sexta-feira, dezembro 10, 2010

Eurotaças em números (6)...

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS

Época 1960/61

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Fredrikstadt (Noruega) - Ajax (Holanda): 4-3 / 0-0

Limerick (Rep. Irlanda) - Young Boys (Suíça): 0-6 / 2-4

Kamratema (Finlânida) - Malmoe (Suécia): 1-3 / 1-2

Stade Reims (França) - Jeunesse Esch (Luxemburgo): 6-1 / 5-0

Rapid Viena (Áustria) - Besiktas (Turquia): 4-0 / 0-1

Juventus (Itália) - CSKA Sofia (Bulgária): 2-0 / 1-4

Aahrus (Dinamarca) - Légia Varsóvia (Polónia): 3-0 / 0-1

Estrela Vermelha (Jugoslávia) - Ujpest Dozsa (Hungria): 1-2 / 0-3

Barcelona (Espanha) - Lierse (Bélgica): 2-0 / 3-0

Hearts (Escócia) - Benfica (Portugal): 1-2 / 0-3 (golos lusos: José Águas e José Augusto / José Águas (2) e José Augusto)

2ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

Aahrus (Dinamarca) - Fredrikstadt (Noruega): 3-0 / 1-0

Malmoe (Suécia) - CSKA Sofia (Bulgária): 1-0 / 1-1

Young Boys (Suíça) - Hamburgo (Alemanha Ocidental): 0-5 / 3-3

Spartak Kralové (Checoslováquia) - Panathinaikos (Grécia): 1-0 / 0-0

Benfica (Portugal) - Ujpest Dozsa (Hungria): 6-2 / 1-2 (golos lusos: Cavém, José Águas (2), José Augusto (2) e Santana (2) / Santana)

                                         Vídeo: REAL MADRID - BARCELONA

Real Madrid (Espanha) - Barcelona (Espanha): 2-2 / 1-2

Rapid Viena (Áustria) - Karl Marx Stadt (Alemanha Oriental): 3-1 / 0-2 / 1-0 (desempate)

Burnley (Inglaterra) - Stade Reims (França): 2-0 / 2-3

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

                                          Vídeo: BURNLEY - HAMBURGO

Burnley (Inglaterra) - Hamburgo (Alemanha Ocidental): 3-1 / 1-4

                                         Vídeo: SPARTAK KRALOVÉ - BARCELONA

Barcelona (Espanha) - Spartak Kralové (Checoslováquia): 4-0 / 1-1

Benfica (Portugal) - Aahrus (Dinamarca): 3-1 / 4-2 (golos lusos: José Águas (2) e José Augusto / José Augusto (2), José Águas e Santana)

Rapid Viena (Áustria) - Malmoe (Suécia): 2-0 / 2-0

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

                                       Vídeo: BARCELONA - HAMBURGO (DESEMPATE)

Barcelona (Espanha) - Hamburgo (Alemanha Ocidental): 1-0 / 1-2 / 1-0 (desempate)

Benfica (Portugal) - Rapid Viena (Áustria): 3-0 / 1-1 (golos lusos: Coluna, José Águas e Cavém / José Águas)

Final

Benfica (Portugal) - Barcelona (Espanha): 3-2


Data: 31 de Maio de 1961

Estádio: Wankdorf, Berna (Suíça)

Árbitro: Gottfried Djenst (Suíça)

Benfica: Costa Pereira, Mário João e Ângelo, Neto, Germano e Cruz, José Augusto, Santana, José Águas, Coluna e Cavém. Treinador: Bela Gutmann

Barcelona: Ramallets, Foncho e Sigfrido, Gracia, Vergés, Gensana e Garay, Kubala, Kocsis, Evaristo, Luís Suarez e Czibor. Treinador: Enrique Orizaola

Golos: 0-1 (Kocsis, aos 20m), 1-1 (José Águas, aos 30m), 2-1 (Gensana, na p.b. aos 31m), 3-1 (Coluna, aos 54m), 3-2 (Czibor, aos 75m)Equipa do Benfica que em Berna sucedeu ao Real Madrid no trono do futebol europeu...

Vídeo: BENFICA - BARCELONA



Melhor marcador:José Águas (SL Benfica): 11 golos

TAÇA DAS TAÇAS

Época 1960/61

Pré-Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Rangers (Escócia) - Ferencvaros (Hungria): 4-2 / 1-2

Vorwarts Berlim (Alemanha Oriental) - Ruda Brno (Checoslováquia): 2-1 / 0-2

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

Borussia Monchengladbach (Alemanha Ocidental) - Rangers (Escócia): 0-3 / 0-8

Áustria Viena (Áustria) - Wolverhampton (Inglaterra): 2-0 / 0-5

Lucerna (Suíça) - Fiorentina (Itália): 0-3 / 2-6

Ruda Brno (Checoslováquia) - Dinamo Zagreb (Jugoslávia): 0-0 / 0-2

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

Fiorentina (Itália) - Dinamo Zagreb (Jugoslávia): 3-0 / 1-2

Vídeo: RANGERS - WOLVERHAMPTON
Rangers (Escócia) - Wolverhampton (Inglaterra): 2-0 / 1-1

Final (1ª mão)

Rangers (Escócia) - Fiorentina (Itália): 0-2


Data: 17 de Maio de 1961

Estádio: Ibrox Park, em Glasgow (Escócia)

Árbitro: Erich Steiner (Áustria)

Rangers: Ritchie; Shearer, Caldow, Davis; Paterson, Baxter;Wilson, McMillan, Scott, Brand, Hume. Treinador: Scot Symon

Fiorentina: Albertosi; Robotti, Castelletti, Gonfiantini; Orzan, Rimbaldo; Hamrin, Micheli, Da Costa, Milani, Petris. Treinador: Nandor Hidegkuti

Golos: 1-0 (Milani, aos 12m), 2-0 (Milani, aos 88m)

Final (2ª mão)

Fiorentina (Itália) - Rangers (Escócia): 2-1


Data: 27 de Maio de 1961

Estádio: Comunale, em Florença (Itália)

Árbitro: Vilmos Hernadi (Hungria)

Golos: 1-0 (Milani, aos 12m), 1-1 (Scott, aos 60m), 2-1 (Hamrin, aos 86m)De Itália vieram os primeiros conquistadores da recém criada Taça dos Vencedores das Taças, os quais davam pelo nome de AC Fiorentina, popular emblema da bela cidade de Florença. 

Melhores marcadores: Hamrin (Fiorentina) e Brand (Rangers): 5 golos

TAÇA DAS CIDADES COM FEIRA

Época 1960/61

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Inter (Itália) - Hannover (Alemanha Ocidental): 8-2 / 6-1

Leipzig XI (Alemanha Oriental) - OFK Belgrado (Jugoslávia): 5-2 / 1-4 / 0-2 (desempate)

KB (Dinamarca) - Basileia XI (Suíça): 8-1 / 3-3

Birmingham City (Inglaterra) - Ujpest (Hungria): 3-2 / 2-1

Zagreb XI (Jugoslávia) - Barcelona (Espanha): 1-1 / 3-4

Lyon (França) - Colónia XI (Alemanha Ocidental): 1-3 / 2-1

Saint- Gilloise (Bélgica) - Roma (Itália): 0-0 / 1-4

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

Inter (Itália) - OFK Belgrado (Jugoslávia): 5-0 / 0-1

KB (Dinamarca) - Birmingham City (Inglaterra): 4-4 / 0-5

                                         Vídeo: BARCELONA - HIBERNIAN

Barcelona (Espanha) - Hibernian (Escócia): 4-4 / 2-3

Colónia XI (Alemanha Ocidental) - Roma (Itália): 2-0 / 0-2 / 1-4 (desempate)

Meias-finais (1ª e 2 mãos)

Inter (Itália) - Birmingham City (Inglaterra): 1-2 / 1-2

                                         Vídeo: ROMA - HIBERNIAN (Desempate)

Hibernian (Escócia) - Roma (Itália): 2-2 / 3-3 / 0-6 (desempate)

Final (1ª mão)

Birmingham City (Inglaterra) - Roma (Itália): 2-2


Data: 27 de Setembro de 1961

Estádio: St. Andrews, em Birmingham (Inglaterra)

Árbitro: Robert H. Davidson (Escócia)

Birmingham City: John Schofield; Brian Farmer, Graham Sissons, Terrence Hennessey, Winston Foster, Malcolm Beard, Mike Hellawell, James Bloomfield, James Harris, Bryan Orritt, Bertie Auld. Treinador: Gilbert Merrick.

Roma: Fabio Cudicini; Alfio Fontana, Giulio Corsini, Luigi Guiliano, Giacomo Losi, Sergio Carpanesi, Alberto Orlando, Dino da Costa, Pedro Manfredini, Antonio Angelillo, Giampaolo Menichelli. Treinador: Luis Carniglia

Golos: 1-0 (Manfredini, aos 30m), 2-0 (Manfredini, aos 56m), 2-1 (Hellawell, aos78), 2-2 (Orritt, aos 85m)

Final (2ª mão)

Roma (Itália) - Birmingham City (Inglaterra): 2-0


Data: 11 de Outubro de 1961

Estádio: Olimpico de Roma (Itália)

Árbitro: Pierre Schwinte (França)

Roma: Fabio Cudicini, Alfio Fontana, Giulio Corsini, Paolo Pestrin, Giacomo Losi, Sergio Carpanesi, Alberto Orlando, Francisco Lojacono, Pedro Manfredini, Antonio Angelillo, Giampaolo Menichelli. Treinador: Luis Carniglia

Birmingham City: John Schofield, Brian Farmers, Graham Sissons, Terrence Hennessey,Trevor Smith, Malcolm Beard, Mike Hellawell, James Bloomfield, James Harris, Bryan Orritt, James Singer. Treinador: Gilbert Merrick

Golos: 1-0 (Farmers, aos 56m a.g.), 2-0 (Pestrin, aos 90m) 

Em 1961 a TCcF viajou para a "Cidade Eterna" para enfeitar as vitrinas da sua AS Roma, emblema que desta forma conquistava o seu único título internacional em mais de 80 anos de existência.

Vídeo: ROMA - BIRMINGHAM CITY



Melhor marcador:Manfredini (Roma): 12 golos

Eurotaças em números (5)...

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS

Época 1959/60

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Nice (França) - Shamrocks Rovers (Rep.Irlanda): 3-2 / 1-1

Vídeo: CSKA SOFIA - BARCELONA

CSKA Sofia (Bulgária) - Barcelona (Espanha): 2-2 / 2-6

Linfield (Irlanda do Norte) - IFK Gotemburgo (Suécia): 2-1 / 1-6

Jeunesse Esch (Luxemburgo) - Lodz (Polónia): 5-0 / 1-2

Wiener (Áustria) - Petrolui Ploesti (Roménia): 0-0 / 2-1

Olympiakos (Grécia) - Milan (Itália): 2-2 / 1-3

Fenerbahce (Turquia) - Csepel (Hungria): 1-1 / 3-2

Glasgow Rangers (Escócia) - Anderlecht (Bélgica): 5-2 / 2-0

Estrela Bratislava (Checoslováquia) - FC Porto (Portugal): 2-1 / 2-0 (golo luso: Teixeira)

Vorwaerts (Alemanha Oriental) - Wolverhampton (Inglaterra): 2-1 / 0-2

2ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

Real Madrid (Espanha) - Jeunesse Esch (Luxemburgo): 7-0 / 5-2

Odense (Dinamarca) - Wiener (Áustria): 0-3 / 2-2

Sparta (Holanda) - IFK Gotemburgo (Suécia): 3-1 / 1-3 / 3-1 (desempate)

Milan (Itália) - Barcelona (Espanha): 0-2 / 1-5

Young Boys (Suíça) - Eintracht Frankfurt (Alemanha Ocidental): 1-4 / 1-1

Estrela Vermelha (Jugoslávia) - Wolverhampton (Inglaterra): 1-1 / 0-3

Glasgow Rangers (Escócia) - Estrela Bratislava (Checoslováquia): 4-3 / 1-1

Fenerbahce (Turquia) - Nice (França): 2-1 / 1-2 / 1-5 (desempate)

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

                                          Vídeo: NICE - REAL MADRID
                                          Vídeo: REAL MADRID - NICE
Nice (França) - Real Madrid (Espanha): 3-2 / 0-4

                                         Vídeo: WOLVERHAMPTON - BARCELONA

Barcelona (Espanha) - Wolverhampton (Inglaterra): 4-0 / 5-2

Eintracht Frankfurt (Alemanha Ocidental) - Wiener (Áustria): 2-1 / 1-1

Sparta (Holanda) - Glasgow Rangers (Escócia): 2-3 / 1-0 / 2-3

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

Eintracht Frankfurt (Alemanha Ocidental) - Glasgow Rangers (Escócia): 6-1 / 6-3

                                         Vídeo: BARCELONA - REAL MADRID

Real Madrid (Espanha) - Barcelona (Espanha): 3-1 / 3-1

Final

Real Madrid (Espanha) - Eintracht Frankfurt (Alemanha Ocidental): 7-3


Data: 18 de Maio de 1960

Estádio: Hampden Park, Glasgow (Escócia)

Árbitro: J.A. Mowat (Escócia)

Real Madrid: Dominguez, Marquitos e Pachín, Vidal, Santamaria e Zárraga, Canario, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento. Treinador: Miguel Muñoz

Eintracht Frankfurt: Loy, Lutz e Hoffer, Weinbacher, Eigenbrodt e Stinka, Kress, Linchner, Stein, Pfaff e Meier. Treinador: Paul Osswald

Golos: 0-1 (Kress, aos 19m), 1-1 (Di Stéfano, aos 26m), 2-1 (Di Stéfano, aos 29m), 3-1 (Puskas, aos 45m), 4-1 (Puskas, aos 56m), 5-1 (Puskas, aos 59m), 6-1 (Puskas, aos 70m), 6-2 (Stein, aos 71m), 7-2 (Di Stéfano, 72m), 7-3 (Stein, aos 74m)Já com o mago Puskas na equipa Real Madrid sagrou-se em 1960 penta-campeão da Europa.

Vídeo: REAL MADRID - EINTRACHT FRANKFURT




Melhor marcador:Ferenc Puskas (Real Madrid): 12 golos

TAÇA DAS CIDADES COM FEIRA

Época 1959/60

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Saint-Gilloise (Bélgica) - Leipzig XI (Alemanha Oriental): 6-1 / 0-1

Hannover (Alemanha Ocidental) - Roma (Itália): 1-3 / 1-1

Colónia XI (Alemanha Ocidental) - Birmingham City (Inglaterra): 2-2 / 0-2

Zagreb XI (Jugoslávia) - Ujpest (Hungria): 4-2 / 0-1

Staevnet (Dinamarca) - Chelsea (Inglaterra): 1-3 / 1-4

OFK Belgrado (Jugoslávia) - Lausanne (Suíça): 6-1 / 5-3

Basileia XI (Suíça) - Barcelona (Espanha): 1-2 / 2-5

Inter (Itália) - Lyon (França): 7-0 / 1-1

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

Saint-Gilloise (Bélgica) - Roma (Itália): 2-0 / 1-1

Birmingham City (Inglaterra) - Zagreb XI (Jugoslávia): 1-0 / 3-3

Chelsea (Inglaterra) - OFK Belgrado (Jugoslávia): 1-0 / 1-4

Barcelona (Espanha) - Inter (Itália): 4-0 / 4-2

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

Saint-Gilloise (Bélgica) - Birmingham City (Inglaterra): 2-4 / 2-4

OFK Belgrado (Jugoslávia) - Barcelona (Espanha): 1-1 / 1-3

Final (1ª mão)

Birmingham City (Inglaterra) - Barcelona (Espanha): 0-0


Data: 29 de Março de 1960

Estádio: St. Andrews, em Birmingham (Inglaterra)

Árbitro: Lucien van Nuffel (Bélgica)

Birmingham City: John Schofield; Brian Farmer, George Allen, John Watts, Trevor Smith, Richard Neal, Gordon Astall, John Gordon, Donald Weston, Bryan Orrit, Harry Hooper. Treinador: Pat Beasley

Barcelona: Antonio Ramallets; Fernando Olivella, Sigfrido Gracia, Juan Segarra, Francisco Rodriguez "Rodri", Enrique Gensana, Luis Coll, Ladislao Kocsis, Eulogio Martinez, Enrique Ribelles, Ramon Villaverde. Treinador: Helenio Herrera

Final (2ª mão)

Barcelona (Espanha) - Birmingham City (Inglaterra): 4-1


Data: 4 de Maio de 1960

Estádio: Nou Camp, em Barcelona (Espanha)

Árbitro: Lucien van Nuffel (Bélgica)

Barcelona: Antonio Ramallets; Fernando Olivella, Sigfrido Gracia, Martin Verges, Francisco Rodriguez "Rodri", Juan Segarra, Luis Coll, Enrique Ribelles, Eulogio Martinez, Ladislao Kubala, Zoltan Czibor. Treinador: Helenio Herrera

Birmingham City: John Schofield; Brian Farmer, George Allen, John Watts, Trevor Smith, Richard Neal, Gordon Astall, John Gordon, Donald Weston, Peter Murphy, Harry Hooper. Treinador: Pat Beasley

Golos: 1-0 (Martinez, aos 3m), 2-0 (Czibor, aos 6m), 3-0 (Czibor, aos 48m), 4-0 (Coll, aos 78m), 4-1 (Hooper, aos 82m) 
Depois de um ano de interregno em relação ao ano de estreia a Taça das Cidades com Feira voltou ao terreno em 58/60 (dupla época) e com um vencedor velho conhecido: o Barcelona.

Vídeo: BARCELONA - BIRMINGHAM CITY




Melhor marcador:Bora Kostic [OFK Belgrado]: 6 golos

Eurotaças em números (4)...

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS

Época 1958/59

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


BK Copenhaga (Dinamarca) - Schalke 04 (Alemanha Ocidental): 3-0 / 2-5 / 1-3 (desempate)

Standard Liège (Bélgica) - Hearts (Escócia): 5-1 / 1-2

Dínamo Zagreb (Jugoslávia) - Dukla Praga (Checoslováquia): 2-2 / 1-2

Jeunesse Esch (Luxemburgo) - IFK Gotemburgo (Suécia): 1-2 / 1-0 / 1-5 (desempate)

Karl Marx Stadt (Alemanha Oriental) - Petrolut Ploesti (Roménia): 4-2 / 0-2 / 4-0 (desempate)
Polonia Byton (Polónia) - MTK Budapeste (Hungria): 0-3 / 0-3

Atlético de Madrid (Espanha) - Drumcondra (Rep. Irlanda): 8-0 / 5-1

                                         Vídeo: SPORTING - UTRECHT

Utrecht (Holanda) - Sporting CP (Portugal): 3-4 / 1-2 (golos lusos: Ivson (2), Hugo e Vasques/Ivson (2))

Newton Ards (Irlanda do Norte) - Stade Reims (França): 1-4 / 2-6

 Vídeo: JUVENTUS - WIENER

Juventus (Itália) - Wiener (Áustria): 3-1 / 0-7

2ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

Sporting CP (Portugal) - Standard Liège (Bélgica): 2-3 / 0-3 (golos lusos: Mendes e Bolzéc (pb))

MTK Budapeste (Hungria) - Young Boys (Suíça): 1-2 / 1-4

Wiener (Áustria) - Dukla Praga (Checoslováquia): 3-1 / 0-1

Atlético de Madrid (Espanha) - CSKA Sofia (Bulgária): 2-1 / 0-1 / 3-1 (desempate)

IFK Gotemburgo (Suécia) - Karl Marx Stadt (Alemanha Oriental): 2-2 / 0-4

Wolverhampton (Inglaterra) - Schalke 04 (Alemanha Ocidental): 2-2 / 1-2

 
Vídeo: BESIKTAS - REAL MADRID

Real Madrid (Espanha) - Besiktas (Turquia): 2-0 / 1-1

Stade Reims (França) - Helsinging Palloseura (Finlândia): 4-0 / 3-0

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

Standard Liège (Bélgica) - Stade Reims (França): 2-0 / 0-3

Vídeo: ATLÉTICO MADRID - SCHALKE 04

Atlético de Madrid (Espanha) - Schalke 04 (Alemanha Ocidental): 3-0 / 1-1

Vídeo: REAL MADRID - WIENER

Wiener (Áustria) - Real Madrid (Espanha): 0-0 / 1-7

Young Boys (Suíça) - Karl Marx Stadt (Alemanha Oriental): 2-2 / 0-0 / 2-1 (desempate)

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

Young Boys (Suíça) - Stade Reims (França): 1-0 / 0-3

                                        Vídeo: ATLÈTICO MADRID - REAL MADRID

Real Madrid (Espanha) - Atlético de Madrid (Espanha): 2-1 / 0-1 / 2-1 (desempate)

Final

Real Madrid (Espanha) - Stade Reims (França): 2-0


Data: 3 de Junho de 1959

Estádio: Stuttgart (Alemanha Ocidental)

Árbitro: Albert Dutsch (Alemanha Ocidental)

Real Madrid: Dominguez, Marquitos e Zárraga, Santistebán, Santamaria e Ruiz, Kopa, Mateos, Di Stéfano, Rial e Gento. Treinador: Louis Camiglia

Stade Reims: Collona, Rodzok e Giraudo, Penvern, Jonquet e Leblond, Lamartine, Bliard, Fontaine, Piantoni e Vincent. Treinador: Albert Batteux

Golos: 0-1 (Mateos, aos 2m), 0-2 (Di Stéfano, aos 48m)Equipa do Real Madrid que se sagrou tetra-campeã da Europa em 1959.

Video: REAL MADRID - STADE REIMS
Melhor marcador:Just Fontaine (Stade Reims): 10 golos

Eurotaças em números (3)...

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS

Época 1957/58

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Glasgow Rangers (Escócia) - Saint Étiènne (França): 3-1 / 1-2

CSKA Sofia (Búlgaria) - Vasas Budapeste (Hungria): 2-1 / 1-6

Estrela Vermelha (Jugoslávia) - Stade Dudelange (Luxemburgo): 5-0 / 9-1

Aahrus (Dinamarca) - Glenavon (Irlanda do Norte): 0-0 / 3-0

Gwardia Vasóvia (Polónia) - Karl Marx Stadt (Alemanha Oriental): 3-1 / 1-3 / 1-1 (alemães vencem por sorteio) 

Sevilha (Espanha) - Benfica (Portugal): 3-1 / 0-0 (golo português: Palmeiro)

Shamrock Rovers (Irlanda) - Manchester United (Inglaterra): 0-6 / 2-3

Milan (Itália) - Rapid Viena (Áustria): 4-1 / 2-5 / 4-2 (desempate)

2ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

                                        Vídeo: ANTUÉRPIA - REAL MADRID


Antuérpia (Bélgica) - Real Madrid (Espanha): 1-2 / 0-6

Norrkoping (Suécia) - Estrela Vermelha (Jugoslávia): 2-2 / 1-2

Karl Marx Stadt (Alemanha Oriental) - Ajax (Holanda): 1-3 / 0-1

Manchester United (Inglaterra) - Dukla Praga (Checoslováquia): 3-0 / 0-1

Young Boys (Suíça) - Vasas Budapeste (Hungria): 1-1 / 1-2

Glasgow Rangers (Escócia) - Milan (Itália): 1-4 / 0-2

Sevilha (Espanha) - Aahrus (Dinamarca): 4-0 / 0-2

Borussia Dortmund (AlemanhaOcidental) - Steaua Bucareste (Roménia): 4-2 / 1-3 / 3-1 (desempate)

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

                           Vídeo: ESTRELA VERMELHA - MANCHESTER UNITED

Manchester United (Inglaterra) - Estrela Vermelha (Jugoslávia): 2-1 / 3-3

Vídeo: REAL MADRID - SEVILHA 

Real Madrid (Espanha) - Sevilha (Espanha): 8-0 / 2-2

Ajax (Holanda) - Vasas de Budapeste (Hungria): 2-2 / 0-4

Borussia Dortmund (Alemanha Ocidental) - Milan (Itália): 1-1 / 1-4

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

Vídeo: REAL MADRID - VASAS DE BUDAPESTE

Real Madrid (Espanha) - Vasas de Budapeste (Hungria): 4-0 / 0-2

                                        Vídeo: MILAN - MANCHESTER UNITED

Manchester United (Inglaterra) - Milan (Itália): 2-1 / 0-4

Final

Real Madrid (Espanha) - Milan (Itália): 3-2 (após prolongamento)


Data: 29 de Maio de 1958

Estádio: Bruxelas (Bélgica)

Árbitro: Alsteen (Bélgica)

Real Madrid: Alonzo, Atienza e Lesmes, Santiestebán, Santamaria Zárraga, Kopa, Joselito, Di Stéfano, Rial e Gento. Treinador: Louis Camiglia.

Milan: Soldan, Fontana e Berardo, Bergamaschi, Maldini e Radice, Danova, Liedholm, Schiaffino, Grilo e Cucchiaroni. Treinador: Vinicio Viani.

Golos: 0-1 (Schiaffino, aos 69m), 1-1 (Di Stefano, aos 74m), 1-2 (Grilo, aos 78m), 2-2 (Rial, aos 79m), 3-2 (Gento, aos 107m).

Comandado pelo génio de Di Stéfano o Real Madrid conquistava em 1858 a sua terceira Taça dos Clubes Campeões Europeus

Vídeo: REAL MADRID - MILAN


Melhor marcador: Di Stéfano (Real Madrid): 10 golos

TAÇA DAS CIDADES COM FEIRA

Época 1957/58

1ª fase


Grupo A

Barcelona (Espanha) - Staevnet (Dinamarca): 6-2 / 1-1

Nota: Apurado para a fase seguinte o Barcelona

Grupo B

Inter (Itália) - Birmingham City (Inglaterra): 0-0

Zagreb (Jugoslávia) - Birmingham City (Inglaterra): 0-1

Zagreb (Jugoslávia) - Inter (itália): 0-1

Birmingham City (Inglaterra) - Zagreb (Jugoslávia): 3-0

Inter (Itália) - Zagreb (Jugoslávia): 4-0

Birmingham City (Inglaterra) - Inter (Itália): 2-1

Nota: Apurado para a fase seguinte o Birminghan City

Grupo C

Leipzig XI (Alemanha Oriental) - Lausanne (Suíça): 6-3 / 3-7

Nota: Apurado para a fase seguinte o Lausanne

Grupo D

Basileia (Suíça) - London XI (Inglaterra): 0-5

London XI (Inglaterra) - Frankfurt XI (Alemanha Ocidental): 3-2

London XI (Inglaterra) - Basileia (Suíça): 1-0

Frankfurt XI (Alemanha Ocidental) - Basileia (Suíça): 5-1

Frankfurt XI (Alemanha Ocidental) - London XI (Inglaterra): 1-0

Basileia (Suíça) - Frankfurt XI (Alemanha Ocidental): 6-2

Nota: Apurado para a fase seguinte o London XI

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

Lausanne (Suíça) - London XI (Inglaterra): 2-1/0-2

Birmingham City (Inglaterra) - Barcelona (Espanha): 4-3/0-1/1-2 (desempate)

Final (1ª mão)

London XI (Inglaterra) - Barcelona (Espanha): 2-2


Data: 5 de Março de 1958

Estádio: Stamford Bridge, em Londres (Inglaterra)

Árbitro: Albert Dusch (Suíça)

London XI: Jack Kelsey; Richard Sillett, Ernest Langley, Daniel Blanchflower, Maurice Norman, Ken Coote, Victor Groves, James Greaves, Robert Smith, John Haynes, e George Robb. Treinador: Joseph Mears

Barcelona: Pedro Estrems; Fernando Olivella, Juan Segarra, Martin Verges, Enrique Gensana, Enrique Ribelles, Estanislao Basora, Juan de Macedo "Evaristo", Eulogio Martinez, Ramon Villaverde, Justo Tejada. Treinador: Domingo Balmanya

Golos: 0-1 (Tejada, aos 4m), 1.1 (Greaves, aos 5m), 1-2 (Martinez, aos 43m), 2-2 (Langley, aos 88m)

Final (2ª mão)

Barcelona (Espanha) - London XI (Inglaterra): 6-0


Data: 1 de Maio de 1958

Estádio: Nou Camp, em Barcelona (Espanha)

Árbitro: Albert Dusch (Suíça) Barcelona: Antonio Ramallets; Fernando Olivella, Juan Segarra, Martin Verges, Joaquin Brugue, Enrique Gensana, Justo Tejada, Juan de Macedo "Evaristo", Eulogio Martinez, Luis Suarez, Estanislao Basora. Treinador: Helenio Herrera

London XI: Jack Kelsey, George Wright, Noel Cantwell , Daniel Blanchflower, Ken Brown, David Bowen, Terence Medwin, Victor Groves, Robert Smith, James Bloomfield, James Lewis. Treinador: Joseph Mears

Golos: 1-0 (Suarez, aos 6m), 2-0 (Suarez, aos 8m), 3-0 (Martinez, aos 42m), 4-0 (Evaristo, aos 52m), 5-0 (Vergues, aos 63m), 6-0 (Evaristo, aos 75m) 
Não querendo ficar atrás do seu grande e eterno rival Real Madrid que em 1956 inaugurara a lista de vencedores da prova rainha da UEFA, a TCE, o Barcelona vencia em 1958 a 1ª edição da Taça das Cidades com Feira (prova que mais tarde iria ser rebatizada como Taça UEFA) após vencer uma seleção de jogadores oriundos de clubes londrinos.

Vídeo: BARCELONA - LONDON XI

Melhores marcadores: Norbert Eschmann [Lausanne, Evaristo de Macedo, Justo Tejada [ambos do Barcelona], e Clifford Holton [London XI]: 4 golos

Eurotaças em números (2)...

TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS

ÉPOCA 1956/57

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)


Borussia Dortmund (Alemanha) - Spora Luxemburgo (Luxemburgo): 4-3 / 1-2 / 7-0(desempate)

Dínamo Bucareste (Roménia) - Galatasaray (Turquia): 3-1 / 1-2

Slovan Bratislava (Checoslováquia) - Légia Varsóvia (Polónia): 4-0 / 0-2

Anderlecht (Bélgica) - Manchester United (Inglaterra): 0-2 / 0-10

Aarhus (Dinamarca) - Nice (França): 1-1 / 1-5

FC Porto (Portugal) - Athletic Bilbao (Espanha): 1-2 / 2-3 (golos lusos: José Maria/Hernâni e Jaburu)

2ª Eliminatória (1ª e 2ª maõs)

Vídeo: BORUSSIA DORTMUND - MANCHESTER UNITED 

Manchester United (Inglaterra) - Borussia Dortmund (Alemanha): 3-2 / 0-0

CSKA Sofia (Bulgária) - Dínamo Bucareste (Roménia): 8-1 / 2-3

Slovan Bratislava (Checoslováquia) - Grasshoppers (Suíça): 1-0 / 0-2

Glasgow Rangers (Escócia) - Nice (França): 2-1 / 1-2 / 1-3 (desempate)

Vídeo: REAL MADRID - RAPID VIENA (Desempate)

Real Madrid (Espanha) - Rapid Viena (Áustria): 4-2 / 1-3 / 2-0 (desempate)

Rapid Juliana (Holanda) - Estrela Vermelha (Jugoslávia): 3-4 / 0-2

Fiorentina (Itália) - Norkoping (Suécia): 1-1 / 1-0

Vídeo: HONVED - ATHLETIC BILBAO
Athletic Bilbao (Espanha) - Honved (Hungria): 3-2 / 3-3

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

                           Vídeo: ATHLETIC BILBAO - MANCHESTER UNITED
                        Vídeo: MANCHESTER UNITED - ATHLETIC BILBAO
Athletic Bilbao (Espanha) - Manchester United (Inglaterra): 5-3 / 0-3

Fiorentina (Itália) - Grasshoppers (Suíça): 3-1 / 2-2

Estrela Vermelha (Jugoslávia) - CSKA Sofia (Bulgária): 3-1 / 1-2

 Vídeo: REAL MADRID - NICE
Real Madrid (Espanha) - Nice (França): 3-0 / 3-2

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)
                             Vídeo: FIORENTINA - ESTRELA VERMELHA
                             Vídeo: ESTRELA VERMELHA - FIORENTINA
Estrela Vermelha (Jugoslávia) - Fiorentina (Itália): 0-1 / 0-0

                             Vídeo: REAL MADRID - MANCHESTER UNITED
                              Vídeo: MANCHESTER UNITED - REAL MADRID
Real Madrid (Espanha) - Manchester United (Inglaterra): 3-1 / 2-2

Final

Real Madrid (Espanha) - Fiorentina (Itália): 2-0


Data: 30 de Maio de 1957

Estádio: Santiago Bernabéu, Madrid (Espanha)

Árbitro: Leo Horn (Holanda) Real Madrid: Alonzo, Torres e Lesmes, Munõz, Marquitos e Zárraga, Kopa, Mateos, Di Stéfano, Rial e Gento. Treinador: José Villalonga.

Fiorentina: Sarti, Magnini e Cervato, Scaramucci, Orzan e Segato, Julinho, Gratton, Virgili, Montuori e Bizarri. Treinador: Fulvio Bernardini.

Golos: 0-1 (Di Stefano, aos 68m), 0-2 (Gento, aos 75m).


Real Madrid sagra-se bi-campeão da Europa no seu estádio

Vídeo: REAL MADRID - FIORENTINA


















Melhor marcador:Dennis Viollet (Manchester United): 9 golos

Eurotaças em números (1)...

Abrimos hoje uma vitrina dedicada às Eurotaças da UEFA ao nível de clubes (competições europeias). Não vamos contar exaustivamente a história de cada época mas antes dar ao visitante todos os números (resultados) desde a 1ª eliminatória até à grande final, emocionantes encontros que serão ainda "ilustrados" com um retrato vivo dos acontecimentos, isto é, o resumo em vídeo (de algumas) dessas partidas. As equipas portuguesas merecerão neste humilde cantinho uma particular atenção, ao dar-mos para além do resultado os marcadores dos golos lusos. Começamos esta nossa viagem pela maior competição da UEFA: a TAÇA/LIGA DOS CAMPEÕES EUROPEUS, mais precisamente pela temporada de 1955/56, a época onde foi dado o pontapé de saída das Eurotaças

ÉPOCA 1955/56

1ª Eliminatória (1ª e 2ª mãos)

                                          Vídeo: SPORTING - PARTIZAN

Sporting CP (Portugal) - Partizan (Jugoslávia): 3-3 / 2-5 (golos lusos: Martins (2) e Quim/ Valter (2))

MTK Budapeste (Hungria) - Anderlecht (Bélgica): 6-3 / 4-1

Servette (Suíça) - Real Madrid (Espanha): 0-2 / 0-5

Rot Weiss Essen (Alemanha Oriental) - Hibernian (Escócia): 0-4 / 1-1

Aarhus (Dinamarca) - Stade Reims (França): 0-2 / 2-2

Rapid Viena (Áustria) - PSV (Holanda): 6-1 / 0-1

Djugarden (Suécia) - Gwardia Varsóvia (Polónia): 0-0 / 4-1

Milan (Itália) - Saarbrucken (Alemanha Ocidental): 3-4 / 4-1

Quartos-de-final (1ª e 2ª mãos)

Hibernian (Escócia) - Djugarden (Suécia): 3-1 / 1-0

Stade Reims (França) - MTK Budapeste (Hungria): 4-2 / 4-4

Real Madrid (Espanha) - Partizan (Jugoslávia): 4-0 / 0-3

                                          Vídeo: MILAN - RAPID VIENA

Rapid Viena (Áustria) - Milan (Itália): 1-1 / 2-7

Meias-finais (1ª e 2ª mãos)

                                          Vídeo: STADE REIMS - HIBERNIAN

Stade Reims (França) - Hibernian (Escócia): 2-0 /1-0
                                          Vídeo: MILAN - REAL MADRID

Real Madrid (Espanha) - Milan (Itália): 4-2 / 1-2

Final
Real Madrid (Espanha) - Stade Reims (França): 4-3

Data: 13 de Junho de 1956

Estádio: Parque dos Príncipes, Paris (França)

Árbitro: Arthur Ellis (Inglaterra)

Real Madrid: Alonzo, Atienza e Lesmes; Muñoz, Marquitos e Zárraga; Mateos, Marsak, Di Stéfano, Rial e Gento. Treinador: José Villalonga.

Stade Reims: Jacquet, Zinny e Giraudo; Siatka, Jonquet e Leblond, Hidalgo, Glovacki, Kopa, Bilard e Templin. Treinador: Albert Batteux.

Golos: 0-1 (Leblond, aos 6m), 0-2 (Templin, aos 9m), 1-2 (Di Stefano, aos 13m), 2-2 (Rial, aos 25m), 2-3 (Hidalgo, aos 61m), 3-3 (Marquitos, aos 68m), 4-3 (Rial, aos 84m). A equipa do Real Madrid que venceu em Paris a 1ª edição da Taça dos Clubes Campeões Europeus

Vídeo: REAL MADRID - STADE REIMS


Melhor marcador:Milos Milutinovic (Partizan): 8 golos

terça-feira, dezembro 07, 2010

Grandes lendas do futebol mundial (10)... Matthias Sindelar - O Mozart do futebol

Evocar o futebol dos anos 30 do século passado significa recordar um enorme leque de mitos da arte do pontapé na bola como Leónidas da Silva, Zamora, Combi (de quem já aqui falámos), Meazza, José Leandro Andrade, entre muitos, muitos outros. Recordá-los é voltar a um mundo romântico hoje inexistente. Não nos resta pois senão olhar as velhas fotografias a preto e branco e os relatos escritos nas esbatidas enciclopédias do belo jogo para sentir por alguns minutos a magia de um tempo que não mais irá voltar. O visitante terá já percebido que a viagem no tempo que hoje iremos fazer será até ao corredor das lendas, dos magos, dos imortais deste jogo que tanto nos encanta, imortais como Matthias Sindelar… o Mozart do futebol. Falar da Áustria, e em particular da sua capital Viena, assemelha-se à audição de um concerto de música clássica protagonizado por ilustres filhos desta elegante nação como Mozart, Beethoven, ou Staruss. Mas por alturas das décadas de 20 e 30 do século XX falar da Áustria era muito mais do que presentear o nosso espírito com uma obra de arte musical “esculpida” por um destes três génios, era também regalar a alma com um novo estilo de futebol. Um estilo que revolucionou técnica e tacticamente o jogo, assemelhando-se a uma arrepiante e deslumbrante valsa. Tudo isto nascia graças à mente brilhante de um jovem judeu oriundo de uma abastada família de Viena que com esta “revolução” conferiu à Áustria o “título” de melhor equipa do Mundo dos finais dos anos 20 e princípios de 30. O seu nome? Hugo Meisl, um mestre da táctica que pelo que fez no futebol merece mais do que umas breves linhas aqui no MVF, e como tal merecerá “honras de Estado” noutras visitas a este espaço virtual. A Áustria de Meisl ficou mundialmente conhecida como a “Wunderteam”… a Equipa Maravilha. Bateram durante esse período áureo gigantes do Mundo do futebol da época… Alemanha (6-0), Escócia (5-0), Suíça (8-1), ou Hungria (8-2). Meisl comandava a equipa desde o banco mas dentro do campo a orquestra era dirigida por um jovem loiro, de aspecto muito frágil, nascido a 10 de Fevereiro de 1903 no seio de uma humilde família de Viena, de seu nome Matthias Sindelar. Avançado-centro ele era a estrela do “Wunderteam” de Meisl, tornando-se célebre pela sua sublime técnica de conduzir a bola, parecendo por vezes tocá-la ao som de uma valsa, com movimentos suaves e mágicos. E tudo debaixo de uma figura frágil, pálida, que lhe valeria a alcunha de “homem de papel”. A paixão pelo jogo correu-lhe pela primeira vez nas veias quando ainda adolescente, num tempo em que era apanha-bolas dos treinos do Hertha de Viena. Certo dia e face à ausência de um jogador desta equipa é convidado a calçar as chuteiras e integrar o treino conjunto. Foi então que o campo de treinos do modesto Hertha assistiu a um espectáculo de pura magia nunca dantes vivido. Com a bola nos pés o jovem Matthias maravilhou os presentes. Ali ficou até 1924, altura em que se transferiu para um dos poderosos do futebol austríaco, o Wiener Amateur, clube que posteriormente daria origem ao Áustria de Viena. Por este clube jogaria até ao final da sua carreira (1939), conquistando um campeonato da Áustria e duas Taças Mitropa (uma das antecessoras da actual Taça/Liga dos Campeões Europeus) em 1933 e 1936. As marcas do seu perfume ficaram espalhadas em vários episódios da saga do “Wunderteam”. Um deles acontece no tempo da guerra, quando a certa altura as autoridades nazis decidem organizar um jogo entre a Alemanha e uma selecção de jogadores austríacos. Uma clara acção de propaganda para demonstrar a superioridade ariana. A vitória desde início está conferida por todos aos alemães… menos para Sindelar que espalha magia pelo relvado do Prater de Viena graças ao seu rendilhado e suave futebol. Resultado final: 2-0 para o “Wunderteam”, e no final o “homem de papel” que durante 90 minutos humilhou os alemães cerra o punho em direcção à tribuna onde se encontram as autoridades germânicas ao invés de lhes prestar vassalagem com a habitual saudação nazi. Um acto de coragem e revolta que haveria de lhe sair caro para o resto da vida… já que até final seria perseguido pelas forças nazis. Dizia-se que era judeu, e que terá sido essa uma das razões para cerrada perseguição. Sindelar foi de facto uma vítima da ditadura, não só da alemã como também da italiana, já que em 1934 a “Wunderteam” seria impedida de se tornar naturalmente na melhor do Mundo. Nada mais justo seria para o futebol que apresentava então. Acontece que Benito Mussolini, por interferência indirecta, roubou aquela que seria uma mais do que justa coroação à melhor selecção do Campeonato do Mundo de 34, ocorrido, como se sabe, em solo italiano. Áustria que partia para este Mundial como a principal favorita ao título, começando por afastar a França, posteriormente a Hungria, até cair aos pés da Itália nas meias-finais. Num jogo épico em realizado em Milão o fascismo derrotava o “Wunderteam”, tendo o mago Sindelar sido muito maltratado ao longo de todo o encontro por Luigi Monti. Resultado final, 1-0 para a equipa da casa, que mais uma vez de forma ridícula (ante a Espanha na eliminatória anterior havia sido igualmente abençoada pelo árbitro) era levada ao colo até à final. Já com a Áustria anexada a Alemanha foi para o Mundial de 1938 (em França) com uma equipa onde pontificavam algumas estrelas do “Wunderteam” de Meisl. Contudo, Sindelar, recusou vestir a camisola germância, mais um acto provocador que lançaria mais uma acha para a fogueira da ira nazi. A sua morte é ainda hoje um enorme mistério que paira sobre a sublime Viena. Conta-se que na madrugada de 23 de Janeiro de 1939 recebeu um telefonema da sua companheira Camila Castagnola, uma prostituta italiana radicada em Viena. Sindelar encontrava-se reunido com alguns colegas de profissão num café da capital. O “homem de papel” dirige-se então para a Rua Anna, morada de Camila, e de lá não volta a sair. Os amigos estranham a sua ausência no café pela manhã desse dia 23, e um deles que havia visto Matthias entrar na casa da sua amante resolve fazer uma visita ao local, e eis que quando ai chegado encontra os dois amantes estendidos no chão com uma garrafa de conhaque e dois copos. Sindelar estava morto e Camila muito perto de o estar também. A autópsia revelou intoxicação por óxido de carbono, porém outras teorias se levantaram na altura, como a de suicídio (dizem que abriu as torneiras do gás) quando pressentiu que as tropas de Hitler avançavam fulgurantemente a caminho de Viena. Tinha 36 anos, e Viena chorou a morte de um homem que anos mais tarde se viria a saber que nem judeu era! Uma multidão incorporou o funeral do maior jogador austríaco de todos os tempos, o qual por 43 vezes deslumbrou o Mundo com a camisola da sua Áustria colada à pele.

Legenda das fotografias:

1- Matthias Sindelar
2- A famosa "Wunderteam" de Hugo Meisl
3- O estilo inconfundível do "homem de papel"

DOCUMENTÁRIO DO CANAL HISTÓRIA: MATTHIAS SINDELAR (PARTES 1 E 2)



segunda-feira, dezembro 06, 2010

Estrelas cintilantes (23)... William Foulke

O “gordo vai à baliza” é uma expressão popularizada por todos nós – os que gostamos de bola – nas jogatanas de rua, ou do recreio da escola, alusivas à nossa infância sempre que aparecia um menino gordinho com pouco jeito para acariciar a bola. Vai dai o petiz era imediatamente mandado para debaixo dos postes para não atrapalhar os mais habilidosos na condução do esférico. Porém, nem só de “coxos” com peso a mais reza a história, já que um dos primeiros grandes nomes das balizas de âmbito mundial era um cavalheiro extremamente volumoso com quase dois metros de altura! O seu nome roça a lenda, pois na verdade ele foi “rei” numa época em que o belo jogo dava ainda os primeiros passos e como tal existe um pequeno leque de dados concretos acerca dos seus notáveis e muito particulares feitos. Daí ter usado a expressão lenda, pois muitas das histórias que hoje circulam a seu respeito “cheiram” a pura... lenda.
Sem mais demora a cortina sobe para apresentar a nossa estrela cintilante de hoje: William Foulke.
Veio ao Mundo no século XIX, mais precisamente no dia 12 de Abril de 1874, na pequena cidade inglesa de Dawley, onde conheceu os seus dois grandes amores no panorama desportivo: o críquete e o futebol, tendo sido um exímio praticante de ambos. Neste último “Fatty” (gordo) Foulke, como era carinhosamente conhecido por companheiros de equipa e adversários, deu o pontapé de saída da sua carreira no Sheffield United, emblema que representou entre 1894 e 1905. Aqui a lenda conheceu alguns dos seus capítulos mais empolgantes, do alto do seu 1,93m e dos seus intimidadores 165kg!!! Em capítulos mais suaves da história reza a lenda que o peso de “Fatty” rondava os 150kg, que mesmo assim chegavam não só para assustar os seus oponentes como também para o tornar no jogador profissional mais pesado da história do jogo. Ainda numa toada lendária conta-se que num jogo Foulke derrubou uma baliza depois de ter chocado contra os postes desta (!), ou das várias ocasiões em que a irritação o levava a pegar nos adversários com uma mão e a atirá-los para o fundo das redes (!). Outra lenda alude ao primeiro jogo da final da Taça de Inglaterra de 1902 jogada entre o Sheffield United de “Fatty” e o Southampton, quando a dada altura o pesado guarda-redes protesta com o árbitro do encontro sobre a irregularidade do golo do empate validado aos “Saints”, perseguindo com um ar ameaçador o pobre do juíz pelos corredores do estádio, tendo este respirado de alívio assim que viu um grupo de oficiais da FA (Federação Inglesa de Futebol) agarrar muito a esforço o furioso “Fatty”. .
Sobre este episódio dizer que o mau humor de Foulke seria eclipado dias depois aquando da repetição da final na sequência de uma vitória (2-1) do seu United. Esta seria aliás a segunda Taça de Inglaterra conquistada por “Fatty” ao longo dos seus 14 anos de profissional, tendo a primeira sido arrecadada em 1899.
Ao serviço do Sheffield United (emblema que defendeu por 299 vezes) o volumoso jogador conquistou ainda um título de campeão nacional da 1ª Divisão, em 1898. Um ano antes ele fez a sua única aparição com a camisola da selecção nacional de Inglaterra num encontro ante os vizinhos do País de Gales.
Terminada a ligação ao United a lenda rumou a Londres na temporada de 1905/06 para defender as cores do Chelsea. Aí o seu mau feitio conheceu novos episódios lendários, especialmente em jogos onde achava que os seus companheiros do sector defensivo não estavam a ser suficientemente duros nas marcações aos avançados contrários e assim sendo ele próprio tratava de sair da baliza para travar estes último com a sua força brutal para em seguida pegar neles pelos colarinhos e pontapeá-los para o fundo da sua baliza! “Fatty” era assim. Em Stamford Bridge esteve somente uma temporada, mas o suficiente para se tornar num ícone imortal do clube, e tanto assim é que hoje em dia quem entra pela porta principal do mítico recinto londrino depara-se com a fotografia de Foulke em primeiro plano no hall de entrada.
O seu derradeiro paradeiro futebolístico foi o Bradford City na época de 1906/07, tendo actuado por este emblema em 22 ocasiões. Nove anos mais tarde após o seu retiro dos campos de futebol... ou de batalha no seu caso, “Fatty” deixaria o Mundo dos vivos em consequência de uma cirrose, já que a bebida (em excesso) era para além do futebol e do críquete outra das suas paixões. Tinha somente 42 anos quando Inglaterra chorou no dia 1 de Maio de 1916 a sua morte. Uma morte meramente física, pois a lenda de “Fatty” Foulke continua bem viva nas novas gerações de adeptos do belo jogo.
E depois disto... mais respeito com os meninos gordinhos, pois quem disse que estes não sabem jogar à bola???

Legenda das fotografias:
1- William Foulke com as cores do Sheffield United
2- O perfil volumoso de "Fatty"
3- Na final da Taça de Inglaterra de 1901 Foulke atira um jogador do Tottenham para o chão

terça-feira, novembro 23, 2010

Pensamentos filosóficos em... "futebolês" (1)...

Se todas as batalhas dos homens se dessem apenas nos campos de futebol, quão belas seriam as guerras.

Augusto Branco

quarta-feira, novembro 03, 2010

Grandes Mestres do Jornalismo Desportivo (8)... Cruz dos Santos

A poucos dias do Natal de 1960 chega a Lisboa um rapazinho africano de semblante tímido e olhar um pouco perdido. Prontamente de si abeirou-se um jovem e talentoso artesão das letras que lhe arrancaria – um pouco a ferros – as primeiras palavras em terras alfacinhas.
Mais tarde estes dois homens ascenderiam ao Olimpo dos Deuses... o primeiro no futebol, e o segundo no jornalismo desportivo. Por palavras mais exactas... Eusébio da Silva Ferreira, e Fernando Cruz dos Santos. É precisamente sobre este último o motivo pelo qual o Museu Virtual do Futebol abre hoje as suas portas, para recordar um dos maiores vultos da comunicação social (desportiva) lusitana. Nascido a 10 de dezembro de 1931, em Lisboa, Fernando Cruz dos Santos calcarreou um caminho ímpar com a pena na mão. Um trajeto que começou a ser trilhado bem cedo, quando ainda jovem num belo dia de 1954, na companhia de seu pai, se deslocou ao Estádio Nacional a fim de usufruir de uma empolgante e deslumbrante hora e meia de futebol protagonizada pelo Benfica do seu coração. Um Benfica cujo futebol começava a ganhar contornos de obra de arte graças às pinceladas de génios como José Águas ou Mário Coluna. 11-0, pesado score que o azarado Boavista sofreria às mãos do mágico Benfica naquela tarde no sagrado relvado da grande sala de visitas do futebol português. Maravilhado com a exibição da armada encarnada Cruz do Santos não perderia tempo a escrevinhar uma crónica alusiva ao festival de bola que o seu Benfica havia dado no Vale do Jamor horas antes. Com um misto de audacidade e atrevimento – no bom sentido, claro está – envia a crónica para as grandes publicações desportivas da época, vulgo, A Bola, Record, e o Mundo Desportivo. Dias mais tarde o chefe de redação do primeiro órgão de comunicação responde-lhe com um lugar de colaborador! E assim estava dado o empurrão para aquilo o que seria uma carreira brilhante ao serviço do mítico jornal da Travessa da Queimada (Lisboa). E sempre, sempre, defendendo as cores d' A Bola, a única camisola que veste desde o início da aventura. Em 1962 Cruz dos Santos passa a redator do jornal, tornando-se desde logo num dos grandes valores da célebre instituição de comunicação... e do próprio jornalismo desportivo português.
Hoje em dia Cruz dos Santos continua a ser uma lenda d' A Bola, digamos que um embaixador do jornal à semelhança do que representa Eusébio para o Benfica. Prestes a cumprir 80 primaveras Cruz dos Santos continua a deliciar leitores através das suas incomparáveis crónicas na coluna “Vivó Árbitro”.

Em seguida transcrevemos na integra a entrevista (acompanhada da foto que a ilustrou, onde se pode ver o jovem jornalista Cruz dos Santos a entrevistar o recém chegado Eusébio) da que mudou a vida de Fernando Cruz de Santos, as linhas que o tornaram célebre, a imortal entrevista ao então (quase) desconhecido Eusébio da Silva Ferreira, publicada no dia 17 de dezembro de 1960...
«De Lourenço Marques (Portugal de África) e com destino ao Benfica, chegou a Lisboa por via aérea. Eusébio da Silva Ferreira, de seu nome completo, tem uma aparência bastante robusta, com costas largas, boa altura e, pelo que o seu andar deixou perceber, flagrante ligeireza de movimentos. O que, em gíria, se pode chamar "boa pinta". É de cor, se bem que não negro retinto. Tipo Hilário, do Sporting, ou França, agora na Académica. 
Ao constar que o esperavam, mostrou-se naturalmente acanhado e pouco conversador. Ainda que os dois zelosos funcionários do seu novo clube se mostrassem um tanto preocupados com o cumprimento da ordem de silêncio que, desde logo, Eusébio deveria respeitar, sempre pudemos colher algumas informações do jovem futebolista:
-Qual o seu lugar habitual?
-Costumo jogar a interior-esquerdo, mas faço qualquer dos postos de ataque, menos o de avançado-centro.
-Porquê?
-Não sei porquê, mas é esse o de que menos gosto. Prefiro as zonas em que é mais fácil a desmarcação. Já tenho jogado a avançado-centro, mas prefiro jogar no interior ou extremo de qualquer dos lados...
-Remata com os dois pés?
-Sim, mais ao menos...
-Costuma marcar muitos golos?
-No último campeonato, que acabou há duas semanas e nós ganhámos com três pontos de avanço sobre o Desportivo e cinco sobre o Ferroviário, marquei 29 dos 54 golos da nossa equipa.
-Então, é bom rematador...
-Queria fazer mais golos sozinho do que todo o ataque do Desportivo, que foi segundo e só marcou 30, mas não consegui...
-Conhece alguns dos jogadores africanos que estão na Metrópole?
-Sim, conheço o Hilário e o Coluna, o Jambane, o Vicente, o Costa Pereira.
-Espera adaptar-se bem ao futebol da Metrópole?
-Venho com essas esperanças. Pelo menos, tenho a certeza de que vou trabalhar com afinco para isso no clube que, há 10 anos, vi jogar em Lourenço Marques e que, apesar de eu ser um garoto, logo me fez simpatizar com ele...

(Nota: Cruz dos Santos faleceu no dia 16 de maio de 2013)

Há dias descobri (desde já o meu muito obrigado aos "amigos" do http://uniaotomar.wordpress.com) neste "mar virtual" que é a internet alguns "tesouros literários" do mestre Cruz dos Santos eternizados nas páginas da "Bíblia Sagrada do Desporto", vulgo A Bola. Aqui ficam pois em honra ao grande mestre:

“EMPATE QUE PREMEIA A SUPERAÇÃO DOS LOCAIS”

Jogo sem golos sugere espectáculo de relativo interesse, mas não foi esse o caso verificado, ontem, no atraente Estádio Municipal de Tomar (onde nos disseram que não tarda a bem necessária cobertura dos camarotes – pelo menos), pois o encontro além da emoção que o seu desfecho reflecte, conheceu períodos de futebol de apreciável craveira técnica e foi caracterizado, sobretudo, por uma correcção que muito nos apraz assinalar – contribuindo tudo isso para que não possa ter ficado desapontada uma das maiores assistências ali registadas, nesta primeira e bem curiosa presença dos tomarenses entre os «maiores».

Boa parte do muito público presente foi constituída por setubalenses, que a bela carreira do Vitória e o bonito começo do dia levaram à formosa cidade do Nabão em muitos automóveis e em perto de setenta autocarros (porque não havia mais disponíveis – segundo nos informaram) e, se toda essa gente sadina regressou a Setúbal entristecida pelo resultado, ao invés dos tomarenses, que chegaram ao fim do jogo dando mostras de evidente satisfação, há que dizer que tal disparidade de sentimentos só pode atribuir-se à capacidade normal, ao prestígio e aos anseios das duas equipas em cotejo, já que nem os sadinos podem lamentar-se de não terem alcançado o triunfo, nem os tomarenses tiveram na igualdade um prémio que não mereciam.

Com efeito, se é certo que nunca esteve em dúvida – como não poderia estar – a superioridade individual da turma vitoriana, não é menos exacto que muito bem souberam os tomarenses compensar e, por vezes, até, superar essa sua mais do que legítima desvantagem, mercê de uma determinação e de um sentido de colectivismo que, superando a normal capacidade própria, frequentemente perturbou os categorizados adversários ou, pelo menos, os impediu de evidenciarem uma supremacia que, em jogo e em resultado, talvez, fosse de esperar.

Portanto, não se pense que, no empate de Tomar, houve menor inspiração do fortíssimo conjunto setubalense e nada mais. Ideia certa e justa será, sim, a de que o Vitória só não jogou mais e só não venceu porque a tanto se opôs, cremos que sensacionalmente, um União que realizou, apenas, a melhor de quantas exibições já lhe vimos fazer na temporada, e que foram, anteriormente, contra o mesmo Vitória, no Bonfim; contra a Cuf, em Tomar; contra o Atlético, na Tapadinha, e contra o Belenenses, em Tomar.

E mais: – não obstante o domínio territorial exercido pelos sadinos em quase todo o segundo tempo do encontro de ontem, os tomarenses estiveram longe de jogar «à defesa», antes formaram uma equipa que actuou de acordo com as circunstâncias de cada momento, isto é, defendendo e atacando conforme as possibilidades que o antagonista e o próprio jogo lhe ofereceram.

Sem dúvida de espécie alguma.

Menos credenciado, jogando em «casa» (e, para mais, em terreno pelado, que não pode deixar de oferecer maiores problemas para todos os actuais visitantes, por menos habituados) e sabendo que é no futebol raso e «trabalhado» que o Vitória tem o tipo de jogo com que se tem imposto e que melhor serve as características da quase totalidade dos seus magníficos jogadores, esperar-se-ia que os tomarenses se lançassem num futebol de pontapés largos e fortes, fazendo subir a bola e provocando, assim, um despique marcado por choques e cargas, com hipóteses de emperrarem o funcionamento normal da «máquina» setubalense.

Quem assim pensava (e nós confessamos, honestamente, que nos encontrávamos nesse número, com base no que havíamos visto aos nabantinos nos referidos jogos com a Cuf e com o Belenenses) cedo se certificou de que se enganara redondamente, pois o que se viu, logo desde o começo do encontro, foi os tomarenses enveredarem por processo de jogo semelhante ao dos sadinos, ou seja, fazerem baixar a bola e tentarem a progressão no terreno em passes tanto quanto possível curtos e frequentes.

Com isso, ganhou o espectáculo, evidentemente, e se bem que, aqui e acolá, fosse manifesta e natural a vantagem sadina, devido à reconhecida maior valia técnica das suas unidades, a verdade é que houve ataques alternados, com o perigo a registar-se numa e noutra balizas.

Ao longo de todo o primeiro tempo, pode o Vitória recordar e lamentar dois ou três lances em que faltou uma aragem de felicidade a remates de cabeça desferidos, de muito perto, pelos seus dianteiros – especialmente, aquele em que Arcanjo, após bom trabalho de Figueiredo, executou um centro alto e largo e, sem ninguém a estorvar-lhe os movimentos, Guerreiro cabeceou ao lado do poste esquerdo.

Mas, em contrapartida, pertenceu a Vital a mais difícil das intervenções dos guarda-redes, em todo o desafio, quando teve de se lançar aos pés de Alberto, logo aos 3 minutos, e uma outra grande oportunidade de golo esteve ao alcance do mesmo Alberto, aos 25 minutos, quando se isolou, a passe de cabeça de Leitão, e visou o canto raso mais distante (o esquerdo), ficando Vital batido, mas saindo a bola a rasar a base de poste.

O Vitória, nos períodos de tempo em que dominou, fê-lo com mais insistência e maior autoridade, realmente, mas não conseguiu, ao contrário do que lhe é habitual, firmar vincada supremacia a meio do terreno, porque se Wagner esteve «em grande» e Vítor Baptista o acompanhou bem, já Jacinto João se mostrou infeliz (e, por isso, demasiado insistente) nos lances individuais em que costuma ser «mestre» e, do lado tomarense, o saber e a experiência de Ferreira Pinto e a actividade de Totoi puderam ir compensando e disfarçando o menor rendimento de Cláudio, a acusar certa debilitação resultante da gripe que o reteve no leito até sexta-feira e, a partir de determinada altura, também afectado pelo que nos pareceu ser uma rotura muscular, na coxa esquerda.

Por tudo isso e, ainda, porque toda a sua defensiva se revelou muito decidida e coesa, os tomarenses não só nunca se inferiorizaram, verdadeiramente, como até conseguiram ser algo superiores ao rondar da meia hora, chegando, pois, ao intervalo com muito mérito e justiça na igualdade e deixando a pairar a dúvida, apenas, sobre o ponto a que chegaria a sua resistência física, no segundo tempo.

…Segundo tempo que – já se disse – foi caracterizado por um muito maior domínio territorial dos sadinos, que apenas permitiram espaçados movimentos atacantes dos tomarenses e tiveram o seu ascendente reflectido num elevado número de «cantos» – por vezes, cedidos em momentos de grande apuro, pela defensiva de Tomar.

Mas, com Santos no lugar de Cláudio e, mais tarde, Vicente no de Lecas, puderam os nabantinos ir «segurando» o ascendente do Vitória, continuando a neutralizar, em boa dose, a sua acção a meio do campo e, sobretudo, «espartilhando-lhe» o ataque, onde Tomé (que rendera Figueiredo) e Guerreiro se mantiveram, até por isso, em dia de menor inspiração – do que se foi ressentindo, naturalmente, aos poucos Arcanjo (que tivera uma excelente primeira parte) e onde o perigo só se viu, de vez em quando, nos lances criados por Jacinto João, a entrar bem mais pela esquerda do que na metade inicial do jogo.

Mas, mesmo nesses lances, faltou sempre «qualquer coisa» ao «J J» dos grandes dias e o União de Tomar, mantendo-se muito firme na defesa, nunca enjeitou os ensejos que se lhe depararam para contra-atacar – não conseguindo, é certo, mais do que uma ocasião de «golo à vista»», em bola cruzada da esquerda e aliviada já perto da linha fatal, com Vital ultrapassado, mas também não permitindo que os dianteiros sadinos criassem uma única oportunidade flagrantemente desperdiçada.

No último quarto de hora, choveu com bastante intensidade, o que tornou o piso do terreno um tanto difícil. Ficou por se saber, no entanto, qual das equipas foi mais prejudicada pelo facto – ainda que a lógica leve a pensar que foi a dos setubalenses, porque era aquela que, então, mais buscava a vitória que, na verdade, correspondia a imerecida derrota do União.

Há que repetir a afirmação já feita: – foi esta a melhor das exibições que vimos fazer aos tomarenses.

Muita serenidade, muito discernimento, nada da fogosidade e do «descontrole» de outros dias. Calma semelhante, só a que lhe registámos e elogiámos, com inteira justificação, no jogo que lhe deu vitória na Tapadinha.

Desta vez, colectivismo foi a nota mais saliente da equipa, onde apenas Lecas e Cláudio (pelas razões expostas) estiveram um tanto abaixo dos companheiros.

Sem um único deslize, Arsénio igualou Caló, Faustino e Barnabé, numa defensiva que teve o mérito, nada acessível, de «segurar» um ataque da categoria do de Setúbal e onde Kiki só baixou um pouco, no segundo tempo, quando Jacinto João se adiantou mais.

Ferreira Pinto foi outro esteio da equipa, com especial relevo no primeiro tempo, mas o esforço de Totoi e de Alberto e a boa execução de Leitão (se bem que um pouco distante da «zona da verdade») também merecem referência – tal como foi vantajosa a entrada de Vicente e Santos.

Desilusão, talvez, para boa parte do público de Tomar, o Vitória não foi, para nós, mais do que vítima da inspiração do antagonista – um «pequeno pormenor» que muita gente nem sempre considera.

Foi um daqueles jogos em que tudo pode depender, apenas, de um golo que se marca. E, se os sadinos o conseguem, é bem possível que até acabassem em vencedores folgados.

Mas… e se o golo aparece ao contrário, como muito bem podia ter acontecido na primeira parte?…

De uma coisa há que não acusar a turma sadina: falta de combatividade. De modo algum. Lutou muito e sempre bem. Pode ter acontecido apenas, que essa necessidade de lutar, aliada às nada favoráveis características do terreno a impediram de jogar tanto quanto sabe.

Embora com pouco trabalho, Vital esteve firme e arrojado naquele lance aos pés de Alberto, assim assim como Conceição e Carriço foram «laterais» mais seguros do que os «centrais». Cardoso e Herculano – este, com a enorme atenuante de ter sido fustigado, recentemente, por rude golpe familiar, pelo qual jogou de braçadeira preta.

A meio do campo, tornou-se clara a ausência de José Maria, sendo Wagner o «maior», em nova manifestação de muita classe, enquanto Vítor Baptista apenas teve lampejos do seu grande valor, tal como «J J.».

Na frente, Arcanjo realizou uma bola primeira parte mas acabou por ser «arrastado» pela menor inspiração dos seus companheiros de sector, Guerreiro, Figueiredo e, depois, Tomé.

Mesmo as grandes equipas, como é o caso do Vitória, estão sujeitas a estes percalços – se é que pode chamar-se percalço a um empate num campo em que já perderam o Sporting, o Vitória de Guimarães e a Académica.

Em jogo sem problemas de maior, duas só palavras para a arbitragem do «trio» chefiado por Ilídio Cacho: – muito bem.»

(“A Bola”, 17.02.1969 – Crónica de Cruz dos Santos)



“GUARDA-REDES «AMÁVEIS» E EXPULSÃO INCRÍVEL”

O Farense foi o primeiro a marcar, por Farias, aos 14 minutos. Numa das suas frequentes descidas pela direita, Pena centrou por alto e, perante a pouca decisão dos defesas-centrais contrários, Farias elevou-se bem e cabeceou melhor – para a esquerda de Nascimento, que se lançou mal, (na direcção das próprias balizas) e, por isso mesmo, a bola seguiu-lhe das mãos para as malhas.

1-1 por Raul Águas, aos 35 minutos. De posse da bola, o guarda-redes Rui Paulino exagerou em batê-la no terreno, quer porque este tinha o piso irregular, quer porque Raul Águas o ameaçava de perto. Numa das vezes que o esférico foi ao solo, aconteceu o insólito: a bola a saltar para um lado e Rui Paulino a desequilibrar-se e a cair para o outro sem dificuldade. Raul Águas tomou conta do esférico, afastou-se mais do guarda-redes contrário e atirou para as balizas desertas.

No segundo tempo: 2-0.

2-1 por Raul Águas, aos 17 minutos. Tal como sucedeu várias vezes, Pavão fugiu bem pela direita e centrou. No meio da grande área do Farense, Almeida cortou, mas – talvez devido a irregular ressalto do esférico no terreno – bateu mal a bola, que foi ao corpo de Raul Águas (que lhe dificultava a acção) e ficou mesmo ali, mesmo à mercê do pé direito do «n.º 9» de Tomar – rápido e poderoso no disparo, rasteiro e cruzado.

Aos 20 minutos, Adilson (que acabara de substituir Jorge Félix) foi expulso – nas circunstâncias de que falaremos adiante.

3-1 por Caetano, aos 37 minutos. Novo excelente lance de Pavão, pela direita, de onde centrou, a meia-altura. A bola passou por dois ou três jogadores do Farense, Rui Paulino ficou à espera do corte de Almeida e, atrás de ambos, quem não vacilou foi Caetano, que desviou o esférico para as balizas, com o corpo.

Resultado: 3-1.

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Nada a obstar à vitória do União de Tomar, pois conseguiu-a com três golos «limpos» e justificou-a com o domínio territorial que exerceu quase sempre e, até, com as outras oportunidades que criou e não converteu (por isto ou aquilo e de que pode destacar-se um «tiro» de Pedro à barra, no último minuto) e que, a serem concretizadas, teriam dado ao encontro um desfecho bem mais desnivelado.

Isto é o que importa dizer, antes de tudo o mais, para que não se criem dúvidas ou ideias erradas, para que não se confunda aquela indicutível verdade com o que vamos afirmar àcerca de outros aspectos que o jogo conheceu.

Um golo que tudo transforma

Pouca gente, piso mau (escorregadio, pegajoso, lama sob a relva), uma tarde magnífica e uma meia-hora inicial interessante, já com o União a descer mais vezes ao meio-campo do Farense (em regra, por Pavão, a jogar muito bem), mas os algarvios mais serenos e mais objectivos – com o seu «líbero» (Atraca) a garantir uma certa tranquilidade na defensiva e os lances de contra-ataque a perturbarem com frequência, a defesa de Tomar.

Razão fulcral da superioridade (em calma, em ligação e em intencionalidade) dos algarvios: – desequilíbrio no meio do terreno, onde Jorge Félix, Sério e, em especial, Sobral se impunham, claramente, a Manuel José (sem «chama»), Pedro (lento e pouco codicioso) e Fernando (o melhor do «trio», pelo seu irrequietismo e espírito de luta).

Não houve, assim, surpresa no facto de ser do Farense o primeiro golo do desafio. Já aos 10 minutos, o golo só não aparecera nas redes de Nascimento (que saíu mal dos postes) porque a «cabeça» de Pena (a adiantar-se sempre muito bem, pelo lado direito) levou a bola a sair ao lado.
O União dominava, mas não «engrenava» em nenhum dos seus sectores – levando o público a excitar-se e a protestar, menos contra a sua equipa favorita, mais contra o árbitro (chegando a ouvir-se, na bancada, algumas alusões às tristes ocorrências acabadas de registar em Alvalade e que a Rádio levara até Tomar).

O escape de sempre, quando as coisas não correm bem. Mas se é verdade que Ismael Baltasar já naquela altura vinha tendo as suas «fífias» (por culpa própria ou do seu auxiliar António Rodrigues), não é menos certo que nem sempre os lapsos da arbitragem estavam a prejudicar a equipa tomarense – como fora, por exemplo, o caso de um lance em que Camolas puxou Caneira pela camisola (que até ficou rasgada) e aquele «bandeirinha» assinalou prontamente a falta, mas logo concordou (também sem vacilar) com a decisão do árbitro, que mandou marcar falta ao contrário.

Não se perturbou, no entanto, o Farense. De tal modo, que aos 28 minutos, até esteve à beira de fazer 2-0, quando Farias de adiantou a João Carlos e a Fernandes e atirou à rede lateral, talvez por ter rematado em desequilíbrio. E só já depois da meia-hora o União criou a sua primeira ocasião de «golo à vista», em belo remate (de cabeça) de Camolas, que saiu rasando o poste esquerdo das balizas de Rui Paulino.

…Rui Paulino que não teria hipóteses de deter aquele remate e que, pouco depois, pagou bem a «amabilidade» de Nascimento (e dos seus defesas centrais!) no golo de Farias, ao permitir a igualdade do modo (quase incrível) que deixámos descrito na abertura desta crónica.

Grandes responsabilidades do estado do terreno? Cremos que sim – tal como pensamos que só o Sol (de frente) terá levado Nascimento a mergulhar mal e a ser batido. De qualquer modo, é incontroverso que o 1-1 modificou tudo – dali em diante, não mais houve Farense, como equipa tranquila, organizada e esclarecida.

Até ao intervalo, ainda o União não foi capaz de tirar partido da manifesta quebra (psicológica e, reflexamente, de rendimento) da equipa de Faro – pelo que, dentro dos 45 minutos de abertura, apenas houve a assinalar um «cartão amarelo» para Pedro, por chutar a bola para longe, depois do jogo interrompido, em manifestação (deselegante) de discordância com uma decisão do árbitro.

Mas, depois do descanso, foi tudo quase só dos tomarenses, que quase não mais sairam do meio-campo antagonista e que podiam ter passado a vencedores muito mais cedo –tal como podiam ter ficado totalmente tranquilos antes do minuto 37 e vencedores mais folgados depois do 3-1.

Nem a «colaboração» dos homens de Faro (guarda-redes e defesas) nos lances do segundo e terceiro golos, é bastante para macular, portanto, o mérito do triunfo do União – que não precisava disso, realmente, para o conseguir, desde o momento em que a igualdade se registou. Isto, note-se, apesar de a turma de Faro continuar animosa até ao fim e, mesmo quase sobre a hora, ter podido fazer 2-3, quando Farias se atrasou no remate, a poucos metros das balizas.

Mas, sem embargo de nada do que fica escrito, outra verdade é que a definitiva machadada foi vibrada nos algarvios por quem menos se esperaria, por se tratar de um internacional: – o árbitro.

Dia para esquecer

Deixámos dito que já na primeira meia-hora Ismael Baltasar tivera alguns deslizes. E acrescentaremos (só nós sabemos com que mágoa) que, para além disso, o árbitro já impressionara e surpreendera, fundamentalmente, pela sua brandura, pela sua como que disposição de não criar problemas complicados – apesar de os jogadores nunca lhe terem criado (nem nunca virem a criar) dificuldades de maior, tal a inexcedível e louvável correcção com que sempre se bateram.

Mas foi no segundo tempo que Ismael Baltasar ainda mais se tornou na figura central do desafio. A mesma sensação de «distante» (sobranceria incompreensível e injustificada?), a mesma relutância em mostrar a sempre necessária «presença do árbitro» e uma série de lapsos (uns, indiscutíveis; outros, talvez só aparentes) que passamos a enunciar:

1. Exageradas demoras na marcação dos «livres», por «macieza» para com os jogadores que formavam a «barreira» e que não se colocavam (e acabaram por não se colocar, na maioria das vezes) à distância regulamentar);

2. Aos 8 minutos, empurrão de Almeida (pelas costas) a Raul Águas, junto às balizas do Farense («penalty» incontroverso) – para, logo a seguir, assinalar um muito discutível (quanto a ilegalidade) derrube do mesmo Almeida a Camolas, já fora da área de rigor dos algarvios;

3. Dúvidas (nossas) na forma como Farias foi derrubado, em desarme, perto da linha de cabeceira e dentro da grande área do União, aos 13 minutos («penalty» aparente – pelo menos);

4. Fernando foi derrubado (pelas costas e por três adversários) dentro da grande área do Farense («penalty» indiscutível);

5. A dois minutos do fim, «cartão amarelo» para Almeida, por ter feito, apenas, obstrução a Fernando – depois de, ao rondar do primeiro quarto de hora, o árbitro se ter limitado a conversar (duas vezes) com o «capitão» João Carlos, que discordou (por palavras e gestos) com uma decisão sua e lhe voltou, por fim, as costas deliberadamente;

6. A expulsão de Adilson, que foi uma autêntica «barbaridade», porque o jogador nada fez que justificasse, sequer, «cartão amarelo» – podemos garanti-lo, porque o lance desenrolou-se mesmo na nossa frente e a curta distância da linha lateral.

…Foi assim: Fernando entrou em falta (não maldosa) sobre Adilson, o árbitro apitou (e bem) e Fernando, talvez por admitir que o adversário reagisse (embora nós não lhe percebessemos tal intenção), pôs-lhe as mãos nos ombros, como que para evitar que ele se aproximasse, como que para o acalmar; a reacção de Adilson foi, única e exclusivamente, a de afastar as mãos de Fernando – e nem o fez com modos bruscos. Mas foi expulso, para surpresa geral.

Uma expulsão de bradar aos céus. E, para mais, imposta por um árbitro que, até ali, tão «macio» se mostrara. Que terá visto, no lance, Ismael Baltasar, que mais ninguém conseguiu ver?

Se acrescentarmos a tudo isto o facto de o jogo ter começado com três minutos de atraso, porque a equipa de arbitragem só quando ia a entrar em campo se apercebeu de que as camisolas dos jogadores do União eram iguais às suas (pretas), pelo que houve que voltar à cabina e envergar camisolas cinzentas – (só o árbitro e o «bandeirinha» António Rodrigues, porque José António vestiu uma camisola amarela, cremos de guarda-redes, porque tinha a gola e punhos encarnados, tal como se de um desafio de «solteiros e casados» se tratasse) – se acrescentarmos este facto, dizíamos nós, teremos de concluir que, realmente, «no melhor pano cai a nódoa» ou que «há dias em que não se deve sair de casa».

…Só que foi demais para a I Divisão e, sobretudo, para um árbitro internacional.

Poucas evidências

Voltando ao jogo, propriamente dito, temos que o União não jogou bem (embora ganhando bem) e só se «encontrou» (um bocadinho) consigo próprio quando fez o empate e o Farense perdeu a serenidade e o equilíbrio iniciais.

Ainda que a consideremos indiscutível, não percebemos a entrada de Bolota para o lugar de Raul Águas, que acabara de fazer o seu segundo golo consecutivo e vinha sendo (sobretudo por isso) um dos elementos mais em destaque na sua equipa – cuja defesa teve Kiki e Fernandes melhor do que João Carlos e Cardoso (pouco firmes, em posições tão importantes), enquanto que, no meio-campo, a «genica» de Fernando superou a «frieza» de Pedro e a falta de inspiração de Manuel José.

O melhor jogador dos tomarenses, porém foi Pavão, um extremo que [deu] seguimento adequado a quase todo o jogo que lhe chegou – ao contrário de Nascimento, que foi muito mal batido no golo e, no resto, ou não teve ensejos para se redimir ou evidenciou certa intranquilidade, pelo que o «1» que lhe atribuímos só se deve ao facto de a sua equipa ter ganho.

No que [se] refere ao Farense, gostámos francamente da sua actuação até ao tal grande primeiro lapso de Rui Paulino (também com largas culpas no terceiro golo) e só um estado psicológico menos forte pode justificar a acentuada quebra que veio depois.

Para o «capitão» Atraca, as honras da tarde (na função de «libero», desfeita após o 1-2, em que passou para defesa esquerdo, adiantando-se Pena para o meio terreno) – Pena que foi, depois de Atraca e a par de Caneira (este, baixando, a partir de certa altura) o melhor defesa (até pelas suas firmes incursões à frente), já que Assis (com aquele Pavão por adversário directo…) e, sobretudo, Almeida oscilaram bastante.

A meio do terreno, Sobral (grande intuição) foi o único que manteve quase sempre o ritmo da meia hora inicial (ao contrário de Jorge Félix e de Sério, que só continuaram a bater-se bem) e, no ataque, Farias fez um golo vistoso e evidenciou noutros lances o seu valor e o seu espírito de luta – extensivo a António Luís.

E – já analisada, de sobejo, a actuação do árbitro – é tudo.»

(“A Bola”, 30.10.1972 – Crónica de Cruz dos Santos)



“UM «SENHOR CAMOLAS» É MEIA-EXPLICAÇÃO”

Está na hora! – gritou alguém, nas bancadas, quando ainda só estavam jogados 22 minutos da segunda parte. O União vencia, então, por 2-1 e aquele brado (que provocou risos naturais) espelhou bem o que a vitória representava para os tomarenses.

Está na hora! – foi o grito que saiu das gargantas de muitos unionistas, ao longo dos três últimos minutos do desafio. O árbitro procedia, então, àquilo a que (incorrectamente) se chama «descontos» e aqueles brados já não tinham só o significado do tal mesmo grito de um só tomarense quando ainda faltavam 23 minutos para jogar, pois também já correspondiam a um estado de angústia compreensível, dada a forma como o Belenenses «pressionava» as balizas contrárias e punha no ar a perspectiva de um empate – pelo menos.

Nesses minutos finais, ninguém podia prever, realmente, o que viria a acontecer. Ninguém podia lembrar-se, nessa altura, daquilo que, afinal, faz o encanto do futebol – a sua permanente e maravilhosa incerteza: – num ápice, de novo a bola no fundo das balizas do Belenenses.

Um triunfo avolumado, os dois pontos assegurados, nos derradeiros instantes, quando a igualdade e a fuga de um ponto eram ameaças flagrantes.

Juntou-se a isso a beleza do golo da confirmação. E, daí, toda a festa que se lhe seguiu com responsáveis, jogadores (efectivos e suplentes) e público abraçados, dentro do campo.

Ganhou bem o União de Tomar? Pensamos, abertamente, que sim. Porque, embora podendo considerar-se feliz no momento em que passou de 1-1 para 2-1, teve duas «armas» que faltaram aos «azuis»: – uma defesa que não cometeu erros de vulto e um ataque que soube ser objectivo.

Emoção e bastante mais

Talvez, até, porque foi disputado sob chuva miúda, o jogo teve uma assistência apenas razoável, mas foi um espectáculo com interesse do primeiro ao último minuto. Interesse pela qualidade que o futebol chegou a atingir (pese ao estado do terreno, mui escorregadio), interesse pela forma como todos os jogadores se bateram (generosa e correctamente, apesar da inevitável frequência dos choques), interesse pela incerteza do resultado (como o ilustra, por si só, o que ficou descrito da sua parte final) e interesse, ainda, pelas várias mutações por que se passou, quanto à previsão do resultado.

Neste último aspecto, a hora e meia pode, na verdade, dividir-se em quatro períodos distintos e bem díspares: – o primeiro, englobando toda a primeira parte, com um manifesto equilíbrio no desenrolar das operações e com os tomarenses a chegarem ao intervalo numa posição de vencedores que tanto podia ter outros números como verificar-se ao contrário; no reatamento, o Belenenses no seu melhor período, a firmar grande supremacia, a atingir o empate com inteira justiça e a dar a sensação de que iria chamar a si a vitória; depois, o União a alcançar o 2-1, que «acalmou» o adversário e restituiu aos tomarenses as energias que haviam parecido faltarem-lhe; nos últimos dez minutos, o Belenenses a «carregar» com uma insistência igual (se bem que já menos lúcida, logicamente) à que se vira logo após o intervalo e a ver o seu «forcing» contrariado por uma defensiva «heróica» – até o ver desfeito pelo tal golo da tranquilidade nabantina.

Ainda que não tivesse havido tudo o mais que ficou apontado, apenas isto bastaria para dar ao espectáculo expressão e força futebolísticas.

Quatro golos foram poucos

Marcaram-se quatro golos e não houve golos a mais. Logo no primeiro minuto, só por acaso não apareceram dois, um para cada lado (desperdiçados por Ramalho e por Pavão) e, pelo tempo adiante, algumas outras ocasiões foram sendo «enjeitadas»: – Gonzalez, pouco antes do golo inicial dos tomarenses (cremos que por «falta» de pé direito); Caetano a rematar rente a um poste, de cabeça, mesmo em «cima» do intervalo (e junto a Quaresma e a Freitas, «colados» ao terreno); lances quase «de lotaria» junto das balizas dos tomarenses, nos dois períodos de «massacre» imposto pelos «azuis» – já que não há que incluir no «grupo» a espectacular forma como Silva Morais desviou por cima da barra um remate (em «voley») de Freitas, porque os guarda-redes estão no seu posto para isso, precisamente.

Não se esquece, tão claro está, que o desfecho de lances do tal tipo «de lotaria» depende, apenas do pé que aparece para chutar a bola. E o Belenenses talvez tenha razões para se lamentar de em nenhum daqueles momentos ter sido de um dos seus jogadores o pé que chutou o esférico. Há, porém, outros dois factos bem mais concretos do que esse: – mesmo incluída a «aflição» própria daquele instante, a defensiva de Tomar nunca transmitiu a sensação de tão perturbada e oscilante quanto a dos lisboetas; até por lógica influência desse factor e sem embargo de meia-dúzia de excelentes intervenções de Silva Morais, o perigo esteve quase sempre mais desenhado nas ofensivas dos tomarenses do que na dos lisboetas.

A defesa de Tomar jogou, em regra, na verdade, bastante bem. Com um guarda-redes arrojado e seguríssimo de mãos e com Kiki, Florival, Faustino e Zeca a formarem um «quarteto» decidido e coeso. Ao invés, há já muito tempo que não víamos tão mal a defesa belenense. Melo à parte (porque não teve culpas nos golos e esteve bem em tudo o resto), apenas Esmoriz se «salvou» de um «desastre» cujos «salpicos» atingiram Cardoso (em dificuldades diante de Pavão) e que teve o seu ponto máximo nos dois «centrais», Quaresma e Freitas, um e outro muito ligados aos golos [e] a algo mais do que eles – o que acontece a qualquer, mas foi para nós surpresa, sobretudo, no caso de Freitas, pela soberba «forma» que vem evidenciando.

Dali para a frente, houve as consequências até certo ponto naturais e com o maior contraste a registar-se entre os elementos mais fixos como «pontas-de-lança», porque Ramalho nada de positivo conseguiu (bem pelo contrário), Ernesto em pouco o superou e Camolas esteve, apenas, sensacional e não somente pelo magnífico golo que obteve e pelo outro que, com tanta visão, proporcionou a Caetano – que bem mereceu esse belo tento, ao situar-se a par de Pavão e dos quatro defesas.

A classe de Gonzalez, a progressiva melhoria de Leitão e o valor que Isidro e Vasques possuem não bastaram para evitar, mais do que a derrota, a desluzida imagem de um Belenenses que só no tal período inicial da segunda parte «explicou» a boa época que está fazendo.

Muito bem

Apesar das dificuldades oferecidas pelo terreno, o árbitro, Américo Borges (com bons auxiliares), teve uma actuação de muito mérito, mostrando serenidade, discernimento, segurança e (quando foi necessário) autoridade – caso do «cartão amarelo» bem exibido a Florival.

Assinalável a forma como «resistiu» aos pedidos do público e dos jogadores locais, quando entrou em linha de conta o tempo perdido, para só dar o jogo por findo quando estavam expirados, exactamente, os segundos 45 minutos de jogo autêntico. Aqui, um exemplo.»

(“A Bola”, 02.02.1976 – Crónica de Cruz dos Santos)