quinta-feira, abril 09, 2026

Efemérides do Futebol (57)... Quando o nome de Eusébio subiu aos palcos do Indie Rock / Dance britânico no início dos anos 90

 


São inúmeros os exemplos que atestam que a música (sobretudo o rock) sempre esteve intimamente ligada ao futebol. A paixão (fervorosa) pelo Belo Jogo é comum a muitas estrelas do rock & roll, que quer na sua “vida civil”, quer no seu trabalho refletem esse sentimento. Este casamento entre a música e o futebol tem acontecido com mais predominância no Reino Unido, onde a modalidade inspirou não só vários hits como até o nome de bandas. E é nesta última categoria que o nosso artigo de hoje se centra e que diz muito da mística que o futebol português deixou e ainda hoje deixa em Terras de Sua Majestade. Sobretudo o nome de um futebolista em particular, cujo desempenho no maior momento da história do futebol inglês jamais será esquecido. Referimo-nos, claro está, a Eusébio da Silva Ferreira e à sua estupenda atuação no Mundial de 66. O nome do Pantera Negra ficou para sempre na retina dos ingleses, até daqueles que fazem, ou fizeram, música. Foi o caso de um grupo de cinco jovens oriundos de Brighton, cidade localizada na costa sul de Inglaterra, que em 1988 aliam a paixão pela música e o futebol, e em especial a profunda admiração pelo nosso Eusébio, para formar uma banda, a qual batizaram de… Eusebio (sem acento). Estávamos à porta de uma década (a de 90) que iria transformar a indústria musical britânica, um período em que o indie rock com guitarras marcantes dominou as paradas e definiu um movimento cultural. As bandas nascidas nestes anos criaram uma trilha sonora brilhante e ao mesmo tempo rebelde. Os exemplos mais sonantes vieram na sua maioria de Manchester, casos dos Oasis, dos Blur, dos Happy Mondays, dos The Charlatans, ou dos Stone Roses, sendo que estes últimos foram talvez os pioneiros – em meados da década de 80 – desse movimento musical contagiante que ficou perpetuado na história como Madchester, um movimento caracterizado por uma mistura de rock alternativo, neo-psicadélica e dance music. 


Bom, mas voltando aos Eusebio, eles apresentavam-se como uma banda que assentava num estilo indie/dance, e foram rotulados como uma espécie de resposta do sul do Inglaterra ao tal movimento Madchester. A maior parte dos seus integrantes tinha pertencido a outras bandas locais de Brighton, como os Milk Sisters, ou os Candie Maids. Durante o período em que estiveram em ação nos palcos britânicos, os Eusebio fizeram inúmeros concertos, sendo que as suas atuações ao vivo chamaram a atenção de inúmeras publicações britânicas especializadas em música, casos da revista The Face, da Melody Maker, da Smash Hits (que os denominou a certa altura como “a maior banda independente do Reino Unido”), ou da internacionalmente famosa New Musical Express que lhes deu atenções de primeira página. Ao longo da sua curta existência a banda de Brigthon fez as primeiras partes de concertos de outras grandes e aclamadas bandas britânicas, casos dos Happy Mondays, dos Primal Scream, dos Suede, dos Ocean Colour Scene, entre muitas outras. 

Cartaz de um concerto dos aclamados 
Happy Mondays em que a banda suporte foram 
os Eusebio 

Descritos como tendo uma forte presença em palco, os Eusebio nunca assinaram um contrato discográfico com qualquer editora, pese embora tenham recebido propostas de editoras como a Island, a Creation, a Heavenly, entre outras, optando, no entanto, por seguir uma onda mais livre de ligações contratuais. Porém, houve uma altura em que uma das maiores editoras britânicas da altura, a CBS, apresentou uma enorme proposta à banda, a qual terá aceitado, mas quando tudo parecia bem encaminhado a CBS foi comprada pela Sony e as negociações do contrato caíram por terra. Apesar de nunca ter gravado qualquer disco, os Eusebio tinham como cartão de visita uma demo intitulada: “Accept Your Lips”. A paixão pelo futebol e sobretudo a admiração pelo Pantera Negra foram de tal forma evidentes no percurso da banda, que a mesma produziu camisolas da seleção portuguesa alusivas à época em que Eusébio atuava, camisolas essas que eram vendidas como produtos oficiais da banda. «Ele (Eusébio) foi um jogador de futebol incrível e a quem queríamos prestar homenagem através da nossa banda», recordou ao nosso Museu o vocalista da banda, Gary Pleece. Além de Gary, os Eusebio eram formados ainda por Warren Pleece (no baixo), Mark Burletson (na guitarra) Ian Hay (na bateria) e Caz Adams (nos teclados). 


Em 1991 os Eusebio dão por encerrada a sua breve carreira, mas a paixão pelo futebol continuou bem patente na vida de alguns dos seus membros. Por outras palavras, nesse mesmo ano o vocalista Gary Pleece – adepto confesso do Chelsea – funda juntamente com o guitarrista Mark Burletson – este, por sua vez, adepto do West Ham United – um clube de futebol amador. Hoje em dia, Pleece dirige na sua cidade natal uma organização sem fins lucrativos que leva o futebol gratuito a áreas carentes de Brighton. Para além disso, treina duas equipas de futebol feminino e diverte-se a assistir aos jogos dos escalões semi-profissionais protagonizados pelo Lewes e pelo Whitehawk, dois emblemas da região de Brighton. 


Bom, os Eusebio podem não ter atingido a fama global do nosso Eusébio, mas pelo menos podem gabar-se de o próprio Pantera Negra ter tido conhecimento da existência deles. Tal facto aconteceu em 1990, por alturas de um Inglaterra – Camarões, a contar para Mundial que nesse ano decorreu em Itália. No Aeroporto de Heathrow, em Londres, Eusébio foi confrontado por um jornalista sobre a existência desta banda que levada o seu nome. Na resposta, o King disse não saber de nada, não ocultando, no entanto, a sua satisfação por tal descoberta.

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