sexta-feira, novembro 30, 2012

Lista de Campeões... Taça Intercontinental de Futsal

Viu a luz do dia em 1996 mas só em 2004 foi reconhecida pela FIFA, que desde então tem tomado as rédeas da sua organização. Falamos da Taça Intercontinetal de Futsal, uma prova que no futebol de 11 se assemelha ao Mundial de clubes, e que visa como tal coroar o campeão do Mundo de clubes. Contrariamente ao que acontece no futebol de 11 a Taça Intercontinental de Futsal (cujo troféu mais recente podemos ver na imagem de cima) não é unicamente disputada pelos campeões dos cinco continentes do planeta, acontecendo muitas vezes que vice campeões continentais, ou mesmo simples campeões nacionais do país que acolhe - nesse ano - a fase final da prova lutem pelo título mundial. Em termos de equipas mais tituladas - desde que a FIFA chamou até si a responsabilidade de tutelar a prova - os espanhóis do Inter Movistar levam larga vantagem sobre os seus rivais, os brasileiros do Carlos Barbosa e os russos do Dínamo de Moscovo, os outros emblemas que venceram a Taça Intercontinental desde que esta é organizada pela FIFA. 

2004: CARLOS BARBOSA (Brasil)
2005: INTER MOVISTAR (Espanha) (Atuou sob a designação de Boomerang Interviú)
2006: INTER MOVISTAR (Espanha) (Atuou sob a designação de Boomerang Interviú)
2007: INTER MOVISTAR (Espanha) (Atuou sob a designação de Boomerang Interviú)
2008: INTER MOVISTAR (Espanha) (Atuou sob a designação de Inteviú Fadesa)

2009: Não se disputou

2010: Não se disputou
2011: INTER MOVISTAR (Espanha)
2012: CARLOS BARBOSA (Brasil)
2013: DÍNAMO MOSCOVO (Rússia) 
2014: KAIRAT (Cazaquistão) 
2015: ATLÂNTICO (Brasil) 
2016: MAGNUS FUTSAL (Brasil)

Lista de Campeões... Campeonato do Mundo de Sub-20 Feminino

O crescimento que o futebol feminino tem vindo a evidenciar ao longo dos úlitmos anos tem levado a FIFA - bem como outras confederações continentais - a prestar mais atenção ao "fenómeno". Como tal, a criação de mais "montras futebolísticas" de âmbito global tem sido uma das grandes preocupações do organismo que tutela o desporto rei a nível mundial, no sentido não só de continuar a promover a modalidade junto do público feminino - e não só -, mas também mostrar ao planeta da bola que o futebol está longe de ser uma modalidade exclusiva do setor masculino. E uma das atuais "montras futebolísiticas" do futebol jogado de salto alto é o Campeonato do Mundo de Sub-20, competição criada já no novo milénio, e que teve a sua primeira edição em 2002. Tal como a sua congénere masculina destina-se a futebolistas até aos 20 anos de idade, sendo que os Estados Unidos da América - uma das grandes potências mundiais do soccer feminino - é o país que mais troféus conquistou ao longo da história de vida da competição (disputada de dois em dois anos), três para sermos mais precisos.
Em seguida ficamos com os campeões do torneio cujo (bonito) troféu podemos ver na imagem de cima. 

Canadá 2002 - Vencedor: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Tailândia 2004 - Vencedor: ALEMANHA
Rússia 2006 - Vencedor: COREIA DO NORTE
Chile 2008 - Vencedor: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Alemanha 2010 - Vencedor: ALEMANHA
Japão 2012 - Vencedor: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Canadá 2014 - Vencedor: ALEMANHA 
Papua-Nova Guiné 2016 - Vencedor: COREIA DO NORTE

Lista de Campeões... Campeonato da Europa Feminino

A prova rainha do futebol feminino europeu, ao nível de seleções, nasceu em 1984, e tem na Alemanha o país  - amplamente - dominador do certame. Em 11 edições disputadas as meninas alemãs levaram o troféu continental (que pode ser visto na imagem de cima) para casa em 8 ocasiões (duas delas sob a designação de República Federal da Alemanha (RFA)), domínio interrompido apenas pela Noruega (por duas vezes), e pela Suécia (na edição inaugural da prova). O Euro feminino é realizado de quatro em quatro anos (facto ocorrido só a partir de 1997), e apenas na edição inaugural não teve um país sede, tendo a final desse ano de 84 sido disputada em dois jogos. 
Seguidamente apresentamos as seleções vitoriosas do Campeonato da Europa de futebol feminino. 

1984 - Vencedor: SUÉCIA

Noruega 1987 - Vencedor: NORUEGA
RFA 1989 - Vencedor: RFA
Dinamarca 1991 - Vencedor: RFA

Itália 1993 - Vencedor: NORUEGA

Alemanha 1995 - Vencedor: ALEMANHA
Noruega/Suécia 1997 - Vencedor: ALEMANHA

Alemanha 2001 - Vencedor: ALEMANHA
Inglaterra 2005 - Vencedor: ALEMANHA
Finlândia 2009 - Vencedor: ALEMANHA
Suécia 2013 - Vencedor: ALEMANHA
Holanda 2017 - Vencedor: HOLANDA

quinta-feira, novembro 29, 2012

Catedrais Históricas (12)... Campo de Pocitos

Se hoje existisse seria sem margem para dúvidas um local sagrado para os devotos do belo jogo. Porém, não passa de um fantasma, de uma longínqua e eterna recordação. Viajamos até Montevideo, capital do Uruguai, um dos poucos locais à face da terra onde se encontram guardadas algumas das mais valiosas relíquias da era  romântica do futebol. Uma dessas relíquias é o Campo de Pocitos, ou melhor, era, já que hoje o local onde outrora foi erguido o mítico anfiteatro desportivo não é mais do que uma nobre e tranquila zona residencial da principal cidade uruguaia. E porque é que Pocitos é - ou foi - um local sagrado? Porque no seu elegante tapete verde marcou-se o PRIMEIRO GOLO DA HISTÓRIA DOS CAMPEONATOS DO MUNDO. Corria o ano de 1930, ano que o sonho de Jules Rimet (na época presidente da FIFA) era tornado realidade: nascia o Mundial de futebol. Histórico e inolvidável momento já por diversas ocasiões admirado nos corredores virtuais deste museu, e também já evocado noutras viagens ao passado o homem que se tornou imortal depois de apontar o primeiro golo desse histórico Campeonato do Mundo, ou melhor, o primeiro golo da história dos Mundiais, Lucien Laurent, de seu nome.
Laurent e Pocitos são duas lendas que já não se encontram no mundo dos vivos, o primeiro - cuja figura é guardada reliogiosamente no Museu Virtual de Futebol na vitrina destinada às estrelas cintilantes - deixou-nos em 2005 ao passo que o desparecimento do segundo é bem mais antigo, remontando a 1940 o ato da sua demolição.
Teve uma vida curta, apenas 19 anos de vida, mas os suficientes para ter o privilégio de ser palco de alguns dos mais célebres bailados futebolísticos nacionais e internacionais, algo que muitos templos centenários da bola nunca vivenciaram.
O Campo de Pocitos, assim se chamava, por se localizar no bairro de Pocitos, foi inaugurado a 6 de novembro de 1921, e logo com um embate bélico entre dois dos mais poderosos exércitos sul americanos da época, Peñarol (do Uruguai) e River Plate (da Argentina), que nesse dia festivo empataram a uma bola perante os olhares de 15 000 espetadores.
Pocitos foi desde esse dia até 1933 a casa do Peñarol, ano em que o popular emblema de Montevideo se mudou para o gigante (estádio) Centenário. A história destes dois recintos cruza-se três anos antes, em 1930, altura em que a FIFA deu ao Uruguai o privilégio de sediar o primeiro Campeonato do Mundo da história. Privilégio que foi concedido um pouco em cima da hora, isto é, em 1929, pelo que os uruguaios tiveram de deitar de imediato mãos à obra para erguer um estádio capaz de receber uma competição que desde a sua génese se afigurava tão majestosa. Foi então idealizado o Centenário, estádio previamente batizado - ainda antes de ver oficialmente a luz do dia - pelo facto de naquele ano de 1930 se assinalar precisamente o centenário da independência do pequeno Uruguai.
Erguer o Estádio Centenário foi uma autêntica luta contra o relógio. Milhares de trabalhadores laboraram noite e dia para que o anfiteatro estivesse pronto a tempo do início do Mundial. Não o conseguiram, por muito pouco, é certo, muito por culpa do chuvoso outono de 1929, que obrigou a que os trabalhos de construção fossem parados. Percebendo que a sua jóia não estaria concluida no dia em que seria dado o pontapé de saída do certame global a organização viu-se na necessidade de recorrer a dois outros estádios da capital uruguaia para realizar os primeiros encontros da Copa de 30. Eram eles o Parque Central (onde jogava o clube que a par do Peñarol divide o coração do povo de Montevideo, o Nacional), e o Campo de Pocitos.
E no dia 13 de julho de 1930 é oficialmente aberto o 1º Campeonato do Mundo, jogando-se à mesma hora (15h00) no Parque Central o Estados Unidos da América - Bélgica (a contar para o Grupo 4) e em Pocitos o França - México (do Grupo 1). Reza a lenda que em Pocitos estiveram pouco mais de 1000 pessoas a assistir ao duelo entre franceses e mexicanos, duelo que haveria de ter contornos históricos, já que daqui resultou então o primeiro golo de um Campeonato do Mundo. Corria o minuto 19 quando um cruzamento de Ernest Liberati foi aproveitado da melhor maneira por Lucien Laurent para fazer balançar as redes pela primeira vez naqueles primeiros minutos de vida do Campeonato do Mundo. No final 4-1 para a França. As luzes da ribalta viraram-se para Pocitos uma vez mais nesse épico Mundial, quando no dia 14 de julho a Roménia ali venceu o Perú por 3-1, em partida do Grupo 3. Depois disso o deslumbrante Centenário viu finalmente a luz do dia com a ocorrência do encontro entre Uruguai e Perú (1-0 para a equipa da casa), disputado no dia 18, tendo a partir de então o novo estádio relegado para segundo plano Pocitos e Parque Central, que até final da Copa de 30 não mais iriam ver os seus relvados ser pisados pelas estrelas do futebol de então.
Ponto final do Mundial de 1930 e a cidade de Montevideo começou a crescer e Pocitos foi engolido por ruas e casas que o fizeram desaparecer em difinitivo em 1940. Largas artérias e zonas residenciais da classe média-alta da capital uruguaia tomaram o lugar do célebre estádio. Durante anos o Campo de Pocitos foi esquecido, ou melhor, a sua história foi esquecida, pois para os que nasceram na segunda metade do século XX era inimaginável que no bairro de Pocitos, agora povoado por vivendas e ruas, tivesse sido escrita uma das páginas mais importantes da história do futebol internacional. Só nos inícios do século XXI, mais concretamente entre 2002 e 2006, o arquiteto Héctor Enrique Benech colocou mãos à obra na tentativa de descobrir o local exato onde havia sido marcado o tal golo de Lucien Laurent. Registos documentais praticamente não existiam (!), a não ser uma rara fotografia aérea do recinto datada de 1926, insuficiente, no entanto, para se (re)descobrir os local onde o francês havia feito o primeiro golo da história dos Mundiais.
Foi então feito um apelo nacional. Procurava-se alguém que tivesse assistido ao Mundial de 30 e que mais do que isso tivesse presenciado um dos jogos inaugurais do certame, neste caso o França - México, jogado em Pocitos. Uma tarefa árdua, pois não podemos esquecer que este apelo foi lançado em pleno século XXI, mais de 70 anos depois da ocorrência da Copa de 30, pelo que encontrar alguém vivo e de boa saúde era como encontrar uma agulha num palheiro. Mas por vezes o impossível torna-se possível, e um homem na casa dos 80 e muitos anos apareceu com uma verdadeira relíquia na mão: uma fotografia do célebre jogo França - México, onde aparecia a baliza... em que Laurent tinha feito o primeiro golo. Investigadores descobriram então o preciso local onde não só aconteceu esse momento histórico, como também o local onde estava desenhado o circulo central do relvado (!), um verdadeiro tesouro arqueológico, que hoje não é mais do que a esquina da Calle Charrua com a Calle Coronel Alegre, bem em frente a uma vulgar lavandaria (!), local onde foi erguida uma pequena escultura que eterniza o sagrado local. Uns metros mais à frente, encontramos uma outra estrutura metálica, esquesita à primeira vista, mas que depois de muito observada leva-nos à imagem de... um poste e parte da barra de uma baliza!!! Pois é, naquele preciso local estava a baliza onde Laurent fez o... tal golo.

Legenda das fotografias:
1-Uma imagem rara do Campo de Pocitos
2-A escultura situada na esquina das ruas Charrua e Coronel Alegre (em frente a uma lavandaria) onde se localizava o centro do terreno do desaparecido estádio
3-E a escultura que faz referência ao local exato onde estava erguida a baliza em que foi marcado o primeiro golo dos Mundiais. Nela podemos ver inscrita a seguinte frase: «Aqui foi feito o primeiro golo da história dos Campeonatos dos Mundo»

segunda-feira, novembro 26, 2012

Futebol nos Jogos Olímpicos (5)... Amesterdão 1928

O torneio de futebol das Olimpiadas de Amesterdão em 1928 não foi mais do que a confirmação daquilo que se visionara quatro anos antes em Paris, por outras palavras, o Uruguai enquanto a seleção mais poderosa do Mundo. Amesterdão 1928 foi pois como a segunda parte de uma das mais belas e poéticas histórias futebolísticas, a história de uma talentosa equipa que mostrou ao globo que o futebol poderia ser jogado de uma maneira artística e atraente, bem diferente do famoso kick and rush inglês interpretado pela esmagadora das seleções e/ou clubes do então planeta da bola.
E para tentar reconquistar o Mundo a seleção uruguaia voltou a reunir grande parte dos artistas que em Paris haviam entrado para a história, entre outros o lendário capitão Jose Nasazzi, Hector Scarone, Pedro Cea, ou a Maravilha Negra José Leandro Andrade, a primeira grande estrela do futebol a nível internacional, consagrada precisamente na capital francesa durante as célebres Olimpíadas de 24.
Poucas eram as equipas que apresentavam qualidade para impedir os magos uruguaios de (re)conquistar o ouro olímpico, sendo as exceções a Itália, que na década de 30 iria suceder precisamente ao Uruguai como a patrona do planeta futebolístico, ou a aguerrida e tecnicamente evoluída Argentina, que fazia a sua estreia naquele que era então considerado o maior evento desportivo do Mundo, e que nos duelos sul americanos vinha dando luta aos lendários uruguaios. A todas as outras seleções sonhar - com pelo menos uma vitória - era a ambição mais... realista.

Portugal faz a estreia na alta roda internacional

E entre os combinados que sonhavam pelo menos sair de Amestrdão com um resultado positivo na bagagem estava Portugal, uma seleção que a par de México e do Chile fazia a sua estreia na alta roda futebolística internacional. Presença nas Olimpíadas holandesas que foi o primeiro grande momento internacional do então jovem futebol português, foi como um prémio para aquela que muitos dos críticos dizem ser a primeira geração dourada da modalidade em terras lusas, na qual pontificavam lendas como Jorge Vieira, Vítor Silva, Augusto Silva, Raul Tamanqueiro, Valdemar Mota, Carlos Alves, ou o genial Pepe (cujo nome de batismo era José Manuel Soares).
Sob o comando do mestre Cândido de Oliveira - o responsável técnico pela equipa portuguesa em Amesterdão - o futebol português vivia uma fase de clara evolução. A seleção nacional deixara de ser aquele grupo de bons rapazes que na primeira metade dos anos 20 entrava para o campo de batalha com o espectro da derrota no horizonte, e dava agora lugar a um conjunto de habilidosos e criativos atletas cuja mentalidade vencedora desafiava, sem medo, fosse qual fosse o adversário. Prova desse atrevimento é que no início desse célebre ano de 1928 a seleção nacional empatou pela primeira vez ante a Espanha, seleção com quem até à data sempre havia perdido, e muitas vezes sido goleada, e já na fase de preparação para os Jogos Olímpicos esmagou a poderosa Itália por 4-1 e empatou com a talentosa Argentina a zero golos, resultados que fizeram crescer entre a nação um sentimento de orgulho e esperança de que finalmente Portugal podia fazer parte da elite do futebol internacional.
E coube precisamente à seleção portuguesa dar o pontapé de saída no quinto torneio olímpico de futebol da história. Facto ocorrido a 27 de maio, no Estádio Olímpico de Amesterdão, o anfiteatro onde decorreu a maior parte da ação da 8ª edição dos Jogos Olímpicos, onde os lusitanos enfrentaram os também estreantes do Chile, num encontro referente à única pré-eliminatória do evento. Os sul americanos cedo chegaram a uma vantagem de dois golos (Saavedra marcou aos 14 minutos e Carbonell ampliou aos 30). O acordar dos portugueses deu-se ainda durante a etapa inicial, quando aos 38 minutos o artista da linha avançada Vítor Silva reduziu para 1-2. Apercebendo-se do perigo que ali estava os chilenos logo trataram de inutilizar o avançado do Benfica, aplicando uma entrada mais dura que o levaria a abandonar o relvado até ao intervalo, e só voltar no reatamento. Com 10 - naquele tempo não eram permitidas as substituições - Portugal agigantou-se, e respondendo ao agressivo e desleal estilo chileno com um futebol tecnicamente refinado, criativo, e determinado, não foi de estrahar que ainda ante do descanso Pepe coloca-se todo o seu génio em campo e fizesse a igualdade. Enchendo o peito de coragem os bravos portugueses partiram com tudo para cima do Chile na etapa final, e logo a abrir a segunda parte Pepe opera a reviravolta no marcador, cabendo a Valdemar Mota a tarefa de carimbar de vez o passaporte luso para a a 1ª eliminatória do torneio. 4-2, o resultado final, e o Mundo ficava a conhecer a alma - guerreira - lusitana. Sobre esta histórica entrada em cena o cronista Fernando T. Pinto escreveu o seguinte texto no seu livro A História do Futebol em Portugal (publicado em 1956): «Em consequência da dureza que empregavam, Vítor Silva recebeu um toque violento no joelho e houve quer ser retirado, em braços, do campo, para só regressar depois do intervalo. Jogando com o coração, concentrando o pensamento na pátria distante, os nossos representantes apoiados por um grupo que se deslocara à Holanda, multiplicaram-se e num estrondoso alarde de valentia, ânimo, coragem e consciência técnica operámos a reviravolta».

Argentinos candidatam-se ao trono

No dia 29 de maio, também no Estádio Olímpico, a Argentina fez a sua estreia oficial no torneio olímpico de futebol, uma entrada onde deixou transparecer ao Mundo que estava ali para subir ao trono que era ocupado pelos vizinhos e velhos inimigos do Rio da Prata, o Uruguai. A apadrinhar a estreia da equipa das pampas estiveram os norte-americanos, um conjunto de bonz rapazes para quem o soccer era um verdadeiro enigma, a julgar pela pesada derrota que sofreram. 11-2, a favor os sul americanos, com destaque para o poker (quatro golos) do avançado Domingo Tarasconi, que no final do certame foi coroado como rei dos goleadores, com um total de 11 remates certeiros.
Antes desta goleada a Bélgica - ex-campeã olímpica - bateu com alguma dificuldade o frágil Luxemburgo por 5-3, ao passo que a Alemanha esmagou a Suíça por 4-0 - com três golos da autoria de Richard Hofmann -, e o experiente - em matéria de Olimpíadas - Egito goleava a Turquia por 7-1.
Quanto à França, bem, viveu mais uma desilusão. Depois das tentativas falhadas em 1908, 1920, e 1924, os franceses voltaram a não conseguir agarrar o sonho olímpico. Talento não lhes faltava, mas mais uma vez ficavam pelo caminho cedo demais. Mas desta feita, e ao contrário das edições de 1908 e 1920, sairam de cabeça erguida, e orgulhosos da sua prestação diante da Itália, uma potência que começava a aparecer nos relvados internacionais. No duelo ante a Squadra Azzura os franceses - que em Amesterdão foram novamente orientados por um inglês, desta feita Peter Farmer - estiveram prestes a espantar o Mundo e mandar para casa mais cedo um dos favoritos a destronar o mágico Uruguai. Juste Brouzes, por duas ocasiões, colocou os gauleses a vencer por 2-0 numa altura em que o relógio marcava apenas 17 minutos de jogo decorrido! Mas do outro lado estavam alguns jogadores que anos mais tarde iriam ascender ao Olimpo dos Deuses da Bola, casos de Angelo Schiavio, ou de Gino Rossetti, que guiariam à azzurra à reviravolta e a permanecer desta forma no trilho do título olímpico. 4-3, resultado apertado, mas justo de uma Itália que confirmou ter armas suficientes para lutar pelo ouro.
Sem grandes problemas a Espanha - que em Amesterdão se viu privada da sua grande estrela, Ricardo Zamora - despachou o México por 7-1, enquanto que Portugal vivia um novo momento histórico na sua primeira presença internacional. Ante a Jugoslávia nova vitória alcançada, desta feita por 2-1, e confirmada em cima da meta, isto é, aos 90 minutos por Augusto Silva, que desta forma ficou eternizado como o Tigre de Amesterdão. Antes disso Vítor Silva havia inaugurado o marcador aos 25 minutos, sendo que aos 40 Bonacic empatou. Sobre este triunfo Fernando T. Pinto escreveu: «Tivemos sorte e jogámos com nobreza e generosidade nos 15 minutos finais, merecendo destaque Augusto Silva, que recebeu nesse jogo o epíteto de tigre de Amesterdão. Foi tão pujante, tão portentosa a exibição do médio-centro lusitano que, no final, os próprios holandeses o passearam em triunfo».
No derradeiro encontro da ronda inicial o Estádio Olímpico engalanou-se para receber a deslumbrante seleção uruguaia. Quase 28 000 espetadores não quiseram perder a oportunidade de ver em ação José Leandro Andrade e companhia, que como primeiro obstáculo tiveram a turma da casa, a Holanda. E não foi uma barreira fácil de ultrapassar, diga-se em abono da verdade. Pese embora a sua superioridade nunca tivesse sido colocada em causa o Uruguai venceu somente por 2-0 a equipa orientada pelo inglês Robert Glendenning, sendo que o golo da tranquilidade chegou apenas aos 86 minutos, por intermédio de Santos Urdinaran (Scarone havia feito o 1-0 aos 20 minutos).

Squadra Azzurra esmaga Espanha à segunda tentativa

Assumia contornos de "prato principal" dos quartos de final do torneio olímpico de 28. Espanha e Itália, duas seleções com vitórias distintas na 1ª eliminatória protagonizaram um embate empolgante na tarde de 1 de junho. Nos italianos uma surpresa no "onze". Giampiero Combi, guarda redes da Juventus, fazia a sua estreia em competições internacionais, ele que seis anos depois haveria de erguer - na qualidade de capitão de equipa - a primeira taça de campeão do Mundo conquistada pela Squadra Azzurra. Aos 11 minutos o experiente defesa Domingo Zaldua colocou os espanhóis em vantagem no marcador, vantagem essa assegurada até meio da etapa final, altura (63 minutos) em que Baloncieri repós a igualdade e obrigou a que este duelo fosse repetido três dias depois.
A caminhada triunfal da Argentina continuou no dia seguinte (2 de junho) com uma nova goleada, desta feita imposta à Bélgica, por 6-3, com a particularidade de Tarasconi ter feito novamente quatro golos.
E no dia 3 o Uruguai espalhou magia pelo relvado do Olímpico de Amesterdão, que mais uma vez registava uma boa casa (25 000 pessoas) para ver os magos sul americanos em ação. Com uma exibição repleta de glamour o combinado celeste vulgarizou os alemães, que mais não conseguiram fazer do que evitar uma não muito pesada derrota por 1-4, e desta forma gabar-se de dizer que foram afastados da competição pela melhor equipa do Mundo, ou melhor, por um conjunto de jogadores do... outro Mundo!
E o sonho português conhecia um novo capítulo no dia 4 de junho. Novo e derradeiro capítulo, já que os faraós do Egito colocaram um ponto final na aventura dos pupilos de Cândido de Oliveira na sequência de um triunfo por 2-1. Até aos 75 minutos desse encontro os norte africanos estiveram a vencer por 2-0, altura em que Vítor Silva reacendeu a chama da esperança ao reduzir para 1-2. Os portugueses lutaram com alma até final pela hipótese de conquistar uma medalha, mas podem queixar-se sobretudo da sua falta de inspiração no aspeto da finalização para justificar o afastamento perante o teoricamente acessível Egito. Muitas oportunidades de golo foram desperdiçadas pelo conjunto luso, que no final se queixou... do árbitro italiano Giovanni Mauro. Eliminados, os jogadores lusos regressaram dias depois a solo lusitano - depois de 40 horas de comboio! - onde seriam recebidos como... heróis. E heróis ficaram para a eternidade.
E se o primeiro Itália - Espanha havia sido pautado pelo equilíbrio o jogo de desempate foi tudo menos equilibrado. Uma exibição de gala dos italianos, em contraposto com uma atuação paupérrima da Espanha, foi concluída com uma robusta vitória por 7-1 (!) dos transalpinos.

Celeste Olímpica vence final antecipada

Era grande a espetativa dos holandeses - e do resto do Mundo - em saber quem iria enfrentar a Argentina na final dos Jogos Olímpicos de 28. Argentinos que na primeira semi final haviam aplicado de novo a chapa seis, desta feita ao Egito (6-0), com três golos de Tarasconi.
Estranhamente apenas 15 000 espetadores marcaram presença no Estádio Olímpico para assistir ao embate que iria decidir o segundo finalista, a Itália ou o Uruguai. Duas grandes equipas em ação, e grande foi, com naturalidade, o duelo protagonizado por ambas. Baloncieri inaugurou o marcador para a azzurra logo aos nove minutos, mas comandada de forma magistral desde o setor recuado do terreno pela Maravilha Negra Andrade a Celeste Olímpica - assim ficou eternizada a seleção uruguaia após as Olimpíadas de 24 e 28 - chegaria ao empate aos 17 minutos por intermédio de Cea. Campolo, aos 28 minutos, e Scarone, aos 31, ampliaram a vantagem dos sul americanos pra 3-1, resultado com que se atingiu o descanso.
Na segunda etapa a Itália deu luta, e aos 60 minutos Levratto encurtou distâncias no marcador, mas até final de nada valeram os esforços dos europeus, já que quando o árbitro holandês Eijmers apitou pela última vez o marcador indicava um 3-2 a favor os lendários uruguaios.

Final em dois atos

E eis que chegávamos a 10 de junho, o dia mais esperado do torneio olímpico, o dia da grande final. E o cartaz era convidativo, frente a frente dois pesos pesados do futebol... sul americano. Os seus duelos - oficiais - remontavam a 1916, ano em que começou a ser disputado o Campeonato Sul-Americano - mais tarde rebatizado de Copa América -, e cujo domínio era repartido pelos dois velhos inimigos. Encontravam-se agora num patamar mais alto que não o da luta pelo trono de rei das américas. O que agora estava em jogo era o título de campeão do... Mundo.
Um dia antes da final a Itália tinha conquistado a medalha de bronze depois de esmagar o Egito por 11-3!
Pouco mais de 28 000 entusiastas encheram as bancadas do Olímpico de Amesterdão para ver quem sucederia ao Uruguai como dono do planeta. E aquilo a que assistiram foi uma épica jornada futebolística, protagonizada por duas equipas que se conheciam muito bem, e cujo futebol apresentava contornos mágicos, em especial o dos uruguaios. Pedro Petrone (melhor marcador do torneio de 1924) fez 1-0 para os uruguaios aos 23 minutos, enquanto que o empate seria restabelecido aos 50 por Manuel Ferreira. Para desilusão dos muitos entusiastas que presenciaram aquele histórico duelo 1-1 seria o resultado final, e como tal ditavam as leias que teria de haver um novo encontro três dias depois.
No dia 13 as bancadas do anfiteatro holandês apresentaram-se novamente cheias para ver o segundo ato desta inolvidável peça futebolística. E mais uma vez sob o signo do equilibrio ambos os conjuntos não defraudaram os espetadores. Num magnífico espetáculo Figueroa fez 1-0 aos 17, e Monti empataria aos 28. Estava escrito que só um golpe de génio, um ato de magia, poderia desempatar este encontro, e seria isso mesmo o que viria a acontecer aos 73 minutos, altura em que a lenda Hector Scarone bate o guardião Angel Bossio pela segunda vez e revalida desta forma o título de campeão olímpico para o Uruguai.
Após este torneio o futebol nos Jogos Olímpicos como que morreu! O sucesso das primeiras edições olímpicas fez com a FIFA - mais concretamente o seu presidente Jules Rimet - idealiza-se uma grande competição internacional, que reunisse as melhores equipas do Mundo à sua volta, uma competição independente do Comité Olímpico Internacional que teimava em não permitir que jogadores profissionais participassem nos Jogos. Assim, em 1930 surgia o primeiro Campeonato do Mundo de futebol, certame organizado pela FIFA, que com o passar dos anos haveria de ultrapassar os Jogos Olímpicos em termos de popularidade e mediatismo. E como espécie de presente pelas inolvidáveis campanhas levadas a cabo em 1924 e 1928 a FIFA atribuiu a organização do primeiro Mundial da história precisamente ao Uruguai, país que sem qualquer surpresa haveria de se tornar no primeiro campeão do Mundo... oficial.

A figura: José Leandro Andrade

Mais uma vez o Uruguai foi guiado até à glória desde a sua defesa, pelo homem qué é ainda hoje considerado como a primeira grande estrela do futebol internacional: José Leandro Andrade.
Ágil, elegante, e combativa a Maravilha Negra foi o centro das atenções durante a estadia dos uruguaios em Amesterdão, foi o responsável pelo elevado número de público que se deslocava ao Estádio Olímpico sempre que o Uruguai entrava em ação, adeptos esses que procuravam assim ver de perto o primeiro ícone do futebol internacional.
Se em Paris Andrade foi decisivo para a conquista do título, em Amesterdão o seu papel foi fundamental, servindo de bandeja de ouro os seus companheiros mais adiantados no terreno no ataque às redes adversárias.
(Nota: Sobre a biografia de Andrade o Museu Virtual de Futebol já traçou inúmeras linhas ao longo da sua história, tanto na vitrina dedicada às grandes lendas, como na visita efetuada às Olimpíadas de 1924, onde a Maravilha Negra foi considerada a grande figura, tal como em Amesterdão)

Resultados

Pré-eliminatória

27 de maio de 1928
Portugal - Chile: 4-2
(Pepe, aos 40m, 50m, Vítor Silva, aos 38m, Valdemar Mota, aos 63m)
(Saavedra, aos 14m, Carbonell, aos 30m)

1ª Eliminatória

Luxemburgo - Bélgica: 3-5
(Schutz, aos 31m, Weisgerber, aos 42m, Theissen, aos 44m)
(Braine, aos 9m, aos 72m, Moeschal, aos 23m, aos 67m, Versyp, aos 20m)

28 de maio de 1928

Suíça - Alemanha: 0-4
(Hofmann, aos 17m, aos 75m, aos 85m, Hornauer, aos 42m)

Turquia - Egito: 1-7
(Refet, aos 71m)
(Moukhtar, aos 46m, aos 50m, aos 63m, El Hassany, aos 20m, Riad, aos 27m, Hooda, aos 53m, Zobeir, aos 86m)

29 de maio de 1928


França - Itália: 3-4
(Brouzes, aos 15m, aos 17m, Dauphin, aos 61m)
(Rossetti, aos 19m, Levratto, aso 39m, Banchero, aos 43m, Baloncieri, aos 60m)

Jugoslávia - Portugal: 1-2
(Bonacic, aos 40m)
(Vitor Silva, aos 25m, Augusto Silva, aos 90m)

Argentina - Estados Unidos da América: 11-2
(Tarasconi, aos 24m, aos 63m, aos 66m, aos 89m, Manuel Ferreira, aos 9m, aos 29m, Cerro, aos 47m, aos 49m, aos 57m, Orsi, aos 41m, aos 73m)
(Kuntner, aos 55m, Carroll, aos 75m)

30 de maio de 1928

Espanha - México: 7-1
(Regueiro, aos 13m, aos 27m, Yermo, aos 43m, aos 63m, aos 85m, Marculeta, aos 66m, Marsical, aos 70m)
(Carreno, aos 76m)

Holanda - Uruguai: 0-2
(Scarone, aos 20m, Urdinaran, aos 86m)

Vídeo: HOLANDA - URUGUAI


Quartos de final

1 de junho de 1928

Itália - Espanha: 1-1
(Baloncieri, aos 63m)
(Zaldua, aos 11m)

2 de junho de 1928

Argentina - Bélgica: 6-3
(Tarasconi, aos 1m, aos 10m, aos 75m, aos 89m, Manuel ferreira, aos 4m, Orsi, aos 81m)
(Braine, aos 24m, Van Halme, aos 28m, Moeschal, aos 53m)

3 de junho de 1928

Alemanha - Uruguai: 1-4
(Hofmann, aos 81m)
(Petrone, aos 35m, aos 39m, aos 84m, Scarone, aos 63m)

Vídeo: ALEMANHA - URUGUAI
 
4 de junho de 1928

Portugal - Egito: 1-2
(Vítor Silva, aos 76m)
(Moukhtar, aos 15m, Riad, aos 48m)

Itália - Espanha: 7-1 (desempate)
(Levratto, aos 76m, aos 77m, Magnozzi, aos 14m, Schiavio, aos 15m, Baloncieri, aos 18m, Bernardini, aos 40m, Rivolta, aos 72m)
(Yermo, aos 47m)

Meias finais

6 de junho de 1928

Argentina - Egito: 6-0
(Tarasconi, aos 37m, aos 54m, aos 61m, Manuel Ferreira, aos 32m, aos 82m, Cerro, aos 10m)

7 de junho de 1928

Itália - Uruguai: 2-3
(Baloncieri, aos 9m, Levratto, aos 60m)
(Cea, aos 17m, campolo, aos 28m, Scarone, aos 31m)

Jogo de atribuição da medalha de bronze

9 de junho de 1928
Itália - Egito: 11-3
(Schiavio, aos 6m, aos 42m, Banchero, aos 19m, aos 39m, aos 44m, Magnozzi, aos 72m, aos 80m, aos 88m, Baloncieri, aos 14m, aos 52m)
(Riad, aos 12m, aos 16m, El Ezam, aos 60m)

Final

10 de junho de 1928

Uruguai - Argentina: 1-1
(Petrone, aos 23m)
(Manuel Ferreira, aos 50m)

Finalissima

13 de junho de 1928

Uruguai - Argentina: 2-1

Estádio: Olímpico de Amesterdão

Árbitro: Mutters (Holanda)

Uruguai: Mazali, Nasazzi, Arispe, Jose Leandro Andrade, Piriz, Gestido, Arremon, Scarone, Borjas, Cea, e Figueroa. Treinador: Primo Gianotti

Argentina. Bossio, Bidoglio, Paternoster, Medici, Monti, Evaristo, Carricaberry, Tarasconi, Ferreira, Perducca, e Orsi. Treinador: José Lago

Golos: 1-0 (Figueroa, aos 17m), 1-1 (Monti, aos 28m), 2-1 (Scarone, aos 73m)

Vídeo: URUGUAI - ARGENTINA
 
Legenda das fotografias:
1-Cartaz oficial dos Jogos Olímpicos de 1928
2-A seleção de Portugal, que fez a esteria em provas de âmbito internacional
3-Os mágicos uruguaios entram em campo, com o capitão Nazassi na frente
4-Momento do encontro entre Uruguai e Alemanha
5-Um lance do Egito - Portugal
6-A empolgante meia final entre a Celeste Olímpica e a Squadra Azzurra
7-Lance do empolgante duelo final
8-Os dois capitães de equipa e o trio de arbitragem antes da grande final
9-A Maravilha Negra
10-Portugueses e chilenos

11-A seleção da Alemanha
12-A forte Itália...
13-... que humilhou a Espanha nos quartos de final
14-A temível Argentina
15-Lance entre italianos e espanhóis
16-Panorámica do estádio olímpico durante o massacre italiano ao Egito
17-E os bi-campeões olímpicos, o Uruguai

sexta-feira, novembro 23, 2012

Efemérides do Futebol (12)...

A primeira "seleção nacional"

Noutras visitas à história já recordámos a primeira vez que a seleção nacional de Portugal entrou em campo para defender a sua bandeira. Facto ocorrido, nunca é demais relembrar, a 18 de dezembro de 1921, em Madrid, diante da Espanha, que bateu o combinado luso por 3-1. Este foi efetivamente o primeiro encontro em que a seleção nacional portuguesa apareceu sob esta desiganção, mas mais de uma década antes a Associação de Futebol de Lisboa (AFL) reuniu alguns dos melhores clubes da sua região administrativa para representar a sua equipa em duelos ante equipas internacionais, equipa essa que seria batizada de... seleção nacional. A estreia desse combinado nacional ocorreu em Huelva (Espanha) a 27 de agosto de 1910 e resulta de um convite inicial do Recreativo daquela cidade castelhana a Eduardo Luís Pinto Basto, filho do introdutor do futebol em Portugal, Guilherme Pinto Basto, e dirigente/atleta do Clube Internacional de Futebol (CIF). Pinto Basto sugeriu o Sporting como substituto do CIF, que por motivos desconhecidos não se mostrou disponível para viajar até Espanha, acabando o CIF e o Sporting por decidir enviar uma equipa que fosse composta por jogadores provenientes de vários clubes filiados na AFL. E a equipa que viajou para Huelva e bateu o Recreativo local por 4-2 era composta por: António Bentes (Sporting), Augusto de Freitas (Sporting), Henrique Costa (Benfica), Francisco Bellas (Sport União Belenense), António Couto (Sporting), Cosme Damião (Benfica), António Rosa Rodrigues (Sporting), António Stromp (Sporting), Francisco Stromp (Sporting), e Luiz Vieira (Benfica).
Encantados com a experiência a AFL resolve em 1911 voltar a reunir a sua "seleção nacional", desta feita para enfrentar os franceses do Stade Bordelais, que a convite da associação lisboeta efetuaram três encontros em território português, um diante do CIF, outro com o Benfica, e por último ante a "seleção" da AFL. Este último desafio decorreu no dia 21 de maio, no Campo da Feiteira, em Lisboa, e a "seleção nacional", equipando de camisola azul e branca (cores da monaquia que então acabara de cair em Portugal), calção branco, e meia preta, alinhou com: Eduardo Luís Pinto Basto (CIF), Merick Barley (CIF), Henrique Costa (Benfica), William Sissener (CIF), Cosme Damião (Benfica), Artur José Pereira (Benfica), António Stromp (Sporting), Francisco Stromp (Sporting), António Rosa Rodrigues (Sporting), Carlos Sobral (CIF), e João Bentes (Sporting). Quanto ao resultado o conjunto luso esmagou o seu congénere gaulês por 5-1.
Nos anos que se seguiram a "seleção nacional" da AFL efetuou mais alguns jogos, sendo de sublinhar uma ida ao Brasil, onde no Rio de Janeiro somaram uma vitória, um empate, e duas derrotas.
Na imagem de cima pode ver-se a equipa da AFL, sob os desígnios de "seleção nacional" que enfrentou o Stade Bordelais na tarde de 21 de maio. (da esquerda para a direita na fila de baixo: António Stromp, António Rosa Rodrigues, Francisco Stromp, Carlos Sobral, e João Bentes. Em cima pela mesma ordem: Cosme Damião, Merick Barley, Eduardo Luís Pinto Basto, Henrique Costa, Artur José Pereira, e William Sissener).