sexta-feira, junho 08, 2012

História dos Europeus de Futebol (8)... RFA 1988

A glória no futebol atinge-se com vitórias memoráveis e títulos de "grandes dimensões". Neste ponto a sabedoria popular costuma dizer que dos vencidos não reza a história! Uma meia verdade talvez, já que em casos pontuais a história guarda as façanhas de alguns vencidos que ajudaram a escrever algumas das páginas mais belas da história da modalidade. É o caso da Holanda, uma seleção que na década de 70 do século XX revolucionou por completo a forma de jogar, encarar, e sobretudo apreciar o futebol. Uma seleção mágica liderada pelo mago Johan Cruyff cujo encantador conceito de "futebol total" ficou em algumas ocasiões às portas do céu, isto é, muito perto de atingir a tal glória personificada num grande título internacional. Foi assim em 1974 e 1978, dois anos em que a "laranja mecânica", assim ficou conhecida aquela célebre geração do futebol holandês, esteve muito perto de vencer o título mundial, caindo na reta final aos pés de outras duas grandes seleções da época, casos da República Federal da Alemanha e da Argentina. Pois bem, na década de 80 os holandeses finalmente traduziram em títulos a mestria do seu futebol, através de uma nova geração de formidáveis futebolistas. E fizeram-no sob o comando do mesmo mestre que na década de 70 havia inventado o conceito/arte do "futebol total", Rinus Michels, um nome que esteve naqueles que podemos rotular como os dois grandes momentos do futebol do "país das tulipas", curiosamente ambos ocorridos em solo alemão, um em 1974, que injustamente - para nós admiradores do futebol arte - teve um final infeliz para a seleção laranja, e outro em 1988, esse - justamente - com contornos de felicidade.
E é precisamente até 1988 que viajamos hoje, para olhar a história da 8ª edição do Campeonato da Europa, cuja fase final seria atribuída à República Federal da Alemanha (RFA). E na longa caminhada até à fase final do primeiro Euro realizado em solo alemão algumas surpresas surgiram no caminho. A maior, talvez, o facto de a campeã da Europa em título, a França, ter falhado o apuramento para a RFA, depois de ter perdido o seu grupo para a União Soviética, que 16 anos depois marcava novamente presença na fase final do certame organizado pela UEFA. Surpresa foi também a Bélgica, a grande seleção belga da década de 80 que havia marcado presença nos Euros de 80 e 84, bem como nos Mundiais de 82 e 86, e sempre com boas prestações. Desta feita iriam ficar de fora, muito por culpa de uma surpreendente República da Irlanda, que ao vencer um grupo formado por belgas, escoceses, búlgaros, e luxemburgueses garantia a primeira fase final de uma grande competição internacional da sua modesta história.
Para além de irlandeses, soviéticos, e alemães, claro está, a fase final do Euro 88 contou ainda com as presenças da Espanha (marcava presença na terceira fase final consecutiva), Inglaterra, Itália, Dinamarca, e a Holanda (que assim disputava a sua terceira fase final no âmbito desta competição).
Oito cidades foram escolhidas para receber o Euro 88, um recorde para a altura.

Alemães e italianos fazem jus à condição de favoritos

No Grupo 1 estava a equipa da casa, a RFA. Uma forte seleção comandada tecnicamente pela antiga glória Franz Beckenbauer, que dois anos antes havia estado muito perto da glória mundial, tendo caído apenas aos pés da Argentina do "Deus" Maradona, e assim falhado a conquista do terceiro título mundial da sua história. Esta era uma RFA fortíssima, recheada de grandes valores internacionais, casos de Voller, Kohler, Berthold, Brehme, Klinsmann, Littbarski, ou de Lothar Matthaus, a grande estrela do grupo. Poucos seriam aqueles que não olhavam para a equipa da casa como a principal candidata à conquista do Europeu, não só por ter a seu lado o factor casa, mas sobretudo pela constelação de estrelas com que se apresentavam em campo. Mas para tentar colocar a mão na taça pela terceira vez na sua história a RFA tinha de suar a camisola, tinha de provar a sua teórica superioridade, e isso seria algo que nem sempre ficaria patente ao longo deste Euro. Logo no primeiro jogo do grupo, em Dusseldorf, na abertura do certame, a RFA sentiu sérias dificuldades para não sair derrotada do confronto ante a Itália. 1-1 seria o resultado final deste jogo. Lisonjeiro até para os alemães, dado o domínio que a squadra azzurra exerceu ao longo de quase todo o encontro. No outro encontro do grupo, em Hannover, a Espanha, vice campeã da Europa em 1984, bateu uma veterana e cansada Dinamarca por 3-2, graças a uma boa atuação da Quinta del Buitre, a geração artística do futebol espanhol que surgiu nos finais da década de 80, e que revelou ao Mundo jogadores como Michel, Sanchís, Chendo, Martín Vasquez, e um tal de Emilio Butrgueño, todos jogadores do Real Madrid, que tornavam a Espanha como uma das boas seleções mundiais desta altura.
Dinamarca que no jogo seguinte fez as malas para um precoce regresso a casa, ao perder com a seleção da casa por 0-2. No meio da veterania dinamarquesa do Euro 88 surgiu um jovem guarda redes, lançado às feras precisamente no duelo com os alemães, de seu nome Peter Schmeichel, que viria a tornar-se numa das maiores lendas das balizas planetárias da história da modalidade.
Em Frankfurt espanhóis e italianos realizaram uma partida equilibrada, como seria de prever, cabendo ao jovem avançado da Sampdoria Vialli a responsabilidade de "matar" esse equilíbrio a cerca de 15 minutos do final quando apontou o único golo do desafio.
Com este cenário RFA e Itália tinham as portas das meias finais praticamente abertas. E a derradeira ronda do grupo apenas serviu para confirmar esse cenário. A Itália dos artistas Zenga, Vialli, Mancini, Maldini, Giannini, Donadoni, ou Baresi desenvencilhou-se facilmente da desoladora Dinamarca por 2-0, enquanto que por igual resultado a RFA mandava a Espanha do mestre da tática Miguel Muñoz para casa mais cedo.
No Grupo 1 o Euro decorria com normalidade, os favoritos principais à passagem à fase seguinte não haviam deixado os seus créditos por mãos alheias.

Holanda reaparece no mapa futebolístico internacional

No Grupo 2 morava a desconhecida República da Irlanda, a grande incógnita desta fase final. Orientados pelo antigo internacional inglês Jack Charlton os irlandeses eram encarados como um grupo de divertidos rapazes que vinha à RFA adquirir experiência internacional e... tentar não perder por muitos antes "futebóis" mais desenvolvidos como eram os casos da Holanda, União Soviética, e Inglaterra. E seria precisamente ante o velho inimigo inglês que os rapazes da "ilha esmeralda" iriam fazer o seu batismo numa grande prova internacional. Poucos acreditariam que os irlandeses conseguissem sequer alcançar um ponto na estreia, até porque do outro lado morava uma equipa com aspirações ao título, orientada pelo conceituado Bobby Robson e com jogadores de top mundial, casos de Peter Shilton, Tony Adams, John Barnes, Peter Beardsley, Cris Waddle, ou Gary Lineker, que dois anos havia sido o melhor marcador do Mundial do México. Mas a teoria não confirmou a prática, e fazendo do futebol uma festa os desconhecidos irlandeses fizeram história no dia 12 de junho, quando no Neckarstadium de Estugarda derrotaram os velhos inimigos ingleses por 1-0. Ray Houghton seria o herói dessa célebre tarde do futebol irlandês.
No outro jogo confirmou-se o favoritismo de uma das equipas que melhor futebol praticou nos finais dos anos 80, a União Soviética. Um conjunto formado na sua esmagadora maioria por atletas do Dynamo Kiev, orientada pelo velho lobo do futebol soviético Valery Lobanovsky. Vassili Rats apontaria aos 54 minutos o único tento dessa partida.
De favorita a grande desilusão da prova, eis o curto percurso dos ingleses neste Euro 88. Depois da humilhante derrota com a República da Irlanda os súbitos de Sua Majestade voltavam a entrar em campo com a obrigação de vencer, caso contrário estariam de volta a Londres. Mas a tarefa não era nada fácil, pois pela frente tinham uma forte equipa holandesa liderada pelo mítico treinador Rinus Michels, o mesmo que 14 antes havia criado o "futebol total" que no Mundial de 1974, realizado também na RFA, encantou o Mundo. E se nessa altura o mestre do futebol holandês havia lançado para a ribalta jogadores como Krol, Neeskens, Rep, ou Cruyff, desta feita faria de Gullit, Frank Rijkaard, Wouters, os irmãos Koeman (Erwin e Ronald), Win Kieft, e de um tal de Marco Van Basten imortais do belo jogo. E contra os ingleses apareceu no Euro precisamente Van Basten, jogador do Milan, que haveria de se tornar na figura central desta competição. De suplente no jogo ante a União Soviética o ex-jogador do Ajax avançava para a linha da frente diante dos pupilos de Robson, e mostrando toda a sua arte futebolística e letal veia goleadora arrasou por completo com a armada britânica na sequência de 3 remates certeiros. 3-1 vencia a Holanda com um futebol arte, não o futebol total de 1974, mas uma forma de interpretar o jogo igualmente bela. Quanto à Inglaterra estava oficialmente fora do Euro.
Quem continuava a surpreender era a República da Irlanda. Depois da vitória sobre os ingleses alcançaram um empate a um golo diante da poderosa União Soviética, e partiam assim para o último jogo do grupo com a possibilidade de passar às meias finais! Quem diria! Mas a sorte nada quis com os bravos irlandeses no jogo decisivo ante a Holanda. Uma verdadeira final, pois quem vencesse seguiria em frente. O equilíbrio foi nota dominante até ao minuto 82, altura em que o árbitro austríaco Horst Brummeier resolveu dar nas vistas ao validar um golo de Win Kieft que apareceu na cara do guarda redes Pat Bonner em clara posição irregular. Uma derrota injusta para a mais talentosa geração do desconhecido futebol irlandês onde pontificavam nomes como John Aldridge, Tony Cascarino, Ray Hougthon, entre outros.
No outro jogo da última jornada deste Grupo 2 a Inglaterra sofria nova humilhação, desta feita aos pés da União Soviética que abateu a seleção dos "3 leões" por 3-1 e garantia assim o 1º lugar da chave.

Holanda vinga derrota de 74

Terça-feira, dia 21 de junho. Em Hamburgo a Holanda tinha umas contas a ajustar com a equipa da casa. 14 anos a "laranja mecânica" tinha sido degolada pela RFA do kaiser Beckenbauer na final do Mundial de 1974. Uma derrota injusta aos olhos dos amantes do belo futebol para quem a Holanda havia sido simplesmente a melhor equipa desse torneio. Ninguém no país das tulipas havia esquecido esse triste momento, e era agora altura de vingar essa derrota. Patenteado um futebol de alta qualidade a Holanda entrou neste jogo disposta a escrever uma nova página de ouro na história do seu futebol, mas desta feita com um final feliz. E assim foi. Num grande e épico jogo de futebol a equipa da casa marcou primeiro, por intermédio do seu capitão e maior artista Lothar Matthaus, aos 55 minutos através de grande penalidade. Depois disto só deu Holanda. E seria pois com naturalidade que o "homem bomba" da "laranja", Ronald Koeman, repôs a igualdade aos 74 minutos, também de grande penalidade. A RFA encolhia-se perante a avalanche laranja, e eis que a um minuto dos 90 Van Basten entrou definitivamente para a galeria dos imortais do futebol holandês quando num potente remate cruzado bateu Immel e colocou a sua equipa na final. A vingança estava consumada 14 anos depois!

Itália impotente para anular a supremacia soviética

Na outra meia final o calculismo imperou, embora tivesse ficado evidente desde o apito inicial que a União Soviética era uma equipa mais madura. Excessivas preocupações defensivas de parte a parte marcaram a etapa inicial desse duelo.
Na segunda parte os pupilos de Lobanovsky apareceram mais desinibidos, e com uma enorme vontade de violar a baliza de Walter Zenga, sendo pois com naturalidade que à passagem do minuto 60 Litovchenko tivesse inaugurado o marcador. Ainda com mais naturalidade surgiu o segundo tento, apenas 2 minutos depois, por intermédio de Protassov, que acabava assim com as esperanças azzurras em chegar ao derradeiro dia da competição.

Holandeses ascendem ao Olimpo dos Deuses do futebol

No dia 25 de junho o Estádio Olímpico de Munique recebeu o jogo final do Euro 1988. Frente a frente duas equipas que já se haviam encontrado na 1ª fase, a Holanda e a União Soviética. Pelo que haviam feito até então o favoritismo era repartido por ambos os conjuntos, esperando-se desta forma um grande encontro de futebol. E quem assim imaginou não se enganou. A incerteza quanto ao vencedor prolongou-se durante grande parte deste jogo. Apesar do equilíbrio foi a Holanda que dispôs das melhores oportunidades para chegar ao golo, sendo que dela... deu mesmo golo. Aos 32 minutos o excêntrico capitão holandês Ruud Gullit bateu de cabeça o mítico Rinat Dasaev provocando uma explosão de alegria laranja em todo o Olímpico de Munique, o mesmo palco onde 14 anos os holandeses haviam perdido para a RFA a coroa mundial. A confirmação laranja ocorreu já na segunda parte na sequência de uma obra de arte assinada pelo genial Marco Van Basten. Corria o minuto 54 quando Zavarov perde uma bola a meio campo. Van Tiggelen combina com o experiente Muhren que centra largo para a perto da zona da linha de cabeceira soviética, onde aparece Van Basten que de primeira, e de ângulo impossível - ou quase impossível como se viria a verificar - remate para o fundo da baliza. MAGNÍFICO... INESQUECÍVEL... UM DOS GRANDES MOMENTOS DA HISTÓRIA DO FUTEBOL MUNDIAL!!!
Nos minutos seguintes a União Soviética ataca desesperadamente em busca de um golo que relançasse a final. Igor Belanov ainda falha uma grande penalidade, ou melhor, Hans Van Breukelen tem o mérito de defender o remate do homem que tinha sido eleito o melhor jogador europeu do ano. Pouco depois o francês Michel Vautrot apitava para o final do jogo, e desta feita havia sido feita justiça: o melhor futebol havia vencido, e tal como em 1874 a Holanda foi melhor, só que desta vez venceu. 1988 tornava-se assim no ano de ouro para o futebol holandês, já que antes da vitória da seleção laranja também o PSV havia vencido a Taça dos Campeões Europeus, curiosamente também em solo alemão, diante do Benfica.
Quanto à talentosa União Soviética conhecia neste Euro 88 o seu derradeiro capítulo, já que alguns anos depois o país iria desmembra-se.

Jogos

Grupo 1

1ª Jornada

10 de junho, em Dusseldorf
RFA - Itália: 1-1
(Matthaus, aos 53m)
(Mancini, aos 56m)
11 de junho, em Hannover
Dinamarca - Espanha: 2-3
(Laudrup, aos 26m, Povlsen, aos 84m)
(Michel, aos 6m, Butragueño, aos 53m, e Gordillo, aos 68m)

2ª Jornada

14 de junho, em Gelsenkirchen
RFA - Dinamarca: 2-0
(Klinsmann, aos 10m, e Thon, aos 87m)
14 de junho, em Frankfurt
Itália - Espanha: 1-0
(Vialli, aos 74m)

3ª Jornada

17 de junho, em Munique
RFA - Espanha: 2-0
(Voller, aos 30m, 51m)

17 de junho, em Colónia
Itália - Dinamarca: 2-0
(Altobelli, aos 66m, e De Agostini, aos 87m)

Classificação

1-RFA: 5 pontos
2-Itália: 5 pontos
3-Espanha: 2 pontos
4-Dinamarca: 0 pontos

Grupo 2

1ª Jornada
12 de junho, em Estugarda
Inglaterra - República da Irlanda: 0-1
(Houghton, aos 6m)

12 de junho, em Colónia
Holanda - União Soviética: 0-1
(Rats, aos 54m)

2ª Jornada

15 de junho, em Dusseldorf
Inglaterra - Holanda: 1-3
(Robson, aos 54m)
(Van Basten, aos 44, 72m, 76m)
15 de junho, em Hannover
República da Irlanda - União Soviética: 1-1
(Whelan, aos 39m)
(Protasov, aos 75m)

3ª Jornada

18 de junho, em Frankfurt
Inglaterra - União Soviética: 1-3
(Adams, aos 15m)
(Aleinikov, aos 3, Mikhailichenko, aos 28m, e Pasulko, aos 72m)

18 de junho, em Gelsenkirchen
República da Irlanda - Holanda: 0-1
(Kieft, aos 82m)

Classificação

1-União Soviética: 5 pontos
2-Holanda: 4 pontos
3-República da Irlanda: 3 pontos
4-Inglaterra: 0 pontos

Meias finais
21 de junho, em Hamburgo
RFA - Holanda: 1-2
(Matthaus, aos 55m)
(R. Koeman, aos 74m, Van Basten, aos 89m)
22 de junho, em Estugarda
União Soviética - Itália: 2-0
(Litovchenko, aos 60m, e Protasov, aos 62m)

Final

Holanda - União Soviética: 2-0

25 de junho, no Estádio Olímpico de Munique

Árbitro: Michel Vautrot (França)

Holanda: Van Breukelen, Van Aerle, Rijkaard, Ronald Koeman, Van Tiggelen, Vanenburg, Wouters, Muhren, Erwin Koeman, Gullit, e Van Basten. Treinador: Rinus Michels

União Soviética: Dasaev, Khidiatulin, Demianenko, Litovchenko, Aleinikov, Zavarov, Gotsmanov, (Baltacha, aos 69m), Mikhailichenko, Rats, Protasov (Pasulko, aos 72m), e Belanov. Treinador: Valery Lobanovsky

Golos: 1-0 (Gullit. aos 32m), 2-0 (Van Basten, aos 54m)

Onze ideal:

Van Breukelen (Holanda)
Bergomi (Itália)
Rijkaard (Holanda)
Ronald Koeman (Holanda)
Maldini (Itália)
Wouters (Holanda)
Gullit (Holanda)
Giannini (Itália)
Matthaus (RFA)
Vialli (Itália)
Van Basten (Holanda)

Melhor marcador:
Van Basten (Holanda): 5 golos

Legenda das fotografias:
1-Logotipo deo Euro 88
2-O alemão Klinsmann, então uma jovem promessa, no jogo ante a Espanha
3-Irlandeses festejam o golo ante a inimiga Inglaterra na estria em fase finais!
4-Holanda vinga-se da RFA 14 anos depois
5-União Soviética foi mais forte que a Itália na meia final
6-Capitão Gullit segura a primeira coroa de glória internacional da seleção laranja
7-O jovem Emilio Butragueño
8-A talentosa squadra azzurra
9-Resultado choque para os ingleses!
10-Irlandeses fizeram a festa no Euro 88 contra todas as previsões
11-Van Basten faz o golo que levou a Holanda à final
12-A melhor União Soviética dos anos 80
13-Gullit festeja o seu golo na final...
14-... e a festa final dos campeões
15-Van Basten foi o rei dos marcadores na RFA em 1988

Vídeo: HOLANDA - URSS

quarta-feira, junho 06, 2012

História dos Europeus de Futebol (7)... França 1984

24 anos depois o Campeonato da Europa regressava a casa! França acolhia novamente a fase final da competição depois de em 1960 a ter dado a conhecer ao Mundo. Era uma oportunidade de ouro para o futebol francês mostrar na grande montra que era já o Europeu a qualidade que vinha evidenciando ao longo dos últimos anos, através de um punhado de grandes jogadores de futebol que iriam marcar a história da modalidade, como mais à frente iremos confirmar. E se a talentosa França dos anos 80 havia garantido um lugar entre as oito finalistas do Euro 84 na qualidade de país organizador do certame as outras 7 seleções tiveram de suar, e muito, para marcar presença em terras gaulesas no Verão de 1984. Mesmo as mais cotadas internacionalmente não tiveram vida fácil ao longo da fase de qualificação, como foi o caso da campeã da Europa em título, a República Federal da Alemanha (RFA), que terminou o seu grupo com os mesmos pontos que a Irlanda do Norte, com quem aliás perdeu os dois jogos de qualificação (!), tendo garantido o apuramento para a fase final devido à melhor diferença entre golos marcados e sofridos. Também a Espanha sofreu a bom sofrer para superar a Holanda, sendo que à entrada para o último dia de qualificação os espanhóis precisavam de marcar pelo menos 11 golos à frágil seleção de Malta para assegurar a viagem até França. E eis que o milagre aconteceu, Espanha goleou Malta por 12-1 (!) e pela terceira vez na sua história estava na fase final de um Campeonato da Europa. Qualificações surpreendentes foram alcançadas pela Dinamarca (venceu um grupo que continha a poderosa Inglaterra), pela Roménia (desenvencilhou-se da potência Itália, que dois anos antes se havia sagrado campeã do Mundo!!!), e por Portugal! A seleção lusa voltava assim à alta roda do futebol internacional 18 anos depois de ter encantado o planeta da bola durante o célebre Mundial de 1966 onde Eusébio e companhia ascenderam à galeria dos imortais Deuses do Futebol após a brilhante conquista do 3º lugar do certame ocorrido nesse ano em Inglaterra. Mas para estar pela segunda vez na sua história na fase final de uma competição internacional a equipa portuguesa bafejou de uma pontinha de sorte... e da ajuda de um tal Georges Konrath, o árbitro francês que apitou no Estádio da Luz um decisivo Portugal - União Soviética na última jornada da fase de qualificação. A precisar de vencer para se qualificar a seleção lusitana beneficiou, ao cair do pano sobre a primeira parte desse encontro, de uma grande penalidade... inexistente. De nada valeram os protestos dos soviéticos, já que Rui Jordão converteu o castigo que deu origem ao único golo de uma tarde que viria a ser de glória para a nação portuguesa. Portugal estava no Euro francês graças à preciosa ajuda de um... francês. Complicada foi também a qualificação da talentosa Jugoslávia, que só no derradeiro capítulo do seu grupo levaria a melhor sobre o País de Gales. A única seleção que teve talvez o apuramento mais tranquilo foi a Bélgica, que na década de 80 emergia como uma potência internacional, que venceu facilmente um grupo composto por Suíça, República Democrática da Alemanha, e Escócia.

França encanta e domina facilmente o seu grupo

A 12 de junho de 1984 o Parque dos Príncipes, em Paris, engalanou-se para dar o "pontapé de saída" da 7ª edição do Campeonato da Europa. Mais de 48 000 espetadores marcaram presença no jogo de abertura que opôs a genial seleção da casa à talentosa Dinamarca. Duas boas equipas em campo e um bom jogo de futebol em perspetiva. E assim foi. Desde logo notou-se um grande entusiasmo do público francês em torno do seu combinado nacional, um grupo que tinha no meio campo e na linha avançada os seus pontos mais fortes e deslumbrantes, sob o comando de um mago chamado Michel Platini. E seria precisamente o número 10 gaulês o autor do único tento desse final de tarde na bela cidade de Paris, quando estavam decorridos 77 minutos de jogo. França que viria a sofrer um duro golpe na partida inaugural do torneio, quando viu um dos seus melhores defesas, Manuel Amoros, ser expulso na sequência de uma agressão ao dinamarquês Jesper Olsen, tendo a UEFA aplicado uma punição de... 3 jogos! Face a isto Amoros apenas poderia voltar à ação na final, caso a França lá chegasse... o que viria a acontecer.
Em Lens (uma das 7 cidades que acolheu o Euro francês) no outro encontro do Grupo 1 confirmou-se a supremacia da Bélgica, que era tida à partida como uma das candidatas à glória final. 2-0 foi o resultado da vitória belga sobre a Jugoslávia.
E na 2ª jornada do grupo Platini trouxe magia ao Euro 84. Com uma exibição deslumbrante do mago jogador a França goleou em Nantes a criativa Bélgica por 5-0 (!), com 3 dos golos a serem da autoria do atleta que atuava na Juventus de Itália. O mesmo resultado verificou-se no outro jogo, em Lyon, com a Dinamarca formada por um talentoso naipe de futebolistas, onde pontificavam nomes como Elkjaer, Lerby, Morten Olsen, e de um jovem de apenas 20 anos chamado Michael Laudrup, a esmagar uma Jugoslávia que com esta derrota dizia adeus à competição.
Talvez pelo facto de já não ter nada a perder a equipa dos balcãs complicou a vida aos franceses no último jogo da 1ª fase. Uma curta vitória por 3-2, graças a mais uma exibição soberba de Platini, autor dos 3 golos da sua equipa (!), foi o que a França conseguiu ante a seleção do guarda redes Tomislav Ivkovic, que anos mais tarde viria a representar o Sporting.
O outro jogo do grupo afigurava-se como uma autêntica final, quem vencesse alcançava as meias finais. Diga-se como nota informativa que em 1984 a UEFA voltava a introduzir as meias finais na fase final do Campeonato da Europa, depois de as ter eliminado no Euro 80. Voltando à ação para lembrar que Dinamarca e Bélgica protagonizaram um jogo intenso e memorável em Estrasburgo, cabendo a Elkjaer vestir o fato de herói depois de aos 83 minutos ter feito o 3-2 final para os nórdicos que assim acompanhavam a invicta França rumo à fase seguinte. Quanto à favorita - na entrada para o Euro - Bélgica acabava por morrer na praia.

Portugal torna-se na grande surpresa do Europeu

14 de junho de 1984 é um dia que fica marcado na história do futebol português. Nesse final de tarde a equipa lusa estreia-se na fase final de um Europeu, e logo contra uma potência do futebol mundial, a RFA, que na altura era não só a campeã da Europa em título como também a vice campeã do Mundo. No estádio Le Meinau, em Estrasburgo, os portugueses seriam apoiados freneticamente por um largo número de emigrantes a residir em França, facto que terá ajudado os selecionados de Fernando Cabrita a protagonizar a primeira grande surpresa da competição. Ante os alemães Portugal realizou uma ótima exibição, batendo-se de igual para igual, cabendo-lhe mesmo as primeiras grandes oportunidades de golo desse histórico duelo. Com o desenrolar do desafio a RFA foi tomando conta do encontro, mas sempre com a defesa portuguesa bem atenta aos ataques de jogadores como Rudi Voller, Karl-Heinz Rummenigge, e Klaus Allofs. As coisas corriam bem à equipa lusa, e poderiam ter corrido ainda melhor caso o mítico Harald Schumacher não tivesse defendido um potente remate de João Pinto já na reta final da contenda. 0-0, o resultado final de um jogo que à partida era visto como uma vitória fácil e robusta dos alemães, algo que acabou por não acontecer graças a uma sensacional equipa portuguesa. O Mundo ficava a (re)conhecer Portugal.
A 1ª jornada deste Grupo 2 foi rica em surpresas. Depois de a RFA escorregar na estreia foi a vez da Espanha desperdiçar a oportunidade de somar 2 preciosos pontos na luta pela qualificação para as meias finais. Os causadores deste percalço espanhol foram uns bravos romenos, os tais que na fase de qualificação haviam deixado os campeões do Mundo (Itália) de fora do Euro. 1-1, o resultado final, tendo o golo romeno sido da autoria de Laszlo Boloni, um nome que anos mais tarde viria a vencer um Campeonato Nacional de Portugal ao serviço do Sporting na qualidade de treinador. Este jogo ficaria ainda marcado pela estreia internacional daquele que com o passar dos anos viria a ser considerado como o Deus do futebol romeno: Gheorghe Hagi.
17 de junho foi o dia da "cimeira ibérica" no Euro. Portugal encontrava a vizinha Espanha no teatro dos sonhos do futebol francês, o Stade Vélodrome, em Marselha. Galvanizados pela excelente exibição ante os alemães os portugueses voltaram a entrar em campo com vontade de surpreender novamente todos aqueles que tinham os olhos postos no que se passava em França. A primeira parte desse encontro contudo não foi famosa para nenhuma das equipas. Na etapa complementar o ritmo do jogo foi alterado... para melhor. O ponto de viragem deu-se ao minuto 52, altura em que António Sousa fez um soberbo golo ao experiente Arconada, fazendo assim o primeiro golo lusitano na fase final de um Europeu. Espanha tremeu, e Portugal poderia ter ampliado a vantagem nos minutos que se seguiram. Contudo, dentro de campo estavam alguns dos melhores jogadores espanhóis de todos os tempos, entre outros a lenda do Real Madrid, Santillana, jogador que aos 73 minutos aproveitou uma confusão na área portuguesa para bater Manuel Bento e repôr a igualdade no marcador. O resultado não se alterou até final, e Portugal, contra todas as previsões, continuava na luta por um lugar nas meias finais, dependendo apenas de si para alcançar essa meta. Quem diria! No outro jogo a RFA vencia a Roménia por 2-1, mas continuava a dar indícios de que não estava em forma para defender o título conquistado 4 anos antes em Itália.
Face a este panorama os dois outsiders do grupo, Portugal e Roménia, dependiam apenas de si para seguir em frente na prova e deixar pelo caminho um dos favoritos, Espanha ou Itália.
Nantes e Paris assistiram pois a duas verdadeiras finais. Na primeira cidade Portugal enfrentava a Roménia com o objetivo da vitória, objetivo idêntico ao dos romenos. Talvez por isso ambas as equipas tivessem praticado um jogo cauteloso, pouco atraente. Apesar deste resguardo pertenceram aos portugueses as melhores oportunidades de golo do encontro, através de iniciativas de Fernando Gomes, Diamantino e do genial Chalana, que se viria a revelar como a grande estrela do conjunto português ao longo desta fase final. Até que a cerca de 20 minutos do fim Portugal mexe no seu setor ofensivo, retirando um médio (Carlos Manuel) e introduzindo um avançado (Nené). Troca que daria os seus frutos aos 81 minutos. Pontapé de canto apontado por António Sousa, alívio da defesa romena, tendo a bola ido parar novamente aos pés do médio lusitano, o qual cruzou de novo para a área onde apareceu Nené que fez o gosto ao pé e apontou o único golo do encontro. Portugal vencia e estava nas meias finais do Euro 84! A festa estoirava em Nantes.
Em Paris a RFA continuava a desiludir! Os campeões da Europa protagonizavam a pior campanha internacional de que havia memória! Sem fazer um jogo fenomenal a Espanha aproveitou-se da desinspiração germânica para garantir a presença entre as quatro últimas equipas da competição, graças a um golo tardio do defesa Maceda, que assim mandou os pupilos de Jupp Derwall mais cedo para casa.

Portugueses estiveram prestes a chocar o Mundo num épico jogo em Marselha

O Vélodrome de Marselha acolheu a 23 de junho um encontro que com o passar dos anos ascenderia ao patamar da imortalidade. Um encontro épico, digno de figurar entre os melhores momentos da história dos Campeonatos da Europa. A favorita França media forças com a surpreendente seleção portuguesa comandada pelo pequenio genial Fernando Chalana. Ambiente fantástico naquela que é a cidade do futebol francês, a cidade onde a modalidade é vivida de uma forma apaixonante. Portugal não se amedrontou com o ambiente, muito menos com a constelação de estrelas que os franceses apresentavam em campo, acabando por contribuir para o espetáculo com mais uma exibição memorável. A equipa da casa adiantou-se no marcador aos 24 minutos na sequência de um livre à entrada da área lusa. Quando todos pensavam no mestre Platini para cobrar a falta eis que aparece o defesa Domergue a rematar para o fundo da baliza de Bento. Dali em diante o jogo tornou-se numa verdadeira avalanche ofensiva, em especial do lado francês, valendo a Portugal... São Bento, que fez uma das melhores exibições da sua gloriosa carreira. Na segunda parte a equipa técnica portuguesa resolve apostar num segundo avançado, aumentando desta forma o seu caudal ofensivo. A aposta daria os seus frutos aos 74 minutos quando Jordão repôs a igualdade no seguimento de um cabeceamento certeiro. O Vélodrome gelou! A garra lusitana obrigava os artistas franceses a um esforço extra, um prolongamento de 30 minutos. E ai o escândalo esteve quase a acontecer. Sentindo que podia ir mais longe na competição Portugal continuou a atacar a baliza do brilhante Joel Bats, até que aos 98 minutos Marselha apagou de vez com o segundo tento lusitano, de novo apontado por Rui Jordão, a corresponder da melhor maneira a uma jogada genial do endiabrado Chalana. Portugal estava a 22 minutos de alcançar o sonho, a 22 minutos de virar o pesadelo do povo francês.
Como sempre o fizera Platini pega na batuta e comandou a orquestra francesa no recital de futebol que se visionou nos minutos seguintes. Os portugueses defendiam como podiam, sem nunca deixar de espreitar o ataque. Os minutos iam passando e os franceses pareciam chocados com aquilo que viam, até que Domergue voltou a colocar a palavra esperança no dicionário gaulês. O jogo voltava à estaca zero, estava de novo empatado graças ao novo tento do defesa do Toulouse. E quando já toda a gente pensava no desempate através das grandes penalidades eis que a genialidade francesa volta a mostrar-se no relvado do Vélodrome. Lance de insistência de Tigana que só parou nos pés do mago que Michel Platini, que dentro da área bateu o desamparado Bento. 3-2 a um minuto do fim, e a França estava na sua final para delírio do povo gaulês que finalmente podia respirar com tranquilidade. Portugal caia de pé, mostrando ao Mundo que a aventura de Eusébio e companhia em 66 não havia sido obra do acaso, que o seu futebol tinha lugar na alta roda internacional, agora interpretado por astros como Fernando Gomes, Nené, Sousa, João Pinto, Jordão, Bento, e de um pequeno génio chamado Chalana, que no final deste Euro foi muito justamente considerado como um dos melhores artistas do torneio.

Espanha ganha a lotaria 

Na outra meia final, realizada em Lyon, a fúria espanhola moralizada pela vitória diante da poderosa RFA enfrentava a guerreira Dinamarca. Os espanhóis entraram no campo a comandar mas foram os nórdicos os primeiros a marcar, e bem cedo, por Lerby, aos 7 minutos. Em desvantagem a "roja" continuou a atacar, mas sem efeitos. Até que no segundo tempo o defesa Maceda voltou a fazer das suas ao faturar o tento do empate. Dali em diante a partida endureceu, sempre com o sinal mais do lado dos espanhóis que detiveram várias oportunidades para colocar um ponto final no encontro. Não o conseguiram e houve a necessidade de jogar-se um prolongamento de 30 minutos que nada de novo acrescentou. Chegou-se então às grandes penalidades, e ai a equipa de Miguel Muñoz seria mais forte, acabando por vencer por 5-4 e garantindo desta forma a presença pela segunda vez na sua história na final de um Europeu.

França alcança a glória com ajuda preciosa de Arconada

Quase 50 000 pessoas marcaram presença no dia 27 de junho para assistir aquele que viria a ser o primeiro momento de glória internacional do futebol francês. A grande final estava ai, e com a França presente. Contudo o factor casa não se fez notar na primeira parte da final, com os espanhóis a mostrar que não estavam ali para serem meros convidados da festa gaulesa. O equilíbrio continuou a ser nota dominante na etapa complementar, até ao... minuto 56. Altura em que Platini e o guarda redes espanhol Arconada se tornaram nas figuras centrais do encontro. O génio francês prepara-se para apontar um livre perigoso à entrada da área. O remate sai fraco, mas de forma incrível o experiente Arconada deixa passar a bola por baixo das pernas, oferecendo assim o primeiro golo à equipa da casa. Um frango monumental, dos mais incríveis e trágicos da história do futebol! A Espanha ficou afetada com o erro do seu guardião, e mesmo dispondo de uma ou duas oportunidades junto da baliza de Bats nunca mais se encontrou no relvado do Parque dos Príncipes. O golo de Platini parece ter feito bem à França, que passou a jogar de uma forma mais descontraída, conseguindo finalmente colocar em prática a beleza do seu futebol. E seria já na fase do desespero espanhol que Bellone sentenciaria a final em cima do minuto 90, carimbando o primeiro sucesso internacional do seu país. A França entra em delírio, ao ver a sua seleção ser coroada como a nova campeã da Europa. Mais do que o título em si este foi uma espécie de reconhecimento internacional a uma geração fantástica do futebol gaulês, jogadores que ascenderam ao patamar da imortalidade, casos de Bats, Domergue, Bossis, Fernández, Lacombe, Tigana, Giresse, e claro está, Michel Platini, que além de ter sido de forma natural considerado como o melhor jogador da competição foi o rei dos marcadores, com 9 remates certeiros, um recorde que se mantém até hoje na história dos Euros. 

Jogos

Grupo 1

1ª Jornada
12 de junho, em Paris
França - Dinamarca: 1-0
(Platini, aos 77m)

13 de junho, em Lens
Bélgica - Jugoslávia: 2-0
(Vanderbergh, aos 27m, e Grun, aos 44m)

2ª Jornada

16 de junho, em Nantes
França - Bélgica: 5-0
(Platini, aos 3m, 74m, 88m, Giresse, aos 32m, e Fernández, aos 43m)
16 de junho, em Lyon
Dinamarca - Bélgica: 5-0
(Arnesen, aos 7m, 68m, Berggreen, aos 16m, Elkjaer, aos 81m, e Lauridsen, aos 83m)

3ª Jornada

18 de junho, em Saint-Étienne
França - Jugoslávia: 3-2
(Platini, aos 59m, 61m, e 76m)
(Sestic, aos 31m, e Stojkovic, aos 80m)
19 de junho, em Estrasburgo
Dinamarca - Bélgica: 3-2
(Arnesen, aos 40m, Brylle, aos 60m, e Elkjaer, aos 83m)
(Ceulemans, aos 25m, e Vercautern, aos 38m)

Classificação

1-França: 6 pontos
2-Dinamarca: 4 pontos
3-Bélgica: 2 pontos
4-Jugoslávia: 0 pontos

Grupo 2

1ª Jornada

14 de junho, em Estrasburgo
RFA - Portugal: 0-0
14 de junho, em Saint-Étienne
Espanha - Roménia: 1-1
(Carrasco, aos 22m)
(Boloni, aos 35m)

2ª Jornada

17 de junho, em Lens
RFA - Roménia: 2-1
(Voller, aos 24m, e 65m)
(Coras, aos 46m)
17 de junho, em Marselha
Portugal - Espanha: 1-1
(Sousa, aos 51m)
(Santillana, aos 72m)

3ª Jornada

20 de junho, em Paris
RFA - Espanha: 0-1
(Maceda, aos 89m)
20 de junho, em Nantes
Portugal - Roménia: 1-0
(Nené, aos 81m)

Classificação

1-Espanha: 4 pontos
2-Portugal: 4 pontos
3-RFA: 3 pontos
4-Roménia: 1 ponto

Meias finais

23 de junho, em Marselha
França - Portugal: 3-2
(Domergue, aos 24m, 115m, e Platini, aos 119m)
(Jordão, aos 74m, 98m)

24 de junho, em Lyon
Espanha - Dinamarca: 1-1 (5-4 nas grandes penalidades)
(Maceda, aos 66m)
(Lerby, aos 7m)

Final

França - Espanha: 2-0

27 de junho, no Parque dos Príncipes, em Paris

Árbitro: Vojtech Christov (Checoslováquia)

França: Bats, Battiston (Amoros, aos 72m), Le Roux, Bossis, Domergue, Giresse, Tigana, Fernández, Platini, Lacombe (Genghini, aos 80m), e Bellone. Treinador: Michel Hidalgo

Espanha: Arconada, Urquiaga, Salva (Roberto, aos 85m), Gallego, Julio Alberto (Sarabia, aos 77m); Senõr, Victor, Camacho, Francisco, Santillana, e Carrasco. Treinador: Miguel Muñoz

Golos: 1-0 (Platini, aos 56m), 2-0 (Bellone, aos 90m)


Onze ideal:

Bento (Portugal)
Morten Olsen (Dinamarca)
Brehme (RFA)
Eurico (Portugal)
Señor (Espanha)
Giresse (França)
Tigana (França)
Platini (França)
Chalana (Portugal)
Voller (RFA)
Jordão (Portugal)
Melhor marcador: 

Platini (França): 9 golos

Legenda das fotografias:
1-Logotipo do Euro 1984
2-Platini em mais uma ação soberda diante da Bélgica
3-Espanha manda campeã da Europa em título, a RFA, para casa mais cedo
4-Fase daquele que é considerado um dos melhores jogos de sempre dos Europeus, o França - Portugal
5-Espanhóis só nas grandes penalidades conseguiram afastar os combativos vikings da Dinamarca
6-Giresse parece ser dono do lance na grande final do Euro
7-Platini festeja um golo diante da Dinamarca
8-A surpreendente equipa dinamarquesa...
9-... e uma das suas estrelas principais, Elkjaer, a festejar o apuramento para as meias finais diante da Bélgica
10-A fúria espanhola
11-Desoladora RFA vence apenas um único jogo no Euro 84, diante da Roménia
12-O genial Chalana
13-E a seleção portuguesa que alcançou o apuramento para as meias finais diante da Roménia
14-Tigana conduz o esférico na final...
15-... enquanto Platini ergue a primeira coroa de glória do futebol gaulês
16-O mítico frango de Arconada
17-A fotografia final dos Campeões da Europa de 84
18-Platini, o rei dos marcadores

Vídeo: FRANÇA - ESPANHA

Pensamentos filosóficos em... "futebolês" (4)

"O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do Homem devo ao futebol"

 Albert Camus... pensador, filósofo, escritor, e... guarda-redes de futebol

terça-feira, junho 05, 2012

História dos Europeus de Futebol (6)... Itália 1980

A poucos dias do início da grande festa do Euro 2012 o Museu Virtual do Futebol sobe a bordo da Máquina do Tempo para fazer uma viagem pela história da prova mais emblemática ao nível de seleções do Velho Continente. Itália é o nosso destino de hoje, país que em 1980 acolheu a 6º edição do certame chancelado pela UEFA. Uma edição desde logo diferente das cinco anteriores. O crescimento da competição em termos de popularidade obrigou a UEFA a fazer mudanças no figurino da fase final, pretendendo assim doar à prova uma dimensão condizente com prestígio e interesse que ela reunia a nível internacional. A alteração maior prendeu-se com o número de equipas finalistas, ou seja, os participantes da fase final, que passaram de 4 para 8! Novidade também o facto de o país que acolheria a dita fase final ser conhecido ainda antes da fase de qualificação, nação essa que ficava desde logo qualificada para a etapa decisiva do Euro.
Itália foi pois o país escolhido, ao qual se juntariam - após a longa fase de qualificação - outras 7 seleções, nomeadamente Inglaterra, Bélgica, Espanha, República Federal da Alemanha (RFA), Holanda, a campeã em título Checoslováquia, e a surpreendente Grécia, uma equipa até então praticamente desconhecida a nível internacional que venceu o grupo (de qualificação) onde estava inserida nada mais nada menos do que a seleção com mais presenças em fases finais do certame, a União Soviética.
Chegadas a Itália - que acolhia o Euro pela segunda vez na sua história - as seleções foram divididas em dois grupos de quatro equipas, residindo aqui também uma novidade em termos de fases finais, uma vez que nas edições anteriores a competição era apenas composta por meias-finais, jogo de atribuição dos 3º e 4º lugares, e final. Definido ficou que os vencedores de cada grupo seriam os finalistas da competição, enquanto que os segundos classificados iriam discutir entre si o 3º lugar.
Quatro cidades transalpinas acolheram o Euro 1980: Turim, Nápoles, Milão e a capital Roma.

Alemanha rejuvenescida garante final


No dia 11 de junho de 1980 a bola começa a rolar na 6ª edição do Campeonato da Europa. Frente a frente, no Estádio Olímpico de Roma, estiveram os dois finalistas da edição de 1976, a RFA e a Checoslováquia. Totalmente rejuvenescida - em relação à década dourada de 70, onde conquistaram o Euro 72 e o Mundial 74 - a seleção germânica vingaria a derrota surpreendente do jogo final de 76 graças a um golo solitário da jovem estrela do Bayern de Munique Karl-Heinz Rummenigge. No outro jogo do Grupo 1, em Nápoles, a Holanda - já sem os magos Cruyff e Neeskens, mas ainda com lendas como Krol, Haan, ou Nanninga - sentiu algumas dificuldades em derrotar por 1-0 a estreante Grécia. A fortaleza grega foi invadida apenas aos 65 minutos... e de grande penalidade!
Estes resultados inaugurais indicavam que muito dificilmente RFA ou Holanda não seriam uma das finalistas do Euro 80, e assim sendo o confronto entre as duas seleções rivais na jornada seguinte ganhava contornos de jogo decisivo. O mítico estádio San Paolo de Nápoles acolheria este clássico do futebol mundial. De um lado uma nova RFA, com jovens e promissores jogadores como Rummenigge, Klaus Allofs, Schumacher, Stielike, Schuster, e um tal de Lothar Matthaus, que prometiam seguir as pisadas da lendária geração alemã liderada por Franz Beckenbauer que na década anterior havia conquistado tudo o que havia para conquistar. Do outro uma "laranja" que mesmo sem o doce sumo de outrora se afigurava como uma equipa talentosa e habituada aos grandes palcos internacionais. Levariam a melhor os comandados de Jupp Derwall, um ex-adjunto do mestre da tática Helmut Schon que em 1978 assumiu os destinos da seleção teutónica, muito por culpa de um endiabrado Klaus Allofs, autor dos 3 golos com que a RFA bateu (3-2) a vizinha Holanda, e desta forma colocariam um pé na grande final da competição. Com este hattrick Allofs iria garantir no final do torneio o título de melhor marcador.
Uma outra nota curiosa neste jogo entre alemães e holandeses reside no facto daquele que anos mais tarde viria a ser considerado como um dos melhores jogadores do Mundo, de seu nome Lothar Matthaus, então um jovem com 19 anos, ter feito a sua única aparição em todo o Europeu, ao atuar durante os últimos 15 minutos.
No outro jogo do grupo reapareceu Panenka, o herói do Euro 76, ao apontar um dos três golos com que a Checoslováquia derrotou (3-1) a Grécia no Olímpico de Roma.
No derradeiro dia a Grécia fez uma gracinha ao alcançar um empate a zero bolas com os poderosos alemães, que assim garantiam o 1º lugar da chave e o consequente apuramento para a final. Checos e holandeses ficariam arredados do encontro mais aguardado, empatando entre si (1-1) num jogo que vincou o excesso de dureza com que a "laranja" se apresentou em Itália, e prova disso é o pontapé de Kist ao checo Jurkemik, e o soco de Rep ao também jogador checo Gogh. Já no desafio inaugural do grupo, ante a Grécia, a Holanda tinha abusado das entradas à margem da lei, o que levaria os gregos a acusarem os holandeses de jogo sujo. Para a Checoslováquia, a ainda detentora do ceptro de campeã, o Europeu não se ficava por ali, já que ainda restava o jogo de apuramento dos 3º e 4º lugares.
Já os gregos, que ninguém conhecia, a participação no Euro valeu pela experiência, pela oportunidade dos seus "anónimos internacionais" conviverem de perto com alguns dos nomes mais badalados do futebol mundial de então. Grécia que estaria por esta altura bem longe de imaginar o que iria acontecer 24 anos depois no Europeu realizado em Portugal. Mas isso são histórias para contar numa próxima visita à vitrina dos Campeonatos da Europa. Por agora continuamos a desfiar o novelo das peripécias do Itália 80.

Luta até ao fim no Grupo 2

E se no Grupo 1 a RFA acabou por não ter grandes dificuldades em garantir o 1º lugar, na outra chave do Euro a história foi bem diferente. No Grupo 2 houve equilíbrio e luta até ao fim, acabando por levar a melhor a seleção de quem talvez menos... se esperava! Favoritos? Itália e a Inglaterra. Mas tal acabaria por não ser tão evidente logo na 1º jornada realizada a 12 de junho. No Comunale de Turim a Inglaterra liderada pelo bi Bola de Ouro Kevin Keegan - além de vários elementos dos campeões europeus de clubes Liverpool e Nottingham Forest - não foi além de um empate a um golo diante da Bélgica que como estrela principal tinha Frankie Van der Elst. Tinha até esse dia, pois a partir dai o Mundo ficou a conhecer um naipe de talentosos jogadores que haveriam de conduzir os belgas a momentos épicos nos anos que se seguiriam. No Giuseppe Meazza, em Milão, a seleção da casa procurava repetir o êxito de 1968, quando diante do seu público venceu o Europeu. Mesmo abalada pelos escândalos das apostas desportivas, que afastou disciplinarmente, entre outros, a estrela Paolo Rossi, a squadra azzurra era apontada como uma das principais favoritas a vencer o torneio, já que talento não lhes faltava: Gentile, Tardelli, Cabrini, Causio, Graziani, e o veterano Dino Zoff eram a prova disso. Mas da teoria à prática o caminho por vezes é longo e sinuoso, e o que é certo é que a estreia da azzurra deixou muito a desejar conforme traduz o triste empate a zero golos ante a Espanha de Arconada.
A 15 de junho, em Turim, as duas - à partida - favoritas do grupo mediam forças, num duelo de tudo ou nada, ou seja, depois dos desoladores resultados averbados por ambas no primeiro jogo quem perdesse este confronto ficaria praticamente de fora da fase seguinte. 60 000 pessoas assistiram a um jogo intenso decidido ao minuto 79 por Tardeli. A Itália ganhava uma nova alma, acreditando que podia repetir a façanha de 1968, enquanto que os súbitos de Sua Majestade preparavam as malas para regressar a casa de forma inglória. Pior do que a exibição de "king" Keegan e seus súbitos foi o (mau) comportamento dos adeptos britânicos dentro e fora dos estádios italianos. O temível hooliganismo dava sinais da sua existência, e este era apenas um aviso das tragédias que iriam ser acontecer na sequência destes tristes comportamentos.
E em Milão a surpresa do torneio confirmava-se. A Bélgica mostrava que o empate com a Inglaterra não havia sido mera obra do acaso, e a prova disso foi o facto de a Espanha não ter tido argumentos para evitar a derrota (1-2) ante os "diabos vermelhos" liderados pelo mestre da tática Guy Thys. Com esta vitória os belgas estavam, contra todas as previsões, na frente do grupo, sendo que para atingir a final apenas precisavam de um empate com a seleção da casa no último jogo, já que apesar de por esta altura ambas as equipas terem os mesmos pontos contabilizados a Bélgica beneficiava do facto de ter mais golos marcados.
No Olímpico de Roma com 55 000 espetadores assistiu-se a um duelo empolgante. A squadra azzurra, como lhe era exigido, tudo fez para furar a bem escalonada muralha vermelha, mas pela frente encontrou um combinado moralizado pelas boas exibições patenteadas nos primeiros jogos. Além de que na baliza belga morava aquele que viria a ser considerado como um dos melhores guarda redes do planeta de todos os tempos, Jean-Marie Pfaff. 0-0 foi o resultado final de um jogo arbitrado pelo português António Garrido, de quem os italianos se queixariam bastante, acusando o juiz luso de não ter assinalado uma grande penalidade a seu favor já bem perto do final do encontro. Perante isto, a Bélgica estava de forma surpreendente na final, e ai, acontecesse o que acontecesse, nunca mais o Mundo se iria esquecer de nomes como Pfaff, Eric Gerets, Meeuws, ou Ceulemans.
Em Nápoles, num jogo sem história, Inglaterra despediu-se da competição com uma vitória (2-1) sobre uma desoladora Espanha.

Checoslovacos ficam com o último bronze exclusivo

No dia 21 de junho o Estádio San Paolo recebeu a final dos derrotados. Checoslováquia e Itália procuravam um lugar de destaque no pódio final da competição. E o resultado foi um triste e monótono 1-1 no final dos 90 minutos, facto que obrigou ao desempate através de grandes penalidades. Este cenário era por demais familiar aos checoslovacos que quatro anos antes haviam conquistado o Euro 76 na lotaria dos penaltis. E seria novamente desta forma que levariam para casa a medalha de bronze, acabando por vencer os transalpinos no "tiro ao alvo" por 9-8. A monotonia deste jogo traduzida na forma quase desinteressada que ambas as equipas encararam a disputa fez com que a UEFA decidisse posteriormente que dali em diante os derrotados das meias finais ficariam ambos com o 3º lugar do campeonato, "banindo" assim a "final de consolação" dos Europeus.

RFA sagra-se bi campeã da Europa

Domingo, 22 de junho de 1980. O Estádio Olímpico de Roma acolhia 48 000 espetadores que esperavam ansiosamente pela entrada em campo dos dois finalistas do segundo Euro realizado em solo italiano. Os alemães eram tidos como favoritos, e conformariam-no logo aos 10 minutos quando o possante avançado Hrubesch bateu Pfaff pela primeira vez. A RFA mandava no jogo, e só não ampliou o marcador ainda dentro da 1ª parte pois na baliza dos belgas estava o notável Jean Marie Pfaff. Na 2ª parte assistiu-se a mais do mesmo, ou seja, os alemães a ditar leis. Até já bem perto do final a Bélgica mostrou o porquê de estar ali, de ter deixado pelo caminho as favoritas Itália e Inglaterra. Num lance de contra ataque Van der Elst é rasteirado já bem perto da linha de limite da grande área. O árbitro romeno Nicolae Rainea não parece ter dúvidas e assinala grande penalidade. Os alemães protestam, alegando que a falta havia sido cometida ainda fora de área (como aliás se viria a confirmar nas imagens televisivas), mas pouco adiantou. Chamado à conversão do castigo Vandereycken não falhou e restabeleceu a igualdade no marcador quando faltavam pouco mais de 15 minutos para o final. Os "diabos vermelhos" estavam de volta ao jogo e à disputa do título. Mas a superioridade germânica era por demais evidente, e a dois minutos do final, quando muita gente já pensava no prolongamento, o gigante Hrubesch salta mais alto do que toda a gente - no seguimento de um pontapé de canto - para cabecear a bola para o fundo da baliza de Pfaff e sentenciar assim o jogo. Pouco depois o árbitro apitava pela última vez e consagrava a RFA novamente como campeã da Europa, a primeira seleção a conseguir vencer o Euro pela segunda vez na história. Depois de 1972 o ano de 1980 entrava na história do futebol germânico, e ficava bem patente que a geração de Beckenbauer, Maier, Vogts, Hoeness, e Gerd Muller havia encontrado em nomes como Allofs, Rummenigge, Schuster, Schumacher, e Hrubesch os seus dignos sucessores.
Para além do título coletivo a RFA levou para casa ainda os "títulos" de melhor marcador (Allofs, com 3 golos), e de melhor jogador do torneio (Rummenigge).

Jogos:


Grupo 1

1º Jornada

11 de junho, em Roma
RFA - Checoslováquia: 1-0
(Rummenigge, aos 57m)

11 de junho, em Nápoles
Holanda - Grécia: 1-0
(Kist, aos 65m)

2ª Jornada
14 de junho, em Nápoles
RFA - Holanda: 3-2
(Allofs, aos 20m, 60m, e 66m)
(Rep, aos 80m, e Van de Kerkhof)

14 de junho, em Roma
Checoslováquia - Grécia: 3-1
(Panenka, aos 6m, Vizek, aos 26m, e Nehoda, aos 62m)
(Anastopoulos, aos 14m)

3ª Jornada

17 de junho, em Milão
Checoslováquia - Holanda: 1-1
(Nehoda, aos 16m)
(Kist, aos 59m)
17 de junho, em Turim
RFA - Grécia: 0-0

Classificação

1- RFA: 5 pontos
2- Checoslováquia: 3 pontos
3- Holanda: 3 pontos
4- Grécia: 1 ponto

Grupo 2

1ª Jornada

12 de junho, em Turim
Bélgica - Inglaterra: 1-1
(Ceulemans, aos 30m)
(Wilkins, aos 26m)
12 de junho, em Milão
Itália - Espanha: 0-0

2º Jornada
15 de junho, em Milão
Espanha - Bélgica: 1-2
(Quini, aos 36m)
(Gerets, aos 17m, e Cools, aos 65m)
15 de junho, em Turim
Itália - Inglaterra: 1-0
(Tardeli, aos 79m)

3ª Jornada

18 de junho, em Roma
Itália - Bélgica: 0-0
18 de junho, em Nápoles
Espanha - Inglaterra: 1-2
(Dani, aos 48m)
(Brooking, aos 19m, e Woodcock, aos 61m)

Classificação

1- Bélgica: 4 pontos
2- Itália: 4 pontos
3- Inglaterra: 3 pontos
4- Espanha: 1 ponto

Jogo de apuramento dos 3º e 4º classificados
21 de junho, em Nápoles
Itália - Checoslováquia: 1-1 (8-9 nas grandes penalidades)
(Graziani, aos 73m)
(Jurkemik, aos 54m)

Final


RFA - Bélgica: 2-1

22 de junho, no Estádio Olímpico de Roma

Árbitro: Nicolae Rainea (Roménia)

RFA: Harald Schumacher, Manfred Kaltz, Bernard Dietz, Hans-Peter Briegel (Bernhard Cullmann, aos 55m), Karl-Heinz Forster, Uli Stielike, Karl-Heinz Rummenigge, Bernd Schuster, Horst Hrubesch, Hansi Muller, e Klaus Allofs. Treinador: Jupp Dewall

Bélgica: Pfaff, Gerets, Millecamps, Meeuws, Renquin, Cools, Vandereycken, Van Moer, Mommens, Van der Elst, e Ceulemans. Treinador: Guy Thys

Golos: 1-0 (Hrubesch, aos 10m), 1-1 (Vandereycken, aos 72m), 2-1 (Hrubesch, aos 88m)


Onze Ideal:

Pfaff (Bélgica)
Gerets (Bélgica)
Foerster (RFA)
Tardeli (Itália)
Dietz (RFA)
Briegel (RFA)
Rummenigge (RFA)
Schuster (RFA)
Vandereycken (Bélgica)
Nehoda (Checoslováquia)
Allofs (RFA)
 Melhor marcador:

Klaus Allofs (RFA): 3 golos



 Legenda das fotografias:

1- Logotipo do Euro 1980

2-Lance do duelo entre os vizinhos - e rivais - da RFA e da Holanda

3-Kevin Keegan bem tentou levar a Inglaterra longe neste Europeu, mas seriam os belgas que chegariam ao jogo mais ambicionado da competição

4-Uma imagem da final de Roma

5-O possante avançado alemão Hrubesch remata à baliza holandesa

6-Surpresa das surpresas: a desconhecida seleção da Grécia estava no Europeu, tendo sido a único na fase final do torneio que não seria derrotada pelos campeões da RFA! Nada mau para um estreante.

7-Uma imagem do Inglaterra - Bélgica com o hooliganismo britânico como (triste) pano de fundo

8-A equipa da casa, a Itália...

9-... e a grande surpresa da fase final: a Bélgica

10-O guarda redes e capitão da squadra azzurra, Dino Zoff, bem atento no desafio com os ingleses

11-A quase despercebida seleção espanhola

12-Checolováquia não repetiu o feito de 76, mas mesmo assim levou para casa o bronze

13-Mais um lance da grande final

14-Hrubesch acaba de marcar o golo que valeu o título à RFA

15-A pose final dos campeões: uma fotografia para a eternidade

16-Klaus Allofs, o melhor marcador do Euro 80

17-A taça viajava de novo para a RFA

18-Pela primeira vez na história da competição foi criada uma mascote. Em Itália foi o Pinochio.

Vídeo: RFA - BÉLGICA