Paulo INNOCENTI (Brasil): O futebolista brasileiro é visto globalmente como um diamante raro alvo de desejo generalizado. Poucos serão os países dos cinco continentes que não veneram hoje em dia nos seus retângulos de jogo um artista proveniente de Terras de Vera Cruz. A esse propósito abrimos hoje as portas do Museu para recordar aquele que foi o primeiro futebolista nascido no Brasil a transpor as fronteiras do seu país rumo a outras paragens, por outras palavras, o primeiro emigrante do futebol brasileiro a atuar no estrangeiro. Paulo Innocenti é o seu nome. Descendente de imigrantes italiano, Paulo veio ao Mundo a 11 de março de 1902, tendo como berço o Rio Grande do Sul, mas seria na grande cidade de São Paulo que se projetou no então muito jovem futebol brasileiro. Foi com a camisola do Paulistano, o então gigante do futebol paulista onde pontificava o lendário Arthur Friedenreich, que Innocenti deu os primeiros passos mais a sério na modalidade, tendo integrado a equipa que venceu o campeonato paulista de 1921, precisamente o ano em que este descendente de italianos vestiu pela primeira vez a camisola do emblema de São Paulo. Ali permaneceu até 1923, altura em que decide atravessar o Atlântico rumo à pátria da sua família, e mais concretamente até Bologna, para defender as cores do modesto Virtus durante a temporada de 1923/24. Quiçá sem se aperceber na altura, Paulo Innocenti entrava na história, ao tornar-se no primeiro jogador nascido no Brasil a atuar além fronteiras. Posicionando-se no terreno de jogo como defesa (na maior parte das vezes lateral) Innocenti destacou-se pelas suas qualidades desde pronto, e não seria de estranhar que o lendário mestre da tática Hermann Felsner, o arquiteto d' Il Grande Bologna, o chamasse para representar o emblema mais popular da cidade e um dos mais poderosos do calcio daquela época, precisamente o Bologna FC, onde sobressaiam nomes como Mario Gianni, Della Valle, ou o astro Angelo Schiavio. Nas duas temporadas (24/25 e 25/26) que envergou a maglia rosso blu o ítalo-brasileiro contribuiu para a conquista do scudetto de 1924/25, participando em 13 jogos dessa campanha vitoriosa. Posto isto decide em 1926 abraçar um novo projeto que acabava de ver a luz do dia no sul de Itália: a Sociatà Sportiva Calcio Napoli, fundada a 1 de agosto desse ano. Pippone, alcunha que entretanto arrecadou no país da bota devido ao formato pontiagudo do seu nariz, faz parte da história do Napoli, não só por ter tido a honra de ser o capitão de equipa no primeiro jogo oficial que os napolitanos efetuaram - ante o Inter de Milão - como também por ter sido o autor do primeiro golo da vida daquele emblema - ante o Genoa. Nas dez temporadas que jogou em Nápoles, Innocenti fez mais de 200 jogos com o clube, tendo inclusive sido neste período que atuou pela seleção nacional B italiana - já que ele um oriundi (descendente) - em quatro ocasiões. Após abandonar a carreira de futebolista em 1937, Paulo - ou Paolo para os italianos - Innocenti desapareceu praticamente do mapa futebolístico, continuando no entanto a viver em Nápoles, cidade a que passou a chamar de casa. Até que em 1943 é convidado pelo Napoli a substituir o então treinador Antonio Vojak, numa altura em que o clube se encontrava a competir na Serie B - segundo escalão do calcio. A aventura no banco seria curta, e pouco depois Pippone voltaria à sua condição de habitante anónimo de Nápoles até à hora da sua morte - devido a um ataque cardíaco - em 1983, curiosamente um ano antes de a cidade começar a viver sob os desígnios de D10S - Diego Armando Maradona.
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segunda-feira, março 13, 2017
segunda-feira, março 07, 2016
Histórias do Planeta da Bola (16)... "Il Grande Bologna" solta o primeiro grito de vitória do futebol italiano além fronteiras
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| Il Grande Bologna entra em campo para fazer história |
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| O poderio do futebol italiano na Europa durante as décadas de 80 e 90 é evidente nesta imagem |
Il Grande Bologna coloca a Itália no mapa da Europa do futebol (ao nível de clubes)
Esta longa introdução remete-nos para a nossa história de hoje: o ponto de partida da gloriosa caminhada europeia das equipas italianas. Início esse que nos leva até um clube lendário, que hoje deambula entre a Serie A e a Serie B, mas que durante mais de uma década encantou os tiffosi de todo o... Mundo. Bologna Football Club, ou Il Grande Bologna dos anos 30, a primeira equipa transalpina a conhecer a glória internacional. Para muitos dos historiadores do belo jogo o legado desse mítico e longínquo Bologna rivaliza com o do Grande Torino da década de 40, da mágica equipa que se eclipsou tragicamente no desastre aéreo de Superga em 1949. Qual destas duas equipas foi a melhor é uma pergunta difícil de responder, sendo apenas certo que ambas tiveram um papel preponderante na dinamização e popularização do calcio a nível internacional.
No vale do Rio Pó ergue-se Bologna (ou Bolonha no idioma de Camões), cidade que no outono de 1909 vê nascer um dos principais baluartes da sua história, o Bologna Football Club.
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| A equipa do Bologna que em 1924/25 conquistou, sob a alçada do treinador austríaco Felsner, o primeiro scudetto da história do clube |
Emilio Arnstein, um cidadão oriundo da Boêmia (atual República Checa) é a principal figura que esteve na génese da criação do emblema rossoblú (azul e vermelho, as cores que os bolonheses adotaram desde a sua fundação), contando para isso com a cumplicidade dos italianos Arrigo Gradi e Leone Vicenzi, e do suíço Louis Rauch, sendo que este último seria o primeiro presidente da história do clube. Após uma primeira década de vida a competir ao nível regional, o Bologna entra nos anos 20 com a ambição de galgar os muros da sua região e conquistar a Itália. Os seus dirigentes sonham alto, aspiram ombrear com as melhores equipas do país, onde então se destacavam o Genoa e o Pro Vercelli, nomes que haviam dominado as duas primeiras décadas do calcio no plano nacional. Nesse sentido urge que o clube transponha a fronteira do amadorismo para o profissionalismo que começava a imperar no futebol transalpino, e o primeiro passo é dado na contratação de um homem oriundo da escola do Danúbio, para muitos a região do Velho Continente onde o futebol atingia a sua perfeição no plano técnico e tático. Do triângulo composto por Áustria, Hungria e Boêmia (mais tarde batizada de Checoslováquia) foram extraídos durante grande parte da primeira metade do século XX alguns diamantes raros no que ao desporto rei diz respeito. Jogadores, treinadores, ou simplesmente pensadores do jogo que o levaram para patamares da excelência e da beleza nunca dantes vistos no Velho Continente.
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| Hermann Felsner, o criador d' Il Grande Bologna |
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| Angelo Schiavio, a estrela maior d' Il Grande Bologna |
Rossoblú fazem tremer a Europa do futebol
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| Bologna em ação contra o velho rival Juventus, na luta pelo trono do futebol transalpino |
O principal campeonato italiano havia somente terminado somente há uma semana quando a squadra orientada por Gyula Lelovics entrou em campo para defrontar os campeões da Checoslováquia, o Sparta de Praga, em partida dos quartos-de-final. Checos que na primeira mão viajaram até Itália sem o patrão da sua defesa, Kada Pesek, para enfrentar Il Grande Bologna. Na baliza surgia Mario Gianni, a quem chamavam de gato mágico, assim apelidado pelas espetaculares e acrobáticas estiradas que marcavam a sua imagem de futebolista, enquanto no setor recuado brilhavam o futuro bi-campeão do Mundo Eraldo Monzeglio, Felice Gasperi, e o uruguaio Francisco Fedullo. No meio campo, dois jogadores comandavam majestosamente as operações: Gastoni Baldi, e Gastone Martelli. Estes dois jogadores serviam de forma sublime a linha avançada daquele memorável conjunto, linha essa formada por nomes como Bruno Maini, o uruguaio Raffaele Sansone, Carlo Reguzzoni e Angelo Schiavio, a estrela mais brilhante daquela lendária equipa. Este último jogador foi um dos destaques no embate ante o Sparta, que o Bologna venceu por claros e expressivos 5-0. Reguzzoni abriu o marcador nos minutos iniciais, seguido de dois golos de Maini e um de Schiavio, tendo a nota artística final sido assinada por Baldi na etapa complementar.
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| A medalha que simboliza a conquista da Mitropa Cup em 32 |
Uma semana mais tarde, no Hohe Warte Stadium, em Viena, os austríacos fizeram uma exibição de gala, um jogo perfeito, que mesmo assim não chegou para ir além de uma magra e insuficiente vitória por 1-0.
A edição de 1932 da Taça Mitropa ficou marcada pela polémica meia-final entre a Juventus e o Slavia de Praga, uma autêntica batalha campal que levou a organização da prova a afastar estes dois clubes e a entregar o título de campeão ao Bologna que assim soltava o primeiro grito de vitória além do futebol italiano no plano internacional. O Bologna tornava-se assim na primeira squadra transalpina a vencer uma competição europeia sob o signo da magia e criatividade técnico-tática que caracterizava o seu estilo de jogo.
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| Fotografia histórica: A equipa do Bologna que em 1932 conquistou o primeiro título europeu de clubes para Itália |
Dois anos mais tarde, e sob a orientação do húngaro Lajos Kovács, Il Grande Bologna volta a mostrar a sua... grandeza no plano internacional. A equipa volta a conquistar a Europa na sequência de um novo triunfo na Mitropa Cup. Contudo, a campanha não começou de maneira fácil, já que na primeira ronda os húngaros do Bocskai foram um osso duro de roer. No jogo da primeira mão, no Stadio del Litorialle, o combinado magiar surgiu no relvado com uma defesa de ferro, só derrubada pela arte e força de Carlo Reguzzoni e da grande estrela da equipa, Angelo Schiavio. Na segunda mão foi a vez do setor defensivo dos italianos brilhar, segurando a avalanche ofensiva dos húngaros que tiveram em Jeno Vincze a sua maior figura, sendo dele um dos golos com que o Bocskai derrotou o Bologna, por 2-1. Resultado, contudo, insuficiente para passar aos quartos-de-final, já que o tento de Reguzzoni fez estalar a festa entre a comitiva transaplina.
Tranquila foi a passagem do Bologna às meias-finais, já que na primeira mão dos quartos-de-final, diante do seu público, o clube transalpino humilhou por completo o Rapid de Viena. 6-1 foi o resultado de uma partida onde os atacantes Reguzzoni e Schiavio estiveram em claro destaque ao apontarem os golos da sua equipa. Em Viena, o Rapid adiantou-se cedo no marcador, por intermédio de Binder, logo aos dois minutos, dando ideia de que o milagre poderia acontecer, mas Reguzzoni logo tratou de arrefecer o ímpeto dos locais com o golo do empate, de nada valendo os três golos de Binder no segundo tempo.
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| Final da Taça Mitropa de 1934 |
1934 foi de facto um ano inolvidável para o futebol italiano, pois à conquista do Campeonato do Mundo pela seleção nacional seguiu-se mais um capítulo da história triunfal d' Il Grande Bologna. Curioso é que nestes dois factos um homem esteve em destaque, Angelo Schiavio. Foi dele o golo da vitória da Squadra Azzurra na final de Roma ante a Checoslováquia e por sua influência o Bologna subia de novo ao trono do futebol continental.
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| O grupo que em 1934 voltou a subir ao trono do futebol europeu |
A supremacia dos bolonheses continuou a fazer-se sentir no restantes anos da década de 30, sobretudo no plano interno onde sob a orientação de outro nome que ficou na história do clube, o húngaro Árpád Weisz, interromperam uma série de cinco títulos nacionais consecutivos da Juventus vencendo os scudettos de 1936 e 1937. A era dourada deste emblema estava longe de terminar, pois até 1941 Il Grande Bologna voltou a rugir bem alto no panorama nacional. Conduzido pelo homem que construi a lenda, Hermann Felsner, a equipa venceu os campeonatos de 39 e 41, antes de passar o testemunho artístico no que à interpretação do jogo alude a outro grande squadrone: Il Grande Torino.
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sexta-feira, abril 10, 2015
Histórias do Planeta da Bola (9)... Os anos dourados (1927-1939) da Taça Mitropa - A primeira montra de estrelas do futebol europeu (parte IV)
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| Matthias Sindelar, um dos mais virtuosos futebolistas da História e a grande figura da edição de 1933 da Mitropa Cup |
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| Raimundo Orsi |
Quem também teve motivos para festejar nesta primeira ronda foi a outra equipa italiana em prova, a Ambrosiana-Inter, que se desenvencilhou dos campeões da Áustria, o First de Viena, por um total de 4-1. Porém, na primeira mão, na capital austríaca, o emblema de Milão não teve vida fácil, devendo ao seu guarda-redes, Carlo Ceresoli, o facto de ter saído derrotado pela margem mínima (1-0). Na segunda mão uma exibição de gala de Giuseppe Meazza acabou com as aspirações dos conterrâneos de Mozart. Secundado de forma brilhante pelos extremos Frione e Levratto, Il Peppino, como era conhecido, apontou três dos quatro golos da sua squadra, que assim avançava para a fase seguinte, onde iria enfrentar o Sparta de Praga, conjunto este que graças à sua temível linha avançada formada por Raymond Braine, Josef Silný, Nejedly, e Frantisek Kloz afastou com dois triunfos mínimos (3-2 e 2-1) mas inteiramente merecidos o MTK de Budapeste.
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| A equipa da Juventus que na meia-final foi varrida por um vendaval chamado... Sindelar |
E se o Homem de Papel foi o herói do jogo de Viena, o guarda-redes austríaco Johann Billich centrou em si as atenções na partida de Turim, disputada no Stadio Benito Mussolini. Como lhe competia a Juventus entrou em campo disposta a provar que a tarefa de dar a volta ao marcador não era uma missão de todo impossível, com o trio ofensivo formado por Ferrari, Borel, e Cesarini a criar um sem número de oportunidades junto da baliza forasteira. Porém, esta era guardada de maneira heróica por Billich que só por uma vez foi buscar a bola ao fundo das redes, na sequência de um remate fulminante de Giovanni Ferrari, aos 21 minutos. Golo que foi sol de pouca dura, já que volvidos apenas nove minutos Josef Stroh restabeleceu a igualdade no marcador que até final não mais iria sofrer alterações, não obstante da avalanche ofensiva patenteada pela Juve na etapa complementar.
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| Attilio Demaria |
E se o calor havia massacrado os jogadores da Ambrosiana-Inter na primeira mão, em Praga o massacre foi protagonizado pelos futebolistas do Sparta, que durante 90 minutos não largaram a baliza de Ceresoli. Ataques atrás de ataques resumiram um encontro de sentido - quase - único, o da baliza dos transalpinos, que muito tiveram de suar para sair da capital da Checoslováquia com uma preciosa igualdade a duas bolas, resultados que assim lhes garantia a presença na final. Frantisek Klos marcou os dois golos do Sparta, enquanto que do outro lado Demaria voltou a ser o abono de família da squadra de Milão, ao apontar mais um golo, o seu quarto no confronto com os checoslovacos.
| Sindelar e Meazza, duas lendas do futebol mundial dos anos 30, posam juntos antes da final Mitropa Cup de 1933 |
A jogar com menos um elemento os transalpinos não deixaram porém de atacar a baliza de Billich, sempre com perigo, e quase sempre por intermédio do génio Meazza. Fazendo jus a um velho ditado popular português, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", Il Peppino iria inaugurar o marcador a cinco minutos do intervalo, período em que para espanto da multidão presente na Arena Civica, Levratto retorna ao relvado - lesionado - para, no minuto seguinte, fazer o 2-0, naquele que foi um ato de coragem e paixão pelo emblema que carregava ao peito. No segundo tempo os papéis inverteram-se.
O Austria passou a controlar o jogo, postura essa que seria premiada com um golo, apontado por Rudolf Viertl, aos 77 minutos. 2-1, vitória da Ambrosiana-Inter, que partia assim para Viena com uma magra vantagem na bagagem. E como seria insuficiente...
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| As três equipas - o Austria de Viena, a Ambrosina-Inter, e o trio de arbitragem - que deram vida à final de 1933 posam juntas antes do pontapé de saída |
Números e nomes:
Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)
Ujpest (Hungria) - Juventus (Itália): 2-4/2-6
Slavia Praga (Checoslováquia) - Austria Viena (Áustria): 3-1/0-3
MTK Budapeste (Hungria) - Sparta Praga (Checoslováquia): 2-3/1-2
First Viena (Áustria) - Ambrosiana-Inter (Itália): 1-0/0-4
Meias-finais (1ª e 2ª mãos)
Ambrosiana-Inter (Itália) - Sparta Praga (Checoslováquia): 4-1/2-2
Austria Viena (Áustria) - Juventus (Itália): 3-0/1-1
Final (1ª mão)
Ambrosiana-Inter (Itália) - Austria Viena (Áustria): 2-1
Data: 3 de setembro de 1933
Estádio: Arena Civica, em Milão (Itália)
Árbitro: Ferenc Klug (Hungria)
Ambrosiana-Inter: Carlo Ceresoli, Paolo Agosteo, Luigi Allemandi, Alfredo Pitto, Ricardo Faccio, Armando Castellazzi, Francisco Frione, Renato De Manzano, Giuseppe Meazza (c), Attilio Demaria, e Felice Levratto. Treinador: Árpád Weisz.
Austria Viena: Johann Billich, Karl Graf, Walter Nausch (c), Matthias Majemnik, Johann Mock, Karl Gall, Josef Molzer, Josef Stroh, Matthias Sindelar, Camillo Jerusalem, e Rudolf Viertl. Treinador: Josef Blum.
Golos: 1-0 (Meazza, aos 40m), 2-0 (Levratto, aos 41m), 2-1 (Viertl, aos 77m)
Final (2ª mão)
Austria Viena (Áustria) - Ambrosiana-Inter (Itália): 3-1
Data: 8 de setembro de 1933
Estádio: Prater, em Viena (Áustria)
Árbitro: Frantisek Cejnar (Checoslováquia)
Austria Viena: Johann Billich, Karl Graf, Walter Nausch (c), Matthias Majemnik, Johann Mock, Karl Adamek, Josef Molzer, Josef Stroh, Matthias Sindelar, Camillo Jerusalem, e Rudolf Viertl. Treinador: Josef Blum.
Ambrosiana-Inter: Carlo Ceresoli, Paolo Agosteo, Luigi Allemandi, Alfredo Pitto, Ricardo Faccio, Giuseppe Viani, Francisco Frione, Pietro Serantoni, Giuseppe Meazza (c), Attilio Demaria, e Armando Castellazzi. Treinador: Árpád Weisz.
Golos: 1-0 (Sindelar, aos 45), 2-0 (Sindelar, aos 80m), 2-1 (Meazza, aos 85m), 3-1 (Sindelar, aos 88m)
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| Matthias Sindelar - o primeiro jogar na fila de cima, a contar da esquerda para a direita - foi o ilustre condutor que levou o Austria de Viena à conquista da Taça Mitropa de 1933 |
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| Carlo Reguzzoni, o melhor marcador da edição de 1934 da competição |
Cada um dos quatro países envolvidos na competição passava agora a dispor de quatro vagas a serem ocupadas pelo campeão, vice-campeão, terceiro e quarto classificados, sendo que no caso da Áustria uma dessas vagas era ocupada pelo vencedor da taça. Com o aumento do número de clubes a competição europeia criada por Hugo Meisl conheceu alguns emblemas novos em 1934. Um desses caloiros foi o Floridsdorfer, da Áustria, que logo na primeira ronda evidenciou toda a sua inexperiência internacional ao ser copiosamente goleado por um resultado global de 10-1 pelos antigos campeões da prova, os húngaros do Ferencvaros, com o destaque individual deste confronto desnivelado a ir para o avançado do clube de Budapeste, Gyorgy Sarosi, autor de três dos dez tentos da sua equipa, a qual no jogo da segunda mão, disputado no mítico estádio Hohe Warte, em Viena, atuou para 800 pessoas, num recinto que tinha capacidade para acolher 40 000, constituindo-se este como um dos registos mais baixos - em termos de assistência - da história da era dourada da Mitropa Cup.
Estreia auspiciosa tiveram os checoslovacos do Kladno, que protagonizariam a maior surpresa desta primeira eliminatória ao afastar os vice-campeões da temporada anterior, a Ambrosiana-Inter. Na primeira mão, os italianos arrancaram uma igualdade a uma bola no terreno do adversário, sendo impensável que no encontro de volta, em Milão, pudessem deixar escapar a oportunidade de continuar a sua caminhada rumo a uma nova final, no mínimo! Na verdade, Meazza e seus companheiros estavam enganados, já que uma exibição letal do ex-avançado do Sparta de Praga, Frantisek Kloz - um dos melhores marcadores da edição anterior - ajudou o Kladno a vencer em Itália por 3-2 e colocar desta forma a Europa do futebol em estado de choque! Pudera.
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| Angelo Schiavio remata para o fundo das redes húngaras |
Outra das surpresas desta primeira ronda foi a eliminação dos campeões em título, o Austria de Viena, aos pés dos húngaros do Ujpest. Privados do seu capitão de equipa, Walter Nausch, por se encontrar lesionado, os austríacos foram derrotados pelo mesmo score (2-1) nos dois embates, onde ficou vincada a robustez defensiva do vice-campeão magiar.
Tranquila foi a passagem dos campeões de Itália, a Juventus, diante dos frágeis checoslovacos do FK Teplice, enquanto que o equilíbrio surgiu em dois dos restantes duelos desta primeira eliminatória, decididos num terceiro, quarto, quinto, e sexto jogos!!! Sem a sua estrela-mor, Anton Schall, os campeões da Áustria, o Admira de Viena, enfrentaram os estreantes do Nápoles, que na primeira mão causou surpresa ao empatar a zero bolas no terreno do adversário. Na cidade do sul de Itália verificou-se um novo empate no jogo de volta, desta feita com golos, 2-2, tendo os napolitanos estado em vantagem grande parte do tempo por 2-0, score que até poderia ser mais avolumado não fosse a tarde inspirada do guardião Peter Platzer. Porém, na reta final da partida apareceu Adolf Vogl, que com dois golos obrigou à necessidade de se realizar um terceiro e decisivo duelo. Ato este que decorreu em campo neutro, em Zurique mais concretamente, tendo ai o Admira vincado o porquê de ter vencido com distinção o competitivo campeonato austríaco na temporada anterior. 5-0, foi o pesado resultado com que os vienenses afastaram os italianos, com destaque para as magníficas performances de Stoiber, Sigl, e - mais uma vez - Vogl.
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| Raymond Braine, uma das grandes estrelas do Sparta Praga |
Pior sorte teve a outra equipa de Praga, o Slavia, que perdeu o braço de ferro com o Rapid de Viena.
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| Gyorgy Sarosi |
Com a preciosa ajuda do melhor marcador do campeonato italiano da temporada transata, Felice Borel, a Juventus alcançou uma saborosa vitória - todas o são, naturalmente - em casa do Ujpest, por 3-1, com o citado atleta a fazer o gosto ao pé em duas ocasiões. Na segunda mão uma exibição categórica dos irmãos gémeos Mario e Giovanni Varglien no setor defensivo da Vecchia Signora impediu que o ataque dos húngaros fizesse estragos de maior em Turim, tendo o encontro terminado com um empate a uma bola, com Borel a apontar o tento dos italianos que assim seguiam em frente. Tranquila foi a passagem do Bologna, que na primeira mão, diante do seu público, humilhou por completo o Rapid de Viena. 6-1 foi o resultado de uma partida onde os atacantes Reguzzoni e Schiavio estiveram em claro destaque ao apontarem os golos da sua equipa. Em Viena, o Rapid adiantou-se cedo no marcador, por intermédio de Binder, logo aos dois minutos, dando ideia de que o milagre poderia acontecer, mas Reguzzoni logo tratou de arrefecer o ímpeto dos locais com o golo do empate, de nada valendo os três golos de Binder no segundo tempo.
Em grande forma estava por esta altura o Admira de Viena, que na receção ao Sparta de Praga aplicou a chapa 4 com uma classe meritória inquestionável, numa partida onde no plano individual sobressaiu o austríaco Wilhelm Hahnemann. Na segunda mão, e contrariamente ao que se previa, foi o Admira a entrar mais atrevido no jogo, tendo o bis de Karl Durspekt colocado os visitantes a vencer por 2-0 ao intervalo. Com a passagem às meias finais mais do que assegurada os vienenses abrandaram na segunda parte, permitindo que os checoslovacos concluíssem a sua participação na Mitropa Cup de 1934 com uma vitória (3-2).
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| Capitães do Ferencvaros e do Bologna posam para a posteridade junto da equipa de arbitragem antes do início da primeira mão da meia-final |
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| Fase da partida entre Bologna e Admira Viena |
Depois da conquista do Mundo - na sequência do triunfo da Squadra Azzura no Campeonato do Mundo da FIFA - o futebol italiano arrecadava agora a coroa europeia no que a clubes dizia respeito. Memorável.
Números e nomes:
Oitavos-de-final (1ª e 2ª mãos)
Ferencvaros (Hungria) - Floridsdorfer (Áustria): 8-0/2-1
Kladno (Checoslováquia) - Ambrosiana-Inter (Itália): 1-1/3-2
Bologna (Itália) - Bocskay (Hungria): 2-0/1-2
Slavia Praga (Checoslováquia) - Rapid Viena (Áustria): 1-3/1-1
Austria Viena (Áustria) - Ujpest (Hungria): 1-2/1-2
Juventus (Itália) - Teplice (Checoslováquia): 4-2/1-0
Admira Viena (Áustria) - Nápoles (Itália): 0-0/2-2/5-0 (desempate)
MTK Budapeste (Hungria) - Sparta Praga (Checoslováquia): 2-1/1-2/1-1 (Sparta vence por sorteio)
Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)
Ferencvaros (Hungria) - Kladno (Checoslováquia): 6-0/1-4
Ujpest (Hungria) - Juventus (Itália): 1-3/1-1
Bologna (Itália) - Rapid Viena (Áustria): 6-1/1-4
Admira Viena (Áustria) - Sparta Praga (Checoslováquia): 4-0/2-3
Meias-finais (1ª e 2ª mãos)
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| Recorte de um jornal da época dando conta do embate entre o Bologna e o Ferencvaros |
Admira Viena (Áustria) - Juventus (Itália): 3-1/1-2
Final (1ª mão)
Admira Viena (Áustria) - Bologna (Itália): 3-2
Data: 5 de setembro de 1934
Estádio: Prater, em Viena (Áustria)
Árbitro: William Walden (Inglaterra)
Admira Viena: Peter Platzer, Robert Pavlicek, Anton Janda, Johann Urbanek, Karl Hummeberger, Josef Mirschitzka, Ignaz Sigl (c), Wilhelm Hahnemann, Karl Stoiber, Anton Schall, e Adolf Vogl. Treinador: Hans Skolaut.
Bologna: Mario Gianni, Eraldo Monzeglio, Felice Gasperi, Mario Montesanto (c), Aldo Donati, Giordano Corsi, Bruno Maini, Raffaele Sansone, Aldo Spivach, Francisco Fedullo, e Carlo Reguzzoni. Treinador: Lajos Kovács.
Golos: 0-1 (Spivach, aos 7m), 0-2 (Reguzzoni, aos 25m), 1-2 (Stoiber, aos 56m), 2-2 (Vogl, aos 58m), 3-2 (Schall, aos 60m)
Final (2ª mão)
Bologna (Itália) - Admira Viena (Áustria): 5-1
Data: 9 de setembro de 1934
Estádio: Del Littoriale, em Bolonha (Itália)
Árbitro: Arthur James Jewell (Inglaterra)
Bologna: Mario Gianni, Eraldo Monzeglio, Felice Gasperi, Mario Montesanto, Aldo Donati, Giordano Corsi, Bruno Maini, Raffaele Sansone, Angelo Schiavio (c), Francisco Fedullo, e Carlo Reguzzoni. Treinador: Lajos Kovács.
Admira Viena: Peter Platzer, Robert Pavlicek, Anton Janda, Johann Urbanek, Karl Hummeberger, Josef Mirschitzka, Karl Durspekt, Wilhelm Hahnemann, Karl Stoiber, Anton Schall, e Adolf Vogl (c). Treinador: Hans Skolaut.
Golos: 1-0 (Maini, aos 21m), 1-1 (Vogl, aos 32m), 2-1 (Reguzzoni, aos 33m), 3-1 (Reguzzoni, aos 40m), 4-1 (Fedullo, aos 84m), 5-1 (Reguzzoni, aos 88m).
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| A squadra do Bologna que pela segunda vez no curto espaço de três anos conquistou a coroa do futebol europeu |
quarta-feira, março 18, 2015
Histórias do Planeta da Bola (8)... Os anos dourados (1927-1939) da Taça Mitropa - A primeira montra de estrelas do futebol europeu (parte III)
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| Juventus e Sparta de Praga precisaram de um terceiro jogo para desempatar uma eliminatória equilibrada pautada pelo futebol espetáculo |
No encontro da segunda mão os austríacos relaxaram... em demasia. Aos 47 minutos já perdiam por 3-0 (!), resultado que naquele período poderia ter contornos mais volumosos, não fosse o guardião Rudolf Hiden estar em tarde inspirada. Porém, à passagem do 82º minuto Richard Hanke sossegou os adeptos da casa ao reduzir para 1-3 e garantir deste modo a passagem da sua equipa à fase seguinte.
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| Apesar de ter sido a grande figura da eliminatória entre o Slavia e a Roma, o mítico guarda-redes Plánicka não evitou a queda da sua equipa à primeira |
Equilibrado e muito bem interpretado foi o embate entre os campeões italianos, a Juventus, e os vice-campeões da Checoslováquia, o Sparta de Praga. Juve que nesse ano de 1931 iniciou um reinado de cinco anos consecutivos na Serie A italiana, cinco títulos de campeão de Itália seguidos que constituíram um recorde até hoje insuperável. Com um tridente ofensivo - composto por Josef Silný, Nejedly, e Raymond Braine - de impor respeito a qualquer que fosse o adversário o Sparta caiu em Turim no encontro da primeira mão, por 2-1. O belga Braine ainda colocou a turma de Praga em vantagem ao minuto 17, mas a Vecchia Signora soube reagir e à passagem da meia hora Cesarini restabeleceu a igualdade. Os visitantes estiveram muito perto da vitória, mas Raymond Braine iria desperdiçar uma grande penalidade, ou melhor, o guarda-redes Sclavi - que nesta eliminatória rendeu o mítico Giampiero Combi - intercetou o remate do avançado belga. E como quem não marca sofre - por norma é sempre assim... - aos 88 minutos Munerati deu o triunfo à Juve.
Na segunda mão o equilíbrio e o espetáculo voltaram a surgir de mãos dadas, agora na capital da Checoslováquia, onde o tridente ofensivo do Sparta apenas por uma vez conseguiu ultrapassar o sólido muro defensivo dos italianos, cujos pilares eram os catedráticos Umberto Caligaris e Virginio Rosetta, duas figuras destacadas no êxito que a Squadra Azzura iria obter três anos mais tarde no Campeonato do Mundo da FIFA. O único golo deste segundo jogo foi apontado por Braine, aos 16 minutos, tendo desta forma sido necessário recorrer-se a um terceiro encontro para encontrar o quarto e último semi-finalista. Partida essa que teve lugar em campo neutro, tendo Viena sido o palco escolhido. E se o futebol bonito e emocionante marcou os dois primeiros jogos deste embate, a indisciplina tomou conta do play-off, com o árbitro suíço René Mercet - o mesmo que em 1934 iria beneficiar de forma escandalosa a Itália no jogo dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo ante a Espanha - a dar ordem de expulsão a quatro jogadores, três deles pertencentes à Juventus, que no final dos 90 minutos saiu derrotada por 3-2, e desta forma dizia adeus à Mitropa Cup.
Final 100% austríaca após duas semi-finais distintas
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| Fase do encontro entre a Roma e o First Viena |
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| "Rudi" Hiden |
Números e nomes:
Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)
First Viena (Áustria) - Bocskai (Hungria): 3-0/4-0
Slavia Praga (Checoslováquia) - Roma (Itália): 1-1/1-2
Wiener (Áustria) - MTK Budapeste (Hungria): 5-1/1-3
Juventus (Itália) - Sparta Praga (Checoslováquia): 2-1/0-1/2-3 (desempate)
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| A equipa da Roma que alcançou as meias-finais da Taça Mitropa de 1931 |
First Viena (Áustria) - Roma (Itália): 3-2/3-1
Sparta Praga (Checoslováquia) - Wiener (Áustria): 3-2/3-4/0-2 (desempate)
Final (1ª mão)
Wiener (Áustria) - First Viena (Áustria): 2-3
Data: 8 de novembro de 1931
Árbitro: Francesco Mattea (Itália)
Estádio: Hardturm, em Zurique (Suíça)
Wiener: Rudolf Hiden, Johann Becher, Karl Sesta, Georg Braun, Ernst Lowinger, Rudolf Kubesch, Franz Cisar, Heinrich Muller, Henri Hiltl, Richard Hanke, e Karl Huber (c). Treinador: Karl Geyer.
First Viena: Karl Horeschovsky, Karl Rainer, Josef Blum (c), Willibald Schamus, Leopold Hofamann, Leonhard Machu, Anton Brosenbauer, Josef Adelbrecht, Fritz Gschweidl, Gustav Togel, e Franz Erdl. Treinador: Ferdinand Frithum.
Golos: 1-0 (Hanke, aos 2m), 2-0 (Muller, aos 22m), 2-1 (Togel, aos 30m), 2-2 (Adelbrecht, aos 63m), 2-3 (Becher, aos 87m na p.b.)
Final (2ª mão)
First Viena (Áustria) - Wiener (Áustria): 2-1
Data: 12 de novembro de 1931
Estádio: Hohe Warte, em Viena (Áustria)
Árbitro: Rinaldo Barlassina (Itália)
First Viena: Karl Horeschovsky, Karl Rainer, Josef Blum (c), Willibald Schamus, Leopold Hofamann, Leonhard Machu, Anton Brosenbauer, Josef Adelbrecht, Fritz Gschweidl, Gustav Togel, e Franz Erdl. Treinador: Ferdinand Frithum.
Wiener: Rudolf Hiden, Johann Becher, Karl Sesta, Georg Braun, Ernst Lowinger, Rudolf Kubesch, Wilhelm Cutti, Heinrich Muller, Henri Hiltl, Richard Hanke, e Karl Huber (c). Treinador: Karl Geyer.
Golos: 1-0 (Erdl, aos 6m), 2-0 (Erdl, aos 41m), 2-1 (Hanke, aos 65m).
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| Em 1931 a Mitropa Cup permaneceu na capital austríaca, mudando apenas de dono, que passava a ser agora o First Viena |
1932: Il Grande Bologna sagra-se campeão sem precisar de jogar a final
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| Angelo Schiavio, a estrela mais cintilante da história do Bologna FC |
Principal campeonato italiano que havia somente terminado há uma semana quando a squadra orientada por Gyula Lelovics entrou em campo para defrontar os campeões da Checoslováquia, o Sparta de Praga. Equipa esta que na primeira mão viajou até Itália sem o patrão da sua defesa, Kada Pesek, para enfrentar uma equipa cuja base era composta por jogadores de extrema qualidade, os quais marcaram, indiscutivelmente, uma era de glamour no calcio transaplino.
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| Cinco estrelas de uma equipa (Bologna)... cinco estrelas! |
No encontro da segunda mão os checoslovacos ainda tentaram o impossível, e aos 30 minutos do primeiro tempo já haviam marcado dois golos - por Nejedly e por Donati, este último um auto-golo - que traziam esperança ao combinado de John Dick. Aos 15 minutos da segunda parte Podrazil fez o 3-0 final, resultado insuficiente para afastar o vice-campeão de Itália.
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| Cesarini, o argentino naturalizado italiano que se consagrou como o melhor marcador da edição de 1932 da Mitropa, com 5 golos |
A última equipa a juntar-se ao leque de semi-finalistas foi o Slavia de Praga, conjunto que afastou os campeões da Áustria, o Admira de Viena, por um resultado global de 3-1.
Batalhas campais em Praga e em Turim deixam Bologna sem adversário na final
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| Aqui se prepara um jogador do Sparta para ceifar de forma violenta um italiano. Imagens como esta foram uma constante ao longo da meia final |
Uma semana mais tarde, no Hohe Warte Stadium, em Viena, os austríacos fizeram uma exibição de gala, um jogo perfeito, que mesmo assim não chegou para ir além de uma magra e insuficiente vitória por 1-0.
Números e nomes:
Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)
Slavia Praga (Checoslováquia) - Admira Viena (Áustria): 3-0/0-1
Bologna (Itália) - Sparta Praga (Checoslováquia): 5-0/0-3
Juventus (Itália) - Ferencvaros (Hungria): 4-0/3-3
First Viena (Áustria) - Ujpest (Hungria): 5-3/1-1
Meias-finais (1ª e 2ª mãos)
Bologna (Itália) - First Viena (Áustria): 2-0/0-1
Slavia Praga (Checoslováquia) - Juventus (Itália): 4-0/0-2*
*Nota: Ambas as equipas foram desqualificadas pela organização devido à conduta violenta exibida durante a eliminatória, facto que permitiu ao outro finalista, o Bologna, sair desde logo vencedor desta edição de 1932
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| Il Grande Bologna dos anos 30, uma das mais virtuosas equipas da história do Calcio que em 1932 venceu a primeira de duas Taças Mitropa (nota: na imagem aparece a equipa de 1932) |
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