terça-feira, maio 14, 2019

Histórias do Futebol em Portugal (28)... Depois de Riade o trajeto da glória seguiu para... Vejle! Foi há 30 anos!


Seleção Nacional de sub-16 que se sagrou
campeã da Europa em 1989

Quando abrimos a enciclopédia da História do futebol português e recuámos até 1989, a primeira imagem que nos vem à memória é (provavelmente) a mítica epopeia das arábias. Por outras palavras, a gloriosa caminhada da seleção nacional de sub-20 no Campeonato do Mundo da categoria que nesse ano decorreu na Arábia Saudita, e que teve o seu apogeu com Tozé (então o capitão dessa equipa) a erguer nos céus de Riade o troféu de reis do futebol planetário ao nível da formação.
Porém, poucos se lembram que cerca de dois meses volvidos o futebol português viveu uma nova e (então) inédita conquista no plano internacional no que aos escalões de formação concerne: o título europeu de sub-16.

Faz precisamente neste dia 14 de maio 30 anos que a seleção nacional tocava o céu no cair do pano sobre a 7.ª edição do Campeonato da Europa de Sub-16 - que uma dúzia de anos mais tarde daria lugar ao atual Europeu de Sub-17 -, e cuja fase final decorreu na Dinamarca.
Em Vejle, local da grande final, os bravos putos lusitanos derrotavam a antiga República Democrática Alemã (RDA) por claros 4-1 e traziam, 28 depois, um novo título europeu para Portugal ao nível de seleções jovens - o primeiro e único até 1989 havia sido conquistado em 1961 no então denominado Torneio Júnior da UEFA.  
E para recordar esse inesquecível momento de glória - sim, temos a obrigação de jamais esquecer as grandes conquistas - nada melhor do que trazer ao Museu Virtual do Futebol alguém que muito contribuiu para que ela fosse uma realidade. É com enorme prazer que abrimos as portas a Miguel Simão, um dos 16 heróis que sob o comando de Carlos Queirós levou a nau portuguesa à terra prometida. Mas antes de passar a bola ao talentoso médio, lancemos um breve olhar do trajeto de Portugal nesse Europeu que decorreu entre 4 e 14 de maio no país dos Vikings.

Paulo Santos (Sporting), Nuno Fonseca (FC Porto), Abel Xavier (Estrela da Amadora), Álvaro Gregório (FC Porto), Adalberto (Boavista), Canana (Sporting), Costa (FC Porto), Virgílio (Sporting), Miguel Simão (Boavista), Bino (FC Porto), Emílio Peixe (Sporting), Sérgio Lourenço (Sporting), Tulipa (FC Porto), Luís Figo (Sporting), Gil (Benfica) e Geani (Vitória de Guimarães) foram então os 16 soldados que o general Queirós levou à Dinamarca para fazer esquecer a amarga derrota na final da categoria do ano anterior. Em Vallecas (Madrid), diante da Espanha, Portugal havia perdido a lotaria dos penaltis (2-4) e procurava agora na Escandinávia melhor sorte.

Integrada no Grupo A do Euro 89 juntamente com a Suíça, Roménia e Noruega, a seleção lusa realizou uma 1.ª fase à qual podemos chamar de passeio! Três jogos realizados e outras tantas vitórias (4-0 diante da Roménia, 3-0 à Noruega e 2-0 à Suíça) asseguraram o 1.º lugar do grupo e a consequente passagem às meias-finais onde iriam ajustar contas com... a Espanha. Nesse jogo, ocorrido em Kolding, veio ao de cima a veia goleadora de Gil, que viria a sagrar-se o melhor marcador do torneio, com dez golos. Dois deles precisamente diante dos vizinhos espanhóis, a quem de nada valeu um golo de Cuellar. 2-1, resultado final e Portugal viajava para Vejle.

A final foi uma «Uma viagem maravilhosa ao Mundo (fantasioso) da... "Brincolândia"»

A festa após o primeiro golo na final
E a final não foi mais do que uma... brincadeira fantasista, a julgar pela interpretação da prosa do jornalista de A Bola, Rui Santos, que acompanhou in loco a jornada de glória.   
Sob o título de «Uma viagem maravilhosa ao Mundo (fantasioso) da... "Brincolândia"», a edição de 15 de maio de 1989 de A Bola escrevia que «os portugueses... "foram ao Jardim da Celeste, gi-ro-fla, gi-ro-flé", fintaram e simularam, driblaram e inventaram, fizeram, enfim, desta final uma... brincadeira pegada. Essa era, de resto, a estratégia (assumida) de Carlos Queirós».
Esta introdução à final dizia muito do futebol fantasista que Portugal começava a apresentar ao Mundo através dos seus jovens, os quais nas décadas seguintes tantas e tantas glórias iriam dar à nação lusa.

No rescaldo da final, Rui Santos lembrava que na véspera da grande decisão Carlos Queirós havia sugerido «que Portugal tinha de brincar com os alemães no sentido de fazerem, com prazer, aquilo que eles não conseguem fazer: pôr em campo doses importantes de fantasia».
E Portugal assumiu sem rodeios na final de Vejle essa postura fantasista tão característica do seu futebol.
«A estratégia era, simplesmente, fazerem-se mais fintas, mais simulações, mais "piruetas" do que aquelas que já tinham sido feitas frentes aos suíços, noruegueses, romenos e espanhóis, talvez por se reconhecer nesta escola alemã grande falta de maleabilidade técnico-táctica. Carlos Queirós e Nelo Vingada tinham sentenciado: "vamos fantasiar!" E das palavras à acção, das cabinas ao relvado, um pequeno passo. A equipa fantasiou, improvisou, inventou (...) Pode-se fantasiar com gozo, com prazer, com graça, mas, ao mesmo tempo, com dinamismo e um mínimo de rigor. Foi essa a lição que a final de ontem encerrou. A selecção portuguesa de sub-16 predispôs-se, em síntese, a fazer uma viagem ao Mundo (fantasioso) da... "Brincolândia". Digamos que Portugal esvaziou, no campo, o sentido das exigências que, normalmente, é confinado a uma partida correspondente a uma final europeia. Brincando. (...) Voluntariamente, Portugal fez a desdramatização desta final e, com ela, começou a ganhar terreno ao seu adversário que, na ânsia de corresponder a uma disciplina táctica férrea, que nem permite um "atchim" de um jogador (sob pena de "aquilo" se desmoronar tudo), até se esqueceu de, em situação de clara desvantagem (1-3), procurar uma solução alternativa qualquer, que, de facto, não se chegou a descortinar...».

O estádio da final, em Vejle
De forma mais precisa, o jornalista de A Bola escrevia que Portugal havia tido um começo de jogo espetacular, quinze (primeiros) minutos de futebol que na sua ótica foram um espetáculo, destacando no plano individual o jogador Tulipa.
«Foram 15 minutos empolgantes de... fantasias de Portugal. Um reportório inesgotável de dribles e simulações e jogadas combinadas, com a capacidade técnica individual dos jogadores portugueses a vir, gritantemente, ao de cima em contraste com o futebol geométrico dos alemães, que andaram, neste período, positivamente a cheirar a bola. (...) Durante 15 minutos, Portugal jogou, com classe, para a galeria. Parecia cinema. Pareciam bonecos animados. A RDA parecia deslumbrada pelo futebol praticado pelos portugueses e não conseguiam, prisioneiros do seu próprio estilo, fazer chegar a bola à baliza de Paulo Santos. (...) Os alemães orientais concretizaram a única oportunidade de golo que criaram ao longo dos oitenta minutos, e mesmo essa, resultou de uma situação de bola parada (pontapé de canto) (...)».

Estas palavras do então jovem enviado especial de A Bola servem para atestar a inquestionável vitória lusa, cujo primeiro golo aconteceu aos 15 minutos, por intermédio de Canana. «No seguimento de uma bela jogada de Álvaro (Gregório), pelo lado esquerdo, com o portista, depois de driblar dois adversários, a ir à linha de fundo centrar, com Gil a aparecer para dar um pequeno toque no esférico (o suficiente para o guarda-redes não conseguir bloqueá-lo) e Canana a aproveitar para atirar para a baliza deserta», assim era cantado o primeiro grito de golo português.
A RDA chegaria ao empate (por intermédio de Lars Kampf) aos 8 minutos da segunda parte, aproveitando a tal única oportunidade de golo de que dispôs. Dez minutos volvidos o então jovem promissor Luís Figo repôs justiça no marcador ao converter uma grande penalidade a castigar uma mão na bola de Manke. O 3-1 foi da autoria de Miguel Simão, que deu o melhor seguimento ao uma jogada de Figo «pelo lado direito, que "trocou" os olhos a Kauerhof e cedeu a bola a Tulipa, o qual furou entre dois adversários e foi à linha de fundo centrar para Miguel Simão aparecer solto e só ter de escolher o sítio para onde rematar». Era Luís Figo a anunciar o jogador fenomenal em que se viria a tornar na década seguinte!

O derradeiro golo desta final surgiu por intermédio do grande goleador deste Euro 89, Gil de seu nome. Decorria o minuto 79 quando o avançado do Benfica apontou uma grande penalidade a castigar um derrube do guardião germânico a Sérgio Lourenço.

A taça é nossa!
O timoneiro desta seleção, Carlos Queirós, era, naturalmente, um homem feliz no cair do pano desta final, desde logo porque no espaço de dois meses arrecadara para Portugal dois títulos internacionais, coisa pouco habitual no nosso futebol por aqueles dias.
Sobre a final em concreto referiu que Portugal tornou as coisas fáceis, «ao não dar hipótese à RDA de jogar de acordo com o seu estilo. Controlámos os acontecimentos (...). Não sei se ganhar um Campeonato do Mundo (numa alusão a Riade) dá mais prazer do que ganhar um Campeonato da Europa, mas mesmo sem saber explicar as razões sinto que esta vitória tem um sabor especial. Além disso, as pessoas já olham para Portugal de outra maneira, porque percebem que estes resultados não apareceram por acaso, mas são fruto de trabalho a longo prazo. Durante o jogo trabalhámos para a vitória e o golo que sofremos foi um golo fortuito. E já agora quero lembrar que a RDA afastou da prova a URSS, a Escócia, a Itália e a França. Se isto não chega para valorizar a nossa vitória, não sei o que dizer».

Na grande final a nossa seleção alinhou com: Paulo Santos (Nuno Fonseca, 79), Abel Xavier, Adalberto, Álvaro Gregório, Canana (Sérgio Lourenço, 51), Peixe, Tulipa, Figo, Bino, Miguel Simão e Gil.

ENTREVISTA: Miguel Simão recorda a jornada de glória vivida em Vejle

Miguel Simão
Como já vimos, Miguel Simão foi um dos miúdos que no dia 14 de maio de 1989 ajudou (com golos) a conquistar o primeiro Europeu de sub-16 para Portugal. O então promissor médio da formação do Boavista efetuou nos anos seguintes um percurso que passou pelo principal escalão do futebol português, ao serviço do Salgueiros, clube que defendeu entre 1993 e 1997. Na 1.ª Divisão vestiu ainda a camisola do Gil Vicente (em 2000/01). No segundo escalão nacional atuou em clubes como o Nacional, Académica, Feirense, Moreirense e Aves. Entre 1998 e 2000 teve uma bem sucedida aventura internacional, quando defendeu as cores dos escoceses do St. Johnstone, clube onde ainda hoje é olhado como um ídolo.  
Neste Europeu de 1989 Miguel Simão foi um jogador preponderante na seleção, atuando como titular em todos os jogos efetuado na fase final.
Hoje a viver no Luxemburgo, o campeão da Europa de sub-16 esteve no Museu Virtual do Futebol, onde recordou o então inédito feito do futebol português.
A bola é tua campeão...

Museu Virtual do Futebol (MVF): 1989 é um ano marcante para o futebol português. Depois da conquista do então inédito título mundial de sub-20, em março, eis que cerca de dois meses volvidos surge a conquista do também inédito título de campeão da Europa de sub-16. O Miguel Simão integrou o grupo que esteve na Dinamarca. Que memórias guarda dessa epopeia?
Miguel Simão (MS): As memórias são muitas...e que logicamente culminam com o título de campeão europeu e o consequente acesso ao Mundial (de sub-17) que mais tarde foi disputado na Escócia. Esse título europeu foi um alerta de que em Portugal além de qualidade (futebolística) tínhamos também pessoas muito competentes ao nosso redor para nos ajudar a evoluir, com destaque, logicamente, para o professor Carlos Queirós e o Nelo Vingada , sem deixar de lembrar os treinadores da formação dos nossos clubes.
Recordo com saudade essa conquista, que foi, aliás, dos primeiros títulos internacionais que trouxemos para o nosso país. A partir daí começamos a habituar, e bem, o nosso pequeno país com mais conquistas. Lembro-me que em 1989 tínhamos um grupo fantástico e forte. Naquela altura éramos irreverentes, estávamos sempre na brincadeira, mas na hora do trabalho encarávamos tudo com muita seriedade e profissionalismo, algo que nos era incutido pela equipa técnica.

Carlos Queirós com as taças de campeão da Europa
de sub-16 e de campeão do Mundo de sub-20
MVF: O título mundial de Riade deu-vos algum alento extra, digamos assim, para conquistar o Europeu de sub-16?
Miguel: O título conquistado pelos mais velhos em Riade colocou Portugal no mapa em termos de qualidade futebolística. Se até ali, Portugal era visto como um país pequeno que tinha jogadores bons tecnicamente, mas não muito mais do que isso, a partir dali houve uma mudança de mentalidade enorme. Quando começamos a acreditar nas nossas capacidades passamos a ter uma mentalidade de entrar em campo para ganhar e os resultados vieram num ápice, como se pôde constatar (nos anos seguintes) em várias categorias. Isso deve-se, sem duvida, ao trabalho profundo na formação de atletas, com relevo para o papel do professor Queirós, que sem dúvida nos deixava leves dentro de campo para fazermos o que melhor sabíamos fazer. Nós pensávamos jogo a jogo, e como disse há pouco entravámos em campo sempre para ganhar. Recordo que o nosso grupo era composto por jogadores que (hoje) dispensam apresentações, casos do Figo, que chegou a melhor do Mundo anos mais tarde, mas também o Tulipa, o Peixe, o Gil, o Abel Xavier e eu (risos). De facto tínhamos muita qualidade e tínhamos muita confiança em poder ganhar o titulo. Lembro-me que nesse Europeu o Gil foi o melhor marcador da prova com 10 golos, o que ainda hoje é um recorde.

MVF: Na antecâmara deste Euro 89 o Carlos Queirós fez-vos acreditar que podiam sair da Dinamarca como campeões da Europa ?
MS. O professor Queirós trabalhava de forma diferente, fazia-nos acreditar nas nossas capacidades e isso, com a devida organização, fazia-nos pensar que poderíamos chegar longe. Lembro-me que o jogo mais fraco em termos de qualidade que fizemos nessa fase final foi o primeiro contra a Suíça, mas depois disso foi sempre em crescendo. E acabámos por ganhar o "caneco" (risos).

MVF: E por falar em Carlos Queirós, que recordações tem dele?
MS: As melhores. Tive a sorte de trabalhar com ele até aos 19/20 anos e posso dizer que aprendi muito com ele, fez-me crescer como jogador e como homem e tenho a certeza de quem teve o privilégio de trabalhar com ele na formação "bebeu" dos ensinamentos dele na carreira.
Como hei-de dizer isto, ele tirava-nos a pressão de cima, dando-nos responsabilidades em que cada um sabia o que fazer em campo. Além disso, recordo-me dele como uma pessoa calma, sempre de fácil acesso, alguém em quem acreditávamos naquilo o que nos dizia, porque sabíamos que nos ia levar algum lado bom.

MVF: Acha que ele foi o grande revolucionador do futebol em Portugal, o grande obreiro do aparecimento dos talentos que vieram a seguir, o homem que afirmou o jogador português no Mundo (?)...
Miguel: Sem dúvida, e eu posso dizer que faço parte da chamada "Geração de Ouro" do futebol português, porque realmente foram anos em que foram extraídos muitos talentos. Aliás, a nossa seleção de sub-16 juntou-se aos sub-17 que era composta por jogadores como João Pinto, Jorge Costa, Paulo Pilar, ou Paulo Torres, e essa junção acabou por fazer da seleção de sub-20 campeã do Mundo dois anos mais tarde. Sem dúvida que o futebol português deve muito ao professor Queirós, e por isso não entendo o porquê de hoje não ser uma das pessoas "mais" no futebol português! Mas isso é uma coisa que agora não vem ao caso...
Miguel Simão ao serviço do St. Johnstone, da Escócia
MVF: Voltando ao Euro. Quando sentiram que podiam ser campeões da Europa, houve algum momento em que sentiram que aquele título já não vos escapava?
MS: No futebol tudo é possível, e como costumo dizer "não é tudo auto-estrada". Nesse Europeu tivemos jogos difíceis, em que tivemos de sofrer, mas o jogo mais complicado que tivemos foi nas meias-finais com a poderosa Espanha. Mas recordo-me que nesse jogo o Gil decidiu (risos). Éramos um grupo forte e acreditávamos em nós e à medida em que fomos passando os adversários essa confiança dentro de nós ia aumentando... Queríamos muito ser campeões da Europa.

MVF: Houve algum sentimento de vingança no jogo com a Espanha, uma vez que na final do Europeu anterior eles tinham-nos derrotado?
MS: Sabíamos que a Espanha era uma equipa forte, mas já os tínhamos defrontado antes no Torneio do Algarve e ganhámos-lhes. Por isso, eles também sabiam que iam encontrar uma equipa forte. Quando estamos no campo não há tempo de pensar em vinganças, mas sim em ganhar.... Mas sabe bem mudar o rumo da história (risos).

MVF: O Miguel Simão foi um jogador preponderante nessa seleção. Na fase final, atuou como titular em todos os jogos, e inclusive marcou um golo na final. Lembra-se desse momento?
MS: Sim, lembro. Foi uma excelente jogada pelo lado direito, protagonizada pelo Tulipa, que cruzou para mim e eu depois de dominar encostei para o 3-1. Deu-nos alívio esse golo (risos).

MVF: Foi o seu melhor momento com a camisola da seleção?
MS: Não. Tive muitos momentos bons, graças a Deus. Como disse, estive nas seleções até às Esperanças, e tudo junto faz com que hoje eu seja um homem orgulhoso da forma como representei o meu país. Nesse ano (1989) fiz um Mundial (sub-17) muito bom na Escócia, em que fui considerado "man of the match" em dois jogos. Por essas e por outras tenho muitos momentos a recordar.

MVF: Na altura da conquista do Euro de sub-16, vocês eram todos miúdos com 16 anos, pelo menos a esmagadora maioria. Mas já com essa tenra idade aperceberam-se do feito que tinham conquistado para Portugal?
MS: Sim, tivemos a noção, porque o Presidente da República safou-nos logo da tropa (risos). Os jogadores oriundos da Cidade do Porto receberam todos uma medalha de Honra da Cidade pelo feito alcançado. De facto, é um título que ainda hoje é lembrado.

MVF: Peixe, Figo, ou Abel Xavier foram jogadores que mais tarde singraram a nível internacional. Conviveu desde muito jovem com eles. Algum destes, ou outros desse grupo, o surpreendeu por ter chegado onde chegou?
MS: Nenhum deles me surpreendeu ter chegado onde chegou, porque notava-se desde muito cedo a qualidade que tinham. Mas é assim: há sempre motivos para outros não terem aparecido (a nível internacional). Aliás, penso que um outro jogador com quem tive a oportunidade de jogar mais tarde no Salgueiros e que também não chegou de forma surpreendente à selecão AA foi o Tulipa...

MVF:.. Além do Tulipa também o Miguel Simão não chegou à seleção AA. Faltou dar esse passo na sua carreira (?)...
MS:... Jogávamos em clubes com menos visibilidade e quando é assim é mais complicado chegar aos AA. Além disso, estávamos igualmente bem servidos em termos de seleção AA. Seria uma honra ter chegado à seleção AA, mas já me orgulho muito do trabalho que fiz nas seleções de formação.

Miguel Simão na atualidade
MVF: Olhando para o presente, ainda está ligado ao futebol?
MS: Sim ... só jogo aos sábados com amigos (risos). Mas também deteto novos talentos e tento coloca-los em clubes de França, Bélgica e Portugal também. Atualmente vivo no Luxemburgo.

MVF: Mesmo para terminar. Há alguma história curiosa que ainda hoje guarde na memória sobre esse Europeu de 1989?  
MS: O que mais marcou foi a nossa alegria depois de termos ganho o Europeu. Estávamos todos ansiosos por mostrar o "caneco" ao país e estar com as nossas famílias. Das histórias mais giras que tenho da nossa selecão sub-16  foi passada na Escócia e tem a ver com o VIROSCA, mas deixo para o Gil ou o Canana contarem (risos)...

MVF:... Ok Miguel, será uma história para contar numa outra viagem à... História. Muito Obrigado por esta breve e simpática visita ao Museu Virtual do Futebol. Foi um prazer trocar estas breves palavras com um CAMPEÃO DA EUROPA. Abraço. 

domingo, maio 12, 2019

Lista de Campeões... Sérvia

Campeões Nacionais*

2018/19: Estrela Vermelha
2017/18: Estrela Vermelha
2016/17: Partizan
2015/16: Estrela Vermelha
2014/15: Partizan
2013/14: Estrela Vermelha

2012/13: Partizan

2011/12: Partizan
2010/11: Partizan
2009/10: Partizan
2008/09: Partizan
2007/08: Partizan
2006/07: Estrela Vermelha
2005/06: Estrela Vermelha
2004/05: Partizan
2003/04: Estrela Vermelha
2002/03: Partizan
2001/02: Partizan
2000/01: Estrela Vermelha
1999/00: Estrela Vermelha

1998/99: Partizan
1997/98: Obilic
1996/97: Partizan
1995/96: Partizan
1994/95: Estrela Vermelha
1993/94: Partizan
1992/93: Partizan

*Nota: Entre 1992/93 e 2005/06 a Sérvia estava unida com Montenegro enquanto nação, denominando-se de União Estatal de Sérvia e Montenegro. A dissolução deste Estado ocorreu a 3 de junho de 2006 com a declaração formal da independência de Montenegro. 
Após esta dissolução a Sérvia declarou-se sucessora da União Estatal de Sérvia e Montenegro. 
Estes dois atuais estados independentes fizeram parte da antiga Jugoslávia, sendo que os clubes sérvios integraram o campeonato jugoslavo entre 1923 e 1992. O Estrela Vermelha venceu 19 campeonatos da ex-Jugoslávia, ao passo que o Partizan conquistou 11.

sexta-feira, abril 05, 2019

Hoje entramos em campo com o 13 nas costas!


Para muitos o 13 pode significar azar! Mas para nós é sinónimo de sorte e... alegria. Sorte, porque é um privilégio estarmos há 13 anos consecutivos de portas abertas a fazer aquilo que mais gostamos: escrever sobre a História do futebol. 
E alegria porque é sempre bom festejar mais um aniversário (neste caso o 13.º) e acima de tudo continuarmos empolgados em esmiuçar mais e novas estórias do Planeta da Bola. E tal como Eusébio brilhou com o dorsal 13 no Mundial de 1966, também nós queremos continuar a pisar os relvados virtuais do Belo Jogo do alto dos nossos 13 anos de vida!

sábado, março 16, 2019

Histórias do Futebol em Portugal (27)... A geração de ouro do futebol português nasceu há 30 anos (4.ª parte)


3 de março de 1989 está para o futebol português como o 25 de Abril de 1974 está para a nação lusitana. Aquele inolvidável 3 de março de 89 foi o dia em que foi consolidada a revolução futebolística nacional. A partir daquele dia nada mais foi como dantes, um novo e maravilhoso Mundo abriu-se aos portugueses no que ao futebol concerne.
E se Abril de 74 trouxe liberdade (em vários sentidos), direitos, democracia - entre outras conquistas -, março de 89 abriu as portas do prestígio, do sucesso e porque não dizê-lo de alguma supremacia do futebol português a nível internacional. Depois daquela inesquecível sexta-feira de março de 1989, lá longe, no meio do deserto saudita, o futebol luso nunca mais foi o que era.
A "revolução de Riade" mudou para sempre a face do nosso futebol... para melhor. Muito melhor. Portugal é hoje uma potência planetária do Desporto Rei, e muito deve esse estatuto aos heróis que há 30 anos fizeram do nosso país pela primeira vez CAMPEÃO DO MUNDO.
Neste 4.º e último capítulo da evocação do 30.º aniversário do nascimento da Geração de Ouro do futebol português vamos recordar o final feliz desta epopeia das arábias, isto é, o jogo da consagração, o jogo do então inédito título mundial.

Futebol total de Portugal ofuscou uma Nigéria que se limitou a "partir pedra"

Pelé cumprimenta os futuros campeões do Mundo
Convidados de luxo ligados ao Planeta da Bola marcaram presença no King Fahd Stadium para ver uma final que à partida poucos, ou mesmo ninguém, acreditaria ser possível. Especialmente se lhes dissessem que um dos finalistas seria Portugal! Mas o que é certo é que a equipa liderada por Carlos Queiroz ali estava, perfilada lado a lado com os elefantes nigerianos antes do início de uma espécie de segundo round entre os dois selecionados neste Campeonato do Mundo. Presente estava igualmente aquele a quem chamavam - e chamam - o Rei do Futebol: Pelé.
Antes da cerimónia dos hinos nacionais, o astro brasileiro pisou o palco da grande final para cumprimentar uma a uma as futuras estrelas do Belo Jogo que dali a nada iriam lutar entre si para ver qual delas iria subir a tribuna deste majestoso estádio para receber das mãos de outro rei, o rei Fahd, o troféu de campeão do Mundo.

Para os africanos, mais do que confirmar o estatuto de (um dos) favoritos à conquista da coroa planetária com que partiram para esta competição, esta era a última hipótese de vingar uma amarga e convincente derrota com os portugueses na fase de grupos do torneio.
Na verdade, a par do jogo das meias-finais com o Brasil, o encontro com a Nigéria havia sido o momento alto até aqui protagonizado pelos lusos neste Mundial de sub-20. Mas já diz o ditado: não há duas sem três, e para o jogo decisivo Portugal tinha reservado uma exibição de gala que voltou a vulgarizar o futebol força e algo cinzento dos nigerianos.
Foi mais um grande espetáculo futebolístico com o selo de qualidade da primeira formada da Geração de Ouro do futebol luso, que trouxe ao relvado do Estádio King Fahd lampejos do Futebol Total, conforme eternizou nas páginas de A Bola o enviado especial do jornal da Travessa da Queimada no rescaldo da épica vitória lusa por 2-0. «Foi uma espécie de futebol total aquele que a seleção portuguesa desenvolveu ao longo da final do Campeonato do Mundo. E quando dizemos que foi "uma espécie de" não estamos, sobretudo, a esquecer a enorme quantidade de golos desperdiçados na área nigeriana na sequência de jogadas maravilhosas, desenvolvidas de trás para a frente, com o balanceamento próprio de contra-ataque, pela equipa portuguesa.
Ontem, e perdoe-se-nos nesta hora de euforia, o rigor da análise, Portugal ter-se-ia sagrado campeão do futebol total se tivesse expressado no marcador, ainda com maior realce, as inúmeras oportunidades que desfrutou para concretizar. Situações de "baliza aberta", depois do desenvolvimento de jogadas realmente maravilhosas, plenas de encanto e magia, foram muitas. Mas apesar de tanto desperdício, nem por isso Portugal deixou de produzir uma das mais belas e convincentes exibições que alguma vez vimos realizar a uma equipa lusa, deixando convencidos aqueles que ao vivo ou pela televisão acompanharam a partida».

Capitão Tozé com taça na mão
Este convincente e deslumbrante triunfo fez acima de tudo termos a certeza de que o futebol português tinha o futuro garantido, ou por outras palavras, as de Rui Santos «esta final fez notar que o futebol português pode ser um futebol seguro, consistente e coeso, e ao mesmo tempo imaginativo e ambicioso».
Numa apreciação ao jogo português na final de Riade, o jornalista escrevia ainda que «a magia do futebol curto e enleante dos portugueses (...) ofuscou, totalmente, uma equipa africana que sendo forte limitou-se a "partir pedra" todo o tempo e a ver... bailar».
Olhando para a obra de arte concebida pela dupla Queiroz-Vingada para este derradeiro capítulo no Mundial do Golfo Pérsico, A Bola escreveu que Portugal apresentou uma «uma defesa de ferro, um meio campo de briga, e simultaneamente de construção, e um ataque de grande talento que transmitiram à seleção portuguesa uma dimensão extraordinária, levando-a a produzir um futebol verdadeiramente espetacular».
No plano individual Abel Silva, Felipe, Amaral e Jorge Couto foram decisivos numa equipa que produziu o tal futebol espetacular... e total.
E fazendo jus ao chavão com que a seleção nacional partiu para a Arábia Saudita para disputar este Campeonato do Mundo, isto é, "contra tudo e contra todos", também na final a barreira a ultrapassar foi muito além do combinado nigeriano, já que inexplicavelmente o público saudita foi de uma falta de solidariedade gritante para com os lusos. Tirando o jogo inaugural com a Checoslováquia, o apoio e simpatia saudita para com Portugal desapareceu nos jogos seguintes (!) e na final transformaram-se mesmo no 12.º jogador da Nigéria, mas que nada lhes valeu!

Abel incrédulo com o seu golo... à Pelé
Espetaculares continuavam a ser os golos de Portugal neste Mundial. E no jogo decisivo mais duas obras de arte foram erguidas por Abel Silva e Jorge Couto. O primeiro acontece já em cima do intervalo (44m) e resulta numa incursão pela direita de João Pinto, que já no interior da área vê um defesa contrário cortar de forma atabalhoada a bola para a zona da meia lua, onde estava Jorge Couto, que com o peito deixa o esférico para Abel Silva encher o pé e marcar um golo de raça que fez explodir de alegria a nação lusitana.
Um golo... à Pelé, tal como Abel Silva havia prometido ao Rei do Futebol antes do pontapé de saída. «Antes da final, quando Pelé nos veio cumprimentar, eu disse-lhe que ia marcar um golo... à Pelé. Nem sei se ele me ouviu mas sei que viu o meu golo, que foi mesmo um golo à... Pelé, sem dúvida maravilhoso», confessaria o defesa direito da seleção após o apito final.
O segundo tento não lhe ficou atrás em termos de beleza e acima de tudo sentenciou (aos 77m) a final a favor dos lusos. «Bizarro chutou uma bola longa para o meio campo adversário. João Pinto, com um defesa à ilharga, endossa subtilmente a bola para Jorge Couto. Com a bola colada ao pé, este jogador inflete da esquerda para a direita, e à medida que avança deixa o opositor sentado. Ainda antes do quarto de lua da grande área, chuta, pleno de instinto, com o peito do pé e em cheio na bola. O guarda-redes ainda se lança como se fosse possível evitar um destino que estava traçado: Portugal venceria o Campeonato do Mundo sub-20», recorda o site da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no decorrer das comemorações do 30.º aniversário do nascimento da Geração de Ouro.

Nessa histórica sexta-feira, dia 3 de março de 1989, Portugal alinhou com: (12) Bizarro, (2) Abel Silva, (10) Paulo Madeira, (15) Valido e (5) Morgado; (7) Tozé, (8) Hélio e (11) Filipe; (14) João Vieira Pinto ( (17) Folha, aos 89m), (6) Jorge Couto e (18) Amaral ( (3) Paulo Alves, aos 88m).
Ao apito final do árbitro alemão Aron Schmidhuber, a festa irrompeu no relvado: Portugal era campeão do Mundo. Cenário impensável para muitos, até para o próprio presidente da FPF, Silva Resende, que nem a Riade se deslocou para assistir a este momento histórico. Como não assistiu à subida triunfal do capitão Tozé, acompanhado por Carlos Queiroz, à tribuna real do Estádio King Fahd para receber do rei da Arábia a coroa (perdão, o troféu) de... reis do Planeta da Bola.

Vitória que abriu a porta do futuro ao futebol português

Capa de A Bola...que diz tudo!
Num misto de euforia e crítica, o jornalista Rui Santos enviava alguns recados aos Velhos do Restelo (nada a ver com o Belenenses, atenção) do futebol português. Para o jornalista esta vitória «abriu a porta ao futebol português do futuro», uma vitória que no seu entender era de todos, mas «agora é preciso revelar a humildade suficiente para fazer deste título de campeão do Mundo uma vitória de todos os agentes desportivos», já que era altura de «o futebol português necessita de mudar. Não pode continuar mais na mão de certos oportunistas que tiram proveito da nossa consentida descaracterização.
Este Mundial foi a prova cabal e inequívoca de que o futebol português existe. Tem identidade. Tem expressão. Tem qualidade. (...) São os dirigentes dos clubes, principalmente, que devem tirar, em primeiro lugar, as ilações corretas deste belo acontecimento para o futebol. São eles que devem refletir sobre os modelos até agora adotados (...)».
Mas também os treinadores que por cá andavam não se esquivaram à sua mira, pois «em vez de fazerem saltar para a ribalta nomes que nunca disseram nada a ninguém no mundo do futebol, não tenham medo de lançar jovens talentos nacionais para o espaço da competição mais exigente. E tenham paciência, porque os resultados de todos os trabalhos metódicos e "racionais" acabam, inevitavelmente, por aparecer».
E o futuro assim ditou, ainda que hoje alguns tiques do passado cinzento continuem presentes "aqui e acolá" no nosso futebol.   

No avião durante o regresso a casa
Ainda em Riade a comitiva lusa praticamente não se apercebeu do feito que tinha acabado de conquistar. Trinta anos depois, o (eterno) capitão Tozé recordava aos microfones da Rádio Renascença que «no início não tínhamos bem a noção do que havíamos conseguido. Sabíamos que era algo inédito, um feito, mas não havia a perfeita dimensão. Quando chegámos a Lisboa, essa sensação foi logo diferente, e com o passar dos anos percebemos o quão foi importante para o futebol português este título mundial».
Sim, a noção do feito alcançado por aquele punhado de jovens talentos moldados pelo mestre Queiroz só ganhou contornos maiores na chegada a Lisboa, no dia 5 de março, depois de uma escala em Amesterdão.
Ainda no aeroporto os campeões do Mundo foram recebidos em delírio por um mar de gente. Tal como em Abril de 74, o povo saiu em massa à rua para saudar e dar vivas aos homens que libertaram o futebol português da opressão cinzenta a que estava veiculado.

Com a taça na mão, Tozé foi o primeiro a pisar solo luso. Seguiram-se condecorações atrás de condecorações. O Ministro da Educação (Roberto Carneiro), o primeiro-ministro (Cavaco Silva), o Presidente da República (Mário Soares), entre outras figuras estatais curvaram-se perante estes jovens conquistadores, tal como séculos antes reis e outros governantes da nação lusitana se curvaram perante os bravos e talentosos marinheiros que ao serviço da coroa portuguesa conquistaram novos Mundos... ao Mundo.
Depois de Riade, Portugal afirmou-se no futebol mundial com a conquista de títulos (o mais pomposo terá sido o do Euro 2016) e produzindo largas dezenas de astros futebolísticos que brilharam, ou brilham, com intensidade nas maiores equipas e campeonatos (nacionais) do planeta.

Tozé levanta o "caneco" na chegada a Lisboa
É justo, pois, também nós fazermos uma vénia aos heróis de Riade, à primeira fornada da Geração de Ouro, que deu o primeiro passo rumo a um futuro esplendoroso. Tal como em tudo na vida, muitos destes 18 heróis não conseguiram vingar no futebol sénior. Outros, como Fernando Couto, João Pinto, ou Paulo Sousa atingiram o Olimpo dos Deuses no futebol planetário, quer ao serviço da seleção principal lusa quer envergando o manto sagrado de clubes como a Juventus, Lázio, Inter de Milão, Barcelona, Benfica, ou Sporting. Mais do que tudo abriram caminho para que outras gerações chegassem nas décadas seguintes igualmente a esse Olimpo.
Olhando para os 18 campeões do Mundo em Riade constatamos que metade atingiu a seleção principal portuguesa, casos de Fernando Couto (110 internacionalizações) e João Pinto (81), Paulo Sousa (51), António Folha (26), Paulo Madeira (24), Paulo Alves (13), Jorge Couto (6), Filipe (3) e Hélio (1).
Alguns destes nomes foram peças fundamentais para devolver Portugal à alta roda do futebol internacional, no que a seleções seniores diz respeito, como por exemplo as qualificações para os Europeus de 96 e 2000 e para o Campeonato do Mundo de 2002. Outros, como Brassard, Tozé, Abel Silva, Paulo Alves, Amaral, Valido, ou Morgado ainda atuaram várias épocas na 1.ª Divisão portuguesa, na maior parte desse período ao serviço de emblemas de menor dimensão, não atingindo, porém, a fama planetária de Fernando Couto, João Pinto, ou Paulo Sousa.

Mário Soares recebe os campeões do Mundo
Também o timoneiro desta equipa, o pai da Geração de Ouro, Carlos Queiroz, tem tido uma carreira de altos e baixos (mais altos do que baixos, é certo) no patamar sénior, não conseguindo, por exemplo, transportar para a seleção sénior (a qual já orientou em dois períodos distintos da História) a chave do sucesso que iniciou em Riade e prolongou até Lisboa dois anos depois, quando conquistou em casa o bi-campeonato do Mundo de sub-20.
Outros ainda, como Xavier ou Resende não confirmaram no escalão sénior - por esta ou por outra razão - todo o seu potencial exibido no percurso do futebol de formação que teve o seu apogeu em Riade.
Muitos continuam hoje, volvidos 30 anos, ligados ao futebol. Uns como treinadores (Hélio, Folha, Brassard, Morgado, Valido, Paulo Sousa, Jorge Couto, Paulo Alves, ou Filipe), outros como dirigentes federativos (João Pinto), outros como agentes de jogadores (Fernando Couto e Paulo Madeira), e outros com atividades que nada têm a ver com o Desporto Rei (Amaral, Xavier e Resende).
No entanto, todos eles ganharam por direito próprio o estatuto de imortais do futebol português. 

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Portugal -Nigéria