quarta-feira, novembro 25, 2020

Diego Maradona (1960-2020)

 


Muitos de nós ao longo da nossa vida idolatramos figuras que por alguma razão nos despertam o entusiasmo, o encanto, a paixão ou o amor por algo material ou imaterial. Eu, como tantas outras pessoas, também tive e tenho os meus ídolos, personagens reais que criaram em mim o misto de sentimentos atrás descritos. Um desses amores que nutro até aos dias de hoje é o futebol. Como tudo na vida também este amor teve um início, teve o seu dia, ou a sua época, de nascimento, cujo maior responsável foi sem dúvida alguma um cidadão argentino chamado Diego Armando Maradona.

Foi ele, com as suas "gambetas" mágicas e só ao alcance de um génio que despertou em mim o amor que tenho hoje pelo futebol. Maradona levou-me a descobrir o futebol, no que de mais belo e artístico ele tem. 
 
Maradona fez-me rir, fez-me chorar, fez de mim um eterno e louco adepto do Belo Jogo. Maradona tornou-se no meu Deus da bola, no meu ídolo de menino. Um ídolo que atravessou décadas, eclipsou outros tantos craques que desde então fui conhecendo nos retângulos planetários da bola, de tal forma que hoje, já homem, continuo a dizer que Maradona é o meu ídolo. 
 
Hoje não me envergonho de dizer que me emocionei com a notícia do seu desaparecimento físico, foi como se partisse alguém próximo, alguém que me ensinou a amar algo de belo, como neste caso é o futebol. É o dia mais triste da história do futebol.
A sua partida é contudo somente física, pois a sua lenda será eterna e será recordada por certo como o capítulo mais belo da história do futebol.
Até sempre D10S. 🥺

terça-feira, novembro 10, 2020

Taça das Nações da Oceânia

Como o próprio nome indica esta é uma competição disputada entre as nações da Oceânia, atualmente de quatro em quatro anos, tal como acontece com as restantes competições continentais e intercontinentais, como é o caso do Campeonato do Mundo. nem sempre assim foi, já que na década de 90 e início do novo milénio a prova aconteceu de dois em dois anos. A Taça das Nações da Oceânia é disputada desde 1973, sendo que à exceção de duas edições o certame teve sempre uma sede fixa. A Nova Zelândia é atualmente a nação com mais títulos (5), sendo que o seu favoritismo à conquista de mais ceptros aumentou desde que a Austrália emigrou para a confederação asiática. 
De seguida, aqui fica a lista de campeões da prova rainha de seleções desta prova organizada pela Confederação de Futebol da Oceânia. 
2016: Papua-Nova Guiné - Vencedor: Nova Zelândia
2012: Ilhas Salomão - Vencedor: Tahiti
2008: Sem sede fixa - Vencedor: Nova Zelândia
2004: Austrália - Vencedor: Austrália
2002: Nova Zelândia - Vencedor: Nova Zelândia

2000: Tahiti - Vencedor: Austrália
1998: Austrália - Vencedor: Nova Zelândia
1996: Sem sede fixa - Vencedor: Austrália
1980: Nova Caledôndia - Vencedor: Austrália
1973: Nova Zelândia - Vencedor: Nova Zelândia

Competições jovens (5)... Campeonato do Mundo de Sub-20/União Soviética 1985

 

A 5.ª edição do Campeonato do Mundo de Sub-20 teve como palco e pela primeira vez o continente europeu. Estávamos em 1985. Coube à então União Soviética exibir a montra dos craques do futuro. 16 seleções procuravam suceder ao Brasil no topo do futebol jovem planetário, entre as quais o próprio escrete canarinho, que na qualificação para o Mundial havia tido um trajeto imaculado, cedendo apenas um empate na 1.ª fase de qualificação, ante a Colômbia, a zero bolas, e somando seis triunfos, três dos quais na fase final da zona de qualificação da CONMEBOL ante o Uruguai, Paraguai e a Colômbia, sendo que estas duas últimas seleções acompanhavam os brasileiros na viagem para a União Soviética. Da CONCACAF apuraram-se México e Canadá, sendo que os mexicanos o fizeram sem qualquer derrota na fase de qualificação. Da Ásia, China e Arábia Saudita qualificaram-se para o Mundial sem qualquer desaire nas duas fases de qualificação pelas quais passaram. Qualificação 100 por cento vitoriosa teve também o representante da Oceânia, a Austrália, ao passo que de África fazia a viagem para solo europeu a Tunísia que na final continental havia-se desenvencilhado da Nigéria numa final a duas mãos com o agregado a favor das "águias do Cartago" por 3-2. República da Irlanda, Inglaterra, Espanha, Bulgária, Hungria e a anfitriã União Soviética eram os representantes do Velho Continente no Mundial juvenil da FIFA então presidida por João Havelange. Leningrad, Minsk, Baku, Yerevan, Tbilissi e Moscovo foram as cidades escolhidas para sediar a competição que arrancou no dia 24 de agosto e foi concluída a 7 de setembro de 1985.

Grupo A: favorita Hungria desilude

O mapa da União Soviética com 
realce para as cidades sede
O Grupo A foi sediado em Yeravan, hoje em dia capital da Arménia, e tinha a Hungria como principal favorita a seguir para a fase seguinte da prova. Os magiares chegavam a este campeonato como vencedores do Campeonato da Europa de Sub-18, no ano anterior. Porém, os húngaros estiveram aquém das espectativas e logo no primeiro jogo deixaram fugir no último minuto a vitória contra a estreante Colômbia. Depois de estarem na frente do marcador por 2-0 os europeus consentiram dois golos em apenas um minuto (!), tendo a partida terminada empatada a duas bolas. Nos dois jogos seguintes a Hungria mostrou-se estranhamente tensa e só a espaços mostrou a sua teórica supremacia. Contra a desconhecida Tunísia os europeus foram de certa forma bafejados pela sorte, tendo dado a reviravolta a um resultado negativo já em cima do apito final do encontro, quando o 2-1 final surgiu. Na derradeira partida deste grupo a Hungria defrontou a Bulgária, um conjunto que ao longo desta primeira fase se mostrou mais maduro e estável. A classe dos búlgaros ficou patente logo na estreia, ante a Tunísia, com o 2-0 final a favor dos europeus a ser demasiado lisonjeiro para os africanos.  Neste Mundial emergiram de pronto alguns jogadores que viriam a fazer parte da geração de ouro do futebol búlgaro que na década seguinte brilhou nos grandes palcos planetários, casos de Lubo Penev, Krasimir Balakov ou Emil Kostadinov.

Guarda-redes
colombiano
agarra a bola
No segundo encontro da fase de grupos a Bulgária sentiu algumas dificuldades para lidar com o futebol mais técnico dos colombianos e o empate a uma bola acaba por refletir o curso (equilibrado) que a partida tomou. No tira teimas do grupo, no confronto entre europeus, os búlgaros foram sem dúvida melhores, pelo que a igualdade a uma bola acaba por ser um mau resultado para a Bulgária e um mal menor para a Hungria. Esta igualdade apurou para a fase seguinte os búlgaros e a Colômbia, uma equipa que apresentou um futebol vistoso e revigorante no plano atacante, com os seus jogadores a mostrarem atributos técnicos de fino recorte que entusiasmaram o público de Yerevan que desta forma apoiou os sul-americanos durante os seus jogos. A Colômbia avançou para os quartos-de-final sem perder um único jogo nesta fase de grupos, sendo que o seu apuramento foi ditado pelo método insólito de... moeda ao ar. É caso para dizer que a sorte foi merecida, pois na balança entre cafeteros e húngaros o melhor futebol foi apresentado pelos primeiros. No plano individual destaque para o então jovem guarda-redes René Higuita, que neste Mundial não teve oportunidade de mostrar a excentricidade pela qual se tornaria mundialmente famoso nos anos seguintes.

Por fim os tunisinos, cujo maior problema eram... eles próprios, isto é, a sua inadequada preparação para o torneio que acabou por se refletir nas três derrotas que a seleção africana averbou.

Grupo B: Poderio brasileiro por demais evidente

Brasil, os futuros campeões do Mundo
Tbilissi acolheu os jogos do Grupo B do Mundial, um grupo composto por seleções com estilos de jogo bastante distintos: o Brasil e a Arábia Saudita (treinada por um brasileiro) evidenciaram o típico e artístico estilo de futebol sul-americano, ao passo que a Espanha apresentou um estilo baseado no contra-ataque, enquanto que a Irlanda exibiu o característico futebol britânico. Rotulado como favorito não só à passagem à fase seguinte como a vencer o próprio torneio, o Brasil, campeão do Mundo em título, não desiludiu as expectativas, e a sua supremacia nos três jogos da fase de grupo foi por demais evidente. O escrete controlou sempre os seus adversários, pautou o ritmo dos jogos, e não consentiu qualquer veleidade aos seus adversários, vencendo o grupo só com vitórias. Uma técnica acima da média, uma inteligência de jogo astuta, e uma organização exemplar aliada a uma disciplina tática tremenda, foram atributos mostrados pelos brasileiros nesta primeira fase. Por outras palavras, o Brasil foi superior em todos os capítulos, e os resultados acabam até por ser escassos tamanha foi essa supremacia.
Irlandeses e nigerianos disputam a bola
A equipa espanhola foi muito irregular, consequência de uma preparação muito deficitária, tendo a seleção juntado-se pouco antes de viajar para a União Soviética. Entraram muito mal no torneio com um empate sem golos ante os sauditas, ao que se seguiu uma derrota natural com os brasileiros, e à entrada para a última jornada
La Roja somava apenas um ponto e não tinha marcado qualquer golo.  No jogo do tudo ou nada contra a República da Irlanda o triunfo só seria confirmado a 5 minutos do final e qualificação para a ronda seguinte apenas foi possível pois a Espanha ganhou no goal-average com a Arábia Saudita. Última seleção esta cuja personalidade dentro do campo acabou por ditar o afastamento do Mundial na fase de grupos, ou seja, o bom futebol apresentado pelos asiáticos não foi correspondido pelos seus jogadores, que dentro do campo se mostravam demasiado conflituosos e descontrolados. A equipa fazia muitas e perigosas faltas, o que não só levava perigo à sua baliza como acabava por descontrolar emocionalmente os seus jogadores. Apesar de esforçada, disciplinarmente excelente, e muito bem organizada sob o ponto de vista tático, a seleção da República da Irlanda foi incapaz de somar qualquer ponto, dando contudo boa réplica em alguns jogos.

Grupo C: Anfitriões sentem dificuldades para seguir em frente

Lance do jogo Canadá-Austrália
Em Minsk estava sedeado o Grupo C, e nele estavam representados quatro continentes diferentes. A seleção da casa, apontada como uma das favoritas à vitória final, não conseguiu lidar com a pressão do público e da comunicação social. A qualificação para a fase seguinte foi mais difícil do que os resultados possam expressar, sendo que a equipa apenas mostrou bom futebol a espaços. Na maioria das vezes os soviéticos mostraram sinais de tensão. Foi por diversas vezes visível que a União Soviética tentou imprimir no seu jogo uma velocidade a que a técnica dos seus jogadores não correspondia, vendo-se em demasia passes falhados e muitas oportunidades de golo perdidas. Mesmo com todas estas debilidades os soviéticos terminariam no topo do grupo, com apenas um empate consentido e duas vitórias. Logo atrás da seleção anfitriã ficou a Nigéria, cujo futebol jovem vinha fazendo grandes progressos. Após uma vitória fácil contra o Canadá no jogo de estreia, os nigerianos apresentaram-se algo sonolentos no encontro com a União Soviética, o qual acabariam por perder.

Australiano Panagis prepara-se para
cobrar uma falta
No derradeiro encontro com a Austrália os africanos entraram mal, estiveram a perder por 2-0, mas uma avalanche ofensiva tremendamente eficaz no segundo tempo foi premiada com três golos que conferiram uma vitória e o apuramento para os quartos-de-final. Por sua vez, a Austrália protagonizou quiçá a primeira grande surpresa deste Campeonato do Mundo ao empatar a zero no jogo de abertura do grupo ante a União Soviética. Porém, não deu seguimento a este bom resultado, já que não foi além de novo nulo no jogo seguinte com o Canadá ao que se seguiu a tal derrota com a Nigéria no confronto decisivo para estas duas seleções. Quantos aos canadianos, e para a história, fica o ponto conquistado com a Austrália, já que de resto saíram do torneio como a seleção que sofreu a derrota mais pesada da prova, 5-0 com a União Soviética. Não marcaram um único golo em três jogos.

Grupo D: Supremacia azteca

Disputa de bola no 
Paraguai-México
Baku recebeu os jogos do Grupo D, dominado pelo México, que com três triunfos ficou com a liderança. No jogo de estreia, ante a China, a avalanche mexicana fazia estragos ao intervalo, com um concludente 3-0, sendo que no segundo tempo os centro-americanos diminuíram o ritmo de jogo e consentiram o tento de honra dos asiáticos. A superioridade mexicana ficou igualmente bem patente ante o Paraguai com um triunfo por 2-0 e diante da Inglaterra, por 1-0. Logo atrás do México classificou-se a China, que começava a dar inícios de evolução no futebol, alcançando pela primeira vez os quartos-de-final num Mundial juvenil, fruto de duas vitórias ante seleções teoricamente mais evoluídas como eram o Paraguai e a Inglaterra. A seleção inglesa foi composta na sua totalidade por jovens jogadores profissionais, orientados por Dave Sexton, um dos treinadores mais conhecidos e bem-sucedidos da Inglaterra. Os ingleses estavam entre os favoritos do grupo, porém a equipa foi incapaz de corresponder às expectativas. Contra o Paraguai, no jogo de abertura, eles deixaram escapar uma vitória que parecia certa, venciam por 2-0 e empataram a dois golos. Contra a China os britânicos tiveram um quarto de hora final tenebroso, acabando por sofrer dois golos que originaram uma derrota. E no encontro contra os mexicanos, que já classificados fizeram descansar alguns dos seus principais jogadores, os ingleses pouco arriscaram, acabando por perder.

Quartos-de-final: Brasil encanta com a qualidade do seu futebol

Yerevan recebeu o primeiro duelo dos quartos-de-final do Mundial de 1985, que opôs a Bulgária à Espanha. A formação inicial dos búlgaros incluía nada mais nada menos do que cinco avançados, dos quais dois foram-lhe atribuídos funções de meio-campo. Quando a equipa atacava, os dois falsos médios juntavam-se aos outros três atacantes. A defesa espanhola, que operava num sistema de marcação fechada, teve muitas dificuldades em lidar com a tática búlgara. Porém, contra a corrente do jogo, os espanhóis saíram na frente do marcador na sequência de um pontapé de canto, em que a bola foi mal aliviada pela defesa búlgara e apareceu Marcelino Garcia Toral a rematar para o fundo das redes. Logo após o intervalo, o extremo direito búlgaro Maznilkov ludibriou o seu marcador direto e cruzou para o centro da área onde apareceu Kostadinov a fazer o empate. Durante um dos raros mas perigosos ataques espanhóis, um defesa búlgaro cometeu uma falta desnecessária na área, e eis que Fernando com segurança converteu a grande penalidade que conferiu uma vantagem de 2-1 para sua equipe, a qual não mais seria desperdiçada pelos ibéricos que assim selavam a passagem às meias finais.

Brasil não deu hipótese à Colômbia
Em Tbilissi assistiu-se a um recital de futebol dado pelos brasileiros. A primeira metade do encontro com os colombianos foi uma permanente avalanche ofensiva do Brasil, com os cafeteros a concentrarem-se em bloco à frente da sua baliza tentando tapar de todas as maneiras o caminho do golo. Sistematicamente havia 21 jogadores no meio campo colombiano, o que prova o domínio avassalador dos canarinhos. Tal era que muitas vezes até os próprios brasileiros sentiam-se confusos perante tão numerosa concentração de jogadores em tão poucos metros de campo. Porém, logo após o intervalo o muro colombiano foi derrubado, com Gérson a fazer um belo chapéu ao guardião colombiano. Três minutos depois foi a vez de Silas atirar para o fundo da baliza na recarga a uma defesa incompleta do guarda-redes cafetero. Os brasileiros não se ficariam por aqui, e por mais quatro vezes violaram as redes do infeliz Eduardo Niño.

Neste jogo os brasileiros foram superiores ao seu adversário em todos os aspetos. Depois do primeiro golo, a resistência dos colombianos foi por completo quebrada e eles não tiveram nem espírito nem a força física para contrariar os exuberantes brasileiros. Ademais, o Brasil mostrou uma qualidade de futebol tão gigante que os deixou ainda mais favoritos para ganhar este Campeonato do Mundo de Sub-20.

Expectativa era a palavra que gravitava em torno do encontro entre a União Soviética e a China, duas equipas que tinham apresentado estilos táticos muito parecidos durante a primeira fase. A partida teve um início estrondoso. O extremo direito soviético Medvid pegou na bola e correu rapidamente pelo seu corredor, deixando em seguida o esférico para Kuzhlev que depois de ultrapssar um defesa chinês aplicou um remate que surpreendeu o guardião asiático logo no minuto inicial. Os chineses não se deixaram afetar por este tento madrugador, muito pelo contrário, reagiram de forma enérgica, começando a impor o seu jogo e conquistando uma clara superioridade territorial. Por sua vez, os soviéticos optaram por um jogo mais paciente, à espera do adversário e bem fechados na sua defensiva. A União Soviética passou então quase e exclusivamente a jogar em contra ataque, e quando perdia a bola recuava toda a equipa para o setor defensivo, tapando assim os caminhos da baliza de Kutepov. Os chineses nunca desistiram de atacar a baliza contrária, construindo jogadas de ataque em catadupa, no entanto, além da bem escalonada defensiva local mostraram-se pouco eficazes na "Hora H", isto é, dispuseram de claras oportunidades de golo mas desaproveitaram-nas, acusando também alguma falta de experiência nestas competições, o que acabaria por ditar a sua eliminação. Jogar bom futebol não chega para vencer. E a China foi um claro exemplo disto neste Mundial.

Nigéria
Em Baku assistiu-se a um jogo em que a Nigéria desde o primeiro minuto tomou a iniciativa de atacar a baliza mexicana. A equipa africana fez de pronto uma pressão asfixiante sobre o seu oponente rematando à baliza de todos ângulos e feitios possíveis. Com o passar do tempo os mexicanos foram acalmando os ânimos dos nigerianos, pese embora as suas ações atacantes fossem lentas e pouco perigosas para a baliza de Agu. Até que aos 33 minutos os africanos inauguraram o marcador, na sequência de um mau alívio de cabeça de Huertas, tendo a bola caído nos pés de Igbinabaro que não desperdiçou a oportunidade para desferir um remate de 25 metros que só parou no fundo das redes de Brabila. Dois minutos depois os nigerianos aumentaram a vantagem, quando o extremo esquerdo Anunobi passou a bola para Eveh, que de pronto atirou o esférico para a baliza mexicana. A bola foi defendida numa primeira instância por Brabila, mas na recarga Odiaka aumentou a vantagem das "super águias". Cinco minutos após o reatamento os mexicanos conseguiram reduzir a diferença: após um bom movimento de ataque, Cruz superou a defesa nigeriana e fez um belo passe para Medina, que colocou a bola no fundo da baliza. O golo deu aos mexicanos um novo alento, eles aumentaram a pressão, chegando perto da baliza contrária em diversas ocasiões. O controle do jogo passou então para os mexicanos, sendo que os nigerianos tiveram então de fazer jogo feio, isto é, chutar a bola para onde estivessem virados, para selar o triunfo e avançar para as meias-finais.

Lotaria andou à roda em Moscovo

Soviéticos e espanhóis travarem
duelo emocionante
Moscovo e o seu estádio Lenin receberam uma das meias-finais, na verdade, uma meia-final eletrizante e imprópria para cardíacos entre a União Soviética e a Espanha. E assim foi desde o primeiro minuto, com ambas as equipas a lutarem muito entre si para chegar à baliza. Os espanhóis voltaram a adotar uma estratégia de contra-ataque, deixando a posse da bola para os soviéticos, que por sua vez acamparam no meio campo adversário. Pese embora tivessem essa vantagem territorial, os anfitriões não criaram grandes oportunidades de golo durante a primeira meia hora de jogo. Aos 38 minutos, Medvid recebeu a bola de um lançamento lateral próximo à bandeirola de canto, levando o esférico até à grande área contrária, onde de forma habilidosa iludiu um defesa contrário, tendo sido derrubado posteriormente por trás. Penalty claro. Khudojilov converteu majestosamente o castigo máximo com um remate que foi ao ângulo superior esquerdo da baliza de Unzué. No segundo tempo, o jogo começou a melhorar. Os espanhóis abriram-se mais, assumiram mais riscos e construíram bons lances de golo. O empate surgiu de um erro do guardião soviético, que não agarrou uma bola bombeada da direita do ataque espanhol, permitindo que esta caísse nos pés de Losada que sem dificuldade limitou-se a empurrar o esférico para o fundo da baliza.

Este empate feliz deu alento à equipa espanhola, que passou a ter mais posse de bola, embora não traduzisse esse domínio em mais golos, pelo que o encontro foi para prolongamento.

Unzué defende um penalti
No tempo extra, foram os soviéticos que se aproximaram mais vezes da baliza contrária, e depois de duas oportunidades flagrantes perdidas, eles foram recompensados aos 107 minutos quando Medvid cruzou o esférico para o poste mais distante, onde Ivanauskas cabeceou a bola para a esquerda que apanhou o guarda-redes espanhol desprevenido. O jogo parecia ganho, até porque a equipa espanhola começava a dar sinais de que estava a pagar o esforço despendido no encontro anterior, e a concentração dos seus jogadores começou a falhar. Contudo, nos segundos finais do encontro, os soviéticos tentaram manter a posse da bola no seu meio do campo, até quando Tatarchuk fez um passe curto para trás no sentido de um companheiro de equipa, a bola foi perdida, tendo sobrado para Goicoetxea (que mais tarde brilharia no plano sénior quer ao serviço do Barcelona quer da seleção principal da Espanha) que completamente solto de marcação teve tempo para escolher que lado da baliza queria rematar, fazendo o empate a poucos segundos do apito final. Seguiu-se o drama das grandes penalidades para desempatar a contenda, e aqui a Espanha foi mais feliz, vencendo por 4-3 e atingindo assim pela primeira vez uma final de um Mundial.

Arte brasileira voltou a sobressair ante bravos nigerianos

Taffarel trava ataque nigeriano
Em Leningrad disputou-se a outra meia-final entre Brasil e Nigéria. Os brasileiros assumiram o comando do jogo desde o início, e quase abriram o marcador aos 11 minutos, na sequência de um belo ataque terminou que terminou com um forte remate de Gérson que levou a bola a embater na barra. Até que aos 22 minutos o constante domínio dos brasileiros foi finalmente premiado. A bola desceu pela da direita por intermédio de Luciano que mudou o flanco da jogada com um passe longo para Silas, que por sua vez encontrou Balalo, o qual pegou na bola e rematou para a baliza, onde Agu não conseguiu agarrar o esférico, tendo este sobrado para Muller que só teve de colocar o esférico no fundo da malha. Não era só no ataque que o Brasil brilhava, também na baliza o guarda-redes Taffarel dava show quando era chamado a intervir, como aconteceu aos 33 minutos, em que defendeu um espetacular remate em vôlei com os pés. Mas a um minuto do intervalo os brasileiros ampliaram a vantagem no seguimento de mais um ataque pela direita, com Luciano a fazer um passe curto para Muller, que por sua vez cruzou a bola para a área, onde Balalo rematou para o 2-0.

Balalo celebra um dos golos 
Durante o intervalo, os nigerianos foram forçados a substituir o seu guarda-redes, que se havia lesionado na primeira metade. Apesar de jogar a partir de então contra o vento, os nigerianos tiveram uma reentrada em jogo endiabrada, forçando os brasileiros a ceder por diversas vezes pontapés de canto. Ao minuto 52 minutos os africanos beneficiaram de um penalty, mas o remate de Igbinabaro foi defendido de forma brilhante por Cláudio Taffarel.

A Nigéria continuou a atacar e manteve a defesa adversária sob pressão constante, tendo tido nada mais nada menos do que oito cantos a seu favor no segundo tempo. Mas os brasileiros mostraram-se muito fortes na defesa e nunca perderam o controle da situação.

Adeptos nigerianos sempre em festa
Esta meia final conteve lances de futebol vistosos, tendo sido considerado um dos melhores jogos do torneio, com os brasileiros a serem considerados como justos vencedores. Os nigerianos eram tecnicamente quase tão bons quanto os seus oponentes, não tendo nenhum problema quando tinham a bola na sua posse. Taticamente os africanos eram também muito fortes, além de que a sua condição física era excelente. Mas pela frente encontraram a melhor equipa deste Mundial e isso ditou a eliminação.

A Nigéria foi premiada com o terceiro lugar deste campeonato, após ter batido a União Soviética nas grandes penalidades por 3-1, depois de um nulo no marcador em 120 minutos de jogo.

Final resolvida no prolongamento

Lance da final de Moscovo
Moscovo foi palco da grande final deste 5.º Campeonato do Mundo de juniores. Frente a frente Brasil e Espanha lutavam pela coroa de campeão. Desde o momento em que os espanhóis entregaram a chave do jogo aos adversários, os brasileiros não se fizeram rogados e pegaram na batuta de pronto, com realce para o exímio Paulo Silas, o verdadeiro maestro do meio campo canarinho. O Brasil atacou vezes sem conta a baliza espanhola, com a defesa dos europeus a impedirem de todas as maneiras e feitios o golo brasileiro. Aos 23 minutos, Silas criou uma grande oportunidade para o atacante Dida, fazendo para este um passe de sonho, que só não deu golo porque Unzué fez uma defesa que foi igualmente de sonho. Apenas três minutos depois, Gérson acertou no poste.

Só aos 42 minutos os espanhóis tiveram a sua primeira oportunidade de golo, com Gay a desferir um forte remate que levou a bola a embater no topo da barra, com o guardião Taffarel completamente batido. No seguimento desta jogada Silas endossou desde o meio campo a bola num magistral passe que apanhou toda a defesa espanhola desprevenida, deixando Muller apenas com o guarda-redes contrário pela frente, mas no momento de rematar Unzué mergulhou aos pés do brasileiro impedindo assim o golo inaugural da partida.

Na segunda parte a chuva incessante tornou conta do jogo, tornando o relvado extremamente pesado, o que foi prejudicial ao futebol mais técnico dos brasileiros. O jogo decaiu então de qualidade, com um ritmo lento e as combinações de passes tornaram-se cada vez mais raras. A partida produziu a partir de então jogadas mais duras e Mendiondo acabou expulso após um segundo cartão amarelo na origem de uma dessas entradas mais agressivas, aos 61 minutos.

Apesar de terem um jogador a menos em campo, os espanhóis conseguiram manter o jogo em aberto e preocuparam a defesa brasileira com os seus contra-ataques perigosos. A três minutos do final eles quase assumiram a liderança no marcador, na sequência de uma jogada de dois para um, mas Losada, que tinha a bola, desperdiçou de forma incrível a oportunidade.

Chegou-se ao prolongamento, e logo ao segundo minuto Balalo cobra um pontapé de canto para o interior da área, onde aparece Muller, que de cabeça supera os defesas espanhóis, cabeceando a bola para o meio onde surge o zagueiro Henrique que coloca o esférico no fundo da baliza de Unzué. Com os brasileiros na liderança do marcador, a equipa espanhola apostou tudo no ataque, criando várias ocasiões para empatar. Os brasileiros tiveram alguns momentos de ansiedade, e só perto do fim é que conseguiram controlar o jogo novamente. Após o último apito do escocês David Syme a alegria tomou conta do Brasil, que muito justamente, por tudo o que havia feito durante o torneio, era um justo campeão mundial, ou melhor, bi-campeão do Mundo . De longe eles foram a melhor equipa deste Campeonato Mundial de sub-20.

Taffarel prepara-se para o prolongamento

No futuro, alguns jogadores desta jovem seleção atingiram os patamares da fama no plano sénior, casos do guarda-redes Cláudio Taffarel, do atacante Muller - sendo que estes dois jogadores haveriam 9 anos mais tarde de vencer o Mundial da FIFA pelo escrete nos Estados Unidos da América - ou do virtuoso centro-campista Silas, que foi considerado como o melhor jogador do torneio.

A figura: Silas

Paulo Silas do Prado Pereira nasceu em Campinas a 27 de agosto de 1965 e começou o seu trajeto no futebol nos escalões de formação do São Paulo. 1985 é um ano memorável na carreira do virtuoso médio ofensivo, já que além do título mundial de juniores pela seleção canarinha e de ser considerado o melhor jogador desse torneio, ele conquistou o campeonato paulista ao serviço do São Paulo. No ano seguinte ele é um dos responsáveis por levar o tri-color paulista a um novo título nacional, desta feita o Brasileirão, o mesmo será dizer o Campeonato Brasileiro. Ele ficou no São Paulo até 1988, tendo arrecadado em 1987 mais um campeonato estadual, até que na temporada de 89/90 embarca na aventura do futebol europeu, tendo assinado contrato com o Sporting Clube de Portugal. Em Alvalade confirmou o seu enorme potencial, realizando grandes exibições. Porém, na altura o Sporting vivia tempos conturbados, não se constituindo como um clube atrativo para um jogador daquela qualidade. Dessa forma a segunda época de Paulo Silas em Lisboa foi marcada por alguma irregularidade, para a qual muito contribuíram as lesões, e as várias chamadas à seleção do Brasil, onde se tornou uma presença constante, tendo representado o escrete por 38 vezes, participando nos Campeonatos do Mundo de 1986 e de 1990, e na Copa América de 1989, onde o Brasil foi campeão, embora nunca tenha sido propriamente um titular indiscutível na seleção. Depois do Sporting regressou à América do Sul, para representar os uruguaios do Central Español, uma curta passagem, pois de novo a Europa clamou pelo seu talento, e desta vez seguiu-se uma aventura naquele que por aqueles dias era o melhor campeonato nacional do Mundo, a Serie A italiana. Assinou pelo Cesena, onde fez uma época brilhante, tendo sido contratado em seguida pela Sampdoria, uma equipa que então se afigurava como um dos grandes do futebol transalpino. Em Génova fez uma excelente época. Em 1992 regressa ao Brasil para jogar pelo Internacional de Porto Alegre, tendo com a camisola do colorado vencido um campeonato estadual do Rio Grande do Sul e a Copa do Brasil, seguindo depois viagem para o Vasco da Gama, onde foi Campeão Carioca em 1994. Depois disto seguiu-se uma nova aventura internacional, desta feita para a Argentina, tendo atuado no San Lorenzo por três temporadas, vencendo uma liga argentina. Com a carreira a aproximar-se do final, Silas viajou para o Japão, onde procurou sobretudo amealhar algum dinheiro naquela que era uma das principais ligas periféricas do futebol planetário. Atuou durante dois anos no Kyoto Sanga, antes de regressar definitivamente ao Brasil, ainda a tempo de ser Campeão do Paraná (ao serviço do Atlético Paranaense), tendo terminado a sua longa carreira no Inter de Limeira, já quase com 40 anos de idade.

Nomes e números:


Grupo A


1.ª jornada

Hungria - Colômbia: 2-2

(Pinter, aos 59m, Zsinka, aos 85m)

(Perez, aos 88m, Rodriguez, aos 89m)


Tunísia - Bulgária: 0-2

(Mihtarski, aos 32m, Penev, aos 78m)

 

2.ª jornada

 

Hungria - Tunísia: 2-1

(Pinter, aos 60m, Fischer, aos 87m)

(Touati, aos 46m)

 

Colômbia - Bulgária: 1-1

(Tréllez, aos 74m)

(Kalaydjiev, aos 69m)

 

3.ª jornada

 

Colômbia - Tunísia: 2-1

(Castaño, aos 19m, Tréllez, aos 68m)

(Abdelhak, aos 76m)

 

Hungria - Bulgária: 1-1

(Fischer, aos 80m)

(Kostadinov, aos 50m)

 

Classificação:

 

1- Bulgária: 4 pontos

2- Colômbia - 4 pontos

3- Hungria - 4 pontos

4- Tunísia - 0 pontos

 

Grupo B

 

1.ª jornada

 

Irlanda - Brasil: 1-2

(Tuite, aos 86m)

(Balalo, aos 20m, Dida, aos 80m).

 

Arábia Saudita - Espanha: 0-0

 

2.ª jornada

 

Irlanda - Arábia Saudita: 0-1

(Al Dosari, aos 54m)

 

Brasil - Espanha: 2-0

(Luciano, aos 50m, Balalo, aos 65m)

 

3.ª jornada

 

Brasil - Arábia Saudita: 1-0

(Muller, aos 35m)

 

Irlanda - Espanha: 2-4

(Mooney, aos 51m, Kelch, aos 56m)

(Fernando, aos 3m e 61m, Losada, aos 35m e 85m)

 

Classificação:

 

1- Brasil: 6 pontos

2- Espanha - 3 pontos

3- Arábia Saudita - 3 pontos

4- Irlanda - 0 pontos


Grupo C


1.ª jornada

União Soviética - Austrália: 0-0

Nigéria - Canadá: 2-0

(Monday, ao 1m, Siasia, aos 78m9

 

2.ª jornada

 

União Soviética - Nigéria: 2-1

(Khudojilov, aos 23m, Chedia, aos 41m)

(Anunobi, aos 81m)

 

Seleção da Austrália

A
ustrália - Canadá: 0-0

3.ª jornada

Austrália - Nigéria: 2-3

(Panagis, aos 27m, Kalantzis, aos 38m)

(Adeleye, aos 63m, Monday, aos 78m, Anunobi, aos 79m)

 

União Soviética - Canadá: 5-0

(Ketashvili, aos 38m, Tatarchouk, aos 39m, Ivanauskas, aos 60m, Skliarov, aos 64m, Kuzhlev, aos 79m)

 

Classificação:

1- União Soviética: 5 pontos

2- Nigéria - 4 pontos

3- Austrália - 2 pontos

4- Canadá - 1 ponto


Grupo D


1.ª jornada

Inglaterra - Paraguai: 2-2

(Wakenshaw, aos 19m, Priest, aos 31m)

(Cartaman, aos 41m, Jara, aos 74m)

 

China - México: 1-3

(Gong, aos 68m)

(Garcia Aspe, aos 30m, aos 45m, Ambríz, aos 19m)

 

2.ª jornada

 

Banco inglês

Inglaterra - China: 0-2

(Hongbo, aos 76m, Gong, aos 89m)

 

Paraguai - México: 0-2

(Cruz, aos 22m, Garcia Aspe, aos 70m)

 

3.ª jornada

 

Paraguai - China: 1-2

(Amacio, aos 17m)

(Lianyoung, aos 14m, Hongbo, aos 76m)

 

Inglaterra - México: 0-1

(Becerra, aos 34m)


Classificação:

1- México: 6 pontos

2- China: 4 pontos

3- Paraguai: 1 ponto

4- Inglaterra: 1 ponto


Quartos-de-final


Bulgária - Espanha: 1-2

(Kostadinov, aos 47m)

(Marcelino, aos 33m, Fernando, aos 67m)

 

União Soviética - China: 1-0

(Kuzhlev, ao 1m)

 

Brasil - Colômbia: 6-0

(Gérson, aos 51m, aos 69m, aos 90m, Silas, aos 54m, Dida, aos 72m, Muller, aos 81m)

 

México - Nigéria: 1-2

(Medina, aos 50m)

(Igbinabaro, aos 33m, Monday, aos 35m)


Meias-finais


Brasil - Nigéria: 2-0

(Muller, aos 22m, Balalo, aos 44m)

 


Espanha - União Soviética: 2-2 (4-3 nas grandes penalidades)

(Losada, aos 70m, Goikoetxea, aos 120m)

(Khudojilov, aos 38m, Ivanauskas, aos 107m)

 

Jogo de atribuição dos 3.º e 4.º lugares

 

União Soviética - Nigéria: 0-0 (1-3 nas grandes penalidades)

Brasil faz a festa do título mundial

Final

 

Brasil - Espanha: 1-0 (após prolongamento)

Data: 7 de setembro de 1985

Estádio: Central Lenin, em Moscovo

Árbitro: David Syme (Escócia)

Brasil: Taffarel, Luciano, Luís Carlos, Henrique, Dida, João António, Paulo Silas (Marçal, aos 114m), Tosin, Gérson (Antônio Carlos, aos 109m), Muller, Balalo.

Espanha: Juan Carlos Unzué, Mendiondo, Arozarena, José Tirado, Marcelino (Nayim, aos 77m), Rafa Paz, Lizarralde, José Aurelio Gay, Fernando, Andoni Goikoetxea (Francis, aos 66m), Sebastián Losada.

Golo: 1-0 (Henrique, aos 92m).



Vídeo: Resumo da final do Mundial de 85

segunda-feira, novembro 09, 2020

Lista de Campeões... Bósnia e Herzegovina

Campões nacionais 

2019/20: FK Sarajevo*
*Nota: Devido a pandemia Covid-19 que desde março paralisou todo o desporto Mundial, a Federação bósnia decidiu cancelar o campeonato e atribuir o título de campeão ao FK Sarajevo que era o clube que liderava a prova no momento do cancelamento 

2018/19: FK Sarajevo 
2017/18: HSK Zrinjski
2016/17: HSK Zrinjski
2015/16: HSK Zrinjski
2014/15: FK Sarajevo
2013/14:  HSK Zrinjski
2012/13: FK Zeljeznicar
2011/12:  FK Zeljeznicar

2010/11: FK Borac

2009/10: FK Zeljeznicar

2008/09: HSK Zrinjski

2007/08: FK Modrica
2006/07: FK Sarajevo

2005/06: NK Siroki Brijeg

2004/05: HSK Zrinjski

2003/04: NK Siroki Brijeg

2002/03: FK Leotar

2001/02: FK Zeljeznicar

2000/01: FK Zeljeznicar