sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Estrelas cintilantes (24)... Correia Dias

Tempos houve em que o amor à camisola falava mais alto do que qualquer ordenado ou prémio de jogo chorudo. Nenhum dinheiro do Mundo pagava a honra e o prazer de jogar com o emblema do coração ao peito. Era o tempo do futebol romântico, puro, e sem os tiques de vedetismo e exploração que o belo jogo hoje em dia ostenta.
A nossa estrela de hoje foi um desses eternos apaixonados pelo clube dos seus olhos...
E dando continuidade na vitrina alusiva às “estrelas cintilantes” a jogadores de peso – recordámos que na nossa última passagem por esta vitrina visitámos o célebre Willy “Fatty” (gordo) Foulke – iremos sem mais demoras traçar umas breves linhas sobre o corpolento avançado do FC Porto na década de 40 Correia Dias.
Manuel Belo Correia Dias nasceu no longínquo ano de 1919, a 24 de Março, tendo como berço a Cidade de Ovar, bem próxima do Porto.
Seria nesta última urbe que Manuel daria os primeiros pontapés oficiais na bola... ao serviço do seu grande amor, o FC Porto. Seria como “dragão” que o jovem Manuel faria toda a sua formação de futebolista tendo chegado à equipa principal dos azuis-e-brancos na temporada de 1941/42. E logo na estreia deu nas vistas com dois golos ao Vitória de Guimarães!
O jovem Manuel passou então a popularizar-se nos rectângulos de jogo como o temido avançado Correia Dias. Temido não só pelo seu instinto natural para o golo como igualmente pelos seus 113 quilos de peso! É verdade. Ainda hoje é reconhecido como o avançado mais corpulento do futebol lusitano.
Tornou-se desde logo num ídolo para os adeptos portistas, não somente pelo seu aspecto físico e peculiar jeito para o pontapé na bola como também pelo facto de se ter tornado num dos maiores goleadores do clube portuense. Neste aspecto é de sublinhar que foi precisamente na sua temporada de estreia ao mais alto que Correia Dias se consagrou como o melhor marcador do Campeonato Nacional da 1ª Divisão com 34 remates certeiros.
Não venceu qualquer título colectivo de alto gabarito pelo seu FC Porto, contudo foi peça influente numa das mais célebres vitórias de uma equipa portuguesa sobre um combinado internacional. Tal efeméride deu-se a 6 de Maio de 1948 quando no mítico Estádio do Lima (Porto) o FC Porto recebeu o poderoso Arsenal de Londres. Ingleses que na época eram considerados a melhor equipa do planeta. Resultado final desse histórico encontro (do qual aqui já falámos na vitrina dedicada aos “grandes clássicos” da bola): 3-2 a favor os portugueses, tendo Correia Dias apontado dois golos aos pupilos do lendário mestre da táctica Herbert Chapman.
E Correia Dias podia muito bem não ter participado nesta epopeia portista, já que em 46/47 ele abandonou temporariamente o futebol alegando motivos de ordem pessoal. No entanto o FC Porto sentiu a sua falta e o treinador Eládio Vascheto convenceu-o a voltar à acção. O amor ao clube falou mais alto e Correia Dias não consegiu dizer não. Neste regresso sublinharia que jogaria de graça, que não queria um tostão do seu clube, mas por uma questão de igualdade e disciplina foi obrigado a aceitar um ordenado semelhante ao que o restante plantel auferia. Mas Correia Dias não precisava de dinheiro para defender a sua dama, jogava por amor.
E assim o fez até ao final da sua carreira, mais precisamente até à temporada de 48/49. Pelo seu FC Porto actuou por 114 ocasiões e fez balançar as redes em 110 ocasiões! Notável.

Um comentário:

Armando Pinto disse...

Um grande jogador, em talento e físico, a tal ponto que, passado tanto tempo, e sem ser de clubes de Lisboa e arredores, como é uso e costume neste país, Correia Dias continua a ser lembrado e recordado... o que é bem sintomático!