terça-feira, março 25, 2008

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (5)... Gomes Amaro

Voltamos hoje à galeria dos grandes mestres do jornalismo desportivo para fazer uma pequena alusão a uma lenda da rádio portuguesa, um homem que me habituei a ouvir desde pequeno e por quem nutro uma grande admiração. Falo do popular e conhecido Gomes Amaro, um cidadão brasileiro radicado no nosso país desde os anos 70 e que ficou conhecido pelos seus excêntricos e animados relatos de futebol.
Da sua boca saíram expressões que ficarão imortalizadas nos meandros dos relatos de futebol, tais como: "Vai busca-la Tibi" (aludindo ao antigo guarda-redes do FC Porto quando este ia buscar a bola ao fundo da suas redes depois de ter sofrido um golo); "a bola de couro" (quando se referia ao esférico), "o guarda-balas" (guarda-redes); ou "o barbante" (baliza).
Acompanhou sempre o FCPorto e a selecção portuguesa, relatou durante muitos anos em várias estações de rádio, tais como a Rádio Porto, a Rádio Press e terminou a sua carreira na Rádio Festival, sempre para o Quadrante Norte, empresa responsável pelo programa.
Actualmente tem um programa na televisão, mais precisamente no Porto Canal, intitulado de "Tribunal". Neste programa (que passa todos os domingos à noite, por volta das 23 horas) Gomes Amaro atende os telefonemas dos espectadores que deixam a sua análise – em directo- aos factos referentes à jornada mais recente do Campeonato Português.

quarta-feira, março 19, 2008

Grandes Clássicos da Bola (4)... Itália-Brasil (3-2)

Apesar de belo e apaixonante o futebol é tudo menos um jogo onde o conceito de justiça nem sempre tem lugar reservado. Ou seja, muitas das vezes nem sempre vence quem fez por o merecer, quem lutou mais para alcançar o triunfo, o que leva muita gente a proferir o chavão de que "o futebol é por vezes muito injusto".
E hoje vamos recordar uma das maiores injustiças futebolísticas de que há memória. Vamos por isso fazer uma viagem até 1982, mais precisamente ao Campeonato do Mundo da FIFA, que nesse ano decorreu em Espanha. Um Mundial que desde o seu começo estava destinado a ser conquistado por uma selecção, uma mágica equipa que dava pelo nome de Brasil, o conjunto que encantou o Mundo com o seu belo futebol. Dizem os experts da bola que a par da selecção canarinha campeã do Mundo em 1970, a qual era integrada por lendas como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, ou Carlos Alberto, a equipa de 1982 é a melhor de sempre do país do samba. Uma equipa orientada pelo mestre Telê Santana, um dos técnicos mais carismáticos de todos os tempos no Brasil, a qual tinha jogadores como Falcão, Júnior, Cerezo, Éder, Sócrates, Luizinho, e o mago Zico. Poucos eram aqueles que duvidavam que esta equipa seria a campeã do Mundo de 1982, não só pelo seu poderio e charme futebolístico como também pelo facto de que os grandes opositores dos brasileiros ao título mundial estavam a desiludir em terras castelhanas.
No entanto, nesse ano ficou provado que no futebol nada é certo por antecipação, ou seja, que é preciso esperar pelo apito final do árbitro para se ter certezas do que quer que seja. E exemplo disso foi o que se passou na tarde escaldante de 5 de Julho de 1982, tendo como cenário o já demolido Estádio de Sarriá, em Barcelona, palco onde se defrontavam Brasil e Itália, um jogo a contar para a 3ª e última jornada do Grupo C da 2ª fase da competição. Aos brasileiros bastava um empate para se qualificarem para as meias-finais, ao passo que os transalpinos teriam forçosamente de vencer para seguirem em frente. A tarefa da Itália não era nada fácil, muito pelo contrário, não só porque defrontava a melhor equipa desse Mundial, e quiçá do Mundo inteiro daquela época, mas também porque havia realizado uma primeira fase miserável, cedendo três empates escandalosos contra equipas de pequena/média dimensão internacional, casos do Perú, Camarões e Polónia.
O Sarriá apresentava-se cheio como um ovo, na espectativa de ver mais um recital de bola protagonizado pelos canarinhos. As equipas entram em campo, a bola começa a rolar e para surpresa geral os italianos adiantam-se no marcador quando estavam decorridos apenas cinco minutos por intermédio de um avançado que até então tinha praticamente passado despercebido nos relvados espanhóis, de seu nome Paolo Rossi.
O Brasil puxa então dos seus galões e aos 12 minutos iguala o marcador, através do genial Sócrates. A partida estava animada, jogada a um ritmo diabólico. Ao minuto 23 Rossi silencia de novo o Sarriá, fazendo o 2-1 para a Itália, resultado com que se atingiu o intervalo.
Com um futebol jogado ao ritmo do samba o Brasil empata de novo aos 23 minutos da etapa complementar, por intermédio de Falcão, e poucos julgavam que os canarinhos não estivessem nas meias-finais. Contudo, um endiabrado Paolo Rossi tratou de protagonizar umas das maiores surpresas, e porque não dizê-lo injustiças, da história do futebol, quando aos 76 minutos bateu pela terceira vez naquela tarde o guardião Wladir Peres e carimbou o passaporte da azzurra para as semi-finais do Mundial ao fazer o 3-2 final. Italianos que viriam a sagrar-se mais tarde campeões do Mundo, após vencerem em Madrid a Alemanha Ocidental por 3-1. Nos escritos históricos da FIFA quando se fala nesse célebre jogo entre brasileiros e transalpinos pode ler-se a seguinte frase: "Brasil brilha, mas Rossi ganha o ouro para a Itália". A melhor selecção do Mundo perdia com aquela que iria ficar com o troféu na final contra todas as previsões. A partida, é ainda hoje uma das mais vivas na memória desportiva brasileira, ficando conhecida como a "Tragédia do Sarriá".

Ficha do Jogo
Jogo disputado no Estádio Sarriá, em Barcelona, em 5/7/1982
Assistência: 44 000 espectadores
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Itália: Zoff, Gentile, Cabrini, Collovati (Bergomi), Scirea, Tardelli (Marini), Antognoni, Oriali, Conti, Paolo Rossi, Graziani. Treinador: Enzo Bearzot.
Brasil: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior, Cerezo, Falcão, Zico, Serginho (Paulo Isidoro), Sócrates, Éder. Treinador: Telê Santana.
Golos: Paolo Rossi (5', 25', 74'), Sócrates (12') e Falcão (68').
Legenda das fotografias:
1- Paolo Rossi na condição da bola perseguido por Júnior
2- A mágica selecção do Brasil
3- A equipa italiana
4- Zico é marcado por Gentile

segunda-feira, março 10, 2008

Efemérides do Futebol (2)...

O primeiro guarda-redes a marcar um golo num jogo internacional

O escocês James McAulay (1860-1943) foi um dos mais brilhantes guarda-redes do futebol escocês, tendo defendido a baliza do seu país por oito vezes, a partir de 1883. Antes disso, em 1882, quando a Escócia derrotou o País de Gales por 5-0, em Glasgow, no dia 25 de Março, McAulay fez a sua estreia internacional como... avançado-centro, tendo marcado um golo. Este guardião do Dumbarton FC também demonstrou a sua veia goleadora ao serviço deste clube em diversas ocasiões. Engenheiro de profissão terminou prematuramente a sua carreira desportiva quando em 1887 foi trabalhar para a Birmania (actualmente conhecida como Myanmar).

quarta-feira, março 05, 2008

Catedrais Históricas (6)... Camp Nou

É uma das catedrais mais belas e míticas do futebol mundial. A sua grandeza e imponência fazem dela uma autêntica fortaleza para a equipa que nela actue e um inferno para os que a visitam. Falamos hoje do Camp Nou, o estádio do FC Barcelona.
Antes de mais dizer que Camp Nou significa "Campo Novo" em língua catalã, apelido dado pelos adeptos barcelonistas na altura da inauguração do recinto, sendo que o nome oficial do estádio é: Estadi Futbol Club Barcelona.
Inaugurado em 24 de Setembro de 1957, quando o FC Barcelona abandonou o seu antigo Estádio de Les Corts, por este ser muito pequeno, a primeira partida no novo estádio foi um amigável entre o Barça e uma selecção de Varsóvia, com a vitória a sorrir aos catalães por 4-2. No primeiro jogo oficial, referente à 2ª jornada do Campeonato Espanhol de Futebol da temporada 1957/58, entre o FC Barcelona e o Real Jaén, o resultado final cifrou-se num expressivo 6-1 para os donos da casa.
O Camp Nou foi projectado pelo arquitecto Francese Mitjans (1909-2006), nascido na cidade de Barcelona.
Desde a sua criação o estádio passou já por inúmeras reformas. Em 1981, foi ampliado para 150 mil lugares com vista a acolher alguns jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 1982, disputado em Espanha. Em 1998, visando obedecer às normas da UEFA, substituiu as áreas onde os adeptos ficavam de pé por assentos, diminuindo desta forma a sua capacidade para os actuais 98 797 lugares.
O Camp Nou é um dos estádios espanhóis catalogados com "Cinco Estrelas" pela UEFA.
No estádio estão localizados a sede social e administrativa do FC Barcelona e o museu do clube. Fora isso, o complexo desportivo conta com um outro estádio, o "Mini Estadi" (com 20 mil lugares), um ginásio multiuso para oito mil pessoas e dormitórios para os jogadores das categorias de base do Barça.
Para além de ser o palco de todos os jogos do FC Barcelona, o Camp Nou tem sido cenário de diversos eventos, tanto desportivos como sociais e culturais. Entre outros, foi um dos estádios espanhóis onde se disputou a fase final do Europeu de futebol de 1964, realizado em Espanha, tendo recebido um total de dois jogos, ou seja, uma partida meia-final (URSS – Dinamarca, que terminou 3-0 a favor dos soviéticos) e a disputa dos 3º e 4º lugares (Hungria – Dinamarca, que terminou 3-1 a favor dos magiares.
Foi também palco de cinco jogos do Mundial de 1982, entre eles: a partida de abertura, entre a então campeã mundial Argentina e a Bélgica, com vitória belga por 1-0, e uma das meias-finais entre a Itália e a Polónia, com vitória italiana por 2-0.
O torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 1992, realizados em Barcelona, teve a sua final no Camp Nou, com vitória da selecção da Espanha sobre a Polónia por 3-2.
O estádio foi ainda palco, em duas ocasiões, da final da Liga dos Campeões da UEFA. Em 24 de Maio de 1989, o AC Milan venceu o FC Steaua Bucareste por 4-0, e em 26 de Maio de 1999, o Manchester United derrotou o FC Bayern Munique por 2-1.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Emblemas Históricos (8)... New York Cosmos

Quando falamos em galáticos, ou em equipas galáticas, o primeiro nome que nos vem à cabeça é o de Real Madrid, clube que há quatro ou cinco anos juntou na mesma equipa jogadores fabulosos como Raul, Casillas, Roberto Carlos, Luís Figo, Zidane, Ronaldo, e mais tarde David Beckham. No entanto, o clube merengue não foi o único no Mundo a reunir tantos nomes famosos no mesmo plantel. Na verdade, três décadas antes um emblema totalmente desconhecido do planeta da bola construiu uma equipa recheada de grandes deuses do esférico, uma equipa que se tornou num autêntico dream team, capaz de desafiar não só outros clubes do seu país como do estrangeiro. Um clube que hoje não passa de uma lenda, de uma mera e boa recordação, pois já foi extinto, e que dá pelo nome de New York Cosmos. É verdade, voltamos aos Estados Unidos da América, e ao seu soccer, que tem sido, como os ilustres visitantes bem sabem, um alvo particular do meu interesse futebolístico.
E o New York Cosmos foi o grande expoente do futebol estado-unidense das décadas de 70 e 80 do século passado, um clube que cativou grandes deuses da bola em idade de pré-reforma, chamemos-lhe assim.
A ideia da fundação do New York Cosmos, ou também simplesmente conhecido como Cosmos, partiu dos irmãos Nesuhi Ertegün e Ahmet Ertegün, ambos nascidos em Istambul, na Turquia. Os irmãos Ertegün foram os fundadores da Atlantic Records e depois que a gravadora foi comprada pela Warner Communications, actual Time Warner, sugeriram a Steve Ross, presidente da companhia, a criação de um clube de futebol por acreditarem na viabilidade económica da North American Soccer League (NASL). O Cosmos aderiu à NASL em 10 de Dezembro de 1970, tendo realizado o primeiro jogo oficial a 17 de Abril de 1971 diante do Saint Louis Stras, tendo o encontro terminado com a vitória do Cosmos por 2-1.
O nome do clube foi idealizado pelo inglês Clive Toye, o primeiro director do emblema nova-iorquino. A inspiração veio dos New York Mets, equipa de beisebol. Da mesma forma que “Mets” era uma abreviatura de “Metropolitans”, Toye optou por “Cosmos”, como abreviatura de “Cosmopolitans”, e o clube foi então baptizado como New York Cosmos.
Foi também por sugestão de Toye, que as cores iniciais do Cosmos foram o verde e o amarelo, em homenagem à selecção brasileira que em 1970 venceu o Campeonato do Mundo do México. O verde e o amarelo permaneceram até 1974, quando foram alterados para o branco e o verde, que foi utilizado até 1979. A partir de 1980, as cores passaram a ser o branco e o azul, permanecendo até 1984, quando o clube foi fechado.
No seu início o Cosmos era encarado como uma aventura e recebia pouco investimento. Contudo, aos poucos, Steve Ross empolgou-se com o projecto e com o dinheiro da Warner, o clube passou a contratar vários jogadores famosos, tais como Pelé, Beckenbauer, Chinaglia, Carlos Alberto Torres e Neeskens, chegando ao ponto de ter um elenco formado por 16 nacionalidades. O poder económico do Cosmos refletiu -se em várias conquistas desportivas tendo o clube tornado-se na marca mais famosa e vitoriosa da NASL conquistando 5 títulos nacionais (1972, 1977, 1978, 1980, 1982), um vice-campeonato (1981) nos 17 anos de funcionamento da liga. Ainda venceu três Trans-Atlantic Cups (1980, 1983, 1984). Durante os seus anos de existência, o Cosmos teve sempre uma das melhores médias de público da NASL, e entre 1977 e 1982 teve a maior média entre todas as equipas da NASL). Dos 20 jogos de maior público da história da NASL, 18 deles são jogos do Cosmos, sendo que a partida de maior público foi em 14 de Agosto de 1977, na partida do play-off contra Fort Lauderdale Strikers com uma assistência de 77.691 espectadores.
O clube encerrou as suas actividades a 15 de Setembro de 1984, quando realizou a sua última partida. Nos seus 14 anos de existência, o Cosmos disputou 359 partidas na NASL, vencendo 221, empatando 18 e perdendo 120, marcando 844 golos e sofrido 569.
Actualmente a marca “Cosmos” pertence a Giuseppe “Peppe” Pinton, ex-assessor de Girogio Chinaglia, que teria pago dois milhões de dólares por ela.
Hoje o Cosmos sustentase com a venda de souvenirs e com a renda de dois acampamentos de verão - que também são escolinhas de de futebol - localizados em Nova Iorque e Nova Jérsei.
O jogador que mais golos marcou pelo clube foi o italiano Giorgio Chinaglia, que jogou no Cosmos entre 1976 e 1983, actuando em 213 jogos e marcando 193 golos, sendo o maior artilheiro da NASL de todos os tempos e o maior goleador da NASL nos anos de 1976, 1978, 1980, 1981 e 1982.
A maior goleada obtida pelo Cosmos foi num jogo amigável contra o Malmo, da Suécia, em 1975, por 12 a 1. O maior jogador holandês de sempre, Johan Cruyff, fez uma única partida pelo Cosmos, em 1978. O adversário foi uma selecção formada por jogadores que participaram no Mundial de 1978 (com excepção dos jogadores da Argentina, campeã dessa competição). O resultado foi 2-2 e além do golaço marcado Chinaglia, a partida é lembrada pela exibição magnífica de Cruyff, eleito o homem do jogo.
De facto, são poucos os clubes no Mundo que se podem orgulhar de ter a defender o seu emblema estrelas como Beckenbauer, Chinaglia, Carlos Alberto Torres, Neeskens, Cruyff, ou o rei Pelé. Jogadores que mesmo apesar de estarem numa fase descendnete das suas brilhantes carreiras deram um brilho especial a um clube e sobretudo a um país onde o futebol nunca foi muito admirado.

Legenda das fotografias:

1- Emblema do New York Cosmos

2- A maior estrela do clube de todos os tempos: Pelé

3- O maior goleador de sempre do emblema nova-iorquino: Giorgio Chinaglia

4- O Kaiser Beckenbauer também vestiu a camisola do Cosmos

5- O holandês Cruyff efectuou um único jogo pelo Cosmos

6 - Nas fotos seguintes temos os plantéis das equipas campeãs da NASL das épocas de 1971, 1976, 1977, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Estrelas cintilantes (12)... Lucien Laurent

O seu nome ficará perpetuado na história do desporto rei, em especial a dos Campeonatos do Mundo de Futebol. Da sua autoria foi o primeiro golo numa fase final de um Mundial, um feito ocorrido em Montevideo, no Uruguai, em 1930. Falamos de Lucien Laurent, um cidadão francês nascido a 10 de Dezembro de 1907, em Saint-Maur-des-Fossés, uma localidade situada nos arredores de Paris. Entre 1921 e 1930 Laurent jogou no clube semi-profissional Cercle Athlétique de Paris, assinando mais tarde pela equipa do Sochaux, clube que como se sabe está ligado à empresa de automóveis Peugeut, onde Laurent era empregado.
E voltando ao Uruguai, em 1930, para dizer que no jogo de abertura do primeiro Mundial da Fifa, entre a França e o México, este mediano jogador francês, até então totalmente desconhecido, entrou para a história. Corria o minuto 19 desse encontro quando Laurent num remate em vólei apontou o primeiro golo desse encontro, e desse Mundial. Este feito o primeiro golo da história de um Campeonato do Mundo. A França venceria esse jogo por 4-1, tendo perdido a possibilidade de apuramento para a segunda fase da prova após ter sido derrotada posteriormente pela Argentina e pelo Chile.
Lucien Laurent jogou por 10 vezes com a camisola da França, tendo apontado apenas um golo, precisamente o do Mundial de 1930. Com a chegada da II Grande Guerra Mundial foi chamado pelo exército francês, tendo sido feito prisioneiro pelos alemães durante três anos.
Como futebolista jogaria ainda pelo Club Français (entre 1933 e 1934), FC Mulhouse (entre 1935 e 1936), Rennes (entre 1937 e 1939), Estrasburgo (entre 1939 e 1943), Toulouse (1937, e entre 1943 e 1946), terminado a sua carreira no Besançon, em 1946. Morreria com a bonita idade de 97 anos, a 11 de Abril de 2005.

Legendas das fotografias:
1- Lucien Laurent
2- Equipa da França no Mundial de 1930, Laurent é o segundo da fila de baixo da direita para a esquerda
3- A nossa estrela com a bonita idade de 97 anos

Vídeo: ENTREVISTA COM LUCIEN LAURENT

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Emblemas Históricos (7)... Aberdeen FC

De novo na vitrina dedicada aos grandes emblemas do futebol para falar hoje um pouco de um histórico do futebol escocês, o Aberdeen Football Club. Fundado em 1903 (resultante da fusão de três clubes da cidade, o Aberdeen, o Victoria United e o Orion) os reds, como são popularmente conhecidos, são o terceiro maior clube da Escócia, a seguir aos colossos de Glasgow, o Celtic e o Rangers.
Atingiu a fase de maior sucesso na década de 80, altura em que comandados por um jovem, e até então desconhecido, técnico, de seu nome Alex Ferguson, que hoje em dia é o que se sabe, ou seja, um dos mais conceituados e laureados treinadores do Mundo, conquistou uma Taça dos Vencedores das Taças, mais precisamente na temporada de 1982/83, tendo derrotado em Gotemburgo o histórico Real Madrid por 2-1. Nessa equipa figuravam nomes históricos do futebol escocês como o guardião Jim Leighton, Alex McLeish, ou Gordon Strachan. Ainda em 1983 venceria a Supertaça Europeia depois de derrotar no total das duas mãos o Hamburgo, por 2-0. Este seria o último triunfo, até à data, de uma equipa da Escócia no Velho Continente.
Em termos internos o Aberdeen conquistou a Liga Escocesa (Scottish League) por quatro ocasiões, mais precisamente nas épocas de 1954/55, 1979/80, 1983/84 e 1984/85. Por sete vezes levantou a Taça da Escócia, em 1946/47
, 1969/70, 1981/82, 1982/83, 1983/84, 1985/86 e 1989/90. A última grande conquista dos Dons (outra das alcunhas pelo qual são conhecidos) foi a Taça da Liga Escocesa de 1995/96. Esta prova seria ainda conquistada pelo clube em mais quatro ocasiões, em 1955/56, 1976/77, 1985/86 e 1989/90.
Actualmente o clube vive na sombra dos gigantes de Glasgow, tal como outros clubes da Liga Escocesa, sendo todas as épocas o seu principal objectivo a qualificação para uma prova europeia. Em termos de números o Aberdeen esteve presente por três vezes na Taça/Liga dos Campeões Europeus, tendo aqui disputado 12 jogos, atingindo como melhor resultado os quartos-de-final na temporada de 1985/86. Na extinta Taça dos Vencedores das Taças esteve em oito ocasiões, disputou 39 jogos, e como já vimos venceu a competição em 1982/83. Finalmente, na Taça Uefa participou em 15 ocasiões e disputou 50 jogos, tendo como melhor resultado a 3ª eliminatória, patamar que atingiu por duas vezes.
Ao longo destes mais de 100 anos de vida foram muitos os nomes que vestiram a mágica camisola encarnada do Aberdeen, o guarda-redes Jim Leighton, como já vimos, foi um deles, sendo o jogador do clube mais internacional pela selecção da Escócia, com 91 presenças. Willie Miller (jogador com mais presenças na Liga Escocesa pelo clube, mais precisamente 556 jogos) e Joe Harper (jogador com mais golos marcados pelos Dons, 205) são outros dos históricos nomes do clube.
O recinto de jogos da equipa é o Pittodrie Stadium, com capacidade para 22.199 espectadores.


Legendas das fotografias:
1- Emblema do Aberdeen FC
2- Festejos dos Reds após o triunfo na final da Taça das Taças de 1983
3- A casa do clube escocês

domingo, janeiro 27, 2008

As Eurotaças em números (10)... Taça/Liga dos Campeões Europeus 1963/64

Época 1963/64

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

Partizani Tirana (Albânia) - Plovdiv (Bulgária): 1-0 / 1-3
Dukla Praga (Checoslováquia) - La Valleta (Malta): 6-0 / 2-0
Dinamo Bucareste (Roménia) - Carl Zeiss Jena (Alemanha Oriental): 2-0 / 1-0
Partizan Belgrado (Jugoslávia) - Anorthosis (Chipre): 3-0 / 3-1
Gomik Zabrze (Polónia) - Áustria Viena (Áustria): 1-0 / 0-1 / 2-1 (desempate)
Galatasaray (Turquia) - Ferencvaros (Hungria): 6-0 / 0-2
Distillery (Irlanda do Norte) - SL Benfica (Portugal): 3-3 / 0-5 (golos lusos: Serafim (2) e Eusébio / Eusébio (2), Simões, Yaúca e Serafim)
Valkeaksken (Finlândia) - Jeunesse Esch (Luxemburgo): 4-1 / 0-4
Standard Liège (Bélgica) - Norrkoping (Suécia): 1-0 / 0-2
Everton (Inglaterra) - Inter (Itália): 0-0 / 0-1
Skeid Lyn (Noruega) - Borussia Dortmund (Alemanha Ocidental): 2-4 / 0-2
Esbjerg (Dinamarca) - PSV (Holanda): 3-4 / 1-7
FC Zurich (Suíça) - Dundalk (Rep.Irlanda): 3-0 / 1-2
Glasgow Rangers (Escócia) - Real Madrid (Espanha): 0-1 / 0-6
Mónaco (França) - AEK Atenas (Grécia): 7-2 / 1-1

2ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

SL Benfica (Portugal) - Borussia Dortmund (Alemanha Ocidental): 2-1 / 0-6 (golos lusos: Simões e Eusébio)
Plovdiv (Bulgária) - PSV (Holanda): 0-1 / 0-0
Dinamo Bucareste (Roménia) - Real Madrid (Espanha): 1-3 / 3-5
FC Zurich (Suíça) - Galatasaray (Turquia): 2-0 / 0-2 / 2-2 (FC Zurich venceu por sorteio)
Jeunesse Esch (Luxemburgo) - Partizan Belgrado (Jugoslávia): 2-1 / 2-6
Gomik Zabrze (Polónia) - Dukla Praga (Checoslováquia): 2-0 / 1-4
Norrkoping (Suécia) - Milan (Itália): 1-1 / 2-5
Inter (Itália) - Mónaco (França): 1-0 / 3-1

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

Real Madrid (Espanha) - Milan (Itália): 4-1 / 0-2
PSV (Holanda) - FC Zurich (Suíça): 1-0 / 1-3
Dukla Praga (Checoslováquia) - Borussia Dortmund (Alemanha Ocidental): 0-4 / 3-1
Partizan Belgrado (Jugoslávia) - Inter (Itália): 0-2 / 1-2

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

FC Zurich (Suíça) - Real Madrid (Espanha): 1-2 / 0-6
Borussia Dortmund (Alemanha Ocidental) - Inter (Itália): 2-2 / 0-2

Final

Inter (Itália) - Real Madrid (Espanha): 3-1

Data: 27 de Maio de 1964
Estádio: Prater, Viena (Áustria)
Árbitro: Stoll (Áustria)
Inter: Sarti, Burgnich e Facchetti, Tagnin, Guameri e Picchi, Jair, Mazzola, Milani Suarez e Corso. Treinador: Helenio Herrera
Real Madrid: Vicente, Isidro e Pachín, Muler, Santamaria e zoco, Amaro, Felo, Di Stéfano, Puskas e Gento. Treinador: Miguel Muñoz
Golos: 1-0 (Mazzola, aos 43m), 2-0 (Milani, aos 60m), 2-1 (Felo, aos 70m), 3-1 (Mazzola, aos 76m)
Inter sucedeu ao vizinho e rival Milan como a equipa "número 1" da Europa...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (4)... Homero Serpa

Vamos hoje dar um pequeno passeio até à vitrina onde estão expostos os grandes homens da comunicação social desportiva nacional para conhecer mais um vulto desta área da qual ainda sou um humilde aprendiz. Um homem que deixou o mundo dos vivos muito recentemente e que dá pelo nome de Homero Serpa.
Nasceu em 1927, na freguesia de Belém, em Lisboa, e colaborou em diversas publicações desde O Mosquito (jornal infantil) até ao jornal A Bola, além de longo tempo de colaboração dispersa por Gazeta do Sul, República, Diário de Lisboa, Diário Popular, revista Lisboa Carris (da qual foi director) e O Setubalense.
Entrou no jornalismo desportivo, nos anos 50, altura em que o Clube de Futebol Os Belenenses fundou o seu jornal, no qual desempenhou, mais tarde, o cargo de redactor principal. Em Abril de 1955, iniciou-se em A Bola, onde ao longo de mais de 50 anos de ligação com esta nobre publicação foi redactor, subchefe de redacção, chefe-adjunto e chefe de redacção. Aposentado, comprometeu-se a manter a publicação de uma crónica semanal nesse mesmo periódico que actualmente é dirigido pelo seu filho, Vítor Serpa. Foi ainda redactor-fundador de A Bola Magazine e seu chefe de redacção.
Recebeu o Prémio da Reportagem atribuído pelo Clube de Jornalistas do Porto (1993), a Medalha de Mérito Desportivo, a Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Oeiras, o diploma de sócio honorário do Clube de Futebol Os Belenenses (2003) e o Prémio «O Pepe», instituído pelo clube azul (1983).
Faleceu, no último dia do ano passado, aos 80 anos, vítima de doença prolongada.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Lista de Campeões... Copa América

É a segunda competição disputada por selecções nacionais mais antiga do Mundo, surgindo pouco atrás do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos, cuja primeira edição foi realizada em 1908. A Copa América é a principal competição entre selecções de futebol das nações da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). que foi disputada pela primeira vez entre 2 de Julho e 17 de Julho de 1916, como parte das comemorações do centenário da independência da Argentina. A CONMEBOL foi fundada durante este evento, em 9 de Julho (Dia da independência da Argentina). O campeonato era previamente conhecido como Campeonato Sudamericano de Selecciones, e recebeu o nome usado hoje em dia em 1975. Entre 1975 e 1983 não teve sede e era disputado no estilo ida-e-volta. Em 1959 disputaram-se duas edições da competição. As nações que normalmente participam são: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Perú, Equador, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Desde 1993, duas seleções de outras federações são convidadas para participar em cada edição, tais como México, Costa Rica, Honduras, Estados Unidos da América e o Japão. O país com mais títulos alcançados na prova é a Argentina, com 16 triunfos. A Argentina foi também o país que mais vezes organizou a fase final da Copa América, 9 no total. Apenas dois países da América do Sul ainda não inscreveram o seu nome na extensa lista de vencedores, nomeadamente o Equador e a Venezuela. Seguidamente iremos apresentar as fotografias de todos os vencedores da mais prestigiada prova de futebol do continente americano.


1916: Campeão: URUGUAI/País organizador: Argentina
1917: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai
1919: Campeão: BRASIL/País organizador: Brasil
1920: Campeão: URUGUAI/País organizador: Chile1921: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Argentina
1922: Campeão: BRASIL/País organizador: Brasil
1923: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai1924: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai
1925: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Argentina
1926: Campeão: URUGUAI/País organizador: Chile
1927: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Perú
1929: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Argentina
1935: Campeão: URUGUAI/País organizador: Perú1937: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Argentina
1939: Campeão: PERÚ/País organizador: Perú1941: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Chile
1942: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai
1945: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Chile
1946: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Argentina
1947: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Equador
1949: Campeão: BRASIL/País organizador: Brasil1953: Campeão: PARAGUAI/País organizador: Perú1955: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Chile1956: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai
1957: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Perú
1959: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Argentina
1959: Campeão: URUGUAI/País organizador: Equador
1963: Campeão: BOLÍVIA/País organizador: Bolívia
1967: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai
1975: Campeão: PERÚ/País organizador: não houve1979: Campeão: PARAGUAI/País organizador: não houve1983: Campeão: URUGUAI/País organizador: não houve1987: Campeão: URUGUAI/País organizador: Argentina
1989: Campeão: BRASIL/País organizador: Brasil1991: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Chile
1993: Campeão: ARGENTINA/País organizador: Equador
1995: Campeão: URUGUAI/País organizador: Uruguai
1997: Campeão: BRASIL/País organizador: Bolívia
1999: Campeão: BRASIL/País organizador: Paraguai

2001: Campeão: COLÔMBIA/País organizador: Colômbia
2004: Campeão: BRASIL/País organizador: Perú
2007: Campeão: BRASIL/País organizador: Venezuela
2011: Campeão: URUGUAI/País organizador: Argentina
2015: Campeão: CHILE / País organizador: Chile 
*2016: Campeão: CHILE / País organizador: Estados Unidos da América (*Edição especial do Centenário da Copa América)
2019: Campeão: BRASIL / País organizador: Brasil
2021: Campeão: ARGENTINA / País organizador: Brasil
2024: Campeão: ARGENTINA / País organizador: Estados Unidos da América