Quartos-de-finalBrasil - Nigéria: 10-8
Golos: André (5), Benjamin, Anderson, Buru, Jorginho, Bruno; Ibenegbu (4), Tale, Najare, Okwuosa
Africanos fizeram a vida negra aos reis da areia...
O seu nome faz inevitavelmente parte da galeria de notáveis do futebol português. A entrada no restrito “Olimpo dos Deus” lusitanos deu-se quando a 18 de Dezembro de 1921, dia em que pela primeira vez na História a Selecção Nacional disputou o seu primeiro desafio internacional. Fê-lo em Madrid, ante a poderosa Espanha do lendário Ricardo Zamora. Uma estreia infeliz para o grupo luso orientado pelo mestre Cândido de Oliveira, conforme explica o resultado negativo de 1-3. Colectivamente pode não ter sido a melhor estreia na alta roda do futebol internacional mas para a nossa estrela cintilante de hoje foi um dia memorável, pois foi dele o único golo da equipa das “quinas”, o primeiro golo de Portugal em jogos internacionais! Alberto Augusto é o seu nome, um lisboeta nascido no bairro de Benfica a 31 de Julho de 1898. Avançado, iniciou a sua carreira precisamente no Benfica e desde logo se tornou numa das referências do clube encarnado graças ao seu exímio domínio de bola aliado à sua habilidade para aparecer nos momentos certos para fuzilar as balizas adversárias.
Há quem aponte o longínquo ano de 1875 como aquele em que uma bola de futebol saltou pela primeira vez em território português. A efeméride é atribuída Harry Hilton, um jovem oriundo de uma família aristocrata inglesa radicada na Madeira que nesse ano terá reunido um grupo de amigos para na Camacha dar uso ao seu mais recente brinquedo trazido da sua Inglaterra: uma bola de futebol. Pouco mais se sabe sobre a “brincadeira” do jovem Harry… Contudo, historiadores fizeram crer que este momento não passou senão de um instante lúdico de Harry Hilton e seus amigos, onde o esférico foi – sem regras – maltratado na sequência dos milhares de pontapés que recebeu.
Foi sob o signo do puro amadorismo e – de algum – desconhecimento global do jogo que a Selecção Nacional fez o seu baptismo na alta roda do futebol internacional. Uma efeméride ocorrida há mais de 90 anos (!) no longínquo 18 de Dezembro de 1921. Nesse histórico dia um grupo de notáveis atletas e timoneiros na implantação do belo jogo no nosso país defendeu pela primeira vez o “emblema” das quinas num “match” internacional, tendo como madrinha desse baptismo a vizinha e poderosa Espanha.
Nem só de inolvidáveis momentos de glória e magia se escreveu a longínqua e rica história do futebol. Momentos houve em que a festa do “desporto rei” foi manchada com sangue e lágrimas dando assim origem a um capítulo mais negro da sua história.O capítulo das grandes tragédias, o qual a Máquina do Tempo irá hoje visitar recordando aquele que foi o primeiro grande desastre ocorrido num estádio de futebol. Uma triste efeméride passada muito antes das tragédias de Heysel Park (1985) e de Hillsborough (1989) – só para citar as mais “famosas” -, mais concretamente no ano de 1902, quando a 5 de Abril o Ibrox Stadium de Glasgow era palco de um empolgante derby entre a selecção local, a Escócia, e a sua eterna inimiga Inglaterra a contar para o Campeonato Britânico (uma espécie de Campeonato da Europa jogado apenas entre as selecções das ilhas britânicas).Nesse dia o recinto do Glasgow Rangers engalanou-se para receber 68 mil pessoas. Estava cheio como um ovo! O estádio havia sido recentemente ampliado com a construção de uma bancada nova com capacidade para 20 mil espectadores, uma infraestrutura de madeira e ferro com mais de 75 metros de altura que curiosamente era inaugurada nesse preciso dia.A chama ferverosa dos adeptos fazia-se sentir a cada toque de bola dos jogadores de ambos os lados, até que subitamente aos 51 minutos a nova bancada cedeu! Centenas de pessoas foram engolidas pelo alçapão que se formou. 25 morreram e mais de 500 ficaram feridas. A festa do futebol dava lugar a um cenário dantesco com os feridos a serem socorridos e os mortos dali retirados (conforme pode ser visto na gravura que faz o retrato da tragédia).Depois de meia hora de terror o jogo foi retomado, e apenas o foi por uma questão de segurança, para evitar que o pânico subisse de tom entre os restantes espectadores e dessa forma tentassem sair do estádio em massa pondo em perigo não só as suas vidas como também atrapalhando a acção daqueles que faziam o trabalho de resgate.1-1 foi o resultado final deste confronto... talvez o facto mais insignificante daquela trágica tarde.