sábado, abril 29, 2017

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (8)...

Grupo D / 1ª Jornada

Japão - Polónia: 9-4

Golos: Goto (5), Yamauchi (2), Oba, Ino / Saganowski (2), Ziober, Jesionowski

Goto derreteu o gelo polaco nas tórridas areias das Bahamas...

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (7)...

Grupo D / 1ª Jornada

Brasil - Tahiti: 4-1

Golos: Catarino (2), Bruno Xavier, Filipe / Tepa

Reis do beach soccer tremeram diante dos vice-campeões mundiais...

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (6)...

Grupo C / 1ª Jornada

Emirados Árabes Unidos - Paraguai: 3-2

Golos: Haitham (2), W. Beshr / Carballo (2)

Nó do equilíbrio desatado na ponta final do jogo...

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (5)...

Grupo C / 1ª Jornada

Portugal - Panamá: 7-0

Golos: José Maria (2), Torres, Léo Martins, Belchior, Coimbra

Campeões do Mundo não sentiram dificuldades para entrar na corrida pela revalidação do título...

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (4)...

Grupo B / 1ª Jornada

Irão - México: 3-2

Golos: P. Hosseini, A. Akbari, M. Ahmadzadeh / Mosco, Maldonado

Iranianos derrubam mexicanos em cima da meta...

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (3)...

Grupo B / 1ª Jornada

Nigéria - Itália: 6-12

Golos: Abu (3), Godspower, Tale, Emeka / Gori (6), Palmacci (3), Zurlo, Palma, Di Chiavaro

Golos com fartura num hino ao beach soccer em que a estrela de Gori brilhou mais alto...

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (2)...

Grupo A / 1ª Jornada

Equador - Senegal: 0-9

Golos: Barry (3), N'Doye (2), Diagne (2), Baldé, Diassy

Inexperiência foi uma fatura demasiado cara para equatorianos....

Mundial de Futebol de Praia/Bahamas 2017 (1)...

Grupo A / 1ª Jornada

Bahamas - Suíça: 2-3

Golos: St. Fleur, Christie / Hodel (2), Ott

Anfitriões quase que tiveram uma estreia (em Mundiais) feliz...

terça-feira, abril 04, 2017

11 anos a vibrar com os deslumbrantes capítulos da História do Futebol

Assinalam-se hoje 11 anos do preciso momento em que foi aberta pela primeira vez a porta virtual deste humilde espaço, sonhado com o propósito de retirar do baú das memórias os capítulos - por vezes esquecidos, ou noutras ocasiões desconhecidos - outrora escritos e que tiveram um papel fundamental para que hoje o futebol arrebate corações um pouco por todos os pontos deste imenso globo. O futebol no que ele tem de melhor, sublinho, o futebol enquanto arte desenhada num imenso retângulo verde, e não os atos bárbaros ocorridos nos últimos tempos neste nosso Portugal usando a identidade deste jogo que tanto amamos. Futebol não é isto. Felizmente. Aparte este desabafo só posso reafirmar o enorme prazer que ao longo destes 11 anos tenho tido em mergulhar nos baús de memórias daquele a quem alguém um  dia teve a feliz ideia de rotular de Desporto Rei, no sentido de guardar nestas vitrinas virtuais os deslumbrantes capítulos do passado do belo jogo. Com limitações impostas por circunstâncias da vida pessoal - sobretudo nos últimos meses e por via de um regresso às lides académicas - vou tentando resgatar para o presente o vasto e rico património que constituiu a História do futebol. Uma última nota para endereçar um profundo obrigado a todos aqueles que nos honram com a sua visita e palavras de reconhecimento de há 11 anos a esta parte. Vamo-nos vendo por ai... 

terça-feira, março 21, 2017

Grandes Mestres da Táctica (12)... Joaquim Meirim

Entendo que uma vida sem memórias é como que um caderno em branco ou um álbum sem fotografias. Isto a propósito da recente comemoração de mais um Dia do Pai, mais um dia em que o meu (pai) vagueou pela minha mente, ali deixando recordações de uma ligação (física) que terminou cedo demais... Foi ele, o meu pai, que me incutiu a paixão pelo futebol. Paixão que entretanto assume hoje contornos de amor eterno, e nesse aspeto acho mesmo que o superei no tal encantamento pelo belo jogo. Recordo muitos diálogos mantidos pela noite dentro com ele, muitos deles em torno do futebol, ouvindo atentamente as suas suas histórias sobre as lendas do passado que imortalizaram um futebol de um tempo que eu não vivi, mas que de tanto ouvir e ler quase que posso afirmar alegremente que tive o privilégio de assistir in loco a esses longínquos momentos de magia.
Esta breve nota nostálgica leva-nos para a história de um homem marcou vincadamente uma era do futebol português, mesmo não tendo alcançado nele a glória que outros (com muito menos conteúdo intelectual e profissional) conquistaram. Sobre ele o meu pai falava vezes sem conta, apelidando-o de "maluco", mas um maluco no bom sentido da palavra - se é que este adjetivo pode ser pronunciado no bom sentido -, um maluco genial, um adiantado mental para a sua época. Esse homem é Joaquim Meirim, figura fascinante e controversa do futebol lusitano das décadas de 70 e 80. Hoje há ainda quem o descreva como um furacão que surgiu nos palcos principais do nosso futebol, um homem cuja peculiar personalidade abalou o Portugal futebolístico de então. Transportando Meirim para o presente poderíamos encara-lo como um clone de José Mourinho, pela tal personalidade controversa, pela convicção com que sustentava as suas argumentações - sobretudo as mais irreais aos olhos de um cidadão vulgar -, pela eloquente forma como articulava essa mesma argumentação - mais parecendo um filósofo da bola - e acima de tudo pelos seus então inovadores e pouco convencionais métodos de trabalho. Se Mourinho hoje é o mestre dos mind games, Meirim foi o inventor desse ludibriante estilo de comunicação futebolística.
Joaquim Meirim mudou um futebol português que vivia ainda um pouco ressacado do momento de fama obtido no Mundial de 1966, incutindo-lhe uma estranha forma de vivacidade e excentricidade. Sim, Meirim era um excêntrico, um excêntrico maluco, como dizia o meu pai. Um revolucionário, é isso. Mas quem era afinal esta figura? Nasceu no Minho, em Monção mais concretamente, no dia em que se comemoravam 25 anos da implantação da República em Portugal - 5 de outubro de 1935. O pai, o homem que admirava mais do que tudo, havia sido proibido por Salazar de exercer a atividade de professor primário, devido às suas inclinações políticas, as mesmas que o filho Joaquim tanto iria evidenciar ao longo da sua carreira e que tantos dissabores lhe causaram. A família Meirim mudou-se para Lisboa, tendo o pai agarrado o ofício de sapateiro em Alcântara. Foi ali, num meio pobre onde reinava a classe operária, que Joaquim Meirim cresceu e se fez homem. Pouco ou nada se sabe de Meirim enquanto futebolista do símbolo maior de Alcântara, o Atlético. O futebol era por aqueles dias apenas um romance de fim de semana para Joaquim Meirim, que ganhava a vida como empregado de escritório. Mas os romances por vezes dão em casamento, quando existe paixão e certezas de que é com aquele par que queremos partilhar a nossa existência. E Meirim sabia desde cedo que o seu lugar era no comando de futebolistas. Após pendurar as chuteiras noutro mítico emblema bairrista da capital, no caso o Oriental, Joaquim Meirim obtém com 27 anos o curso de treinadores, ministrado pelos mestres José Maria Pedroto e Fernando Vaz. Aos ensinamentos absorvidos na Cruz Quebrada durante a referida formação, Merim acrescenta o seu peculiar e controverso estilo, de palavras simples mas ao mesmo tempo eloquentes e bombásticas, aliado a metodologias de treino revolucionárias e a uma relação treinador-jogador pouco comum para a época. Em 1967/68 tem a primeira experiência mais a sério no exercício do ofício que sempre sonhou. Orientou a CUF, tirando o mítico emblema da cauda da tabela até ao sétimo lugar da mesma.

Adivinhando a entrada em cena de um treinador diferente, o presidente do Varzim, João Fernando, lança dois anos mais tarde o canto da sereia a Meirim, que prontamente viaja até ao norte para fazer história. Quiçá o ponto alto da história de Meirim no Atlas do Futebol Português. Os Lobos do Mar alcançam um inédito 7º lugar - terminando o principal campeonato português à frente do FC Porto, por exemplo. Meirim salta então para as capas de jornais, não só pelo feito alcançado ao serviço do modesto clube poveiro mas pela sua forma de trabalhar e de ser. Ele apresentou ao futebol nacional estranhas metodologias de treino, ao levar, por exemplo, os jogadores para a praia ou para matas e montanhas ao invés de os exercitar nos retângulos de jogo. Outro traço forte da sua personagem enquanto condutor de homens era a apetência para a psicologia, na sua exímia capacidade de moldar a mente dos seus atletas. E aqui introduzo uma outra lembrança do meu pai, a história que ele me contou inúmeras vezes sempre que o nome de Joaquim Meirim vinha à baila. A famosa história do guarda-redes Benje, o tal que sem oportunidades no Benfica viajou para a Póvoa de Varzim onde se tornou no melhor keeper do... Mundo! O rótulo foi dado pelo próprio Meirim, que para motivar o seu guardião incutia-lhe precisamente na mente esse estatuto, o de melhor do planeta. E o angolano Pedro Benje entrava nas quatro linhas com esse peso nas costas, defendendo a baliza do Varzim com  espetacularidade, mais parecendo um gato negro a voar para agarrar todas as bolas que se lhe deparavam pela frente. A culpa do melhor momento de Benje foi obviamente de Meirim, «o psicólogo, o pedagogo, o padre, o preparador físico, o tático», como ele próprio se definia enquanto treinador. Um treinador humilde e modesto, como tantas e tantas vezes se auto-caracterizou.
A excelente temporada na Póvoa leva-o na temporada seguinte a regressar à capital, desta feita para treinar o quarto grande do futebol nacional, o Belenenses. Em Belém a meta traçada no início da época foi simples: ser campeão nacional. Muitos pensaram que Meirim estaria louco! Mas ele era um louco, um génio louco. Na pré-época aplicou os seus inovadores métodos de treino, levando os jogadores a correr para a praia e para as matas de Monsanto. Ao invés da bola os atletas trepavam às árvores, mais parecendo tarzans no meio da selva. A televisão nacional e os jornais centravam atenções naquele Belenenses e em Meirim de um modo muito particular, que aproveitando o mediatismo que detinha por aqueles dias lançava declarações bombásticas em direção aos adversários no sentido de os desestabilizar. Lá está, os famosos mind-games. Ao mesmo tempo incutia na mente dos seus jogadores capacidades que eles próprios desconheciam possuir, a título do que fez com Benje, que estava convencido de que era mesmo o melhor do Mundo. Mas no Belenenses as coisas não correram como o esperado, e Meirim foi destituído do cargo. A sua carreira prosseguiu noutras paragens (Boavista, Leixões, Salgueiros, Beira-Mar, Desportivo das Aves, Sanjoanense, Gil Vicente, Louletano, Estrela da Amadora e Lusitano de Évora) no que restou daquela década de 70 e em lampejos da de 80. Em finais do milénio passado ainda regressou aos bancos para um fugaz aparição no Desportivo de Beja, mas a sua estrela há muito que se tinha apagado. Incompreensivelmente apagado. Porquê? É uma pergunta para a qual não encontramos resposta, até porque Merim era um adiantado mental, um inovador, um revolucionário. Sim, um revolucionário, e provavelmente está aqui a resposta para a perguntar anterior, ou seja, terá sido por isso, em parte, que as portas do futebol português se foram fechando lentamente para ele, um ativista político, um dirigente sindical, um confesso militante do Partido Comunista Português, facto que lhe valeu tantos dissabores. Como por exemplo, o despedimento do Leixões, assim que o presidente deste emblema soube que Joaquim Meirim iria concorrer à Câmara de Matosinhos pela Frente Eleitoral Povo Unido. Mas Meirim era um homem de convicção forte, um defensor acérrimo dos seus ideais, e nunca se vendeu ao poder do futebol. Foi um homem à frente do seu tempo. Muito à frente. Joaquim Meirim deixou o Mundo terrestre em maio de 2001 vítima de doença prolongada, tal como o meu pai, a quem dedico esta breve memória de hoje.

segunda-feira, março 13, 2017

Flashes Biográficos (11)... Paulo Innocenti

Paulo INNOCENTI (Brasil): O futebolista brasileiro é visto globalmente como um diamante raro alvo de desejo generalizado. Poucos serão os países dos cinco continentes que não veneram hoje em dia nos seus retângulos de jogo um artista proveniente de Terras de Vera Cruz. A esse propósito abrimos hoje as portas do Museu para recordar aquele que foi o primeiro futebolista nascido no Brasil a transpor as fronteiras do seu país rumo a outras paragens, por outras palavras, o primeiro emigrante do futebol brasileiro a atuar no estrangeiro. Paulo Innocenti é o seu nome. Descendente de imigrantes italiano, Paulo veio ao Mundo a 11 de março de 1902, tendo como berço o Rio Grande do Sul, mas seria na grande cidade de São Paulo que se projetou no então muito jovem futebol brasileiro. Foi com a camisola do Paulistano, o então gigante do futebol paulista onde pontificava o lendário Arthur Friedenreich, que Innocenti deu os primeiros passos mais a sério na modalidade, tendo integrado a equipa que venceu o campeonato paulista de 1921, precisamente o ano em que este descendente de italianos vestiu pela primeira vez a camisola do emblema de São Paulo. Ali permaneceu até 1923, altura em que decide atravessar o Atlântico rumo à pátria da sua família, e mais concretamente até Bologna, para defender as cores do modesto Virtus durante a temporada de 1923/24. Quiçá sem se aperceber na altura, Paulo Innocenti entrava na história, ao tornar-se no primeiro jogador nascido no Brasil a atuar além fronteiras. Posicionando-se no terreno de jogo como defesa (na maior parte das vezes lateral) Innocenti destacou-se pelas suas qualidades desde pronto, e não seria de estranhar que o lendário mestre da tática Hermann Felsner, o arquiteto d' Il Grande Bologna, o chamasse para representar o emblema mais popular da cidade e um dos mais poderosos do calcio daquela época, precisamente o Bologna FC, onde sobressaiam nomes como Mario Gianni, Della Valle, ou o astro Angelo Schiavio. Nas duas temporadas (24/25 e 25/26) que envergou a maglia rosso blu o ítalo-brasileiro contribuiu para a conquista do scudetto de 1924/25, participando em 13 jogos dessa campanha vitoriosa. Posto isto decide em 1926 abraçar um novo projeto que acabava de ver a luz do dia no sul de Itália: a Sociatà Sportiva Calcio Napoli, fundada a 1 de agosto desse ano. Pippone, alcunha que entretanto arrecadou no país da bota devido ao formato pontiagudo do seu nariz, faz parte da história do Napoli, não só por ter tido a honra de ser o capitão de equipa no primeiro jogo oficial que os napolitanos efetuaram - ante o Inter de Milão - como também por ter sido o autor do primeiro golo da vida daquele emblema - ante o Genoa. Nas dez temporadas que jogou em Nápoles, Innocenti fez mais de 200 jogos com o clube, tendo inclusive sido neste período que atuou pela seleção nacional B italiana - já que ele um oriundi (descendente) - em quatro ocasiões. Após abandonar a carreira de futebolista em 1937, Paulo - ou Paolo para os italianos - Innocenti desapareceu praticamente do mapa futebolístico, continuando no entanto a viver em Nápoles, cidade a que passou a chamar de casa. Até que em 1943 é convidado pelo Napoli a substituir o então treinador Antonio Vojak, numa altura em que o clube se encontrava a competir na Serie B - segundo escalão do calcio. A aventura no banco seria curta, e pouco depois Pippone voltaria à sua condição de habitante anónimo de Nápoles até à hora da sua morte - devido a um ataque cardíaco - em 1983, curiosamente um ano antes de a cidade começar a viver sob os desígnios de D10S - Diego Armando Maradona.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Histórias do Futebol em Portugal (17)... O dia em que o recém nascido Oriental introduziu em Portugal a numeração nas camisolas



A equipa do Oriental que em 1946 entrou na história do futebol português
Saber onde foi o ponto de partida “disto ou daquilo” é por vezes uma missão espinhosa para um historiador, seja ele de que área for. E no futebol essa incerteza que convive com os investigadores do esférico sobre um determinado facto é em muitas ocasiões uma realidade, ou não estivéssemos nós perante um fenómeno global em que nem sempre é fácil ter certezas absolutas se determinado facto aconteceu pela primeira vez “aqui ou ali”. É o caso da numeração nas camisolas, que ainda hoje suscita algumas dúvidas entre os historiadores sobre o local ou a(s) equipa(s) que pela primeira vez na história usou dorsais nas costas dos seus mantos sagrados – vulgo camisolas. Há quem aponte o ano de 1911 como aquele em que pela primeira vez jogadores de duas equipas surgiram no retângulo de jogo com as “costas” numeradas. Facto ocorrido, segundo reza a história, na Austrália, num jogo disputado em Sydney, entre os conjuntos do Sydney Leichardt e do HMS Powerfull. Uma moda que terá pegado de estaca em terras de cangurus, já que no ano seguinte todas as equipas do país foram obrigadas a usar numeração nos torneios oficiais em que competiam. 
Outros historiadores defendem que os números estampados nas costas das camisolas surgiram pela primeira vez nos Estados Unidos da América, nos anos 20, num jogo entre o Fall River Marksmen e o Saint Louis Vesper Buick. Certezas, certezas de onde foi a "primeira vez" não existem, sabendo-se apenas que a moda rapidamente pegou, e em finais dos anos 20 do século passado chegou (com toda a certeza) à Europa, mais concretamente à pátria do futebol moderno, Inglaterra, onde o Arsenal então orientado pelo lendário Herbert Chapman surgiu em campo para defrontar o Sheffield Wednesday a 25 de agosto de 1928 com as suas camisolas numeradas. Segundo a História, e no mesmo dia, o Chelsea defrontou o Swansea Town com as suas camisolas... numeradas! A única diferença entre os rivais londrinos residiu no facto de que o guarda-redes dos blues não usava número na sua camisola, contrariamente aos seus colegas de campo - cuja numeração ia do 2 ao 11. Já os gunners apresentavam a sua equipa numerada de 1 a 11. 
E em Portugal, quando é que a moda pegou? Quando é que uma equipa se apresentou com camisolas numeradas num jogo? Bom, é aqui que entronca a nossa história de hoje, o momento em que os números nas costas dos jogadores bailaram pela primeira vez num relvado lusitano.
Facto histórico que coincide com outro momento histórico para um não menos histórico - e perdoem-nos os nossos visitantes por usarmos e abusarmos desta palavra - clube lusitano, neste caso o Clube Oriental de Lisboa. Bem, sobre a história do Oriental não nos vamos alongar muito, até porque ela é rica e extensa, e não caberia neste artigo, vamos sim centrar-nos no primeiro passo futebolístico que este emblema deu e que entrou na história do futebol em Portugal. 
Relembrar apenas que o Oriental nasceu da fusão de três pequenos clubes da zona oriental de Lisboa, no caso o Clube Desportivo "Os Fósforos", o Marvilense Futebol Clube e o Chelas Futebol Clube. Uma união que visava um sonho: dotar a freguesia de Marvila de um grande clube. E assim nasceu a 8 de agosto de 1946 o Clube Oriental de Lisboa. O futebol foi desde o primeiro dia a modalidade rainha de um emblema que alcançou inúmeros momentos de glória - desde logo as presenças no palco principal do futebol luso, a 1ª Divisão, onde esteve por sete ocasiões. E foi precisamente ao serviço do desporto rei que o Oriental entrou para a História do futebol português no dia 15 de setembro de 1946. Uma jornada cheia de significado para o então recém nascido Oriental, que nessa tarde disputava diante do gigante Belenenses aquele que era o primeiro match da sua curta existência. Uma partida desenrolada no mítico Estádio das Salésias a contar para a ronda inaugural do Campeonato Regional de Lisboa da temporada de 1946/47. Rezam as crónicas que o recém criado Oriental vendeu muito cara a derrota (1-2) diante do emblema que nessa temporada haveria de conquistar o maior feito da sua história: o título de campeão nacional da 1ª Divisão
Mas nesse longínquo encontro do Regional lisboeta um pormenor histórico ressalta hoje, passados poucos mais de 70 anos, à nossa memória, isto é, o facto de pela primeira vez uma equipa de futebol ter usado números nas suas camisolas. E esse registo pertence ao Oriental, que mal gatinhava ainda e já se apresentava inovador. Aliás, na antecâmara deste encontro um dirigente do clube de Marvila, no caso Rui de Seixas, levantava um pouco do véu junto da imprensa da época ao dizer que o seu clube iria surgir nas Salésias com uma pequena surpresa, fazendo um apelo ao público para comparecer ao encontro pois iriam presenciar algo de inédito nos retângulos da bola lusitanos. O mistério lançado pelo dirigente orientalista foi então dissipado na tarde de 15 de setembro, quando os jogadores de Marvila surgiram no relvado com as camisolas numeradas de 1 a 11. E assim se fazia história no futebol português. A imprensa da época fez eco desta "primeira vez" que os números bailaram nas costas das camisolas de uma equipa em Portugal, tendo o mestre Cândido de Oliveira, por exemplo, escrito que «a decisão do Oriental de numerar os jogadores merece relevo e é digna de ser seguida por todos os clubes». Seria contudo só a partir da época de 1947/48 que a Federação Portuguesa de Futebol iria tornar obrigatório o uso de números nas camisolas. 

domingo, fevereiro 12, 2017

Arquivos do Futebol Português (8)...

Um quadro de Lisboa no início do Século XX
O início do século XX trouxe consigo a alavanca que iria catapultar em definitivo o futebol português para o caminho da popularidade. Não deixa de ser curioso que esta ascensão acontece em anos conturbados da vida do país, o qual estava mergulhado numa profunda crise sócio-económica. O regime monárquico era pontapeado sistematicamente pelo movimento republicano que ganhava cada vez mais adeptos e força para vencer uma batalha que teria o seu epílogo a 5 de Outubro de 1910 - precisamente com a implementação da República. Mas isso são outras histórias... Era, no entanto, num cenário negro que o país vivia no início do novo século, sob o signo da tristeza, do sofrimento e da miséria. Motivos para sorrir eram quase uma miragem. Quase, e este quase deve-se ao futebol, ou jogo do coice, como então ainda era denominado por alguns que resistiam em ridicularizar aquele que começava aqui a tornar-se como o ópio do povo, como muitos anos mais tarde "alguém" viria a denominar esta modalidade. Na verdade, o football começava a vislumbrar-se por estes dias conturbados como uma distração de um povo que diariamente sofria as consequências da agitação - a diversos níveis - que se vivia em Portugal. E a quem muito se deve este súbito despertar do interesse em torno do belo jogo foi à imprensa. Após os últimos anos do século anterior terem sido pautados por algum desprezo face ao jogo, os jornais (nota: o Tiro Civil é um dos mais ativos na publicação de notícias futebolísticas por estes dias) voltam a centrar atenções nos matches - e nas figuras que lhes davam vida - que iam sendo desenrolados. Nos primeiros anos do novo século surgem mesmo inúmeras publicações vocacionadas apenas para o sport, não só no futebol como noutras modalidades, facto que contribuiu imenso para a popularização do fenómeno. E quando falamos em popularização aludimos ao facto de o football começar neste início de século a sair do berço aristocrático em que nasceu para se juntar ao povo, às classes mais baixas da sociedade. Apesar deste início de união (eterna) entre futebol e povo começar a ganhar vida nos primeiros lampejos do século XX, seriam, de certa forma, os aristocratas a voltar a segurar na alavanca que iria impulsionar de vez o futebol em Portugal. E neste capítulo há que destacar uma vez mais a nobre família Pinto Basto, os introdutores do jogo no nosso país, nunca é demais recordar, cabendo a eles uma grande parte da responsabilidade pelo facto de a bola recomeçar a saltar com vigor nos grounds nacionais.

Eduardo Luís Pinto Basto
A chama do futebol em Portugal reacende-se no seu berço, isto é, em Lisboa. É lá que alguns grupos se voltam a reunir. Em Belém surgem alguns grupos provenientes da Casa Pia, e que acabariam por estar na génese do futuro Sport Lisboa que mais tarde viria a tornar-se no atual Sport Lisboa e Benfica. De forma um pouco mais organizada o futebol ressurge então pela mão dos aristocratas, com os Pinto Basto a comandar esse intento juntamente com a colónia inglesa radicada na capital - ou zona envolvente - que sempre continuou a praticar o jogo mesmo no período em que ele esteve digamos que moribundo. Claro que noutras zonas da capital, em Belém como já vimos, o futebol ganhou vida pela mão de populares, sobretudo estudantes, muitos deles vindos da também já referida Casa Pia, mas no que concerne a matches rodeados de interesse, esses ainda eram disputados por aristocratas e ingleses, sendo aqui de destacar três clubes em particular, o Carcavellos Club, o Lisbon Cricket Club - dois temidos emblemas fundados e compostos por ingleses - e o Real Ginásio Clube, agremiação de índole nacional reanimada pela mão da família Pinto Basto, sobretudo por intermédio de Eduardo Luís Pinto Basto, cuja ação foi preponderante para a reorganização da secção de futebol do Ginásio Clube. Por esta altura, e facto que também terá contribuído para o definitivo enraizamento do futebol em Portugal, terá sido o fim do ódio português a tudo o que era inglês, e como o football era uma criação britânica abriram-se os braços ao beautiful game.

No concerne a matches, ou notícias relevantes de jogos, que surgiram na imprensa durante esta época de 1900/01, destacamos por exemplo a goleada do Carcavellos Club - continuava indiscutivelmente a dominar o futebol lisboeta - aos conterrâneos do Lisbon Cricket Club por 5-0, num duelo disputado na Quinta Nova, em Carcavelos, em março, sendo que no plano individual um tal de Withers destacou-se ao apontar três golos. No início de 1901 o Real Ginásio Club havia também medido forças com o Carcavellos Club, tendo conseguido o enorme feito de travar a armada britânica com um... empate a zero bolas na Cruz Quebrada.
Em 16 de março de 1901 acontece algo de certa forma histórico, que veio quebrar pela primeira vez em Portugal uma tradição inglesa, a de não se jogar football ao domingo por motivos religiosos. Neste dia o Carcavellos Club aceita um desafio diante do Real Ginásio Clube, ocorrido em Carcavelos. A notícia deste match é dada com relevância no Diário Ilustrado de 18 de março desse ano de 1901, da qual recordamos na integra alguns trechos que mostram a mestria e a admiração (que crescia entre os portugueses) pelos ingleses e a bravura dos lusos:
«(...) Os jogadores de Lisboa partiram acompanhados de grande número de sportsmen e senhores convidados no comboio da 1.45 do Cais do Sodré. Chegados a Carcavellos às 2 e meia, eram cercadas 3 quando o referee, Sr. Blythman, deu o sinal de começo, estando frente a frente os dois teams seguintes: Por Carcavellos Club: Durrant (goalkeeper), E.A. Wilmott (back), Hall (back), Normandy (half back), E.P. Wilmott (half back), Manes (half back), Coombs (forward), MacKay (forward), Clark (forward), Gibbons (forward) e Colider (forward). 
Pelo Real Gymnasio Club: Figueiredo (goalkeeper), Aimé da Costa Feio (back) e Siddle (back), C. Gonçalves (half back), F. Boavida (half back) e Motta Veiga (half back), Lacerda (forward), L. Araujo (forward), Mortimer (forward), (nota: desconhecendo-se os dois outros jogadores).
De ambos os lados, desde o principio, jogou-se com valentia. Por parte do team inglês notou-se o que sempre se nota por parte de teams ingleses, e em especial de Carcavellos: muito treino. O seu segredo não é outro.É esse: muito treino. O muito treino dá-lhes unidade no ataque, resistencia na defesa, certesa nos pontapés e folego para nunca abandonarem a bola. (...) São em football o que são em polities, em família, em comércio, em tudo: valentes dentro de sangue frio, enthusiastas dentro da logica, atrevidos dentro da lei. Modelos em tudo. (...) Na 1ª parte marcaram 2 goals contra nenhum; na 2ª marcaram outros dois contra nenhum. Não se pense, porém, que venceram com facilidade. Custou-lhes a vencer, e o perder os portugueses não podia ser mais honroso do para estes do que foi. Efectivamente sem treinos, com jogadores - como o goalkeeper - que há seis anos não jogava e outros que não conheciam o jogo dos seus parceiros, é precisa muita alma, alma de portugueses para aguentar o embate das hostes inimigas com valentia com que o R.G.C. aguantou (...)». 

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Lista de Campeões... Copa Libertadores de Futebol de Praia

Em finais de 2016 o universo do futebol de praia ficou mais rico com a criação de uma nova competição: a Copa Libertadores. Prova desenvolvida pela CONMEBOL na zona sul do continente americano, e cuja primeira edição foi realizada em janeiro de 2017. Tal como a prova que se realiza nos relvados, isto é, no futebol, a Libertadores do Beach Soccer é destinada a clubes, no caso aos nove emblemas campeões nacionais dos países (da América do Sul) que integram a CONMEBOL. Do Brasil vieram os primeiros campeões (o Vasco da Gama) de um torneio que acontece numa fase final concentrada, isto é, as nove equipas disputam o troféu num mini torneio que ocorre num determinado local escolhido pela CONMEBOL. 
 2017: Vasco da Gama (Brasil)

terça-feira, janeiro 10, 2017

Os vencedores do prémio FIFA Melhor Jogador do Mundo...

Pode não ter tanto simbolismo como a Bola de Ouro, mas não deixa de ser um prémio pomposo que qualquer jogador de futebol gostaria um dia levar para o seu museu pessoal. Falamos do The Best FIFA Football Award, ou, na língua de Camões, o Prémio FIFA Melhor Jogador do Mundo.  Instituído em 1991 pelo organismo que tutela o desporto rei a nível planetário, este prémio visa distinguir precisamente o melhor jogador do globo em cada ano civil. A entrega do galardão - que é também atribuído no futebol feminino - sofreu um interregno entre 2010 e 2015, altura em que a FIFA decidiu unir-se à revista francesa France Football no sentido de premiar o melhor do Mundo com o prestigiado Ballon d' Or - a referida Bola de Ouro -, passando então este troféu a denominar-se de FIFA Ballon d' Or. Em 2016 cada um foi para seu lado, isto é, a France Football voltou a chamar a si a responsabilidade de atribuir a Bola de Ouro, enquanto que a FIFA reativou o seu prémio, rebatizando-o de The Best FIFA Football Award. Em termos de palmarés o Brasil é de longe a nação com mais prémios angariados, mais concretamente com oito. No que toca a clubes o Barcelona lidera a tabela de vencedores, já que foram sete os atletas que com o seu emblema ao peito arrecadaram o galardão. O francês Zinedine Zidane e o brasileiro Ronaldo são os jogadores mais vitoriosos do The Best FIFA Football Award, sendo que cada um deles tem no seu museu particular três distinções. Portugal inscreveu o seu nome na lista de vencedores - que pode ser vista em seguida - por três ocasiões, duas através de Cristiano Ronaldo (2008 e 2016) e uma por intermédio de Luís Figo (2001).
2016: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Real Madrid)
2009: MESSI (Argentina/Barcelona)
2008: CRISTIANO RONALDO (Portugal/Manchester United)
2007: KAKÁ (Brasil/Milan)
2006: FABIO CANNAVARO (Itália/Juventus/Real Madrid)
2005: RONALDINHO (Brasil/Barcelona)
2004: RONALDINHO (Brasil/Barcelona)
2003: ZIDANE (França/Real Madrid)
2002: RONALDO (Brasil/Real Madrid)
2001: FIGO (Portugal/Real Madrid)
2000: ZIDANE (França/Juventus)
1999: RIVALDO (Brasil/Barcelona)
1998: ZIDANE (França/Juventus)
1997: RONALDO (Brasil/Barcelona/Inter)
1996: RONALDO (Brasil/PSV/Barcelona)
1995: WEAH (Libéria/Milan)
1994: ROMÁRIO (Brasil/Barcelona)
 1993: ROBERTO BAGGIO (Itália/Juventus)
1992: VAN BASTEN (Holanda/Milan)
1991: MATTHAUS (Alemanha/Inter)