Poucos
serão os jornalistas que em Portugal conseguiram aliar a sua mestreia e sabedoria
na escrita sobre o fenómeno do futebol a uma performance que serviu (a outros)
de escola na história da televisão portuguesa no que ao comentário desportivo
se refere. Trocado isto em “miúdos”, esta figura conseguiu ser dos poucos jornalistas
desportivos que escrevia muito bem sobre futebol e ao mesmo tempo falava de
igual modo muito bem na televisão sobre esta temática. Ele é considerado ainda
hoje por muitos estudiosos como o pioneiro dos comentadores desportivos (na
essência da palavra e acima de tudo no desempenho digno e imparcial da função)
em Portugal e dá pelo nome de Alves dos Santos. A apetência para a comunicação
e para a escrita (sobretudo) descobriu-a ainda nos bancos da escola, e com
apenas 16 anos abraça a carreira de jornalista no seu jornal de sempre, o Comércio do Porto. Ali, se iniciou como
aprendiz na década de 20 do século passado, sempre na área do desporto, e do
futebol em particular, modalidade pela qual se apaixonou desde tenra idade. Durante
35 anos acumulou as funções de jornalista com as de funcionário (com alta
patente) numa grande empresa, até que em 1963 decide dedicar-se única e
exclusivamente ao jornalismo. No Comércio
do Porto passou uma vida inteira, tendo chefiado a delegação de Lisboa
deste hoje desaparecido jornal. Os seus vastos e profundos conhecimentos sobre
o futebol valeram-lhe o convite de outros vultos do jornalismo desportivo para
colaborar noutras publicações. Foi o caso de A Bola, com que manteve uma colaboração permanente e assídua
durante 15 anos consecutivos – desde o número 1 do mítico jornal desportivo –
na sequência de um convite do mestre Cândido de Oliveira. Colaborou ainda com o
Diário Popular, durante sete anos consecutivos,
e também desde a edição número 1, a convite de Ricardo Ornelas. Também o Record, durante dois anos, guarda as
suas exímias prosas futebolísticas. Anos depois de se ter iniciado na imprensa,
Alves dos Santos passou para a rádio, a convite de outro ícone jornalístico: Lança Moreira. Na rádio foi durante 15 anos comentador e relatador de centenas de
capítulos da história do futebol português. E à rádio seguiu-se a televisão, tendo
entrado para a RTP em finais dos anos 50, onde cimentou as suas qualidades de
grande jornalista e de comentador. A sua figura eloquente, a sua voz firme e
inconfundível, e a sua competência imparcial fizeram dele uma referência para
muitos dos jornalistas/comentadores que nasceram e cresceram na RTP nas décadas
seguintes. Para muitos ele é mesmo a “referência”, o melhor dos comentadores
desportivos que Portugal já teve. Em 1994 foi agraciado pelo Governo com a
Medalha de Honra do Mérito Desportivo. Dois anos depois, com 82 anos, faleceu
este homem cuja memória ainda é hoje é perpetuada através do Prémio Alves dos
Santos, galardão que é atribuído pelo CNID a jornalistas que se destaquem na
cobertura desportiva na área da televisão. CNID – Associação dos Jornalistas de
Despor
to que foi criado em 1966, sendo que um dos seus fundadores foi
precisamente Alves dos Santos.

Um comentário:
Lembro-me perfeitamente de Alves dos Santos!
João Moreira
Postar um comentário