terça-feira, maio 29, 2007

Estrelas cintilantes (7)... René Higuita - O louco rei escorpião

Como qualquer outra criança que adorava o futebol eu sonhei ser um dia um Deus da Bola. É verdade. No recreio da escola, na rua, dava largas ao meu sonho, participando em alegres e bem disputados, por vezes, jogos de futebol com a malta amiga da altura. Com o passar dos anos esse sonho foi ficando cada vez mais distante, e foi substituído entretanto por outro sonho, o jornalismo desportivo. No entanto, a paixão pelo belo jogo não morreu, muito pelo contrário, foi crescendo cada vez mais e mais.
Bem, mas voltando novamente até aos meus dias de catraio, e como dizia, sonhei ser um jogador de futebol. Mas um jogador que dentro de campo assume sempre uma função especial, aquele a quem os experts da matéria apelidam de homem solitário. Já devem saber de quem estou a falar. Isso mesmo o guarda-redes. Sonhava em ser o número 1 de uma grande equipa. Primeiramente, e por influência do meu velho, que é um ferrenho deste clube, sonhei em ser guarda-redes de um dos meus clubes do coração, o clube da minha cidade, o Ermesinde Sport Clube. Depois "auto-transferi-me" para o gigante FC Porto, "cheguei" à selecção nacional, e "atingi" o ponto máximo quando "joguei" pelo Nápoles, clube que na época era só uma das superpotências do futebol europeu. Um clube que era comandado por um dos meus heróis, Diego Armando Maradona. Que belo sonho este, não acham? eheheheheheh. Pois, mas estes eram os meus sonhos com 10, 11, 12, ou 13 anos. Mas como aspirante a guarda-redes também tinha Ídolos. Em Portugal, gostava do Mlynarczyck, que na altura jogava no FC Porto, do Damas, que dava as "últimas" enquanto redes do Portimonense, do Jorge Martins, guardião das redes do Belenenses, e claro do número 1 do meu querido Ermesinde Sport Clube, o brasileiro Omar. A nível internacional admirava sobretudo um homem, um louco dizem ainda hoje muitos, mas talvez tenha sido essa loucura que me fez idolatra-lo anos a fio. René Higuita, era assim o nome do homem que eu imitava nas jogatanas de rua com os meus compinchas. polémico, astuto, louco, drogado, este homem faz inevitavelmente parte da história mundial do futebol. Está para o seu país, a Colômbia, como Eusébio está para Portugal ou Pélé para o Brasil.
José René Higuita Zapata, nasceu em Medellín, a 17 de Agosto de 1966. O seu particular estilo de jogo, os triunfos obtidos nos seus primeiros anos como profissional, e a sua peculiar personalidade, converteram-no no maior Ídolo do seu país durante os anos 90.
Posteriormente Higuita viu-se envolvido em numerosos escândalos que paulatinamente o levaram ao declínio da sua brilhante carreira desportiva.
Apesar de todo, Higuita é reconhecido como um dos melhores guarda-redes da história do futebol sul-americano e uma figura chave na ascensão da Colômbia dentro do panorama futebolístico internacional.
Nasceu em Castilla, um bairro pobre da cidade de Medellín. Foi filho de uma mãe solteira, Maria Dioselina Higuita, de quem tomou o apelido. Esta morreria vários anos depois, o que fez com que René permanecera ao lado da sua avó Ana Felisa. A sua infância foi atravessada por grandes dificuldades económicas, e como tal teve de trabalhar como vendedor de jornais.
A sua carreira desportiva teve início no Atlético Nacional, e em 1981 fez parte da selecção Antioquia de sub-16 dirigida por Luis Alfonso Marroquín, que seria campeã da Colômbia. Foi convocado então para a selecção nacional juvenil da Colômbia, com a qual se qualificaria para o Campeonato do Mundo Juvenil, na Russia, em 1985. Nesse ano o Nacional cedeu-o por empréstimo ao Millionarios, onde teve uma temporada notável.
Em 1986 regressaria ao Nacional, que começou a ser treinado por Francisco Maturana e sob a sua batuta Higuita conquistaria vários títulos. No dia 31 de Maio de 1989, com Higuita na baliza, o Atlético Nacional proclamou-se campeão da Copa Libertadores da América, o primeiro triunfo neste torneio para uma equipa colombiana. A final, jogada contra o Olimpia de Paraguay, em Bogotá, foi decidida após a marcação de grandes penalidades, com Higuita a defender vários e a dar assim a vitória à sua equipa.
Em 1992 viajou até Espanha para jogar no Real Valladolid, mas não teve sorte, pois passou mais jogos no banco do que no relvado. Regressou outra vez ao Nacional, com o qual se sagrou campeão da Colômbia em 1994. Em 1995 alcança de novo a final da Copa Libertadores da América, a qual o Atlético Nacional perdeu com o Grémio de Portoalegre. Nesse torneio recorde-se que nas meias-finais contra o River Plate, num jogo disputado em Medellín, um livre directo apontado por si acabou no fundo das redes dos argentinos, um golo que empatava assim a eliminatória, a qual seria mais tarde desempatada através do recurso às grandes penalidades onde Higuita brilhou mais uma vez.
Higuita jogaria depois no Club Veracruz do México, e mais tarde no Aucas do Equador.
Em Novembro de 2004 participou no jogo de despedida do seu colega paraguaio José Luis Chilavert. Também esteve presente na despedida de Diego Armando Maradona.
Higuita também é hoje recordado por ser um dos pioneiros dos guarda-redes goleadores, durante a sua carreira profissional marcou 41 golos (37 de penaltie e 4 na conversão de livres directos) em jogos oficiais.
René Higuita foi convocado pela primeira vez à selecção principal da Colômbia em 1987, para disputar a Copa América de 1987.

O melhor momento da carreira que o haveria de crucificar para sempre

Em 1989 com a selecção colombiana conseguiu qualificar-se para o Campeonato do Mundo de futebol, que um ano mais tarde iria decorrer em Itália. Nesse Mundial defendeu uma grande penalidade contra a Jugoslávia. A Colômbia qualificou-se para os oitavos-de-final, onde iria jogar com a surpresa da prova, os Camarões, de Roger Milla. Esse jogo vai ficar eternamente gravado na memória de Higuita, e de todos os fãs do futebol. Durante o prolongamento a bola chega tranquilamente até Higuita que resolve fazer uma das suas jogadas habituais, ou seja, sair a jogar como se fosse um qualquer Garrincha ou Cristiano Ronaldo, a fintar tudo e todos os que lhe aparecessem pela frente. Teve azar, perdeu a bola para Roger Milla que não desperdiçaria a oportunidade de marcar golo e colocar a sua equipa nos quartos-de-final. A Colômbia estava eliminada por um erro mortal de Higuita. O outro grande momento da sua carreira foi vivido a l 7 de Setembro de 1995 na catedral do futebol mundial, o Estádio de Wembley. Durante uma partida amigável entre a Colômbia e a Inglaterra, Higuita defendeu um remate de Jamie Redknapp com uma acrobática defesa à escorpião, uma manobra que ficou imortalizada na história do futebol.
Defendeu as cores da Colômbia em 68 vezes. A sua última convocatória foi para a Copa América de 1999.
Os seus escândalos públicos começaram em 1991 quando foi visitar à prisão o barão da droga Pablo Escobar, de quem se declarou publicamente amigo do peito. Mas o mais grave de todos ocorreu em 4 de Junho de 1993 quando foi preso por estar implicado num rapto da filha de uma figura pública colombiana importante. Esteve seis meses preso, e chegou a iniciar uma greve de fome como forma de protesto.
Mais tarde viu-se envolvido numa zaragata (socos e pontapés) com o jornalista desportivo Cesar Augusto.
A 23 de Novembro de 2004 acusou cocaína num teste realizado depois de um jogo da sua equipa da altura, o Aucas. Como consequência a Federação Equatoriana de Futebol suspende-o por seis meses.
No primeiro semestre de 2005, Higuita participou no "reality show ""La isla de los famosos". Participaria ainda noutros programas deste género, devido à sua originalidade e... loucura. O futebol era já nesta altura uma mera recordação para si.
Recentemente chocou a Colômbia inteira quando apareceu com uma nova cara. Fez uma operação plástica ao rosto que chocou o país, já que parecia-se mais com um travesti do que com o verdadeiro René Higuita.
O "homem escorpião" no seu melhor e no seu pior!

Vídeo: A DEFESA ESCORPIÃO...
video

segunda-feira, maio 28, 2007

Catedrais Históricas (5)... Estádio Nacional


Um dia depois de mais uma final da Taça de Portugal (desta feita vencida pelo Sporting CP, e desde já os nossos parabéns ao clube de Alvalade pela conquista da sua 14ª taça), o Museu Virtual do Futebol vai hoje precisamente falar um pouco do palco onde todos os anos se realiza a grande festa do futebol português: o Estádio Nacional. Um estádio que está para Portugal como o Estádio de Wembley está para Inglaterra, um estádio mítico, sagrado, e portador de "quilos e quilos" de história. É a grande sala de visitas do futebol português, e perdoem-me os ilustres visitantes pela opinião imparcial, mas para mim este é o estádio mais bonito de Portugal, por tudo o que ele representa para o nosso país.
Está velhinho, é certo, se calhar não está ao nível dos novos estádios que foram construidos, ou remodelados, para acolher o Euro 2004, mas continua a ser um local de culto para o futebol lusitano, um local de tradição. Há quem o queira "enterrar" a todo o custo, dirigentes que criticam as condições do estádio, que defendem que o mesmo já não tem condições para receber grandes jogos, mais especificamente a final da Taça de Portugal, e que a mesma deveria ser jogada nos tais recintos ultra-modernos. Ora, se assim fosse, e na minha modesta opinião, estaria a "matar-se" grande parte da história do nosso futebol, a apagar-se anos e anos de uma tradição do futebol luso que anualmente acontece por esta altura, a festa da final da taça. Uma festa que leva ao Vale do Jamor (local onde está implantado o estádio) milhares de famílias (homens, mulheres, avós, filhos, netos, etc.) que se reúnem nas matas do Jamor (que envolvem o estádio) para ai fazerem uma enorme festa, as popularmente chamadas tainadas, onde se regista sempre um grande e salutar convívio entre todos os adeptos. É uma festa, volto a dizer. Por tudo isto tirar a final da Taça de Portugal do Estádio Nacional era apagar grande parte da história do futebol luso, o ambiente envolto nesta grande festa não seria certamente o mesmo se daqui em diante as finais passassem a ser realizadas no Estádio do Algarve, ou no Dragão, ou no Alvalade XXI. A festa não era festa.
Bom, mas depois deste pequeno desabafo de um acérrimo defensor do Estádio Nacional, vamos conhecer em breves linhas um pouco mais sobre o santuário do futebol português.
Foi inaugurado a 10 de Junho de 1944. Resultou de um velho sonho do Estado Novo, «que ambicionava construir em Portugal um recinto desportivo capaz de promover não só a prática do desporto como também a criação de um local para demonstrações públicas inspiradas em princípios políticos vigentes».
O autor do projecto foi Miguel Jacobertty Rosa, e foi inspirado no Estádio Olímpico de Berlim. Demorou cinco anos a ser edificado. Está inserido no Vale do Jamor, um enorme manto verde no seio da Área Metropolitana de Lisboa. Como já vimos, todos os anos o recinto veste o seu "fato de gala" para receber a mítica final da Taça de Portugal, a prova rainha do futebol português. O Estádio Nacional viveu o seu momento alto em 1967, quando foi palco da final da Taça dos Campeões Europeus, entre os escoceses do Celtic e os italianos do Inter de Milão, a qual seria vencida pelos primeiros por 2-1.
O Estádio Nacional não é a vergonha nacional, triste chavão proferido actualmente por muito boa gente deste país, mas sim... o orgulho nacional.


sexta-feira, maio 25, 2007

Emblemas Históricos (4)... DC United

Olá! Estamos hoje de volta ao cantinho dos Emblemas Históricos, dos grandes clubes/equipas que escreveram pelo "seu punho" algumas das páginas mais bonitas do futebol mundial. É certo que o clube que vamos hoje visitar não tem o peso histórico de um Real Madrid, de um Barcelona, de um Inter, de um Manchester United ou de um Milan (que ainda na 4ª feira passada conquistou a sua 7ª Taça/Liga dos Campeões Europeus), mas possui já um registo notável de títulos na sua curta vida, e como tal merece um lugar de destaque na vitrina dos Emblemas Históricos do Museu Virtual do Futebol.
E para falar deste clube vamos "sobrevoar" o imenso Oceano Atlântico e assentar arraiais na cidade de Washington, a capital dos Estados Unidos da América (EUA). E agora o visitante poderá estar a pensar: «lá vem este falar outra vez do futebol dos "States", de um país que não tem qualquer tradição no fantástico e apaixonante mundo da bola». Pois, mas devo confessar-vos uma coisa, eu sou um curioso pelo futebol a nível mundial, não só do europeu e do sul-amerciano (os dois estilos mais poderosos e famosos), ou seja, procuro conhecer um pouco da história do "pontapé na bola" ao nível planetário, como já disse. E de facto, o soccer (futebol) norte-americano desperta-me muita curiosidade, em especial a selecção dos EUA (da qual sou fã), e não tem sido à toa que já contei aos ilustres visitantes histórias/factos do futebol estado-unidense, ao apresentar-vos não só jogadores lendários como Billy Gonsalves (anos 20/30), Joe Gaetjens (anos 40/50) e Alexi Lalas (anos 90/00), bem como um dos momentos altos da história do soccer dos "states", ou seja, a vitória sobre a Inglaterra no Mundial de 1950.
É claro que os EUA ainda têm de percorrer um longo caminho para chegar aos calcanhares das nações europeias e sul-americanas, pois hoje em dia não passam de uma selecção mediana a nível mundial. O soccer padece também de algum desinteresse, e desconhecimento, da maior parte da população dos EUA, que preferem antes os populares Baseball, Basquetebol, ou o Futebol Americano. O soccer não anima a maior parte dos norte-americanos como um dia disse um jornalista nativo daquele país... «os americanos não conseguem gostar, nem perceber, um jogo que pode terminar empatado e sem golos»... hehehehehe, curiosa esta explicação. No entanto, a Federação Norte Americana de Futebol tem feito um esforço enorme para tornar este desporto popular, e aos poucos vai conseguindo, devagar, mas lá vai conseguindo, embora ainda muito longe do desejado.
E esses esforços começaram com o surgimento de uma Liga Profissional, a Major League Soccer (MLS), criada em 1996, onde se criaram clubes que por sua vez contrataram algumas estrelas do futebol mundial, embora a maior parte delas já na... pré-reforma. E a última grande aquisição da MLS é David Beckham, que a partir de Julho vai passar a envergar as cores do LA Galaxy.

O nascimento de um gigante
Bom, mas o clube de que hoje vou falar é o DC United, sediado em Washington, e é, digamos que, o maior emblema dos EUA em termos de soccer. Se preferirem, o DC está para os EUA como o Real Madrid está para Espanha, o Bayern para a Alemanha, ou a Juventus para Itália. É o maior clube do país, o que mais títulos conquistou em apenas 11 anos de vida! Sem dúvida alguma, notável.
Bem, mas começemos pelo princípio, para dizer que com o surgimento da MLS fundou-se em Washington o DC United (DC quer dizer Distrit Capital, uma vez que Washington é também a capital do Estado de Columbia), em 1996. E o DC não poderia ter tido melhor estreia na MLS, já que venceu não só a primeira edição da recém criada competição, intitulada de MLS Cup, como também a US Open Cup, uma espécie de taça daquele país, que é aliás a competição mais antiga dos EUA. Logo no primeiro ano de vida o DC United conquistou a "dobradinha".
E a primeira MLS Cup foi conquistada de uma maneira emocionante, já que na grande final (disputada no Foxborough Stadium, em Boston) o DC bateu o LA Galaxy por 3-2, isto depois de estar a perder por 0-2! A "remontada", como dizem os espanhóis, começou a ser dada por intermédio de Tony Sanneh, tendo o empate surgido ao minuto 82 por Shawn Medved. No prolongamento o defesa internacional norte-americano Eddie Pope fez o 3-2 final, o golo da vitória. Que melhor estreia se podia pedir?
No ano seguinte voltou a vencer não só a MLS Cup como também a Supporters Shield Cup. Por esta altura o DC era já o gigante dos EUA. Em termos de restante palmarés a equipa do Washington conquistou por mais duas vezes a principal competição norte-americana, vulgo a MLS Cup, em 1999 e 2004, sendo por isso o clube com mais campeonatos ganhos. A Supporters Shield Cup seria ganha ainda em 1999 e 2006. Mas os maiores títulos do clube foram conquistados além fronteiras, sendo que o primeiro deles ocorreu em 1998, com a conquista da CONCACAF Cup, uma espécia de Liga dos Campeões da América do Norte. O DC foi assim a primeira equipa norte-americana a vencer um título internacional. Na final da competição, realizada a 16 de Agosto desse ano, o DC bateu os mexicanos do Toluca por 1-0. O jogo foi disputado em casa, no RFK Stadium, com Eddie Pope a ser uma vez mais o herói ao marcar o golo do triunfo.
E 1998 seria um ano que ficaria inevitavelmente marcado na história do DC United, já que o clube venceria uma nova competição internacional, desta feita a Interamerican Cup, uma espécie de Supertaça Europeia, ao bater o poderoso clube brasileiro Vasco da Gama. Ambos os jogos foram realizados em solo norte-americano, sendo que o primeiro foi realizado em Washington, onde a equipa brasileira venceu por 1-0. A segunda partida realizada três semanas mais tarde ocorreu na Flórida, no Lockhart Stadium, e o DC provocou uma enorme surpresa no futebol mundial, pois derrotou os vascaínos por 2-0. Tony Sanneh marcou o primeiro golo, na primera parte, enquanto que o tento da vitória foi marcado por... Eddie Pope, um jogador que de imediato entrou para a curta história do clube de Washington por ser o autor de golos que deram origem a títulos. Com esta vitória o DC United proclamava-se Campeão das Américas. Este foi sem margem para dúvida o título mais importante alguma vez conquistado por uma equipa de futebol norte-americana. O crescimento do soccer dos EUA deve muito, sem dúvida, a este grande emblema.

As maiores estrelas
Em 11 anos de vida o DC United teve já a defender as suas cores (equipamento todo negro) inúmeros craques. Nomes que ficarão eternamente ligados ao clube, pela sua preciosa ajuda na conquista de títulos importantes. O central Eddie Pope, como já vimos, foi um deles, o homem dos golos decisivos nas grandes conquistas. Mas há mais. O melhor jogador búlgaro de todos os tempos, Histro Stoitchkov, acabou a sua gloriosa carreira com a camisola do DC. Raul Diaz Arce, um dos melhores jogadores de sempre de El Salvador, também foi ídolo da famosa claque do DC, os La Barra Brava. Os internacionais norte-americanos Jeff Agoos, Ernie Stweart e John Harkes também envergaram esta famosa camisola. O prodigío do actual futebol norte-americano, Freddy Adu, para muitos o futuro melhor jogador do Mundo dentro de muito pouco tempo, também já espalhou a magia do seu futebol com as cores do clube. Mas os dois maiores ídolos dos adeptos do DC United falam castelhano, bolivianos de nascimento, Jaime Moreno e Marco "El Diablo" Etcheverry. O primeiro ainda joga no clube, e é o melhor marcador de sempre da equipa de Washington, com 69 golos apontados em 150 jogos realizados. Richie Williams é o jogador que mais vezes jogou pelo DC United, 169 partidas. O palco dos jogos caseiros do clube é o imponente RFK Stadium, com capacidade para cerca de 55 000 lugares. Curiosidades

-O DC United é a equipa que mais vezes venceu a MLS Cup: quatro vezes (1996, 1997, 1999 e 2004).
-Também é a equipa que mais vezes venceu a MLS Supporters' Shield: três vezes (1997, 1999 e 2006).
-Os maiores rivais do DC United são o Los Angeles Galaxy e o Red Bull New York (antes conhecidos como Metrostars).
-O DC United já se bateu algumas das maiores equipas de futebol do mundo tais como o Boca Juniors, da Argentina; o Bayer Leverkusen, da Alemanha; o Vasco da Gama, do Brasil; o Club América, do México; o Newcastle United, o Leeds United, o Tottenham Hotspur e o Chelsea FC, todos da Inglaterra.
-Apesar de ser o clube mais vitorioso da MLS até agora, a sua estreia não foi assim: no primeiro jogo da história da MLS, em 1996, perdeu com o San Jose Clash (que, atualmente, se chama Houston Dynamo) por 1-0. Legendas das fotografias:

1- Emblema do DC United
2- Equipa faz a festa da vitória de 1997 na MLS Cup
3- A conquista da MLS Cup de 1999
4- A actual estrela do soccer norte-americano Freddy Adu, quando defendia as cores do DC
5- A maior conquista de sempre do clube: A Interamerican Cup
6- Jaime Moreno, o melhor marcador de sempre do DC United
7- Eddie Pope, o goleador das grandes conquistas
8. O RKF Stadium de Washington
9- Um senhor do futebol Mundial com a camisola do DC: Stoitchkov
10- Um ídolo da "torcida"... El Diablo Etcheverry

segunda-feira, maio 21, 2007

Romário fez o seu MILÉSIMO golo!!!

É com enorme alegria que o Museu Virtual do Futebol abre hoje propositadamente as suas portas para assinalar um momento histórico do futebol mundial: O GOLO NÚMERO 1000 DO "BAIXINHO" ROMÁRIO. Finalmente aquele que para mim foi só um dos melhores futebolistas de todos os tempos alcançou, aos 40 anos, o velho sonho de igualar a histórica marca do "rei" Pélé... fazer 1000 golos. O feito ocorreu ontem , na sua cidade natal, o Rio de Janeiro, ao serviço do clube do seu coração, o Vasco da Gama. Agora, o "baixinho" pode finalmente gozar a sua "dourada" reforma. Parabéns Romário. Conseguiste!
Seguidamente apresentamos a narração (acompanhada da fotografia) feita pelo site oficial do Vasco da Gama deste momento histórico:
«E o grande dia chegou. 20 de Maio de 2007 entra para a história do futebol mundial. O atacante Romário tornou-se o segundo jogador de todo o planeta a chegar a marca de 1000 gols na carreira. E o Estádio de São Januário, que acabara de completar 80 anos, tinha que ser o palco. Um minuto e meio do segundo tempo, o lateral-direito Thiago Maciel cruzou na área e o zagueiro adversário cortou o lançamento com o braço esquerdo. Pênalti que o árbitro Giulliano Bozzano não titubeou em assinalar. Aos 2 minutos e 40 segundos, o “Baixinho” Romário correu para a bola e com a sua tradicional categoria colocou a bola no lado esquerdo do goleiro Magrão, que pulou para o outro canto. Na ocasião, o Vasco fazia 3x0 em cima do Sport Recife pelo Campeonato Brasileiro 2007. Com a bola no fundo das redes, o atacante foi abraçado pelos companheiros de equipe. A família do jogador entrou no gramado para participar de um dos maiores momentos da história do esporte. Abraçado à mãe, Dona Lita, Romário deu a primeira declaração após marcar o milésimo gol. “É um momento ímpar em minha vida. Agradeço à minha família, principalmente aos meus pais. Agradeço ao papai do céu. Eu poderia até falar algumas coisas, mas vou deixar para outra hora. A torcida tem que comemorar comigo” – disse o atacante, em meio às lágrimas. Pelo Vasco, até o momento, o “Baixinho” marcou 383 gols em 518 jogos, tendo uma média de 0,74 gols por partida, somando-se as categorias Infantil, Juvenil, Júnior e Profissional. Entre os profissionais, a marca é de 324 gols em 408 jogos (0,79 de média)».

sábado, maio 12, 2007

Histórias dos Campeonatos do Mundo (2)... Itália 1934

Entrem senhores visitantes, entrem que a entrada é de borla. E hoje vale bem a pena darem uma saltada ao Museu Virtual do Futebol, pois vamos dar uma olhadela a um dos lugares mais deliciosos da história do mundo da bola, a vitrina dedicada aos Campeonatos do Mundo. Pois é, estamos de volta a esta vitrina sagrada, depois de a termos inaugurado com o retrato do Uruguai 1930, o primeiro Mundial da história.
Hoje viajamos até Itália, até ao ano de 1934, onde iremos recordar a história do segundo Mundial da FIFA.

O Mundial da propaganda fascista

O extraordinário êxito alcançado no Uruguai 1930 abriu caminho para que quatro anos passados o número de inscrições duplicasse, passando de 16 para 32. O sucesso da Copa do Mundo estava assim comprovado. No congresso da FIFA de 1932, realizado em Estocolmo, a Itália foi escolhida para organizar o evento, dando desde logo a garantia de assegurar todo o esquema financeiro, aliando a isto o facto de dispor de 8 estádios com capacidades para uma média de 50/60 mil pessoas.
Perante estes argumentos o outro candidato a organizar o Mundial, a Suécia, desistiu de imediato. No entanto, a escolha da Itália para organizar a prova ficou também a dever-se a factores de ordem política. A política que na época já havia ditado leis noutros eventos desportivos importantes, tais como os Jogos Olímpicos. O desporto era por isso um excelente veículo de propaganda para os políticos da altura. E no Mundial de 34 a política representava um papel ainda mais importante. Com o ditador Benito Mussolini no poder, o fascismo ditava leis em Itália. O “Dulce”, como Mussolini era conhecido, sabia o quanto uma vitória nos domínios do desporto poderia constituir para uma auréola suplementar de prestígio do regime. O General Vaccaro, que era o presidente da Federação Italiana de Futebol da época, sublinhou que «o fim último deste Mundial é mostrar ao Mundo qual é o ideal fascista do desporto!» Foi então montada uma diabólica “máquina” para colocar o futebol ao serviço do fascismo.
Foi sem dúvida alguma o campeonato da propaganda de Mussolini. O Mundial do fascismo. Tudo valia para promover o fascismo, e não foi de estranhar que o “Dulce” mandasse construir um novo trofeu, denominado Coppa del Dulce (só podia ser assim!) para premiar os vencedores, numa tentativa clara de ofuscar a Taça Jules Rimet.

A vingança do Uruguai

A recusa das principais potências futebolísticas europeias em viajar até ao Uruguai quatro anos antes para ai disputar o primeiro Mundial da FIFA teve as suas repercussões em 1934. Isto, porque os campeões em título, o Uruguai, decidiu pagar na mesma moeda, isto é recusou-se a defender o ceptro. Esta seria, aliás, a primeira e única vez que um campeão do Mundo não defendeu o título no Mundial seguinte.
Paraguai, Chile, Bolívia e Perú também seguiram as pisadas dos vizinhos celestes. Assim, a representação da América do Sul ficou entregue ao Brasil e à Argentina que se qualificaram automaticamente para a fase final. Contudo, estas duas delegações não se fariam representar em Itália pelos seus principais craques de então, já que os seus grupos foram constituídos maioritariamente por amadores que acabariam por fazer a longa travessia do Atlântico para realizar somente um jogo. Ambos fizeram campanhas paupérrimas, em particular estes últimos, que quatro anos antes haviam chegado à final do Mundial 1930. E assim foi porque os seus melhores jogadores de então transferiram-se para a selecção de... Itália. É verdade. E aqui notou-se, uma vez mais, a mão do ditador Mussolini, que queria que a sua Itália vencesse a qualquer preço. Para isso alterou as leis do desporto, permitindo que todos os futebolistas de ascendência italiana, por mais remota que fosse, adquirissem através de uma simples petição a cidadania italiana. Foram então chamados de “oriundi”. Desta forma o seleccionador italiano, Vittorio Pozzo, um jornalista desportivo que se tornou herói no seu país (e veremos porquê quer no final desta história quer quando contarmos a saga do Mundial de 1938), pôde contar com os mais cotados futebolistas argentinos da altura, casos de Luigi Monti (uma das vedetas do primeiro Mundial), Guaita, Demaria e Orsi. Quatro super craques que se juntavam a outros talentos que formavam a Squadra Azzurra de então, como o fantástico guarda-redes Combi, e os avançados Schiavio e o grande Meazza. A Itália tornava-se assim ainda mais favorita à conquista do “seu” Mundial.

O pontapé inicial
A cerimónia de abertura deu-se em Roma, a 27 de Maio, no Estádio do Partido Nacional Fascista (era assim que se chamava o recinto), o qual seria transformado num mar de “camisas negras” que entraram em delírio quando Benito Mussolini subiu à tribuna de honra, ouvindo-se então os gritos do slogan fascista de então: “Forza Itália”.
Os jogos deste Mundial seriam então distribuídos pelas cidades de Roma, Triste, Florença, Turim, Génova, Milão, Bolonha e Nápoles. Jogos correspondentes aos 1/8 de final, uma vez que contrariamente ao que havia sucedido em 1930 os jogos seriam logo a eliminar em detrimento de uma fase de grupos.
Duas equipas eram tidas então à partida, de forma quase unânime, como candidatas à vitória final, a Itália do “mão de ferro” Pozzo, como já vimos, e a Áustria, selecção conhecida na época como o Wunderteam (equipa maravilha), que era dirigida pelo célebre treinador Hugo Meisl, que tal como Pozzo era um grande adepto do estilo de futebol britânico.
Duas equipas que apresentaram no entanto duas concepções de jogo distintas, ou seja, os italianos exibindo um esquema de grande segurança defensiva (que seriam as sementes do “catanaccio”), e dispondo de rápidos e vigorosos atacantes, enquanto que os austríacos fazendo de uma técnica aprimorada o seu argumento favorito despertavam a admiração do público por toda a parte onde destilavam o seu belo futebol.
Bom, no jogo inaugural do torneio, em Roma, a Itália esmagou os frágeis Estados Unidos da América por 7-1, com Schiavio (que seria o artilheiro deste Mundial) a marcar 3 golos. Aliás, um desses golos de Schiavio foi o número 100 da história da “Copa”. Schiavio entrava desta forma para a história dos Mundiais.
Entretanto, a Áustria vencia em Turim, com dificuldade, por 3-2, a França. Apenas no prolongamento o Wunderteam de Meisl assegurou a passagem aos ¼ de final.
Mas nem todos os cabeças-de-série mostrariam o porquê de terem merecido tal distinção, já que Brasil , Argentina e Holanda seriam afastado logo à primeira, respectivamente pela Espanha (1-3 em Génova), Suécia (2-3 em Bolonha) e Suíça (2-3 em Milão). Dos apurados para os ¼ de final a Checoslováquia encontrou em Trieste grandes dificuldades perante a Roménia (2-1, com 0-1 ao intervalo). Dificuldades também foram encontradas pela Hungria para despachar o modesto Egipto, em Nápoles, por 4-2. E mesmo a Alemanha ao eliminar, em Florença, a Bélgica por 5-2, não encontrou as facilidades que o resultado possa supor.
Chegado aos ¼ de final o Mundial conheceu grandes e épicos jogos. Encontros onde os dois candidatos ao título encontraram grandes dificuldades para seguir em frente. Os austríacos venceram por 2-1 a Hungria, em Bolonha, num confronto angustiante, como afirmou a critica da altura. Em Florença deu-se uma das grandes “batalhas” deste Mundial, protagonizada pela Espanha e pela Itália. Debaixo de um calor tórrido as duas equipas enfrentaram-se durante... dois jogos. É verdade. Foram 210 minutos de intenso futebol. Um tremendo desgaste físico que deixou marcas profundas nas duas equipas. No segundo jogo, a 28 de Maio, doze dos protagonistas que na véspera tinham jogado 120 minutos (com o resultado final a ficar em 1-1) – cinco italianos e sete espanhóis, entre eles o mítico guarda-redes Zamora - não actuaram.
Bem, mas em relação à parte 1 desta célebre “batalha” , isto é, ao primeiro encontro, há que recordar que a Espanha saiu na frente com um golo de Regueiro. Com o passar dos minutos os italianos pareciam cada vez mais nervosos, dentro e fora do campo. Perante a escandalosa complacência do árbitro belga Baert, os espanhóis eram nitidamente agredidos a pontapé pelos transalpinos dentro do relvado, na sequência de jogadas violentas. Seria já quase no fim do jogo que Ferrari empatou a partida. Menos de 24 horas depois, no mesmo estádio, os dirigentes espanhóis lançaram um comunicado onde denunciavam as bárbaras agressões dos italianos que tiveram como consequência o facto de a Espanha não poder utilizar sete dos seus principais jogadores por se encontraram lesionados.
No segundo jogo a Itália venceu por 1-0, com um tento de Meazza, num jogo que foi igualmente bem durinho, como o da véspera. Um jogo onde o árbitro suíço Marcet foi, à semelhança de Baert, italiano, já que anulou dois golos limpinhos aos espanhóis. Era a mão do Dulce a funcionar. A Itália tinha de ganhar a qualquer preço.
Os restantes semi-finalistas foram a Checoslováquia (3-2 à Suíça, em Turim) e a Alemanha (2-1 à Suécia, em Milão).

Final antecipada

Nas meias-finais assistiu-se à final antecipada deste Mundial, à final desejada por todos, um Itália-Áustria. As duas favoritas em confronto. Só uma delas poderia alcançar a final. E se a Squadra Azzura estava de certa forma em desvantagem pelos efeitos devastadores da “batalha” com a Espanha na eliminatória anterior, a Áustria não o estava menos, em virtude da fadiga provocada pelos jogos com franceses e húngaros.
O jogo disputou-se em Milão, num campo completamente enlameado, que se viria a tornar num factor favorável aos italianos, mais poderosos fisicamente. De nada valeriam por isso os ataques madrugadores dos austríacos, liderados pelo mágico Mathias Sindelar, na esperança de resolver cedo os acontecimentos enquanto as forças ainda o permitiam. Contudo, o quase intransponível muro defensivo italiano composto por Combi, Alemandi, Monti e Monzegnio resistiu a todos os assaltos do Wunderteam. Guaita foi o nome do herói do dia, foi ele o autor do único golo do encontro, o golo que colocou a Azzurra na final. Os austríacos despediam-se com tristeza do Mundial, e com alguma frustração também pois já na parte final do duelo com os italianos poderiam ter tido outro destino nesta Copa caso o seu ponta-direita Zischek não tivesse falhado um golo certo, já que na altura do remate não estava ninguém na baliza italiana. Paciência. Na outra meia-final, em Roma, a Checoslováquia bateu a Alemanha por 3-1.

Final em dose dupla

Na tarde de 10 de Junho o Estádio do Partido Nacional Fascista apresentava-se cheio como um ovo, esperando uma natural vitória da Azzurra. 30 000 pessoas aguardavam pelo momento em que iriam finalmente festejar o mais do que sonhado título mundial. Aliás, foi necessário recorrer-se à montagem de bancadas suplementares, visto que milhares de espectadores empoleiraram-se em vigas e traves sobre o terreno de jogo.
Na tribuna de honra lá estava Mussolini, rodeados de inúmeros símbolos alusivos ao fascismo, saudado pelos seus compatriotas como se de um Deus se tratasse. Todos esperavam a vitória dos italianos. Mas, nem tudo foi tão fácil como seria de esperar. Os checos não se deixariam intimidar, eram também uma formação muito forte e temida, onde pontificava o grande guardião Planicka.
Aliás, este foi talvez o Campeonato do Mundo que juntou num só torneio três dos melhores guarda-redes de todos os tempos, nomeadamente o italiano Combi, o espanhol Zamora e o checo Planicka. Três mitos da baliza.
A Itália entrou em campo a todo o gás, desfiando de imediato o seu venenoso ataque suportado por uma sólida defesa. Contudo, na “hora H” deparavam-se sempre com um autêntico muro de betão, o guarda-redes Planicka, que esteve soberbo nesta final. E aos 70 minutos o Estádio do Partido Nacional Fascista ficou em completo e gélido silêncio quando na sequência de um pontapé de canto Puc, de costas para a baliza, disparou com alguma violência à meia volta para o fundo das redes de Combi. Surpresa das surpresas, os checos estavam em vantagem.
O terror tomou conta da massa adepta Azzurra. Em luta contra o tempo os italianos tentarem então desesperadamente chegar ao tento da igualdade, aumentando o seu ritmo de incursões à baliza de Planicka. Os defesas checos Zenisek e Styroky limpavam a sua área de qualquer maneira, mal avistassem a bola perto da sua zona tratavam de a despachar de todos as maneiras e feitios sem grandes rodriguinhos.
O assalto dos azzurros ganhava com o passar dos minutos contornos mais intensos e sufocantes para os checos. Até que a cinco minutos do final o esperado golo italiano surgiu, quando já poucos acreditavam nele, por intermédio do ítalo-argentino Orsi. Tudo voltava assim ao principio para alívio dos italianos e de... Mussolini.
No prolongamento os italianos foram mais fortes em termos físicos, e continuaram a tomar de assalto a baliza checa. O “milagre” surgiu por intermédio do avançado-centro Schiavio.
Após o apito final do sueco Eklind a multidão explodiu de emoção: A SQUADRA AZZURRA ERA CAMPEÃ DO MUNDO.
Mussolini podia sorrir, a sua Itália vencera... o fascino era “campeão do Mundo”. Ainda hoje os teóricos do futebol afirmam que este Mundial foi vencido pelo fascismo e não pelos jogadores italianos. É certo que a Itália fora escandalosamente beneficiada pelos árbitros nos duelos com a Espanha, nos ¼ de final, mas não podemos tirar mérito a super craques como Meazza, Orsi, Schiavio e Combi que sobe a batuta do maestro Pozzo encantaram o mundo com o seu futebol. Mussolini mandou entregar aos seus heróis medalhas de ouro, e correram rumores de que deu igualmente a cada um prémio de 10 000 liras.
Em termos de bilheteira este Mundial foi considerado um êxito, já que rendeu quatro milhões de liras, isto sem contar com os valores das transmissões pagos pela rádio e pelo cinema.


Factos e curiosidades


-395 000 espectadores marcaram presença no Itália 34. Cada jogo teve uma média de 24 000 espectadores. Foram apontados 70 golos (média de 4,11 golo por jogo)

-O italiano Luigi Bertolini, um notável cabeceador, disputou o torneio com um lenço branco amarrado à cabeça. Explicou isto com o facto de as grosseiras costuras da bola ferirem a testa dos jogadores...

-O austríaco Anton Schall foi o primeiro jogador a marcar um golo no prolongamento de um jogo de uma fase final de um Mundial. Aconteceu a 27 de Maio, em Turim, no Áustria-França, que terminou com a vitória dos primeiros por 3-2. Schall apontou o golo do triunfo, um tento mal validado, uma vez que o jogador estava em claríssimo fora de jogo, como o próprio admitiu mais tarde.

-Dois futebolistas que estiveram presentes no Itália 34 tiveram descendentes que mais tarde também jogariam em fases finais do Mundial, casos do espanhol Martin Vantolra e do francês Roger Rio. O primeiro viu o filho, José Vantolra, jogar no México 70, enquanto que o segundo viu o rebento, Patrice Rio, actuar pela selecção gaulesa no Argentina 78.

-Abriu gás quando pressentiu Hitler: A estrela maior da Áustria era, como já referimos, Matthias Sindelar, o “homem de papel” como ficou mundialmente conhecido pela sua figura alta, esguia e de aspecto frágil. Deixou marcas do seu perfume e poder de tiro espalhadas pelos relvados de Itália. A sua Áustria ficou-se pelo 4º lugar da prova, mas nem isso ofuscou o brilho de Sindelar neste Mundial. Passou quase toda a sua carreira pelo FK Austria, onde venceu 3 campeonatos e 2 Taças Mitropa (uma das competições que mais tarde deu origem à Taça dos Clubes Campeões Europeus). Foi um colega seu nazi quem lançou o boato de que Matthias era judeu. Um boato que haveria de levar o “homem de papel” à morte. Isto porque quando se apercebeu que Hitler avançava a caminho de Viena antecipou-se à sua sentença e abriu as torneias de gás do seu quarto. Suicidara-se. Tinha 36 anos. Mais tarde ficaria a saber-se que nem judeu era! A notícia da sua morte abalou Viena, e uma multidão incorporou-se no seu funeral.

-Faltavam apenas cinco minutos para soar o último apito da final entre Itália e Checoslováquia. A Azzurra perdia por 0-1. Orsi recebeu a bola de Guaita, fintou um checo com o pé esquerdo e rematou com o direito. A bola ainda bateu nas mãos de Planicka mas só parou no fundo das redes. A Itália acabava de garantir o prolongamento. O curioso no meio disto tudo é que no dia seguinte à final, e perante um batalhão de fotógrafos, Orsi fez mais de 20 tentativas para executar o gesto técnico que na véspera valera o golo do empate, mas não conseguiu repeti-o!

-Vitória ou morte: Rezam as crónicas da altura que minutos antes de Itália e Checoslováquia entrarem em campo para disputar a final foi entregue no balneário italiano um bilhete assinado por Benito Mussolini onde se podia ler: “vitória ou morte”! Não se sabe porém se a ser verdade esta história a intimidação funcionou como um impulso para a Squadra Azzurra. Porém, Vittorio Pozzo no final do encontro era um homem visivelmente aliviado, tendo dito que “como é belo o futebol quando se ganha, e como teria sido terrível perder este jogo”.

-Africanos entram na alta roda do futebol: Pela primeira vez na história uma equipa africana participava na fase final de um Mundial. Tal façanha foi conseguida pelo Egipto. Mesmo eliminados na 1ª eliminatória pelos poderosos húngaros os egípcios ficariam também para a história como sendo a primeira equipa do continente negro a apontar um golo numa fase final. Tal honra pertenceu ao avançado Abdel Fawzi.

Resultados e Classificações

Oitavos-de-final

27 de Maio, Turim
Áustria – França 3-2 (após prolongamento)
(Sindelar, 45’; Schall, 100’ e Bican, 112’)
(Nicolas, 18’ e Verriest, 117 de g.p.)

Vídeo: ITÁLIA - ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
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27 de Maio, Roma
Itália – Estados Unidos da América 7-1
(Schiavio, 18’, 29’ e 64’; Orsi, 20’ e 69’; Ferrari, 63’ e Meazza, 89’)
(Donelli, 57’)

27 de Maio, Florença
Alemanha – Bélgica 5-2
(Kobierski, 18’, Siffling, 56’; Conen, 73’, 77’ e 88’)
(Voorhoof, 24’ e 35’)

27 de Maio, Trieste
Checoslováquia – Roménia 2-1
(Puc, 61’ e Nejeldy, 73’)
(Dobai, 37’)

27 de Maio, Milão
Suíça – Holanda 3-2
(Kielholz, 10’ e 36’; Abbeglen, 57’)
(Smit, 23’ e Vente, 80’)

27 de Maio, Bolonha
Suécia – Argentina 3-2
(Joansson, 33’ e 67’ e Kroon, 80’)
(Belis, 16’ e Galateo, 49’)

27 de Maio, Génova
Espanha – Brasil 3-1
(Chato, 16’ de g.p. e 26’; e Langara, 41’)
(Leónidas, 72’)

27 de Maio, Nápoles
Hungria – Egipto 4-2
(Teleki, 7’; Toldi, 18’ e 87’ e Vincze,57’)
(Fawzi, 26’ e 42’)

Quartos-de-final

31 de Maio, Bolonha
Áustria – Hungria 2-1
(Horvath, 27’ e Zischek, 71’)
(Sarosi, 80’ de g.p.)

31 de Maio, Turim
Checoslováquia – Suíça 3-2
(Svodoba, 36’ e 55’ e Nejedly, 84’)
(Kielhoz, 18’ e Jaeggi, 64’)

31 de Maio, Milão
Alemanha – Suécia 2-1
(Hohmann, 57’ e 74’)
(Dunker, 85’)

Vídeos: ITÁLIA - ESPANHA
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31 de Maio, Florença
Itália – Espanha 1-1 (após prolongamento)
(Ferrari, 45’)
(Regueiro, 31’)

1 de Junho, Florença
Itália – Espanha (jogo de repetição) 1-0
(Meazza, 12’)

Meias- finais

Vídeo: ITÁLIA - ÁUSTRIA
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3 de Junho, Milão
Itália – Áustria 1-0
(Guaita, 10’)

3 de Junho, Roma
Checoslováquia – Alemanha 3-1
(Nejedly, 19’ e 80’ e Krcil, 71’)
(Noack, 62’)

Terceiro e quarto lugares

7 de Junho, Nápoles
Alemanha – Áustria 3-2
(Lehner 1’ e 40’ e Conen, 15’)
(Horvath, 35’ e Sesta, 63’)

FINAL

10 de Junho
Estádio do Partido Nacional Fascista, Roma
Assistência: cerca de 75 000 espectadores
Árbitro: Ivan Eklind (Suécia)

Itália – Combi (cap.) Monzeglio, Allemandi e Ferraris; Monti e Bertolini; Guaita, Meazza, Schiavio, Ferrari e Orsi. Treinador: Vitorio Pozzo

Checoslováquia – Planicka (cap.), Zenizek e Ctyroky; Kostalek, Cambal e Krcil; Junek, Svoboba, Sobotka, Nejedly e Puc. Treinador: Karel Petru

Golos: Puc (76’), Orsi (85’) e Schiavio (95’)

Vídeo: FINAL DO CAMPEONATO DO MUNDO DE 1934: ITÁLIA - CHECOSLOVÁQUIA

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Melhor marcador:

Schiavio (Itália) – 4 golos

Onze tipo do torneio:

Planicka (Checoslováquia)
Allemandi (Itália)
Monzeglio (itália)
Puc (Checoslováquia)
Sindelar (Áustria)
Monti (Itália)
Conen (Alemanha)
Nejedly (Checoslováquia)
Schiavio (Itália)
Meazza (Itália)
Orsi (Itália)

Os campeões do Mundo:
5 jogos: Combi, Allemandi, Orsi, Meazza e Monti
4 jogos: Bertolini, Ferrari, Guaita, Monzeglio e Schiavio
3 jogos: Ferraris
2 jogos: Pizziolo
1 jogo: Borel, Castellazzi, Demaria, Guarisi e Rosetta
não utilizados: Arcari, Calagaris, Cavanna e Varglien

Onze base

Táctica (3x2x5)
Guarda-redes: Combi
Defesas: Allemandi, Monzeglio e Ferraris
Médios: Monti e Bertolini
Avançados: Guaita, Meazza, Schiavio, Orsi e Ferrari
Os golos dos campões:

4 golos: Schiavio
3 golos: Orsi
2 golos: Ferrari e Meazza
1 golos: Guaita

Legenda das fotografias:

1- Logotipo oficial do Itália 1934

2- O "onze" da Itália que pela primeira vez venceu um Campeonato do Mundo
3- O comandante da Squadra Azzurra: Vittorio Pozzo

4- A equipa do Brasil que à semelhança do Mundial 1930 voltou a desiludir... e muito
5- Brasileiros treinam no convés do navio em que fizeram a longa viajem até Itália

6- Fase do encontro entre a Espanha e o Brasil

7- A camisola que a equipa dos Estados Unidos da América usou no Itália 34, exposta no National Soccer Hall, em Oneonta

8- O "onze" checo que defrontou a Itália na final do Mundial

9- O austríaco Horvath marca um dos golos com que a sua equipa derrotou a Hungria nos 1/4 de final

10- Uma das melhores equipas do Mundo das década de 20 e 30, a Áustria, conhecida como o Wunderteam

11- Para surpresa de todos Puc coloca a Checoslováquia em vantagem na final

12- Pozzo dá instruções aos seus jogadores antes do início do prolongamento da final

13- Festejos dos jogadores italianos: A SQUADRA AZZURRA ERA A DONA DO MUNDO

14- O "homem de papel", Matthias Sindelar, a estrela da equipa da Áustria

15- fase do jogo entre a Checoslováquia e a Roménia, com o guardião checo Planicka a controlar o lance

16- Guardião sueco afasta a bola da sua área durante o jogo com a Argentina

17- Fase do jogo entre Checoslováquia e Suíça

18- Dois mitos das balizas, Combi e Zamora

19 -Capitães da Alemanha e Checoslováquia cumprimentam-se antes do encontro que opôs as duas equipas nas meias-finais
20- O Estádio do Partido Nacional Fascista, em Roma, local da final do Mundial 34

21- O melhor marcador do Mundial 1934, o italiano Schiavio

22 - Planicka (Checoslováquia) recebe o prémio de melhor guarda-redes da prova

23- A grande estrela da Itália: Giuseppe Meazza

sexta-feira, maio 11, 2007

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (2)... Bernardino Barros

De novo no cantinho dedicado aos grandes mestres do jornalismo desportivo vou hoje fazer uma breve referência – homenagem, se preferirem - a uma das actuais figuras de vulto desta área. Falo de Bernardino Barros, o popular BB, uma figura por quem nutro uma grande admiração enquanto profissional da Comunicação Social desportiva.
Um homem do norte, que – quanto a mim – segue as pisadas de ilustres personalidades como Mestre Cândido de Oliveira (o maior de todos os jornalistas desportivos, na minha modesta opinião), Ribeiro dos Reis, Vítor Santos, Artur Agostinho, Homero Serpa, Carlos Pinhão, Rui Tovar, David Borges, entre outros.
Nascido em Vila Real, a 6 de Novembro de 1955, Bernardino Barros desde cedo se deixou “enfeitiçar” pelo bichinho do jornalismo desportivo. Com 20 anos começou a trabalhar no jornal O Norte Desportivo, onde permanceu até 1979. Paralelamente desempenhou outras actividades profissionais díspares do jornalismo, pelo que só em 1985 regressou às lides da escrita, desta feita no jornal O Comércio do Porto, na qualidade de redactor de futebol e basquetebol.
Em 1991 travou conhecimento com o seu grande amor dentro da área da Comunicação Social, a rádio. Foi aqui que se deu verdadeiramente a conhecer aos amantes do desporto, e em particular do futebol, através da sua inconfundível e notável voz. A ela aliou os seus infinitos e sábios conhecimentos do mundo da bola, que fizeram - e continuam a fazer - dele um dos mais prestigiados jornalistas desportivos deste país. Na rádio começou na TSF, “transferindo-se” em 2003 para a Renascença, onde ainda se mantém.
E às “aventuras” nos jornais e nas rádios Bernardino Barros juntou a experiência na televisão, sendo que desde 1999 é um “habitué”, na qualidade de comentador, em jogos de futebol transmitidos pela “caixinha mágica”, tendo aqui colaborado com a RTP, SIC e Sport TV. Neste campo as suas qualidades ficaram bem vincadas e não foi de estranhar que a televisão regional NTV, aquando da sua breve aparição, o tivesse “contratado” para ser um dos rostos da secção de desporto, tendo então apresentado o programa NJogadas.
O regresso aos jornais, e desta feita a tempo inteiro, deu-se em 2004, altura em que foi convidado pelo director d' O Comércio do Porto, Rogério Gomes, para ser o editor de desporto do diário portuense. Cargo que desempenhou com grande brilhantismo até ao fecho daquele jornal em meados de 2005. E em 2006 Bernardino Barros volta aos ecrãs, desta feita através do novo canal regional Porto Canal, onde assume o papel de editor de desporto. Neste jovem canal regional destacam-se a qualidade de programas – por si criados e que eu não perco por nada deste mundo – como os Comentários do BB e a A Bola é Redonda, onde o popular BB aplica com grande mestria os seus vastos conhecimentos desportivos. Um SENHOR!