sexta-feira, janeiro 09, 2026

Copa América (9)... Argentina 1925

 

A Argentina que em 1925 venceu em casa o seu segundo 
título sul-americano... de forma controversa
O Campeonato Sul-Americano – atualmente denominado de Copa América – de 1925 foi não só o menos participado da história da competição, como de igual modo um dos mais turbulentos de sempre. Apenas três seleções lutaram por um título que pela terceira vez até então iria ser disputado em solo argentino. À primeira vista o grande ausente – e grande favorito à reconquista do cetro – foi o Uruguai, que um ano antes havia conquistado o Mundo ao vencer o torneio olímpico de Paris. Tumultos internos, isto é, problemas no seio das associações de futebol do país, fizeram com que a Celeste não atravessasse o Rio da Prata rumo a Buenos Aires. O mesmo aconteceu com o Chile, que também vivia um mar de crises associativas internas e por isso pela terceira vez, desde que a prova havia sido criada em 1916, falhava a participação no campeonato. Desse modo, e para além da seleção anfitriã, a Argentina, iriam discutir o título os combinados do Brasil e do Paraguai. Pelo facto de serem tão poucas as seleções participantes, a organização decidiu desenrolar o torneio em duas voltas, isto é, as seleções iriam enfrentar-se todas entre si por duas ocasiões. 
A seleção do Brasil que disputou a Copa América de 1925

A Argentina surgia em campo com oito jogadores do Boca Juniors, algo até então nunca visto na história da albiceleste, facto que se explica pela divisão associativa que então vigorava no futebol argentino. Ou seja, o país futebolístico estava dividido em duas associações, sendo que cada uma delas organizava o seu respetivo campeonato. A FIFA apenas reconhecia como oficial o campeonato em que competia o Boca e nesse sentido a seleção não convocou jogadores de clubes como o River Plate, o Independiente, ou o Racing (emblemas que competiam no campeonato oposto) entre 1919 e 1926, período em que durou esta divisão. E no selecionado argentino figurava pela primeira vez numa grande competição um jogador negro, mais concretamente o afro-argentino Alejandro De los Santos, Filho de escravos angolanos que conseguiram fugir nos finais do século XIX para a América do Sul, ele é até aos dias de hoje o único jogador negro a vestir a camisola da seleção argentina. Nascido em 1902 em Paraná, na província de Entre Ríos, De los Santos faria uma dupla de ataque temível com Manuel Seoane – um dos maiores goleadores de sempre do período amador do futebol argentino – com as cores do El Porvenir. Ao serviço deste emblema, o afro argentino disputou quase 140 jogos, apontando 80 golos, números que lhe valeriam em 1922 a primeira chamada à seleção albiceleste num amigável contra os vizinhos e rivais do Uruguai. 

De los santos, o primeiro e único negro a vestir 
a camisola da Argentina
A Copa América de 1925 foi o ponto alto da carreira de Alejandro, que apesar de apenas ter disputado apenas um jogo viria a alcançar o título de campeão. O trajeto da Argentina começou precisamente no antigo estádio do Boca Juniors, ante o Paraguai, e não poderia ter iniciado da melhor maneira, já que quando apenas estavam decorridos dois minutos de jogo, Seoane abre o marcador. Na segunda parte, a confirmação da vitória (2-0) por intermédio de Martín Sánchez. Os guaranis voltaram a entrar em campo quase uma semana depois (!) para enfrentar o Brasil no estádio do Sportivo Barracas. E sofreram um verdadeiro amasso de um escrete cuja grande estrela era Friedenreich, que neste encontro apontaria um dos cinco tentos com que o Brasil derrotou (5-2) sem mácula os paraguaios. Outro dos tentos brasileiros seria apontado por Filó, jogador que nove anos mais tarde faria história ao tornar-se no primeiro brasileiro a ser campeão do Mundo muito antes do o… Brasil o ser! Veloz extremo, Filó emigrou no início da década de 30 para Itália, onde defendeu as cores da Lazio durante sete temporadas. Em Itália, o paulista de nascimento alterou o seu nome para Anfilogino Guarisi, sendo um dos oriundi (jogadores de origem italiana) que em 1934 Vittorio Pozzo convocou para defender a Squadra Azzurra na segunda edição do Campeonato do Mundo. 
Fase do encontro entre argentinos e paraguaios na Copa de 25
Voltando à Copa América de 1925, com duas derrotas claras nos dois primeiros jogos ficava claro que dificilmente o Paraguai iria conseguir levar o título para casa. No dia 13 de dezembro, o estádio do Sportivo Barracas – um dos dois que recebeu os jogos do torneio – lotou (25.000 espectadores) para presenciar o duelo entre os dois mais sérios favoritos ao título. Como seria de esperar, os brasileiros foram recebidos com muita hostilidade pelos fervorosos hinchas argentinos. Aos 22 minutos, Nilo abriu o marcador para o Brasil, mas o que então se poderia esperar com uma vitória histórica sobre o rival viria a tornar-se um autêntico pesadelo. Com três golos de Manuel Seoane e um de Alfredo Garassino, a Argentina deu a volta ao texto e humilhou o rival, construindo a maior vitória até então sobre aquele vizinho sul-americano. A imprensa brasileira não se poupou em críticas à sua seleção, sobretudo a linha média da seleção e o guarda-redes Tuffy, os grandes responsáveis pelo colapso na voz dos jornalistas. E assim chegávamos ao final da primeira volta do torneio, com os argentinos na liderança com 4 pontos, seguidos de Brasil com 2 e do Paraguai sem qualquer ponto. 

Argentinos e paraguaios lutam 
pela bola nas alturas
A segunda volta arrancou no dia 17 de dezembro, com o Brasil a defrontar o Paraguai no estádio do Boca Juniors. Triunfo canarinho por 3-1. O mesmo resultado verificou-se no Argentina – Paraguai, onde Seoane aponto mais um golo que consolidaria como o melhor marcador da prova com 6 golos. No dia de Natal de 1925 decidia-se o nome do campeão sul-americano. Um empate era suficiente para que a Argentina vencesse pela segunda vez o título, enquanto que o Brasil tinha obrigatoriamente de vencer para forçar a um jogo de desempate. A polémica em torno do match instalou-se ainda antes do pontapé de saída, com a imprensa e o público a contestarem a data da realização do mesmo, tendo em conta que estávamos em pleno dia de Natal e como tal esperava-se tudo menos a realização de um jogo tão importante como aquele. No entanto, o encontro foi avante. E o Brasil até entrou melhor, já que à passagem da meia hora já vencia por 2-0, graças a golos de Friedenreich e de Nilo. A perder os argentinos como que perderam a cabeça, e num lance entre El Tigre Friedenreich e o defesa Ramón Muttis este último tem uma entrada violenta sobre o brasileiro o que motivo um desaguisado entre os dois atletas. Rezam as crónicas do jogo que ambos trocaram violentas agressões, o que motivou a ira dos adeptos presentes no estádio do Sportivo Barracas contra os brasileiros. Para além de insultos racistas – os hinchas locais começaram a apelidar em coro os jogadores contrários de macaquitos – houve invasão de campo, registaram-se agressões a jogadores do Brasil, o que levou a dura intervenção policial para travar a ira dos adeptos. Este foi um dos episódios mais violentos em jogos ocorridos entre estas duas seleções. 

Invasão de campo no jogo decisivo
O incidente foi posteriormente sanado e o jogo recomeçou. Inclusive, jogadores de ambas as seleções apertaram as mãos e abraçaram-se em sinal de paz. No entanto, e quiçá afetado pelo que acontecera o Brasil desmoronou e permitiu o empate da Argentina a duas bolas, que lhe valeria a conquista do segundo título sul-americano. Os incidentes deste jogo são reproduzidos na íntegra de seguida através do relato do Correio do Povo: «Os argentinos e os brasileiros entraram no campo de Barracas debaixo de entusiásticos aplausos do público, que vivou o Brasil e a Argentina. O ‘toss’ foi favorável aos argentinos, mas o capitão Tesoriere cedeu-o aos visitantes. Os primeiros minutos decorreram equilibrados. Os argentinos iniciam vários avanços, que a defesa brasileira malogra com toda a felicidade. Depois de Pamplona haver cometido um ‘foul’ à pouca distância do goal, Friedenreich realiza uma esplêndida jogada. O primeiro, numa corrida rápida, chega próximo à rede de Tesoriere, que consegue vazar em tiro forte e rasteiro. É Nilo. A assistência ovaciona este feito do exímio ‘center’ brasileiro. A essa altura, os argentinos começam a jogar mal, atuando a sua linha de ‘forwards’ sem a menor conexão. Em nova jogada, Friedenreich faz um bem calculado passe a Nilo, o qual, tomando-o de carreira, marcou o segundo ‘goal’ brasileiro. (…) Os argentinos continuam dominando o jogo no 2.º tempo. Friedenreich e Nilo fazem uma excelente combinação, em consequência da qual a bola vai ter nos pés de Filó, o qual desfere, a curta distância, um forte tiro. E, quando parecia que estaria garantida a conquista de mais um ‘goal’ para os brasileiros, a pelota apanhou a trave do arco, resvalando para fora. Este fracasso trouxe algum visível desânimo entre a linha atacante, que, no segundo período, esteve em geral medíocre. (…) O jogo com que terminou o Campeonato Sul-Americano esteve medíocre por parte das duas ‘équipes’, que desenvolveram, no 1.º e no 2.º tempos, atuação completamente diversa. Os brasileiros começaram assombrosamente e fazendo terrível pressão sobre o adversário. Os ‘forwards brasileiros’, ativíssimos, não davam descanso aos argentinos, cujos poucos avanços eram malogrados pela defesa brasileira, onde Tuffy e Pennaforte realizaram feitos maravilhosos que muito entusiasmaram a assistência. A linha média esteve à altura das responsabilidades. Dos dianteiros brasileiros destacaram-se Friedenreich, Nilo e Filó. Os nacionais, no primeiro tempo, estiveram desorganizadíssimos e inarmônicos, falhando lamentavelmente. No 2º tempo, os papéis inverteram-se, pois os argentinos dominaram completamente os brasileiros, que estavam decadidíssimos, demonstrando cansaço e falta de treino. Os argentinos bombardearam com grande frequência o arco brasileiro, defendido magistralmente por Tuffy e Helcio. (…)».

Nomes e números:

29 de novembro de 1925

Argentina – Paraguai: 2-0

(Manuel Seoane, 2’; Martín Sánchez, 72’)

 

6 de dezembro de 1925

Brasil – Paraguai: 5-2

(Filó, 16’; Friedenreich, 19’; Lagarto, 40’, 54’; Nilo, 72’)

(Gerardo Rivas, 25’, 66’)

Duelo entre argentinos e brasileiros

13 de dezembro de 1925

Argentina – Brasil: 4-1

(Manuel Seoane, 41’, 48’, 74’; Alfredo Garassino, 72’)

(Nilo, 22’)

Seoane, o goleador do campeonato de 1925

17 de dezembro de 1925

Brasil – Paraguai: 3-1

(Nilo, 30’; Lagarto (57’, 61’)

(Luís Fretes, 58’)

 

20 de dezembro de 1925

Argentina – Paraguai: 3-1

(Domingo Tarasconi, 22’; Manuel Seoane, 32’; Javier Iruieta, 63’)

(Solich, 15’)

Friedenreich marca e festeja o primeiro do Brasil no jogo decisivo

25 de dezembro de 1925

Argentina – Brasil: 2-2

(Antonio Cerrotti, 41’; Manuel Seoane, 55’)

(Friedenreich, 28’; Nilo, 30’)

 

Classificação:

1.º Argentina: 7 pts.

2.º Brasil: 5 pts.

3.º Paraguai: 0 pts.

quinta-feira, dezembro 18, 2025

Flashes da Taça Intercontinental da FIFA de 2025 (5)

Final

Paris SG (França) - Flamengo (Brasil): 1-1 (2-1 nas grandes penalidades)

Golos: Kvaratskhelia / Jorginho

Parisienses completam ano de sonho com a conquista da Taça Intercontinental... 

domingo, dezembro 14, 2025

Flashes da Taça Intercontinental da FIFA de 2025 (4)

Play-off de acesso à final

Flamengo (Brasil) - Pyramids FC (Egito): 2-0

Golos: Léo Pereira, Danilo

Cariocas vão em busca do segundo título mundial da sua história... 

Flashes da Taça Intercontinental da FIFA de 2025 (3)

2.ª eliminatória

Cruz Azul (México) - Flamengo (Brasil): 1.2

Golos: Sanchez / De Arrascaeta (2)

Embalado pela recente conquista da Libertadores o Mengão avança para o play-off... 

Flashes da Taça Intercontinental da FIFA de 2025 (2)

2.ª eliminatória

Al-Ahli Jeddah (Arábia Saudita) - Pyramids FC (Egito): 1-3

Golos: Toney / Mayele (3)

Congolês Fiston Mayele vestiu a capa de herói... 

Flashes da Taça Intercontinental da FIFA de 2025 (1)

1.ª eliminatória

Pyramids FC (Egito) - Auckland City (Nova Zelândia): 3-0

Golos: El Karti, Hamdi, Zaki

Neozelandeses deram tudo, mas não tiveram argumentos suficientes para derrubar os campeões de África... 

quinta-feira, novembro 13, 2025

Jogos Memoráveis (11)... AEK Atenas - Braga (Taça das Taças 1966/67)

 

O Sporting de Braga perfilado no Estádio Filadélfia
na antecâmara da estreia europeia
O Sporting Clube de Braga há muito que conquistou por mérito próprio o estatuto de (atual) “quarto grande” do futebol português. Assim o é não só pelas performances alcançadas a nível interno – com a aquisição de troféus e com boas classificações no campeonatonacional –, mas de igual modo pela sistemática presença nas competições europeias, onde os minhotos são habituais clientes. De modo que neste momento, os bracarenses são no ranking das participações nas provas da UEFA o quarto clube luso com mais presenças. Em termos mais precisos, e contando já com os encontros europeus realizados na presente temporada, os minhotos somam 201 jogos internacionais, apenas superados, claro está, pelos três grandes (Benfica, FC Porto e Sporting). E se hoje é impensável não ver o Braga disputar uma competição da UEFA, o que constituiria um fracasso para os arsenalistas, há seis décadas atrás significava um feito notável pisar o palco do futebol europeu. E pelos caminhos da história percorremos 59 anos para recordar o primeiro jogo europeu do Sporting de Braga, facto ocorrido a 28 de setembro de 1966, em Atenas. 

Estávamos no início da temporada de 66/67 e o Braga tornava-se na primeira equipa do Minho a chegar às competições europeias fruto da conquista do seu primeiro grande título nacional, a Taça de Portugal, arrecadada na época transata às custas do Vitória de Setúbal, que no Jamor caiu por 1-0 aos pés do emblema da Cidade dos Arcebispos. Pois bem, a taça garantiu o bilhete para a disputa da 7.ª edição da Taça das Taças, onde o Braga teve pela frente o AEK de Atenas. Orientados pelo antigo e fiel escudeiro – vulgo, treinador-adjunto – de BelaGuttman no Benfica, Fernando Caiado, o Braga não acusou o facto de ser caloiro nestas andanças e silenciou a capital helénica com uma vitória por 1-0. Uma exibição serena e bem delineada sob o ponto de vista técnico derrotou o futebol rude e violento do então campeão em título da Taça da Grécia, como nos deu conta o enviado especial do jornal A Bola a Atenas, Cruz dos Santos. «Contrapor-se-á, certamente, que o vencedor da Taça da Grécia não é equipa de capacidade extraordinária, pelo que o êxito do popular clube minhoto tem de ser encarado apenas dentro da relatividade das coisas. (…) A verdade, porém, é que esse mesmo sentido de relatividade das coisas que nos leva à exuberância do entusiasmo da hora que passa, já que tão verdadeiro isso é o facto de, em contrapartida, termos assistido a uma das mais impressionantes demonstrações de querer e da vontade da gente lusa, na interpretação de um estreante português na alta roda do futebol europeu», escrevia o jornalista. A vitória bracarense tem ainda mais significado se atendermos às condições adversas que os lusos enfrentaram no Estádio Filadélfia, que se transformou num verdadeiro inferno, não só devido ao futebol duro praticado pelo AEK, mas também, e sobretudo, pelo ambiente agreste provocado pelos adeptos locais, ou não estivéssemos na Grécia

Luciano

O único golo do jogo foi marcado por Luciano, à passagem do minuto 24, tento esse que é assim descrito por Cruz dos Santos: «Dos pés de Perrichon a bola foi aos pés de Balopoulos, que impressionado pela proximidade de Luciano atrasou a bola ao seu guarda-redes, que partira ao seu encontro. O toque foi desviado por Maniateas, e este ultrapassado pela bola que foi aos pés de Luciano. O bracarense evitou o seu mergulho e com o esférico já quase a escapar-se no lado direito, pela linha de cabeceira, teve a arte a serenidade para lhe dar o pontapé decisivo». O Braga não só resistia ao ímpeto inicial do adversário como conseguia colocar-se em vantagem no marcador. Defensivamente, os minhotos realizaram um jogo sólido, perante um AEK que substituiu a sua menor capacidade técnica por um futebol viril e rude. O Braga – que no onze inicial apresentou oito elementos que meses antes haviam conquistado a Taça de Portugal – percebeu isso cedo, e com calma e querer levou a “água ao seu moinho”. Diante de 40.000 pessoas – lotação esgotada – o espírito coletivo dos portugueses imperou, defendendo com estoicismo durante mais de uma hora o precioso golo de Luciano. Diante de 40.000 infernais almas gregas, e perante a atitude incorreta e violenta do AEK, cuja agressividade para lá da lei patenteada pelos seus jogadores não foi punida como devia pelo árbitro da partida, que quiçá amedrontado com o ambiente escaldante que se fazia sentir em redor do relvado perdoou em diversas ocasiões expulsões aos locais. Velocidade e rudeza eram na opinião de Cruz dos Santos os principais argumentos de uma equipa que praticou um futebol de técnica modesta e que neste campo não se podia comprar com a técnica mais evoluída do Braga. 
A comitiva bracarense que viajou para Atenas 
«As linhas mestras do seu trato com a bola estão nas passagens largas, na velocidade e no ar acutilante. Tais predicados, como normalmente acontece, andam associados a grande dureza, manifestadas em cargas impiedosas, demolidoras e no gosto pelo choque», assim descrevia o jornalista o conjunto grego. Uma dessas demonstrações de futebol violento aconteceu sobre o homem que havia sido responsável pela aventura europeia do Braga, o argentino Perrichon, ele que no Jamor, meses antes, havia feito o tento do triunfo que valeu a Taça de Portugal. Pois bem, no encontro de Atenas, a poucos minutos do fim, Perrichon e o seu companheiro de equipa Bino tentavam queimar tempo junto à bandeirola de canto através de sucessivas trocas de bola. Esta peladinha a dois foi subitamente e violentamente interrompida por um jogador grego, que pegou na bola com a mão e atirou de forma violenta à cara de Perrichon sem que o árbitro tivesse visto (?) o lance! 

Cumprimento aos portugueses antes do apito inicial em Atenas
Na análise individual que Cruz dos Santos fez aos jogadores portugueses, Perrichon foi, aliás, aquele que mostrou mais classe nesta partida. «Os bracarenses demonstraram no jogo de hoje que poderão realizar algo de interessante nas difíceis competições internacionais. No aspeto técnico chegaram a impressionais razoavelmente, disfarçando, em certos casos, a falta de experiência. Como lição bem estudada e aprendida, o 4-4-2 deu origem – funcionou com bastante perfeição – a que os dois homens do “vaivém” a meio campo, Albino e Estevão, fossem os mais sacrificados, se bem que não se possa esquecer quanto o processo obrigou Perrichon e Luciano a intensa movimentação para os lados quando a equipa defendeu, e para o meio campo quando a equipa atacou. Perrichon, o de melhor técnico no onze, e Luciano, muito mexido e habilidoso, foram aliás os elementos influentes na conquista do belo êxito. (…) Armando nas redes terá sido, porém, o mais brilhante, transmitindo confiança aos colegas da defesa, na qual se verificou uma muralha de transposição nada fácil, mercê da conjugação de esforços verdadeiramente notável». 

O guarda-redes Armando foi um dos esteios do Braga na Grécia
Naturalmente feliz com este triunfo estava o treinador Fernando Caiado, que nas cabines era, porém, cauteloso na euforia, ao dizer que «o ovo só é nosso quando estiver na mão», por outras palavras, que a eliminatória ainda não estava resolvida. «Só depois do jogo de Braga é que sabemos quem passa à fase seguinte. É preciso muito cuidado. Os gregos tecnicamente não são famosos, mas são muito fortes e rápidos. Em Braga não poderemos jogar tão fechados e o jogo é capaz de ser outro. (Neste jogo) Os nossos jogadores revelaram nervosismo e inexperiência, mas fiquei satisfeito por ter visto na equipa magnifico coletivismo», disse Caiado ao jornalista de A Bola. E em Braga uma nova vitória, desta feita por 3-2, garantiriam a passagem dos portugueses à ronda seguinte, onde seriam afastados da prova pelos húngaros do Gyori ETO. Mas para a história fica mesmo este batismo europeu do Sporting Clube de Braga num encontro arbitrado pelo húngaro Lajos Horvath, e onde os dois conjuntos alinharam da seguinte forma: AEK Atenas – Theodoros Maniateas, Aleko Sofianidis, Fotis Balopoulos, Nikos Stathopoulos, Tasos Vasiliou, Giorgos Karafeskos, Stelios Skevofilakas, Spiros Pomonis, Vasilis Mastrakoulis, Mimis Papaioannou. Treinador: Trifon Tzanetis. Braga – Armando, José Maria Azevedo, Joaquim Coimbra, José Manuel, Luciano, José Neto, Bino, Ribeiro, Mário Espingardeiro, Perrichon, Estêvão. Treinador: Fernando Caiado.

quinta-feira, novembro 06, 2025

Efemérides do Futebol (55)... A primeira vez que o rei foi a Wembley entregar a FA Cup

 


Subir a escadaria de Wembley rumo à tribuna para receber a FA Cup das mãos da realeza é um dos sonhos de qualquer futebolista que atue na Velha Albion. Foi, é e será, ou não fosse a Taça de Inglaterra uma das competições mais mediática do planeta. Esta “imagem” secular – do rei a entregar a taça a capitão da equipa vencedora – faz parte da memória visual de todos aqueles que, como eu, assistiam nos anos 80 e 90 à final da Taça de Inglaterra aos sábados à tarde numa época em que futebol internacional em direto na televisão era coisa rara. Vem esta memória a propósito da primeira vez em que Sua Majestade abrilhantou com a sua presença aquela que é a competição de futebol mais antiga do Mundo, precisamente a FA Cup, nascida em 1871. Porém, o ritual de ver o rei presenciar o jogo mais aguardado e desejado de cada época do futebol inglês e no final premiar o campeão com o majestoso troféu, só iria acontecer na segunda década do século XX, numa altura em que a competição era já o evento desportivo mais popular da nação britânica. Estávamos, pois, em 1914, na temporada de 13/14 mais concretamente, quando o rei George V se tornou no primeiro monarca a assistir a uma final de taça. Frente a frente estiveram as equipas do Burnley e do Liverpool, com a vitória a pertencer aos primeiros por 1-0, graças a um tento de Bert Freeman. Foi, aliás, a primeira vez que ambas as equipas marcaram presença numa FA Cup final. A presença de membros da realeza em jogos de futebol começou a ser notada no início do século XX, quando até então, isto é, no século XIX, os convidados de honra para assistir a jogos de futebol eram oriundos da aristocracia inglesa e membros da Football Association (Federação Inglesa de Futebol). E reza a história que foi precisamente um membro da aristocracia inglesa, Lord Derby de seu nome, que em 1914 terá convidado o rei George V a marcar presença na final da taça, disputada naquele ano – e pela última vez – no Crystal Palace de Londres, e a entregar posteriormente o troféu ao capitão da equipa vencedora. O ritual pegou de estaca, e desde então esta é uma imagem mítica em cada final da taça inglesa, sendo que quando o rei não pode marcar presença se faz representar por outro membro da Casa Real.

segunda-feira, agosto 25, 2025

Caderneta de Cromos (7): Campeonato do Mundo de 1950



BRASIL

URUGUAI


SUÉCIA


ESPANHA


ITÁLIA


INGLATERRA


JUGOSLÁVIA


ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA


MÉXICO

SUÍÇA


CHILE


PARAGUAI


BOLÍVIA

sábado, agosto 16, 2025

Caderneta de Cromos (6): Campeonato do Mundo de 1938

 



ITÁLIA

HUNGRIA



BRASIL


SUÉCIA


CHECOSLOVÁQUIA


SUÍÇA


CUBA


FRANÇA


ROMÉNIA


ALEMANHA


POLÓNIA


NORUEGA


BÉLGICA


HOLANDA


ÍNDIAS HOLANDESAS