sábado, janeiro 05, 2008

A Bola de Ouro... e os seus vencedores

Instituída pela prestigiada revista francesa France Football em 1956, a Bola de Ouro é o prémio que anualmente é atribuído ao melhor futebolista a atuar no planeta da bola. Inicialmente o prémio era atribuído apenas a jogadores que atuassem em campeonatos da Europa e que tivessem nacionalidade europeia. As exceções à regra foram os argentinos Di Stéfano e Sivori, e o moçambicano Eusébio, jogadores que na altura em que venceram este importante galardão estavam já naturalizados europeus. Esta foi a principal, e única, razão pela qual jogadores excecionais como Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Maradona, Kempes, ou Francescoli nunca conquistaram o troféu. Até que em 1995 a France Football decidiu abrir as portas a qualquer futebolista europeu, ou não, que jogasse em clubes do Velho Continente. O primeiro não-europeu a vencer o prémio seria o liberiano George Weah. Em 2007 a famosa revista francesa decide que dali em diante o vencedor do prémio pode ser um futebolista que atue em qualquer parte do Mundo. Este prémio é o sonho de qualquer jogador do Mundo, já que ele significa precisamente ser-se considerado o... melhor jogador do planeta. O galardão é atribuído por 52 jornalistas europeus de países diferentes. A partir de 2010 a FIFA junta-se à France Football na atribuição do prémio para designar o melhor futebolista do ano civil. Algo que acontece até 2016, altura em que o galardão volta a ser da exclusiva responsabilidade da revista francesa, com a FIFA a criar o seu próprio prémio - Best FIFA Football Awards - para coroar o melhor jogador do ano. Desde 1956, ano em que o inglês Sir Stanley Matthews inaugurou a galeria dos vencedores, até à data muitos foram os craques que foram agraciados com este prestigiado e bonito troféu. O argentino Lionel Messi é o jogador com mais Bolas de Ouro guardadas na sua vitrina pessoal, oito para sermos mais precisos (!), o que faz da Argentina um dos países com mais Bolas de Ouro arrecadadas por jogadores seus, a par da França, ambas as nações com oito conquistas. Portugal inscreveu o seu nome na pomposa lista de vencedores por intermédio de Cristiano Ronaldo (em 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017), Luís Figo (2000) e Eusébio (1965). O clube cujos seus jogadores mais troféus conseguiram é o Barcelona, com 14 conquistas. Seguidamente apresentamos os ilustres vencedores do não menos ilustre galardão. 
1956: MATTHEWS (Inglaterra/Blackpool)
1957: DI STÉFANO (Espanha/Real Madrid)
 1958: KOPA (França/Real Madrid)
1959: DI STÉFANO (Espanha/Real Madrid)
1960: SUÁREZ (Espanha/Barcelona)
1961: SIVORI (Itália/Juventus)
1962: MASOPUST (Checoslováquia/Dukla Praga)
 1963: YASHIN (URSS/Dynamo Moscovo)
 1964: LAW (Escócia/Manchester United)
1965: EUSÉBIO (Portugal/Benfica)1966: CHARLTON (Inglaterra/Manchester United)
1967: ALBERT (Hungria/Ferencvaros)  
1968: BEST (Irlanda do Norte/Manchester United)
                                                         1969: RIVERA (Itália/Milan)
 1970: MULLER (Alemanha/Bayern)
1971: CRUYFF (Holanda/Ajax)
 1972: BECKENBAUER (Alemanha/Bayern)
1973: CRUYFF (Holanda/Ajax/Barcelona)
 1974: CRUYFF (Holanda/Barcelona)
1975: BLOKHIN (URSS/Dynamo Kiev)
 1976: BECKENBAUER (Alemanha/Bayern)
1977: SIMONSEN (Dinamarca/Monchengladbach)
1978: KEEGAN (Inglaterra/Hamburgo)
1979: KEEGAN (Inglaterra/Hamburgo) 

1980: RUMMENIGGE (Alemanha/Bayern)
 1981: RUMMENIGGE (Alemanha/Bayern)
1982: ROSSI (Itália/Juventus)
1983: PLATINI (França/Juventus)
1984: PLATINI (França/Juventus)
 1985: PLATINI (França/Juventus)
1986: BELANOV (URSS/Dynamo Kiev)
1987: GULLIT (Holanda/PSV/Milan)
1988: VAN BASTEN (Holanda/Milan)
1989: VAN BASTEN (Holanda/Milan)
1990: MATTHAUS (Alemanha/Inter)
1991: PAPIN (França/Marselha)1992: VAN BASTEN (Holanda/Milan)
1993: BAGGIO (Itália/Juventus)
1994: STOITCHKOV (Bulgária/Barcelona)
1995: WEAH (Libéria/Milan)
1996: SAMMER (Alemanha/Borussia Dortmund)
1997: RONALDO (Brasil/Barcelona/Inter)
1998: ZIDANE (França/Juventus)
1999: RIVALDO (Brasil/Barcelona)
2000: FIGO (Portugal/Barcelona/Real Madrid)
2001: OWEN (Inglaterra/Liverpool)
2002: RONALDO (Brasil/Inter/Real Madrid)
2003: NEDVED (República Checa/Juventus)
2004: SHEVCHENKO (Ucrânia/Milan)2005: RONALDINHO (Brasil/Barcelona)
2006: CANNAVARO (Itália/Juventus/Real Madrid) 2007: KAKÁ (Brasil/Milan) 2008: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Manchester United)
2009: MESSI (Argentina/Barcelona)
2010: MESSI (Argentina/Barcelona)2011: MESSI (Argentina/Barcelona)
2012: MESSI (Argentina/Barcelona) 
2013: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Real Madrid)
2014: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Real Madrid)
2015: MESSI (Argentina/Barcelona)
  2016: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Real Madrid)
 2017: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Real Madrid)
 2018: LUKA MODRIC (Croácia/Real Madrid) 
 2019: MESSI (Argentina/Barcelona)

2020: Devido à pandemia de Covid-19 que paralisou grande parte 
da época 19/20, o prémio não foi atribuído em 2020
 
2021: MESSI (Argentina/Barcelona/Paris SG)
2022: KARIM BENZEMA (França/Real Madrid)
2023: MESSI (Argentina/Paris SG/Inter Miami)
2024: RODRI (Espanha/Manchester City)
2025: OUSMANE DEMBÉLÉ (França/Paris SG)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Estrelas cintilantes (11)... Preguinho

Poucos saberão que a estrela que hoje vamos visitar foi um dos pioneiros – senão mesmo o principal – da gloriosa história da selecção do Brasil em fases finais dos Mundiais de futebol. Ele foi nada mais nada menos do que o autor do primeiro golo do combinado brasileiro em Campeonatos do Mundo da FIFA. Falamos de João Coelho Netto, conhecido no planeta da bola como Preguinho.
Nasceu no Rio de Janeiro, a 8 de Fevereiro de 1905 e faleceu na mesma cidade a 1 de Outubro de 1979. Foi um dos 14 filhos do famoso escritor Coelho Netto.
Preguinho foi um dos mais brilhantes e populares avançados do futebol canarinho das décadas de 20 e 30 do século passado. Durante a sua gloriosa carreira actuou unicamente pelo Fluminense, do Rio de Janeiro, numa primeira fase de 1925 a 1935, e numa outra fase de 1937 a 1938.
Dedicou a este clube toda a sua vida, já que a sua família era uma das mais influentes deste emblema carioca, já antes dele nascer, tendo sido inscrito como sócio número 20 do tricolor.
Foi um atleta completo. Disputou oito modalidades desportivas pelo Fluminense, mais concretamente, futebol, voleibol, basquetebol, polo aquático, saltos ornamentais, natação, hóquei em patins e atletismo.
É um dos maiores artilheiros do Fluminense de todos os tempos, com 184 golos marcados.
Foi o melhor marcador do clube nos campeonatos cariocas de 1928, 1929, 1930, 1931 e 1932, sendo que em 1930 e 1932 foi o artilheiro do Campeonato Carioca.
Recusou sempre receber dinheiro do clube, permanecendo como amador mesmo após a profissionalização do futebol.
Uma (das muitas) história curiosa remonta ao ano de 1925, quando depois de nadar a prova dos 600 metros, e consequentemente ajudar o Fluminense a sagrar-se tricampeão estadual de natação, foi de táxi às Laranjeiras (zona onde fica situado o estádio do clube) a tempo de jogar contra o São Cristóvão e ganhar o título do Torneio Início. Preguinho era assim...
Um dos jogos inesquecíveis de Preguinho foi o Fla-Flu de 1928. O guarda-redes Amado, do Flamengo, desafiou-o na semana do clássico com um telegrama onde dizia: "Amanhã será canja. Não farás nenhum golo". Preguinho entrou em campo enraivecido e aos 2 minutos de partida fez o primeiro, de longa distância. O segundo foi de calcanhar, depois de a bola ter escorregado das mãos de Amado. O Flu venceu por 4-1 e Preguinho saiu de campo de alma lavada.
Mas o golo de sua vida, como ele dizia sempre, foi marcado a 7 de Dezembro de 1930, no dia em que o Botafogo se sagrou campeão da cidade. Preguinho recebeu a bola no seu meio-campo e ao ver o guarda-redes adversário adiantado fez-lhe um chapéu como Pelé tentou fazer no Mundial de 1970 contra a Checoslováquia.
Trouxe para o Fluminense 387 medalhas e 55 títulos nas oito modalidades que praticava. Tais façanhas fizeram dele o mais festejado atleta tricolor e, em 1952, o clube concedeu-lhe o primeiro título de grande benemérito atleta, o facto que mais o orgulhou até a sua morte.
No futebol foi campeão carioca em 1924, 1936, 1937 e 1938.
A paixão de Preguinho pelo futebol começou a diminuir com o aparecimento do profissionalismo em 1933. Ele, que sempre considerou o futebol um divertimento, e jogava apenas por prazer, jamais se profissionalizou e sofreu muito quando foi adoptada a lei que só permitia aos amadores jogarem três vezes numa equipa profissional.

O primeiro golo do Brasil em Mundiais

Em 1930 ele entrou definitivamente, como jogador de futebol, para a galeria dos grandes ídolos do Brasil. Foi o autor do primeiro golo da selecção brasileira num Campeonato do Mundo, num jogo contra a Jugoslávia (derrota do Brasil por 1-2), no Mundial de 1930. No jogo seguinte da competição, ante a Bolívia, marcou dois dos quatro golos da vitória brasileira (4-0). Uma selecção que não era... uma selecção, mas sim um conjunto de jogadores oriundos de equipas do Rio de Janeiro, uma vez que uma zanga interna entre a Confederação Brasileira dos Desportos (CBD) e a Associação Paulista de Desportos Atléticos não permitiu que a selecção que foi ao primeiro Mundial da FIFA contasse com a força máxima.
De São Paulo, apenas o jogador do Santos, Araken Patuska, quis participar. Ficaram de fora grandes craques, como Friendereich, Feitiço, Nestor, Amílcar e outros.
Para além de ter sido o autor do primeiro golo do escrete em fase finais do Mundial, Preguinho ficaria ainda na história por ter sido o melhor marcador do Brasil na competição de 1930 (com 3 golos) e por ter capitaneado essa equipa.
Morreu quase na miséria, em 1979, num pequeno e modesto apartamento nas Laranjeiras, no Rio de Janeiro.


Legenda das fotografias:
1- João Coelho Netto, o popular Preguinho
2- Com as cores do clube do seu coração: o Fluminense
3- Momento histórico para o futebol brasileiro: a selecção do Brasil entra em campo para disputar o seu primeiro jogo na fase final de um Mundial
4- O "onze" que defrontou a Bolívia no Mundial de 1930

Vídeo: DOCUMENTÁRIO SOBRE PREGUINHO (PARTES 1 E 2)


quarta-feira, janeiro 02, 2008

Emblemas Históricos (6)... SC Salgueiros

Ora aí está 2008! Desde já aproveitamos para dirigir aos senhores visitantes um ano novo pleno de alegria, saúde, paz, sucessos, amor, e sobretudo muito e bom futebol.
E na primeira visita ao Museu neste novo ano os ilustres visitantes terão a oportunidade de conhecer um pouco da história de um clube que me diz muito. Um glorioso e histórico emblema do futebol português que comecei a amar desde os meus 12/13 anos, paixão que se mantém até aos dias de hoje. Falo do Sport Comércio e Salgueiros, o popular Salgueiral.
Nascido na mui nobre cidade do Porto, mais concretamente na freguesia de Paranhos, no dia 8 de Dezembro de 1911, o Salgueiros tornou-se ao longo dos anos num dos mais populares e queridos clubes do nosso país.
Clube humilde, das classes operárias, o Salgueiral surgiu numa época em que o futebol era praticado nas ruas pelos miúdos de pé descalço, com bolas de trapos feitas a partir de meias velhas. No já referido ano de 1991 um grupo de pequenos amigos, mais precisamente o Joaninha (de seu nome completo João da Silva Almeida), o Aníbal Jacinto e o Antenor depois de assistirem a um FC Porto-Benfica, no Campo da Rainha, reuniram-se e resolveram fundar um clube de futebol.
«Embora parecendo um impulso de euforia após um escaldante FCPorto-Benfica, de facto, junto do candeeiro 1047, entre as ruas da Constituição e Particular de Salgueiros, nasceu o sonho de um grupo de rapazes, e que começou a ganhar forma e daí nasceu o Sport Grupo e Salgueiros. Embora já houvesse nome, era necessário dar forma à equipa! Com muita carolice, todas as noites após o trabalho e o jantar, os "rapazes" reuniam-se debaixo do candeeiro 1047 para debater e acertar ideias, e começar a construir o clube.
O clube oficializa-se com os primeiros jogos, mas era necessário arranjar dinheiro para comprar camisolas e umas botas para os jogadores. Estava-se próximo do Natal de 1911 e os rapazes lembraram-se de organizar um grupo de boas festas e foram cantar as janeiras aos vizinhos de porta em porta, estendendo o boné! Angariaram a modesta quantia de 2.800 reis, o que lhes permitiu comprar a primeira bola de futebol. Bola já havia, mas faltavam as camisolas. Ficou decidido que estas seriam vermelhas, tal como as do Benfica, distanciando assim do futuro rival que vestia de azul e branco, o FC Porto. Seria então de vermelho, vermelho cor de sangue e paixão que seriam as camisolas do Sport Grupo e Salgueiros até aos dias de hoje! O primeiro terreno seria na Arca D´Água, onde o clube teve como primeiros adversários o Sport Progresso, o Carvalhido Football Clube entre outros. A partir daí o Sport Grupo e Salgueiros começou a sua longa caminhada no futebol nacional. Na época de 1916/17 o clube ostentava a designação de Sport Porto e Salgueiros, esta mudança de nome deve-se a uma questão de orgulho. Em 1920 após uma profunda crise do Sport Porto e Salgueiros, o clube decidiu fundir-se com o Sport Comércio, outro clube da cidade, e surgiu então o Sport Comércio e Salgueiros como hoje conhecemos», é assim desta forma que são relatados os primeiros anos de vida do Salgueiral.



Amor à primeira vista!

Certo domingo, após de um belo repasto em família, e sem nada para fazer da parte da tarde eis que depois de muito pensar em diversas tarefas para ocupar o tempo o meu pai disse a seguinte frase: «E se fossemos ver o Salgueiral?» Teria eu os meus 12/13 anos nessa altura. Nem se pensou duas vezes perante tal convite. Então, eu, o meu pai, e o meu tio, saímos em direcção ao velhinho Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro, a casa do popular clube, onde aí assistimos a um Salgueiros – Estrela da Amadora, referente à temporada 1990/91.
Recordo esse dia como se fosse hoje. As bancadas cheias, a emoção e a paixão vermelha estavam bem vivas aos olhos de todos. Adeptos apaixonados e ferrenhos pelo seu clube. Uma atmosfera única e cativante.
De imediato fui contagiado por aquele ambiente. De tal maneira que comecei a vibrar com cada jogada que aquela grande equipa do Salgueiros fazia. Ainda me lembro da frase que o meu tio disse quando me viu emocionado e empolgado com...o Salgueiros: «Ui, temos aqui um novo salgueirista!». Tinha razão, foi amor à primeira vista. Fiquei louco com aquele ambiente, com aquele clube, com aqueles adeptos, com aqueles jogadores.
Desde logo fixei os nomes dos craques do Salgueiral. O meu preferido de imediato foi o Nikolic, ou Niko como carinhosamente era tratado pela massa associativa do clube, um jugoslavo que jogava com o número 10, um verdadeiro artista com a bola nos pés. Na baliza actuava o grande Madureira, tendo à sua frente uma defesa onde pontificavam nomes como Pedro Reis (um salgueirista de coração), ou o “barbas” Djoncevic. No meio campo o capitão Rui França comandava as tropas, tendo ao seu lado nomes como Álvaro Gregório e Leão. Na frente de ataque estava um dos meus ídolos de infância, de seu nome Vinha, um calmeirão cabo-verdiano, algo desengonçado, mas com um coração e uma alma enorme. Homens treinados por um grande senhor do futebol internacional, Zoran Filipovic.
Nesse dia eu senti e percebi o que era a ALMA SALGUEIRISTA, o espírito, a mística, deste grande clube.
Na semana seguinte a este jogo entrei para a grande família salgueirista ao fazer-me sócio do clube. De lá para cá vivi muitas alegrias e tristezas no meu apoio incondicional ao Salgueiros, se bem que nos últimos anos foram mais as tristezas do que as alegrias.


Vídeo do resumo do encontro Salgueiros - Estrela da Amadora referente à temporada 90/91, o jogo que despoletou a minha paixão pelo clube de Paranhos 

O rico palmarés

São muitos os feitos que o Salgueiros vem coleccionando desde a sua fundação. No futebol, a modalidade rainha do clube, são de destacar as 21 presenças no escalão maior do futebol português, sendo que a melhor classificação foi alcançada precisamente na época em que começou a minha paixão pelo clube, 90/91, um fantástico 5º lugar, que deu acesso à Taça UEFA da temporada seguinte. Nesta competição o Salgueiros defrontaria o Cannes, de França, que na altura tinha nos seus quadros um jovem que anos mais tarde se haveria de tornar num dos maiores jogadores de todos os tempos do futebol mundial, de seu nome Zidane. O primeiro jogo europeu do Salgueiros foi realizado em casa emprestada, no vizinho Estádio do Bessa, tendo o resultado cifrado-se em 1-0 a favor dos locais, com Jorge Plácido a fazer esse golo histórico. Quinze dias mais tarde, em Cannes, o resultado iria repetir-se, só que a favor dos franceses, tendo a eliminatória decidido-se na marcação de grandes penalidades onde o conjunto do sul de França seria mais feliz.
Na Taça de Portugal o Salgueiros participou em 44 ocasiões, tendo como melhor resultado a presença nos quartos-de-final da prova em 51/52.
Em 37 presenças no campeonato da 2ª divisão alcançou por duas vezes o título de campeão, em 56/57 e 89/90. Participou ainda por duas vezes no nacional da 3ª divisão.
O maior número de vitórias na 1ª divisão (14) foi alcançado nas épocas de 93/93 e 96/97. Neste escalão a vitória mais expressiva foi obtida em 94/95, ante o Estrela da Amadora por 6-0, em Vidal Pinheiro.
O jogador que mais vezes actuou com a camisola do Salgueiral na 1ª divisão foi o defesa-central Pedro Reis, com 340 jogos. Abílio, foi o melhor marcador do clube nesta divisão, com 30 tentos.
Jogadores históricos

Foram muitos os jogadores que passaram pelo clube, muitos dos quais deixaram o seu nome escrito a letras de ouro na história do emblema de Paranhos. Já aqui falei de Nikolic, Vinha, Rui França, Pedro Reis, Madureira e Abílio, mas outros houveram que atingiram o patamar da fama do futebol internacional, casos de Deco (actualmente no FC Barcelona), Sá Pinto (representou o Sporting e a selecção nacional com distinção), ou Silvino (um dos melhores guarda-redes da história do futebol português). Chico Fonseca, Pedro Espinha, Chao, Jorginho, Mike Walsh, Edmilson, Miklós Féher, Santana (bi-campeão europeu pelo Benfica na década de 60), e os treinadores Zoran Filipovic, Octávio Machado, Mário Reis, e Carlos Manuel têm também um lugar na história do clube.

O triste presente...

Actualmente o Salgueiros vive dias de tristeza, e de angústia. O clube está moribundo, praticamente morto. Com a extinção do futebol profissional há cerca de três anos atrás, na sequência de uma grave crise financeira, o clube hoje em dia apenas comporta, no futebol, os escalões de formação. O polo aquático tem sido a modalidade rainha nos últimos tempos, com a obtenção de vários títulos nacionais.
O futuro é uma incógnita para a família salgueirista, que vivem na incerteza se o clube irá ou não fechar as portas a curto prazo. No entanto, a esperança é a última coisa a morrer, e tal como eu são muitos os verdadeiros salgueiristas que sonham ver de novo as camisolas vermelhas a fazer furor nos relvados portugueses ao nível do futebol profissional.
Legenda das fotografias:
1- Emblema do SC Salgueiros
2- Uma imagem do museu do clube
3- A equipa de 56/57 que se sagrou campeã nacional da 2ª divisão
4- Um "onze" dos anos 80
5- Um dos últimos plantéis profissionais do Salgueiros, o da temporada 96/97
6- O luso-brasileiro Deco, um mágico que já vestiu as cores do Salgueiros
7- O já extinto Estádio Eng.Vidal Pinheiro