sexta-feira, novembro 29, 2013

Catedrais Históricas (13)... The Oval

É por demais sabido que Inglaterra é o berço do futebol moderno. Em meados do século XIX os súbitos de Sua Majestade conceberam o belo jogo tal e qual o conhecemos hoje, pelo menos ao nível de regras e/ou conceitos, já que é totalmente descabido comparar o futebol de há mais de 150 anos atrás com o jogo atual. É como da água para o vinho, completamente diferentes. Bom, apesar de diferentes umas das outras todas as fases do desporto rei, desde a sua criação, tiveram histórias de encantar, escritas e protagonizadas por lendários jogadores, cerebrais treinadores, e inteligentes dirigentes, e levadas ao ato em imponentes e míticos palcos. É sobre um desses palcos que hoje vamos iniciar mais uma viagem a bordo da máquina do tempo, para conhecer os cantos daquela que é muito provavelmente a primeira grande catedral que o jogo conheceu a nível planetário. Sem mais demoras, entremos no centenário The Oval Stadium.

Erguido em Londres, em 1845, num local que outrora havia sido um terreno agrícola, o Oval, também conhecido como Kennington Oval, por estar instalado na zona de Kennington, começou por ser aquilo que... é hoje, por outras palavras, um estádio de cricket. Começou por ser a casa do Surrey County Cricket Club, e com o passar dos anos acolheu os jogos da seleção inglesa ante outras potências desta popular modalidade - em terras britâncias, sobretudo -, casos da Austrália, ou de África do Sul.
Com o crescimento do football, o The Oval, assim batizado pelo seu formato oval, já que assim são os campos de cricket, também passou a receber os encontros mais importantes organizados pela Football Association (FA), sendo o mais importante deles a FA Cup final, vulgo, a final da Taça de Inglaterra, a competição futebolística mais antitga do Mundo. No seu relvado oval foi disputada a 16 de março de 1872 a primeira final da taça, entre os Wanderers e os Royal Engineers (nota: ver mais detalhes sobre esta final em "arquivos do futebol mundial" época 1871/72), tendo a vitória sorrido aos primeiros graças a um tento solitário de Morton Betts, perante uma assistência de 2000 pessoas. A festa da taça, isto é, as finais da FA Cup, disputaram-se no mítico estádio londrino até 1892, altura em que a FA passou as decições da sua cup para o Crystal Palace Stadium.

Nem só de encontros de taça se escreve a história do Oval em termos de futebol. Também a seleção inglesa aqui disputou uma dúzia de partidas internacionais, sendo a primeira delas histórica. A 5 de março de 1870 a Inglaterra recebia os vizinhos da Escócia, naquele que foi o primeiro jogo internacional de sempre a nível global. Terminou empatado a uma bola, cabendo ao escocês Robert Copland-Crawford a honra de apontar - para a sua seleção - o primeiro golo de um duelo internacional. Alfred Joseph Baker marcaria para os ingleses quase ao cair do pano. A última final da FA Cup realizada no histórico recinto, em 1892, entre o Aston Villa e o West Bromwich Albion foi mesmo a maior em termos de assistência no que a um jogo de futebol diz respeito. 32 810 almas presenciaram uma vitória por 3-0 do West Brom sobre os Villains.
Com o aparecimento do Crystal Palace Stadium - e posteriormente com o White City Stadium, ao qual se seguiu a celebrérrima catedral de Wembley - o futebol deixou de vez o Oval, que até aos dias de hoje - sim, ainda existe, embora com significativas melhorias a nível de estética, e vale bem a pena os fanáticos, como eu, adeptos do passado do belo jogo darem lá uma saltada - seria usado para partidas de cricket. Uma coisa é certa, esta foi sem dúvida a primeira catedral mundial do belo jogo.

Legenda das fotografias:
1-The Oval, a rebentar pelas costuras, na sua última final da FA Cup, entre o Aston Villa e o West Brom
2-Uma imagem área do princípio do século XX, comprova o formato oval que esteve na origem do nome de batismo do mítico recinto

quinta-feira, novembro 28, 2013

Estrelas cintilantes (36)... Patalino

Já lá vão os tempos em que o amor à camisola falava mais alto. Tempos em que na hora de decidir entre ficar na terra natal a defender as cores do clube local ou assinar um contrato chorudo com um emblema de maior dimensão a balança pendia para a primeira opção. A paixão pelo clube onde cresceram, e no qual aprenderam a gostar de futebol, aliada ao amor à terra onde nasceram não tinha preço, nenhuma proposta milionária era capaz de superar este misto de sentimentos. Um pouco por todo o planeta da bola registaram-se várias histórias de amor eterno a um clube ou a uma cidade, sendo que Portugal conheceu algumas delas, sobretudo na Era do futebol romântico... bem distinto da atual Era do Futebol Indústria. A nossa estrela cintilante de hoje escreveu uma dessas histórias encantadoras de amor eterno, tendo tido o desplante - dirão alguns - de recusar propostas tentadoras de clubes como o Bordéus, o Atlético de Madrid, ou o gigante vizinho - deste - Real Madrid. Falamos de Domingos Carrilho Demétrio, ou simplesmente Patalino, para muitos o maior diamante que do Alentejo se extraiu no que a futebol diz respeito. Ainda hoje ele é o maior símbolo futebolístico de uma região onde o desporto rei atualmente vive sem chama, sem vivacidade, e sem o encanto de outros tempos, onde belíssimas equipas em representação de notáveis clubes como os dois rivais de Évora (Juventude e Lusitano), o Portalegrense, o Elvas, ou mais recentemente o Campomaiorense viveram empolgantes aventuras nos palcos mais importantes do futebol português. Como em tantos outros aspetos também no futebol o Alentejo vive vetado quase ao esquecimento!
Este triste cenário alude ao presente, porque o passado traduz-se em glória, e glória é sinónimo de Patalino, o rei do futebol alentejano.

Nasceu pobre, como tantos outros meninos do interior alentejano nas longínquas primeiras décadas do século XX, mais concretamente no dia 29 de junho de 1922. Elvas foi o seu berço, e um dos grandes amores da sua vida. Mais pobre - seguramente - ficou quando ainda adolescente, com 11 anos, perdeu o chefe de uma família de quatro irmãos - ele era um deles - o seu pai. Do progenitor herdou porém a alcunha que o iria eternizar nos campos de futebol, Patalino. Reza a lenda que o pai de Domingos Carrilho Demétrio era um exímio intérprete do jogo da pata, tão popular no Alentejo daquele tempo. Daí advém a alcunha Pata... lino, assim o batizaram os conterrâneos da pacata e simpática vila alentejana. Apesar de presenciar, enquanto criança, a mestria de seu pai na interpretação do tradicional jogo da pata, a paixão do jovem Domingos naqueles tempos de garoto era outra, e dava pelo nome de futebol. De pé descalço ele deu os primeiros pontapés numa bola de trapos. Com a morte do pai teve de ajudar no sustento da casa e pedreiro se tornou, mas nos tempos livres continuava a divertir-se nas jogatanas de rua com os rapazes da sua idade. Foi na rua que começou pois a dar nas vistas, rua que com o passar dos anos foi-se tornando cada vez mais pequena - e insignificante - para o talento do jovem Patalino. Um artista daqueles precisava de pisar um campo de futebol a sério, vestir a camisola de um clube, e com ela espalhar alegria e entusiasmo pelas bancadas. Assim, aos 18 anos entrou para o Clube de Futebol "Os Elvenses", filial número um do Belenenses, onde transportou para o retângulo de jogo a sua vincada e entusiasmante veia técnica, aliada à sua sagaz capacidade de finalização. Características demasiado requintadas para um Elvenses que na época de estreia (40/41) de Patalino deambulava pelos campeonatos regionais da Associação de Futebol de Portalegre.
O talento do filho de mestre do jogo da pata merecia outros palcos, mais pomposos, e uma temporada depois assina pelo Sport Lisboa e Elvas, filial do Benfica, e que rivalizava em termos de popularidade entre os habitantes de Elvas com o Sporting Clube Elvense, a filial do Sporting, pois claro. Em termos desportivos o SL Elvas era a equipa mais bem cotada da cidade, galgando escalões uns atrás dos outros. Em 1941/42 lutava na 2ª Divisão Nacional pela subida ao escalão principal, tendo para isso contribuido a arte de Patalino, que ainda limava o seu perfil de excelente avançado-centro. Porém, ainda lhe faltava alguma experiência para ser um verdadeiro galo de combate, e talvez por isso em 43/44 o SL Elvas empresta o promissor atleta ao Lanifícios de Portalegre, emblema que também disputava o segundo escalão nacional. Mas a estadia na capital do distrito foi curta.
Percebendo o erro cometido os dirigentes do SL Elvas são prontos a exigir o regresso de Patalino ao clube, onde aos poucos foi ganhando o estatuto de estrela principal, ajudando a guiar o emblema até à 1ª Divisão na temporada de 45/46, terminando a prova em 9º lugar. Esta época seria memorável para o Belenenses, já que no último jogo do campeoanto atuava em Elvas ante o conjunto de Patalino. Uma vitória dos azuis de Belém garantia-lhes o título, caso contrário este iria fugir para o Benfica. E o SL Elvas tudo fez para oferecer o ceptro de campeão ao pai SL Benfica, mas com um - último - quarto de hora de jogo avassalador os azuis do Restelo venceram por 2-1, alcançando assim o único título de campeão nacional da 1ª Divisão da sua história.
Na época seguinte o SL Elvas é 9º posicionado, de novo, e o nome de Patalino era já conhecido por todo o país, que não ficava indiferente à sua veia goleadora. Patenteando uma postura elegante em campo ele facilmente alvejava - ou com os pés, ou com a cabeça - as redes contrárias. Graças a Patalino, Elvas tornou-se numa terra difícil para qualquer que fosse o clube do Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Era uma fortaleza para a equipa da casa, e para dali sair com algum resultado positivo era preciso suar muito. Ver os jogos do SL Elvas era de facto um regalo para os olhos dos adeptos do futebol de ataque. Os golos surgiam em catadupa nas redes contrárias, e Patalino era o principal responsável por aquele lendário futebol ofensivo. No que concerne a números a estrela alentejana apontou nesta segunda temporada no escalão maior 24 golos, superado apenas pela lendária máquina goleadora do Sporting, Fernando Peyroteo, o maestro dos Cinco Violinos.
Apesar da fama desportiva a presença em dois anos consecutivos na 1ª Divisão trouxe sérias dificuldades ao SL Elvas. As constantes deslocações para outras cidades, com o intuito de disputar os jogos "fora" da competição, fez mossa nas modestas finanças do clube alentejano. Foi solicitada a ajuda à casa mãe, isto é, ao Benfica, o qual de imediato negou qualquer tipo de auxílio. Com o mesmo problema se debatia o Sporting Clube Elvense, sendo que após amistosas conversações entre os dirigentes dos dois clubes decidiu-se pela fusão dos dois emblemas, e assim em 15 de agosto de 1947 nascia O Elvas - Clube Alentejano de Desportos. O novo emblema ocuparia a vaga deixada pelo SL Elvas na 1ª Divisão, sendo que Patalino continuava a ser o principal abono de família elvense. Episódio famoso na época de estreia de O Elvas na 1ª Divisão foi o jogo no Campo Grande, ante o poderoso Benfica, clube este que precisava urgentemente de vencer os alentejanos para não ver fugir o título de campeão para o rival Sporting. E eis como que de uma vingança se tratasse - pela recusa dos encarnados de Lisboa em ajudar financeiramente o SL Elvas num passado recente - Patalino mata o sonho benfiquista, e com dois golos oferece o título ao Sporting.

Perante tamanha qualidade os responsáveis pela seleção nacional abriram em 1949 as portas da equipa das quinas a Patalino. A estreia deu-se na catedral do futebol luso, o Estádio Nacional, a 15 de maio desse ano, ante o País de Gales, tendo os lusos vencido por 3-2... com um golo da autoria de Patalino. Que estreia! Vestiria a camisola de Portugal em mais duas ocasiões - numa altura em que os jogos internacionais não eram realizados com tanta frequência como são hoje - e apontaria mais um golo.
A classe do astro alentejano ultrapassava agora as fronteiras nacionais, e do estrangeiro chegavam a Elvas propostas milionárias pelo concurso do seu valioso atleta. As primeiras ofertas chegaram dois anos antes da estreia de Patalino pela seleção nacional. O Bordéus foi o primeiro a lançar o canto da sereia, com o talentoso goleador a responder no seu estilo humilde e amável que Elvas estava no seu coração, que amava a terra como bom alentejano que era, e como tal declinou o convite. Nesse mesmo ano seria a vez do Atlético de Madrid passar a fronteira e acenar com 300 mil pesetas, metade para o clube, e a outra metade para o jogador, valor ao qual juntava a cedência de três jogadores ao clube alentejano e ainda a realização de um jogo em casa de O Elvas. Em Madrid, Patalino iria usufruir de um ordenado de 2500 pesetas, acrescido de prémios de jogo. A resposta? Não! O amor ao clube e à terra voltou a falar mais alto.
O Badajoz, o Sevilla, e o colosso Real Madrid também tentaram aliciar o jogador com propostas milionárias, sendo que o clube madrileno chegou a oferecer 400 mil pesetas pela transferência e um ordenado de 35 mil pesetas. A cobiça não era restrita a Espanha. Em Portugal, Benfica, Belenenses, e Sporting (que via no alentejano o homem ideal para substituir Peyroteo), também tentavam seduzir a estrela do futebol alentejano, e na época uma das maiores de todo o país, mas o seu amor a Elvas e ao clube local falou sempre mais alto. Reza a lenda que tudo o que Patalino queria era amealhar algum dinheiro para poder comprar um táxi de modo a garantir o sustento para o resto da vida.

Diz quem com ele de perto privou que era um homem simples, ingénuo, até, bem diferente do rápido, fogoso, e viril jogador que assombrava as balizas adversárias. Na pacatez de Elvas ele era feliz, despindo a glória e a fama angareadas nos muitos campos de futebol por onde passeava a sua classe. O terror dos guarda-redes, como alguém um dia o chamou defendeu com paixão a camisola de O Elvas até 51/52, altura em que o clube andava já pela 2ª Divisão. Altura também em que vicissitudes o levariam a deixar a sua amada Elvas, a terra que em inúmeras entrevistas ele dizia não trocar por nada desta vida. Mudou de terra, mas não deixou o seu Alentejo, fazendo a viagem até Évora para defender as cores do Lusitano, popular emblema que na época atuava entre os grandes do futebol lusitano. E também aqui o rei do futebol do Alentejo fez história nas quatro épocas - entre 52/53 e 55/56 - em que vestiu a camisola verde-e-branca do Lusitano, sendo que entre muitas tardes de glórias, e dezenas de golos marcados, destaca-se uma eliminação do gigante FC Porto em pleno Estádio das Antas. Pelo Alentejo continuou a balançar as redes por mais alguns anos, mais concretamente no FC Serpa, clube que ajudou a conquistar o título de campeão nacional da 3ª Divisão em 56/57, precisamente a temporada em que vestiu pela primeira vez a camisola deste emblema, pelo qual jogaria até 59/60.
Com a carreira de futebolista a caminhar para o fim Patalino queria arranjar um emprego que lhe garantisse um bom resto de vida, e talvez por isso, traiu finalmente o seu Alentejo. Saiu para o Barreiro, onde em 1960/61 representou a equipa do Luso nos campeonatos distritais! Despediu-se de uma brilhante carreira no modesto Arrentela - também nos distritais - onde jogaria até 1963, ao mesmo tempo em que era empregado da Siderogia Nacional.

Patalino regressou à sua amada Elvas nos últimos anos da sua vida, localidade onde viveu os melhores momentos de uma carreira que poderia ter contornos bem mais gloriosos, caso tivesse aceite propostas milionárias de clubes como o Real Madrid, o Atlético de Madrid, ou os franceses do Bordéus. Mas será que se Patalino tivesse dito que sim a esses tentadores - e irrecusáveis nos dias de hoje - convites poderia considerar-se um homem feliz? Se calhar não. A fama e o dinheiro não significavam tudo na Era do Futebol Romântico. Este é um bom exemplo disso.
Domingos Carrilho Demétrio faleceu em Elvas a 28 de junho de 1989. Ainda hoje, quem chega a Elvas vive a lenda de Patalino, não só pela boca dos poucos elvenses ainda vivos que em crianças o viram jogar, mas também porque o estádio municipal tem o seu nome, e onde está implantado um busto seu que assim perpétua a lenda daquele que é não só o mais famoso desportista elvense de todos os tempos, como também o mais afamado de todos os futebolistas nascidos no Alentejo.

Legenda das fotografias:
1-Patalino, com a camisola do seu amado O Elvas
2-Defendendo as cores do Sport Lisboa e Elvas
3-Uma equipa do SL Elvas na 1ª Divisão Nacional (Patalino é o jogador da fila de baixo que tem a bola)
4-Equipa de O Elvas na época de estreia na 1ª Divisão
5-Patalino com as cores da seleção nacional
6-Representando o Lusitano de Évora. Patalino efetuou um total de 189 jogos na 1ª Divisão, tendo marcado 118 golos!
7-O FC Serpa de Patalino, campeão nacional da 3ª Divisão
8-Busto de Patalino à entrada do Estádio Municipal Domingos Carrilho Demétrio "Patalino"

quarta-feira, novembro 27, 2013

Emblemas históricos (13)... Galt Football Club

Numa anterior viagem ao passado deste jogo encantador recordámos aquele que foi o primeiro emblema a conquistar um título de dimensão internacional, mas que na realidade hoje não é reconhecido como oficial. Falámos dos ingleses do Upton Park Football Club, que em 1900 subiram ao lugar mais alto do pódio nas Olímpiadas de Paris, no que a futebol diz respeito. A glória, porém, não é reconhecida pela FIFA (surgida em 1904) que alega que os primeiros dois torneios olímpicos de futebol - ocorridos em 1900 e 1904 - eram meramente exibicionais, ou seja, de promoção do jogo do pontapé na bola, além de que foram disputados por grupos colegiais e clubes amadores, e não por seleções nacionais.
Por certo o ilustre visitante já percebou pois que o Upton Park FC não foi o único campeão olímpico que na realidade... nunca o foi. E é então aqui que inicíamos esta nossa viagem ao passado...

Em 1904 a cidade norte-americana de Saint Louis organiza a terceira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Ou melhor, tal como Paris havia feito quatro anos antes integra o evento desportivo na Exposição Universal, intitulada de Louisiana Purchase Exibition. Como em 1900 na capital francesa, os Jogos foram um mero e pequeno apontamento da grande feira internacional, facto que mais uma vez indignou o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), o barão Pierre de Coubertin, que nesse sentido recusou-se a marcar presença na cerimónia de abertura do evento, apesar do apelo feito pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Theodore Roosevelt, para que o (re)criador dos Jogos comparecesse na dita cerimónia .
Na verdade os Jogos Olímpicos de 1904 tornaram-se no mais vincado exemplo de racismo/preconceito racial presente na centenária história das Olimpíadas, ficando até hoje conhecidos como os "Dias Antropológicos". Esta denominação aponta para o facto das Olimpíadas de Sanit Louis terem servido quase única exclusivamente para entreter os indivíduos de raça branca que se deslocavam à feira internacional, os quais se divertiam a ver os empregados do certame, onde entre os quais figuravam mexicanos, negros, índios, filipinos, ou pigmeus, a competir entre si em caricatas atividades inseridas nas ditas Olimpíadas. Atividades essas pouco desportivas, diga-se na verdade, já que do ridículo e racista programa olímpico, se é que assim o podemos chamar, havia uma prova que consistia em cuspir tabaco!!! Não se ficou contudo a saber quem foi o campeão olímpico nesta modalidade tão peculir. Aliás, esta foi apenas uma das muitas atividades absolutamente ridículas inseridas nos Jogos de 1904, e talvez por isso o COI tenha decidido anular cerca de 80 medalhas então atribuídas naquelas que foram as Olimpíadas menos participativas da história, com apenas 12 países (representados por 500 atletas) a marcar presença em Saint Louis.

Bom, para além desta triste imagem social a história diz-nos que em Saint Louis também se jogou futebol, ou soccer, como lá - EUA - é denominado o desporto rei. Mas tal como outras modalidades - ou pseudo-modalidades como as cuspidelas de tabaco - foi de mero entretenimento e demonstração. E tal como em Paris, quatro anos antes, três foram as equipa participantes na corrida ao ouro. Abra-se aqui um parêntese para informar que foi em Saint Louis que pela primeira vez foram atribuidas medalhas de ouro aos campeões, de prata aos vice campeões, enquanto que os terceiros classificados levavam para casa o bronze. Mas voltando ao futebol, para dizer que o pobre torneio olímpico seria composto por duas equipas oriundas de estabelecimentos de ensino (!) locais, a do Christian Brothers College, e a do Saint Rose Parish, às quais se juntou uma equipa canadiana, denominada de Galt Football Club.
Canadá que enquanto nação fazia, aliás, a sua estreia olímpica.


Não se sabendo ao certo a data da sua fundação - se 1881 ou 1882 -o Galt era proveniente da cidade com o mesmo nome, situada no Estado de Ontário, a uns 100km de Toronto, e no seu palmarés - até à entrada de 1904 - detinha os títulos de campeão da Ontario Cup de 1901, 1902, e 1903. Conta-se ainda que neste último ano o Galt FC efetuou uma digressão pela província canadiana de Manitoba, tendo aí realizado 17 jogos, traduzidos em 16 vitórias (!) e apenas um empate consentido. Reza a lenda que era de facto a melhor equipa do soccer do Canadá da época.
Pelo facto de terem meramente um caráter demonstrativo, e para não aborrecer muito os nativos norte-americanos com aquele jogo europeu, a organização decide que cada partida do torneio olímpico tem a duração de apenas uma hora, com duas partes de 30 minutos.

A caminhada gloriosa do Galt FC...

O soccer entrou pois em cena no mês de novembro, no dia 16 para sermos mais precisos, muito depois de as outras modalidade terem tido a sua aparição (!), já que a esmagadora maioria das provas olímpicas decorreu entre julho e setembro. Nesse dia pisaram o relvado do Francis Filed, o anfiteatro das Olimpíadas de 1904, as equipas do Galt FC e do Christian Brothers College, equipas, convém sublinhar, compostas por atletas completamente amadores, sendo que no caso desta última juntamos a característica de inexperientes no que a futebol dizia respeito. Resultado final: 7-0 a favor dos experientes canadianos, com o destaque individual a recair sobre o avançado-centro Alexander Hall, um escocês de berço - nasceu em Peterhead, a 3 de dezembro de 1880 - que ainda adolescente emigrou para o Canadá, país onde desenvolveria a sua paixão pelo belo jogo. Ainda num registo biográfico sobre Alex Hall - como era conhecido - é de referir que após os Jogos de Saint Louis voltou à Europa, tendo atuado na First Division inglesa ao serviço do Newcastle United - em 1907 - e na principal liga do seu país natal, ao serviço de equipas como o Dundee FC e o Dunfermline, pouco antes de combater pelo lado inglês durante a I Guerra Mundial.
Bem, mas voltando à partida de abertura do torneio olímpico de 1904 para sublinhar que Alex Hall foi a estrela da tarde ao apontar três golos aos frágeis alunos do Christian Brothers College. Gordon McDonald, com dois tentos na conta pessoal, Frederick Steep, e Thomas Taylor foram os autores dos restantes tentos da equipa do Estado de Ontário.

Apoiados por cerca de 50 adeptos que com eles fizeram a longa viagem de comboio até Saint Louis - entre esses adeptos encontrava-se o mayor (presidente da câmara) de Galt, de nome Mark Munday - os jogadores do conjunto do Canadá fizeram o segundo jogo um dia depois (!), desta feita ante o combinado do Saint Rose Parish. O resultado final traduziu-se em mais uma vitória fácil, embora por números mais suaves: 4-0. Neste encontro a estrela foi o veloz extremo-direito Thomas Taylor, autor de dois golos, que fizeram com que ele fosse a par de Alex Hall - de quem fazia a diferença de idade de apenas um dia, já que Hall havia nascido a 3 de dezembro de 1880, enquanto que Taylor nasceu em Galt um dia depois desse mesmo ano - o melhor marcador do torneio, com três remates certeiros.
O triunfo sobre o também frágil conjunto do Saint Rose Parish deu desde logo o título ao Galt FC, que somava assim duas vitórias, não importando pois o resultado do terceiro e último jogo de torneio, que no dia 20 de novembro colocaria frente a frente as duas equipas norte-americanas. O resultado final dessa luta pela prata olímpica foi um nulo, pelo que houve a necessidade de se realizar um jogo de desempate, marcado para 23 de novembro, sendo que ai o Christian Brothers College levou a melhor por 2-0, ficando assim com a medalha de prata.

Voltando aos campeões olímpicos, ou campeões do Mundo, como a imprensa da época os rotulou, estes receberam as medalhas de ouro logo após a epopeia de Saint Louis, pela mão do chefe de Departamento de Física e Cultura local, James E. Sullivan, tendo regressado posteriomente à pequena cidade do Canadá onde seriam recebidos como autênticos heróis. Pudera.
No ano seguinte a esta conquista uma equipa amadora inglesa, denominada de Pilgrims, realizou uma digressão por algumas localidades do Canadá e dos EUA. Durante a estadia no primeiro país foi agendado um duelo com o Galt FC, os campeões do Mundo como eram chamados, tendo por isso o jogo sido batizado de o Campeonato do Mundo (!), atendendo precisamente ao facto de um dos lados da barricada ser ocupado pelos... campeões do Mundo. O jogo atraiu as atenções de milhares de pessoas, não só no Canadá como também nos vizinhos dos EUA, e por esse facto foram colocados à disposição dos adeptos comboios especiais para Grand River, o local da partida. 3-3 foi o resultado final, e o título mundial continuou assim na posse do Galt FC, clube que viria a conhecer o seu fim em 1910.
Ainda hoje, a conquista de Saint Louis, em 1904, é considerada como o maior feito da história do futebol canadiano... embora, e não será demais repetir, a FIFA não o reconheça.
Para a ternidade ficam pois os nomes de Ernest Linton, George Ducker, John Gourlay, Robert Lane, Albert Johnston, John Fraser, Thomas Taylor, Frederick Steep, Alexander Hall, Gordon McDonald, e William Twaits, os onze heróis de Saint Louis.

Legenda das fotografias:
1-Equipa do Galt FC, campeã olímpica de 1904
2-O cartaz oficial dos Jogos de Saint Louis
3-A frente e verso da medalha de ouro conquistada pelo Galt FC
4- Imagem do Francis Filed, o recinto que acolheu os Jogos de 1904
5-Alex Hall
6-Thomas Taylor
7-Uma avenida da pequena cidade de Galt no início do século XX, altura em que a sua equipa se sagrou... campeã do Mundo!!!

quarta-feira, novembro 20, 2013

ENTREVISTA - Duílio, notável ex-defesa-central, esteve de visita ao nosso Museu onde relembrou a glória alcançada ao serviço do Fluminense, do Sporting, e do Estrela da Amadora

O Museu Virtual do Futebol recebe hoje a visita de um dos mais sólidos e elegantes defesas-centrais que passaram pelo futebol português na década de 80. Brasileiro de berço, alma e coração, deu-se a conhecer ao planeta da bola na sua terra natal, Curitiba, mas seria na Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro) que iria atingir o pico de uma carreira que terminaria com momentos de alegria – e glória – no futebol lusitano. Ele é Duílio Dias Júnior, ou simplesmente Duílio, o nome de guerra que o imortalizou no Grande Atlas do Futebol.
Num bate papo curto o ex-zagueiro é simples e direto, sem complicar, à imagem do que era dentro de campo, e quando a conversa resvala para temas mais sensíveis o nosso ilustre visitante não hesita em chutar para canto para evitar confusões na sua área.
Sem mais demoras passemos a bola a Duílio.

Museu Virtual do Futebol (MVF): O Coritiba foi o ponto de partida de uma carreira iniciada em finais da década de 70. Depois de quatro temporadas defendendo com brio a camisa do time da sua terra natal seguiram-se fugazes passagens pela Portuguesa (São Paulo) e pelo América (Rio de Janeiro) antes de ingressar no Fluminense, onde durante três épocas iria vivenciar diversos momentos de glória. 1984 marca um desses momentos, a conquista do título de campeão brasileiro ao serviço do tricolor carioca...
Duílio: É, recordo esse momento com muita alegria e saudade, pois foi o coroação de uma equipa que deu muitas glórias ao Fluminense.

MVF: A final, contra o vizinho Vasco da Gama, foi disputada no grande templo do futebol brasileiro, o gigante Maracanã, o palco que qualquer futebolista, brasileiro ou não, um dia sonha pisar. Lembra-se do Maracanã nesses dois jogos decisivos do Brasileirão de 84? (Nota: a final do campeonato brasileiro era disputada em dois jogos, sendo que os de 1984 decorreram ambos naquele que era na altura o maior estádio do Mundo).
Duílio: O Maracanã estava lotado (com cerca de 200 000 torcedores nas bancadas!). Havia pessoas sentadas nas marquises onde estavam instalados os holofotes (!), e recordo que foram dois jogos muito intensos. (O Flu venceu o primeiro por 1-0 e empatou a zero o segundo).


MVF: Aquele time do Fluminense tinha verdadeiras lendas do futebol. Branco, Ricardo Gomes, ou o paraguaio Romerito eram alguns desses notáveis. Qual foi o segredo da conquista desse título?
Duílio: O ambiente era muito bom, sabíamos o que queríamos e fazíamos valer isso dentro do gramado (relvado), sem nunca deixar de respeitar qualquer que fosse o adversário. Pode ter sido esse o segredo da nossa vitória.

MVF: Com 28 anos o Duílio veio para a Europa. Para Portugal e para o Sporting, para sermos mais precisos. Como surgiu a hipótese de jogar para estes lados?
Duílio: Foi na sequência de uma conversa com o então representante do Sporting, o senhor Joaquim Oliveira. Acertámos tudo e depois o Fluminense me liberou. Após a conversa fui pesquisar sobre esse grande clube português e tive a certeza que estava no caminho certo.


MVF: O Sporting dos finais da década de 80 tinha verdadeiras lendas do futebol luso, casos do Vítor Damas, Manuel Fernandes, Gabriel, Virgílio, Venâncio, Oceano, Jaime Pacheco, António Sousa, ou Jordão. Foi chegar (na época de 85/86) ver e vencer, ou nem por isso?
Duílio: Foi complicado entrar no “onze” daquele Sporting. Os dois zagueiros titulares da época (Venâncio e Morato) eram jogadores de seleção, e depois havia os métodos do treinador, aos quais eu não estava habituado. Foi um ano de adaptação, pois vinha jogando sempre a titular no Brasil e no Sporting fiz a maior parte dos jogos na equipa das reservas. Se não me engano apenas realizei uns oito encontros na equipa principal durante essa primeira época. Recordo que o grupo tinha uma mescla de jogadores experientes com outros que estavam a começar a afirmar-se no futebol, e que eram promessas. Pode ter sido por isso que não deu certo, ou como dizemos aqui, não houve química.

MVF: Como frisei na questão anterior aquele Sporting tinha nomes consagrados do futebol português. Houve algum que o tivesse impressionado?
Duílio: O Oceano, que raça (!), que disposição em campo. Destaco também um dos melhores guarda-redes portugueses, senão mesmo o melhor de sempre, o Vitor Damas,  que além de grande jogador era um grande homem. Também o nosso capitão, o Manuel Fernandes, que mais tarde foi meu treinador no Estrela da Amadora e que era um líder nato, o nosso capitão em todas as horas. Havia ainda o Jordão, que classe de jogador!

MVF: Na temporada seguinte (86/87) fizeram uma classificação final (foram 4ºs), mas escreveram uma das páginas mais brilhantes da história dos dérbis entre Benfica e Sporting. Em Alvalade venceram por 7-1, os famosos 7-1, uma tarde inspirada de Manuel Fernandes, autor de quatro golos. O Duílio foi suplente utilizado nesse jogo, como viveu essa célebre tarde?
Duílio: Grande jogo, entrei na segunda parte quando ainda restavam uns 15 minutos para jogar. Na altura o resultado era de 5-1, mas depois ainda marcámos mais dois golos, e se houvesse mais uns minutos de jogo poderiam ter saído mais alguns... Ganhar ao Benfica é sempre bom, e com um resultado daqueles então ainda melhor. Recordo que no balneário, após o jogo, houve muita comemoração. 

MVF: Nessa época o Sporting perdeu tudo para o rival Benfica, apesar desses míticos 7-1. Esse expressivo resultado serviu de certo modo de consolação para terem perdido o campeonato e a taça para o Benfica?
Duílio: Claro que não, ficou um vazio enorme, pois queríamos ganhar algo, o que acabámos por não conseguir.


MVF: Na época seguinte o Sporting vingou-se, e venceu a Supertaça Cândido de Oliveira ao Benfica. E logo com duas vitórias, uma na Luz (3-0) e outra em Alvalade (1-0). O Duílio participou nos dois jogos, e este além de ter sido o seu primeiro troféu conquistado em solo português foi o único que arrecadou com a camisola dos leões...
Duílio: Sim, é verdade. Essa supertaça teve dois jogos muito atípicos, e lembro que naquela época não se dava tanto valor a esse troféu. Mas ganhar ao Benfica, como já disse, era sempre bom, e essa conquista foi comemorada como uma taça merece ser comemorada.

MVF: Ainda no Sporting o Duílio estreou-se nas competições europeias em 86/87, e fê-lo logo contra o grande Barcelona de Zubizarreta, de Victor Muñoz, de Mark Hughes, e de Gary Lineker. O Sporting foi afastado na segunda eliminatória da então Taça UEFA, mas fez a vida negra ao Barça. Grande momento esse, não?
Duílio: Recordo essa estreia com alegria e tristeza. Alegria por ter jogado, e tristeza por ter sido eliminado da competição, pois fizemos um grande jogo em Alvalade e não merecíamos sair derrotados, apesar de ter ganho o jogo por 2-1, mas o adversário tinha vencido na primeira mão em casa por 1-0. Jogar contra grandes jogadores como aqueles foi uma experiência boa, já que isso te enriquece não só como jogador mas também como pessoa.

MVF: Quando saiu do Sporting estava com 31 anos. Para continuar a carreira escolheu um pequeno clube dos arredores de Lisboa, o Estrela da Amadora. Porquê essa escolha, com 31 anos não se sentia capaz de comandar a zaga (defesa) de outro grande clube de futebol, português ou não...
Duílio: Houve muitos convites de grandes equipas de Portugal, mas ao sair do escritório do diretor de futebol em Alvalade, encontrei o senhor Armando Biscoito, que estava no Estrela, o qual me perguntou se eu queria ir para lá. Como sempre gostei de desafios conversei com a patroa (esposa) e decidimos ficar por ali...


MVF:... Uma aposta que se viria a revelar acertada, já que na sua segunda temporada na Reboleira (casa do Estrela) capitaneou a equipa na surpreendente vitória na final da Taça de Portugal ante o Farense...
Duílio: Foi de facto um momento inesquecível, o qual ainda hoje recordo com muita alegria. Ganhar a Taça de Portugal não era para qualquer equipa, por isso fizemos história! Lembro que a final teve dois jogos (final e finalíssima). No primeiro não jogamos bem, estavámos nervosos, e terminamos empatados (1-1). No segundo encontro, já mais soltos, fizemos uma grande partida, e vencemos por 2-0, até o Paulo Bento, que é o atual selecionador de Portugal, fez um golo. A vitória teve como chave a união do grupo, além de que era muito bem comandada pelo técnico João Alves.

MVF: Pelo Estrela voltou às competições europeias, mais concretamente à Taça das Taças, onde até marcou um golo, na segunda eliminatória, na segunda mão, contra o Liège. Por uma unha negra o Estrela não continuou essa aventura europeia.
Duílio: Foi outra experiência fantástica. Recordo que só nós, jogadores, tínhamos crença em nós, e não passamos à segunda eliminatória devido a... coisas do futebol.

MVF: Por falar em Estrela da Amadora, como recebeu a notícia do fim do futebol profissional no clube?
Duílio: Com muita tristeza, penso que se o presidente José Gomes estivesse vivo o Estrela nunca teria deixado de existir.


MVF: Depois de sair da Reboleira, onde esteve três temporadas, ainda jogou pela Ovarense e pelo Portimonense nos escalões secundários do futebol português. Que recordações tem desses dois clubes, das experiências que lá viveu?
Duílio: Na Ovarense convivi com outros grandes craques do futebol português, casos do Quinito, do Eduardo Luís, do José Luís, e do Frasco, que era o treinador e que depois saiu para dar lugar ao Manuel Fernandes, e conseguimos como melhor resultado chegar ao oitavo lugar na Divisão de Honra. Quanto ao Portimonense, foi mais um desafio na minha carreira, onde fui campeão da 2ª Divisão/zona sul, e lá encerrei a carreira de jogador de futebol.

MVF: Agora, e em jeito de remate final: Qual foi o seu melhor momento em Portugal?
Duílio: Todos! Tenho a certeza que fiz a opção certa quando escolhi jogar futebol em Portugal.

MVF: Qual o treinador que mais o marcou?
Duílio: Em Portugal tive grandes treinadores, alguns de renome internacional, mas o mister João Alves deixou saudades.

MVF: Qual o melhor momento da sua carreira?
Duílio: Quando ergui o troféu de campeão brasileiro pelo Fluminense, e quando optei por jogar em Portugal

MVF: O que faltou para o Duílio se afirmar como um zagueiro de seleção brasileira, como foram Ricardo Gomes, Aldair, ou Mozer, nas décadas de 80/90?
Duílio: O Ricardo Gomes foi meu companheiro no Fluminense e fizemos uma grande zaga. Já em 83 fui eleito junto com o Mozer o melhor zagueiro do futebol carioca, e quanto ao Aldair esse veio bem depois. Cheguei a vestir a camisa da seleção em 1979 com o falecido selecionador Cláudio Coutinho quando fizemos dois jogos amigáveis no Brasil, além de que fui falado para a seleção algumas vezes, mas quando se coloca politica no meio do futebol... deixa para lá.

MVF: Agora é mesmo o remate final. Hoje, com 56 anos é treinador de futebol, tendo já passado por diversos clubes do seu país. E em Portugal, onde foi feliz como jogador, vislumbra uma carreira como treinador num futuro próximo?
Duílio: Gostaria muito de ai voltar e treinar um clube. Porque não? Foi em Portugal onde fiz os cursos de treinador, e aliás já treinei aí, o Machico, e até estava indo bem, mas tem sempre alguém que... deixa para lá novamente. Um grande abraço.

Outro para si Duílio, e obrigado por esta breve mas agradável visita ao Museu Virtual do Futebol. Até uma próxima. 

Legenda das fotografias:
1-Duílio, com a camisola do Fluminense, onde alcançou o estatuto de capitão de equipa
2-O Fluminense campeão brasileiro de 1984. (Duílio está identificado pelo círculo vermelho)
3- Com a camisola do Sporting
4-Equipa do Sporting na temporada de 86/87, a tal dos 7-1 ao rival Benfica
5-Duílio em ação contra o rival da Segunda Circular
6-O onze do Estrela da Amadora, capitaneado por Duílio, que venceu no Jamor a Taça de Portugal de 90
7-Um plantel do Portimonense (Duílio está na fila de cima), o último clube da carreira do zagueiro nascido em Curitiba 

segunda-feira, novembro 18, 2013

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (16)...

Final

Corinthians (Brasil) - Flamengo (Brasil): 3-3 / 1-0 nas grandes penalidades

Golos: Bruno Xavier, Fernando DDI, André / Eudin (2); Benjamin

TIMÃO DAS AREIAS É O NOVO CAMPEÃO DO MUNDO DE BEACH SOCCER AO NÍVEL DE CLUBES...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (15)...

Jogo de atribuição dos 3º e 4º lugares

Vasco da Gama (Brasil) - Botafogo (Brasil): 3-1

Golos: Jorginho, Gil, Betinho / Bernardo

Vascaínos ficam com a medalha de bronze...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (14)...

Meias-finais

Botafogo (Brasil) - Flamengo (Brasil): 2-3

Golos: Mazzei, Vini / Casé, Datinha (2)

Em partida imprópria para cardíacos Mengão carimbou passaporte para o grande jogo...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (13)...

Meias-finais

Vasco da Gama (Brasil) - Corinthians (Brasil): 0-2

Golos: Daniel, Bruno Malias

Coringão vai brigar pela coroa de rei do mundo...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (12)...

Grupo B / Jogo 6

Milan (Itália) - Peñarol (Uruguai): 4-6

Golos: Gori (2), Ramacciotti, Marinai / Nico (2), Fred, Martín, Fabrício, Ricar

Num jogo de despedidas Peñarol levou a melhor...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (11)...

Grupo A / Jogo 6

Vasco da Gama (Brasil) - Botafogo (Brasil): 0-1

Golo: Sidney

Vizinhos cariocas avançam para as meias-finais após um duelo morno vencido pelos alvi-negros...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (10)...

Grupo A / Jogo 5

Barcelona (Espanha) - Al Ahli (E.A.U.): 1-3

Golos: Amarelle / Belchior (2); Hasan Ali

Ah Ahli provocou surpresa ao enviar o poderoso Barça mais cedo para casa!...

sexta-feira, novembro 15, 2013

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (9)...

Grupo B / Jogo 5

Corinthians (Brasil ) - Milan (Itália): 5-4

Golos: André (2), Rafinha (2), Daniel / Catarino (2), Gori (2)

Corinthians continua invicto e segue com o rival Flamengo para a fase seguinte...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (8)...

Grupo B / Jogo 4

Peñarol (Uruguai) - Flamengo (Brasil): 5-11

Golos: Matin (2), Matias, Nico, Villalobos / Eudin (4), Datinha (2), Leo (2), Toinho, Souza, Benjamin

Com nova goleada Flamengo já está nas meias-finais...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (7)...

Grupo A / Jogo 4

Al Ahli (E.A.U.) - Vasco da Gama (Brasil): 4-6

Golos: Betinho (2), Mauricinho (2), Bokinha, Bueno / Belchior (3), Ali Karim

Contrariamente ao que os números expressam Vasco alcança vitória tranquila ante equipa asiática...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (6)...

Grupo A / Jogo 3

Botafogo (Brasil) - Barcelona (Espanha): 5-6

Golos: Sidney, Alan, Antônio, Vini, DMais / Stankovic (2), Nico (2), Cristian, Juanma

Barça vence batalha de parada e resposta...

quinta-feira, novembro 14, 2013

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (5)...

Grupo B / Jogo 3

Flamengo (Brasil) - Milan (Itália): 7-3

Golos: Souza (3), Eudin, Benjamin, Casé, Digo Gama / Gori (2), Ramacciotti

Mengão parece ter recuperado do trambolhão da estreia...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (4)...

Grupo A / Jogo 2

Vasco da Gama (Brasil) - Barcelona (Espanha): 4-4 / 1-0 nas grandes penalidades

Golos: Jorginho, Bueno, Bokinha, Mauricinho / Stankovic (2), Nico, Ozu

Sorte dos penaltis sorriu aos vascaínos após um jogo de loucos!...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (3)...

Grupo A / Jogo 1

Botafogo (Brasil) - Al Ahli (E.A.U.): 2-0

Golos: Bê, Alan

A jogar em casa cariocas não podiam ter tido melhor estreia em Mundialitos de Beach Soccer...

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (2)...

Grupo B / Jogo 2

Corinthians (Brasil) - Peñarol (Uruguai): 4-3

Golos: Bruno Malias (2), Bruno Xavier, Anderson / Martín, Ricar, Fred

Coringão vence estreantes uruguaios e abre a porta da fase seguinte do Mundialito carioca...

quarta-feira, novembro 13, 2013

Mundialito de Clubes de Futebol de Praia/Rio de Janeiro 2013 (1)...

Grupo B / Jogo 1

Flamengo (Brasil) - Corinthians (Brasil): 1-2

Golos: Benjamin / Bruno Xavier, André

Timão das areias vence dérbi canarinho...

Lista de Campeões... Bulgária

BULGÁRIA
CAMPEÕES NACIONAIS

2016: Ludogorets Razgrad
2015: Ludogorets Razgrad
2014: Ludogorets Razgrad
2013: Ludogorets Razgrad
2012: Ludogorets Razgrad
 2011: Litex 
 2010: Litex
 2009: Levski Sofia
 2008: CSKA Sofia
2007: Levski Sofia
2006: Levski Sofia
2005: CSKA Sofia

2004: Lokomotiv Plovdiv
2003: CSKA Sofia

2002: Levski Sofia
2001: Levski Sofia

2000: Levski Sofia

1999: Litex

1998: Litex

1997: CSKA Sofia
1996: Slavia Sofia

1995: Levski Sofia
1994: Levski Sofia
1993: Levski Sofia
1992: CSKA Sofia

1991: Etar Tarnovo
1990: CSKA Sofia
1989: CSKA Sofia

1988: Vitosha Sofia
1987: CSKA Sofia
1986: Beroe
1985: Levski Sofia
1984: Levski Sofia
1983: CSKA Sofia

1982: CSKA Sofia
1981: CSKA Sofia
1980: CSKA Sofia

1979: Levski Sofia
1978: Lokomotiv Sofia

1977: Levski Sofia
1976: CSKA Sofia

1975: CSKA Sofia

1974: Levski Sofia
1973: CSKA Sofia
1972: CSKA Sofia

1971: CSKA Sofia
1970: Levski Sofia
1969: CSKA Sofia

1968: Levski Sofia
1967: Botev

1966: CSKA Sofia

1965: Levski Sofia
1964: Lokomotiv Sofia

1963: Spartak Plovdiv

1962: CSKA Sofia

1961: CSKA Sofia

1960: CSKA Sofia

1959: CSKA Sofia

1958: CSKA Sofia

1957: CSKA Sofia

1956: CSKA Sofia
1955: CSKA Sofia

1954: CSKA Sofia

1953: Levski Sofia

1952: CSKA Sofia

1951: CSKA Sofia
1950: Levski Sofia

1949: Levski Sofia

1948: CSKA Sofia
1947: Levski Sofia

1946: Levski Sofia
1945: Lokomotiv Sofia

1944: não se realizou

1943: Slavia Sofia

1942: Levski Sofia

1941: Slavia Sofia
1940: Lokomotiv Sofia

1939: Slavia Sofia

1938: Ticha Varna

1937: Levski Sofia
1936: Slavia Sofia

1935: Sportclub Sofia

1934: Vladislav Varna

1933: Levski Sofia

1932: Spartak Varna

1931: Atleti Slava Sofia

1930: Slavia Sofia
1929: Botev
1928: Slavia Sofia

1927: não se disputou

1926: Vladislav Varna
1925:  Vladislav Varna