segunda-feira, maio 26, 2008

História dos Europeus de Futebol (3)... Itália 1968

A terceira edição daquela que era já a maior competição do futebol europeu sofreu algumas alterações. Desde logo a sua designação oficial, passando de Taça da Europa das Nações para Campeonato da Europa de Futebol. Depois a forma de apuramento para a fase final, que deixava de ser feita através de eliminatórias directas para ser realizada através de uma fase de grupos. Outra novidade nesta edição prendeu-se com a aceitação definitiva de todos os países membros da UEFA à competição, finalmente a República Federal da Alemanha, a Escócia, a Finlândia, e o Chipre disseram "sim" ao Euro. À partida para o Europeu de 1968 estavam inscritos 31 países dos 33 filiados na UEFA, já que Malta e Islândia (participantes nas duas anteriores fases de qualificação) resolveram ficar de fora. O sorteio de apuramento ditou então oito grupos, na sua quase total maioria constituídos por quatro equipas, a excepção era o grupo 4 que somente tinha três selecções. Os vencedores de cada grupo (oito selecções) jogaram então uma eliminatória a duas mãos para apurar os quatro países que iriam disputar a fase final. E os "felizardos" foram a Inglaterra (que eliminou a campeã da Europa em título, a Espanha), a Jugoslávia (eliminou a França), a Itália (afastou a Bulgária), e mais uma vez a União Soviética (eliminou a Hungria) que obtinha desta maneira a sua terceira qualificação para a fase final em outras tantas edições realizadas! Se dúvidas existissem quanto ao facto de os soviéticos serem uma das melhores equipas da Europa elas aqui ficavam desfeitas. Para sedear a fase final do Euro 68 a UEFA escolheria a Itália, sendo que as cidades de Nápoles, Florença e Roma seriam os palcos dos jogos.

A vitória através de moeda ao ar!
Itália, Jugoslávia, União Soviética, e Inglaterra iriam então lutar entre si para ver quem sucederia à Espanha no trono do futebol europeu ao nível de selecções. Favoritos? Talvez os ingleses, que dois anos antes tinham encantado o Mundo ao vencer o "seu" próprio Mundial. Os campeões do Mundo tinham (teoricamente) no seu grupo de trabalho "armas" mais do que se suficientes para conquistar a Europa, tais como Bobby Charlton, Geoffrey Hurst, ou Bobby Moore. Os soviéticos eram uma equipa em remodelação, continuavam fortes, é certo, mas não tinham o fulgor da equipa que oito anos antes havia conquistado o Euro 60, e sobretudo já não tinham o seu grande "comandante", o lendário guarda-redes Lev Yashin. Os jugoslavos atingiam a sua segunda fase final, mas eram… uma incógnita. Quanto à equipa da casa poucos acreditavam que pudesse fazer algo de bom neste Europeu, pois ainda ninguém havia esquecido o escândalo que a "squadra azzurra" havia protagonizado dois anos antes no Mundial 66 onde foi vencida, eliminada (da fase seguinte), e ridicularizada, na primeira fase pela desconhecida Coreia do Norte! Por isso, as expectativas num triunfo final italiano eram muito ténues. Mas como estavam enganados os críticos da "azzurra"! Na primeira meia-final disputada a 5 de Junho no Estádio São Paolo, em Nápoles, os italianos jogavam contra a União Soviética. Um jogo que foi a prova provada, por assim dizer, de que no futebol por vezes a sorte é mesmo um factor decisivo. Mas já lá vamos. Este foi um jogo onde o medo levou a melhor, ou seja, as duas equipas temeram-se demasiado uma à outra durante os 90 minutos, não criando grandes oportunidades de golo ao longo deste período. O pendor defensivo imperou. E o cenário repetiu-se nos 30 minutos de prolongamento para azar dos quase 70 000 adeptos que estavam nas bancadas do São Paolo e que assistiram a um futebol extremamente cauteloso de parte a parte. E como na altura não havia desempates através de grandes penalidades o árbitro teve de decidir o vencedor do jogo através de… moeda ao ar! E a sorte saiu à equipa da casa que assim avançava para afinal de Roma, impedindo os soviéticos de disputarem a sua terceira final consecutiva.
Campeões do Mundo surpreendidos pelos jugoslavos na meia-final…
A equipa do seleccionador inglês Alf Ramsey era praticamente a mesma que dois anos antes havia conquistado o Mundo, mas em Florença esse estatuto de pouco ou nada serviu aos súbitos de "sua majestade" que sucumbiram aos pés de uma jovem Jugoslávia. Jovem mas deveras aguerrida, já que fizeram de tudo para travar os artistas ingleses, recorrendo por vezes a faltas duríssimas. Cartões amarelos para os jugoslavos foram mais do que muitos e houve até um vermelho, para Mullery. As oportunidades de golo não foram muitas, mas numa das poucas incursões dos jugoslavos à baliza do lendário Gordon Banks a estrela do conjunto de leste Dzajic mostrou o porquê de ser considerado um dos melhores atacantes da Europa antecipando-se a Bobby Moore e batendo o guardião inglês fazendo o único golo do jogo e pondo a sua equipa na final. 
 
… ficam com a medalha de bronze
 
A 7 de Junho encontraram-se no Estádio Olímpico de Roma duas das maiores potências do futebol mundial de então para decidir quem ficaria com o último lugar do pódio deste Euro 68. Um jogo onde o prestígio e o orgulho estava acima de tudo, e neste capítulo os ingleses levaram a "coisa" mais a sério. Para os homens de leste jogar este jogo de consolação não era o mesmo que jogar a final, onde haviam estado nas primeiras duas edições, e este facto de certa forma afectou-os, pois faltava-lhes algo determinante para vencer uma partida de futebol: motivação. Com Bobby Charlton nos seus melhores dias e com Moore a mostrar o porquê de ser um dos melhores centrais do planeta a Inglaterra venceu os soviéticos por 2-0, com um golo a meio da primeira parte (por Bobby Charlton), e outro na mesma fase da etapa complementar (por Hurst). 
 
Duas finais para apurar o campeão
 
No dia 8 de Junho o Olímpico de Roma engalanou-se para receber a final da grande competição. 70 000 espectadores lotaram as bancadas para ver um jogo extremamente táctico entre Jugoslávia e Itália. A esperança de ambos os treinadores era de que uma das suas estrelas pudesse num lance de inspiração resolver o jogo. E foi precisamente uma das muitas estrelas que esteve em campo nesse dia a abrir o marcador, mais precisamente Dzadic que aos 39 minutos bateu o guardião Zoff. Na segunda parte a equipa de leste teve duas oportunidades para "matar" o jogo mas desperdiçou-as, confirmando a máxima do futebol de que equipa que não marca sofre. E foi precisamente isso que aconteceu ao minuto 80 quando num livre directo Domenghini faz a bola passar entre a barreira para entrar na baliza. Foram precisos mais 30 minutos de jogo que pouca ou nenhuma emoção tiveram, sendo por isso necessário recorrer a uma finalíssima, algo que acontecia pela primeira vez na história desta então jovem competição. Dois dias depois no mesmo palco as equipas voltaram a encontrar-se. Jogar dois jogos no espaço de 48 horas era fisicamente uma tarefa complicada, algo que se viria a confirmar mais para o lado dos jugoslavos. A Itália com um banco mais apetrechado utilizou "sangue fresco" tendo dominando do principio ao fim o encontro. Riva, aos 12 minutos, e Anastasi, aos 31 minutos, deram o título à Itália. Os jugoslavos não tiveram a capacidade física e mental da primeira final e pagaram por isso. A Itália com nomes como Luigi Riva, Giacinto Facchetti, Sandro Mazzola, e o então promissor guarda-redes Dino Zoff conquistava o título Europeu (o seu único até à data) e recuperava o prestígio internacional perdido dois anos antes no Mundial 66. 
 
Curiosidades do Euro 68...

-Desgastada física (120 minutos com a Itália três dias antes) e emocionalmente (eliminados através de moeda ao ar) a União Soviética, a única equipa que marcara presença em todas as edições do Europeu até então saiu de Itália sem nenhum golo marcado!

-Joaquim Campos, árbitro português, que havia dirigido dois jogos nas fases finais dos Mundiais de 58, e 66, foi um dos fiscais de linha (hoje em dia denominados de árbitros assistentes) da finalíssima.

-Na finalíssima a Itália reforçou-se com cinco jogadores que não haviam participado na final (De Sisti, Salvadore, Rossato, Mazzola, e Riva) ao passo que a Jugoslávia apenas trocou um elemento (Petkovic por Hosic).

Jogos:

Meias-finais

5 de Junho, em Nápoles
Itália – União Soviética: 0-0* *apurada a Itália por moeda ao ar

5 de Junho, em Florença
Jugoslávia – Inglaterra: 1-0 (Dzajic, aos 86’)

Jogos dos 3º e 4º lugares

7 de Junho, em Roma
Inglaterra – União Soviética: 2-0 (Charlton, aos 39’; Hurst, aos 63’)

Final

8 de Junho, em Roma
Itália – Jugoslávia: 1-1 (Domenghini, aos 80’) (Dzajic, aos 39’)

Finalíssima

Itália - Juguslávia: 2-0
10 de Junho, no Estádio Olímpico de Roma
Árbitro: José Maria Ortiz, de Espanha
Itália: Dino Zoff, Pietro Anastasi, Tarcisio Burgnich, Giancarlo De Sisti, Ângelo Domenghini, Giacinto Facchetti, Aristide Guarneri, Sandro Mazzola, Luigi Riva, Roberto Rossato, e Alessandro Salvadore. Treinador: Ferruccio Valcareggi.

Jugoslávia: Ilija Pantelic, Mirsad Fazlagic, Milan Damjanovic, Blagoge Paunovic, Dragan Holcer, Vahidin Musemic, Dragan Dzajic, Miroslav Pavlovic, Jovan Acimovic, Dobrivoje Trivic, e Idiz Hosic. Treinador: Rajko Mitic Golos: Riva (12’), e Anastasi (31’).
Onze ideal do Euro 68:

Zoff (Itália) Fazlagic (Jugoslávia) Schesternev (União Soviética) Moore (Inglaterra) Facchetti (Itália) Domenghini (Itália) Osim (Jugoslávia) Mazzola (Itália) Dzajic (Jugoslávia) Hurst (Inglaterra) Riva (Itália)
Melhor marcador:

Dzajic (Jugoslávia) com dois golos
Legendas das fotografias:
1- Logotipo oficial do Itália 1968
2- Capitão italiano Facchetti ergue a Taça Henry Delaunay
3- A equipa da Itália que conquistou o Euro 1968
4- O célebre guardião transalpino Dino Zoff foi uma das peças chave do sucesso da sua equipa
5- Uma das grandes estrelas da fase final do Euro 68: o inglês Bobby Charlton
6- Imagem da finalíssima entre Itália e Jugoslávia
7- O homem que abriu caminho para o triunfo italiano: Luigi Riva
8- Um dos melhores jogadores do Mundo de todos os tempos: o italiano Giacinto Facchetti
9- O melhor marcador do Euro 68: Dzajic

Vídeo: ITÁLIA - JUGOSLÁVIA (Finalíssima)










sexta-feira, maio 23, 2008

História dos Europeus de Futebol (2)... Espanha 1964

O sucesso da primeira edição do Campeonato da Europa (na altura ainda denominado de Taça da Europa das Nações) foi notório na segunda edição da competição com o aumento do número de países participantes. Os 17 do certame inaugural passaram quatro anos depois para 29! Entre os novos aderentes destacavam-se a presença de duas super potências do futebol mundial, a Itália, e a Inglaterra. Dos 33 países filiados então na UEFA apenas quatro continuavam renitentes em aderir ao evento, nomeadamente a República Federal da Alemanha, o Chipre, a Finlândia, e a Escócia. A fase de qualificação não sofreu grandes alterações em relação à edição inaugural com a excepção da inclusão de mais uma eliminatória em virtude do aumento de participantes. Surpresas nas rondas de apuramento para a fase final existiram algumas, desde já a eliminação da Checoslováquia (aos pés da República Democrata da Alemanha) na ronda pré-eliminar. Checoslovacos que quatros anos antes tinham sido 3ºs no Euro 60, realizado como se sabe na França. Franceses que também nesta ronda eliminariam a estreante e poderosa Inglaterra. Nos oitavos-de-final a grande surpresa chamou-se Luxemburgo, equipa amadora e completamente desconhecida que eliminou a favorita Holanda. Os luxemburgueses estiveram às portas da fase final do Euro 1964, perdendo somente com a Dinamarca (na última ronda antes da fase-final) no terceiro jogo (depois de dois empates, um em casa e outro fora). Para além dos dinamarqueses atingiam a tão desejada e sonhada fase final do Euro 64, a Hungria, a campeã europeia em título União Soviética, e a Espanha. Seria este último país que a UEFA responsabilizaria de acolher a fase final do Campeonato da Europa de 1964.


A fase final do Euro 64…


As cidades de Madrid e Barcelona foram as escolhidas para albergar os quatro jogos da fase final. As expectativas na selecção da casa eram enormes, todo um país se uniu em torno da sua equipa, inclusive o ditador Franco que aproveitou o evento para vincar a sua conduta política (o fascismo) com que vinha conduzindo o país. Tal como Mussolini havia feito no Mundial 1934 Franco aproveitou este Euro 1964 para promover a sua… política. Bom, mas passando ao que interessa mesmo, ao futebol, a primeira meia-final ocorreu no dia 17 de Junho num lotadíssimo Estádio Santiago Bernabéu, a casa do maior clube da Europa da época, o Real Madrid, entre a Espanha e a Hungria. 125 mil espectadores, um recorde que prevalece até aos dias de hoje num jogo de uma fase final de um Europeu, assistiram a uma difícil vitória da Espanha sobre a Hungria por 2-1. Os magiares, que sob a orientação técnica de Lajos Baroti (que anos mais tarde treinaria o Benfica) viviam uma fase de renovação. Longe iam os tempos em que a Hungria era tida como a melhor selecção do Mundo, onde pontificavam nomes como Puskas, Kocsis, ou Czibor. Esta Hungria aparecia em Espanha muito renovada, mas com alguns jogadores de grande gabarito como por exemplo Ferenc Bene, e Florian Albert, este último a grande estrela da companhia. Por seu lado a Espanha tinha uma equipa muito aguerrida, o exemplo perfeito daquilo que hoje é conhecido como a "fúria espanhola". A comandar esse grupo de guerreiros estava Luís Suaréz, um homem que ainda hoje é considerado por muitos como o maior jogador espanhol de todos os tempos. A equipa da casa foi quem mais fez pelo triunfo ao longo desta partida, e viu os seus esforços serem recompensados na etapa inicial com um tento de Jesus Pereda, aos 35 minutos. Quando os 125 mil adeptos espanhóis já festejavam a passagem à final, Bene, aos 84 minutos, restabeleceu a igualdade levando o jogo para prolongamento. A luta continuaria no tempo extra e eis que aos 115 minutos o velho estádio do Real Madrid veio abaixo quando um homem da casa, Amancio, colocou a Espanha na final ao fazer o 2-1. Até final o herói espanhol foi o guardião basco Iribar que com um grande naipe de defesas impediu os magiares de chegar a uma nova igualdade.


A outra meia-final…


No mesmo dia jogavam em Nou Camp, de Barcelona, a União Soviética e a Dinamarca. Os campeões da Europa em título chegavam a Espanha como o alvo a abater, e com uma equipa totalmente renovada em relação àquela que quatro anos havia conquistado em França a primeira edição do Europeu. Yashin, Ivanov, e Ponedelnik eram os únicos sobreviventes da equipa de 60. E para chegar à sua segunda final os soviéticos tiveram pela frente uma equipa esforçada da Dinamarca, mas que no fundo não passavam de um grupo de bons rapazes semi-profissionais que vinham a Espanha aprender com os melhores e… fazer turismo. A diferença entre as duas equipas foi nitidamente sentida em campo, e a União Soviética aplicou a chapa três ao conjunto nórdico sem grande dificuldade. No entanto, os dinamarqueses ainda fizeram duas ou três gracinhas neste jogo, pondo à prova aquele que era considerado o melhor guarda-redes do Mundo, Lev Yashin.


Os 3º e 4º lugares…


Também em Nou Camp, no dia 20 de Junho, foi disputada a partida para a apurar os 3º e 4º classificados. Um jogo que foi disputado quase sem público, somente 4 000 espectadores deslocaram-se ao anfi-teatro da Catalunha para verem jogar Hungria e Dinamarca. Era caso para se dizer que os catalães estavam mais interessados no que se passaria no dia seguinte onde a Espanha poderia obter a sua primeira grande vitória internacional do que neste jogo. Tal como na meia-final a Dinamarca fazia o papel de equipa mais fraca, não sendo de estranhar que desde muito cedo os húngaros confirmassem o seu favoritismo com um golo obtido aos 11 minutos por Bene. Mas de repente os dinamarqueses vão buscar forças onde ninguém imaginava e aos 82 minutos Bertelsen empata a partida obrigando a um prolongamento. A surpresa estava feita. Mas a maior qualidade técnica dos magiares viria ao de cima no tempo extra com a obtenção de dois golos (da autoria de Novak) que selariam em 3-1 o resultado final, dando assim a medalha de bronze à Hungria.


Espanha conquista o seu maior feito no futebol


O fascismo de Franco contra o comunismo dos soviéticos, era assim que era visto o duelo da final do Euro 64. Franco que num camarote do Santiago Bernabéu fez parte de uma multidão de 105 00 espectadores que ansiavam por uma vitória da "fúria espanhola" sobre uma das melhores equipas da época. A Espanha entrou à Espanha, cheia de motivação e com vontade de resolver bem cedo a questão. E logo aos 6 minutos Pereda pôs os seus compatriotas em delírio ao apontar o primeiro golo do jogo. Solicitado por Amancio o extremo-direito Luis Suaréz centrou de primeira para a área com a bola depois de tocar nos pés de um defesa soviético a ir para aos pés de Pereda que abriu o marcador. A festa da casa duraria apenas dois minutos, pois após um lançamento de Mudrik para Khusainov, que beneficia de um erro clamoroso de Revilla, este último jogador soviético bate o guarda-redes Iribar e faz o 1-1. A partir daí o jogo passou a ser disputado essencialmente a meio-campo com os guarda-redes Iribar e Yashin a serem meros espectadores. Os soviéticos apostavam no rigor, os espanhóis na sua grande estrela Suaréz. E quando já todos esperavam por um novo prolongamento o milagre aconteceu. Ao minuto 84 Pereda desmarca-se pela direita, cruza a meia altura para a entrada fulgurante de Marcelino que bateu sem apelo nem agrado o desamparado Yashin. Era a loucura em Madrid. A Espanha acabava de vencer o seu primeiro, e único até ao momento, grande título internacional de futebol.


Curiosidades do Euro 64…


-A ausência de fair-play: No golo decisivo da Espanha ante a Hungria, na meia-final, o árbitro bela Bavier deveria ter parado o jogo para dar assistência ao médio húngaro Nagy, que estava deitado no relvado. Não o fez, e Lapetra marcou o canto, Marcelino cruzou e Amancio rematou para o fundo das redes.


-Se a final tivesse terminada empatada nos 120 minutos teria sido necessário uma finalíssima, marcada para o dia 23 de Junho, no Estádio Mestalla, de Valência. E se nessa finalíssima a igualdade durasse após o prolongamento a decisão da questão seria resolvida por… moeda ao ar!
-Num domingo de chuva em Madrid, a Espanha nem sentiu a falta de um dos seus jogadores mais talentosos, Del Sol, que foi convocado pelo seleccionador Villalonga mas só apareceu em Espanha no dia 15 por imposição do seu clube de então a Juventus. Na meia-final foi suplente, mas na final nem ao banco foi.



Jogos:


Meias-finais


17 de Junho, em Madrid

Espanha – Hungria: 2-1 (Pereda, aos 35’; Amancio, aos 115’) (Bene, aos 84’)


17 de Junho, em Barcelona

Dinamarca – União Soviética: 0-3 (Voronin, aos 19’; Ponedelnik, aos 40’; Ivanov, aos 87’)


Jogos dos 3º e 4º lugares


20 de Junho, em Barcelona

Hungria – Dinamarca: 3-1 (Bene, aos 11’; Novak, aos 107’, e 110’) (Bertelsen, aos 82’)



Final


21 de Junho, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid


Espanha - União Soviética: 2-1


Árbitro: Arthur Holland (Inglaterra)


Espanha: José Iribar, Feliciano Revilla, Fernando Olivella, Isacio Calleja, Ignacio Zoco, José Fuste, Amancio, Jesus Pereda, Marcelino Martinez, Luís Suaréz, e Carlos Lapetra. Treinador: José Villalonga


União Soviética: Lev Yashin, Victor Chusitkov, Albert Schesternev, Edouard Mudrik, Valeri Voronin, Victor Anickine, Igor Chislenko, Valentin Ivanov, Victor Pondedelnik, Alexei Korneev, e Galimzian Khusainov. Treinador: Gavril Kachalin


Marcadores: Pereda, aos 6’, Khusainov, aos 8’, e Marcelino, aos 84’.
Onze ideal do Europeu:



Yashin (União Soviética) Rivilla (Espanha) Olivella (Espanha) Amancio (Espanha) Novak (Hungria) Zoco (Espanha) Suaréz (Espanha) Bene (Hungria) Albert (Hungria) Ivanov (União Soviética) Pereda (Espanha)
Melhores marcadores:*


Pereda (Espanha) Bene (Hungria) Novak (Hungria)


*todos com dois golos
Legendas das fotografias:


1- Logotipo oficial do Espanha 1964


2- O "onze" da Espanha que fez história na final ante a poderosa União Soviética


3- Um momento do empolgante jogo das meias-finais entre espanhóis e magiares


4- Espanha celébra um golo na final contra os soviéticos


5. A estrela da selecção húngara: Florian Albert


6- Espanhóis posam para a fotografia já com a taça na mão


7- O treinador espanhol Villalonga é levado em ombros após a vitória final


8- Um dos muitos duelos da grande final


9- O palco da final: o majestoso Santiago Bernabéu, em Madrid


10- Primeira página do diário desportivo espanhol Marca noticiando a grande conquista


11- O espanhol Pereda, um dos melhores marcadores do Euro 64


12- Mais um momento de grande perigo protagonizado pela Espanha na grande final
Vídeo: ESPANHA - URSS



Manchester United subiu ao trono do futebol europeu...

sexta-feira, maio 09, 2008

História dos Europeus de Futebol (1)... França 1960

Vamos dar hoje início a uma maravilhosa viagem pela não menos maravilhosa História dos Campeonatos da Europa de Futebol. À semelhança do que temos vindo a fazer com os Mundiais iremos relatar as principais histórias e factos da mais importante competição europeia. Inauguramos esta vitrina quando falta menos de um mês para na Áustria e na Suíça ter início a 13ª edição do Europeu de futebol. E como em todas as histórias vamos começar pelo início, isto é, por fazer uma viagem até 1955 ano em que o francês Henry Delauny, secretário-geral da UEFA, teve a ideia de criar uma competição continental ao nível de selecções. Na altura, eram disputados três grandes torneios no âmbito de selecções no Velho Continente, mais precisamente o Campeonato Internacional das Nações Britânicas (o qual juntava a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales, e a Irlanda do Norte), a Taça Nórdica (disputada pela Dinamarca, Finlândia, Noruega, e Suécia), e o Campeonato da Europa Central (no qual participavam a Áustria, Hungria, Checoslováquia, e a Suíça). E eis então que nesse ano de 1955 Delauny propôs a criação de um campeonato que agregasse todas as nações da Europa, uma ideia que no entanto não seria bem acolhida por muitas da potências futebolísticas europeias da época, casos das selecções britânicas, da Alemanha, da Itália, e ainda da Suécia. Ficou desde logo definido que a nova competição se passaria a denominar Taça da Europa das Nações, nome que seria definitivamente alterado para Campeonato da Europa de Futebol, em 1968. Ficou igualmente assente que a competição seria disputada de quatro em quatro anos, à semelhança do que acontecia com os Campeonatos do Mundo. Em termos de formato foi definido que a Taça da Europa das Nações seria disputada por rondas pré-eliminares até aos quartos-de-final (jogadas sempre a duas mãos), sendo que as meias-finais, o jogo dos 3º e 4º lugares, e a final eram consideradas as verdadeiras fase finais da competição, e seriam disputadas num dos quatro países qualificados para essa fase final. A primeira fase final, ou primeiro Europeu, se preferirem, foi disputado no ano de 1960, sendo que as eliminatórias começaram dois anos antes. O pontapé de saída foi dado em Dublin, na República da Irlanda, a 5 de Abril, num jogo entre a equipa da casa e a Checoslováquia, tendo o primeiro golo sido da autoria do irlandês Liam Tuohy. Até à fase final seriam realizadas mais 24 partidas. Refira-se que nesta primeira fase de qualificação inscreveram-se 17 países (República da Irlanda, Checoslováquia, União Soviética, Hungria, França Grécia, Roménia, Turquia, Noruega, Áustria, Jugoslávia, Bulgária, República Democrata da Alemanha, Portugal, Polónia, Espanha, e Dinamarca). E os primeiros participantes da fase final de um Europeu seriam a Checoslováquia, a União Soviética, a Jugoslávia, e a França. E seria a este último país que a UEFA entregaria a responsabilidade de acolher a fase final da nova competição.


Domínio dos países de leste na fase final

E eis que chegamos ao momento alto da nova competição continental, o momento em que quatro selecções iriam lutar pela conquista da Taça da Europa, um bonito troféu que seria mais tarde baptizado com o nome do mentor desta prova, Henry Delauny, que não chegaria a ver o seu sonho ser tornado em realidade, uma vez que faleceu algum tempo antes da fase final. E o pontapé de saída foi dado no majestoso Parques dos Príncipes, em Paris, a 6 de Julho de 1960, que recebeu as equipas da França e da Jugoslávia, em jogo referente à primeira meia-final da competição. Um jogo que ficaria para a história, não só porque se tratou do primeiro de uma fase final do Europeu mas também pela grandioso espectáculo protagonizado pelas duas equipas. Os franceses mesmo sem a sua maior estrela da altura, Just Fontaine, que dois anos antes havia brilhado no Mundial da Suécia, estavam convencidos que iriam demonstrar em campo toda a sua superioridade para assim chegar ao primeiro sucesso europeu. Não foi a ausência de Fontaine que afectou a exibição dos franceses que estiveram em grande parte do jogo à frente do marcador. O golo inaugural da fase final foi no entanto apontado pelos visitantes por intermédio da sua estrela maior, Milan Galic, aos 11 minutos. Um minuto depois Vincent igualou para a França, para aos 43 minutos François Heutte colocar os anfitriões pela primeira vez na frente. Na 2ª parte o espectáculo continuou e aos 53 minutos Wisniesky aumenta a vantagem da França. Contudo, do outro lado estava uma grande equipa que nunca se deu por vencida, e aos 55 minutos reduz a desvantagem por intermédio de Zanetic. A faltar menos de meia hora para o árbitro belga Gaston Grandain dar por terminado o jogo o Parque dos Príncipes entra em delírio com o quarto golo da equipa da casa, da autoria de François Heutte, que bisava assim na partida. Poucos acreditariam que Les Blues não estariam na grande final. Mas o sonho acabaria por virar pesadelo em apenas cinco minutos, com os jugoslavos a apontarem três golos e a colocarem o resultado final em 5-4 a seu favor, carimbando o passaporte para a final. Tomislav Knez, aos 75 minutos, e Drazen Jerkovic, aos 78 e 79 minutos, foram os homens que calaram o anfiteatro parisiense. A outra meia-final foi disputada em Marselha, no Stade Velodrome, entre soviéticos e checoslovacos. Um jogo onde os soviéticos liderados pelo grande guarda-redes Lev Yashin desde cedo deram mostras de querer vencer. As oportunidades de golos do jogo pertenceram-lhes quase todas, não sendo de estranhar que derrotassem a sua congénere da Checoslováquia por 3-0. A estes últimos nem a sua estrela-mor, Masopust, considerado um dos melhores jogadores do Mundo da época, lhes valeu. A grande estrela do jogo foi Yashin, apelidado pelos críticos do futebol como a "aranha-negra" e tido por muitos como o melhor guardião de sempre. Neste jogo defendeu uma grande penalidade.


O último lugar do pódio…


A 9 de Julho o Velodrome de Marselha recebia a partida para a apurar os 3º e 4º classificados. Ao campo subiam as equipas derrotadas nas meias-finais, França e Checoslováquia. Os franceses ainda abalados pelo "terramoto jugoslavo" dias antes entraram em campo com várias alterações no seu "onze". Para eles ser segundos no "seu" Europeu era igual a ser últimos. Postura diferente foi encarada pelos checoslovacos que entraram em campo com o pensamento na vitória desde o apito inicial. Além de que acabar a competição no último lugar do pódio era uma situação de algum prestígio. Os franceses arrastaram-se pelo campo durante todo o jogo, facto aproveitado pelos jogadores de leste para se adiantar no marcador aos 58 minutos por Bubnik. Acabariam por selar o triunfo a dois minutos do fim por intermédio de Pavlovic.


…e a grande final

A 10 de Julho o Parque dos Príncipes engalanou-se para receber os dois finalistas do evento. Sob a arbitragem do inglês Arthur Ellis soviéticos e jugoslavos entraram em campo com vontade de fazer história. Do lado dos soviéticos a transpiração, do dos jugoslavos a inspiração. É desta forma que se pode fazer a leitura desta final. O futebol rendilhado e mais técnico dos jugoslavos seria ultrapassado pelo rigor, pela força e pela frieza táctica soviética. Jugoslávia que aproveitando a sua frescura física se adiantou no marcador aos 43 minutos por Milan Galic. No segundo tempo a União Soviética puxou dos seus galões e empatou o jogo ao minuto 49, por Metreveli. Com alguma dificuldade a equipa jugoslava ainda conseguiu levar a decisão para prolongamento. E aos 113 minutos os soviéticos deram a machadada final ao apontar o segundo, por Victor Ponedelnik, sendo que para a desgastada Jugoslávia era já quase impossível dar a volta ao marcador. Comandados por Yashin, e influenciados por "astros" como Valentin Ivanov, e Igor Netto a União Soviética sagra-se assim a primeira CAMPEÃ DA EUROPA DE NAÇÕES. Os soviéticos foram uns vencedores justos, embora não tenham entusiasmado. Contudo, mereceram a vitória graças à sua condição física e determinação. E ainda por levarem o novo torneio mais a sério que outros.


Meias-finais


6 de Julho, em Paris
França – Jugoslávia: 4-5 (Vincent, 12’; Heutte, 43’ e 62’; Wisnieski, 53’) (Galic, 11’; Zanetic, 55’; Knez, 75’; Jerkovic, 78’ e 79’)


6 de Julho, em Marselha

Checoslováquia – União Soviética: 0-3 (Ivanov, 34’ e 56’; Ponedelnik, 66’)


Jogo dos 3º e 4º lugares


9 de Julho, em Marselha

Checoslováquia – França: 2-0 (Bubnik, 58’; Pavlovic, 88’)
Final 

10 de Julho, em Paris

União Soviética – Jugoslávia: 2-1

Árbitro: Arthur Ellis (Inglaterra)

União Soviética: Lev Yashin, Givi Chokheli, Anatoli Maslenkine, Anatoli Krutikov, Iouri Voinov, Igor Netto, Slava Matreveli, Valentin Ivanov, Victor Ponedelnik, Valentin Boubokine, e Mikhail Meshki. Treinador: Gavril Kachalin

Jugoslávia: Blagoge Vidinic, Vladimir Durkovic, Fahrudin Jusufi, Ante Zanetic, Jovan Miladinovic, Zeljko Perusic, Dragoslav Sekularac, Drazen Jerkovic, Milan Galic, Zeljko Matus, e Bora Kostic. Treinador: Ljubomir Lovric

Golos: Galic (43’), Metreveli (49’), e Ponedlenik (113’). Onze Ideal do Europeu:

Yashin (União Soviética) Durkovic (Jugoslávia) Masopust (Checoslováquia) Ivanov (União Soviética) Novak (Checoslováquia) Metreveli (União Soviética) Netto (União Soviética) Sekularac (Jugoslávia) Kostic (Jugoslávia) Galic (Jugoslávia) Ponedelnik (União Soviética) Melhores marcadores:*

Heutte (França) Galic (Jugoslávia) Jerkovic (Jugoslávia) Ivanov (União Soviética) Ponedelnik (União Soviética)

*todos com dois golosLegendas das fotografias:

1- Logotipo oficial do primeiro Campeonato da Europa de Futebol

2- A bonita taça que premeia o vencedor do Europeu, baptizada de Henry Delauny

3- Soviéticos saudam o público após garantirem o triunfo na final

4- O palco da primeira final do Euro: o Parque dos Príncipes, de Paris

5- Capitão soviético Netto ergue a taça

6- O lendário guarda-redes Lev Yashin, considerado a grande estrela deste Europeu 1960

7- François Heutte, o melhor marcador da França no Euro 1960

8- Dois capitães de equipa cumprimentam o árbitro inglês Ellis antes do pontapé inicial da final

9- Soviéticos dão a volta de honra ao campo com o capitão Netto a segurar o troféu conquistado

10- Yashin e Netto mostram a taça na chegada a Moscovo

11-A equipa da casa: a França

12- Victor Ponedelnik, o autor do golo do triunfo na final

13- Uma das grandes estrelas deste primeiro Euro, o jugoslavo Milan Galic

14- O "onze" da União Soviética que ficou imortalizado na história


Vídeo: URSS - JUGOSLÁVIA



sexta-feira, maio 02, 2008

Lista de Campeões... Liga Intercalar

A Liga Intercalar foi talvez a competição do futebol português que teve a vida mais curta! Surgida na temporada de 2007/08 a prova era destinada aos jogadores jovens e aos menos utilizados dos clubes que nela participaram. A 1ª edição foi disputada por clubes das associações de futebol do Porto (associação fundadora da prova) e de Braga, sendo que nas duas edições posteriores a competição seria alargada aos clubes da Associação de Futebol de Lisboa. Quando se pensava que estariamos perante uma prova com futuro, um verdadeiro campeonato nacional de reservas, eis que em 2009/10 a Liga Intercalar chegou ao fim. Seguidamente deixamos aos visitantes dos três únicos campeões da prova.

2007/08: VARZIM

2008/09: FC PORTO

2009/10: ESTORIL

quarta-feira, abril 16, 2008

Estrelas cintilantes (13)... Guillermo Stábile

Vamos hoje visitar outro herói da bola da primeira metade do século passado, mais precisamente dos anos 20 e 30. Um homem que viu o seu nome ser perpetuado no Atlas do Futebol Mundial por ter sido o primeiro artilheiro de um Campeonato do Mundo. Esse homem é Guillermo Stábile, nascido a 7 de Janeiro de 1905 em Buenos Aires, na Argentina. Goleador exímio Stábile começou a sua carreira no Club Atlético Huracán, de Buenos Aires, onde actuou como atleta amador entre 1920 e 1930. Por este emblema das pampas conquistou inúmeros títulos amadores, pois convém referir que a 1ª Divisão Nacional argentina apenas seria fundada em 1931.
1930 seria o ano em que Stábile se daria a conhecer ao Mundo inteiro. O ano em que foi convocado para representar a sua selecção no primeiro Mundial de futebol da FIFA, no Uruguai, onde se sagrou vice-campeão do Mundo. E se o Uruguai venceu o título mundial Stábile venceria o título de melhor marcador da competição, com um total de oito golos apontados em quatro jogos realizados. Estes seriam, aliás, os únicos jogos em que vestiria a camisola do seu país.
Fez o seu primeiro jogo no Mundial de 1930 diante do México, substituindo o habitual titular da linha avançada das pampas Roberto Cherro que se lesionara no primeiro encontro da sua equipa na competição. O jogo diante dos mexicanos terminou com a vitória da Argentina por 6-3 e Stábile marcou... três golos. No último jogo da fase de grupos os argentinos defrontaram o Chile e venceram por 3-1, com Stábile a fazer o gosto ao pé por duas vezes.
Nas meias-finais a Argentina esmagou os Estados Unidos da América por 6-1 e o nosso craque de hoje apontou mais dois golos, ajudando desta forma a sua equipa a chegar à final.
E no dia 30 de Junho de 1930 Uruguai e Argentina subiram ao relvado do majestoso Estádio Centenário, em Montevideo, para disputar o primeiro título mundial da história. O resultado final, como já aqui aludimos em várias ocasiões, cifrou-se num 4-2 a favor dos charruas, com Stábile a deixar a sua marca pessoal no encontro ao apontar o segundo golo argentino.
Sagrava-se desta forma como o primeiro melhor marcador da história de um Mundial.
A excelente campanha no Uruguai valeram-lhe vários convites de equipas europeias, tendo na temporada de 1930/31 defendido as cores dos italianos do Génova, onde permaneceria até 1935. Mudar-se-ia depois para o Nápoles, onde apenas jogaria uma temporada (1935/36).
De 1936 a 1939 actuou em França, no Red Star de Paris, clube onde findou a sua carreira de futebolista.
Após pendurar as chuteiras tornou-se treinador, e também nesta área o seu nome brilharia a grande altura. Foi seleccionador argentino entre 1939 e 1960 tendo vencido seis Copas Américas (1941, 1945, 1946, 1947, 1955 e1957)!!! Antes de pegar nos comandos da selecção do seu país trabalhou como treinador/jogador no Génova (1931/32) e como treinador no Red Star de Paris (de 1937 a 1940). Na Argentina orientou as equipas do Huracán (entre 1940 e 1949) e do Racing Club (entre 1949 a 1960). Faleceu na sua cidade natal a 27 de Dezembro de 1966.

sábado, abril 12, 2008

Faleceu uma (grande) figura do jornalismo desportivo... Manuel Dias

É com muita tristeza que o Museu Virtual do Futebol abre hoje as suas portas para comunicar o desaparecimento de um dos grandes nomes do jornalismo desportivo nortenho, e porque não dizê-lo de todo o país, mais concretamente Manuel Dias. Um homem por quem eu tenho uma grande admiração enquanto profissional, uma grande referência para mim que me considero um mero aprendiz na arte de escrever. Manuel Dias é um dos meus ídolos, por assim dizer, no jornalismo desportivo, e foi com profunda tristeza que hoje de manhã ao passar os olhos pelos jornais do dia dei com a notícia da sua morte. Para quem não o conhece, o que julgo serem poucos, Manuel Artur dos Santos Dias, o seu nome completo, nasceu a 19 de Julho de 1934, na freguesia da Vitória, no Porto. Iniciou a profissão de jornalista em 1965 no O Primeiro de Janeiro (PJ), onde assinou milhares de crónicas e reportagens ao serviço deste ilustre diário portuense. Ficaria conhecido nos meandros do jornalismo como o Manel Dias, do Janeiro. Com o PJ este homem percorreu o Mundo, acompanhando diversas comitivas oficiais e equipas de futebol. O Desporto Rei era uma das suas grandes paixões, sendo esta a área em que se tornaria um mito nesta profissão. Era adepto confesso do Futebol Clube do Porto, tendo escrito vários livros sobre este clube. Ele que escreveu tão grandes e diversos factos históricos da vida do maior clube da Invicta como a inauguração do já desaparecido Estádio das Antas, ou as primeiras vitórias europeias dos portistas. Depois de trabalhar no PJ Manuel Dias "transferiu-se" para a RTP/Porto, onde continuou a sua brilhante carreira de jornalista desportivo. Passaria mais tarde por outro diário de referência da cidade do Porto, o Jornal de Notícias, onde permaneceria até à hora da sua morte. Para além do jornalismo desportivo também se destacou no jornalismo cultural, tendo sido autor de diversos livros dedicados à vertente cultural. Esteve, aliás, ligado a várias associações culturais do Porto. Esteve ligado ao teatro também, e foi o co-autor de "Um cálice de Porto", peça exibida pelo Seiva Trupe. Tive a oportunidade, e a honra, de conhecer pessoalmente este homem aquando do lançamento de uma das suas muitas obras literárias dedicadas ao futebol, mais concretamente o livro "Futebol no Porto", lançado em 2001. Morreu ontem, com 73 anos, vítima de doença que o afectava há mais de um ano um homem que vai ficar na história do jornalismo desportivo.

quinta-feira, abril 10, 2008

Grandes Mestres da Táctica (3)... Bill Jeffrey

Pode não ser - tão - conhecido mundialmente como José Mourinho, Arséne Wenger, ou Alex Fergusson, ou não ter o seu nome escrito a letras de ouro no capítulo "melhores treinadores do Mundo" da história do futebol como Victorio Pozzo, Bobby Robson, Alf Ramsey, Miguel Muñoz, César Luis Menotti, Telê Santana, Bill Shankly, entre outros, mas merece, sem margem para dúvidas, ter nem que seja uma linha dedicada à sua pessoa no grande Atlas do Futebol Mundial. Falamos de Bill (diminutivo de William) Jeffrey, o homem que arquitectou a maior surpresa de todos os tempos no planeta da bola, um facto ocorrido no Mundial de 1950 (decorrido no Brasil) quando os amadores dos Estados Unidos da América (EUA) derrotaram a super-potência mundial da altura, a Inglaterra, por 1-0. Jogo esse que aliás, já aqui falámos no Museu em várias ocasiões.
Bill Jeffrey era o treinador dos norte-americanos nesse célebre jogo, entrando desta forma para a galeria dos imortais do futebol mundial. A nossa personalidade de hoje nasceu a 3 de Agosto de 1892, em Edimburgo, na Escócia, tendo emigrado em 1920 para os EUA onde se tornou futebolista semi-profissional, tendo jogado nas equipas do Altoona, Homestead, Braddock, e do Bethlehem. Finda a carreira de futebolista tornou-se então treinador. E nesta área para além do feito histórico de ter vencido a Inglaterra em 1950 Jeffrey tem como principal feito o facto de ter vencido 9 Campeonatos Nacionais Universitários ao serviço da equipa do Penn State. Pela mítica vitória sobre os ingleses no Mundial de 1950 Jeffrey entrou para a história do soccer norte-americano, e como tal a Associação Nacional de Treinadores daquele país criou um prémio com o seu nome. Prémio esse que é atribuído anualmente ao melhor treinador do país. Faleceu a 7 de Janeiro de 1966. O seu nome está perpetuado no National Soccer Hall of Fame (museu de futebol) dos EUA.

segunda-feira, abril 07, 2008

Grandes lendas do futebol mundial (6)... José Nasazzi - O general de uma geração de ouro

Vamos hoje dar um pulinho à vitrina destinada às grandes lendas do futebol para conhecer um pouco do perfil de um dos magos do futebol uruguaio. Um homem que ficará eternamente ligado às gloriosas décadas de 20 e 30 do futebol charrúa, tempos onde os uruguaios dominaram o mundo da bola, domínio esse expresso na conquista de dois títulos olímpicos (1924 e 1928) e um mundial (1930). Esse homem foi o líder e capitão dessas mágicas selecções uruguaias e dá pelo nome de José Nasazzi.
Nasceu a 24 de Maio de 1901, em Montevideo, e foi um dos maiores defesas centrais da história do desporto rei. O seu futebol de raça e vontade encantou o povo uruguaio. Era um jogador muito forte fisicamente, tenho muitas vezes sido acusado de ser um jogador violento pela forma como encarava o jogo.
Era conhecido entre os colegas como o Marechal, e entre os adversários, como el terrible. Tornou-se num dos mais laureados jogadores do seu país, sendo juntamente com Pedro Cea, Héctor Scarone e José Leandro Andrade o jogador que esteve em todas as conquistas da selecção uruguaia de futebol nos anos 20 e 30.
Iniciou a sua carreira desportiva em pequenos clubes como o Lito e o Roland Moor, até que em 1921 chegou aos quadros do recém-fundado Bella Vista onde cumpriu uma década em grande. Em 1925 envergou as cores do Nacional de Montevideo numa digressão que esta equipa fez pela Europa. Pelos nacionalistas Nasazzi actuaria definitivamente a partir de 1932, defendendo as suas cores até 1936, ano em que colocou um ponto final na carreira. Com esta equipa ganhou os campeonatos uruguaios de 1933 e 1934.
Cortador de mármore na época que o futebol era amador em quase todo o mundo, Nasazzi teve reconhecimento internacional em Paris, em 1924, e em Amesterdão, em 1928, quando os uruguaios encantaram os europeus nas competições de futebol nos Jogos Olímpicos, e na já citada excursão do Nacional.
Mas o momento mais importante da sua carreira ocorreu em 1930, quando o seu país acolheu o primeiro Campeonato do Mundo da história. Mundial que seria vencido – como já aqui frisámos em várias ocasiões - pelos uruguaios capitaneados pelo mago Nasazzi.
Actuou 39 vezes pela Celeste Olímpica.Chegou a jogar como avançado na histórica excursão que o Nacional fez na Europa, tendo marcando em 10 ocasiões.
Depois de terminada a carreira desportiva foi líder sindical. O estádio do Club Atlético Bella Vista tem o seu nome. José Nasazzi morreria na sua cidade natal em 17 de Junho de 1968.

terça-feira, março 25, 2008

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (5)... Gomes Amaro

Voltamos hoje à galeria dos grandes mestres do jornalismo desportivo para fazer uma pequena alusão a uma lenda da rádio portuguesa, um homem que me habituei a ouvir desde pequeno e por quem nutro uma grande admiração. Falo do popular e conhecido Gomes Amaro, um cidadão brasileiro radicado no nosso país desde os anos 70 e que ficou conhecido pelos seus excêntricos e animados relatos de futebol.
Da sua boca saíram expressões que ficarão imortalizadas nos meandros dos relatos de futebol, tais como: "Vai busca-la Tibi" (aludindo ao antigo guarda-redes do FC Porto quando este ia buscar a bola ao fundo da suas redes depois de ter sofrido um golo); "a bola de couro" (quando se referia ao esférico), "o guarda-balas" (guarda-redes); ou "o barbante" (baliza).
Acompanhou sempre o FCPorto e a selecção portuguesa, relatou durante muitos anos em várias estações de rádio, tais como a Rádio Porto, a Rádio Press e terminou a sua carreira na Rádio Festival, sempre para o Quadrante Norte, empresa responsável pelo programa.
Actualmente tem um programa na televisão, mais precisamente no Porto Canal, intitulado de "Tribunal". Neste programa (que passa todos os domingos à noite, por volta das 23 horas) Gomes Amaro atende os telefonemas dos espectadores que deixam a sua análise – em directo- aos factos referentes à jornada mais recente do Campeonato Português.

quarta-feira, março 19, 2008

Grandes Clássicos da Bola (4)... Itália-Brasil (3-2)

Apesar de belo e apaixonante o futebol é tudo menos um jogo onde o conceito de justiça nem sempre tem lugar reservado. Ou seja, muitas das vezes nem sempre vence quem fez por o merecer, quem lutou mais para alcançar o triunfo, o que leva muita gente a proferir o chavão de que "o futebol é por vezes muito injusto".
E hoje vamos recordar uma das maiores injustiças futebolísticas de que há memória. Vamos por isso fazer uma viagem até 1982, mais precisamente ao Campeonato do Mundo da FIFA, que nesse ano decorreu em Espanha. Um Mundial que desde o seu começo estava destinado a ser conquistado por uma selecção, uma mágica equipa que dava pelo nome de Brasil, o conjunto que encantou o Mundo com o seu belo futebol. Dizem os experts da bola que a par da selecção canarinha campeã do Mundo em 1970, a qual era integrada por lendas como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, ou Carlos Alberto, a equipa de 1982 é a melhor de sempre do país do samba. Uma equipa orientada pelo mestre Telê Santana, um dos técnicos mais carismáticos de todos os tempos no Brasil, a qual tinha jogadores como Falcão, Júnior, Cerezo, Éder, Sócrates, Luizinho, e o mago Zico. Poucos eram aqueles que duvidavam que esta equipa seria a campeã do Mundo de 1982, não só pelo seu poderio e charme futebolístico como também pelo facto de que os grandes opositores dos brasileiros ao título mundial estavam a desiludir em terras castelhanas.
No entanto, nesse ano ficou provado que no futebol nada é certo por antecipação, ou seja, que é preciso esperar pelo apito final do árbitro para se ter certezas do que quer que seja. E exemplo disso foi o que se passou na tarde escaldante de 5 de Julho de 1982, tendo como cenário o já demolido Estádio de Sarriá, em Barcelona, palco onde se defrontavam Brasil e Itália, um jogo a contar para a 3ª e última jornada do Grupo C da 2ª fase da competição. Aos brasileiros bastava um empate para se qualificarem para as meias-finais, ao passo que os transalpinos teriam forçosamente de vencer para seguirem em frente. A tarefa da Itália não era nada fácil, muito pelo contrário, não só porque defrontava a melhor equipa desse Mundial, e quiçá do Mundo inteiro daquela época, mas também porque havia realizado uma primeira fase miserável, cedendo três empates escandalosos contra equipas de pequena/média dimensão internacional, casos do Perú, Camarões e Polónia.
O Sarriá apresentava-se cheio como um ovo, na espectativa de ver mais um recital de bola protagonizado pelos canarinhos. As equipas entram em campo, a bola começa a rolar e para surpresa geral os italianos adiantam-se no marcador quando estavam decorridos apenas cinco minutos por intermédio de um avançado que até então tinha praticamente passado despercebido nos relvados espanhóis, de seu nome Paolo Rossi.
O Brasil puxa então dos seus galões e aos 12 minutos iguala o marcador, através do genial Sócrates. A partida estava animada, jogada a um ritmo diabólico. Ao minuto 23 Rossi silencia de novo o Sarriá, fazendo o 2-1 para a Itália, resultado com que se atingiu o intervalo.
Com um futebol jogado ao ritmo do samba o Brasil empata de novo aos 23 minutos da etapa complementar, por intermédio de Falcão, e poucos julgavam que os canarinhos não estivessem nas meias-finais. Contudo, um endiabrado Paolo Rossi tratou de protagonizar umas das maiores surpresas, e porque não dizê-lo injustiças, da história do futebol, quando aos 76 minutos bateu pela terceira vez naquela tarde o guardião Wladir Peres e carimbou o passaporte da azzurra para as semi-finais do Mundial ao fazer o 3-2 final. Italianos que viriam a sagrar-se mais tarde campeões do Mundo, após vencerem em Madrid a Alemanha Ocidental por 3-1. Nos escritos históricos da FIFA quando se fala nesse célebre jogo entre brasileiros e transalpinos pode ler-se a seguinte frase: "Brasil brilha, mas Rossi ganha o ouro para a Itália". A melhor selecção do Mundo perdia com aquela que iria ficar com o troféu na final contra todas as previsões. A partida, é ainda hoje uma das mais vivas na memória desportiva brasileira, ficando conhecida como a "Tragédia do Sarriá".

Ficha do Jogo
Jogo disputado no Estádio Sarriá, em Barcelona, em 5/7/1982
Assistência: 44 000 espectadores
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Itália: Zoff, Gentile, Cabrini, Collovati (Bergomi), Scirea, Tardelli (Marini), Antognoni, Oriali, Conti, Paolo Rossi, Graziani. Treinador: Enzo Bearzot.
Brasil: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior, Cerezo, Falcão, Zico, Serginho (Paulo Isidoro), Sócrates, Éder. Treinador: Telê Santana.
Golos: Paolo Rossi (5', 25', 74'), Sócrates (12') e Falcão (68').
Legenda das fotografias:
1- Paolo Rossi na condição da bola perseguido por Júnior
2- A mágica selecção do Brasil
3- A equipa italiana
4- Zico é marcado por Gentile

segunda-feira, março 10, 2008

Efemérides do Futebol (2)...

O primeiro guarda-redes a marcar um golo num jogo internacional

O escocês James McAulay (1860-1943) foi um dos mais brilhantes guarda-redes do futebol escocês, tendo defendido a baliza do seu país por oito vezes, a partir de 1883. Antes disso, em 1882, quando a Escócia derrotou o País de Gales por 5-0, em Glasgow, no dia 25 de Março, McAulay fez a sua estreia internacional como... avançado-centro, tendo marcado um golo. Este guardião do Dumbarton FC também demonstrou a sua veia goleadora ao serviço deste clube em diversas ocasiões. Engenheiro de profissão terminou prematuramente a sua carreira desportiva quando em 1887 foi trabalhar para a Birmania (actualmente conhecida como Myanmar).

quarta-feira, março 05, 2008

Catedrais Históricas (6)... Camp Nou

É uma das catedrais mais belas e míticas do futebol mundial. A sua grandeza e imponência fazem dela uma autêntica fortaleza para a equipa que nela actue e um inferno para os que a visitam. Falamos hoje do Camp Nou, o estádio do FC Barcelona.
Antes de mais dizer que Camp Nou significa "Campo Novo" em língua catalã, apelido dado pelos adeptos barcelonistas na altura da inauguração do recinto, sendo que o nome oficial do estádio é: Estadi Futbol Club Barcelona.
Inaugurado em 24 de Setembro de 1957, quando o FC Barcelona abandonou o seu antigo Estádio de Les Corts, por este ser muito pequeno, a primeira partida no novo estádio foi um amigável entre o Barça e uma selecção de Varsóvia, com a vitória a sorrir aos catalães por 4-2. No primeiro jogo oficial, referente à 2ª jornada do Campeonato Espanhol de Futebol da temporada 1957/58, entre o FC Barcelona e o Real Jaén, o resultado final cifrou-se num expressivo 6-1 para os donos da casa.
O Camp Nou foi projectado pelo arquitecto Francese Mitjans (1909-2006), nascido na cidade de Barcelona.
Desde a sua criação o estádio passou já por inúmeras reformas. Em 1981, foi ampliado para 150 mil lugares com vista a acolher alguns jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 1982, disputado em Espanha. Em 1998, visando obedecer às normas da UEFA, substituiu as áreas onde os adeptos ficavam de pé por assentos, diminuindo desta forma a sua capacidade para os actuais 98 797 lugares.
O Camp Nou é um dos estádios espanhóis catalogados com "Cinco Estrelas" pela UEFA.
No estádio estão localizados a sede social e administrativa do FC Barcelona e o museu do clube. Fora isso, o complexo desportivo conta com um outro estádio, o "Mini Estadi" (com 20 mil lugares), um ginásio multiuso para oito mil pessoas e dormitórios para os jogadores das categorias de base do Barça.
Para além de ser o palco de todos os jogos do FC Barcelona, o Camp Nou tem sido cenário de diversos eventos, tanto desportivos como sociais e culturais. Entre outros, foi um dos estádios espanhóis onde se disputou a fase final do Europeu de futebol de 1964, realizado em Espanha, tendo recebido um total de dois jogos, ou seja, uma partida meia-final (URSS – Dinamarca, que terminou 3-0 a favor dos soviéticos) e a disputa dos 3º e 4º lugares (Hungria – Dinamarca, que terminou 3-1 a favor dos magiares.
Foi também palco de cinco jogos do Mundial de 1982, entre eles: a partida de abertura, entre a então campeã mundial Argentina e a Bélgica, com vitória belga por 1-0, e uma das meias-finais entre a Itália e a Polónia, com vitória italiana por 2-0.
O torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 1992, realizados em Barcelona, teve a sua final no Camp Nou, com vitória da selecção da Espanha sobre a Polónia por 3-2.
O estádio foi ainda palco, em duas ocasiões, da final da Liga dos Campeões da UEFA. Em 24 de Maio de 1989, o AC Milan venceu o FC Steaua Bucareste por 4-0, e em 26 de Maio de 1999, o Manchester United derrotou o FC Bayern Munique por 2-1.