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segunda-feira, abril 07, 2008

Grandes lendas do futebol mundial (6)... José Nasazzi - O general de uma geração de ouro

Vamos hoje dar um pulinho à vitrina destinada às grandes lendas do futebol para conhecer um pouco do perfil de um dos magos do futebol uruguaio. Um homem que ficará eternamente ligado às gloriosas décadas de 20 e 30 do futebol charrúa, tempos onde os uruguaios dominaram o mundo da bola, domínio esse expresso na conquista de dois títulos olímpicos (1924 e 1928) e um mundial (1930). Esse homem foi o líder e capitão dessas mágicas selecções uruguaias e dá pelo nome de José Nasazzi.
Nasceu a 24 de Maio de 1901, em Montevideo, e foi um dos maiores defesas centrais da história do desporto rei. O seu futebol de raça e vontade encantou o povo uruguaio. Era um jogador muito forte fisicamente, tenho muitas vezes sido acusado de ser um jogador violento pela forma como encarava o jogo.
Era conhecido entre os colegas como o Marechal, e entre os adversários, como el terrible. Tornou-se num dos mais laureados jogadores do seu país, sendo juntamente com Pedro Cea, Héctor Scarone e José Leandro Andrade o jogador que esteve em todas as conquistas da selecção uruguaia de futebol nos anos 20 e 30.
Iniciou a sua carreira desportiva em pequenos clubes como o Lito e o Roland Moor, até que em 1921 chegou aos quadros do recém-fundado Bella Vista onde cumpriu uma década em grande. Em 1925 envergou as cores do Nacional de Montevideo numa digressão que esta equipa fez pela Europa. Pelos nacionalistas Nasazzi actuaria definitivamente a partir de 1932, defendendo as suas cores até 1936, ano em que colocou um ponto final na carreira. Com esta equipa ganhou os campeonatos uruguaios de 1933 e 1934.
Cortador de mármore na época que o futebol era amador em quase todo o mundo, Nasazzi teve reconhecimento internacional em Paris,em 1924, e em Amesterdão, em 1928, quando os uruguaios encantaram os europeus nas competições de futebol nos Jogos Olímpicos, e na já citada excursão do Nacional.
Mas o momento mais importante da sua carreira ocorreu em 1930, quando o seu país acolheu o primeiro Campeonato do Mundo da história. Mundial que seria vencido – como já aqui frisámos em várias ocasiões - pelos uruguaios capitaniados pelo mago Nasazzi.
Actuou 39 vezes pela Celeste Olímpica.Chegou a jogar como avançado na histórica excursão que o Nacional fez na Europa, tendo marcando em 10 ocasiões.
Depois de terminada a carreira desportiva foi líder sindical. O estádio do Club Atlético Bella Vista tem o seu nome. José Nasazzi morreria na sua cidade natal em 17 de Junho de 1968.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Grandes lendas do futebol mundial (4)... Enzo Francescoli - O príncipe herdeiro da garra charrúa

Sabe quem foi o ídolo do francês Zinedine Zidane? O jogador que inspirou este famoso gaulês a tornar-se no grande futebolista que todos o conhecemos? A resposta é... Enzo Francescoli.
Isso mesmo, el príncipe do futebol uruguaio, é o génio que hoje vamos visitar na vitrina das grandes lendas do futebol mundial.
Nasceu em Montevideu, no dia 12 de Novembro de 1961, e foi um dos mais brilhantes futebolistas da década de 80 do século passado. Ele foi o sucessor de outros génios uruguaios, como as lendas das décadas de 20 e 30 José Leandro Andrade (de quem aqui já falámos), Scarone, ou Nasazzi, ou os heróis da década de 50 Varela, Maspoli, Ghiggia e Schiaffino.
Foi uma lenda não só no seu país como também na Argentina, onde jogou grande parte da sua carreira. Este é aliás um facto curioso, ou seja, o povo argentino idolatrar um uruguaio, sabendo nós da rivalidade quase de morte existente entre os dois países.
Embora sempre se tenha declarado como adepto incondicional do Peñarol, revelou-se no modesto Wanderers, o único clube que representou no seu país. Neste emblema da capital uruguaia Enzo disputou 74 jogos e apontou 20 golos entre 1980 e 1882. No ano de 1981 ele ajudou a selecção de júniores do Uruguai a conquistar o campeonato sul-americano da categoria, realizado no Equador, tendo sido eleito o melhor jogador da competição.

O futebol elegante, habilidoso e clássico deste avançado (posição onde actuou em grande parte da sua carreira) chamou à atenção dos grandes clubes sul-americanos, e em 1983 o River Plate, da Argentina, contratou-o por 360 mil dólares, naquele que ainda hoje é considerado como um dos melhores negócios da história do clube de Buenos Aires.
Nesta sua primeira passagem pelo River Francescoli jogou até 1986, tendo vencido o Campeonato Nacional Argentino de 1986. No River Plate atingiu um estatuto e reconhecimento quase sem paralelo, sendo respeitado por todo um país, independentemente das cores clubísticas, muito por força do seu perfil de caballero.
A Europa chamou então por si, e o primeiro emblema a contar com os seus préstimos foi o Matra Racing de Paris, na altura orientado pelo português Artur Jorge, onde jogaria até 1989. Considerado como um dos melhores futebolistas do campeonato francês não foi com estranheza que Enzo se mudaria na temporada de 1989/90 para o gigante Olympique de Marselha, onde na altura pontificavam estrelas como o inglês Chris Waddle, o francês Jean Tigana e as então promessas do futebol gaulês Didier Deschamps e Jean-Pierre Papin. Esteve somente uma temporada no poderoso e popular clube do sul de França, o suficiente para se tronar também ali num ídolo, tendo ajudado a equipa a vencer o campeonato dessa época. Ao serviço do Marselha foi considerado o melhor jogador estrangeiro a actuar em França. Neste país realizou 117 jogos e apontou 43 golos.
Mas o paraíso dos melhores futebolistas do planeta nestas décadas era a Itália. País cujo poderoso campeonato ficou enriquecido com a chegada de Enzo Francescoli, em 1990/91, para defender as cores do Cagliari onde esteve três anos. Mudaria-se em seguida para o Torino, em 1993/94, onde não seria feliz. Em Itália disputou 122 jogos e marcou 20 golos, uma prestação menos feliz do que aquela que havia tido em França.
Em 1994 regressaria à Argentina para voltar a defender as cores do seu River Plate, tendo ajudado o clube a vencer o Torneio Abertura de 1994, 1996 e 97, o Torneio Clausura de 1997, e o título mais importante da sua carreira ao nível de clubes a Taça Libertadores da América de 1996 (a primeira da história do River). Venceria ainda em 1997 a Supercopa Libertadores. Com a camisola do River efectuou um total de 197 jogos e apontou 115 golos.
Cada vez que ele entrava em campo, a claque do River Plate cantava: "U-ru-guayo!". Vindo de argentinos, não podia haver maior homenagem. Ao deixar o futebol, no início de 1998 (ano em que recusou uma proposta de 1 milhão de dólares para continuar), Francescoli já estava consagrado como o maior jogador do Uruguai da sua geração.
Quando deixou de jogar o seu rosto foi estampado numa bandeira da claque do River, ao lado de lendas como Di Stefano e Labruna, entre outros. Depois de ter abandonado o futebol, o River deixou de ser temido como antes...


A excepção de uma geração perdida

Apelidado de El Príncipe, Francescoli foi o ídolo do seu país numa época em que o futebol uruguaio estava em nítida decadência. Nesta época a selecção do Uruguai estava muito, mas mesmo muito, longe das poderosas equipas que venceram os Mundiais de 30 e 50. Era uma selecção algo fraca, mas que no entanto alcançou três Copas Américas no espaço de 12 anos! O grande responsável por este feito? Pois claro, Enzo Francescoli. Envergando a mítica camisola 10 azul celeste Enzo carregou a equipa às costas nas grandes competições em que participou. As principais vitórias foram, como já vimos, as conquistas da Copa América de 1983, 1987 e 1995 (cujas fases finais foram realizadas respectivamente no Uruguai, Argentina, e Uruguai). Na de 1987, brilhou na meia.final contra a Argentina, em pleno Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Das quatro Copas Américas que disputou perdeu apenas uma, a de 1989, ante o Brasil.
Contudo, não seria feliz nas suas duas únicas participações em fases finais de Campeonatos do Mundo, no fundo o principal sonho de qualquer jogador do planeta. Não teve boas prestações e consequentemente o Uruguai seria eliminado nos oitavos-de-final em ambas as ocasiões, mais precisamente no México 86 e no Itália 90. Marcou um golo em fases finais do Mundiais, mais concretamente em 1986, diante da Dinamarca. Com a camisa do Uruguai disputou 68 jogos e marcou 17 golos.

O ídolo de Zidane
Durante a sua breve passagem por Marselha Francescoli tinha nas bancadas do Estádio Vélodrome ( o recinto deste clube do sul de França) um pequeno adepto marselhês que o idolatrava. Um jovem que se deslocava ao Vélodrome apenas para ver a magia do futebol de Enzo. Esse jovem chamava-se Zinedine Zidene, e anos mais tarde seria ele próprio um génio do futebol mundial. Francescoli foi o ídolo, a inspiração, de Zidane como o francês um dia confessou. Diz a lenda que Zidane, nos idos tempos em que jogava no Marselha, usava uma camisa do River Plate (que havia pertencido a Enzo) por baixo da sua camisola. Quando nasceu o seu primeiro filho, Zidane colocou-lhe o nome de Enzo, em jeito de homenagem ao seu ídolo.

Legenda das fotografias:
1- Enzo Francescoli com a camisola do seu país
2- Actuando pelo seu clube de sempre, o River Plate
3- Oferecendo a camisola do River a Bono aquando da passagem dos U2 por Buenos Aires para um concerto no Estádio Monumental no ano de 2005
4- Erguendo a Copa América de 95, conquistada ao Brasil no Estádio Centenário, em Montevideo
5- A poderosa equipa do Marselha de que Enzo fez parte na época 1989/90

quinta-feira, outubro 04, 2007

Grandes Clássicos da Bola (2)... Uruguai - Argentina (4-2)

Entrem senhores visitantes. Fiquem à vontade e disfrutem ao máximo de mais uma deliciosa memória do não menos delicioso mundo da bola. Hoje vamos fazer uma viagem até ao saudoso ano de 1930. Ano este em que teve lugar no Uruguai o primeiro Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA, como se devem recordar.
A final desta competição foi decididida em Montevidéu entre os vizinhos, e eternos rivais, Uruguai e Argentina. Duas equipas que dois anos antes se haviam defrontado na final dos Jogos Olímpicos de Amesterdão, tendo a vitória sorrido aos primeiros por 2-1.
A Argentina procurava por isso uma desforra. Mas a tarefa não era fácil, já que pela frente tinha a melhor selecção do Mundo daquela época. Para chegar à grande final argentinos e uruguaios derrotaram por igual score (6-1) os Estados Unidos da América e a Jugoslávia, respectivamente. Nos dias que antecederam a final as cidades de Montevidéu e Buenos Aires viviam, pensavam e respiravam futebol. Na capital argentina milhares de adeptos levaram a cabo um autêntico motim exigindo mais barcos para atravessar o Rio da Prata (river plate) até Montevidéu para assistir à decisão das decisões. E nesta última cidade a confusão era ainda maior. Hotéis lotados, bilhetes na mão de candongueiros, discussões e até cenas de pancadaria surgiam aqui e ali. Tudo por um lugar nas bancadas do então recém construído Estádio Centenário. Recinto que no dia da final teve as suas bancadas completamente esgotadas. 80 mil pessoas presenciaram o nascimento da história dos Mundiais.
As equipas entram em campo recheadas das grandes estrelas do futebol mundial da altura. Nasazzi, Andrade, Scarone, Castro e Cea pelo lado uruguaio, Monti, Peucelle e Stabile do lado argentino eram nomes falados mundialmente pelas suas enormes qualidades futebolísticas.
O espectáculo estava garantido. Na escolha de campo os dois capitães discutiam. O uruguaio queria jogar com uma bola feita em seu país. O argentino, com uma bola feita Argentina. O árbitro belga, Langenus, decidiu: no 1º tempo joga-se com a bola argentina e no 2º com a bola uruguaia.
Com a bola argentina, os uruguaios conseguiram o primeiro golo, aos 12 minutos, marcado por Dorado. Oito minutos depois, Peucelle empatou. Aos 37 minutos, Stabile, o artilheiro do campeonato, marcou o segundo tento argentino. E a 1ª parte chegou ao fim com os argentinos a vencer por 2-1. Foi espantosa a reacção uruguaia na etapa complementar, jogando com a bola feita em casa. Aos 12 minutos, Cea empatou. Aos 23, num remate de fora da área, Iriarte pôs o Uruguai em vantagem. O país vivia momentos de sofrida espera quando, num contra-ataque. Dorado centrou da direita, pelo alto, e Castro com uma cabeçada fulminante mandou a bola para o fundo das redes. Era o quarto golo. Um minuto depois, o jogo acabava.
E o Uruguai era assim o primeiro CAMPEÃO DO MUNDO da história.
No Estádio Centenário sob a arbitragem do belga John Langenus as equipas alinharam com:
Uruguai: Ballesteros, Nasazzi, Mascheroni, Andrade, Fernandez, Gestido, Dorado, Scarone, Castro, Cea, Iriarte.
Argentina: Botasso, Della Torre, Paternoster, J.Evaristo, Monti, Suarez, Peucelle, Varallo, Stabile, Ferreira, M.Evaristo.
Marcadores: Dorado(12);Peucelle(20); Stábile(37);Cea(57);Iriarte(68);Castro(90).

Legendas das fotografias:

1- Capitães das duas equipas cumprimenta-se sob o olhar do árbitro belga Langenus
2- O "onze" uruguaio que entrou para a história...
3- A equipa da Argentina
4- Um dos golos uruguaios na grande final
5- O belo Estádio Centenário no dia da final... a arrebentar pelas costuras

Vídeo: HISTÓRICO RESUMO DA FINAL DO 1º MUNDIAL ENTRE URUGUAI E ARGENTINA



quinta-feira, setembro 07, 2006

Histórias dos Campeonatos do Mundo... Uruguai 1930 (1)

Iniciamos agora uma viagem pela “deliciosa” história dos Campeonatos do Mundo de Futebol. Ao pormenor, tanto quanto nos seja possível, iremos descobrir os factos, os números e as figuras dos 18 Mundiais até hoje realizados. Uma coisa é certa, é de que esta será uma longa viagem, tão longa quanto rica que é a história da mais importante competição do Mundo.
As linhas que se seguem surgem pois na sequência da leitura de inúmeros livros e enciclopédias (da minha cada vez mais extensa “biblioteca de futebol”), do visionamento de vídeos (meu Deus, já não tenho espaço para mais DVD’s nem cassetes VHS sobre futebol em minha casa...) e de pesquisa na internet.
No fundo um trabalho que me deu um ENORME prazer, ou não fosse eu um fanático do fenómeno futebol. E é esse prazer que eu quero repartir com o visitante do Museu, que sinta o mesmo interesse, a mesma curiosidade e sobretudo a mesma paixão que eu tenho pelo belo jogo. Divirtam-se...

Finalmente... o sonho tornou-se realidade

O visitante está confortável? Óptimo, pois prepare-se que vai fazer uma inesquecível viagem até ao longínquo ano de 1930, mais concretamente ao Uruguai. Bom, mas antes de “aterrarmos” neste pequeno país sul-americano há que fazer um pequeno relato sobre o nascimento do Campeonato do Mundo.
Um projecto que demorou mais de duas décadas a ser concretizado. A ideia, ainda de uma forma muito ténue, nasceu por volta de 1905, um ano depois do nascimento da FIFA. Contudo devido a divergências de última hora entre os países (federações) membros da FIFA o projecto nunca passou disso mesmo. Foi preciso esperar por 1921 para que finalmente o sonho de criar uma grande competição planetária “tivesse pernas para andar”.
E 1921 porquê? Porque foi este o ano que o lendário Jules Rimet assumiu a presidência da FIFA. A ideia de criar um Campeonato do Mundo de Futebol era uma obsessão de Rimet, que depois de constatar o sucesso dos torneios de futebol dos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 colocou o seu sonho em andamento.
O Comité da FIFA aprovaria a proposta do secretário-geral da Federação Francesa de Futebol, Henri Delaunay, de criar uma competição que juntasse de quatro em quatro anos as melhores selecções do planeta. Num congresso da FIFA realizado em Helsínquia, em 1927, Jules Rimet anunciava ao Mundo – finalmente – que em 1930 se iria realizar o primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, sendo nomeado para o efeito um Comité Organizador (CO). Foram então apresentadas várias candidaturas para a organização do evento, nomeadamente a Hungria, a Itália, a Suécia, a Holanda, a Espanha e o Uruguai. Foi definido pelo CO que o país que recebesse o evento suportaria todos os custos do mesmo, incluindo deslocações das equipas, alojamento, alimentação das mesmas, etc. Por seu turno, a FIFA exigia 10% de todas as receitas. “Exigências”, ou regras, estas que resfriaram de imediato o entusiasmo de alguns países, que não estavam de acordo em suportar todos os custos da prova. O Uruguai foi o único a aceitar todas as condições. No entanto, não foi apenas por ter aceite as regras da FIFA que este país ganhou o direito de organizar o primeiro Mundial de Futebol, já que os dirigentes uruguaios colocariam em cima da “mesa das negociações” o facto de nos meses de Junho e Julho de 1930 o país ir comemorar o centenário da sua independência, prometendo desde logo a construção de um estádio com capacidade para 100 000 pessoas. Estádio esse que desde logo recebeu o nome de... Estádio do Centenário. Para além disso, o facto de o Uruguai ser na altura a melhor selecção do Mundo, já que encantara o “planeta da bola” com o seu maravilhoso futebol culminado com as conquistas dos títulos olímpicos de 1924 (Jogos Olímpicos de Paris) e de 1928 (Jogos Olímpicos de Amesterdão), teve igualmente um certo peso na decisão da FIFA em atribuir aos uruguaios a organização da prova.
Seria sem surpresas que no Congresso da FIFA de 1929, realizado em Barcelona, a entidade que gere o futebol mundial comunicaria oficialmente que o primeiro Mundial seria no Uruguai. (Na foto ao lado vê-se a chegada de Rimet a Montevideu.)
No entanto, esta decisão não seria recebida de bom grado por todos os países membros da FIFA. Isto porque os clubes europeus consideravam absurdo pagar os ordenados aos seus melhores jogadores durante uma ausência calculada em cerca de dois meses no Uruguai para disputar o Mundial. Perante este recuo dos europeus a federação uruguaia prontificou-se de imediato a pagar os ordenados aos jogadores europeus durante esse período. No entanto, grande parte dos “craques” não aceitou a boa vontade dos uruguaios, não viajando para a América do Sul. Grandes selecções da altura como a Hungria, a Itália, a Áustria ou a Checoslováquia, no fundo, as super potências do futebol europeu da altura, não aceitaram o convite da FIFA para marcar presença no primeiro Mundial.
Abra-se desde já aqui um parênteses para sublinhar que nesta primeira edição do Mundial não houve fase de qualificação, pois as equipas que nele marcaram presença responderam a um convite da FIFA.
Outra super potência do futebol europeu da época, a França, ameaçou seguir o exemplo das selecções acima referidas e não se deslocar ao Uruguai. Não fora a intervenção de Jules Rimet (francês de nascimento), que de imediato satisfez todas as exigências dos seus compatriotas, e os gauleses não teriam ido à América do Sul. (Na foto ao lado está a selecção francesa que actuou no Mundial do Uruguai.)
De qualquer maneira dois meses antes do início do Mundial nenhuma equipa europeia estava inscrita, mas após a resolução deste problema a França, a Roménia, a Jugoslávia e a Bélgica decidiram mandar as suas selecções para o Uruguai.
E eis que em 20 de Junho de 1930 (a cerca de um mês do pontapé de saída da competição) franceses, belgas e romenos estavam em Villefranche-sur-Mer preparadas para embarcar no paquete italiano “Conte Verde” para a longa travessia no Atlântico. No dia 5 de Julho seguinte as selecções chegavam à baía de Montevideu (capital do Uruguai), isto depois de passar pelo Rio de Janeiro para dar uma boleia à equipa do Brasil.
Por seu turno, a equipa da Jugoslávia preferiu viajar sozinha (mais à larga certamente) para a América do Sul, tendo cruzado o Atlântico a bordo do luxuoso veleiro “Flórida”, cobiçado pelos grandes magnatas mundiais da época para as suas viagens. É caso para dizer...e viva o luxo!
À espera das selecções europeias estavam as suas congéneres sul-americanas, o Brasil, o Paraguai, o Peru, a Bolívia, o Chile, a Argentina e claro está, o Uruguai. A estes juntaram-se ainda o México e Estados Unidos da América, equipas que completaram o lote de participantes do primeiro Mundial. Seriam pois 13, os países que participaram no primeiro grande momento do futebol mundial. (Na imagem do lado pode ver-se a equipa da Argentina que se iria sagrar vice-campeã do Mundo nesta primeira edição.)

A bola começou a rolar
Face ao número reduzido de participantes, substitui-se o sistema de eliminação directa pela fórmula de quatro grupos. Designou-se então que quatro equipas seriam cabeças-de-série, tendo sido elas a Argentina, Brasil, Estados Unidos da América e Uruguai, sendo que os vencedores de cada grupo se qualificariam para as meias-finais.
Em jeito de homenagem a Jules Rimet a França seria uma das selecções que daria o pontapé de saída do grande evento desportivo. Como adversário no jogo inaugural os franceses tiveram o México, um jogo que seria realizado no Campo de Pocitos (Montevideu), já que o majestoso Estádio Centenário ainda não estava concluído (dizem que o cimento das bancas ainda estava fresco aquando da abertura do Mundial). A França venceria facilmente os mexicanos por 4-1, não obstante de ter alinhado grande parte do encontro com dez jogadores, por lesão do guarda-redes Thépot, já que naquela altura ainda não existiam as substituições. (Na foto de cima: uma fase do jogo entre o Brasil e a Bolívia.)
Francês foi igualmente o primeiro golo de um Mundial, de seu nome Lucien Laurent, um homem que entrou assim na história do futebol pelo facto de ter apontado o primeiro golo de um Campeonato do Mundo.
O guardião Thépot haveria de ser o herói do jogo seguinte da França, ante a Argentina, já que durante 80 minutos resistiu de uma forma heróica aos ataques avassaladores dos argentinos, e só um livre magistralmente apontado por Luigi Monti ao minuto 80 deu uma magra vitória por 1-0 ao país das pampas. (Ao lado a cerimónia de abertura do certame.) Este jogo será ainda relembrado por um caricato episódio, já que o árbitro da partida, o brasileiro Almeida Rego, daria por terminado o encontro seis minutos antes do tempo regulamentar, e só graças aos protestos dos adeptos uruguaios que assistiam ao jogo (e que torciam pela França, já que a Argentina foi, é e será sempre o eterno inimigo), que entretanto haviam invadido o campo para “acertar as contas” com o juiz da partida, é que o erro foi corrigido e o brasileiro voltou ao campo para dar continuidade ao jogo que terminaria, como já vimos, com a vitória argentina por 1-0.
No grupo 2 ficariam os melhores representantes do futebol europeu neste torneio, a Jugoslávia. Derrotaram o Brasil (2-1) e a Bolívia (4-0), classificando-se desde logo no primeiro lugar do grupo e consequente apuramento para as meias-finais. A França (grupo 1) perdeu as esperanças da qualificação para a fase seguinte após ter sido derrotada pelo Chile (0-1).
A Roménia também não fez melhor, vencendo um jogo (Perú, por 3-1) e perdendo outro (Uruguai, por 0-4). (Na imagem ao lado está a desoladora selecção brasileira que se deslocou ao Uruguai.)
A Bélgica, sem o seu melhor jogador da altura, Braine, não teve melhor sorte, já que sofreu duas derrotas no grupo 4, ante os Estados Unidos da América (0-3) e o Paraguai (0-1).
Nas meias finais encontraram-se Uruguai e Jugoslávia, e Argentina e Estados Unidos da América. No encontro que opôs argentinos e norte-americanos houve “mosquitos por cordas”, originados pelos constantes protestos dos “soccerboys” contra a interpretação do árbitro belga Langenus sobre a lei do fora-de-jogo. O treinador dos americanos, Robert Miller, tentou agredir o árbitro com a mala de massagista, errando o alvo por muito pouco. O resultado do jogo saldou-se por uns claros e controversos 6-1 a favor dos argentinos. Por igual resultado venceriam os uruguaios a equipa da Jugoslávia. Estavam assim encontrados os dois finalistas do primeiro Mundial.

A grande final...

Chegou-se ao dia 30 de Julho, e o Estádio Centenário a “abarrotar pelas costuras” com 100 000 espectadores em delírio. Uma final à qual também não faltaram peripécias. Em Buenos Aires, o ambiente era de loucura total tendo o povo organizado manifestações para que fossem postos à sua disposição mais barcos para atravessar o Rio de La Plata (River Plate) para a outra margem... para Montevideu. Estima-se que mais de 20 000 argentinos atravessaram o rio em dez barcos fretados de propósito para o efeito (diz a lenda que um destes barcos chegou a Montevideu já no fim da grande final). (Ao lado as duas equipas finalistas a entrarem em campo.) Temendo-se incidentes entre uruguaios e argentinos (velhos inimigos) as armas de fogo foram confiscadas à entrada do estádio.
Os árbitros não escapavam a este ambiente frenético e ameaçador em redor do jogo, pelo que dos quatro juizes apontados inicialmente para dirigir a final, o único a aceitar tal responsabilidade foi o belga John Langenus (na foto ao lado). Para tal a FIFA teve de satisfazer algumas exigências do belga, mais precisamente em dar-lhe protecção policial durante 24 horas, fazendo-lhe um seguro de vida e colocando à sua disposição um navio que o levaria de volta a casa logo após o término do jogo.
Seguiu-se o “episódio da bola”, ou seja, cada equipa queria jogar com a sua bola. Por sorteio foi escolhida a bola argentina, mas os uruguaios, supersticiosos, trataram logo de reclamar contra a (má) sorte. Para satisfazer a “gregos e a troianos” o árbitro decidiu que seriam usadas as duas bolas, uma em cada parte. A primeira parte foi jogada com a bola argentina, e de facto foi de má sorte para os uruguaios, que foram para o intervalo a perder por 1-2, com os tentos argentinos a serem apontados por Stabile e Peucelle, ao passo que o tento uruguaio foi de Dorado. Mas na segunda parte tudo se modificou, os uruguaios deram a volta ao marcador graças a uma exibição espectacular e inolvidável. Ninguém os parou. Venceriam por 4-2, tornando-se assim nos primeiros Campeões do Mundo. Perante a multidão em delírio o capitão uruguaio José Nazzazi ergueu o trofeú criado propositadamente para o evento pelo escultor francês Abel Lafleur. (Na imagem do lado vê-se Castro marcar o quarto golo que selou a vitória do Uruguai.)

Factos que ficam para a história...
- A receita de bilheteira deste primeiro Mundial cifrou-se em 255 107 dólares (da altura).

- Foram disputados 18 jogos no total, com um total de espectadores de 434 000, uma média de 24 111 por jogo. Na final estiveram 100 000 pessoas no Estádio Centenário.

- Estados Unidos... da Escócia: A selecção dos Estados Unidos da América, (na imagem) que neste Mundial se classificou em 3º lugar (juntamente com a Jugoslávia), a sua melhor classificação até à data, disputou a competição com vários jogadores europeus naturalizados. Na sua maioria eram escoceses, tais como Bart McGhee, Brown, Wood, e Gallacher. Do grupo fazia ainda parte um luso-americano, de seu nome Adelino “Billy” Gonsalves, nascido em “Terras do Tio Sam” mas filho de emigrantes portugueses. Pela presença no Uruguai os jogadores americanos receberam uma bolsa equivalente a seis meses de ordenado, e outro tanto pelo “bronze” alcançado.

- Um Brasil muito carioca: Devido a divergências entre cariocas e paulistas, jogadores do Estado de São Paulo foram proibidos de integrar a selecção brasileira neste Mundial. Assim só os atletas dos clubes do Rio de Janeiro tinham permissão para representar a “canarinha”. Desta forma o Brasil, orientado por Pindaro de Carvalho Rodrigues, não pôde contar com o seu grande craque da altura, o paulista Fridenreich. Dizem até que os adeptos dos clubes paulistas ficaram bem satisfeitos pelo fracasso que foi a participação da selecção neste evento.


- O grande capitão: José Nazzazi, (na foto ao lado)o capitão da equipa do Uruguai, foi o líder da “celeste” na caminhada para o título. Fez-se notar não só pelo seu talento futebolístico mas também pelos gritos de advertência que lançava aos companheiros. Ele era o verdadeiro treinador da equipa campeã do Mundo...



- O treinador que era... o rei: tal como outras selecções europeias (pelos motivos acima já explicados) a Roménia (a equipa que se encontra na foto ao lado) esteve para não ir ao Uruguai. Valeu a intervenção (foi mais uma ordem do que um pedido) do Rei Carol (o rei daquele país), que não só ordenou que os seus jogadores fossem para a América do Sul como também se encarregou de os escolher. Mais curioso que isso foi ainda o facto de o rei, que era um “doente” pelo futebol, ter sido o treinador da equipa durante o torneio.

- Guillermo Stabile: O título uruguaio foi festejado efusivamente e o próprio Governo daquele país decretou que o dia seguinte ao da final fosse feriado nacional. Os jogadores uruguaios como Nazzazi, Cea, Castro, Iriarte, Dorado, Scarone ou Andrade (A Maravilha Negra) seriam imortalizados pelo povo "charrua".
No entanto, não só de nomes uruguaios se fez este campeonato, visto que o melhor marcador do mesmo foi o argentino Guillermo Stabile (na foto ao lado), autor de oito remates certeiros. Foi ainda o autor do primeiro “hattrick” em Mundiais.



- Três estádios foram utilizados neste Mundial, o Parque Central, o Campo de Pocitos e o magnífico Estádio Centenário (na foto debaixo), todos situados em Montevideu.

-A selecção do México chegou ao Mundial de 30 assustada com os prognósticos dos expertes da modalidade. Para dar ânino aos seus jogadores o seleccionador mexicano, espanhol de nascimento, de seu nome Juan Luqué de Serrallonga, dirigiu-lhes uma mensagem de alento num dos quartos do Hotel de Montevideo, onde a equipa estava hospedada, e assegurou-lhes que a Virgem de Guadalupe estava a rezar por eles no seu país, mais precisamente no monte de Tepeyac. Concluíu a sua palestra com as seguintes palavras: "Muchachos, les quiero suplicar que se olviden de todo, novias, hermanos, padres, madres, y que solo les quede grabado en sus mentes la palabra México. Ahora que lucharemos contra Francia hay que recordar al general Ignacio Zaragoza. Si él pudo vencerlos, también lo podemos hacer nosotros". Convencidos das palavras do seleccionador os jogadores entraram no jogo diante da França a jogar de igual para igual, acabando, no entanto, por perder esse jogo por 1-4.

-Foi frente ao México que o capitão de equipa argentino Manuel "Nolo" Ferreira falhou o único jogo em todo o Mundial. O motivo da ausência deveu-se ao facto de Ferreira ter de se deslocar a Buenos Aires ra fazer um exame na Faculdade de Direito, onde se encontrava a tirar o curso de Escribão Público. Depois de ter passado no referido exame voltou de imediato a Montevideo para continuar a jogar o Mundial. Anos mais tarde reconheceria que os seus professores haviam facilitado a sua apovação no dtio exame, pelo simples facto de estar a representar a selecção argentina no grande certame futebolístico.

-A equipa da casa sofreu uma importante baixa à última da hora, mais precisamente o seu guarda-redes Mazzalli. O episódio foi assim recordado na primeira pessoa pelo capitão de equipa José Nasazzi: "El momento más triste para nosotros fue cuando separaron del plantel a Andrés Mazzalli. Había sido el arquero en París y Amsterdam, pero era muy mujeriego y una noche se escapó de la concentración para ir a encontrarce con una rubia. Lo expulsaron y no hubo defensa para él. Todos sentimos pena, pero la sanción impuesta fue irreductible y ni a mi me hicieron caso".




Resultados e classificações

Grupo 1

13 de Julho de 1930
França – México (4-1)
(Laurent, 19’; Lngiler, 40’; e Maschinot, 42’ e 87’)
(Carreño, 70’)

15 de Julho de 1930
Argentina – França (1-0)
(Monti, 80’)

16 de Julho de 1930
Chile – México (3-0)
(Vidal, 4’ e 86’ e Rosas, 51’ p.b.)

19 de Julho de 1930
Chile – França (1-0)
(Subiabre, 65’)

19 de Julho de 1930
Argentina – México (6-3)
(Stabile, 8’,17’ e 80’, Varallo, 53’ e Zumelzzu, 10’ e 55’)
(Rosas, 42’ e 55’ e Gayon, 78’ g.p.)

22 de Julho de 1930
Argentina – Chile (3-1)
(Stabile, 12’ e 14’ e Mário Evaristo, 51’)
(Subiabre, 15’)

Classificação:

1- Argentina- 9 pontos
2- Chile – 6 pontos
3- França – 3 pontos
4- México – 0 pontos

Grupo 2

14 de Julho de 1930
Jugoslávia – Brasil (2-1)
(Tirnanic, 21’ e Beck, 30’)
(Preguinho, 62’)

17 de Julho de 1930
Jugoslávia – Bolívia (4-0)
(Beck, 60’ e 67’, Marjanovic, 65’ e Vujadinovic, 85’)

20 de Julho de 1930
Brasil – Bolívia (4-0)
(Carvalho Leite, 27’ e 73’; Preguinho, 78’ e 83’)

Classificação:

1- Jugoslávia – 6 pontos
2- Brasil – 3 pontos
3- Bolívia – 0 pontos

Grupo 3

14 de Julho de 1930
Roménia – Peru (3-1)
(Staucin, 1’ e 74’ e Kovacs, 85’)
(Souza, 60’)

18 de Julho de 1930
Uruguai – Peru (1-0)
(Castro, 60’)

21 de Julho de 1930
Uruguai – Roménia (4-0)
(Dorado, 7’, Scarone, 16’, Anselmo, 30’ e Cea, 35’)

Classificação:

1- Uruguai – 6 pontos
2- Roménia – 3 pontos
3- Peru – 0 pontos

Grupo 4

17 de Julho de 1930
Estados Unidos – Bélgica (3-0)
(McGhee, 23’; Florie, 38’ e Patenaude, 68’)

13 de Julho de 1930
Estados Unidos – Paraguai (3-0)
(Patenaude, 10’, 15' e 50’)

20 de Julho de 1930
Paraguai – Bélgica (1-0)
(Peña, 40’)

Classificação:

1- Estados Unidos – 6 pontos
2- Paraguai – 3 pontos
3- Bélgica – 0 pontos

Meias-Finais

26 de Julho de 1930
Argentina – Estados Unidos (6-1)
(Monti, 20’, Scopeli, 61’, Stabile, 69’ e 87’; Peucelle, 80’ e 85’)
(Brown, 89’)

27 de Julho de 1930
Uruguai – Jugoslávia (6-1)
(Cea, 18’, 65 e 81’; Anselmo, 21’ e 39’ e Iriarte, 61’)
(Sekulic, 4’)

FINAL

30 de Julho de 1930
Estádio Centenário, Montevideu
Árbitro: John Langenus (Bélgica)

Uruguai (4): Ballestero, Nazzazi (cap.) e Mascheroni; Andrade, Fernandez e Gestido; Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte. Treinador: Alberto Supicci

Argentina (2): Botasso, Della Torre e Paternoster; Evaristo, Monti e Suarez; Peucelle, Varallo, Stabile, Ferreyra (cap.) e Mário Evaristo. Treinador Franscisco Olazar

Golos: 1-0 por Dorado, 12’; 1-1 por Peucelle, 20’; 1-2 por Stabile, 37’; 2-2 por Cea, 57’; 3-2 por Iriarte, 68’; 4-2 por Castro, 89’.


Onze Ideal do Torneio
Táctica: 2-3-5

1-Thépot (França)
2-Nazzazi (Uruguai)
3-Mascheroni (Uruguai)
4-Torres (Chile)
5-Fausto (Brasil)
6-Juan Evaristo (Argentina)
7-Peucelle (Argentina)
8-Scarone (Uruguai)
9-Stabile (Argentina)
10-Cea (Uruguai)
11-McGhee (Estados Unidos)

Os Campeões do Mundo
4 Jogos: Andrade, Cea, Fernandez, Gestido, Ballestero, Iriarte e Nazzazi.
3 Jogos: Dorado, Mascheroni e Scarone.
2 Jogos: Anselmo e Castro.
1 Jogo: Petrone, Tejera e Urdinaran.

(na foto em cima esté José Leandro Andrade, mais conhecido como a "Maravilha Negra", um dos totalistas da selecção uruguaia no Mundial.)

Não utilizados: Capuccini, Melogno, Piriz, Recoba, Secco e Saldombide.

Os marcadores do Campeão
5 golos: Cea
3 golos: Anselmo
2 golos: Castro, Dorado e Iriarte
1 golo: Scarone

Números da prova

13 países presentes
18 jogos
70 golos
3,89 média de golos por jogo
434 000 espectadores
24 111 média de espectadores por jogo
1 expulsão (Las Casas, jogador do Peru)
2 golos na própria baliza