Paulo INNOCENTI (Brasil): O futebolista brasileiro é visto globalmente como um diamante raro alvo de desejo generalizado. Poucos serão os países dos cinco continentes que não veneram hoje em dia nos seus retângulos de jogo um artista proveniente de Terras de Vera Cruz. A esse propósito abrimos hoje as portas do Museu para recordar aquele que foi o primeiro futebolista nascido no Brasil a transpor as fronteiras do seu país rumo a outras paragens, por outras palavras, o primeiro emigrante do futebol brasileiro a atuar no estrangeiro. Paulo Innocenti é o seu nome. Descendente de imigrantes italiano, Paulo veio ao Mundo a 11 de março de 1902, tendo como berço o Rio Grande do Sul, mas seria na grande cidade de São Paulo que se projetou no então muito jovem futebol brasileiro. Foi com a camisola do Paulistano, o então gigante do futebol paulista onde pontificava o lendário Arthur Friedenreich, que Innocenti deu os primeiros passos mais a sério na modalidade, tendo integrado a equipa que venceu o campeonato paulista de 1921, precisamente o ano em que este descendente de italianos vestiu pela primeira vez a camisola do emblema de São Paulo. Ali permaneceu até 1923, altura em que decide atravessar o Atlântico rumo à pátria da sua família, e mais concretamente até Bologna, para defender as cores do modesto Virtus durante a temporada de 1923/24. Quiçá sem se aperceber na altura, Paulo Innocenti entrava na história, ao tornar-se no primeiro jogador nascido no Brasil a atuar além fronteiras. Posicionando-se no terreno de jogo como defesa (na maior parte das vezes lateral) Innocenti destacou-se pelas suas qualidades desde pronto, e não seria de estranhar que o lendário mestre da tática Hermann Felsner, o arquiteto d' Il Grande Bologna, o chamasse para representar o emblema mais popular da cidade e um dos mais poderosos do calcio daquela época, precisamente o Bologna FC, onde sobressaiam nomes como Mario Gianni, Della Valle, ou o astro Angelo Schiavio. Nas duas temporadas (24/25 e 25/26) que envergou a maglia rosso blu o ítalo-brasileiro contribuiu para a conquista do scudetto de 1924/25, participando em 13 jogos dessa campanha vitoriosa. Posto isto decide em 1926 abraçar um novo projeto que acabava de ver a luz do dia no sul de Itália: a Sociatà Sportiva Calcio Napoli, fundada a 1 de agosto desse ano. Pippone, alcunha que entretanto arrecadou no país da bota devido ao formato pontiagudo do seu nariz, faz parte da história do Napoli, não só por ter tido a honra de ser o capitão de equipa no primeiro jogo oficial que os napolitanos efetuaram - ante o Inter de Milão - como também por ter sido o autor do primeiro golo da vida daquele emblema - ante o Genoa. Nas dez temporadas que jogou em Nápoles, Innocenti fez mais de 200 jogos com o clube, tendo inclusive sido neste período que atuou pela seleção nacional B italiana - já que ele um oriundi (descendente) - em quatro ocasiões. Após abandonar a carreira de futebolista em 1937, Paulo - ou Paolo para os italianos - Innocenti desapareceu praticamente do mapa futebolístico, continuando no entanto a viver em Nápoles, cidade a que passou a chamar de casa. Até que em 1943 é convidado pelo Napoli a substituir o então treinador Antonio Vojak, numa altura em que o clube se encontrava a competir na Serie B - segundo escalão do calcio. A aventura no banco seria curta, e pouco depois Pippone voltaria à sua condição de habitante anónimo de Nápoles até à hora da sua morte - devido a um ataque cardíaco - em 1983, curiosamente um ano antes de a cidade começar a viver sob os desígnios de D10S - Diego Armando Maradona.
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segunda-feira, março 13, 2017
quarta-feira, junho 08, 2016
Copa América (6)... Brasil 1922
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Um aspeto do Estádio das Laranjeiras, na abertura do Campeonato Sul-Americano de 1922 |
A bola começou a rolar...
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Brasileiros e paraguaios antes do jogo decisivo da Copa de 22 |
Seis dias depois os chilenos - que regressavam ao torneio após terem estado ausentes na edição anterior - defrontaram o Uruguai, quiçá a grande potência do futebol sul-americano de então, mas que se apresentava no Rio sem jogadores do Peñarol, devido a divergências entre este clube e a federação daquele país. Mesmo sem algumas das suas principais estrelas, entre outros o maestro Piendibene, os uruguaios deram boa conta de si, e ainda antes dos 20 minutos já venciam por 2-0, resultado com que foi finalizado o duelo.
Um dia depois, cerca de 22.000 pessoas aguardavam ansiosamente nas bancadas das Laranjeiras a primeira vitória do time da casa, diante do Paraguai. Porém, as piores notícias confirmavam-se: Friedenreich não iria jogar. O craque não recuperou da lesão sofrida no jogo de estreia, e o treinador/jogador Laís optou por reservá-lo para o teoricamente complicado encontro com o Uruguai, na ronda seguinte. A ausência de Fried parece ter afetado o onze do Brasil, que logo aos 14 minutos viu Gerardo Rivas adiantar os paraguaios no marcador. Os brasileiros correram então atrás do prejuízo, mas só à passagem do minuto 71 chegariam à igualdade na sequência de um remate certeiro de Amílcar. Uma espécie de Argentina B esmagou no dia 28 de setembro o Chile por 4-0, com o destaque individual a ir para o avançado Juan Francia, autor de dois dos tentos da turma das Pampas, ele que haveria de sair do Brasil consagrado como o goleador do torneio, com quatro tentos.
Um "Brasil - Uruguai" que entrou para a História
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Claudio Sapelli |
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A seleção uruguaia que abandonou o campeonato em protesto face à arbitragem parcial do brasileiro Pedro Santos |
Uruguaios desistem e Brasil vence o Paraguai na negra
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Neco,um dos atores principais do ceptro de 1922 |
A figura: Juan Francia
Já aqui foi referido que a Argentina apresentou-se no Rio de Janeiro para disputar a sexta edição do Campeonato Sul-Americano desfalcada de alguns dos seus melhores jogadores, facto que muito terá contribuído para o modesto 4º lugar final. Porém, um nome acabaria por se destacar no elenco das Pampas: Juan Francia, o melhor marcador do torneio, com quatro golos. Nascido em 1894, Francia destacou-se em várias equipas de Rosario, vestindo a pele de um ágil e tecnicamente talentoso extremo esquerdo. Gimnasia e Esgrima, Rosario Puerto Belgrano, Tiro Federal, ou Newell's Old Boys foram alguns dos emblemas que o atleta defendeu entre 1915 e 1931. Em 1918 faz a sua estreia internacional, num encontro ante o rival Uruguai, a contar para a Copa Honor Argentino, e quatro anos mais tarde é um dos convocados do treinador/jogador Americo Tesoriere para defender no Rio de Janeiro o título continental conquistado um ano antes em Buenos Aires. Este foi mesmo o seu momento de fama com o manto alvi celeste, já que depois deste campeonato apenas por mais duas ocasiões atuou pelo combinado nacional.
Nomes e números:
17 de setembro de 1922
Brasil – Chile: 1-1
(Tatú, aos 9m)
(Manuel Bravo, aos 41m)
23 de setembro de 1922
Uruguai – Chile: 2-0
(Heguy, aos 10m e Urdinarán, aos 19m)
24 de setembro de 1922
Brasil – Paraguai: 1-1
(Amílcar, aos 71m)
(Rivas, aos 14m)
28 de setembro de 1922
Argentina – Chile: 4-0
(Francia, aos 36m e 41m, Chiessa, aos 10m, e Gaslini, aos 75)
1 de outubro de 1922
Brasil – Uruguai: 0-0
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Paraguai, a seleção sensação da Copa de 1922 |
5 de outubro de 1922
Paraguai – Chile: 3-0
(Ramírez, aos 37m, López, aos 65m, e Fretes, aos 78m)
8 de Outubro de 1922
Uruguai – Argentina: 1-0
(Buffoni, aos 43m)
12 de outubro de 1922
Paraguai – Uruguai: 1-0
(Elizeche, aos 7m)
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Capitães da Argentina e do Brasil trocam flores antes do embate |
15 de outubro de 1922
Brasil – Argentina: 2-0
(Neco, aos 42m, e Amílcar, aos 86m)
18 de outubro de 1922
Argentina – Paraguai: 2-0
(Francia, aos 63m, e aos 79m)
Classificação:
1º Brasil: 5 pontos
2º Paraguai: 5 pontos
3º Uruguai: 5 pontos
4º Argentina: 4 pontos
5º Chile: 1 ponto
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A seleção do Brasil que em 1922 conquistou em casa o segundo campeonato Sul-Americano da sua história |
Play-off de apuramento do campeão
22 de outubro de 1922
Brasil - Paraguai: 3-0
(Formiga, aos 48m, e aos 89m, Neco, aos 11m)
segunda-feira, abril 21, 2014
Histórias do Planeta da Bola (3)... O pontapé de saída de uma paixão centenária
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Imagem histórica do primeiro jogo da seleção brasileira |
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O histórico onze brasileiro composto por: Píndaro, Marcos, e Nery (fila de cima); Sylvio Lagreca, Rubens Salles, e Rolando (fila do meio); Osvaldo Gomes, Abelardo, Friedenreich, Osman, e Formiga |
Orientada sob o ponto de vista técnico por dois desses onze craques nacionais, nomeadamente Sylvio Lagreca e Rubens Salles, a seleção venceria os profissionais ingleses por 2-0, graças a golos de Oswaldo Gomes, e Osman, que levaram ao delírio um grupo de cerca de 3000 adeptos, que de pé, em volta do retângulo de jogo, bem aperaltados - reza a lenda que os torcedores tiraram dos armários os seus melhores fatos para ver jogar os mestres ingleses, os inventores do futebol moderno - presenciaram um momento histórico. Quanto ao jogo em si, e ainda de acordo com os poucos relatos da época, a técnica brasileira levou a melhor sobre a dureza britânica, sendo que uma das principais estrelas do team da casa, Arthur Friedenreich, chegou mesmo a perder dois dentes (!) após uma entrada violenta de um defensor europeu.
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Brasileiros tentam chegar ao gol... |
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Goleiro Marcos atento a mais uma investida dos mestres ingleses à sua baliza |
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O team inglês do Exeter City |
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A estrela brasileira Friedenreich sai do campo com... menos dois dentes! |
Há 100 anos atrás este pode até ter sido um jogo banal para o emblema inglês, mas hoje... ele assume contornos de glória e de uma certa vaidade, pois eles foram os primeiros adversários da famosa seleção do Brasil, que nesse dia histórico trajou de camisola branca com mangas azuis, calções brancos, e meias pretas. Eternos são pois os nomes dos onze pioneiros que iniciaram o percurso lendário daquela que para muitos é a seleção mais virtuosa da história do futebol.
Marcos Carneiro de Mendonça: Mais do que ter sido o primeiro homem a defender a baliza da seleção, Marcos foi para muitos o primeiro grande goleiro brasileiro. Viveu na mesma época de lendas como Friedenreich, ou Neco, e com eles rivalizou em termos de pouplaridade. Nasceu no dia de Natal de 1894, em Cataguases (Estado de Minas Gerais), tendo iniciado uma brilhante carreira no Haddock Lobo, em 1907, então popular emblema do famoso bairro carioca da Tijuca que mais tarde viria a fundir-se com o América do Rio. Ao serviço deste clube Marcos venceu o seu primeiro título, o campeonato carioca de 1913, ceptro alcançado contra aquele que viria a ser o emblema da sua vida, o Fluminense. O casamento com o Flu dá-se em 1914, precisamente o ano em que a seleção efetuou o seu primeiro desafio, tendo permanecido nas Laranjeiras (casa do Fluminense) até 1922, ano em que encerrou a carreira. Pelo tricolor carioca atuou em 127 ocasiões e foi por três vezes campeão estadual (1917, 1918, e 1919). Ao serviço do Brasil ele ainda hoje detém o recorde do goleiro mais jovem e vestir a camisola da seleção, facto ocorrido extamente no dia 21 de julho de 1914, quando o Brasil efetuou o seu primeiro jogo. Marcos tinha então 19 anos. Pelo combinado nacional ele iria brilhar noutros episódios da história, como por exemplo em 1919, ano em que o Brasil vence o seu primeiro Campeonato Sul-Americano - hoje demominado de Copa América. Iria repetir a vitória na maior competição de seleções da América do Sul três anos mais tarde, precisamente no ano (1922) em que decidiu parar de jogar, tendo anos mais tarde assumido a presidência do seu Fluminense, cargo que desempenhou com orgulho em simultâneo com o de historiador. Viria a falecer no Rio de Janeiro a 19 de outubro de 1988.
Píndaro de Carvalho: Viveu a sua carreira de jogador entre os dois eternos inimigos do Rio de Janeiro, o Flamengo e o Fluminense. Exibiu-se com destaque ao lado de Nery na zaga brasileira naquela história tarde de 21 de julho de 1914, anulando com classe as investidas dos mestres ingleses à baliza de Marcos. Píndaro de Carvalho Rodrigues nasceu em São Paulo a 1 de junho de 1892, tendo entre 1910 e 1911 vestido a camisola do Fluminense, clube por quem atuou em nove ocasiões. Depois disso mudou-se para o rival Flamengo, onde viria a construir uma pomposa carreira até 1922, altura em que decidiu parar de jogar. Ao serviço do Mengão foi tetra campeão carioca (1914, 1915, 1920, e 1921), sendo que com a seleção viveu a sua maior alegria quando em 1919 foi um dos responsáveis pela conquista do Campeonato Sul-Americano, na sequência de um duelo emocionante - e desgastante - ante o Uruguai, realizado precisamente nas Laranjeiras, onde o combinado nacional brasileiro fez a sua primeira aparição internacional. Como treinador a página mais brilhante da carreira de Píndaro foi escrita em 1930, quando dirigiu a seleção brasileira no primeiro Campeonato do Mundo da FIFA, realizado no Uruguai. Brilhante é modo de dizer, já que a seleção teve uma atuação dececionante, não conseguindo passar da fase de grupos! Nem sempre os bons jogadores dão em bons mestres da tática. Píndaro de Carvalho que o diga.
Nery: Do Flamengo para a primeira seleção, eis a dupla de defesas composta por Píndaro de Carvalho e Nery. Considerados os defesas mais completos do futebol brasileiro daquele tempo ambos deram boa conta das investidas inglesas ao goal de Marcos naquele lendário dia 21 de julho. Emanuel Augusto Nery nasceu a 25 de dezembro de 1892 no Rio de Janeiro, e tal como o seu parceiro de zaga, Píndaro de Carvalho, começou a sua carreira em 1910, no Fluminense, onde apenas - e à semelhança de Píndaro - permaneceu até 1911, já que um desentendimento com a equipa técnica do tricolor carioca fez com que nove jogadores - Nery e Píndaro foram dois deles - abandonassem o barco. Remaram então até ao Flamengo, clube que na altura se dedicava somente ao...remo. Ali chegados instituiram a secção de futebol, e o resto é... história. Ao serviço daquele que com o passar dos tempos haveria de ser tornar no emblema mais pouplar do Brasil, Nery venceu dois campeonatos estaduais (1914, e 1915) antes de se retirar os retângulos de jogo em 1919. Faleceu a 5 de novembro de 1927.
Sylvio Lagreca: Foi uma figura multifacetada dos primeiros anos do futebol brasileiro. De jogador, passando por treinador, e terminando em árbitro, Lagreca fez um pouco de tudo. Juntamente com o seu companheiro de equipa Rubens Salles ele foi o treinador da seleção brasileira no célebre confronto com a equipa inglesa do Exeter City.
Voltaria a desempenhar o cargo - acumulado com o de jogador - nas primeiras duas edições do Campeonato Sul-Americando, em 1916, e 1917. Jogou a maior parte da sua carreira na Associação Atlética de São Bento, clube do Estado de São Paulo, cidade esta onde viria a falecer a 29 de abril de 1966.
Rubens Salles: Foi o outro técnico da seleção no embate ante o Exeter City. Tal como Lagreca atuava como médio, e é tido a par de nomes como Friedenreich, de Neco, e do prórpio pai do futebol brasileiro, Charles Miller, como um dos melhores atletas dos primeiros anos de reinado da modalidade em terras de Vera Cruz. Nascido a 14 de outubro de 1891 na cidade paulista de São Manuel, Salles atuou toda a sua carreira no Paulistano, um dos melhores emblemas paulistas - e do restante território do Brasil - do primeiro quarto do século XX. Por seis vezes foi campeão paulista ao serviço deste clube (1908, 1913, 1916, 1917, 1918, e 1919), e reza a lenda que era perito em executar passes de profundidade com extrema perícia. Abandonou os relvados em 1920 para abraçar a carreira de treinador - a tempo inteiro - em 1930, guiando o São Paulo ao título de campeão paulista em 1931.
Rolando: Sobre o doutor Rolando de Lamare pouca informação existe em torno da sua relação com a bola. Sabe-se apenas que foi um dos imortais que participou no encontro ante o Exeter City, e que foi três vezes campeão estadual pelo Botafogo (1907, 1910, e 1912), antes de se formar em medicina e assumir uma distinta carreira como médico urulogista e professor universitário.
Abelardo: Colocando em campo uma tática para lá de ofensiva, como traduz o 2-3-5 usado, a primeira seleção brasileira tinha em Abelardo o seu primeiro homem na hora de atacar a baliza inglesa. Aberlado de Lamare, familiar - não se sabe qual o grau de parentesco - de Rolando, era um avançdo robusto, dizem até que bastante duro na hora de disputar os lances com os adversários, o que lhe terá valido alguns castigos ao longo da carreira.
Era senhor de um remate poderoso, que fizeram dele, por exemplo, o melhor marcador do campeonato carioca de 1910 ao serviço do Botafogo.
Oswaldo Gomes: Para a eternidade o seu nome irá ser lembrado na história do futebol brasileiro... e internacional, porque não dizê-lo?!. Dos seus pés nasceu o primeiro golo da história da seleção, quando decorria o minuto 20 do embate com o Exeter City. Nasceu precisamente na cidade onde este facto histórico foi registado, o Rio de Janeiro, a 30 de abril de 1888. O seu nome assume contornos de lenda não só para o combinado nacional como também para o Fluminense, o seu clube de sempre, no qual conquistou oito títulos de campeão estadual (1906, 1907, 1908, 1909, 1911, 1971, 1918, e 1919), que fazem com que seja o jogador mais titulado da história do Cariocão. Disputou quase 200 jogos (189 para sermos mais precisos) pelo Flu e apontou 38 golos.
Fora dos relvados distingiu-se como presidente da Confederação Brasileira dos Desportos, precisamente um ano depois de ter comandado - na qualidade de treinador - a seleção no Campeonato Sul-Americano.
Arthur Friendenreich: Sobre a primeira grande estrela do futebol brasileiro - e um dos primeiros astros do futebol global - já muito se escreveu no Museu Virtual do Futebol. Porém nunca será por demais recordar que este filho de pai alemão e mãe brasileira, nascido em São Paulo a 18 de julho de 1892, começou a destacar-se pela imaginação, técnica, estilo e pela capacidade de improvisar. Em 1919 foi apelidado pelos uruguaios de El Tigre por ter encantado as multidões com o seu futebol arte na Copa América que nesse ano foi conquistada precisamente pelo Brasil comandado por Friedenreich.
Sobre a sua figura há uma dúvida que ainda hoje paira no ar, ou seja, será ele o maior goleador de todos os tempos? Há quem diga que sim e há quem diga que não. Uma dúvida que infelizmente não pode ser desfeita, já que existem poucos, ou mesmo nenhuns, dados que provem que Fried tem mais golos do que Pelé, que é, como se sabe, oficialmente considerado pela FIFA como o jogador que fez mais golos na história do futebol. Reza a lenda que El Tigre terá marcado 1239 golos.
Era senhor de um remate poderoso, que fizeram dele, por exemplo, o melhor marcador do campeonato carioca de 1910 ao serviço do Botafogo.
Oswaldo Gomes: Para a eternidade o seu nome irá ser lembrado na história do futebol brasileiro... e internacional, porque não dizê-lo?!. Dos seus pés nasceu o primeiro golo da história da seleção, quando decorria o minuto 20 do embate com o Exeter City. Nasceu precisamente na cidade onde este facto histórico foi registado, o Rio de Janeiro, a 30 de abril de 1888. O seu nome assume contornos de lenda não só para o combinado nacional como também para o Fluminense, o seu clube de sempre, no qual conquistou oito títulos de campeão estadual (1906, 1907, 1908, 1909, 1911, 1971, 1918, e 1919), que fazem com que seja o jogador mais titulado da história do Cariocão. Disputou quase 200 jogos (189 para sermos mais precisos) pelo Flu e apontou 38 golos.
Fora dos relvados distingiu-se como presidente da Confederação Brasileira dos Desportos, precisamente um ano depois de ter comandado - na qualidade de treinador - a seleção no Campeonato Sul-Americano.
Arthur Friendenreich: Sobre a primeira grande estrela do futebol brasileiro - e um dos primeiros astros do futebol global - já muito se escreveu no Museu Virtual do Futebol. Porém nunca será por demais recordar que este filho de pai alemão e mãe brasileira, nascido em São Paulo a 18 de julho de 1892, começou a destacar-se pela imaginação, técnica, estilo e pela capacidade de improvisar. Em 1919 foi apelidado pelos uruguaios de El Tigre por ter encantado as multidões com o seu futebol arte na Copa América que nesse ano foi conquistada precisamente pelo Brasil comandado por Friedenreich.
Jogava como avançado-centro,
e foi o inventor de novas e belas jogadas no na altura jovem futebol
brasileiro, como o drible curto e a finta de corpo.
Foi campeão paulista em sete
ocasiões, seis das quais ao serviço do Paulistano, e outra pelo São
Paulo da Floresta (clube que anos mais tarde se viria a chamar São Paulo
FC). Por oito vezes foi o melhor marcador do campeonato paulista, a
maior parte delas envergando as cores do Paulistano.
Era considerado pelos
cronistas da altura como um jogador inteligente dentro de campo, e
talvez tenha sido o jogador mais objetivo da sua época. Parecia
conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um
golo. No ano de 1925, regressou da
Europa (após uma digressão com o Paulistano) catalogado como um dos
melhores jogadores do Mundo, depois de vencer por este clube nove dos
dez jogos aí disputados. A sua conquista mais importante com a camisola do Brasil foi a conquista da Copa América de 1919. Sobre a sua figura há uma dúvida que ainda hoje paira no ar, ou seja, será ele o maior goleador de todos os tempos? Há quem diga que sim e há quem diga que não. Uma dúvida que infelizmente não pode ser desfeita, já que existem poucos, ou mesmo nenhuns, dados que provem que Fried tem mais golos do que Pelé, que é, como se sabe, oficialmente considerado pela FIFA como o jogador que fez mais golos na história do futebol. Reza a lenda que El Tigre terá marcado 1239 golos.
Nota: Sobre os jogadores Osman e Formiga não foram encontrados dados biográficos.
Para a história fica pois a ficha técnica do embate entre a primeira seleção do Brasil e o Exeter City:
BRASIL: Marcos de Mendonça, Píndaro e Nery; Lagreca, Rubens Salles e Rolando; Abelardo, Oswaldo Gomes, Friendereich, Osman e Formiga.
EXETER CITY: Loran, Jack Fort e Strettle; Rigny, Lagan e Hardin; Hold, Whittaker, Hunter, Lovett e Goodwin.
quinta-feira, abril 17, 2014
Copa América (3)... Brasil 1919
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Cartaz oficial do Campeonato Sul-Americano de 1919 |
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Uma imagem da bela cidade do Rio de Janeiro em 1919 |
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Lance da expressiva goleada do Brasil diante do Chile, no jogo de abertura da Copa |
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Isabelino Gradín, a estrela do futebol sul-americano da segunda década do século XX |
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O azarado Roberto Chery |
A sua morte provocou uma onda de solidariedade entre brasileiros e uruguaios para com a família de Chery, sendo que no dia 1 de junho desse ano de 1919 as duas seleções disputaram a Copa Roberto Chery, cuja receita proveniente desse amigável seria não apenas para a família do jogador mas igualmente para custear todas as despesas na trasladação do seu corpo para Montevideo.
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Fase do Brasil-Argentina, jogo em que a equipa da casa deu show de bola! |
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A seleção da Argentina que marcou presença no Rio de Janeiro |
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Lance do primeiro jogo entre brasileiros e uruguaios |
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Neco |
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Friedenreich atormenta a defesa charrúa no jogo de desempate do campeonato |
A Figura: Arthur Friedenreich
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El Tigre Friedenreich |
Como já referimos foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro numa época em que o belo jogo era ainda puramente amador. Aprendeu a jogar à bola com uma bexiga de boi, pouco tempo depois de Charles Miller ter chegado ao Brasil (em 1894) com uma bola de futebol na bagagem, uma novidade para um país que com o passar dos anos se haveria de tornar na maior potência do futebol mundial.
Fried (diminutivo pelo qual também era conhecido) começou a jogar futebol na sua cidade natal, São Paulo, mais
precisamente no Germânia, passando depois para clubes como o Mackenzie,
Ipiranga, Paulistano, São Paulo da Floresta, Payssandu, Atlético
Santista, Internacional, Santos, Dois de Julho, Americano e Flamengo.
Começou a destacar-se pela
imaginação, técnica, estilo e pela capacidade de improvisar. Em 1919 foi
apelidado pelos uruguaios de El Tigre por ter encantado as multidões
com o seu futebol arte na Copa América que nesse ano foi conquistada
precisamente pelo Brasil comandado por Friedenreich.
Jogava como avançado-centro,
e foi o inventor de novas e belas jogadas no na altura jovem futebol
brasileiro, como o drible curto e a finta de corpo.
Foi campeão paulista em sete
ocasiões, seis das quais ao serviço do Paulistano, e outra pelo São
Paulo da Floresta (clube que anos mais tarde se viria a chamar São Paulo
FC). Por oito vezes foi o melhor marcador do campeonato paulista, a
maior parte delas envergando as cores do Paulistano.
Era considerado pelos
cronistas da altura como um jogador inteligente dentro de campo, e
talvez tenha sido o jogador mais objetivo da sua época. Parecia
conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um
golo.
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O equipamento usado pela seleção brasileira em 1919 |
No ano de 1925, regressou da
Europa (após uma digressão com o Paulistano) catalogado como um dos
melhores jogadores do Mundo, depois de vencer por este clube nove dos
dez jogos aí disputados.
Um dos seus mais incríveis
feitos ocorreu em 1928, ano em que fez sete golos num único jogo diante
do União da Lapa, batendo o recorde da época. Nesse jogo actuava pelo
Paulistano e o resultado final foi de 9-0. Terminou a sua carreira no
Flamengo, em Julho de 1935, com 43 anos de idade. Depois de abandonar os
relvados, viveu na pobreza um bom tempo até morrer no dia 6 de Setembro
de 1969, numa casa cedida pelo São Paulo.
Friedenreich vestiu pela
primeira vez a camisola da seleção do Brasil em 1912, num jogo amigável
contra uma seleção paulista, realizado no Rio de Janeiro. O escrete brasileiro venceu por 7-0, com dois golos de Fried.
A sua despedida aconteceu em
1935, num jogo contra o River Plate, a 23 de Fevereiro, o qual o Brasil
ganhou por 2-1. Friendenreich fez pela seleção principal 23 jogos e
marcou 12 golos. Já na seleção de veteranos, em 1935, disputou 2 jogos e
marcou 2 golos.
A sua conquista mais importante com a camisola do Brasil foi, como já vimos, a conquista da Copa América de 1919.
Sobre a sua figura há uma dúvida que ainda hoje paira no
ar, ou seja, será ele o maior goleador de
todos os tempos? Há quem diga que sim e há quem diga que não. Uma
dúvida que infelizmente não pode ser desfeita, já que existem poucos, ou
mesmo nenhuns, dados que provem que Fried tem mais golos do que Pelé,
que é, como se sabe, oficialmente considerado pela FIFA como o jogador
que fez mais golos na história do futebol. Reza a lenda que El Tigre terá marcado 1239 golos. Sobre si escreveram-se vários livros, mas há um que retrata na perfeição o momento histórico vivido naquele dia 29 de maio de 1919, o momento em Fried oferece o primeiro título ao seu país. É esse excerto do livro As Origens do Tigre do Futebol (da autoria de Alexandre da Costa) que passamos a transcrever.
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A caricatura de El Tigre |
Em 26
anos de carreira, a grande alegria de Fried foi aquele campeonato
sul-americano, realizado no Rio de Janeiro, em 1919. Perdoado pela CBD, ele era
a principal esperança da seleção brasileira para a conquista do título inédito.
A equipe passou invicta pela fase de classificação e teria pela frente, na
final, o sempre temido Uruguai, no dia 29 de maio. Mais uma vez, uma
superstição do comandante do ataque brasileiro foi usada. Por baixo da camisa
branca da seleção, ele tinha uma do Flamengo. Nunca me disse o porquê daquela
crença, mas disfarçava dizendo que gostava da combinação do vermelho com o
preto. Vai entender! A partida começa e o estádio das Laranjeiras está
abarrotado. Dia de tempo instável, não parece que vai chover e nem aparecer um
solzinho. No campo, a peleja está animada. Os dois times têm grandes
oportunidades durante os noventa minutos, porém o marcador não sai do 0 x 0.
Fried, marcado por dois uruguaios, às vezes até por três, estava meio escondido
na partida. Duas prorrogações, e o jogo insiste em não mostrar um vencedor. O
extrema-esquerda do Brasil, Neco, faz então uma jogada cinematográfica pela
linha de fundo uruguaia. Num bate-rebate interminável na área, a bola vai parar
caprichosamente no santo pé esquerdo de Fried. Sem muito trabalho, o
centroavante arrematou para o gol, terminando com os 150 minutos de sofrimento.
É o gol do título. Mesmo no alvoroço da vitória, Arthur é humilde e divide os
louros do título com Neco. Diz ele, emocionado: "O gol foi do Neco, que
fez uma jogada belíssima. Eu apenas tive o trabalho de chutá-la. Nada
mais". Ainda no estádio, antes da grande festa nas ruas promovida pelos
cariocas, um fato curioso e inesperado coroa a campanha brasileira e,
principalmente, o seu artilheiro. Das mãos do capitão uruguaio, o comandante do
ataque brasileiro recebe um pergaminho com o título que lhe acompanharia até o
final de seus dias. "Nós, os componentes da seleção uruguaia, concedemos
ao senhor Arthur Friedenreich, o título de El Tigre por ser o mais perfeito
centroavante do campeonato sul-americano." O Tigre, cansado, chora com a
homenagem. Nas ruas do país, a empolgação é generalizada. Com o feito inédito,
o futebol cai no gosto popular. Os campeões são carregados em triunfo e mais uma
vez o inesperado acontece. O jornal A Noite, um dos mais famosos da época,
nunca havia colocado fotografia alguma em sua primeira página, fosse ela de
presidente, rei ou ministro. No entanto, naquele dia, estampou em uma edição
especial, sem nenhum constrangimento e em tamanho natural, o pé esquerdo de
Fried. O singelo título dizia: "Eis o pé da vitória". O jornal vendeu
como água. O Brasil aparecia no futebol pela primeira vez. E Friedenreich...
bom , ele era o Tigre.
Números e nomes:
11 de maio de 1919
Brasil - Chile: 6-0
(Friendenreich, aos 19m, aos 38, aos 76m; Neco, aos 21m, aos 83m; Haroldo, aos 79m)
13 de maio de 1919
Uruguai - Argentina: 3-2
(Carlos Scarone, aos 19m, Héctor Scarone, aos 23m, Gradín, aos 85m)
(Izaguirre, aos 34m, Varela, na p.b. aos 79m)
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A equipa do Uruguai que esteve no Rio de Janeiro com Isabelino Gradín na fila de baixo (o segundo a contar da direita para a esquerda) |
17 de maio de 1919
Uruguai - Chile: 2-0
(Carlos Scarone, aos 31m, José Pérez, aos 43m)
18 de maio de 1919
Brasil - Argentina: 3-1
(Heitor, aos 22m, Amilcar, aos 57m, Millon, aos 77m)
(Izaguirre, aos 65m)
22 de maio de 1919
A pobre seleção chilena que esteve na Copa de 1919 |
Argentina - Chile: 4-1
(Clarcke, aos 10m, aos 23m, aos 62m; Izaguirre, aos 13m)
(France, aos 33m)
26 de maio de 1919
Brasil - Uruguai: 0-0
Classificação
1-Brasil: 5 pontos
2-Uruguai: 5 pontos
3-Argentina: 2 pontos
4-Chile: 0 pontos
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Vista aérea da Laranjeiras no dia da grande decisão |
Jogo de desempate
29 de maio de 1919
Brasil - Uruguai: 1-0
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