sexta-feira, abril 10, 2026

Efemérides do Futebol (58)... Nem a histórica deputada do PCP, Odete Santos, livrou Vítor Baptista de ir “treinar” a equipa da Colónia Penal de Sintra

Vítor Baptista no banco dos réus ao lado de Odete Santos

Os versos da canção do célebre Antóbio Variações de que “quando a cabeça não tem juízo (…) o corpo é que paga”, bem que podiam resumir a vida de um dos maiores talentos que o futebol português produziu em toda a sua história: Vítor Baptista. A sua genialidade dentro das quatro linhas não teve cenário idêntico fora delas, sendo que a sua triste história de vida é sobejamente conhecida por todos. Drogas, jogo, práticas criminosas, fizeram com que acabasse os seus dias mais profunda miséria. A nossa viagem ao passado de hoje recorda um dos muitos dias tristes que Vítor Batista viveu fora dos relvados, numa altura em que já estava afastado do futebol. Esta história torna-se de certa forma peculiar porque envolve uma figura política ligada à história do Partido Comunista Português. Bem, estávamos em 1989, mais concretamente a 29 de maio, e na sequência de mais um ato irrefletido (?) Vítor Baptista volta à barra do tribunal para ser julgado por dois furtos qualificados. Por outra palavras, um roubo a um interior de uma viatura e outro furto idêntico, o que se traduziu numa pena de prisão de quatro anos. Nesse mesmo julgamento, o Maior – como ele próprio se autointitulava devido às suas notáveis capacidades técnicas na arte de manusear a bola de futebol – foi ainda absolvido da acusação de um assalto a uma sapataria, por falta de provas. Esta não era já a primeira vez que Vítor Baptista se sentava no banco de um tribunal enquanto réu por prática de atos ilícitos, de tal forma que na leitura da sentença a juíza Isabel Tapadinhas mencionou precisamente que o antigo futebolista revelava «inclinação especial para as infrações relativas a furtos», acrescentando que o mesmo - e em jeito de reprimenda - havia «jogado em grandes clubes e na seleção nacional, pelo que seria recomendável outro procedimento», e que o tribunal, neste caso, não havia sido duro com ele. Neste julgamento, o Maior (dos relvados, claro está) teve como advogada a então deputada à Assembleia da República do PCP, Odete Santos, também ela já na época uma figura conhecida e muito ligada a Setúbal, terra do futebolista, onde exerceu também vários cargos a nível partidário e autárquico. A então deputada e figura histórica do PCP declarava à saída da sessão deste julgamento que admitia a possibilidade de adquirir um exame às faculdades mentais de Vítor Baptista a fim dele ser internado. De facto, o antigo jogador passava por inúmeros problemas ligados ao consumo de drogas e álcool, sendo esta atividade criminosa que então praticava não mais do que uma forma de sustentar o vício. «Vítor Baptista não pode estar preso. Tem que ser internado», defendida a deputada/advogada. Também o então presidente do último clube em que o Maior alinhou, avogava que o antigo craque não estava bem no plano mental e que era urgente o seu tratamento. «As prisões não curam ninguém. O Vítor Baptista deveria ser internado num centro de recuperação a fim de ser útil à sociedade», opinava à saída do tribunal, Camilo Alminha, presidente do Estrelas do Faralhão. Certo é que Vítor Baptista rumaria depois disto num carro celular para cumprir pena na Colónia Penal de Sintra (atualmente denominado de Estabelecimento Prisional de Sintra)… onde viria a ser o treinador da equipa de futebol daquela prisão.

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