segunda-feira, junho 17, 2024

Flashes do Euro 2024/Alemanha (6)...

Grupo C / 1.ª Jornada

Sérvia - Inglaterra: 0-1

Golo: Bellingham 

Vitória sofrida de um candidato (?) que pode fazer muito melhor... 

Flashes do Euro 2024/Alemanha (5)...

Grupo C / 1.ª Jornada

Eslovénia - Dinamarca: 1-1

Golos: Janza / Eriksen

Ninguém se ficou a rir num duelo de candidatos ao segundo lugar do grupo... 

Flashes do Euro 2024/Alemanha (4)...

Grupo B / 1.ª Jornada

Itália - Albânia: 2-1

Golos: Bastoni, Barella / Bajrami

Campeões da Europa em título não ganharam para o susto quando Bajrami marcou o golo mais rápido (23 segundos) da história dos Euros... 

Flashes do Euro 2024/Alemanha (3)...

Grupo B / 1.ª Jornada

Espanha - Croácia: 3-0

Golos: Morata, Fabián Ruiz, Carvajal

La Roja rejuvenescida entra com o pé direito no grupo da morte... 

Flashes do Euro 2024/Alemanha (2)...

Grupo A / 1.ª Jornada

Hungria - Suíça: 1-3

Golos: Varga / Duah, Aebischer, Embolo

Relógio suíço esteve certinho na hora de afinar a pontaria à baliza magiar... 

Flashes do Euro 2024/Alemanha (1)...

Grupo A / 1.ª Jornada

Alemanha - Escócia: 5-1

Golos: Wirtz, Musiala, Havertz, Fullkrug, Pode / Rudiger (a.g.)

Anfitriões demoliram facilmente uma frágil Escócia na abertura do Euro... 

sexta-feira, junho 07, 2024

Histórias do Planeta da Bola (32)... UEFA Regions Cup – 25 anos do esplendor inocente do futebol amador europeu (parte III)

O conto de fadas do futebol da República da Irlanda no plano internacional aconteceu no âmbito da Taça das Regiões da UEFA. Estávamos em 2015 quando a cidade de Dublin foi palco da 9.ª edição do certame, a qual coroou uma caminhada inolvidável da seleção regional da Eastern Region, que começou na fase intermédia (de qualificação para a fase final) e acabou na final realizada no Estádio Tallaght, na capital irlandesa. Ao longo deste trajeto a equipa da Irlanda somente conheceu o doce sabor da vitória, sete triunfos no total – quatro deles na fase final –, apontando 18 golos e sofrendo apenas 3, números que fazem desta uma das epopeias mais empolgantes destes 25 anos de história da prova uefeira. Após terem perdido a final de 2011 para a Associação de Futebol de Braga, os irlandeses queriam desta feita chegar mais longe, de tal modo que a seleção regional irlandesa realizou desde então um trabalho árduo para erguer o troféu no futuro imediato, como contou o treinador Gerry Smith no rescaldo desta conquista. E para atingir a grande final a seleção da Eastern Region levou a melhor sobre os combinados de Ankara (Turquia), de South Moravia (República Checa) e de Tuzla (Bósnia). No encontro decisivo o opositor dos pupilos de Smith foi a seleção regional de Zagreb, da Croácia, que se apresentava no Tallaght Stadium sem o seu principal jogador, Bozidar Karamatic, que começou a partida no banco, aparentemente por não se encontrar nas melhores condições físicas. No entanto, os rapazes de verde (os irlandeses) entraram no relvado cheios de confiança, não só porque jogavam diante do seu público, mas acima de tudo pelo trajeto imaculado que tinham feito até ali. Só a vitória estava no seu pensamento. 

Entrada para a final de Dublin
Porém, foi com algum nervosismo que a turma de Eastern Region começou o encontro, e logo aos 3 minutos apanhou um valente susto quando o croata Nikica Brujic disparou um míssil que levou a bola a não passar muito longe da baliza à guarda de Brendan O'Connell. Com o passar do tempo os irlandeses foram acalmando o seu jogo, foram tendo a posse de bola, ante uma seleção de Zagreb que apresentava um futebol muito físico. E foi neste cenário que aos 9 minutos o Estádio Tallaght explodiu de alegria, quando James Lee fez um cruzamento do lado direito do seu ataque para o coração da área, onde apareceu David Lacey a mergulhar de cabeça e a fazer um golo muito vistoso, um golo que fez lembrar o que o neerlandês Van Persie havia marcado no Mundial de 2014 ante a Espanha. Empolgados pelo tento, os irlandeses dispuseram de mais chances para marcar nos minutos seguintes, tendo James Lee desperdiçado uma oportunidade soberana ainda antes do intervalo. Os croatas vieram com outra atitude para a segunda metade, muito devido a decisão do selecionador Sreten Cuk em fazer entrar – ao minuto 57 – a principal estrela da seleção, o organizador de jogo Bozidar Karamatic. A sua influência no futebol dos croatas fez-se notar de imediato. Porém, Zagreb não conseguia criar situações de maior perigo junto da baliza de O´Connell, e muito devido à excelente prestação do setor mais recuado dos anfitriões. Na verdade, foram estes últimos que dispuseram das melhores ocasiões para marcar nos segundos 45 minutos. Thomas Dunne, James Carr, Lar Dunne foram os irlandeses que tiveram nos pés claras chances para acabar com as esperanças dos croatas em dar a volta aos acontecimentos. Apoiada fortemente pelo público, a equipa de Gerry Smith ganhou ainda mais força à medida que o tempo passava, força e certeza de que dificilmente aquele título lhe escaparia. E assim foi. Quando apito do helvético Nikolaj Hanni soou pela última vez naquela tarde 4 de julho em Dublin, estava escrito o momento de glória do futebol da República da Irlanda no capítulo internacional. 

Kenneth Hoey
Para o técnico Gerry Smith esta havia sido a «a melhor semana da minha vida futebolística. Esta vitória é para todos os envolvidos (nesta caminhada). Os jogadores, os dirigentes das equipas de todo o país, as pessoas que marcam os campos e que penduram as redes das balizas, as pessoas que apoiam as suas equipas locais, isto é para eles, e estou emocionado por todos aqueles que estiveram envolvidos nesta caminhada e que podem festejar este sucesso»Na hora de comemorar também o defesa Noel Murray não escondeu a sua emoção por esta importante conquista: «Inacreditável, simplesmente inacreditável! Foi um trabalho muito duro realizado durante toda a semana (da fase final), foi um grande esforço dos jogadores e isso faz com que tudo valha a pena», disse o futebolista. Também o capitão desta seleção regional viveu um momento ímpar na sua carreira. Para Kenneth Hoey este foi «um resultado brilhante, o melhor que já alcancei. É uma honra ser capitão desta equipa, mas há muitos capitães naquele balneário», disse logo após erguer o primeiro troféu do futebol irlandês, ele que em 2011 havia sentido em Barcelos o amargo de perder a final da UEFA Regions Cup.

Vingança croata serviu-se na Turquia

Em 2017 Portugal volta a participar na fase final da Taça das Regiões da UEFA, desta feita pela Associação de Futebol de Lisboa, que assim se torna na terceira associação a representar a nação lusa na fase decisiva da competição. Depois de um ano antes se ter sagrado campeã nacional da Taça das Regiões, a seleção lisboeta superou uma fase intermédia realizada na Polónia, na cidade de Legnica, em setembro de 2016, garantindo desta forma a qualificação para a fase final, um feito que não passou despercebido à Câmara Municipal de Lisboa, que homenageou a comitiva no regresso do leste da Europa. A fase final da UEFA Regions Cup de 2017 aconteceu em Istambul, na Turquia, tendo a turma lisboeta sentido o profissionalismo que a UEFA aplica nesta competição de futebol não profissional, e a prova disso é que a comitiva lusa ficou hospedada no moderno Complexo Desportivo da Federação Turca de Futebol. A competição em si não correu de feição à seleção regional portuguesa, comandada por Marco Guerreiro, já que não foi além de um 3.º lugar no Grupo A, fruto de três empates, um dos quais contra os futuros campeões do torneio, a seleção regional de Zagreb. As exibições da seleção da Associação de Futebol de Lisboa na fase final mereceram, porém, alguns elogios por parte da imprensa local e dos seus adversários diretos. E seria então no Complexo Desportivo da Federação Turca de Futebol que se realizou a final da 10.ª edição da competição, um jogo cujo desfecho soube a… vingança. Ou seja, a seleção de Zagreb vingou a derrota na edição anterior ante a seleção irlandesa da Eastern Region contra a… seleção irlandesa da Munster/Connacht. O momento chave da final aconteceu ao minuto 26, quando Toni Adzic fez o único tento do jogo que assegurou a vitória final à seleção croata. Zagreb tornou-se assim na primeira equipa da Croácia a vencer esta competição.

Polacos do Dolny Slask bisam na final dos cinco penáltis

Depois de Veneto, em 2013, foi a vez da seleção regional polaca de Dolny Slask vencer a competição pela segunda vez na história. Corria o ano de 2019, quando a região da Baviera, na Alemanha, acolheu a fase final da prova. A seleção da casa chegou à final, o que desde logo se constituiu como um feito histórico, já que até então nenhuma seleção regional germânica o havia conseguido, mas os polacos estragaram a festa numa final insólita. E porquê assim o foi? Porque todos os cinco golos do jogo que iria definir o campeão da 11.ª edição da competição foram apontados da marca de grande penalidade! Não há memória de uma final europeia assim, de facto. O primeiro golo foi para a turma da casa, por intermédio de Ugur Turk, aos 35 minutos. A seleção de Dolny Slask correu então atrás do prejuízo, e o empate chegou em cima do intervalo, novamente na cobrança de um castigo máximo. O primeiro remate de Mateusz Jaros foi defendido pelo guardião da casa, mas na recarga o polaco atirou a contar. Ainda antes do intervalo o guarda-redes da casa fez uma defesa espetacular que evitou novo tento dos forasteiros, mas aos 47 minutos da segunda metade nada pôde fazer quando o árbitro romeno Sebastian Coltescu assinalou o terceiro penálti da tarde no relvado da Wacker-Arena, em Burghausen. Kornel Traczyk não perdoou e fez o 2-1 para a seleção polaca, de nada valendo a estirada do guardião alemão, que adivinhou o lado para onde foi a bola. A tarefa dos alemães, que até começaram esta final por cima, fruto de uma maior iniciativa ofensiva, ficou mais complicada à passagem do minuto 70, quando Michael Kraus viu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com mais um jogador em campo, os polacos deram a machadada final aos 80 minutos, altura em que Bohdanowicz fez o 3-1. Os donos da casa lutaram com todas as suas armas para chegar de novo ao golo, tendo sido premiados em cima dos 90 minutos com um novo penálti, o qual seria convertido por Lukas Igrund. De nada valeu este golo, já que pela segunda vez na história a seleção de Dolny Slask levava para casa a taça.

Euforia nas Rias Baixas galegas

2020 fica para a história como o ano em que o Mundo foi assombrado por uma pandemia: a Covid-19. Em poucos meses, o vírus espalhou-se por todo o planeta, infetou mais de 75 milhões de pessoas e causou impactos negativos em todos os setores. Naturalmente que o desporto também foi e muito afetado pelo efeito da Covid-19. Foram vários os grandes eventos desportivos cancelados, ou adiados, um pouco por todo o Mundo devido ao surto do novo coronavírus. Também a Taça das Regiões da UEFA foi vítima do novo coronavírus, tendo a sua edição de 2021 sido cancelada por força da pandemia. Desta forma, só em 2023 o certame voltou à ribalta, desta feita na região da Galiza, em Espanha. E pela sexta ocasião em 25 anos de história da competição, a taça voltava a ficar em casa, isto é, conquistada pela seleção anfitriã. O título coroou uma seleção que irá, por certo, ficar na história do futebol desta região do norte de Espanha, já que a equipa orientada por Iván Cancela concluiu em Vilagarcía de Arousa, localidade que acolheu a final, um trajeto 100 por centro vitorioso de… quatro anos. Por outras palavras, a turma galega não conheceu a derrota ao longo de quatro anos consecutivos. A fase final da 12.ª edição do certame foi a todos os níveis espetacular, desde o futebol desenvolvido pelas oito seleções presentes, como de igual modo pela excelente organização. 

Golo da Galiza contra a equipa bósnia
A seleção da Galiza integrou o Grupo A, tendo no primeiro encontro, realizado em Cambados, derrotado os seus congéneres dos Irlandeses Amadores por 2-0. Aos 9 minutos Iñaki Martínez marcou o primeiro golo da tarde, sendo que em cima do minuto 90 Joni Magisano selou o marcador. Na 2.ª jornada da fase de grupos apareceu aquele que foi um dos grandes destaques da seleção galega na competição, Álex Rey. Ante os bósnios da região de Zenica-Doboj, num encontro ocorrido no Campo de Baltar, em Sanxenxo, Rey fez o primeiro golo da sua seleção aos 24 minutos, após um cruzamento vindo do lado direito dos pés de Félix Rial. Na segunda metade, ao minuto 50, foi a vez de Rey devolver a gentileza, e também ele efetuar uma assistência para o seu colega de equipa, Adrián Otero, de cabeça, fazer o 2-0. Aos 69 minutos, Subasic reduziu desvantagens no marcador, na sequência de um golo olímpico (!) que fechava o marcador em 2-1 a favor dos galegos. E na derradeira ronda da fase de grupos assistiu-se no Campo Municipal de A Lomba, em Vilagarcía de Arousa, a uma autêntica final entre Galiza e os alemães da Baviera, que também haviam triunfado nas duas primeiras jornadas. Quem vencesse passaria à final. Assistiu-se a um jogo de nervos, angustiante, entre duas equipas que provaram que mereciam estar no encontro decisivo. Foi mais feliz, ou eficaz, a equipa da casa, que embalada pela pressão inicial que fez sobre o combinado germânico chegou ao golo. E por intermédio de quem? Álex Rey, pois claro. Uma falta no interior da área da seleção da Baviera não deixou dúvidas ao árbitro finlandês, Antti Munukka, que de pronto assinalou o castigo máximo. Estavam apenas decorridos 7 minutos, e na conversão Rey atirou forte e rasteiro , fazendo um golo que seria decisivo nas contas finais do grupo. Tudo porque os galegos seguraram a magra vantagem até final, e asseguraram dessa forma a passagem ao encontro final da competição, onde iriam ter pela frente a surpreendente seleção de Belgrado. O conjunto sérvio não era tido como favorito à passagem à final, já que esteve integrado num grupo (B) que tinha as fortes seleções da Associação de Futebol de Lisboa e os campeões em título, os polacos do Dolny Slask. O próprio selecionador sérvio, Goran Jankovic, afirmou na antecâmara da final que «se antes do torneio alguém nos dissesse que iríamos jogar a final ficaríamos satisfeitos. Mas… agora queremos mais». Pois é, já que contra os prognósticos iniciais ali estavam, porque não levar o troféu para casa? Porém, os sérvios estavam conscientes das dificuldades que iriam encontrar, a julgar pelas palavras do seu treinador: «Sabemos que os galegos são muito bons. Jogaram o melhor futebol da fase de grupos, pelo que a final vai ser um jogo muito duro para nós»

Álex Rey festeja com os adeptos na final
E no dia 17 de junho o Campo Municipal de A Lomba registou uma boa afluência para presenciar um capítulo histórico para o futebol galego. Aliás, desde logo a assistência da final entrou para a história da UEFA Regions Cup, já que com 4085 espetadores nas bancadas esta foi a final com maior número de público presente. Público que do princípio ao fim não se poupou a esforços no apoio à seleção galega. Assistiu-se a uma final intensa, com a Galiza a entrar a todo o gás e logo ao minuto 9 um passe longo desde o meio campo efetuado por Iñaki Martínez foi parar aos pés de Félix Rial, que solto de marcação só teve de contornar o guarda-redes sérvio e fazer o primeiro tento da tarde. Aos 40 minutos, Álex Rey dispara um forte remate de fora de área, tendo a bola sido travada por Krstovic com a mão. Grande penalidade assinalada e cartão vermelho para o jogador sérvio. Na conversão, Rey, que então representava o Rápido de Bouzas, atirou a bola para o lado contrário do guarda-redes, ampliando a vantagem com que se atingiu o intervalo. Belgrado esteve longe de se dar por vencido, e a prova disso foi a forma astuta com que entrou na segunda metade da final. Aos 57 minutos, uma jogada iniciada no guarda-redes forasteiro foi concluída por Kolarevic, que no interior da área tirou dois defesas galegos do caminho para fazer o 2-1 que relançou a partida. Até que aos 74 minutos uma bela jogada de combinação do ataque galego permitiu a Lorenzo tirar um cruzamento tenso do lado direito do seu ataque para o poste mais distante da baliza sérvia. Ali, estava solto de marcação Iñaki Martínez, que com um remate cruzado fez o 3-1 final e assegurou a conquista da terceira Taça das Regiões da UEFA para o futebol espanhol.

E assim chega ao fim esta nossa viagem pela história desta competição. 

quinta-feira, junho 06, 2024

Histórias do Planeta da Bola (31)... UEFA Regions Cup – 25 anos do esplendor inocente do futebol amador europeu (parte II)

Em 2007 a seleção da região Sudoeste-Sofia tornou-se na primeira e única equipa até à data a perder duas finais consecutivas da Taça das Regiões da UEFA. Desta feita, o combinado búlgaro sucumbiu diante do seu público, em Sliven Kolyo Milev, cujo presidente da câmara era uma das maiores lendas do futebol da Bulgária: Yordan Letchkov. Esse mesmo, o médio calvo que integrou aquela que para muitos é a melhor seleção de sempre daquele país, a equipa que espantou o Mundo ao conquistar o 4.º lugar no Campeonato do Mundo de 1994. E em Sliven Kolyo Milev quem faria a festa seria a seleção regional de Dolny Slask, o representante da Polónia nesta 5.ª edição da fase final da UEFA Regions Cup, onde pela segunda vez participava uma equipa portuguesa, no caso a seleção da Associação de Futebol de Aveiro. Integrada no Grupo B a turma lusa só seria batida pelos futuros campeões, o Dolny Slask, que somente perdeu pontos ante os portugueses. E na grande final, realizada no Estádio Hadzhi Dimitar, diante de 3500 espetadores, número recorde até então no que diz respeito a uma final da prova, os búlgaros foram ao delírio quando Plamen Stoyanov colocou a seleção da casa em vantagem aos 66 minutos. 

Esta foi na verdade uma das finais mais dramáticas e ao mesmo tempo emotivas destes 25 anos de história da competição. Quando o público da casa já festejava nas bancadas a vitória da seleção da região Sudoeste-Sofia, eis que um balde de água fria caiu sobre eles a sensivelmente 10 minutos do fim.

Arkadiusz Piech
Altura em que na conversão de um livre apontado a uma distância considerável da baliza, Michal Sudol empata a partida para desespero dos búlgaros. Foi então necessário jogar-se mais 30 minutos de futebol extra, e a 6 minutos dos 120 novo balde de água gelada sobre os anfitriões, quando Szymon Jaskulowski, um estudante de 22 anos, que havia começado o encontro no banco, marcou o tento da vitória e do título.

A fase final desta edição da Taça das Regiões seria então considerada pela UEFA como a melhor de sempre, até então, a julgar pelas palavras de Jim Boyce, o então vice-presidente da UEFA para o futebol juvenil e amador. Já aqui frisamos que esta competição é disputada por futebolistas não profissionais, ou que sejam semi-profissionais, mas isso não quer dizer que muitos deles não alcancem no futuro a profissionalização no futebol. E a seleção regional Dolny Slask é um bom exemplo disso, já que dois dos jogadores que venceram esta Taça das Regiões lograriam chegar à seleção principal do seu país e a jogar na 1.ª divisão da Polónia. Foram os casos de Arkadiusz Piech e Janusz Gol, que também se aventuraram no futebol internacional, ao competirem ao mais alto nível nos campeonatos da Turquia, do Chipre – no caso de Piech – e da Rússia – no que diz respeito a Gol.

Castilla e León resgata a taça para Espanha

Berço de notáveis futebolistas/treinadores espanhóis, casos Paco Llorente, Vicente Del Bosque, Juan Mata, entre outros profissionais de relevo, a região de Castilla e León levou em 2009 para Espanha pela segunda vez o título de campeão da Europa de futebol amador. Feito alcançado debaixo do sol tórrido da Croácia, mais concretamente na região de Zagreb. No entanto, a seleção regional da casa esteve muito longe de colocar a mão na taça, já que não foi além do 3.º lugar do Grupo A da fase final, ficando a 3 pontos do vencedor do grupo, os romenos da região de Oltenia. Em termos mais precisos, a seleção regional da Roménia derrotou a seleção de Privolzhie (Rússia) por 2-0, com golos de Mirel Sârbu e Adrian Marinescu, e a região de Bratislava (Eslováquia) pelo mesmo resultado, com golos de Bogdan Preda e Mirel Sarbu. No último jogo, os romenos empataram com a equipa da casa a uma bola, sendo que o tento da região de Oltenia foi apontado por Alin Vacaru. Por seu turno, a seleção de Castilla e León teve uma fase de grupos imaculada, isto é, só com vitórias, sobre os representantes da Bósnia (Gradiaka), da República da Irlanda (Region I) e da Bélgica (Kempen). Neste trajeto invicto os espanhóis apenas sofreram um golo, apontado pela equipa belga, e marcaram sete tentos. Chegados à final, realizada no Estádio do NK Inter de Zapresic, os dois combinados realizaram uma primeira parte onde imperou o futebol rápido e vertical praticado por ambos os lados. Nota de rodapé para dizer que após uma fase de grupos disputada sob intenso calor, a final foi realizada debaixo de pequenos chuviscos! Mas voltando ao encontro, seria no seguimento de uma bola dividida que aos 18 minutos António Ramirez apontou o primeiro tento dos espanhóis, após boa jogada de entendimento com o seu companheiro Alonso. Empolgada pelo golo, a seleção de Castiila e León assumiu as despesas do jogo e partiu para cima do adversário em busca de mais. Porém, aos 25 minutos, Adrian Sirbu, repôs a igualdade na sequência de um cabeceamento que apanhou desprevenido o guardião Álex. A seleção regional espanhola continuou num registo sólido na segunda metade, período este onde as duas equipas foram em busca de um novo golo de forma persistentes. Neste aspeto, foi mais eficaz a seleção de Castilla e León que aos 80 minutos chegou ao 2-1, na marcação de um livre apontado por Mato, tendo na sequência do lance Mirel Adrian Sirbu rematado com êxito para o fundo das redes de Alexandra Popescu.

De Braga a Barcelos se fez o trajeto da glória portuguesa


O futebol português também guarda boas recordações da Taça das Regiões da UEFA. Corria o ano de 2011 quando a região do Minho acolhe a fase final da 7.ª edição do certame, fruto da qualificação da Associação de Futebol de Braga para a ronda final. E foi a jogar em casa, na sua região, que a seleção distrital bracarense alcançou a glória, o título de campeão, o único até à data do futebol luso no âmbito das Bodas de Prata da competição uefeira. Sobre esta conquista já traçámos noutras viagens ao passado longas linhas, pelo que aqui vamos recordar somente as incidências finais desta caminhada de glória de uma seleção que era orientada sob o ponto de vista técnico pelo malogrado Dito. 
Integrada no Grupo A da fase final a turma bracarense teve um trajeto imaculado, isto é, 100 por cento vitorioso, que começou com um triunfo por 3-1 no Estádio 1.º de Maio (em Braga) sobre os checos do Zlin por 3-1, com golos de Hugo Veiga, Diogo Leite e João Silva.

Imagens da final, em Barcelos
O passo seguinte rumo à desejada final foi dado em Barcelos, altura em que os portugueses derrubaram a muralha ucraniana do Yednyst Plysky. A seleção da Associação de Futebol de Braga ainda apanhou um susto, quando logo aos 10 minutos os homens de leste colocaram-se em vantagem por intermédio de Babor. Contudo, a veia goleadora de José Ferreira (22 minutos) e Daniel Simões (59 minutos) e a inspiração do guarda-redes Simão Barbosa (defendeu uma grande penalidade) operaram a reviravolta no marcador e asseguraram mais um triunfo aos pupilos de Dito. E seria em Vila Verde que a seleção bracarense iria assegurar matematicamente a passagem à final na sequência de uma nova e concludente vitória por 3-1 sobre a seleção distrital de Wurttemberg (Alemanha), com o destaque individual a ir para José Ferreira, autor de dois golos (37 e 88 minutos), cabendo a Pedro Nobre (no período de compensação da primeira parte) apontar o outro tento luso. E assim estava alcançada a final. Jogo decisivo onde os bracarenses iriam ter pela frente o vencedor do Grupo B, os irlandeses da região de Leinster & Munster, que haviam levado a melhor sobre a concorrência composta pelos combinados distritais de Belgrado (Sérvia), Ankara (Turquia) e Região Sul da Rússia. Os dois vencedores da fase de grupos encontraram-se no Estádio Cidade de Barcelos, ao final da tarde de 28 de junho, tendo disputado um jogo intenso que terminou com o triunfo português por 2-1. No entanto, a seleção da Associação de Futebol de Braga teve de sofrer para colocar as mãos na taça. Os irlandeses até criaram o primeiro lance digno de registo na partida, quando logo aos 3 minutos Laurence Dunne enviou uma bola à trave da baliza de Rui Vieira. Após este susto inicial, os portugueses equilibraram um encontro onde o nervosismo (muitos passes errados de parte a parte) imperou na primeira meia hora. A Associação de Futebol de Braga teve a sua primeira oportunidade golo somente ao minuto 33, quando uma bela incursão pelo flanco direito do lateral João Silva só foi travada por uma magnífica defesa do guarda-redes Brendan O'Connell. Este lance animou o combinado luso, que até ao intervalo voltaria a ter uma nova e flagrante oportunidade de golo por intermédio de Luís Ribeiro. Valeram mais uma vez os excelentes reflexos de O'Connell. A segunda parte iniciou-se tal como a primeira, ou seja, com a equipa de Leinster & Munster a levar perigo à baliza bracarense na sequência de um perigoso cabeceamento de

Bracarenses fazem a festa
David Lacey, tendo o golo sido evitado graças a uma magnífica intervenção de Rui Vieira. Era agora a vez do guardião luso mostrar os seus atributos. Entretanto, Dito mexe no seu xadrez, colocando em campo Renato Reis (no lugar de Luís Ribeiro) e eis que à passagem do minuto 62 a (maior) qualidade técnica dos portugueses veio ao de cima com um grande golo de Pedro Nobre. O avançado captou a bola na entrada da área irlandesa, dominou-a com arte e engenho e dali mesmo, de fora de área, encheu o pé (direito) para enviar o esférico direitinho para o fundo das redes de O'Connell, que mais não fez do que assistir impotente ao grande golo bracarense. Por norma, os irlandeses são um povo que dificilmente atiram a toalha ao chão perante o primeiro obstáculo encontrado e em Barcelos a garra irlandesa veio ao de cima praticamente logo a seguir ao golo português. Uma defesa incompleta de Rui Vieira (a remate de Ray Whelehan) permitiu a David O'Sullivan fazer a recarga vitoriosa e restabelecer assim a igualdade. A partida estava frenética. As equipas aumentaram a intensidade do seu futebol em busca do golo da vitória. E eis que numa altura em que já cheirava a prolongamento (corria o minuto 84) um golpe de sorte (ou não) protagonizado por José Fortunato deu a vitória e o inédito título à seleção de Braga... e ao futebol português. Fortunato cruzou a bola na direita do seu ataque... diretamente para o fundo da baliza, fazendo o 2-1 final. A festa, naturalmente, que invadiu o relvado do Estádio Cidade de Barcelos assim que o norueguês Ken Henry Johnson apitou pela última vez naquela tarde de glória do futebol nacional.

Veneto bisa na casa de partida

Em 2013 a Taça das Regiões da UEFA voltou à sua casa de partida: a região de Veneto. E tal como em 1999, aquando da primeira edição, tudo terminou da mesma forma, isto é, com a seleção regional de Veneto a ficar com a taça na sua posse, entrando desde logo para a história da competição pelo facto de pela primeira vez uma seleção distrital ter-se sagrado campeã da Europa de futebol amador pela segunda ocasião. Depois de vencer o Grupo A da fase final de forma invicta, a seleção regional transalpina avançou para a final, onde tal como em 99 a esperava uma equipa vinda de Espanha, neste caso a seleção da Catalunha. Disputada tal como na primeira edição no Stadio Comunale delle Terme, em Abano, a final, com arbitragem portuguesa, a cargo de Artur Soares Dias, seria decidida nas grandes penalidades, após um nulo no final dos 120 minutos. Em termos mais precisos, assistiu-se a uma primeira parte marcada pelo equilíbrio entre duas seleções que apresentaram em campo o mesmo esquema tático: 4-3-3. A jogar em casa o conjunto italiano entrou melhor no que toca à ambição de chegar ao golo, já que logo no primeiro minuto Gasparato errou o alvo por pouco. Aos 7 minutos os catalães apareceram pela primeira vez com algum perigo junto da baliza à guarda de De Carli, com Cornella a falhar o golo na cobrança de uma falta. À passagem do quarto de hora os donos da casa fazem uma nova incursão perigosa no ataque, mas o remate de Meda é travado com atenção pelo guarda-redes Carlos Miguel. A seleção catalã só consegue colocar em sentido a defesa transalpina através de lances de bola parada, sendo que numa dessas ocasiões Cornella volta a colocar à prova De Carli, corria o minuto 29. O equilíbrio foi de novo a nota dominante na maioria da segunda parte. Aos 48 minutos, De Carli foi o primeiro guarda-redes chamado a intervir, após um belo remate do catalão Garros. Pouco depois, o Veneto cria aquela que pode ser considerada a primeira grande oportunidade do encontro, quando Furlan rematou à trave da baliza catalã. A equipa orientada pelo técnico Toniutto cresceu no jogo, e aos 53 minutos uma nova tentativa de Furlan é travada desta feita pelo guardião Carlos Miguel. Três minutos volvidos é a vez da Catalunha responder, com Pol a obrigar De Carli a defesa apertada. O jogo entrou num ritmo de parada e resposta, com mais um par oportunidades claras até final dos 90 minutos a surgirem de um lado e do outro. No prolongamento assiste-se a um jogo morno, um pouco desinteressante, sem lances de maior emoção. A única nota de relevo deu-se aos 106 minutos, altura em que o italiano Mantovani recebe ordem de expulsão de Artur Soares Dias. E com 0-0 no marcador a decisão foi para penaltis. E na marca dos 11 metros a seleção de Veneto foi mais competente e venceu por 5-4 - Lorenzatti, Vettoretto, Polonese, Gasparato e Gagno marcaram para os italianos, e Vivo falhou a grande penalidade decisiva para os catalães, depois dos seus colegas de equipa, Gallego, Puerto, Puigoriol e Munta, terem convertido com êxito os seus remates.

(continua)

Histórias do Planeta da Bola (30)... UEFA Regions Cup – 25 anos do esplendor inocente do futebol amador europeu (parte I)

Cada remate, cada golo e cada comemoração são vivenciados de forma apaixonada e pura, desinteressada sob o ponto de vista material, fazendo com que a essência do Belo Jogo seja vincada sem os vícios do profissionalismo explorador. É um pouco esta a imagem que temos da forma como o futebol amador é vivido em todo o Planeta da Bola, onde apenas a paixão, ou o amor, pelo jogo entram em campo, o que faz com que muitas vezes jogadores, treinadores, ou dirigentes coloquem em segundo plano as suas vidas pessoais e profissionais para viver de graça, sem contrapartidas financeiras chorudas, este amor pelo futebol. Vem isto a propósito da efeméride que se assinala neste ano de 2024, a qual desde 1991 até à presente data exulta a magia inocente do futebol não profissional. Fazemos alusão aos 25 anos de existência da UEFA Regions Cup, ou Taça das Regiões da UEFA, no nosso idioma, o certame que de dois em dois anos reúne as melhores seleções regionais amadoras dos países do Velho Continente. A ideia para criar um torneio continental para equipas amadoras surgiu em meados dos anos 60 do século passado, quando a UEFA criou a Taça Amadora, disputada somente por equipas. Teve, porém, uma duração efémera e despercebida, surgindo em 1967 e desaparecendo em 1978, conhecendo ao longo deste período somente quatro edições. Falta de interesse de equipas e do público foram os argumentos principais que levaram à extinção da prova uefeira.

Porém, o facto de grande parte dos jogadores filiados nas 54 federações que são membros da UEFA serem amadores, ou semi-profissionais, o organismo que tutela o futebol europeu reativou a competição, sob outra designação, já na reta final do século XX, permitindo que personagens do mundo do futebol não profissional vivam o sonho de competir a nível internacional como se estivessem a viver a fazer final de um Campeonato da Europa ou de uma Liga dos Campeões. «Estes são os rapazes que fazem isto por nada, apenas pelo amor ao jogo», disse em 2015 o treinador da equipa irlandesa da Eastern Region, que venceu a Taça das Regiões desse ano e que de certa forma ajuda a explicar a essência da competição, ou seja, a de que a maioria dos futebolistas tem as suas atividades profissionais – nas mais diversas áreas, e que muitas delas nada têm a ver com o futebol – e que encaram a modalidade apenas por mero divertimento.

Há que ter um certo cuidado, no entanto, quando rotulamos esta competição de amadora, pois na verdade, a sua organização é encarada de forma tão profissional como a fase final de um Europeu, proporcionando desta forma aos futebolistas uma experiência única de competição internacional organizada pela UEFA, com tudo o que de melhor essa prova tem direito. E é preciso igualmente um certo cuidado quando nos aludimos a estes futebolistas como amadores, já que apesar de não viverem exclusivamente do futebol, não quer dizer que o tratem, ou encarem, de forma amadora, perdendo dessa maneira o Belo Jogo o seu encanto, muito pelo contrário.

Em Roma sê Romano, ou neste caso, em Veneto ganham os que lá estão

Viajando agora pela história da Taça das Regiões da UEFA, percebemos que ela é disputada pelas regiões/associações de cada país da Europa que vencem as respetivas competições internas. Para exemplificar, no caso português, é disputada de dois em dois anos a Taça das Regiões/Fase Nacional pelas 22 associações de futebol que existem em Portugal – uma por cada distrito –, sendo que o campeão nacional, digamos, se apura para a Taça das Regiões da UEFA a realizar no ano seguinte.

A competição conhece uma fase pré-eliminar, que é disputada pelas 12 seleções regionais com a classificação mais baixa no ranking da UEFA, e que são divididas em três grupos de quatro equipes, sendo que os três primeiros classificados avançam para a fase intermédia, a qual é composta por 32 participantes distribuídos por oito grupos de quatro equipas. Os vencedores de cada grupo avançam para a fase final da prova, cuja sede é atribuída a um dos oito finalistas.

Italianos e espanhóis posam para a foto antes da primeira final

Há 25 anos, em 1999, portanto, deu-se o pontapé de saída da UEFA Regions Cup, tendo a região de Veneto, em Itália, acolhido a primeira edição do certame. Realizada no espaço de uma semana apenas (entre 31 de outubro e 6 de novembro desse ano) a prova foi ganha pela equipa da casa, Veneto, que até nem começou da melhor forma a caminhada de glória, já que na estreia empatou a uma bola com o representante de Israel. A performance foi melhorada nos dois jogos seguinte do Grupo B, com duas vitórias – ante os ucranianos da região de Kyiv Oblast e os georgianos da região de Tbilisi – que asseguraram o primeiro lugar e a consequente passagem à final. A seleção da região de Madrid foi o opositor dos transalpinos, que no Stadio Comunale delle Terme, em Abano, obrigaram os anfitriões a horas extras para erguer o troféu. Após uma igualdade a duas bolas no final dos 90 minutos teve de se jogar um prolongamento. Aí, Michele De Toni foi o herói ao apontar o golo da vitória em cima do minuto 120. Tudo isto perante o olhar de 700 espetadores. Para o herói dessa primeira final aquele golo foi o melhor momento da sua relação com o futebol. «Foi incrível, chorei de felicidade. É a melhor recordação da minha carreira desportiva», confidenciou De Toni ao site da UEFA em 2013. 

Sobre as incidências do encontro, o jogador transalpino lembrou que «foi um jogo difícil contra a equipa espanhola, mas a poucos segundos do apito final do prolongamento fizemos um último ataque para marcar. Quando me virei, todos no estádio estavam aos saltos e os jogadores no banco correram na minha direção para comemorar». Mais do que um mero torneio internacional que coroa uma região/associação de um país como campeão da Europa de futebol não profissional, a UEFA Regions Cup é acima de tudo um meio de convivência, de partilha de experiências, entre futebolistas de vários pontos do Velho Continente, como aliás, ficou vincado nesta primeira edição, a julgar pelas palavras do treinador campeão, Loris Bodo. «A atmosfera era incrível! A parte da competição começou com o pontapé de saída e terminou com o apito final, o resto… foram boas conversas, trocas culturais e também uma troca de itens pessoais, ou seja, do género, “eu dou-te a minha camisola e tu dás-me as tuas chuteiras”. Este é o tipo de relação que está no centro do torneio», lembrou também em 2013 ao site da UEFA o primeiro treinador campeão.

A.F. Braga passou muito perto de uma glória que viria a alcançar


Dois anos volvidos, e já no novo milénio, a seleção distrital portuguesa mais bem sucedida ao longo destes 25 anos de história tem o seu primeiro grande momento. A seleção da Associação de Futebol de Braga alcança não só a fase final do torneio, como chega ao jogo decisivo, depois de superar no Grupo A as seleções de Madrid, da Dalmatia (Croácia) e da Vojvodina (da então Sérvia e Montenegro). Fase final que tem lugar na República Checa, na região da Moravia. Pela segunda edição consecutiva a seleção anfitriã alcançava a final, mas desta vez a seleção da Moravia beneficiou de alguma sorte para levar de vencida a turma portuguesa no encontro decisivo disputado no Estádio Letná, em Zlin. Mais de 2000 pessoas assistiram à final, onde na qual a equipa da casa criou a primeira situação de perigo, aos 7 minutos, quando Michal Svach obrigou o defesa bracarense Alberto Oliveira a sacudir para canto, com alguma dificuldade, a bola. O aviso estava dado, mas a seleção de Braga mostrou não ter medo e após os 12 primeiros minutos Nuno Mendes e Lourenço Almeida já tinham dado que fazer ao guarda-redes Petr Macala. Porém, a festa do golo foi primeiramente feita pela turma da Moravia, quando o mesmo Macala lançou da sua baliza um contra-ataque ainda antes do primeiro quarto de hora. O esférico chegou a Gabriel David, que depois de se desenvencilhar de dois defesas portugueses bateu o guardião Marco Gonçalves, apontando assim o seu quinto tento no torneio. Antes do intervalo, a Associação de Futebol de Braga esteve muito perto do empate, quando um passe errado de Kroca para o seu guarda-redes foi intercetado por José Gonçalves, que depois de contornar Macala atirou escandalosamente por cima da baliza. Este lance afetou o defesa Kroca, que pouco depois da meia hora cometeu outro deslize: fez penalti sobre Vítor Ferreira. Porém, Petr Macala vestiu a capa de herói e defendeu para canto a bola rematada por António Ferreira. O lance não afetou os portugueses, pelo contrário, que voltaram do intervalo dispostos a alterar o rumo dos acontecimentos. E aos 55 minutos uma bela jogada de combinação entre Jorge Pires e Vítor Ferreira permitiu a este último restabelecer o empate aos 55 minutos.

Petr Macala
Depois disto as defesas de ambas as equipas passaram a sobressair no jogo. Atentas e eficientes na forma como sacudiram a pressão dos setores atacantes, até que a 6 minutos do fim Maurício Freitas colocou os lusos em vantagem pela primeira vez. A seleção da Moravia teve sangue frio, e nos minutos que restavam lutou para ser feliz. O prémio chegou no período de compensação, altura em que um remate de Svach foi travado com a mão em cima da linha de golo por Leonel Fernandes, tendo o árbitro francês Tony Chapron não tido qualquer dúvida em assinalar grande penalidade e dado ordem de expulsão ao jogador português. O mesmo Svach converteu o castigo, restabeleceu a igualdade, e levou o jogo para prolongamento. No prolongamento as contas ficariam equilibradas, quando Miroslav Hubacek viu o segundo cartão amarelo no jogo e foi também tomar banho mais cedo. No capitulo das intensões em chegar ao golo, a Moravia esteve por cima, tendo o lance mais perigoso acontecido aos 10 minutos, quando Petr Simcik rematou a bola à trave após um cruzamento de Svach. Com o empate a prevalecer no final do tempo extra foi necessário recorrer-se ao desempate através de grandes penalidades, e aí Petr Macala provou que era mesmo um especialista neste tipo de lances. O guardião checo defendeu os remates de Nuno Mendes e Marco Alves, ao passo que ele próprio e os seus companheiros Svach, Alois Lachlik e Libor Pumprla não desperdiçaram as respetivas oportunidades para marcar e garantir a vitória por 4-2 nos penaltis e acima de tudo o título de campeões da Taça das Regiões da UEFA, que pela segunda edição consecutiva ficava na posse da seleção anfitriã.

Título regressa a Itália

40 seleções regionais participaram na terceira edição da Taça das Regiões da UEFA, um sinal claro da crescente popularidade do torneio. No entanto, só oito alcançaram a fase final, que desta feita teve como palco a região alemã de Wurttemberg. Um verdadeiro forno, diz quem lá esteve no mês de junho de 2003, altura em que decorreu a competição debaixo de… calor intenso. Nos Grupo A os italianos da região de Piedmont–Aosta Valley não entraram bem no torneio ao empatarem a uma bola com a seleção das Astúrias (Espanha), ao passo que a seleção anfitriã derrotou a seleção helvética de Ticino por claros 4-0. A vitória do combinado transalpino por 3-0 sobre Ticino e o empate (1-1) dos alemães com as Astúrias na 2.ª ronda, adiaram a decisão sobre quem passava à final para a derradeira jornada. E perante uma razoável moldura humana no Estádio do Carl-Zeiss, em Oberkochen, o Wurttemberg perdeu por 1-3 diante dos italianos, que assim asseguraram a passagem ao jogo mais desejado. E pela frente a turma do Piedmont–Aosta Valley teve a seleção da Ligue du Maine, de França, que venceu o Grupo B graças à regra de desempate por confronto direto, já que no final das contas terminou com os mesmos pontos (6) que a seleção húngara de Szabolcs Gabona. No entanto, o facto de na 1.ª jornada ter despachado os magiares por expressivos 8-3 – que até hoje constitui o resultado mais dilatado numa fase final da competição – garantiu a qualificação aos pupilos do técnico René Logie.

O atacante francês Anthony Guyard
No dia 28 de junho cerca de 1000 espetadores deslocaram-se ao Albstadion, em Heidenheim, para assistir a um jogo onde a seleção da Ligue du Maine depositava grandes esperanças na sua dupla de atacantes constituída por Anthony Guyard e Jonas Missaye, em grande parte responsáveis pelos 12 golos que a equipa tinha apontado na fase de grupos. Porém, sob o ponto de vista tático os italianos foram mais equilibrados, o que acabou ser a chave de um triunfo por 2-1 do conjunto do Piedmont–Aosta Valley. O herói da final foi alguém que só tinha chegado ao local da final na… véspera do encontro decisivo! Paolo Borgna, o seu nome, o autor dos dois golos apontados ainda antes dos 30 minutos da primeira parte de um jogo onde até final a turma transalpina controlou as investidas dos franceses, de nada valendo o tento de Farid Kharraz aos 83 minutos. Desta forma, e pela segunda vez, uma equipa italiana levantava o troféu, país (Itália) que a par da Espanha é aquele que em 25 anos de história mais UEFA Regions Cup conquistou: três. Quanto à seleção de Piedmont–Aosta Valley tornou-se na primeira a vencer a competição fora do seu país, algo que nas primeiras duas edições não tinha ocorrido.

Orgulho na identidade basca fez-se sentir na Polónia

Regionalistas convictos, e por consequência defensores acérrimos das suas raízes, os bascos vivenciaram em 2005 a primeira grande conquista internacional do seu futebol no âmbito da Taça das Regiões da UEFA. Facto ocorrido na Polónia, mais precisamente em Proszowice, local onde a seleção de Euskadi, ou País Basco na nossa língua, derrotou a seleção da região Sudoeste-Sofia (Polónia), por 1-0 na final, e conquistou o primeiro troféu para Espanha. Os bascos terminaram o Grupo B com os mesmos pontos (6) que os ucranianos do KZESO Kakhovka, mas levaram a melhor no confronto direto – fruto de um triunfo por 4-1 na 1.ª jornada – o que lhe permitiu jogar a final com a seleção campeã da Bulgária. Esta última equipa atingiu o jogo decisivo de forma dramática, isto é, nos minutos finais da 3.ª jornada da fase de grupos, altura em que a seleção da Eslováquia Central vencia por 2-1 a turma búlgara e estava a somente 5 minutos de atingir a final. Foi nesta altura que um cabeceamento pleno de êxito de Ivan Todorov bateu o guardião Peter Pernis – considerado um dos melhores desta edição da prova – e levou os búlgaros para o jogo decisivo. E seria numa tarde chuvosa que que bascos e búlgaros evoluíram no relvado do Estádio de Proszowice perante os olhares de cerca de 350 espetadores. A final ficaria decidida por apenas um golo a favor dos bascos, e que golo esse! Um golaço, melhor dizendo, apontado por Alain Arroyo à passagem dos 33 minutos da primeira metade. 

A seleção de Euskadi campeã em 2005

Na sequência de uma bela incursão de ataque por Jon Unai Martínez, pelo flanco esquerdo, Arroyo controlou a bola com o peito e de primeira atirou forte para o fundo da baliza búlgara. Na primeira parte os bascos poderiam até ter feito mais golos, dado que não só dominaram os acontecimentos, como também dispuseram de variadas oportunidades para voltar a bater o guarda-redes Giorev. A segunda metade teve início na mesma toada que a primeira, ou seja, com os bascos por cima e determinados em voltar a fazer estragos na área contrária. Porém, a expulsão do seu capitão de equipa, Fernando Véliz, ao minuto 54, alterou o rumo dos acontecimentos, e a seleção de Euskadi passou do ataque à… defesa. E neste plano brilhou a grande altura o guarda-redes José Carlos González, que fez defesas importantes e algumas de grande espetáculo, como foi o caso de um potente remate de fora de área que levava selo de golo e que foi travado de forma espetacular pelo guardião basco que dessa forma segurou o magro triunfo e o consequente título europeu. Uma nota curiosa para dizer que o marcador do único golo desta final foi o mesmo que oito anos volvidos desta conquista apontou o último golo no mítico Estádio San Mamés, lendário recinto do Athletic de Bilbao que então foi demolido para dar lugar ao moderno Nuevo San Mamés.  
Alain Arroyo
Pormenor curioso aquando da entrega do troféu aos novos campeões da Europa de futebol amador, é que os jogadores bascos envergavam uma t-shirt onde se lia: “Oficial do País Basco”. O orgulho de uma região bem estampado na hora do triunfo, portanto.

(continua)

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (31)...


Final

Itália - Portugal: 3-0

Golos: Camarda (2), Coleta

Vitória justa da equipa mais competente a todos os níveis ao longo do torneio... 

segunda-feira, junho 03, 2024

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (30)...

Meias-finais

Dinamarca - Itália: 0-1

Golo: Coletta

Azzurrini continuam caminhada em busca de título inédito... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (29)...

Meias-finais

Sérvia - Portugal: 2-3

Golos: Cvetkovic, Eduardo Flicíssimo (a.g.) / Rodrigo Mora, João Trovisco, Damjanovic (a.g.)

Reviravolta épica em cima da meta coloca lusos na grande final... 

sexta-feira, maio 31, 2024

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (28)...

Quartos-de-final

Itália - Inglaterra: 1-1 (5-4 nas grandes penalidades)

Golos: Liberali / Nwaneri

Squadra Azzurra continua a mostrar credenciais ao título... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (27)...

Quartos-de-final

Portugal - Polónia: 2-1

Golos: Eduardo Felicíssimo, Rodrigo Mora / Izunwanne

Conduzido pelo génio de Rodrigo Mora, Portugal foi... Felicíssimo... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (26)...

Quartos-de-final

Áustria - Sérvia: 2-3

Golos: Adejenughure (2) / Rankovic (2), Cvetkovic

Como não puderam passar os dois, passou quem foi mais eficaz num duelo de equipas ambiciosas... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (25)...

Quartos-de-final

República Checa - Dinamarca: 1-1 (3-5 nas grandes penalidades)

Golos: Penxa / Obi

No meio do equilíbrio a lotaria (dos penaltis) sai aos nórdicos...  

terça-feira, maio 28, 2024

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (24)...

Grupo D / 3.ª Jornada

Inglaterra - Espanha: 3-1

Golos: Mheuka, Moore, Nwaneri / Arnucio

Britânicos limpam má imagem deixada ante Portugal e carimbam passagem aos quartos-de-final... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (23)...

Grupo D / 3.ª Jornada

Portugal - França: 1-2

Golos: Afonso Patrão / Sternal, Molebe

Vitória amarga dos gauleses que de forma surpreendente passam de favoritos a eliminados...

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (22)...

Grupo C / 3.ª Jornada

Polónia - Eslováquia: 4-0

Golos: Izunwanne (2), Pietuszewski, Gieroba

Polacos foram bem mais felizes num duelo de decisões pelo apuramento... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (21)...

Grupo C / 3.ª Jornada

Suécia - Itália: 1-2

Golos: Bozicevic / Cama, Camarda

Implacáveis Azzurrinis acabam com as esperanças de qualificação dos suecos... 

segunda-feira, maio 27, 2024

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (20)...

Grupo B / 3.ª Jornada

País de Gales - Croácia: 1-1

Golos: Allen / Durdov

Croatas não vencem os já eliminados galeses e despedem-se do Euro... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (19)...

Grupo B / 3.ª Jornada

Áustria - Dinamarca: 4-0

Golos: Moizi (2), Adejenughure (2)

No jogo do tudo ou nada austríacos mostram os dentes e seguem em frente... 

Flashes do Chipre 2024/Europeu de Sub-17 (18)...

Grupo A / 3.ª Jornada

República Checa - Sérvia: 4-3

Golos: Belzik (2), Kolarik, Kolisek / Kostov, Kostic, Cvetkovic

Poder de fogo dos checos continua a impressionar e a fazer vítimas...