quinta-feira, dezembro 04, 2014

Nomes e números da Taça Intercontinental (3)... 1962

TAÇA INTERCONTINENTAL

Ano de 1962
O Santos da década de 60 - liderado por Pelé - é considerada como uma das melhores equipas de sempre
da história do futebol planetário...
... e em 1962 ergueu a primeira de duas taças Intercontinentais conquistadas



1ª mão

Santos (Brasil) - Benfica (Portugal): 3-2

Data: 19 de setembro de 1962
Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro (Brasil)
Árbitro: Rúben Cabrera (Paraguai)

Santos: Gilmar, Lima, Mauro, Calvet, Dalmo, Mengalvio, Zito, Dorval, Coutinho, Pelé, e Pepe. Treinador: Lula.

Benfica: José Rita, Ângelo, Humberto, Raúl, Cruz, Cavém, Coluna, José Augusto, Santana, Eusébio, e Simões. Treinador: Fernando Riera.

Golos:1-0 (Pelé, aos 31m), 1-1 (Santana, aos 58m), 2-1 (Coutinho, aos 64m), 3-1 (Pelé, aos 85m), 3-2 (Santana, aos 87m).
Liderados pelo génio de Pelé, o Santos fez do gigante (Estádio) Maracanã a sua casa
no encontro da 1ª mão ante o bi-campeão europeu Benfica. A turma portuguesa saiu do Rio de Janeiro com uma derrota, mas a julgar pela (excelente) exibição obtida trouxe para Lisboa uma "mala" cheia de confiança que dali a sensivelmente um mês iria derrotar os campeões sul-americanos e levar a decisão para um terceiro jogo. Inclusive, já estavam a ser comercializados bilhetes para esse hipotético terceiro encontro (!!!) que na realidade não viria a acontecer muito por culpa de uma atuação endiabrada de Pelé.

2ª mão

Benfica (Portugal) - Santos (Brasil): 2-5

Data: 11 de outubro de 1962
Estádio: Luz, em Lisboa (Portugal)
Árbitro: Pierre Schwinte (França)

Benfica: Costa Pereira, Jacinto, Germano, Raúl, Cruz, Cavém, José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna, e Simões. Treinador: Fernando Riera.

Santos: Gilmar, Mauro, Dalmo, Olavo, Calvet, Zito, Dorval, Lima, Coutinho, Pelé, e Pepe. Treinador: Lula.

Golos: 0-1 (Pelé, aos 15m), 0-2 (Pelé, aos 25m), 0-3 (Coutinho, aos 48m), 0-4 (Pelé, aos 64m), 0-5 (Pepe, aos 77m), 1-5 (Eusébio, aos 85m), 2-5 (Santana, aos 89m).
No encontro da Luz, o guarda-redes luso Costa Pereira não fez outra coisa senão ir buscar a bola ao fundo da baliza. Muito por culpa de Pelé, autor de três golos e de uma exibição endiabrada que eclipsou por completo um Benfica a quem nem Eusébio valeu. Para a história fica o resumo - extraído de um jornal brasileiro da época - do "vendaval" do Estádio da Luz, que deu o primeiro título mundial ao Peixe - alcunha pela qual é conhecido o Santos. «Logo aos 17 minutos, Pepe chutou cruzado da esquerda e o Rei (Pelé) apareceu de carrinho para abrir o placar. Nove minutos depois, Pelé arrancou fora da área, passou por três marcadores e chutou cruzado para ampliar o placar.Assustados, os portugueses não ameaçavam o gol de Gilmar e viam um total domínio da máquina de jogar futebol vinda do Brasil. O Santos criava várias oportunidades com seu ataque arrasador e consolidou a goleada no segundo tempo.
Aos 3 minutos, Pelé fez linda arrancada pela direita, deu um drible da vaca no marcador e cruzou na medida para Coutinho. Na pequena área, o camisa 9 do Peixe só teve o trabalho de empurrar para as redes.
Mas o grande lance da partida viria aos 19 da etapa final. Pelé deu um drible humilhante no marcador, passou por três adversários e chutou forte. O goleiro Costa Pereira defendeu parcialmente e o Rei (Pelé) marcou no rebote.
Para fechar a goleada, Pepe recebeu um presente do goleiro português. O ponta esquerda do Peixe foi lançado, mas Costa Pereira se antecipou ao lance para ficar com a bola. O arqueiro do Benfica, porém, soltou a pelota nos pés do camisa 11 santista, que empurrou para as redes.
O Benfica ainda descontou duas vezes nos cinco minutos finais, com Eusébio e Santana. Mas até mesmo os torcedores portugueses se renderam às 11 camisas brancas que deram espetáculo no Estádio da Luz. O Santos conquistava o mundo pela primeira vez com a magia de Pelé e se tornava o adversário mais temido do planeta». 

 Vídeo: SANTOS - BENFICA


Vídeo: BENFICA - SANTOS

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Nomes e números da Taça Intercontinental (2)... 1961

TAÇA INTERCONTINENTAL

Ano de 1961
William Martínez (Peñarol) e José Águas (Benfica)
trocam galhardetes antes do primeiro jogo
da final da Taça Intercontinental de 1961
1ª mão

Benfica (Portugal) - Peñarol (Uruguai): 1-0

Data: 4 de setembro de 1961
Estádio: Luz, em Lisboa (Portugal)
Árbitro: Othmar Huber (Suíça)

Benfica: Costa Pereira, Ângelo, Saraiva, Mário João, Cruz, Neto, José Augusto, Santana, José Águas, Coluna, e Cavém. Treinador: Béla Guttman.

Peñarol: Maidana, William Martínez, Cano, Edgardo González, Néstor Gonçálvez, Walter Aguerre, Luis Cubilla, Alberto Spencer, Ángel Cabrera, Pepe Sasía, Ernesto Ledesma. Treinador: Roberto Scarone.

Golo: 1-0 (Coluna, aos 60m)
O bilhete do encontro entre o Benfica e o Peñarol, disputado no Estádio da Luz, em Lisboa, cujo resultado final indicou uma curta vantagem dos portugueses antes da longa travessia no (oceano) Atlântico que haveria de terminar em pesadelo para os então campeões europeus.

2ª mão

Peñarol (Uruguai) - Benfica (Portugal): 5-0

Data: 17 de setembro de 1961
Estádio: Centenário, em Montevideu (Uruguai)
Árbitro: Carlos Nay Foino (Argentina)

Penãrol: Maidana, William Martínez, Cano, Edgardo González, Néstor Gonçálvez, Walter Aguerre, Luis Cubilla, Ernesto Ledesma, Pepe Sasía, Alberto Spencer, Juna Joya. Treinador: Roberto Scarone.

Benfica: Costa Pereira, Ângelo, Saraiva, Mário João, Neto, Cruz, José Augusto, Santana, Mendes, Coluna, e Cavém. Treinador: Béla Guttman.

Golos: 1-0 (Sasía, aos 10m), 2-0 (Joya, aos 19m), 3-0 (Joya, aos 28m), 4-0 (Spencer, aos 42m), 5-0 (Spencer, aos 58m).
Apesar da goleda (5-0) imposta pelos campeões sul-americanos aos seus congéneres europeus no encontro da 2ª mão, resultado esse que anulava a desvantagem (0-1) trazida pelos uruguaios do Velho Continente, a organização da prova decidiu fazer um terceiro jogo, para desempatar a contenda, uma vez que cada um dos clubes contabilizava um triunfo. Quis a sorte - para o Peñarol - e o azar - para o Benfica - que o jogo de desempate fosse de novo realizado em solo uruguaio, encontro esse onde nem o eterno Eusébio - que dava os seus primeiros pontapés de águia ao peito - salvou o Benfica de uma nova derrota, que de pronto coroou o Peñarol como CAMPEÓN DEL MUNDO
Jogo de desempate

Peñarol (Uruguai) - Benfica (Portugal): 2-1

Data: 19 de setembro de 1961
Estádio: Centenário, em Montevideu (Uruguai)
Árbitro: José Luis Praddaude (Argentina)

Peñarol: Maidana, William Martínez, Cano, Edgardo González, Néstor Gonçálvez, Walter Aguerre, Luis Cubilla, Ernesto Ledesma, Pepe Sasía, Alberto Spencer, Juan Joya. Treinador: Roberto Scarone.

Benfica: Costa Pereira, Ângelo, Humberto, Cruz, Neto, Cavém, José Augusto, Eusébio, José Águas, Coluna, e Simões. Treinador: Béla Guttman.

Golos: 1-0 (Sasía, aos 5m), 1-1 (Eusébio, aos 35m), 2-1 (Sasía, aos 40m).

La copa fue uruguaya...


A equipa do Peñarol que em 1961 conquistou pela primeira vez o Mundo. Depois da saga da seleção uruguaia no Planeta da Bola em 1924, 1928 (conquista dos títulos olímpicos), 1930, e 1950 (vencedores do Campeonato do Mundo da FIFA), este era o maior feito do futebol charrúa na senda internacional.

Nomes e números da Taça Intercontinental (1)... 1960

 TAÇA INTERCONTINENTAL
1960 é o ano em que tiveram início as lendárias batalhas entre sul-americanos e europeus pela conquista do trono mundial ao nível de clubes. A Taça Intercontinental - assim foi denominado o alvo de intensas disputas - começou em 1960 e foi disputada até 2004. De 1960 a 1979 foi disputada em duas mãos, uma em solo europeu outra em terras sul-americanas, entre os campeões da antiga Taça dos Campeões Europeus e da Copa Libertadores. Na segunda metade dos anos 70, os clubes europeus começaram a perder o interesse na competição, alegando diversas razões, a principal de todas elas a falta de segurança nas viagens à América do Sul. O comportamento hostil dos adeptos sul-americanos assustava e irritava os clubes da Europa, principalmente nas partidas realizadas em Buenos Aires e Montevideu, que em dias de jogo eram transformados em autênticos palcos de guerrilha. Nesse sentido, e para eclipsar um problema recorrente, a solução encontrada foi a de disputar o certame num jogo só, numa final em campo neutro, tendo a escolha desse palco recorrido sobre a cidade de Tóquio, no País do Sol Nascente (Japão). Este formato durou até 2004, altura em que a FIFA, patrocinadores e confederações, definiram o Mundial de Clubes da FIFA como sendo o torneio válido para se encontrar o clube campeão mundial. 
Entre 1960 e 2004 os vencedores da Taça Intercontinental intitulavam-se - e eram considerados - como campeões mundiais. Era o principal título a nível intercontinental que havia para clubes, apesar de não haver a participação de todas as confederações na competição. Esse cenário perdurou precisamente até 2004, já que no ano seguinte a FIFA reuniu os vencedores de todas as provas continentais do planeta da bola - vencedores da Liga dos Campeões Europeus (UEFA), da Copa Libertadores (CONMEBOL), da Liga dos Campeões da América do Norte (CONCACAF), da Liga dos Campeões Africanos (CAF), da Liga dos Campões Asiáticos (AFC), e da Liga dos Campeões da Oceania (OFC) - para entre estes ser discutido o primeiro Mundial de Clubes oficial. Isto, porque em 2000 a entidade que tutela o futebol planetário realizou no Brasil uma edição experimental do Mundial do certame, que oficialmente iria ver então a luz do dia em 2005.  Bom, isto é um pequeno resumo da longa e rica história da Taça Intercontinental, prova que hoje ganha um cantinho especial no Museu Virtual do Futebol, espaço virtual este que daqui em diante irá recordar os nomes e os números que deram - ou dão - vida à defunta prova. 

Ano de 1960

1ª mão

Peñarol (Uruguai) - Real Madrid (Espanha): 0-0

Data: 3 de julho de 1960
Estádio: Centenário, em Montevideu (Uruguai)
Árbitro: José Luis Praddaude (Argentina)

Peñarol:  Luis Maidana, William Martínez, Salvador, Santiago Pino, Néstor Gonçálvez, Walter Aguerre, Luis Cubilla, Carlos Linazza, Juan Hohberg, Alberto Spencer, e Carlos Borges. Treinador: Roberto Scarone.

Real Madrid: Domínguez, Marquitos, José Santamaría, Pachín, Vidal, Zárraga, Canario, Del Sol, Alfredo Di Stéfano, Ferenc Puskas, e Bueno. Treinador: Miguel Muñoz.

Bilhete do jogo da 2ª mão entre Real Madrid e Peñarol
2ª mão

Real Madrid (Espanha) - Peñarol (Uruguai): 5-1

Data: 4 de setembro de 1960
Estádio: Chamartín, em Madrid (Espanha)
Árbitro: Ken Aston (Inglaterra)

Real Madrid: Domínguez, José Santamaría, Zárraga, Marquitos, Vidal, Pachín, Herrera, Del Sol, Alfredo Di Stéfano, Ferenc Puskas, e Gento. Treinador: Miguel Muñoz.

Peñarol:  Maidana, Majewski, Martínez, Santiago Pino, Salvador, Walter Aguerre, Luis Cubilla, Carlos Linazza, Juna Hohberg, Alberto Spencer, e Carlos Borges. Treinador: Roberto Scarone.

Golos: 1-0 (Puskas, aos 2m), 2-0 (Di Stéfano, aos 3m), 3-0 (Puskas, aos 8m), 4-0 (Herrera, aos 40m), 5-0 (Gento, aos 54m), 5-1 (Spencer, aos 80m).
Blancos erguem nos céus de Madrid
a primeira Taça Intercontinental

O lendário Real Madrid de 1960, onde figuravam, entre outros, astros como Gento, Del Sol, o major Puskas, ou la saeta rubia Di Stéfano, clube que após um empate a zero bolas no não menos lendário Estádio Centenário, em Montevideu, goleou os campeões da Copa Libertadores, o Peñarol, no encontro da 2ª mão realizado em solo europeu. Estava assim dado o pontapé de saída de uma competição que nas décadas seguintes iria fazer correr muita tinta. Para o bem... e para o mal.
Vídeo: REAL MADRID - PEÑAROL

terça-feira, novembro 18, 2014

Lista de Campeões... Taça das Nações Africanas

Cor, alegria, emoção, e claro, bom futebol, são alguns dos ingredientes que a popular Taça das Nações Africanas tem oferecido ao Mundo desde 1957, ano em que a Confederação Africana de Futebol deu à luz aquela que é hoje a terceira maior competição continental ao nível de seleções, apenas superada pelo Campeonato da Europa (UEFA) e pela Copa América (CONMEBOL). O Egito é o país que mais vezes ergueu o troféu, em sete ocasiões, sendo ainda a nação que mais vezes recebeu a fase final da competição, quatro, para sermos mais precisos. Salvo raras exceções a prova é organizada de dois em dois anos. Em seguida, apresentamos os históricos campeões de uma competição que ao longo do seu meio século de vida foi disputada por alguns dos melhores jogadores de sempre do continente do ouro negro, casos de Rashid Yekini, Didier Drogba, Rabah Madjer, Nwankwo Kanu, Samuel Eto'o, Roger Milla, Abedi Pelé, entre muitos outros. 

Marrocos 2026 - Vencedor: SENEGAL
Costa do Marfim 2023 - Vencedor: COSTA DO MARFIM
Camarões 2021 - Vencedor: SENEGAL
Egito 2019 - Vencedor: ARGÉLIA
Gabão 2017 - Vencedor: CAMARÕES
Guiné Equatorial 2015 - Vencedor: COSTA DO MARFIM
África do Sul 2013 - Vencedor: NIGÉRIA
Gabão e Guiné Equatorial 2012 - Vencedor: ZÂMBIA
Angola 2010 - Vencedor: EGITO
Gana 2008 - Vencedor: EGITO
Egito 2006 - Vencedor: EGITO
Tunísia 2004 - Vencedor: TUNÍSIA
Mali 2002 - Vencedor: CAMARÕES
Gana e Nigéria 2000 - Vencedor: CAMARÕES
Burkina Faso 1998 - Vencedor: EGITO
África do Sul 1996 - Vencedor: ÁFRICA DO SUL
Tunísia 1994 - Vencedor: NIGÉRIA
Senegal 1992 - Vencedor: COSTA DO MARFIM
Argélia 1990 - Vencedor: ARGÉLIA
Marrocos 1988 - Vencedor: CAMARÕES
Egito 1986 - Vencedor: EGITO
Costa do Marfim 1984 - Vencedor: CAMARÕES
Líbia 1982 - Vencedor: GANA
Nigéria 1980 - Vencedor: NIGÉRIA
Gana 1978 - Vencedor: GANA
Etiópia 1976 - Vencedor: MARROCOS
Egito 1974 - Vencedor: ZAIRE
Camarões 1972 - Vencedor: CONGO
Sudão 1970 - Vencedor: SUDÃO
Etiópia 1968 - Vencedor: RD CONGO
Tunísia 1965 - Vencedor: GANA
Gana 1963 - Vencedor: GANA
Etiópia 1962 - Vencedor: ETIÓPIA
Egito 1959 - Vencedor: EGITO

Sudão 1957 - Vencedor: EGITO

quinta-feira, novembro 13, 2014

Estrelas cintilantes (39)... Julian Sturgis - O génio da literatura que fez história na sua fugaz aparição nos campos de "football"

Julian Sturgis em pose de... escritor
Poeta, romancista, jornalista, advogado, e... futebolista... ainda que em part-time, eis o rápido retrato biográfico de Julian Sturgis, uma figura mundialmente aclamada pelo notável trajeto percorrido no universo da literatura que na sua fugaz passagem pelos caminhos do belo jogo conquistou um lugar na história após tornar-se no primeiro estrangeiro a vencer uma competição doméstica, neste caso a FA Cup (Taça de Inglaterra), a pioneira de todas as competições do planeta da bola. Facto ocorrido em 1873, ano que Sturgis ajudou os londrinos dos Wanderers Football Club a bisar na então recém criada FA Cup. Mas, ainda antes de recordar o triunfo que coroou pelo segundo ano consecutivo os Wanderers em Terras de Sua Majestade, fiquemos a conhecer o protagonista da nossa história de hoje. Julian Russel Sturgis, de seu nome completo, nasceu em Boston, nos Estados Unidos da América, a 21 de outubro de 1848. Com apenas sete meses de idade fez a longa travessia no Atlântico na companhia da sua família, rumo a Londres, onde o seu pai, o juiz Russel Sturgis, tinha à sua espera um importante cargo numa instituição bancária da capital britânica. Descendente de uma família aristocrática o jovem Julian desde cedo frequentou as melhores escolas londrinas, entre outras o Eton College onde estudou entre 1862 e 1867, tendo nesta instituição começado a evidenciar os seus dotes literários e... desportistas, sendo que neste último aspeto deu nas vistas como guarda-redes do então recém nascido football. Após deixar o Eton College prosseguiu os estudos no Balliol College, uma espécie de pólo da prestigiada Universidade de Oxford, onde viria a obter a formação em Direito, e onde igualmente deixou créditos de um talentoso desportista, já que durante três anos fez parte da famosa equipa de remo de Oxford.
Findos os estudos Julian Sturgis tornou-se num conceituado magistrado que nunca esqueceu as suas paixões de infância, por outras palavras, a escrita e o football. E se na primeira se tornou mestre, com a publicação de inúmeros romances e livretos para óperas - sendo aqui de realçar a sua colaboração na famosa ópera Ivanhoe, de Arthur Sullivan - na segunda teve uma curta aparição enquanto futebolista amador ao serviço dos Wanderers Football Club e dos Old Etonians. 1872 foi então o ano em que Sturgis se juntou aos Wanderers, embora não tenha integrado a equipa que um ano antes no Oval Stadium, de Londres, derrotou por 1-0 os Royal Engineers e levantou a primeira FA Cup da história, permanecendo no clube até inícios de 1876. Foi pois muito curta a aventura futebolista daquele que era já então um famoso escritor.

A FA Cup original... bem
diferente do troféu atual
No retângulo de jogo atuava como avançado, tendo feito a sua estreia a 30 de novembro desse longínquo 1872 ante o grande rival dos Wanderers, os Royal Engineers. Na época o football dava apenas os primeiros passos nos caminhos da competição, sendo interpretado sobretudo por estudantes oriundos de universidades britânicas. O ponto alto da nossa história de hoje ocorre a 29 de março de 1873, tendo como cenário o Lillie Bridge Athletic Ground, local onde os Wanderers mediam forças com a equipa da Oxford University - curiosamente onde Sturgis havia estudado até 1872 - na final da jovem Taça de Inglaterra. Nos onzes das duas equipas a novidade era mesmo Julian Sturgis, cidadão norte-americano - só iria adquirir a nacionalidade inglesa em 1877 - que assim entrava para a história - estaria ele e todos os envolvidos naquela final longe de o imaginar - como o primeiro futebolista estrangeiro a vencer não só a FA Cup como também uma competição futebolística, pois, como já vimos, a taça inglesa foi a primeira prova oficial a ver a luz do dia no planeta da bola. 
 Quanto ao resultado, 2-0 para os Wanderers, team que viria ainda a vencer mais três taças de Inglaterra antes de ser extinto em 1887. Julian Sturgis ainda voltou ao jogo mais desejado da Velha Albion quatro anos mais tarde, altura em que com a camisola dos Old Etonians - equipa que teve como berço o Eton Collge, onde, recorde-se, Sturgis havia passado enquanto estudante - perdeu a final ante os... Wanderers, por 3-0. Pouco tempo depois Julian Sturgis abandona de vez o football para se dedicar por inteiro à literatura, onde foi, como já frisamos, um verdadeiro astro, não se sabendo no entanto se este talento era estendido ao futebol, modalidade na qual se desconhecem adjetivos que classifiquem a curta performance de uma figura que viria a falecer a 13 de abril de 1904.