terça-feira, maio 28, 2019

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (15)... Vítor Cândido


Poucos serão os jornalistas desportivos a quem se lhes perdoa – ou perdoou, no caso daqueles que já nos deixaram – o facto de não esconderem a sua fervorosa paixão por determinado clube que não aquele pelo qual o nosso coração bate. Por outras palavras, poucos serão os mestres da pena que ao longo da sua carreira recolheram aplausos e sobretudo são – ou foram – merecedores da admiração de adeptos de todos os clubes pelo profissionalismo exibido ao longo da sua carreira. Poucos serão ainda os que exibiram valores como honestidade, justiça, imparcialidade, rigor, e claro está, talento para a criação de verdadeiras prosas jornalísticas desportivas que serão lidas e relidas eternamente tal e qual as grandes obras de vultos da História literária de Portugal.
Em suma, nomes que serão eternos quando o tema de conversa for: “grandes jornalistas desportivos”, ou “verdadeiros jornalistas”. Uma “espécie” em vias de extinção na atualidade no que ao jornalismo desportivo diz respeito, há que dizê-lo.

Mas a nossa figura de hoje apesar de pertencer a uma geração passada de grandes vulto da comunicação social desportiva, continua no ativo, a brindar todos aqueles que gostam de bom jornalismo com as suas histórias e talento para fazer bailar as palavras.
Essa ilustre figura é Vítor Cândido, notável jornalista que sobressaiu sobretudo ao serviço de A Bola… e adepto confesso do Sporting Clube de Portugal.
Natural do Concelho de Arganil, Vítor Cândido foi não só um notável jornalista do jornal da Travessa da Queimada como também um dedicado colaborador e dirigente do clube de Alvalade.

Foi precisamente o seu amor pelo Sporting que o introduziu no mundo do jornalismo desportivo, quando ainda jovem acompanhava religiosamente algumas modalidades ditas amadoras na toca do leão, o mesmo será dizer, Alvalade.
Os combates de boxe travados pelos pugilistas do seu amado clube a que assistia, levaram elementos desta secção a convidar o então jovem Vítor Cândido a colaborar mais de perto com esta. Depois do boxe seguiram-se as lutas amadoras e o halterofilismo, secções que constatando in loco a dedicação e competência daquele jovem em prol do Sporting também o “requisitaram” para dar uma ajuda… nas “catacumbas” de Alvalade, como o próprio Vítor Cândido ainda hoje se refere, com carinho e saudade, aos locais (sombrios) onde estas modalidades então se desenvolviam/eram praticadas no reino do leão. Cenário bem diferente daquele que é oferecido hoje no moderno e confortável Pavilhão João Rocha, a casa das modalidades do Sporting. Outros tempos.

A sua dedicação, sempre a custo zero, ao Sporting valeu-lhe em meados dos anos 80 um convite da Direção presidida por Amado de Freitas para integrar os quadros diretivos leoninos. Mas muito antes deste convite um outro convite haveria de mudar a vida do jovem Vítor. Enquanto acompanhante atento das modalidades do clube foi convidado pelo Jornal Sporting (então o único órgão de oficial dos leões) para escrever uns textinhos sobre as competições em que muitas dessas secções do clube participavam. Era o pontapé de saída de uma brilhante carreira de jornalista.
Os seus atributos não demoraram a sair das fronteiras de Alvalade e eis que certo dia recebe um telefonema do chefe de redação da Rádio Comercial, Fernando Correia, que sabendo que Vítor Cândido acompanhava muitas competições dessas modalidades lhe acenou com um convite de colaborador da rádio – que consistia em transmitir à estação de rádio os resultados das várias competições, atendendo a que esta não tinha então colaboradores em muitas das chamadas modalidades amadoras.
Uma semana depois deste convite recebe outro telefonema. Era A Bola. Nomes históricos deste jornal, como Carlos Pinhão e Homero Serpa convidam o jovem Vítor Cândido – que na altura, em termos profissionais, era técnico de vendas – para colaborador.
Em inícios dos anos 80 fixa-se no jornal da Travessa da Queimada, em cujas páginas, nas décadas seguintes, cravou largas centenas – porque não dizer milhares – de peças jornalísticas que fizeram a delícia dos verdadeiros amantes do desporto, em particular do futebol. Fossem eles sportinguistas, benfiquistas, portistas, ou de qualquer outro emblema.
Aliada à sua mestria jornalística exibia com simplicidade à sua figura simpática e amigo do seu amigo, traços de uma personalidade que lhe valeram não só a admiração mas acima de tudo a amizade de centenas de figuras ligadas ao desporto, independentemente da camisola que defendiam ou amavam. Quantos jornalistas poderão gabar-se de terem cultivado amizade com “gentes” de inúmeros clubes? Só os grandes, sem dúvida.

Paralelamente à carreira de jornalista Vítor Cândido continuou ligado ao seu Sporting na condição de dirigente, ora coordenando algumas modalidades amadoras, ora como dirigente do futebol juvenil leonino. A sua dedicação extrema ao clube seria por diversas vezes reconhecida, como por exemplo em 1981, altura em que foi distinguido (na qualidade de dirigente do ano) com o Prémio Stromp, tão só o mais alto galardão do Sporting.
No jornalismo foi também por diversas vezes galardoado, destacando-se entre os muitos prémios o de “Jornalista do Ano”, atribuído pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol, bem como o prestigiado Prémio Cândido de Oliveira.
Na atualidade, Vítor Cândido tem exibido os seus créditos de exímio contador de histórias na Sporting TV (televisão oficial do seu clube), dando vida a inúmeros programas onde o passado se cruza com o presente. 

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