sexta-feira, maio 09, 2008

História dos Europeus de Futebol (1)... França 1960

Vamos dar hoje início a uma maravilhosa viagem pela não menos maravilhosa História dos Campeonatos da Europa de Futebol. À semelhança do que temos vindo a fazer com os Mundiais iremos relatar as principais histórias e factos da mais importante competição europeia. Inauguramos esta vitrina quando falta menos de um mês para na Áustria e na Suíça ter início a 13ª edição do Europeu de futebol. E como em todas as histórias vamos começar pelo início, isto é, por fazer uma viagem até 1955 ano em que o francês Henry Delauny, secretário-geral da UEFA, teve a ideia de criar uma competição continental ao nível de selecções. Na altura, eram disputados três grandes torneios no âmbito de selecções no Velho Continente, mais precisamente o Campeonato Internacional das Nações Britânicas (o qual juntava a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales, e a Irlanda do Norte), a Taça Nórdica (disputada pela Dinamarca, Finlândia, Noruega, e Suécia), e o Campeonato da Europa Central (no qual participavam a Áustria, Hungria, Checoslováquia, e a Suíça). E eis então que nesse ano de 1955 Delauny propôs a criação de um campeonato que agregasse todas as nações da Europa, uma ideia que no entanto não seria bem acolhida por muitas da potências futebolísticas europeias da época, casos das selecções britânicas, da Alemanha, da Itália, e ainda da Suécia. Ficou desde logo definido que a nova competição se passaria a denominar Taça da Europa das Nações, nome que seria definitivamente alterado para Campeonato da Europa de Futebol, em 1968. Ficou igualmente assente que a competição seria disputada de quatro em quatro anos, à semelhança do que acontecia com os Campeonatos do Mundo. Em termos de formato foi definido que a Taça da Europa das Nações seria disputada por rondas pré-eliminares até aos quartos-de-final (jogadas sempre a duas mãos), sendo que as meias-finais, o jogo dos 3º e 4º lugares, e a final eram consideradas as verdadeiras fase finais da competição, e seriam disputadas num dos quatro países qualificados para essa fase final. A primeira fase final, ou primeiro Europeu, se preferirem, foi disputado no ano de 1960, sendo que as eliminatórias começaram dois anos antes. O pontapé de saída foi dado em Dublin, na República da Irlanda, a 5 de Abril, num jogo entre a equipa da casa e a Checoslováquia, tendo o primeiro golo sido da autoria do irlandês Liam Tuohy. Até à fase final seriam realizadas mais 24 partidas. Refira-se que nesta primeira fase de qualificação inscreveram-se 17 países (República da Irlanda, Checoslováquia, União Soviética, Hungria, França Grécia, Roménia, Turquia, Noruega, Áustria, Jugoslávia, Bulgária, República Democrata da Alemanha, Portugal, Polónia, Espanha, e Dinamarca). E os primeiros participantes da fase final de um Europeu seriam a Checoslováquia, a União Soviética, a Jugoslávia, e a França. E seria a este último país que a UEFA entregaria a responsabilidade de acolher a fase final da nova competição.


Domínio dos países de leste na fase final

E eis que chegamos ao momento alto da nova competição continental, o momento em que quatro selecções iriam lutar pela conquista da Taça da Europa, um bonito troféu que seria mais tarde baptizado com o nome do mentor desta prova, Henry Delauny, que não chegaria a ver o seu sonho ser tornado em realidade, uma vez que faleceu algum tempo antes da fase final. E o pontapé de saída foi dado no majestoso Parques dos Príncipes, em Paris, a 6 de Julho de 1960, que recebeu as equipas da França e da Jugoslávia, em jogo referente à primeira meia-final da competição. Um jogo que ficaria para a história, não só porque se tratou do primeiro de uma fase final do Europeu mas também pela grandioso espectáculo protagonizado pelas duas equipas. Os franceses mesmo sem a sua maior estrela da altura, Just Fontaine, que dois anos antes havia brilhado no Mundial da Suécia, estavam convencidos que iriam demonstrar em campo toda a sua superioridade para assim chegar ao primeiro sucesso europeu. Não foi a ausência de Fontaine que afectou a exibição dos franceses que estiveram em grande parte do jogo à frente do marcador. O golo inaugural da fase final foi no entanto apontado pelos visitantes por intermédio da sua estrela maior, Milan Galic, aos 11 minutos. Um minuto depois Vincent igualou para a França, para aos 43 minutos François Heutte colocar os anfitriões pela primeira vez na frente. Na 2ª parte o espectáculo continuou e aos 53 minutos Wisniesky aumenta a vantagem da França. Contudo, do outro lado estava uma grande equipa que nunca se deu por vencida, e aos 55 minutos reduz a desvantagem por intermédio de Zanetic. A faltar menos de meia hora para o árbitro belga Gaston Grandain dar por terminado o jogo o Parque dos Príncipes entra em delírio com o quarto golo da equipa da casa, da autoria de François Heutte, que bisava assim na partida. Poucos acreditariam que Les Blues não estariam na grande final. Mas o sonho acabaria por virar pesadelo em apenas cinco minutos, com os jugoslavos a apontarem três golos e a colocarem o resultado final em 5-4 a seu favor, carimbando o passaporte para a final. Tomislav Knez, aos 75 minutos, e Drazen Jerkovic, aos 78 e 79 minutos, foram os homens que calaram o anfiteatro parisiense. A outra meia-final foi disputada em Marselha, no Stade Velodrome, entre soviéticos e checoslovacos. Um jogo onde os soviéticos liderados pelo grande guarda-redes Lev Yashin desde cedo deram mostras de querer vencer. As oportunidades de golos do jogo pertenceram-lhes quase todas, não sendo de estranhar que derrotassem a sua congénere da Checoslováquia por 3-0. A estes últimos nem a sua estrela-mor, Masopust, considerado um dos melhores jogadores do Mundo da época, lhes valeu. A grande estrela do jogo foi Yashin, apelidado pelos críticos do futebol como a "aranha-negra" e tido por muitos como o melhor guardião de sempre. Neste jogo defendeu uma grande penalidade.


O último lugar do pódio…


A 9 de Julho o Velodrome de Marselha recebia a partida para a apurar os 3º e 4º classificados. Ao campo subiam as equipas derrotadas nas meias-finais, França e Checoslováquia. Os franceses ainda abalados pelo "terramoto jugoslavo" dias antes entraram em campo com várias alterações no seu "onze". Para eles ser segundos no "seu" Europeu era igual a ser últimos. Postura diferente foi encarada pelos checoslovacos que entraram em campo com o pensamento na vitória desde o apito inicial. Além de que acabar a competição no último lugar do pódio era uma situação de algum prestígio. Os franceses arrastaram-se pelo campo durante todo o jogo, facto aproveitado pelos jogadores de leste para se adiantar no marcador aos 58 minutos por Bubnik. Acabariam por selar o triunfo a dois minutos do fim por intermédio de Pavlovic.


…e a grande final

A 10 de Julho o Parque dos Príncipes engalanou-se para receber os dois finalistas do evento. Sob a arbitragem do inglês Arthur Ellis soviéticos e jugoslavos entraram em campo com vontade de fazer história. Do lado dos soviéticos a transpiração, do dos jugoslavos a inspiração. É desta forma que se pode fazer a leitura desta final. O futebol rendilhado e mais técnico dos jugoslavos seria ultrapassado pelo rigor, pela força e pela frieza táctica soviética. Jugoslávia que aproveitando a sua frescura física se adiantou no marcador aos 43 minutos por Milan Galic. No segundo tempo a União Soviética puxou dos seus galões e empatou o jogo ao minuto 49, por Metreveli. Com alguma dificuldade a equipa jugoslava ainda conseguiu levar a decisão para prolongamento. E aos 113 minutos os soviéticos deram a machadada final ao apontar o segundo, por Victor Ponedelnik, sendo que para a desgastada Jugoslávia era já quase impossível dar a volta ao marcador. Comandados por Yashin, e influenciados por "astros" como Valentin Ivanov, e Igor Netto a União Soviética sagra-se assim a primeira CAMPEÃ DA EUROPA DE NAÇÕES. Os soviéticos foram uns vencedores justos, embora não tenham entusiasmado. Contudo, mereceram a vitória graças à sua condição física e determinação. E ainda por levarem o novo torneio mais a sério que outros.


Meias-finais


6 de Julho, em Paris
França – Jugoslávia: 4-5 (Vincent, 12’; Heutte, 43’ e 62’; Wisnieski, 53’) (Galic, 11’; Zanetic, 55’; Knez, 75’; Jerkovic, 78’ e 79’)


6 de Julho, em Marselha

Checoslováquia – União Soviética: 0-3 (Ivanov, 34’ e 56’; Ponedelnik, 66’)


Jogo dos 3º e 4º lugares


9 de Julho, em Marselha

Checoslováquia – França: 2-0 (Bubnik, 58’; Pavlovic, 88’)
Final 

10 de Julho, em Paris

União Soviética – Jugoslávia: 2-1

Árbitro: Arthur Ellis (Inglaterra)

União Soviética: Lev Yashin, Givi Chokheli, Anatoli Maslenkine, Anatoli Krutikov, Iouri Voinov, Igor Netto, Slava Matreveli, Valentin Ivanov, Victor Ponedelnik, Valentin Boubokine, e Mikhail Meshki. Treinador: Gavril Kachalin

Jugoslávia: Blagoge Vidinic, Vladimir Durkovic, Fahrudin Jusufi, Ante Zanetic, Jovan Miladinovic, Zeljko Perusic, Dragoslav Sekularac, Drazen Jerkovic, Milan Galic, Zeljko Matus, e Bora Kostic. Treinador: Ljubomir Lovric

Golos: Galic (43’), Metreveli (49’), e Ponedlenik (113’). Onze Ideal do Europeu:

Yashin (União Soviética) Durkovic (Jugoslávia) Masopust (Checoslováquia) Ivanov (União Soviética) Novak (Checoslováquia) Metreveli (União Soviética) Netto (União Soviética) Sekularac (Jugoslávia) Kostic (Jugoslávia) Galic (Jugoslávia) Ponedelnik (União Soviética) Melhores marcadores:*

Heutte (França) Galic (Jugoslávia) Jerkovic (Jugoslávia) Ivanov (União Soviética) Ponedelnik (União Soviética)

*todos com dois golosLegendas das fotografias:

1- Logotipo oficial do primeiro Campeonato da Europa de Futebol

2- A bonita taça que premeia o vencedor do Europeu, baptizada de Henry Delauny

3- Soviéticos saudam o público após garantirem o triunfo na final

4- O palco da primeira final do Euro: o Parque dos Príncipes, de Paris

5- Capitão soviético Netto ergue a taça

6- O lendário guarda-redes Lev Yashin, considerado a grande estrela deste Europeu 1960

7- François Heutte, o melhor marcador da França no Euro 1960

8- Dois capitães de equipa cumprimentam o árbitro inglês Ellis antes do pontapé inicial da final

9- Soviéticos dão a volta de honra ao campo com o capitão Netto a segurar o troféu conquistado

10- Yashin e Netto mostram a taça na chegada a Moscovo

11-A equipa da casa: a França

12- Victor Ponedelnik, o autor do golo do triunfo na final

13- Uma das grandes estrelas deste primeiro Euro, o jugoslavo Milan Galic

14- O "onze" da União Soviética que ficou imortalizado na história


Vídeo: URSS - JUGOSLÁVIA



sexta-feira, maio 02, 2008

Lista de Campeões... Liga Intercalar

A Liga Intercalar foi talvez a competição do futebol português que teve a vida mais curta! Surgida na temporada de 2007/08 a prova era destinada aos jogadores jovens e aos menos utilizados dos clubes que nela participaram. A 1ª edição foi disputada por clubes das associações de futebol do Porto (associação fundadora da prova) e de Braga, sendo que nas duas edições posteriores a competição seria alargada aos clubes da Associação de Futebol de Lisboa. Quando se pensava que estariamos perante uma prova com futuro, um verdadeiro campeonato nacional de reservas, eis que em 2009/10 a Liga Intercalar chegou ao fim. Seguidamente deixamos aos visitantes dos três únicos campeões da prova.

2007/08: VARZIM

2008/09: FC PORTO

2009/10: ESTORIL

quarta-feira, abril 16, 2008

Estrelas cintilantes (13)... Guillermo Stábile

Vamos hoje visitar outro herói da bola da primeira metade do século passado, mais precisamente dos anos 20 e 30. Um homem que viu o seu nome ser perpetuado no Atlas do Futebol Mundial por ter sido o primeiro artilheiro de um Campeonato do Mundo. Esse homem é Guillermo Stábile, nascido a 7 de Janeiro de 1905 em Buenos Aires, na Argentina. Goleador exímio Stábile começou a sua carreira no Club Atlético Huracán, de Buenos Aires, onde actuou como atleta amador entre 1920 e 1930. Por este emblema das pampas conquistou inúmeros títulos amadores, pois convém referir que a 1ª Divisão Nacional argentina apenas seria fundada em 1931.
1930 seria o ano em que Stábile se daria a conhecer ao Mundo inteiro. O ano em que foi convocado para representar a sua selecção no primeiro Mundial de futebol da FIFA, no Uruguai, onde se sagrou vice-campeão do Mundo. E se o Uruguai venceu o título mundial Stábile venceria o título de melhor marcador da competição, com um total de oito golos apontados em quatro jogos realizados. Estes seriam, aliás, os únicos jogos em que vestiria a camisola do seu país.
Fez o seu primeiro jogo no Mundial de 1930 diante do México, substituindo o habitual titular da linha avançada das pampas Roberto Cherro que se lesionara no primeiro encontro da sua equipa na competição. O jogo diante dos mexicanos terminou com a vitória da Argentina por 6-3 e Stábile marcou... três golos. No último jogo da fase de grupos os argentinos defrontaram o Chile e venceram por 3-1, com Stábile a fazer o gosto ao pé por duas vezes.
Nas meias-finais a Argentina esmagou os Estados Unidos da América por 6-1 e o nosso craque de hoje apontou mais dois golos, ajudando desta forma a sua equipa a chegar à final.
E no dia 30 de Junho de 1930 Uruguai e Argentina subiram ao relvado do majestoso Estádio Centenário, em Montevideo, para disputar o primeiro título mundial da história. O resultado final, como já aqui aludimos em várias ocasiões, cifrou-se num 4-2 a favor dos charruas, com Stábile a deixar a sua marca pessoal no encontro ao apontar o segundo golo argentino.
Sagrava-se desta forma como o primeiro melhor marcador da história de um Mundial.
A excelente campanha no Uruguai valeram-lhe vários convites de equipas europeias, tendo na temporada de 1930/31 defendido as cores dos italianos do Génova, onde permaneceria até 1935. Mudar-se-ia depois para o Nápoles, onde apenas jogaria uma temporada (1935/36).
De 1936 a 1939 actuou em França, no Red Star de Paris, clube onde findou a sua carreira de futebolista.
Após pendurar as chuteiras tornou-se treinador, e também nesta área o seu nome brilharia a grande altura. Foi seleccionador argentino entre 1939 e 1960 tendo vencido seis Copas Américas (1941, 1945, 1946, 1947, 1955 e1957)!!! Antes de pegar nos comandos da selecção do seu país trabalhou como treinador/jogador no Génova (1931/32) e como treinador no Red Star de Paris (de 1937 a 1940). Na Argentina orientou as equipas do Huracán (entre 1940 e 1949) e do Racing Club (entre 1949 a 1960). Faleceu na sua cidade natal a 27 de Dezembro de 1966.

sábado, abril 12, 2008

Faleceu uma (grande) figura do jornalismo desportivo... Manuel Dias

É com muita tristeza que o Museu Virtual do Futebol abre hoje as suas portas para comunicar o desaparecimento de um dos grandes nomes do jornalismo desportivo nortenho, e porque não dizê-lo de todo o país, mais concretamente Manuel Dias. Um homem por quem eu tenho uma grande admiração enquanto profissional, uma grande referência para mim que me considero um mero aprendiz na arte de escrever. Manuel Dias é um dos meus ídolos, por assim dizer, no jornalismo desportivo, e foi com profunda tristeza que hoje de manhã ao passar os olhos pelos jornais do dia dei com a notícia da sua morte. Para quem não o conhece, o que julgo serem poucos, Manuel Artur dos Santos Dias, o seu nome completo, nasceu a 19 de Julho de 1934, na freguesia da Vitória, no Porto. Iniciou a profissão de jornalista em 1965 no O Primeiro de Janeiro (PJ), onde assinou milhares de crónicas e reportagens ao serviço deste ilustre diário portuense. Ficaria conhecido nos meandros do jornalismo como o Manel Dias, do Janeiro. Com o PJ este homem percorreu o Mundo, acompanhando diversas comitivas oficiais e equipas de futebol. O Desporto Rei era uma das suas grandes paixões, sendo esta a área em que se tornaria um mito nesta profissão. Era adepto confesso do Futebol Clube do Porto, tendo escrito vários livros sobre este clube. Ele que escreveu tão grandes e diversos factos históricos da vida do maior clube da Invicta como a inauguração do já desaparecido Estádio das Antas, ou as primeiras vitórias europeias dos portistas. Depois de trabalhar no PJ Manuel Dias "transferiu-se" para a RTP/Porto, onde continuou a sua brilhante carreira de jornalista desportivo. Passaria mais tarde por outro diário de referência da cidade do Porto, o Jornal de Notícias, onde permaneceria até à hora da sua morte. Para além do jornalismo desportivo também se destacou no jornalismo cultural, tendo sido autor de diversos livros dedicados à vertente cultural. Esteve, aliás, ligado a várias associações culturais do Porto. Esteve ligado ao teatro também, e foi o co-autor de "Um cálice de Porto", peça exibida pelo Seiva Trupe. Tive a oportunidade, e a honra, de conhecer pessoalmente este homem aquando do lançamento de uma das suas muitas obras literárias dedicadas ao futebol, mais concretamente o livro "Futebol no Porto", lançado em 2001. Morreu ontem, com 73 anos, vítima de doença que o afectava há mais de um ano um homem que vai ficar na história do jornalismo desportivo.

quinta-feira, abril 10, 2008

Grandes Mestres da Táctica (3)... Bill Jeffrey

Pode não ser - tão - conhecido mundialmente como José Mourinho, Arséne Wenger, ou Alex Fergusson, ou não ter o seu nome escrito a letras de ouro no capítulo "melhores treinadores do Mundo" da história do futebol como Victorio Pozzo, Bobby Robson, Alf Ramsey, Miguel Muñoz, César Luis Menotti, Telê Santana, Bill Shankly, entre outros, mas merece, sem margem para dúvidas, ter nem que seja uma linha dedicada à sua pessoa no grande Atlas do Futebol Mundial. Falamos de Bill (diminutivo de William) Jeffrey, o homem que arquitectou a maior surpresa de todos os tempos no planeta da bola, um facto ocorrido no Mundial de 1950 (decorrido no Brasil) quando os amadores dos Estados Unidos da América (EUA) derrotaram a super-potência mundial da altura, a Inglaterra, por 1-0. Jogo esse que aliás, já aqui falámos no Museu em várias ocasiões.
Bill Jeffrey era o treinador dos norte-americanos nesse célebre jogo, entrando desta forma para a galeria dos imortais do futebol mundial. A nossa personalidade de hoje nasceu a 3 de Agosto de 1892, em Edimburgo, na Escócia, tendo emigrado em 1920 para os EUA onde se tornou futebolista semi-profissional, tendo jogado nas equipas do Altoona, Homestead, Braddock, e do Bethlehem. Finda a carreira de futebolista tornou-se então treinador. E nesta área para além do feito histórico de ter vencido a Inglaterra em 1950 Jeffrey tem como principal feito o facto de ter vencido 9 Campeonatos Nacionais Universitários ao serviço da equipa do Penn State. Pela mítica vitória sobre os ingleses no Mundial de 1950 Jeffrey entrou para a história do soccer norte-americano, e como tal a Associação Nacional de Treinadores daquele país criou um prémio com o seu nome. Prémio esse que é atribuído anualmente ao melhor treinador do país. Faleceu a 7 de Janeiro de 1966. O seu nome está perpetuado no National Soccer Hall of Fame (museu de futebol) dos EUA.

segunda-feira, abril 07, 2008

Grandes lendas do futebol mundial (6)... José Nasazzi - O general de uma geração de ouro

Vamos hoje dar um pulinho à vitrina destinada às grandes lendas do futebol para conhecer um pouco do perfil de um dos magos do futebol uruguaio. Um homem que ficará eternamente ligado às gloriosas décadas de 20 e 30 do futebol charrúa, tempos onde os uruguaios dominaram o mundo da bola, domínio esse expresso na conquista de dois títulos olímpicos (1924 e 1928) e um mundial (1930). Esse homem foi o líder e capitão dessas mágicas selecções uruguaias e dá pelo nome de José Nasazzi.
Nasceu a 24 de Maio de 1901, em Montevideo, e foi um dos maiores defesas centrais da história do desporto rei. O seu futebol de raça e vontade encantou o povo uruguaio. Era um jogador muito forte fisicamente, tenho muitas vezes sido acusado de ser um jogador violento pela forma como encarava o jogo.
Era conhecido entre os colegas como o Marechal, e entre os adversários, como el terrible. Tornou-se num dos mais laureados jogadores do seu país, sendo juntamente com Pedro Cea, Héctor Scarone e José Leandro Andrade o jogador que esteve em todas as conquistas da selecção uruguaia de futebol nos anos 20 e 30.
Iniciou a sua carreira desportiva em pequenos clubes como o Lito e o Roland Moor, até que em 1921 chegou aos quadros do recém-fundado Bella Vista onde cumpriu uma década em grande. Em 1925 envergou as cores do Nacional de Montevideo numa digressão que esta equipa fez pela Europa. Pelos nacionalistas Nasazzi actuaria definitivamente a partir de 1932, defendendo as suas cores até 1936, ano em que colocou um ponto final na carreira. Com esta equipa ganhou os campeonatos uruguaios de 1933 e 1934.
Cortador de mármore na época que o futebol era amador em quase todo o mundo, Nasazzi teve reconhecimento internacional em Paris, em 1924, e em Amesterdão, em 1928, quando os uruguaios encantaram os europeus nas competições de futebol nos Jogos Olímpicos, e na já citada excursão do Nacional.
Mas o momento mais importante da sua carreira ocorreu em 1930, quando o seu país acolheu o primeiro Campeonato do Mundo da história. Mundial que seria vencido – como já aqui frisámos em várias ocasiões - pelos uruguaios capitaneados pelo mago Nasazzi.
Actuou 39 vezes pela Celeste Olímpica.Chegou a jogar como avançado na histórica excursão que o Nacional fez na Europa, tendo marcando em 10 ocasiões.
Depois de terminada a carreira desportiva foi líder sindical. O estádio do Club Atlético Bella Vista tem o seu nome. José Nasazzi morreria na sua cidade natal em 17 de Junho de 1968.

terça-feira, março 25, 2008

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (5)... Gomes Amaro

Voltamos hoje à galeria dos grandes mestres do jornalismo desportivo para fazer uma pequena alusão a uma lenda da rádio portuguesa, um homem que me habituei a ouvir desde pequeno e por quem nutro uma grande admiração. Falo do popular e conhecido Gomes Amaro, um cidadão brasileiro radicado no nosso país desde os anos 70 e que ficou conhecido pelos seus excêntricos e animados relatos de futebol.
Da sua boca saíram expressões que ficarão imortalizadas nos meandros dos relatos de futebol, tais como: "Vai busca-la Tibi" (aludindo ao antigo guarda-redes do FC Porto quando este ia buscar a bola ao fundo da suas redes depois de ter sofrido um golo); "a bola de couro" (quando se referia ao esférico), "o guarda-balas" (guarda-redes); ou "o barbante" (baliza).
Acompanhou sempre o FCPorto e a selecção portuguesa, relatou durante muitos anos em várias estações de rádio, tais como a Rádio Porto, a Rádio Press e terminou a sua carreira na Rádio Festival, sempre para o Quadrante Norte, empresa responsável pelo programa.
Actualmente tem um programa na televisão, mais precisamente no Porto Canal, intitulado de "Tribunal". Neste programa (que passa todos os domingos à noite, por volta das 23 horas) Gomes Amaro atende os telefonemas dos espectadores que deixam a sua análise – em directo- aos factos referentes à jornada mais recente do Campeonato Português.

quarta-feira, março 19, 2008

Grandes Clássicos da Bola (4)... Itália-Brasil (3-2)

Apesar de belo e apaixonante o futebol é tudo menos um jogo onde o conceito de justiça nem sempre tem lugar reservado. Ou seja, muitas das vezes nem sempre vence quem fez por o merecer, quem lutou mais para alcançar o triunfo, o que leva muita gente a proferir o chavão de que "o futebol é por vezes muito injusto".
E hoje vamos recordar uma das maiores injustiças futebolísticas de que há memória. Vamos por isso fazer uma viagem até 1982, mais precisamente ao Campeonato do Mundo da FIFA, que nesse ano decorreu em Espanha. Um Mundial que desde o seu começo estava destinado a ser conquistado por uma selecção, uma mágica equipa que dava pelo nome de Brasil, o conjunto que encantou o Mundo com o seu belo futebol. Dizem os experts da bola que a par da selecção canarinha campeã do Mundo em 1970, a qual era integrada por lendas como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, ou Carlos Alberto, a equipa de 1982 é a melhor de sempre do país do samba. Uma equipa orientada pelo mestre Telê Santana, um dos técnicos mais carismáticos de todos os tempos no Brasil, a qual tinha jogadores como Falcão, Júnior, Cerezo, Éder, Sócrates, Luizinho, e o mago Zico. Poucos eram aqueles que duvidavam que esta equipa seria a campeã do Mundo de 1982, não só pelo seu poderio e charme futebolístico como também pelo facto de que os grandes opositores dos brasileiros ao título mundial estavam a desiludir em terras castelhanas.
No entanto, nesse ano ficou provado que no futebol nada é certo por antecipação, ou seja, que é preciso esperar pelo apito final do árbitro para se ter certezas do que quer que seja. E exemplo disso foi o que se passou na tarde escaldante de 5 de Julho de 1982, tendo como cenário o já demolido Estádio de Sarriá, em Barcelona, palco onde se defrontavam Brasil e Itália, um jogo a contar para a 3ª e última jornada do Grupo C da 2ª fase da competição. Aos brasileiros bastava um empate para se qualificarem para as meias-finais, ao passo que os transalpinos teriam forçosamente de vencer para seguirem em frente. A tarefa da Itália não era nada fácil, muito pelo contrário, não só porque defrontava a melhor equipa desse Mundial, e quiçá do Mundo inteiro daquela época, mas também porque havia realizado uma primeira fase miserável, cedendo três empates escandalosos contra equipas de pequena/média dimensão internacional, casos do Perú, Camarões e Polónia.
O Sarriá apresentava-se cheio como um ovo, na espectativa de ver mais um recital de bola protagonizado pelos canarinhos. As equipas entram em campo, a bola começa a rolar e para surpresa geral os italianos adiantam-se no marcador quando estavam decorridos apenas cinco minutos por intermédio de um avançado que até então tinha praticamente passado despercebido nos relvados espanhóis, de seu nome Paolo Rossi.
O Brasil puxa então dos seus galões e aos 12 minutos iguala o marcador, através do genial Sócrates. A partida estava animada, jogada a um ritmo diabólico. Ao minuto 23 Rossi silencia de novo o Sarriá, fazendo o 2-1 para a Itália, resultado com que se atingiu o intervalo.
Com um futebol jogado ao ritmo do samba o Brasil empata de novo aos 23 minutos da etapa complementar, por intermédio de Falcão, e poucos julgavam que os canarinhos não estivessem nas meias-finais. Contudo, um endiabrado Paolo Rossi tratou de protagonizar umas das maiores surpresas, e porque não dizê-lo injustiças, da história do futebol, quando aos 76 minutos bateu pela terceira vez naquela tarde o guardião Wladir Peres e carimbou o passaporte da azzurra para as semi-finais do Mundial ao fazer o 3-2 final. Italianos que viriam a sagrar-se mais tarde campeões do Mundo, após vencerem em Madrid a Alemanha Ocidental por 3-1. Nos escritos históricos da FIFA quando se fala nesse célebre jogo entre brasileiros e transalpinos pode ler-se a seguinte frase: "Brasil brilha, mas Rossi ganha o ouro para a Itália". A melhor selecção do Mundo perdia com aquela que iria ficar com o troféu na final contra todas as previsões. A partida, é ainda hoje uma das mais vivas na memória desportiva brasileira, ficando conhecida como a "Tragédia do Sarriá".

Ficha do Jogo
Jogo disputado no Estádio Sarriá, em Barcelona, em 5/7/1982
Assistência: 44 000 espectadores
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Itália: Zoff, Gentile, Cabrini, Collovati (Bergomi), Scirea, Tardelli (Marini), Antognoni, Oriali, Conti, Paolo Rossi, Graziani. Treinador: Enzo Bearzot.
Brasil: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior, Cerezo, Falcão, Zico, Serginho (Paulo Isidoro), Sócrates, Éder. Treinador: Telê Santana.
Golos: Paolo Rossi (5', 25', 74'), Sócrates (12') e Falcão (68').
Legenda das fotografias:
1- Paolo Rossi na condição da bola perseguido por Júnior
2- A mágica selecção do Brasil
3- A equipa italiana
4- Zico é marcado por Gentile

segunda-feira, março 10, 2008

Efemérides do Futebol (2)...

O primeiro guarda-redes a marcar um golo num jogo internacional

O escocês James McAulay (1860-1943) foi um dos mais brilhantes guarda-redes do futebol escocês, tendo defendido a baliza do seu país por oito vezes, a partir de 1883. Antes disso, em 1882, quando a Escócia derrotou o País de Gales por 5-0, em Glasgow, no dia 25 de Março, McAulay fez a sua estreia internacional como... avançado-centro, tendo marcado um golo. Este guardião do Dumbarton FC também demonstrou a sua veia goleadora ao serviço deste clube em diversas ocasiões. Engenheiro de profissão terminou prematuramente a sua carreira desportiva quando em 1887 foi trabalhar para a Birmania (actualmente conhecida como Myanmar).

quarta-feira, março 05, 2008

Catedrais Históricas (6)... Camp Nou

É uma das catedrais mais belas e míticas do futebol mundial. A sua grandeza e imponência fazem dela uma autêntica fortaleza para a equipa que nela actue e um inferno para os que a visitam. Falamos hoje do Camp Nou, o estádio do FC Barcelona.
Antes de mais dizer que Camp Nou significa "Campo Novo" em língua catalã, apelido dado pelos adeptos barcelonistas na altura da inauguração do recinto, sendo que o nome oficial do estádio é: Estadi Futbol Club Barcelona.
Inaugurado em 24 de Setembro de 1957, quando o FC Barcelona abandonou o seu antigo Estádio de Les Corts, por este ser muito pequeno, a primeira partida no novo estádio foi um amigável entre o Barça e uma selecção de Varsóvia, com a vitória a sorrir aos catalães por 4-2. No primeiro jogo oficial, referente à 2ª jornada do Campeonato Espanhol de Futebol da temporada 1957/58, entre o FC Barcelona e o Real Jaén, o resultado final cifrou-se num expressivo 6-1 para os donos da casa.
O Camp Nou foi projectado pelo arquitecto Francese Mitjans (1909-2006), nascido na cidade de Barcelona.
Desde a sua criação o estádio passou já por inúmeras reformas. Em 1981, foi ampliado para 150 mil lugares com vista a acolher alguns jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 1982, disputado em Espanha. Em 1998, visando obedecer às normas da UEFA, substituiu as áreas onde os adeptos ficavam de pé por assentos, diminuindo desta forma a sua capacidade para os actuais 98 797 lugares.
O Camp Nou é um dos estádios espanhóis catalogados com "Cinco Estrelas" pela UEFA.
No estádio estão localizados a sede social e administrativa do FC Barcelona e o museu do clube. Fora isso, o complexo desportivo conta com um outro estádio, o "Mini Estadi" (com 20 mil lugares), um ginásio multiuso para oito mil pessoas e dormitórios para os jogadores das categorias de base do Barça.
Para além de ser o palco de todos os jogos do FC Barcelona, o Camp Nou tem sido cenário de diversos eventos, tanto desportivos como sociais e culturais. Entre outros, foi um dos estádios espanhóis onde se disputou a fase final do Europeu de futebol de 1964, realizado em Espanha, tendo recebido um total de dois jogos, ou seja, uma partida meia-final (URSS – Dinamarca, que terminou 3-0 a favor dos soviéticos) e a disputa dos 3º e 4º lugares (Hungria – Dinamarca, que terminou 3-1 a favor dos magiares.
Foi também palco de cinco jogos do Mundial de 1982, entre eles: a partida de abertura, entre a então campeã mundial Argentina e a Bélgica, com vitória belga por 1-0, e uma das meias-finais entre a Itália e a Polónia, com vitória italiana por 2-0.
O torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 1992, realizados em Barcelona, teve a sua final no Camp Nou, com vitória da selecção da Espanha sobre a Polónia por 3-2.
O estádio foi ainda palco, em duas ocasiões, da final da Liga dos Campeões da UEFA. Em 24 de Maio de 1989, o AC Milan venceu o FC Steaua Bucareste por 4-0, e em 26 de Maio de 1999, o Manchester United derrotou o FC Bayern Munique por 2-1.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Emblemas Históricos (8)... New York Cosmos

Quando falamos em galáticos, ou em equipas galáticas, o primeiro nome que nos vem à cabeça é o de Real Madrid, clube que há quatro ou cinco anos juntou na mesma equipa jogadores fabulosos como Raul, Casillas, Roberto Carlos, Luís Figo, Zidane, Ronaldo, e mais tarde David Beckham. No entanto, o clube merengue não foi o único no Mundo a reunir tantos nomes famosos no mesmo plantel. Na verdade, três décadas antes um emblema totalmente desconhecido do planeta da bola construiu uma equipa recheada de grandes deuses do esférico, uma equipa que se tornou num autêntico dream team, capaz de desafiar não só outros clubes do seu país como do estrangeiro. Um clube que hoje não passa de uma lenda, de uma mera e boa recordação, pois já foi extinto, e que dá pelo nome de New York Cosmos. É verdade, voltamos aos Estados Unidos da América, e ao seu soccer, que tem sido, como os ilustres visitantes bem sabem, um alvo particular do meu interesse futebolístico.
E o New York Cosmos foi o grande expoente do futebol estado-unidense das décadas de 70 e 80 do século passado, um clube que cativou grandes deuses da bola em idade de pré-reforma, chamemos-lhe assim.
A ideia da fundação do New York Cosmos, ou também simplesmente conhecido como Cosmos, partiu dos irmãos Nesuhi Ertegün e Ahmet Ertegün, ambos nascidos em Istambul, na Turquia. Os irmãos Ertegün foram os fundadores da Atlantic Records e depois que a gravadora foi comprada pela Warner Communications, actual Time Warner, sugeriram a Steve Ross, presidente da companhia, a criação de um clube de futebol por acreditarem na viabilidade económica da North American Soccer League (NASL). O Cosmos aderiu à NASL em 10 de Dezembro de 1970, tendo realizado o primeiro jogo oficial a 17 de Abril de 1971 diante do Saint Louis Stras, tendo o encontro terminado com a vitória do Cosmos por 2-1.
O nome do clube foi idealizado pelo inglês Clive Toye, o primeiro director do emblema nova-iorquino. A inspiração veio dos New York Mets, equipa de beisebol. Da mesma forma que “Mets” era uma abreviatura de “Metropolitans”, Toye optou por “Cosmos”, como abreviatura de “Cosmopolitans”, e o clube foi então baptizado como New York Cosmos.
Foi também por sugestão de Toye, que as cores iniciais do Cosmos foram o verde e o amarelo, em homenagem à selecção brasileira que em 1970 venceu o Campeonato do Mundo do México. O verde e o amarelo permaneceram até 1974, quando foram alterados para o branco e o verde, que foi utilizado até 1979. A partir de 1980, as cores passaram a ser o branco e o azul, permanecendo até 1984, quando o clube foi fechado.
No seu início o Cosmos era encarado como uma aventura e recebia pouco investimento. Contudo, aos poucos, Steve Ross empolgou-se com o projecto e com o dinheiro da Warner, o clube passou a contratar vários jogadores famosos, tais como Pelé, Beckenbauer, Chinaglia, Carlos Alberto Torres e Neeskens, chegando ao ponto de ter um elenco formado por 16 nacionalidades. O poder económico do Cosmos refletiu -se em várias conquistas desportivas tendo o clube tornado-se na marca mais famosa e vitoriosa da NASL conquistando 5 títulos nacionais (1972, 1977, 1978, 1980, 1982), um vice-campeonato (1981) nos 17 anos de funcionamento da liga. Ainda venceu três Trans-Atlantic Cups (1980, 1983, 1984). Durante os seus anos de existência, o Cosmos teve sempre uma das melhores médias de público da NASL, e entre 1977 e 1982 teve a maior média entre todas as equipas da NASL). Dos 20 jogos de maior público da história da NASL, 18 deles são jogos do Cosmos, sendo que a partida de maior público foi em 14 de Agosto de 1977, na partida do play-off contra Fort Lauderdale Strikers com uma assistência de 77.691 espectadores.
O clube encerrou as suas actividades a 15 de Setembro de 1984, quando realizou a sua última partida. Nos seus 14 anos de existência, o Cosmos disputou 359 partidas na NASL, vencendo 221, empatando 18 e perdendo 120, marcando 844 golos e sofrido 569.
Actualmente a marca “Cosmos” pertence a Giuseppe “Peppe” Pinton, ex-assessor de Girogio Chinaglia, que teria pago dois milhões de dólares por ela.
Hoje o Cosmos sustentase com a venda de souvenirs e com a renda de dois acampamentos de verão - que também são escolinhas de de futebol - localizados em Nova Iorque e Nova Jérsei.
O jogador que mais golos marcou pelo clube foi o italiano Giorgio Chinaglia, que jogou no Cosmos entre 1976 e 1983, actuando em 213 jogos e marcando 193 golos, sendo o maior artilheiro da NASL de todos os tempos e o maior goleador da NASL nos anos de 1976, 1978, 1980, 1981 e 1982.
A maior goleada obtida pelo Cosmos foi num jogo amigável contra o Malmo, da Suécia, em 1975, por 12 a 1. O maior jogador holandês de sempre, Johan Cruyff, fez uma única partida pelo Cosmos, em 1978. O adversário foi uma selecção formada por jogadores que participaram no Mundial de 1978 (com excepção dos jogadores da Argentina, campeã dessa competição). O resultado foi 2-2 e além do golaço marcado Chinaglia, a partida é lembrada pela exibição magnífica de Cruyff, eleito o homem do jogo.
De facto, são poucos os clubes no Mundo que se podem orgulhar de ter a defender o seu emblema estrelas como Beckenbauer, Chinaglia, Carlos Alberto Torres, Neeskens, Cruyff, ou o rei Pelé. Jogadores que mesmo apesar de estarem numa fase descendnete das suas brilhantes carreiras deram um brilho especial a um clube e sobretudo a um país onde o futebol nunca foi muito admirado.

Legenda das fotografias:

1- Emblema do New York Cosmos

2- A maior estrela do clube de todos os tempos: Pelé

3- O maior goleador de sempre do emblema nova-iorquino: Giorgio Chinaglia

4- O Kaiser Beckenbauer também vestiu a camisola do Cosmos

5- O holandês Cruyff efectuou um único jogo pelo Cosmos

6 - Nas fotos seguintes temos os plantéis das equipas campeãs da NASL das épocas de 1971, 1976, 1977, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Estrelas cintilantes (12)... Lucien Laurent

O seu nome ficará perpetuado na história do desporto rei, em especial a dos Campeonatos do Mundo de Futebol. Da sua autoria foi o primeiro golo numa fase final de um Mundial, um feito ocorrido em Montevideo, no Uruguai, em 1930. Falamos de Lucien Laurent, um cidadão francês nascido a 10 de Dezembro de 1907, em Saint-Maur-des-Fossés, uma localidade situada nos arredores de Paris. Entre 1921 e 1930 Laurent jogou no clube semi-profissional Cercle Athlétique de Paris, assinando mais tarde pela equipa do Sochaux, clube que como se sabe está ligado à empresa de automóveis Peugeut, onde Laurent era empregado.
E voltando ao Uruguai, em 1930, para dizer que no jogo de abertura do primeiro Mundial da Fifa, entre a França e o México, este mediano jogador francês, até então totalmente desconhecido, entrou para a história. Corria o minuto 19 desse encontro quando Laurent num remate em vólei apontou o primeiro golo desse encontro, e desse Mundial. Este feito o primeiro golo da história de um Campeonato do Mundo. A França venceria esse jogo por 4-1, tendo perdido a possibilidade de apuramento para a segunda fase da prova após ter sido derrotada posteriormente pela Argentina e pelo Chile.
Lucien Laurent jogou por 10 vezes com a camisola da França, tendo apontado apenas um golo, precisamente o do Mundial de 1930. Com a chegada da II Grande Guerra Mundial foi chamado pelo exército francês, tendo sido feito prisioneiro pelos alemães durante três anos.
Como futebolista jogaria ainda pelo Club Français (entre 1933 e 1934), FC Mulhouse (entre 1935 e 1936), Rennes (entre 1937 e 1939), Estrasburgo (entre 1939 e 1943), Toulouse (1937, e entre 1943 e 1946), terminado a sua carreira no Besançon, em 1946. Morreria com a bonita idade de 97 anos, a 11 de Abril de 2005.

Legendas das fotografias:
1- Lucien Laurent
2- Equipa da França no Mundial de 1930, Laurent é o segundo da fila de baixo da direita para a esquerda
3- A nossa estrela com a bonita idade de 97 anos

Vídeo: ENTREVISTA COM LUCIEN LAURENT

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Emblemas Históricos (7)... Aberdeen FC

De novo na vitrina dedicada aos grandes emblemas do futebol para falar hoje um pouco de um histórico do futebol escocês, o Aberdeen Football Club. Fundado em 1903 (resultante da fusão de três clubes da cidade, o Aberdeen, o Victoria United e o Orion) os reds, como são popularmente conhecidos, são o terceiro maior clube da Escócia, a seguir aos colossos de Glasgow, o Celtic e o Rangers.
Atingiu a fase de maior sucesso na década de 80, altura em que comandados por um jovem, e até então desconhecido, técnico, de seu nome Alex Ferguson, que hoje em dia é o que se sabe, ou seja, um dos mais conceituados e laureados treinadores do Mundo, conquistou uma Taça dos Vencedores das Taças, mais precisamente na temporada de 1982/83, tendo derrotado em Gotemburgo o histórico Real Madrid por 2-1. Nessa equipa figuravam nomes históricos do futebol escocês como o guardião Jim Leighton, Alex McLeish, ou Gordon Strachan. Ainda em 1983 venceria a Supertaça Europeia depois de derrotar no total das duas mãos o Hamburgo, por 2-0. Este seria o último triunfo, até à data, de uma equipa da Escócia no Velho Continente.
Em termos internos o Aberdeen conquistou a Liga Escocesa (Scottish League) por quatro ocasiões, mais precisamente nas épocas de 1954/55, 1979/80, 1983/84 e 1984/85. Por sete vezes levantou a Taça da Escócia, em 1946/47
, 1969/70, 1981/82, 1982/83, 1983/84, 1985/86 e 1989/90. A última grande conquista dos Dons (outra das alcunhas pelo qual são conhecidos) foi a Taça da Liga Escocesa de 1995/96. Esta prova seria ainda conquistada pelo clube em mais quatro ocasiões, em 1955/56, 1976/77, 1985/86 e 1989/90.
Actualmente o clube vive na sombra dos gigantes de Glasgow, tal como outros clubes da Liga Escocesa, sendo todas as épocas o seu principal objectivo a qualificação para uma prova europeia. Em termos de números o Aberdeen esteve presente por três vezes na Taça/Liga dos Campeões Europeus, tendo aqui disputado 12 jogos, atingindo como melhor resultado os quartos-de-final na temporada de 1985/86. Na extinta Taça dos Vencedores das Taças esteve em oito ocasiões, disputou 39 jogos, e como já vimos venceu a competição em 1982/83. Finalmente, na Taça Uefa participou em 15 ocasiões e disputou 50 jogos, tendo como melhor resultado a 3ª eliminatória, patamar que atingiu por duas vezes.
Ao longo destes mais de 100 anos de vida foram muitos os nomes que vestiram a mágica camisola encarnada do Aberdeen, o guarda-redes Jim Leighton, como já vimos, foi um deles, sendo o jogador do clube mais internacional pela selecção da Escócia, com 91 presenças. Willie Miller (jogador com mais presenças na Liga Escocesa pelo clube, mais precisamente 556 jogos) e Joe Harper (jogador com mais golos marcados pelos Dons, 205) são outros dos históricos nomes do clube.
O recinto de jogos da equipa é o Pittodrie Stadium, com capacidade para 22.199 espectadores.


Legendas das fotografias:
1- Emblema do Aberdeen FC
2- Festejos dos Reds após o triunfo na final da Taça das Taças de 1983
3- A casa do clube escocês