, mas até final o FC Porto é mais equipa, domina, ao passo que o Belenenses tem apenas lances de inspiração momentânea. «Na meia hora de jogo a vantagem técnica e territorial é do Porto, embora o Belenenses reaja e procure o desempate, que não merece, até agora, com justiça», analisa o escriva do DL. O FC Porto ataca, mas depara-se sempre com a grande figura do encontro, o guardião José Reis. Este homem, nascido em Loulé em 1911, e que tem o seu nome na história como o primeiro guarda-redes do Belenenses a chegar a internacional, esteve (quase) intransponível ao longo dos 90 minutos. Na reta final do encontro, os azuis da Cruz de Cristo melhoram ligeiramente o seu futebol, colocando de quando em vez em perigo as redes portistas. Porém, o marcador não se altera mais até final, «resultado que se aceita, sem incoerência, apesar de o FC Porto ter sido mais team». E foram estes os (alguns dos) incidentes de quatro desafios que deram início a uma longa maratona de desafios do escalão maior do futebol luso. 

quinta-feira, novembro 09, 2023

Efemérides do Futebol (49)...


A primeira "dupla" de irmãos a jogar um Mundial

Separados por uma diferença de apenas dois anos os irmãos Manuel e Felipe Rosas Sánchez entraram em 1930 para a história do futebol planetário. Tudo porque ambos integraram a seleção mexicana que participou no primeiro Mundial da história, no Uruguai. Manuel, o mais velho (nasceu em 1908), atuava como defesa, ao passo que Felipe (nascido dois anos mais tarde) posicionava-se no terreno como médio. A seleção do México saiu de Montevideu sem qualquer ponto, fruto de três derrotas na fase de grupos, mas a história destes dois irmãos vai mais longe, já que Manuel mostrou-se um defesa goleador, já que dos quatro golos da seleção tricolor nesse Campeonato do Mundo dois foram da sua autoria. Os golos que apontou diante da Argentina fizeram com que durante mais de 20 anos detivesse o recorde de jogador mais novo a marcar num jogo de uma fase final da prova mais importante da FIFA, recorde superado em 1958 por um jovem de 17 anos chamado Pelé.


segunda-feira, novembro 21, 2022

Flashes Biográficos (14)... Jimmy Douglas

Jimmy Douglas
Jimmy Douglas (Estados Unidos da América): Foi no Uruguai, sede do primeiro campeonato do Mundo, em 1930, que os Estados Unidos da América alcançaram a sua melhor classificação de sempre na mais importante competição da FIFA: o 3.º lugar. Foi o prémio para aquela que é umas mais brilhantes gerações do soccer norte-americano, onde pontificavam extraordinários futebolistas como Bart McGhee, Bert Patenaude, James Brown, George Moorhouse, Alexander Wood, Tom Florie, ou o luso-americano Billy Gonsalves. Todos eles evoluíram com brilhantismo nas canchas de Montevideu, mas para alcançar tal feito a seleção yankee, orientada por Bob Millar (treinador), contava com uma sólida muralha defensiva, que ficaria conhecida como a "cortina de aço". Era forma pelos defesas, Goerge Moorhouse e Alexander Wood, e pelo guarda-redes Jimmy Douglas. Este último faz não só parte da história da modalidade nos States, pois é considerando ainda hoje como um dos dez maiores guarda-redes do soccer norte-americano de todos os tempos, como também da própria história dos Mundiais. Isto porque ele foi o primeiro guardião a terminar um jogo do Campeonato do Mundo sem sofrer golos, isto é, com a baliza inviolável. Facto ocorrido a 13 de julho de 1930, dia em que foi inaugurado o primeiro Mundial da história, com Montevideu a receber nessa tarde dois jogos, o França - México, no Campo de Pocitos; e o Estados Unidos da América - Bélgica, jogado no Parque Central. Os yankees venceram por 3-0, ao passo que os franceses triunfaram por 4-1, facto que tornou Douglas no primeiro keeper da história a não sofrer golos num jogo da competição da FIFA. O "número 1" norte-americano iria repetir a façanha na partida seguinte, diante da Bélgica, sendo a par do uruguaio Enrique Ballestrero o único guardião que não sofreu qualquer golo na fase de grupos.

A seleção dos EUA que brilhou
no Mundial de 1930
Douglas, que nasceu em Kearny, Nova Jérsia, a 12 de janeiro de 1898, e era neto de um dos membros da equipa ONT que venceu a primeira Taça Americana, em 1885. Jimmy Douglas foi considerado como a primeira lenda das balizas do futebol na América, tendo iniciado a sua carreira ao serviço do Harrison Soccer Club, em 22/23, ao serviço do qual realizou nessa temporada 14 jogos na American Soccer League (ASL), que era então a competição nacional mais importante do país. Na ASL, Douglas atuou entre 1922 e 1932, realizando um total de 208 jogos nesta competição. Ele foi o primeiro guarda-redes estado-unidense a marcar presença com a seleção nacional nas grandes competições internacionais, sendo a primeira delas os Jogos Olímpicos de 1924, realizados em Paris, tendo ali realizado os dois jogos da sua equipa, o primeiro ante a Estónia - vitória por 1-0 - e o segundo diante daqueles que haveriam de ser os campeões olímpicos desse ano, o Uruguai - derrota por 3-0. Por esta altura ele defendia a baliza do Newark Skeeters, na ASL, clube onde atuou durante duas temporadas. Na ASL ele representou oito clubes diferentes, sendo que para além dos já citados Harrison Soccer Club e Newark Skeeters, ele jogou pelos New York Giants (de 1925 a 1927, e numa segunda fase no ano de 1930), pelos Fall River Marksmen (em 27/28 e depois em 28/29,), nos Philadelphia Field Club (em 27/28), nos Brooklyn Wanderers (na temporada de 28/29), nos New York Nationals (em 29/30), nos New York Americans (em 31/32). Era pois em Nova Iorque que Douglas brilhava quando o então selecionador nacional Bob Millar o escolheu para ser um dos 16 jogadores que fizeram a viagem até ao Uruguai para disputar o primeiro Mundial de sempre. Depois da tal primeira fase imaculada os Estados Unidos foram goleados nas meias-finais da prova pela Argentina por 6-1, sendo que a explicação para os seis golos encaixados por um guarda-redes que até então se tinha mostrado uma verdadeira muralha foi que nos minutos iniciais contra os sul americanos Douglas sofreu uma lesão no joelho. Ora, como na época não eram permitidas substituições, o guardião teve de fazer o resto do jogo em sofrimento, tendo sérias dificuldades em se mover com eficácia sempre que era chamado a intervir. Com isso beneficiaram Monti, Scopelli, Stábile, e Peucelle, os autores dos golos argentinos nesse jogo. Pelos Estados Unidos da América Jimmy Douglas disputou um total de nove encontros entre 1924 e 1930, sendo que desses nove cinco foram em competições oficiais. Faleceu a 5 de março de 1972, quase 20 anos depois de ter sido nomeado para o National Soccer Hall of Fame dos Estados Unidos.

domingo, junho 10, 2018

Histórias do Planeta da Bola (21)... O inglês que “furou” o boicote da Inglaterra aos três primeiros Mundiais da história


O inglês George Moorhouse
O estatuto de inventores do futebol (moderno) auto-conferiu aos ingleses durante anos a fio um misto de superioridade e arrogância face ao resto do Mundo – no que a futebol diz respeito. A convicção de que “não só fomos nós que inventámos o futebol como também o ensinámos a jogar ao resto do Mundo” fez com que os súbitos de Sua Majestade tivessem vivido fechados no seu casulo ao longo de cerca de três décadas em relação ao que se passava no restante globo futebolístico em termos organizacionais. E quando falamos em termos organizacionais referimo-nos à participação inglesa em grandes competições inter-continentais, organizadas sob a égide de uma entidade internacional que chamasse a si a missão de tutelar o futebol a nível planetário. 
Para os ingleses, isso seria uma estocada no seu orgulho e vaidade autoritária de donos e senhores do belo jogo
Esta posição fez com que ignorassem por completo a ideia de Robert Guérin, jornalista (francês) do Le Matin, de Paris, e secretário do Departamento de Futebol da União Francesa de Desportos, que em 1902 iniciou contactos com algumas associações (ou federações) nacionais de países como a Espanha, a Holanda, a Suécia e a Dinamarca no sentido de criar uma organização internacional que tutelasse o futebol a nível mundial.

Robert Guérin
Reza a história que Guérin terá ido a Londres apresentar – e propor – a ideia a Lord Kinnard, o então presidente da Football Association – Federação Inglesa de Futebol. Os ingleses ignoraram por completo esse movimento, que a 24 de maio de 1904 ganhou contornos de realidade com a fundação da FIFA.
Reunidos em Paris, na Rue Saint Honoré, nº 229, representantes das associações nacionais de França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça fundaram nesse dia a FIFA.
De pronto foram encetados convites a outras associações/federações nacionais para integrar o recém-criado organismo internacional – para o qual Robert Guérin foi nomeado presidente –, entre eles a Inglaterra, que além de (continuar a) recusar a integração nesta nova entidade, não a reconhecia oficialmente. Inclusive, e já depois de a FIFA ter visto a “luz do dia”, a Football Association (FA) reuniu em Londres várias associações nacionais com o intuito de mostrar “quem continuava a conduzir os destinos do futebol planetário”.
A FA tinha por estes dias associadas a si federações dos Estados Unidos da América, Chile, ou Argentina, criando assim um autêntico braço de ferro com a FIFA. A renitência por parte dos ingleses em reconhecer esta federação como a entidade máxima do futebol internacional durou até 1906, quando em Berna o inglês Daniel Burley Woolfall foi nomeado presidente do organismo, sucedendo no cargo a Guérin.

A primeira sede da FIFA, em Paris
Este facto, fez com que a Inglaterra recuasse na sua resistência em aderir à FIFA, algo que efetivamente aconteceu nesse ano de 1906. 
Com Woolfall no poder os ingleses sentiam-se novamente senhores do futebol planetário. 
O então presidente da FIFA teve um papel decisivo não só na internacionalização das leis do jogo, como também na criação daquela que é talvez a primeira grande competição internacional de futebol e que esteve na génese da idealização do atual Campeonato do Mundo da FIFA: o torneio olímpico de futebol. 
Competição que foi inserida nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908, e que até à criação do Mundial FIFA foi a prova mais importante do futebol planetário ao nível de seleções – pese embora a FA tenha controlado as operações do primeiro torneio olímpico de futebol oficial, denotando aqui uma autoridade arrogante sobre a FIFA.
Com a morte de Woolfall, em 1918, a Inglaterra voltou a afastar-se da FIFA, numa altura em que o organismo internacional passava por uma fase conturbada da sua curta existência, como consequência dos “estilhaços” provocados pela I Guerra Mundial.

Jules Rimet: o pai do Campeonato do Mundo
O braço de ferro entre Inglaterra e FIFA voltava a ser uma realidade, um divórcio que desta feita iria durar um pouco mais no tempo: 28 anos! Durante este período (desde 1921) , um visionário surgiu na liderança da FIFA. O seu nome era Jules Rimet. Este francês revolucionou o Mundo do futebol em vários aspetos, sendo o mais sonante, quiçá, a criação do Campeonato do Mundo. O sonho de Rimet tornou-se realidade em 1930, quando o Uruguai acolheu a primeira edição daquele que é hoje o maior evento desportivo planetário. Os índices de popularidade (crescente) da competição ficaram bem patentes nas três primeiras edições, de tal forma que em 1946, finalmente, os ingleses saíram do seu “casulo”, percebendo – e admitindo – que perante o crescimento da FIFA e da importância e dimensão que o seu Campeonato do Mundo já havia atingido, o melhor seria mesmo voltar a juntar-se à entidade que tutelava o futebol planetário. Até porque, chegaram à conclusão que para provar a sua condição de mestres do jogo teriam de enfrentar as suas congéneres mundiais na competição idealizada e criada pela FIFA.

O cromo de Moorhouse nos
tempos do Tranmere Rovers
Esta (longa) introdução leva-nos à nossa paragem histórica de hoje, no sentido de recordar o inglês que “furou” o boicote da Inglaterra aos três primeiros Mundiais da história. George Moorhouse, o seu nome. Quando em 1950 a seleção inglesa aterrou no Brasil para ali disputar o seu primeiro Mundial, já Moorhouse o havia feito 20 anos antes no Uruguai, ao serviço da seleção norte-americana. Este cidadão nascido em Liverpool a 4 de abril de 1901 tem assim pois um lugar reservado na História por ter sido o primeiro inglês a competir num Campeonato do Mundo muito antes de a sua pátria natal o ter feito!
Combatente na I Guerra Mundial, Moorhouse começou por defender – enquanto profissional – a camisola do Tranmere Rovers, pese embora o tenha feito sobretudo ao serviço das reservas do clube de Merseyside, entre 1921 e 1923. Com poucas oportunidades para mostrar o seu valor, George Moorhouse – que no terreno de jogo atuava como lateral-esquerdo – atravessou o Atlântico, rumo ao Canadá, com o intuito de encontrar uma vida melhor num continente (americano) que aos olhos dos europeus se afigurava como a “terra prometida”, bem diferente de uma Europa que por estes dias tentava curar as feridas provocadas pelo primeiro grande confronto bélico da História.

Moorhouse chegou ao Canadá em 1923, tendo ali representado – ainda que de forma amadora – os Pacific Railway, uma equipa constituída por elementos ligados aos caminhos de ferro da região do Quebec. E se em Inglaterra o talento do nativo de Liverpool havia passado praticamente despercebido, na América do Norte tal não viria a acontecer. Após um par de jogos ao serviço dos Pacific Railway, o jogador inglês impressionou um dos grandes impulsionadores do soccer norte-americano dos anos 20, Nat Agar, também ele um inglês de berço que enquanto futebolista viveu os primeiros passos da modalidade em Terras do Tio Sam, sendo que enquanto dirigente esteve na génese da fundação da United States Football Association, em 1913.
Além de figura influente do soccer, Agar era igualmente o proprietário dos Brooklyn Wanderers, tendo de pronto convidado Moorhouse para se juntar à sua equipa. Assim foi. A aventura do cidadão de Liverpool no clube de Agar duraria somente um par de meses, pois ao fim de quatro soberbas exibições, George Moorhouse tinha Nova Iorque a seus pés. Foi então que aquele que era para muitos o maior emblema da Big Apple – e um dos maiores de toda a América – de então seduziu o habilidoso full-back para os seus quadros. Corria o (final de) ano de 1923 quando os New York Giants contrataram Moorhouse. Nos Giants, o inglês tocou a fama, tornando-se num dos mais reputados futebolistas da América nos anos 20, precisamente na chamada Golden Era (Era Dourada) do soccer estado-unidense. Defendeu o clube ao longo de sete temporadas ao mais alto nível, o mesmo é dizer na American Soccer League, a principal competição nacional dos States de então, tendo disputado por este emblema um total de 241 jogos e apontado 46 golos, registo impressionante para um lateral-esquerdo.

A "cortina de aço" yankee:
Wood, Douglas e Moorhouse
Em 1930, Moorhouse deixou os Giants, tendo atuado nos sete anos seguintes noutros emblemas nova-iorquinos, como os Yankees – equipa sem qualquer ligação aos New York Yankees do basebol – ou nos New York Soccer Club. Mas foi precisamente em 1930 que a história de Moorhouse conheceu o seu capítulo mais sonante. 
Ele foi um dos 16 selecionados de Bob Millar (treinador) para efetuar a viagem pelas águas do Atlântico rumo à América do Sul, no sentido de defender as cores da bandeira da América na primeira edição do Campeonato do Mundo da FIFA.
A estreia de Moorhouse pelo combinado nacional havia-se dado quatro anos antes, tendo o Canadá sido atropelado por concludentes 6-1 num encontro particular. Julho de 1930 entra na história do desporto planetário como o mês em que em Montevideu foi dado o pontapé de saída do sonho de Jules Rimet: o Campeonato do Mundo. Moorhouse estava lá, e juntamente com outros extraordinários futebolistas como Bart McGhee, Bert Patenaude, Jimmy Douglas, Tom Florie ou o luso-americano Billy Gonsalves conduziu a seleção yankee à melhor performance de sempre num Mundial FIFA: o 3.º lugar. Goerge Moorhouse, o guarda-redes Douglas e o defesa Alexander Wood foram apelidados pela imprensa sul-americana (presente no evento) como a “cortina de aço”, pela solidez com que fechavam os caminhos da sua baliza, enquanto que lá na frente Florie, Patenaude, McGhee e Gonsalves tratavam de atormentar os defesas adversários.
Seleção norte-americana que participou no Mundial de 1930
Mas, a aventura yankee começou com vincadas desconfianças e aguerridos protestos por parte dos adversários. Cerca de uma semana após a chegada a Montevideu, ocorrida no dia 1 de julho, os norte-americanos foram obrigados a dar uma conferência de imprensa na sequência de uma denúncia da delegação belga – precisamente o primeiro opositor da seleção de Bom Millar no torneio –, a qual apontava ilegalidades sobre a nacionalidade de alguns jogadores yankees. Os belgas acusavam os norte-americanos de incluírem no seu grupo atletas de vários países europeus, acusação refutada pelos responsáveis yankees, que explicaram – na dita conferência de imprensa – que apesar de seis dos seus 16 jogadores terem nascido na Europa haviam já adquirido nacionalidade norte-americana. Como senão bastasse o ataque belga também a imprensa brasileira lançou alguma lenha para fogueira, ao dizer que o principal craque dos States era… português! Tratava-se de Billy Gonsalves, filho de portugueses – nascidos na Madeira – mas que na verdade havia nascido em Portsmouth (Rhode Island) dois anos após a chegada dos seus progenitores a Terras do Tio Sam. Tal como Gonsalves, outros jogadores tinham descendência europeia, embora tenham nascido nos Estados Unidos da América, casos de Tom Florie (filho de italianos) e Bert Patenaude (filho de emigrantes franceses). Estrangeiros naturalizados a seleção norte-americano tinha seis atletas, todos eles nascidos na Grã-Bretanha, nomeadamente os escoceses Alexander Wood, Bart MacGhee, Jimmy Gallagher, Andy Auld, James Brown e o inglês George Moorhouse.

Alguns historiadores apontam que esta desconfiança e suspeita sobre a seleção yankee remonta ao facto de que o poderio (monetário) do soccer daquele país nos anos 20 fez atrair grandes estrelas do futebol europeu, que não só procuravam na América um nível de vida melhor, mas sobretudo tentavam fugir da Guerra que assolava o Velho Continente. Atletas provenientes da Inglaterra, Escócia, Áustria, Hungria, Itália, ou Alemanha emergiram em vários clubes norte-americanos durante a referida década de 20 – a Golden Era do soccer estado-unidense –, fazendo inúmeras digressões não só pelo continente americano como também pela Europa.
Ora, terá sido esta multiculturalidade que vigorou durante anos no futebol dos States que levou outros países a desconfiarem da “originalidade” da seleção estado-unidense no primeiro grande torneio da FIFA. Certo é que no dia 13 de julho os Estados Unidos da América tinham a honra de dar o pontapé de saída do primeiro Campeonato do Mundo da história, quando no Parque Central de Montevideu enfrentaram a Bélgica – no mesmo dia e na mesma hora, também jogaram as seleções de França e México no Estádio de Pocitos.

Fase do jogo entre EUA e Paraguai
Moorhouse estava lá, na line-up inicial dos States, que iriam vergar os belgas a uma derrota por 3-0. Quatro dias mais tarde voltou a ser titular em mais um momento de glória da nação que o acolheu em 1923, ao ajudar a derrotar o Paraguai também por concludentes 3-0 – com a particularidade dos três golos serem da autoria de Patenaude, que assim se tornava no primeiro jogador da história a fazer um hattrick em Mundiais. Com isto, os Estados Unidos da América seguiam para as meias-finais, onde viriam a cair com estrondo aos pés da poderosa Argentina, por 6-1, diante de 112,000 espectadores no majestoso e recém-construído Estádio Centenário.
O facto de a Jugoslávia – derrotada na outra semi-final ante os futuros campeões mundiais, do Uruguai – se ter recusado a disputar o encontro de atribuição dos 3.º e 4.º lugares conferiu aos norte-americanos a medalha de bronze, o que ainda hoje constitui o melhor resultado numa fase final de um Mundial de uma nação que sonha um dia vir a ser a número 1, como em tantas outras modalidades.

Porém, a aventura de Moorhouse com a seleção prolongar-se-ia até ao Mundial seguinte, realizado em Itália, em 1934, tendo o inglês (naturalizado) sido novamente selecionado e nomeado – desta feita – como capitão de equipa. Apesar de o combinado agora às ordens do escocês David Gould incluir algumas lendas do Mundial anterior, como Gonsalves, Florie, Jimmy Gallagher e o próprio Moorhouse, o que é certo é que os States cedo saíram da competição, após serem esmagados por 7-1 pela equipa da casa, na primeira ronda de eliminatórias.
Após a saída do futebol, George Moorhouse continuou a viver no país que lhe abriu as portas do belo jogo ao mais alto nível, a nação que o tirou do anonimato das reservas do Tranmere Rovers e que lhe concedeu a honra de figurar no National Soccer Hall of Fame, privilégio só concedido aos grandes ícones do soccer.
Faleceu a 13 de julho de 1982, curiosamente o mesmo em que meio século antes havia entrado na história ao “antecipar-se” à sua pátria natal na participação num Mundial FIFA.