sexta-feira, novembro 20, 2015

Liga dos Campeões de África

Corria o ano de 1964 quando a Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu lançar aquela que com o passar dos anos iria tornar-se na prova rainha do continente africano ao nível de clubes, a Taça dos Campeões Africanos. A competição que reunia os campeões nacionais das nações filiadas na CAF seria rebatizada em 1997, passando a denominar-se Liga dos Campeões Africanos, agregando a ela novos estatutos e um novo formato, à semelhança do que acontecia noutros continentes do globo. Em termos globais o Al-Ahly do Egito é o emblema que em mais ocasiões levou o troféu para as suas vitrinas, oito no total, sendo o Egito a nação com mais títulos, 14. Em seguida ficamos com a lista de campeões de prova rainha de clubes do continente do ouro negro.

2019: Espérance de Tunis (Tunísia)
2018: Espérance de Tunis (Tunísia)
2017: WAC Casablanca (Marrocos)
2016: Mamelodi Sundowns (África do Sul)
2015: TP Mazembe (Rep. Democrática do Congo)
2014: ÉS Setif (Argélia)
2013: Al-Ahly (Egito)
2012: Al-Ahly (Egito)
2011: Espérance de Tunis (Tunísia)
2010: TP Mazembe (Rep. Democrática do Congo)
2009: TP Mazembe (Rep. Democrática do Congo)
2008: Al-Ahly (Egito)
2007: Étoile du Sahel (Tunísia)
2006: Al-Ahly (Egito)
2005: Al-Ahly (Egito)
2004: Enyimba (Nigéria)
2003: Enyimba (Nigéria)
2002: Zamalek (Egito)
2001: Al-Ahly (Egito)
2000: Hearts of Oak (Gana)
1999: Raja Casablanca (Marrocos)
1998: ASEC Mimosas (Costa do Marfim)
1997: Raja Casablanca (Marrocos)
1996: Zamalek (Egito)
1995: Orlando Pirates (África do Sul)
1994: Espérance de Tunis (Tunísia)
1993: Zamalek (Egito)
1992: WAC Casablanca (Marrocos)
1991: Club African (Tunísia)
1990: JS Kabylie (Argélia)
1989: Raja Casablanca (Marrocos)
1988: ÉS Setif (Argélia)

1987: Al-Ahly (Egito)
1986: Zamalek (Egito)
1985: FAR Rabat (Marrocos)
1984: Zamalek (Egito)

1983: Asante Kotoko (Gana)

1982: Al-Ahly (Egito)

1981: JE Tizi-Ouzou (Argélia)

1980: Canon Yaoundé (Camarões)

1979: US Douala (Camarões)
1978: Canon Yaoundé (Camarões)
1977: Hafia (Guiné)
1976: MC Alger (Argélia)
1975: Hafia (Guiné)
1974: CARA Brazzaville (República do Congo)

1973: Vita Club (Rep. Democrática do Congo)
1972: Hafia (Guiné)

1971: Canon Yaoundé (Camarões)

1970: Asante Kotoko (Gana)
1969: Ismaily (Egito)
1968: TP Engelbert (Rep. Democrática do Congo)
1967: TP Engelbert (Rep. Democrática do Congo)

1966: Stade d'Abidjan (Costa do Marfim)

1965: Não se disputou
1964: Oryx Douala (Camarões)

quarta-feira, novembro 18, 2015

Lista de Campeões... Índia

Campeões da Superliga da Índia*

2018/19: Bengaluru
2017/18: Chennaiyin
2016/17: Atlético Kolkata
2015/16: Chennaiyin
2014/15: Atlético Kolkata

*Competição criada em 2014

quinta-feira, novembro 12, 2015

Arquivos do Futebol Português (7)

Os dedos de uma só mão bastariam para contar o número de capítulos futebolísticos que foram escritos em Portugal nos dois derradeiros anos do século XIX! Por outras palavras, os jogos de futebol eram uma raridade, pelo menos a julgar pelas parcas notícias vindas a lume na imprensa da época. Em 1899 há uma única referência no jornais - mais concretamente no Diário Ilustrado - a um match de football, jogado nos terrenos anexos ao Campo Pequeno entre os teams do Club Campo de Ourique e o Clubde Santos, tendo os primeiros vencido por 1-0. No ano seguinte há relatos - também nas páginas do Diário Ilustrado - de um jogo entre o Carcavelos Club e o Lisbon, ocorrido a 1 de novembro, enquanto que no dia 15 deste mesmo mês há a referência na revista Tiro Civil de uma derrota deste mesmo Carcavelos Club diante de Lisbon Cricket por 2-0, em partida realizada no Campo da Quinta Nova. E assim, de forma muito modesta, terminou o século do jovem futebol português, que iria conhecer uma nova dinâmica no início do século XX.

terça-feira, novembro 10, 2015

Arquivos do Futebol Português (6)


O famoso team do Casa Pia que em 1898 derrotou os mestres ingleses do Carcavelos Club

Como foi dito no último capítulo dos "Arquivos do Futebol Português (5)" até final do século XIX o futebol em Portugal viveu um período de acalmia. Os clubes nasciam quase para logo de seguida morrerem sem deixar rasto, o mesmo é dizer, uma história para contar. 1896 é um deserto em termos de acontecimentos futebolísticos, e os anos seguintes só não lhe tomaram o rasto porque eis que (finalmente) os mestres ingleses sucumbiram ante os aprendizes lusitanos. Esta de facto foi a principal novidade de dois anos pouco noticiosos no que a futebol dizia respeito, por outras palavras, a quebra de invencibilidade por parte do team inglês do Carcavelos Club, e logo em duas ocasiões. Uma invencibilidade que durava há já cinco anos (!) e que seria quebrada então pela primeira vez a 12 de fevereiro de 1897 por um grupo composto por jogadores oriundos de diversos clubes antigos de Lisboa. A partida foi disputada no reduto dos ingleses, isto é, no Campo da Quinta Nova, um dos primeiros palcos notáveis do futebol português que viu então os duros e enérgicos lusos - assim foram descritos os portugueses pelo jornal Sport -  aplicarem a primeira derrota - em cinco anos - aos de Carcavelos. 1-0 foi o resultado final.

Francisco dos Santos
Em janeiro do ano seguinte foi a vez do Casa Pia derrubar o eleven inglês na sua fortaleza, isto é, o Campo da Quinta Nova. Os casapianos venceram por 2-0, e a notícia foi recebida com profunda euforia na comunidade futebolística lusa, conforme podemos interpretar após a leitura do texto publicado na revista Tiro Civil de 1 de fevereiro de 1898 por intermédio de Valentim Machado, uma figura que havia participado na - de igual modo - histórica vitória obtida pelo grupo português cerca de um ano antes diante do Carcavelos. «Realizou-se no dia de S. Vicente uma partida de football entre o team  de Carcavelos e o grupo da Casa Pia. O Casa Pia (capitaneado pelo "back" Pedro Guedes) alinhou: - Silvestre Silva; Pedro Guedes e Januário Barreto; Emílio de Carvalho, Daniel Queirós dos Santos e António Couto; J. Tavares, A. Torres, João Persónio, David da Fonseca e Francisco dos Santos. O grupo da Casa Pia venceu por 2-0. No final do jogo ecoam palmas, bonés voam pelos ares e com razão, porque é um grupo completamente português, composto de jogadores que se fizeram em Lisboa, devido aos constantes treinos e boa vontade da parte de todos os do grupo. Viva! Três vezes viva!, pelos valentes rapazes que em tão poucos anos tanto conseguiram». 
De sublinhar que entre os casapianos figurava Francisco dos Santos, de quem o Museu Virtual do Futebol já falou noutras andanças, tratando-se do primeiro futebolista português a atuar no estrangeiro. 
Em 1897 há ainda relato de no Porto ter sido efetuado um match entre os teams do Ginásio Aveirense - capitaneado pelo seu fundador Mário Duarte - e do Real Velo Club do Porto, que integrava alguns elementos que haviam atuado na célebre partida a Cup D'El Rei, em 1894, entre eles os britânicos McMillan, Arthur Nugent ou Alberto Kendall. Vitória dos portuenses por 4-0.

Arquivos do Futebol Português (5)

Januário Barreto
O futebol arrebatava cada vez mais corações lusitanos na caminhada para o final do século (XIX). A fundação de novos grupos era um facto por estas alturas, sobretudo entre a classe escolar, que descobriam no jovem football o seu passatempo favorito para ocupar os tempos livres. Depois de o Colégio Vilar ter sido das primeiras instituições escolares lisboetas a praticar o futebol de forma organizada, outros estabelecimentos de ensino se lhe seguiram. Foi o caso da Casa Pia, cujos alunos terão começado a interpretar o belo jogo de forma oficial por volta de 1894, havendo registos da estreia dos casapianos em fevereiro desse ano, quando no Campo das Salésias enfrentaram e empataram a uma bola com o team do Académico Football Club - que representava a Escola Politécnica. Grande impulsionador do futebol na Casa Pia foi Januário Barreto, figura que haveria de ter uma preponderância vincada na evolução do futebol em Portugal nos inícios do século seguinte, quer na qualidade de jogador, de árbitro, ou de dirigente - foi, por exemplo, presidente do Sport Lisboa, da Liga Portuguesa de Futebol, ou do Conselho Fiscal do Sporting Clube de Portugal.
Com a descentralização do futebol dos terrenos do Campo Pequeno para outras zonas da cidade de Lisboa o futebol começa nesta altura a ser abraçado pelas classes mais baixas da sociedade. O que até então era um jogo elitista é agora praticado pelo povo. Há por isso notícias da fundação de vários grupos oriundos de bairros lisboetas - como Alcântara, Campo de Ourique, ou Benfica. Porém, as parcas e deficientes infraestruturas existentes para a prática da modalidade acabam por esfriar o entusiasmo, e até final do século o futebol é jogado de forma... intermitente. O futebol era contudo ainda um mero divertimento, uma brincadeira de rapazes, e talvez isso ajude igualmente a justificar o facto de não haver competições oficiais de forma regular, como foi o caso da Cup d'El Rei - jogada em 1984 entre combinados do Porto e de Lisboa - que teve vida efémera. Quem parece que levava o football a sério era a comunidade britânica instalada em terras lusas, sobretudo a de Carcavelos, onde os trabalhadores do Cabo Submarino davam vida a uma das primeiras potências futebolísticas nacionais, o team do Carcavelos Club. Uma equipa poderosa e durante anos imbatível, sendo que em 1895 há alguns registos de resultados avolumados obtidos pelo Carcavelos, destacando-se na imprensa da época as goleadas aplicadas ao Ginásio Club Português - 4-0 e 6-1, e ao Lisbonense, por 7-0, última equipa esta que no andamento do referido ano parece vir a perder algum fulgor futebolístico... Aliás, esta apatia estende-se ao resto da cidade de Lisboa, de forma inexplicável, pois como referimos no início deste capítulo os primeiros anos da década de 90 foram de expansão, com o surgimento de novos grupos, sobretudo de âmbito escolar. Mas o que é certo é que até final do século a modalidade decresce em termos de prática. São poucos ou quase nenhuns os jogos de que a imprensa faz eco nestes últimos anos de século XIX!!! As exceções continuam a ser o Carcavelos Club, os grupos escolares, e alguns ilustres resistentes - como os irmãos Pinto Basto, por exemplo - que não deixam morrer o jogo na sociedade lisboeta, realizando aqui e acolá um ou outro match. O resto do país estava como Lisboa, ou seja, o jogo encontrava-se em banho maria.

segunda-feira, novembro 09, 2015

Arquivos do Futebol Português (4)

O team de Lisboa que em 1894 conquistou o primeiro troféu da história do futebol português
A popularização do futebol em Portugal levou a que a modalidade ultrapassasse em 1894 pela primeira vez as fronteiras regionais. A 29 de outubro de 1893 o jornal Diário Ilustrado publica uma carta do presidente do Football Club do Porto, António Nicolau d' Almeida, endereçada ao presidente do Football Club Lisbonense, Guilherme Pinto Basto, onde na qual o team do Porto convidava o team lisboeta para um duelo futebolístico a realizar a 2 de novembro desse ano. A missiva rezava assim: «Desejando solenizar a definitiva instalação do Football Club do Porto resolvemos organizar um match quarta-feira próxima 2 de novembro, no qual tomasse parte um eleven do team do clube a que V.Exa. tão dignamente preside. Não temos, é certo, em virtude da pouca prática e nenhum training dos nossos jogadores um eleven de primeira ordem, capaz de fazer frente ao do Club Lisbonense. Como, no entanto, o nosso convite não representa um repto lançado pelos nossos jogadores aos jogadores de Lisboa, mas tão somente o vivo desejo de estreitar relações de franca camaradagem, esperamos que V.Exas. nos revelarão a nossa justificada imperícia. Cumpro, pois, na qualidade de presidente do Football Club do Porto, o honroso dever de convidar por intermédio de V. Exas. os valentes e adestrados jogadores do Club Lisbonense a tomarem parte no referido match. Na esperança de sermos honrados com a anuência do nosso pedido, aguardamos o favor de uma resposta rápida para nosso governo. Deus guarde V.Exas. Excelentíssimo Sr. Presidente do Football Club Lisbonense».
A carta de António Nicolau d'Almeida a Guilherme Pinto Basto
O repto é aceite, pese embora por motivo de impossibilidade de organizar de forma tão célere a equipa e a viagem para o norte os de Lisboa fazem com o match fosse jogado somente a 2 de março do ano seguinte! Na ânsia de fazer deste um encontro adornado com pompa e circunstância, Guilherme Pinto Basto convence o rei D. Carlos a patrocinar o evento. O monarca, um acérrimo apaixonado pelo desporto, aceita de pronto, e mais do que isso disponibiliza-se para oferecer um troféu ao vencedor do match, exigindo somente que esta partida fosse incluída no programa das comemorações do Centenário Henriquino, em homenagem ao Infante D. Henrique, e que pelo menos seis jogadores de cada equipa teriam de ser portugueses, embora esta última exigência não terá sido seguida à risca, conforme iria atestar a constituição das equipas. O famoso encontro seria batizado pela imprensa da época de Cup d'el Rei, tendo os dois combinados sido integrados por elementos pertencentes a outros grupos de football das duas principais urbes lusitanas, facto que de pronto fez deste um confronto entre... Lisboa e Porto, o primeiro embate entre as duas cidades que com o passar das décadas viria a dar aso a uma acesa rivalidade.
O Campo do Inglês (na zona do Campo Alegre) era propriedade de um dos grupos mais populares da Cidade Invicta daquele tempo, o Oporto Cricket Club, emblema que cedeu alguns dos seus melhores jogadores ao team representativo do Porto, aos quais se juntariam alguns elementos do Football Club do Porto. Quanto ao team de Lisboa esse era capitaneado por Guilherme Pinto Basto, e reza a história que a viagem entre a capital e o Porto terá sido feita durante a madrugada que antecedeu o jogo e cuja duração chegou às 14 horas! Após o desembarque na Estação de Campanhã os lisboetas partiram de imediato para a zona do Campo Alegre onde de Sua Majestade o rei e restante família real... nem sinal! Mesmo sem a presença dos ilustres convidados o pontapé de saída foi dado quando passavam 15 minutos das três da tarde, tendo o encontro sido arbitrado por Eduardo Pinto Basto. Os jornais da época ressalvaram o facto de o terreno de jogo não ser dos melhores para a prática do futebol, referindo que a zona das balizas descaiam bastante, além de que os postes não se encontrariam à distância regulamentada! Quanto à família real essa chegou bastante atrasada ao espetáculo, quando passavam já 15 minutos das quatro da tarde, sendo que a pedido de Sua Majestade a Rainha D. Amélia os 22 players tiveram de fazer um esforço suplementar em prolongar a partida por mais 10 minutos para que os ilustres espectadores pudessem apreciar, devidamente, o espetáculo que terminou com a vitória da equipa mais experiente nestas andanças, isto é, a turma de Lisboa, por 1-0.
A bonita Cup d'el Rei, o primeiro troféu futebolístico instituído em Portugal, tendo sido disputado pelos grupos de Lisboa e Porto, em 1894
Os relatos do célebre encontro dizem que o golo dos lisboetas foi marcado já com a presença de suas majestades, embora o seu autor fosse por completo desconhecido! Rezam ainda as crónicas que o match teve na verdade dois golos, tendo o primeiro ocorrido quando faltavam 14 minutos para o intervalo, mas o facto de a bola ter batido no braço de um defensor da equipa nortenha antes de se encaminhar para o fundo da baliza levou a que o juiz Eduardo Pinto Basto anulasse o lance com a justificação de que o esférico havia sido jogado com a mão. Ainda segundo os relatos da época para a vitória do team de Lisboa - cujo golo foi marcado no segundo tempo - muito contribuíram as esplêndidas exibições dos irmãos Vilar, Carlos e Afonso, do inglês Rankin e ainda de Paiva Raposo. Para os portuenses sobraram alguns elogios, tidos como um team de primeira ordem, sendo que no plano individual se destacou as exibições do experiente escocês MacGeock, de Arthur Dagge e de MacMillen, facto que levou o jornal Sport - um dos primeiros periódicos portugueses dedicados ao desporto - referir que «se o grupo de Lisboa que, para o ano de 1895, tiver de defender a taça, não se treinar e não tiver muito cuidado na escolha dos jogadores que dele devem fazer parte, decerto bem difícil lhe será poder vencer o match, pois que, à equipa que vimos jogar pelo Porto, a única coisa que lhe notámos foi a falta de treinos, que, no que, estamos certos, não descurarão de futuro, a fim de poderem ganhar a taça, para o ano».
A notícia deste jogo teve eco além fronteiras, tendo os jornais ingleses publicado uma breve nota sobre o acontecimento ocorrido no Campo Alegre. Quanto ao troféu, o capitão e guarda-redes da equipa de Lisboa, Guilherme Pinto Basto, recebeu-o no final do encontro das mãos do rei D. Carlos, monarca que havia mandado executar esta peça banhada em prata na Casa Leitão & Irmão, joalheiros da Casa Real.  
Para a eternidade ficam as lines desse histórico embate: Porto - Hugh Ponsonly (c), MacGeock, A. Nugent, Guimarães, Arthur Dagge, MacMillen, Albert Kendall, Adolfo Ramos, MacKenie, Ray e Alfredo Kendall. Lisboa - Guilherme Pinto Basto (c), Keating, Locke, Barley, Artur Raposo, Rankin, Afonso Vilar, Pittuck, Thomson, Palmers e Carlos Vilar.
1893 e 1894 são anos repletos de matchs, não só nas duas principais urbes do país como noutras regiões de um Portugal que começava a abraçar nos seus quatro cantos o jovem football. Os jornais dão conta de desafios em Coimbra, Faro, Portalegre e Madeira, embora continue a ser na capital que a bola rola com mais frequência. O emblema com mais encontros disputados é o Football Club Lisbonense, que a par dos ingleses do Carcavelos Club é tido como o emblema mais forte do império. Há, aliás, em 1893 um duelo curioso entre estes dois clubes, disputado a 2 de fevereiro, no Campo das Salésias, e segundo as crónicas de então o Carcavelos, integrado por jogadores de outros teams lisboetas, como o Braço de Prata e o Club de Lisboa, derrotou por 1-0 o até então invencível Lisbonense, onde pontificavam três jogadores de origem negra - os primeiros negros do futebol português, segundo se sabe - Pascoal, Alfredo Silva e Valentim Machado.

Vídeo: Reportagem do Canal História sobre o primeiro troféu disputado em Portugal
 

sexta-feira, novembro 06, 2015

Arquivos do Futebol Português (3)

Um jogo no Campo da Quinta Nova, em Carcavelos
Em dezembro de 1892 o jornal Diário Ilustrado dá conta de um jogo de futebol disputado entre o Ginásio Clube Português e os ingleses do Carcavelos Club, disputado no recinto habitualmente utilizado por estes últimos, o Campo da Quinta Nova, propriedade da colónia inglesa radicada em Portugal para a exploração do Cabo Submarino, e descrito como um dos primeiros terrenos com melhores condições para a prática do recém nascido football nacional.  A crónica desse match retrata precisamente as excelentes condições do citado recinto... «A esplanada (...) é um amplo e aberto terreno gazonné batido sob o mar largo e debruado pelos pinheiros anões, sobre cujo verde luzido se esbatem as figuras elegantes dos jogadores. Fronteiro àqueles um muro velho, o terreno do lawn-tennis e o austero solar da Telegraph Company (...). Após o desafio, que terminou com a vitória do Carcavelos, seguiu-se um delicado lunch servido na sala de jantar do palácio, levantando-se ainda de parte a parte as mais calorosas saúdes. (...) Ainda em redor do delicioso campo assistiam à partida um grande número de gentilíssimas ladies e entendidos sportmen desta espcialidade. No comboio das cinco horas regressaram finalmente os distintos clubmen de Lisboa, sendo repetidos à saída da estação, entusiásticos hurrahs até ao comboio se perder de vista, ao longe». 

António Nicolau d' Almeida, fundador
do Football Club do Porto
A mestria futebolística dos ingleses foi por demais evidente nestes primeiros anos de vida do futebol português. Entre dezembro de 1892 e abril de 1893 o Carcavelos Club disputou três jogos oficiais, tendo cedido apenas um empate, ante o Ginásio Clube Português (1-1), esmagando este mesmo clube num outro encontro - disputado a 8 de dezembro de 1892 - por 6-0 e vencido por 3-1 o Lisbonense - a 4 de abril de 1893. Neste ano de 1893 começam a desenvolver-se outros clubes, sobretudo nas principais urbes do país, isto é, Lisboa e Porto. Na capital um grupo de alunos da Casa Pia dá os primeiros pontapés na bola, enquanto no norte surge o Oporto Cricket Club - nascido na zona da foz do Douro -, o Real Velo Club e o... Football Club do Porto. A história diz que este último clube foi fundado em 28 de setembro de1893, por intermédio de António Nicolau d´Almeida. Reza essa mesma história que Nicolau d' Almeida travou conhecimento com o futebol numa das suas viagens de negócios - ele era negociante de vinho do Porto - a Inglaterra, tendo de lá trazido uma bola de futebol. Chegado ao Porto resolveu juntar então um grupo de amigos, e com eles fundar o Football Club do Porto, realizando nas semanas que se seguiram diversos ensaios que foram sendo noticiados pela imprensa local. No entanto, pouco tempo depois o clube desaparece do mapa futebolístico, para vir a ser refundado em 1906 por Monteiro da Costa.
Em Aveiro há o registo da fundação do Ginásio Aveirense, por intermédio de Mário Duarte.
Com a conclusão da construção da praça de touros do Campo Pequeno, em 1892, o futebol na capital é obrigado a deslocar-se para outras zonas da cidade, como Belém, por exemplo, onde se viria a escrever alguns dos primeiros capítulos dourados do pontapé da bola lusitano. Lisboa que continua por estas alturas rendidas aos encantos do football, com a imprensa local a dar cada vez mais destaque aos jogos efetuados entre o cada vez maior número de emblemas nascidos na capital. Até o próprio rei, D. Carlos I, era uma presença assídua em jogos de futebol. Os clubes lisboetas multiplicavam-se nesta temporada de 1892/93 como cogumelos, destacando-se a fundação do Club Braço de Prata, o Club Tauromáquico, o Estrela Football Club, o Club Lisboa, ou o Football Club Esperança.
Com a nação futebolística a expandir-se foi com naturalidade que foi disputada uma primeiro competição regional entre alguns destes emblemas. Um mini campeonato integrado pelo Braço de Prata, pelo Carcavelos Club, pelo Foot-ball Club Lisbonense e pelo Ginásio Clube. Infelizmente, a classificação desta primeira competição regional é por completo desconhecida.   

Arquivos do Futebol Português (2)

Futebol jogado nos terrenos do Campo Pequeno
Desde outubro de 1888 até finais de 1889 os jogos de futebol sucederam-se em catadupa no território português, e com eles começaram a fundar-se os primeiros clubes. Como não podia deixar os irmãos Pinto Basto mais uma vez foram pioneiros neste capítulo, ajudando a fundar o Foot-Ball Club Lisbonense, para em seguida outros grupos organizados proliferarem pela capital e pouco mais tarde por outros pontos do país. Segundo Ricardo Ornellas em 1890 um grupo de amigos composto por José de Beires Valle e pelos irmãos Azevedo Campos juntaram-se à colónia inglesa radicada no Porto para aí praticarem o jogo pela primeira vez naquela cidade. Em Lisboa o belo jogo já estava um pouco mais enraizado, e ao Foot-Ball Club Lisbonense juntam-se mais dois clubes entretanto criados, o Carcavelos Club - formado pelos ingleses do Cabo Submarino - e o Ginásio Clube Português. O Foot-Ball Club Lisbonense é um clube aristocrata, formado por membros da alta sociedade lisboeta, entre eles destacam-se os já referidos irmãos Pinto Basto e os irmãos Villar, Carlos e Afonso, proprietários do Colégio Villar. Quanto ao Ginásio Clube Português a data da sua fundação remonta a 1875, mas então este emblema dedicava-se única e exclusivamente à prática da ginástica, sendo que o futebol só apareceu em 1889. Foram estes três clubes que iniciaram o hábito de semanalmente os terrenos do Campo Pequeno acordarem, sobretudo aos domingos, com animados jogos do pontapé da bola.
Esta onda de entusiasmo arrefeceu no início de 1890. O confronto diplomático levado a cabo pelos governos de Portugal e Inglaterra travou, de certa forma, esse entusiasmo pelo belo jogo na nação lusa, já que os portugueses começaram a marginalizar tudo aquilo que fosse oriundo das ilhas britânicas, e como o football era um produto tipicamente inglês... Desta forma, e até 1892, praticamente não existem relatos de jogos de futebol em Portugal, a não ser algumas peladinhas organizadas pelos associados do Ginásio Clube Português que aos domingos davam um colorido diferente aos terrenos do Campo Pequeno, na capital do império.

Arquivos do Futebol Português (1)

O grupo de 23 aristocratas que em outubro de 1888 deu
o pontapé de saída na história do futebol em Portugal
Oficialmente o pontapé de saída da história do futebol português é dado em outubro de 1888. O palco daquele que é hoje um momento histórico é Cascais, mais concretamente os terrenos da Parada, onde um grupo de 23 aristocratas da sociedade lisboeta da época, sendo que entre estes figuravam os irmãos Pinto Basto, os grandes responsáveis pela introdução do belo jogo em território português. Foram eles que em meados de 1886 trouxeram da pátria do futebol moderno - Inglaterra - a primeira bola de futebol, mágico objeto que seria guardado religiosamente para que anos mais tarde fosse então utilizado no já referido ensaio de Cascais. Faça-se, no entanto, aqui um parêntese para dizer que há quem defenda a teoria de que a primeira vez que a bola rolou em Portugal foi na Madeira. A efeméride é atribuída Harry Hilton, um jovem oriundo de uma família aristocrata inglesa radicada naquela ilha do Atlântico que em 1875 terá reunido um grupo de amigos para na Camacha dar uso ao seu mais recente brinquedo trazido da sua Inglaterra: uma bola de futebol. Pouco mais se sabe sobre a “brincadeira” do jovem Harry… Contudo, historiadores fizeram crer que este momento não passou senão de um instante lúdico de Harry Hilton e seus amigos, onde o esférico foi – sem regras – maltratado na sequência dos milhares de pontapés que recebeu. Efetivamente a primeira vez em que o jogo se desenrolou de forma organizada e “futebolisticamente civilizada”, o mesmo é dizer com as regras do jogo devidamente aplicadas e cumpridas, foi em 1888, pelo tal de grupo de 23 aristocratas veraneantes. Entre eles destacou-se Guilherme Pinto Basto, os mais velho dos irmãos Pinto Basto, que dizem os historiadores ser dele a ideia de realizar o tal ensaio nos terrenos da Parada.

Guilherme Pinto Basto
Guilherme nasceu a 1 de fevereiro de 1864, na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, e cedo descobriu o fascínio pelo desporto. Um encanto que teve o seu primeiro capítulo oficial, por assim dizer, aos 14 anos, altura em que vai para Inglaterra com o intuito de completar os seus estudos. Em “terras de Sua Majestade” frequentou o Colégio de Downside, onde já estudavam os seus irmãos Eduardo e Frederico Pinto Basto. Ai trava conhecimento com o belo jogo que desabrochava em terras britânicas. Em 1884 regressa a Portugal para trabalhar na casa comercial Pinto Basto & Companhia, gerida pela sua família. E aqui durante anos residiu uma dúvida: seria Guilherme que nesse seu regresso à pátria trouxe na bagagem a primeira bola de futebol? «Não, foram os meus irmãos, Eduardo e Frederico, quando regressaram do colégio em Inglaterra, em 1886», disse o aristocrata numa entrevista ocorrida anos mais tarde, desvendando desta forma o mistério. Mas terá sido ele que em 1888, com os conhecimentos sobre as leis e técnicas do jogo adquiridos na Velha Albion, rapidamente contagiou os seus amigos mais próximos com o vício pelo jogo do pontapé na bola, e que edificaria então no final do verão de 1888 o primeiro grande momento coletivo do futebol em Portugal, o primeiro ensaio da modalidade que com o passar dos anos se haveria de tornar rainha na quase totalidade do planeta.Sobre este desafio dizem os poucos relatos existentes que os irmãos Pinto Basto e restantes amigos passaram a manhã a retirar pedras do campo dos tais terrenos da Parada com o intuito de colocarem a bola a rolar. Para a história ficam pois o nome dos 23 pioneiros: Guilherme Pinto Basto, Eduardo Pinto Basto, Frederico Pinto Basto, Aires de Ornelas, Hugo O´ Neill, António Avillez, João Bregaro, Augusto Moller, Jorge Figueira, Carlos Pinto Basto, Luís Trigoso, Manuel Salema, Eduardo Romero, Pedro Sabugal, Francisco Alte, Salvador Asseca (visconde), Francisco Avillez, Salvador França, Francisco Figueira, Simão de Souza Coutinho, Vasco Sabugosa (conde de S. Lourenço) e o Visconde de Castello.Novo. O resultado final deste primeiro ensaio é por completo desconhecido. Sabe-se sim que os primórdios do futebol em Portugal foram aristocratas, o jogo começou a ser interpretado pelas classes elitistas, por membros da mais fina flor da sociedade. O futebol em Portugal nascia em berço de ouro!
O grupo português que em 1889 defrontou os ingleses do Cabo Submarino de Carcavelos
O sucesso do ensaio de Cascais fez com que quatro meses depois (22 de janeiro de 1889) se organizasse um desafio mais a sério, digamos assim, num clima diferente do verificado nos terrenos da Parada entre um grupo de ricos e ilustres amigos que procuravam acima de tudo divertir-se. Desta feita Guilherme Pinto Basto escalou uma equipa de Lisboa - composta unicamente por portugueses - para defrontar um grupo de ingleses que por aquela altura se encontravam em serviço no Cabo Submarino, explorado por uma empresa inglesa e situado em Carcavelos. O cenário do match foi Lisboa, no local onde anos mais tarde seria edificado o Campo Pequeno. O resultado foi favorável aos portugueses - não se sabendo por quantos -, ficando no entanto para a história o facto de que o team português, no qual Guilherme Pinto Basto atuou como guarda-redes (embora naquela época não houvessem posições ou táticas fixas, podendo hoje jogar como guarda-redes e amanhã como avançado) ter lutado com bravura, portando-se os seus integrantes como autênticos sportsmens.
A este encontro entre os fidalgos portugueses e os operários ingleses ocorre um vasto número de personagens possuídas por ávida curiosidade em presenciar o ato bárbaro de pontapear uma bola protagonizado por 22 homens. Eternizados ficaram pois os seus nomes, sendo que pelos portugueses se apresentaram em campo: Guilherme Pinto Basto (sabe-se na qualidade de guarda redes), João Saldanha Pinto Basto, João Bregaro, Eduardo Romero, Eduardo Pinto Basto, Afonso Vilar, D. Simão de Sousa Coutinho (Borba), Duarte Pinto Basto, Frederico Pinto Basto, Fernando Pinto Basto, Augusto Moller e Henrique Vilar. 12 nomes do lado lusitano, presumindo-se que um deles tivesse sido suplente. Pela armada britânica entraram em campo: J. Frazer, J. Mason, C. Anderson. Wray. R. W. Watson, Rawstron, Govan, Briggs, F. Palmer, C. Cox e um outro jogador não identificado.
A equipa inglesa composta por operários do Cabo Submarino
que em 1889 jogou nos terrenos do atual Campo Pequeno
Pormenor curioso foram os equipamentos. Caricatos, na verdade! Trajes para todos os gostos e feitios. Houve quem levasse fatos de banhos às riscas (!) outros com indumentária de presidiários calçando sapatos no lugar de botas, e quase todos eles ostentando um peculiar barrete a fazer lembrar um vendedor de gelados deambulando pelas praias! Táticas de jogo não parece que tenham existido, até porque o único objetivo era pontapear a bola para a frente na tentativa de a introduzir no goal adversário. Na plateia senhoras da alta sociedade com vestes de gala olhavam com chocada admiração as correrias bárbaras dos gentelmens lusitanos e dos trabalhadores britânicos. Pormenores mais detalhados da contenda são desconhecidos, apenas se sabe que os corajosos portugueses venceram, embora não se sabe por quantos nem quem foram os autores dos goals.
Desse histórico momento daquela tarde ventosa há no entanto uma relíquia ainda hoje guardada. Uma deliciosa e – muito – peculiar crónica publicada no “Jornal do Comércio” de 23 de janeiro de 1889. De autor desconhecido este é tido como o primeiro texto escrito em Portugal retratando os acontecimentos de um match de football, o qual foi ilustrado por uma não menos peculiar ilustração que também aqui hoje recordamos. Sem mais demoras aqui fica o “retrato escrito” daquele momento cujo título é senão mais do que uma curiosa combinação de palavras das emoções ali vividas:
 «O “Match” no Campo Pequeno – A mulher peluda no Jardim Zoológico

Uma quantidade enorme de pessoas foi hoje ao Campo Pequeno assistir ao desafio, entre ingleses e portugueses, de futebol. Grande número de carruagens com elegantes senhoras, entre as quais se destacavam mademoiselle Ida Blanc, governando galhardamente, ao lado de sua mãe, uma soberba parelha de cavalos pretos. O resultado do jogo foi muito lisongeiro para os nossos compatriotas que conseguiram ganhar. Não faltaram os trambolhões e os rebolões do próprio jogo, mostrando todos os fortes mancebos, que nele tomaram parte, quão exímios são no “manejo” do pontapé, como disse uma elegante que, por casualidade, ficou ao pé de nós. Quase toda a gente, findo o futebol, foi passear ao Jardim Zoológico, onde se exibia a persa Mirra, a mulher peluda».

Uma crónica pituresca de um acontecimento que nas décadas seguintes do novo século que se aproximava haveria de se tornar num ritual comum das tardes domingueiras para as gentes da brava nação lusitana.

terça-feira, novembro 03, 2015

Lista de Campeões... Ucrânia

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