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| A equipa do Lusitano em 1926 |
Reza a história que foi por volta de 1908 que um jovem evorense de nome Miranda terá introduzido o futebol na capital do Alto Alentejo. Miranda ter-se-á encantado pelo Belo Jogo em Lisboa, cidade onde então estudava, sendo que numa das visitas à sua terra natal terá ensinado alguns rapazes locais as regras do football. O Largo da Porta de Machede e o Largo dos Colegiais terão sido os primeiros palcos onde a bola foi protagonista em Évora por iniciativa do jovem Miranda, sendo que um ano mais tarde a Casa Pia evorense abraça oficialmente o futebol, podendo esta ser considerada a primeira instituição oficial da cidade a praticar e a divulgar a modalidade. Estava dado assim o pontapé de saída, tendo nos anos seguintes o futebol expandindo-se com naturalidade um pouco por toda a cidade. Criaram-se grupos/clubes que entre si deram vida aos primeiros duelos e consequentes conquistas. O Sport Vitória Académico, grupo oriundo do Liceu de Évora, é o primeiro a deter estruturas próprias muito graças à boa vontade de Augusto Barbosa Cabeça Ramos, grande proprietário e comerciante da cidade, e vence os primeiros torneios ali realizados nas épocas de 1912/13 e de 1913/14. A popularidade do futebol em Évora cresceu a um ritmo alucinante, não sendo de admirar a criação sistemática de novos clubes/grupos um pouco por toda a cidade e nos arredores desta. Muitos nasciam num dia e despareciam no outro, sendo de imediato substituídos por outros que mais dia menos dia levavam o mesmo caminho.
Outros, porém, nasceram e perduram até aos dias de hoje, como foi o caso do Lusitano, fundado na peculiar data de 11 de novembro de 1911 (11/11/11), por um grupo de estudantes e marçanos sob o lema “fazer forte fraca gente”. Como já foi referido, o fascínio pelo jogo rapidamente se alargou a toda a região, sendo 1914 um ano que exemplifica esse crescimento, ano este em que um comerciante de nome Manuel Fernandes Canhão sai de Évora rumo a Montemor-o-Novo com o duplo objetivo de ali se estabelecer sob o ponto de vista profissional e de criar uma equipa de futebol que fosse capaz de rivalizar com os grupos eborenses. Assim nascia o Grupo União Sport. Claro que por esta altura os matchs não tinham a matriz de campeonatos ou algo parecido, já que eram disputados no seguimento de convites entre os clubes. Só em 1917 surgiu aquela que podemos considerar a primeira entidade que chamou a si a organização de campeonatos/torneios, a Liga Eborense de Football, com sede no n.º 4 da praça do Sertório, nº 4, em Évora. Foi esta entidade que em 1917/18 organiza o primeiro campeonato de Évora que teve como campeão o Lusitano. Foi precisamente em 1918 que iria nascer aquele que viria a ser o grande rival dos lusitanistas no futuro, o Juventude Sport Clube. Voltando ao Campeonato de Évora, este ganha popularidade e competitividade imediata, tendo a edição de 1918/19 sido patrocinado pelos armazéns do Chiado, que ofereceram a Taça de Bronze Chiado ao campeão dessa temporada, a Casa Pia de Évora. No início dos anos 20 surgem na capital do Alto Alentejo algumas entidades que rivalizam com a Liga Evorense de Football na dinamização da modalidade através da organização de competições, como foi o caso da Federação Eborense de Sports (fundada em 1921). No início de 1926 é fundada a Associação Eborense de Sports que passa a tutelar o futebol na região, entidade esta que em setembro desse ano passa a ter a concorrência, digamos, da Associação de Futebol de Desportos Atléticos do Distrito de Évora, a qual nos finais de 1926 passa a designar-se por ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DE ÉVORA (AFE).
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| Praça do Sertório, onde nasce a AFE |
Cumprem-se assim 100 anos em 2026 da fundação desta entidade que de pronto passou a centrar em si os destinos do futebol do Distrito de Évora. É por este meio que podemos dizer que o pontapé de saída oficial das competições de futebol do citado distrito aconteceu há um século atrás, na época de 1926/27, com a realização do PRIMEIRO CAMPEONATO DISTRITAL. Participaram duas equipas de Évora, o Lusitano e o Império; outros tantos conjuntos de Estremoz, o Luso e o Estremoz FC; e o Grupo União Sport, de Montemor-o-Novo. O Juventude de Évora, que era então o campeão em título da Liga Eborense, decidiu não competir alegando que a AFE não cumpria os regulamentos ao permitir a participação de clubes que tinham nos seus respetivos grupos jogadores que competiam noutras competições espalhadas pela região. Alguns contratempos aconteceram no decorrer desta primeira edição, com desistências a meio dos jogos, uma ou outra falta de comparência, factos que fizeram com que nem todas as equipas tivessem terminado o campeonato com o mesmo número de jogos. Só dois conjuntos disputaram todos os encontros da prova, o Lusitano e o União Sport de Montemor. Ambos chegariam ao fim com o mesmo número de pontos somados, 21, pelo que a AFE para desempatar a contenda decidiu realizar uma finalíssima entre os dois emblemas em campo neutro. Acontece que esse campo neutro foi apontado para Évora, berço do Lusitano, tendo o União Sport contestado a decisão da associação e desistido de lutar pelo título, o qual por consequência seria atribuído ao Lusitano Ginásio Clube, o PRIMEIRO CAMPEÃO OFICIAL DE ÉVORA.



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