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segunda-feira, novembro 26, 2012

Futebol nos Jogos Olímpicos (5)... Amesterdão 1928

O torneio de futebol das Olimpiadas de Amesterdão em 1928 não foi mais do que a confirmação daquilo que se visionara quatro anos antes em Paris, por outras palavras, o Uruguai enquanto a seleção mais poderosa do Mundo. Amesterdão 1928 foi pois como a segunda parte de uma das mais belas e poéticas histórias futebolísticas, a história de uma talentosa equipa que mostrou ao globo que o futebol poderia ser jogado de uma maneira artística e atraente, bem diferente do famoso kick and rush inglês interpretado pela esmagadora das seleções e/ou clubes do então planeta da bola.
E para tentar reconquistar o Mundo a seleção uruguaia voltou a reunir grande parte dos artistas que em Paris haviam entrado para a história, entre outros o lendário capitão Jose Nasazzi, Hector Scarone, Pedro Cea, ou a Maravilha Negra José Leandro Andrade, a primeira grande estrela do futebol a nível internacional, consagrada precisamente na capital francesa durante as célebres Olimpíadas de 24.
Poucas eram as equipas que apresentavam qualidade para impedir os magos uruguaios de (re)conquistar o ouro olímpico, sendo as exceções a Itália, que na década de 30 iria suceder precisamente ao Uruguai como a patrona do planeta futebolístico, ou a aguerrida e tecnicamente evoluída Argentina, que fazia a sua estreia naquele que era então considerado o maior evento desportivo do Mundo, e que nos duelos sul americanos vinha dando luta aos lendários uruguaios. A todas as outras seleções sonhar - com pelo menos uma vitória - era a ambição mais... realista.

Portugal faz a estreia na alta roda internacional

E entre os combinados que sonhavam pelo menos sair de Amestrdão com um resultado positivo na bagagem estava Portugal, uma seleção que a par de México e do Chile fazia a sua estreia na alta roda futebolística internacional. Presença nas Olimpíadas holandesas que foi o primeiro grande momento internacional do então jovem futebol português, foi como um prémio para aquela que muitos dos críticos dizem ser a primeira geração dourada da modalidade em terras lusas, na qual pontificavam lendas como Jorge Vieira, Vítor Silva, Augusto Silva, Raul Tamanqueiro, Valdemar Mota, Carlos Alves, ou o genial Pepe (cujo nome de batismo era José Manuel Soares).
Sob o comando do mestre Cândido de Oliveira - o responsável técnico pela equipa portuguesa em Amesterdão - o futebol português vivia uma fase de clara evolução. A seleção nacional deixara de ser aquele grupo de bons rapazes que na primeira metade dos anos 20 entrava para o campo de batalha com o espectro da derrota no horizonte, e dava agora lugar a um conjunto de habilidosos e criativos atletas cuja mentalidade vencedora desafiava, sem medo, fosse qual fosse o adversário. Prova desse atrevimento é que no início desse célebre ano de 1928 a seleção nacional empatou pela primeira vez ante a Espanha, seleção com quem até à data sempre havia perdido, e muitas vezes sido goleada, e já na fase de preparação para os Jogos Olímpicos esmagou a poderosa Itália por 4-1 e empatou com a talentosa Argentina a zero golos, resultados que fizeram crescer entre a nação um sentimento de orgulho e esperança de que finalmente Portugal podia fazer parte da elite do futebol internacional.
E coube precisamente à seleção portuguesa dar o pontapé de saída no quinto torneio olímpico de futebol da história. Facto ocorrido a 27 de maio, no Estádio Olímpico de Amesterdão, o anfiteatro onde decorreu a maior parte da ação da 8ª edição dos Jogos Olímpicos, onde os lusitanos enfrentaram os também estreantes do Chile, num encontro referente à única pré-eliminatória do evento. Os sul americanos cedo chegaram a uma vantagem de dois golos (Saavedra marcou aos 14 minutos e Carbonell ampliou aos 30). O acordar dos portugueses deu-se ainda durante a etapa inicial, quando aos 38 minutos o artista da linha avançada Vítor Silva reduziu para 1-2. Apercebendo-se do perigo que ali estava os chilenos logo trataram de inutilizar o avançado do Benfica, aplicando uma entrada mais dura que o levaria a abandonar o relvado até ao intervalo, e só voltar no reatamento. Com 10 - naquele tempo não eram permitidas as substituições - Portugal agigantou-se, e respondendo ao agressivo e desleal estilo chileno com um futebol tecnicamente refinado, criativo, e determinado, não foi de estrahar que ainda ante do descanso Pepe coloca-se todo o seu génio em campo e fizesse a igualdade. Enchendo o peito de coragem os bravos portugueses partiram com tudo para cima do Chile na etapa final, e logo a abrir a segunda parte Pepe opera a reviravolta no marcador, cabendo a Valdemar Mota a tarefa de carimbar de vez o passaporte luso para a a 1ª eliminatória do torneio. 4-2, o resultado final, e o Mundo ficava a conhecer a alma - guerreira - lusitana. Sobre esta histórica entrada em cena o cronista Fernando T. Pinto escreveu o seguinte texto no seu livro A História do Futebol em Portugal (publicado em 1956): «Em consequência da dureza que empregavam, Vítor Silva recebeu um toque violento no joelho e houve quer ser retirado, em braços, do campo, para só regressar depois do intervalo. Jogando com o coração, concentrando o pensamento na pátria distante, os nossos representantes apoiados por um grupo que se deslocara à Holanda, multiplicaram-se e num estrondoso alarde de valentia, ânimo, coragem e consciência técnica operámos a reviravolta».

Argentinos candidatam-se ao trono

No dia 29 de maio, também no Estádio Olímpico, a Argentina fez a sua estreia oficial no torneio olímpico de futebol, uma entrada onde deixou transparecer ao Mundo que estava ali para subir ao trono que era ocupado pelos vizinhos e velhos inimigos do Rio da Prata, o Uruguai. A apadrinhar a estreia da equipa das pampas estiveram os norte-americanos, um conjunto de bonz rapazes para quem o soccer era um verdadeiro enigma, a julgar pela pesada derrota que sofreram. 11-2, a favor os sul americanos, com destaque para o poker (quatro golos) do avançado Domingo Tarasconi, que no final do certame foi coroado como rei dos goleadores, com um total de 11 remates certeiros.
Antes desta goleada a Bélgica - ex-campeã olímpica - bateu com alguma dificuldade o frágil Luxemburgo por 5-3, ao passo que a Alemanha esmagou a Suíça por 4-0 - com três golos da autoria de Richard Hofmann -, e o experiente - em matéria de Olimpíadas - Egito goleava a Turquia por 7-1.
Quanto à França, bem, viveu mais uma desilusão. Depois das tentativas falhadas em 1908, 1920, e 1924, os franceses voltaram a não conseguir agarrar o sonho olímpico. Talento não lhes faltava, mas mais uma vez ficavam pelo caminho cedo demais. Mas desta feita, e ao contrário das edições de 1908 e 1920, sairam de cabeça erguida, e orgulhosos da sua prestação diante da Itália, uma potência que começava a aparecer nos relvados internacionais. No duelo ante a Squadra Azzura os franceses - que em Amesterdão foram novamente orientados por um inglês, desta feita Peter Farmer - estiveram prestes a espantar o Mundo e mandar para casa mais cedo um dos favoritos a destronar o mágico Uruguai. Juste Brouzes, por duas ocasiões, colocou os gauleses a vencer por 2-0 numa altura em que o relógio marcava apenas 17 minutos de jogo decorrido! Mas do outro lado estavam alguns jogadores que anos mais tarde iriam ascender ao Olimpo dos Deuses da Bola, casos de Angelo Schiavio, ou de Gino Rossetti, que guiariam à azzurra à reviravolta e a permanecer desta forma no trilho do título olímpico. 4-3, resultado apertado, mas justo de uma Itália que confirmou ter armas suficientes para lutar pelo ouro.
Sem grandes problemas a Espanha - que em Amesterdão se viu privada da sua grande estrela, Ricardo Zamora - despachou o México por 7-1, enquanto que Portugal vivia um novo momento histórico na sua primeira presença internacional. Ante a Jugoslávia nova vitória alcançada, desta feita por 2-1, e confirmada em cima da meta, isto é, aos 90 minutos por Augusto Silva, que desta forma ficou eternizado como o Tigre de Amesterdão. Antes disso Vítor Silva havia inaugurado o marcador aos 25 minutos, sendo que aos 40 Bonacic empatou. Sobre este triunfo Fernando T. Pinto escreveu: «Tivemos sorte e jogámos com nobreza e generosidade nos 15 minutos finais, merecendo destaque Augusto Silva, que recebeu nesse jogo o epíteto de tigre de Amesterdão. Foi tão pujante, tão portentosa a exibição do médio-centro lusitano que, no final, os próprios holandeses o passearam em triunfo».
No derradeiro encontro da ronda inicial o Estádio Olímpico engalanou-se para receber a deslumbrante seleção uruguaia. Quase 28 000 espetadores não quiseram perder a oportunidade de ver em ação José Leandro Andrade e companhia, que como primeiro obstáculo tiveram a turma da casa, a Holanda. E não foi uma barreira fácil de ultrapassar, diga-se em abono da verdade. Pese embora a sua superioridade nunca tivesse sido colocada em causa o Uruguai venceu somente por 2-0 a equipa orientada pelo inglês Robert Glendenning, sendo que o golo da tranquilidade chegou apenas aos 86 minutos, por intermédio de Santos Urdinaran (Scarone havia feito o 1-0 aos 20 minutos).

Squadra Azzurra esmaga Espanha à segunda tentativa

Assumia contornos de "prato principal" dos quartos de final do torneio olímpico de 28. Espanha e Itália, duas seleções com vitórias distintas na 1ª eliminatória protagonizaram um embate empolgante na tarde de 1 de junho. Nos italianos uma surpresa no "onze". Giampiero Combi, guarda redes da Juventus, fazia a sua estreia em competições internacionais, ele que seis anos depois haveria de erguer - na qualidade de capitão de equipa - a primeira taça de campeão do Mundo conquistada pela Squadra Azzurra. Aos 11 minutos o experiente defesa Domingo Zaldua colocou os espanhóis em vantagem no marcador, vantagem essa assegurada até meio da etapa final, altura (63 minutos) em que Baloncieri repós a igualdade e obrigou a que este duelo fosse repetido três dias depois.
A caminhada triunfal da Argentina continuou no dia seguinte (2 de junho) com uma nova goleada, desta feita imposta à Bélgica, por 6-3, com a particularidade de Tarasconi ter feito novamente quatro golos.
E no dia 3 o Uruguai espalhou magia pelo relvado do Olímpico de Amesterdão, que mais uma vez registava uma boa casa (25 000 pessoas) para ver os magos sul americanos em ação. Com uma exibição repleta de glamour o combinado celeste vulgarizou os alemães, que mais não conseguiram fazer do que evitar uma não muito pesada derrota por 1-4, e desta forma gabar-se de dizer que foram afastados da competição pela melhor equipa do Mundo, ou melhor, por um conjunto de jogadores do... outro Mundo!
E o sonho português conhecia um novo capítulo no dia 4 de junho. Novo e derradeiro capítulo, já que os faraós do Egito colocaram um ponto final na aventura dos pupilos de Cândido de Oliveira na sequência de um triunfo por 2-1. Até aos 75 minutos desse encontro os norte africanos estiveram a vencer por 2-0, altura em que Vítor Silva reacendeu a chama da esperança ao reduzir para 1-2. Os portugueses lutaram com alma até final pela hipótese de conquistar uma medalha, mas podem queixar-se sobretudo da sua falta de inspiração no aspeto da finalização para justificar o afastamento perante o teoricamente acessível Egito. Muitas oportunidades de golo foram desperdiçadas pelo conjunto luso, que no final se queixou... do árbitro italiano Giovanni Mauro. Eliminados, os jogadores lusos regressaram dias depois a solo lusitano - depois de 40 horas de comboio! - onde seriam recebidos como... heróis. E heróis ficaram para a eternidade.
E se o primeiro Itália - Espanha havia sido pautado pelo equilíbrio o jogo de desempate foi tudo menos equilibrado. Uma exibição de gala dos italianos, em contraposto com uma atuação paupérrima da Espanha, foi concluída com uma robusta vitória por 7-1 (!) dos transalpinos.

Celeste Olímpica vence final antecipada

Era grande a espetativa dos holandeses - e do resto do Mundo - em saber quem iria enfrentar a Argentina na final dos Jogos Olímpicos de 28. Argentinos que na primeira semi final haviam aplicado de novo a chapa seis, desta feita ao Egito (6-0), com três golos de Tarasconi.
Estranhamente apenas 15 000 espetadores marcaram presença no Estádio Olímpico para assistir ao embate que iria decidir o segundo finalista, a Itália ou o Uruguai. Duas grandes equipas em ação, e grande foi, com naturalidade, o duelo protagonizado por ambas. Baloncieri inaugurou o marcador para a azzurra logo aos nove minutos, mas comandada de forma magistral desde o setor recuado do terreno pela Maravilha Negra Andrade a Celeste Olímpica - assim ficou eternizada a seleção uruguaia após as Olimpíadas de 24 e 28 - chegaria ao empate aos 17 minutos por intermédio de Cea. Campolo, aos 28 minutos, e Scarone, aos 31, ampliaram a vantagem dos sul americanos pra 3-1, resultado com que se atingiu o descanso.
Na segunda etapa a Itália deu luta, e aos 60 minutos Levratto encurtou distâncias no marcador, mas até final de nada valeram os esforços dos europeus, já que quando o árbitro holandês Eijmers apitou pela última vez o marcador indicava um 3-2 a favor os lendários uruguaios.

Final em dois atos

E eis que chegávamos a 10 de junho, o dia mais esperado do torneio olímpico, o dia da grande final. E o cartaz era convidativo, frente a frente dois pesos pesados do futebol... sul americano. Os seus duelos - oficiais - remontavam a 1916, ano em que começou a ser disputado o Campeonato Sul-Americano - mais tarde rebatizado de Copa América -, e cujo domínio era repartido pelos dois velhos inimigos. Encontravam-se agora num patamar mais alto que não o da luta pelo trono de rei das américas. O que agora estava em jogo era o título de campeão do... Mundo.
Um dia antes da final a Itália tinha conquistado a medalha de bronze depois de esmagar o Egito por 11-3!
Pouco mais de 28 000 entusiastas encheram as bancadas do Olímpico de Amesterdão para ver quem sucederia ao Uruguai como dono do planeta. E aquilo a que assistiram foi uma épica jornada futebolística, protagonizada por duas equipas que se conheciam muito bem, e cujo futebol apresentava contornos mágicos, em especial o dos uruguaios. Pedro Petrone (melhor marcador do torneio de 1924) fez 1-0 para os uruguaios aos 23 minutos, enquanto que o empate seria restabelecido aos 50 por Manuel Ferreira. Para desilusão dos muitos entusiastas que presenciaram aquele histórico duelo 1-1 seria o resultado final, e como tal ditavam as leias que teria de haver um novo encontro três dias depois.
No dia 13 as bancadas do anfiteatro holandês apresentaram-se novamente cheias para ver o segundo ato desta inolvidável peça futebolística. E mais uma vez sob o signo do equilibrio ambos os conjuntos não defraudaram os espetadores. Num magnífico espetáculo Figueroa fez 1-0 aos 17, e Monti empataria aos 28. Estava escrito que só um golpe de génio, um ato de magia, poderia desempatar este encontro, e seria isso mesmo o que viria a acontecer aos 73 minutos, altura em que a lenda Hector Scarone bate o guardião Angel Bossio pela segunda vez e revalida desta forma o título de campeão olímpico para o Uruguai.
Após este torneio o futebol nos Jogos Olímpicos como que morreu! O sucesso das primeiras edições olímpicas fez com a FIFA - mais concretamente o seu presidente Jules Rimet - idealiza-se uma grande competição internacional, que reunisse as melhores equipas do Mundo à sua volta, uma competição independente do Comité Olímpico Internacional que teimava em não permitir que jogadores profissionais participassem nos Jogos. Assim, em 1930 surgia o primeiro Campeonato do Mundo de futebol, certame organizado pela FIFA, que com o passar dos anos haveria de ultrapassar os Jogos Olímpicos em termos de popularidade e mediatismo. E como espécie de presente pelas inolvidáveis campanhas levadas a cabo em 1924 e 1928 a FIFA atribuiu a organização do primeiro Mundial da história precisamente ao Uruguai, país que sem qualquer surpresa haveria de se tornar no primeiro campeão do Mundo... oficial.

A figura: José Leandro Andrade

Mais uma vez o Uruguai foi guiado até à glória desde a sua defesa, pelo homem qué é ainda hoje considerado como a primeira grande estrela do futebol internacional: José Leandro Andrade.
Ágil, elegante, e combativa a Maravilha Negra foi o centro das atenções durante a estadia dos uruguaios em Amesterdão, foi o responsável pelo elevado número de público que se deslocava ao Estádio Olímpico sempre que o Uruguai entrava em ação, adeptos esses que procuravam assim ver de perto o primeiro ícone do futebol internacional.
Se em Paris Andrade foi decisivo para a conquista do título, em Amesterdão o seu papel foi fundamental, servindo de bandeja de ouro os seus companheiros mais adiantados no terreno no ataque às redes adversárias.
(Nota: Sobre a biografia de Andrade o Museu Virtual de Futebol já traçou inúmeras linhas ao longo da sua história, tanto na vitrina dedicada às grandes lendas, como na visita efetuada às Olimpíadas de 1924, onde a Maravilha Negra foi considerada a grande figura, tal como em Amesterdão)

Resultados

Pré-eliminatória

27 de maio de 1928
Portugal - Chile: 4-2
(Pepe, aos 40m, 50m, Vítor Silva, aos 38m, Valdemar Mota, aos 63m)
(Saavedra, aos 14m, Carbonell, aos 30m)

1ª Eliminatória

Luxemburgo - Bélgica: 3-5
(Schutz, aos 31m, Weisgerber, aos 42m, Theissen, aos 44m)
(Braine, aos 9m, aos 72m, Moeschal, aos 23m, aos 67m, Versyp, aos 20m)

28 de maio de 1928

Suíça - Alemanha: 0-4
(Hofmann, aos 17m, aos 75m, aos 85m, Hornauer, aos 42m)

Turquia - Egito: 1-7
(Refet, aos 71m)
(Moukhtar, aos 46m, aos 50m, aos 63m, El Hassany, aos 20m, Riad, aos 27m, Hooda, aos 53m, Zobeir, aos 86m)

29 de maio de 1928


França - Itália: 3-4
(Brouzes, aos 15m, aos 17m, Dauphin, aos 61m)
(Rossetti, aos 19m, Levratto, aso 39m, Banchero, aos 43m, Baloncieri, aos 60m)

Jugoslávia - Portugal: 1-2
(Bonacic, aos 40m)
(Vitor Silva, aos 25m, Augusto Silva, aos 90m)

Argentina - Estados Unidos da América: 11-2
(Tarasconi, aos 24m, aos 63m, aos 66m, aos 89m, Manuel Ferreira, aos 9m, aos 29m, Cerro, aos 47m, aos 49m, aos 57m, Orsi, aos 41m, aos 73m)
(Kuntner, aos 55m, Carroll, aos 75m)

30 de maio de 1928

Espanha - México: 7-1
(Regueiro, aos 13m, aos 27m, Yermo, aos 43m, aos 63m, aos 85m, Marculeta, aos 66m, Marsical, aos 70m)
(Carreno, aos 76m)

Holanda - Uruguai: 0-2
(Scarone, aos 20m, Urdinaran, aos 86m)

Vídeo: HOLANDA - URUGUAI


Quartos de final

1 de junho de 1928

Itália - Espanha: 1-1
(Baloncieri, aos 63m)
(Zaldua, aos 11m)

2 de junho de 1928

Argentina - Bélgica: 6-3
(Tarasconi, aos 1m, aos 10m, aos 75m, aos 89m, Manuel ferreira, aos 4m, Orsi, aos 81m)
(Braine, aos 24m, Van Halme, aos 28m, Moeschal, aos 53m)

3 de junho de 1928

Alemanha - Uruguai: 1-4
(Hofmann, aos 81m)
(Petrone, aos 35m, aos 39m, aos 84m, Scarone, aos 63m)

Vídeo: ALEMANHA - URUGUAI
 
4 de junho de 1928

Portugal - Egito: 1-2
(Vítor Silva, aos 76m)
(Moukhtar, aos 15m, Riad, aos 48m)

Itália - Espanha: 7-1 (desempate)
(Levratto, aos 76m, aos 77m, Magnozzi, aos 14m, Schiavio, aos 15m, Baloncieri, aos 18m, Bernardini, aos 40m, Rivolta, aos 72m)
(Yermo, aos 47m)

Meias finais

6 de junho de 1928

Argentina - Egito: 6-0
(Tarasconi, aos 37m, aos 54m, aos 61m, Manuel Ferreira, aos 32m, aos 82m, Cerro, aos 10m)

7 de junho de 1928

Itália - Uruguai: 2-3
(Baloncieri, aos 9m, Levratto, aos 60m)
(Cea, aos 17m, campolo, aos 28m, Scarone, aos 31m)

Jogo de atribuição da medalha de bronze

9 de junho de 1928
Itália - Egito: 11-3
(Schiavio, aos 6m, aos 42m, Banchero, aos 19m, aos 39m, aos 44m, Magnozzi, aos 72m, aos 80m, aos 88m, Baloncieri, aos 14m, aos 52m)
(Riad, aos 12m, aos 16m, El Ezam, aos 60m)

Final

10 de junho de 1928

Uruguai - Argentina: 1-1
(Petrone, aos 23m)
(Manuel Ferreira, aos 50m)

Finalissima

13 de junho de 1928

Uruguai - Argentina: 2-1

Estádio: Olímpico de Amesterdão

Árbitro: Mutters (Holanda)

Uruguai: Mazali, Nasazzi, Arispe, Jose Leandro Andrade, Piriz, Gestido, Arremon, Scarone, Borjas, Cea, e Figueroa. Treinador: Primo Gianotti

Argentina. Bossio, Bidoglio, Paternoster, Medici, Monti, Evaristo, Carricaberry, Tarasconi, Ferreira, Perducca, e Orsi. Treinador: José Lago

Golos: 1-0 (Figueroa, aos 17m), 1-1 (Monti, aos 28m), 2-1 (Scarone, aos 73m)

Vídeo: URUGUAI - ARGENTINA
 
Legenda das fotografias:
1-Cartaz oficial dos Jogos Olímpicos de 1928
2-A seleção de Portugal, que fez a esteria em provas de âmbito internacional
3-Os mágicos uruguaios entram em campo, com o capitão Nazassi na frente
4-Momento do encontro entre Uruguai e Alemanha
5-Um lance do Egito - Portugal
6-A empolgante meia final entre a Celeste Olímpica e a Squadra Azzurra
7-Lance do empolgante duelo final
8-Os dois capitães de equipa e o trio de arbitragem antes da grande final
9-A Maravilha Negra
10-Portugueses e chilenos

11-A seleção da Alemanha
12-A forte Itália...
13-... que humilhou a Espanha nos quartos de final
14-A temível Argentina
15-Lance entre italianos e espanhóis
16-Panorámica do estádio olímpico durante o massacre italiano ao Egito
17-E os bi-campeões olímpicos, o Uruguai

quarta-feira, outubro 13, 2010

Grandes Clássicos da Bola (7)... Espanha - Itália

Os célebres duelos travados ao longo de décadas fazem com que hoje sejam encarados como verdadeiros clássicos. Daqueles jogos emblemáticos que enfeitam qualquer Campeonato do Mundo ou da Europa. A partir de hoje vamos então desfiar um pouco do novelo dos grandes clássicos que tiveram lugar nas duas maiores competições de futebol do planeta, começando esta nossa viagem no tempo pela sempre escaldante batalha entre Espanha e Itália.
Dois países que já se defrontaram nos relvados por mais em mais de uma vintena de ocasiões, contudo em jogos a doer, isto é, em palcos de fases finais de Mundiais e Europeus somente por cinco vezes o fizeram.

1934
A primeira delas foi talvez a mais épica, traduzida numa dura batalha lavrada em dois actos levados à cena em Florença, em 1934. Foi o ano em que a Itália organizou a segunda edição do Mundial da FIFA, um campeonato manchado pelo fascismo de Benito Mussolini. Para muitos este foi o Mundial da vergonha, da falta de verdade desportiva em grande parte dos jogos, em especial os da equipa da casa, a qual seria à vista de todos levada ao colo até ao título. Em 1934 o fascismo venceu... e não o futebol como teria razão de ser. Exemplos puros da falta de ética desportiva foram os confrontos entre espanhóis e italianos nos quartos-de-final da prova.
Em 31 de Maio desse longínquo ano subiram ao relvado do Estádio de Florença alguns homens que mais tarde haveriam de se tornar mitos do belo jogo, casos de Meazza, Schiavio, Combi, ou Zamora. Debaixo de um calor tórrido 38.000 almas assistiram a uma luta diabólica de 120 minutos entre duas das maiores potências futebolísticas da altura. Duas horas de futebol de um tremendo desgaste físico que em diversas ocasiões atingiu o limite das forças humanas. E assim o foi não só pela entrega apaixonada com que os atletas de ambas as selecções tiveram ao longo do jogo mas sobretudo pela violência extrema que nele vigorou. Em particular por parte dos italianos para quem tudo valia para travar os seus rivais, desde entradas violentíssimas, pontapés, ou socos. Tudo nas barbas do complacente árbitro belga Baert que fazia vista grossa aos bárbaros ataques dos italianos aos espanhóis. Apesar do massacre de que estava a ser alvo a Espanha inaugurou o marcador, por intermédio de Regueiro, aos 31 minutos. Ferrari igualaria aos 45 minutos, num lance irregular, já que o mítico guardião Zamora foi agarrado por um jogador da casa e desta forma impedido de disputar o lance. Roubo, gritaram os espanhóis, um grito de revolta que de nada valeria, pois Baert mais uma vez faria vista grossa e permitia à Itália ter uma nova oportunidade no dia seguinte de passar às meias-finais. Sim, porque no final dos 120 minutos o resultado teimosamente permanecia numa injusta – para “nuestros hermanos, não só pela superioridade patenteada como também pela actuação tendenciosa do juíz da partida – igualdade a um golo.
Como na época as grandes penalidades ainda não vigoravam como sistema de desempate marcou-se novo duelo para o dia seguinte. A violência da véspera tinha deixado profundas marcas nos dois combinados, em especial para o lado da Espanha que viu sete (!) dos seus craques impedidos – por lesão – de dar novo contributo à equipa, entre outros o “divino” Zamora. Mesmo assim as suas reservas voltaram a resistir heroicamente não só a mais uma sessão de pugilato por parte dos italianos como igualmente a uma actuação tendenciosa do árbitro. Neste último ponto há a sublinhar que se Baert prejudicou seriamente a Espanha o suíço Rene Mercet fê-lo a triplicar na partida de desempate. Mercet deu à Itália o passaporte para a fase seguinte, ignorando a violência de italianos, em especial de Monti que enviou o extremo da “roja” Bosh mais cedo para os balneários na sequência de uma monumental agressão a pontapé, e na anulação de dois golos limpos da selecção espanhola. Giuseppe Meazza como não quer a coisa apontou o único golo desta partida (aos 12 minutos) e a Itália seguia de forma rídicula para a meia-final. Aquando do seu regresso à Suíça Mercet foi irradeado pela federação de futebol deste país. Outra coisa não seria de esperar de um país que sempre se definiu em tudo como... neutral.
Vídeo: ITÁLIA - ESPANHA (1934) 

1980
Seria preciso esperar 46 anos para ver novamente Espanha e Itália esgrimirem argumentos em campo numa partida de uma fase final de uma grande competição. Tal facto ocorreu em 1980, e mais uma vez em solo transalpino, desta feita em Milão, num encontro da 1ª fase do Campeonato da Europa. Bem mais calmas do que em 34 as duas equipas empataram a zero no jogo de estreia do grupo B da fase final do Euro. Competição onde seriam os italianos a cavalgar mais além, já que chegariam às meias-finais, ao passo que a Espanha ficaria pela 1ª fase. Um Europeu onde a República Federal da Alemanha faria a festa final com a conquista do seu segundo ceptro continental.

Vídeo: ITÁLIA - ESPANHA (1980)

1988
E foi de novo numa fase final de um Europeu que os dois velhos inimigos se voltariam a cruzar, desta feita na Alemanha, mais concretamente em Frankfurt no dia 14 de Junho de 1988. Ambos lutavam por um lugar nas meias-finais do Euro 88, vindo os dois combinados de bons resultados na 1ª jornada do grupo A da citada competição. A Espanha havia saído de uma vitória sobre a Dinamarca (3-2) ao passo que a “squadra azzurra” havia empatado com a poderosa equipa da casa a uma bola. Poderosa era também a Itália daquela altura, que se apresentava no Euro com um misto de experiência (Bergomi, Baresi, e Altobelli) e juventude (Maldini, Vialli, e Mancini). Uma senhora selecção. Na Espanha começava a despontar a “Quinta del Buitre” formada por notáveis jogadores como Butragueño, Michel, Zubizarreta, Bakero ou Julio Salinas. Num encontro equilibrado Gianluca Vialli... desequilibrou. Estavam decorridos 73 minutos quando o então avançado da Sampdória fez o único golo do jogo e deu os dois pontos à sua selecção. Esta derrota seria fatal para a Espanha, equipa que no derradeiro jogo do grupo perdeu com a Alemanha e ficou arredada da fase seguinte. A Itália essa ficaria-se pelas meias-finais caindo aos pés de uma forte União Soviética. A Holanda de Van Basten e Gullit venceria a competição.
Vídeo: ITÁLIA - ESPANHA (1988)

1994
Após dois confrontos pacíficos, de certa forma, o sangue voltou a ser derramado num Espanha – Itália. Cenário traçado em Boston, nos Estados Unidos da América, durante o Mundial de 1994. Curiosamente, e tal como em 1934, este seria um duelo alusivo aos quartos-de-final do certame, e à semelhança do ocorrido nos anos 30 este seria igualmente um jogo marcado pelos nervos à flor da pele. Os agressores? Uma vez mais os transalpinos, ou melhor, o transalpino Mauro Tassotti. A cena fatal acontece já muito perto do fim do clássico, e numa altura em que a Espanha procurava com intensidade o empate a dois. A “fúria” (espanhola) beneficia de um pontapé de canto, e quando a bola pingava na área Tassotti dá uma cotovelda no rosto de Luis Enrique. Grande penalidade e consequente expulsão que o húngaro Sandor Puhl deixou passar em branco para espanto de todos os presentes no Estádio Foxboro naquela tarde de 9 de Julho. O agressor parece não entender – ou fingir não saber – o que se passa aquando da paragem do encontro, enquanto a vítima chora de raiva enquanto o sangue jorra pelo seu nariz. A Itália mais uma vez leva a melhor no que concerne a resultado final: 2-1, com golos dos Baggio (sem qualquer grau de parentesco entre si)... o Dino (aos 25 minutos) e o Roberto (aos 87), este último a grande estrela da “Azzurra” da época. Caminero marcara pelo caminho para a Espanha, quando o relógio registava 58 minutos.
O gozo – de mais uma vitória obtida – dos italianos sobre os velhos rivais terminaria dias mais tarde, altura em que sairam derrotados pelo Brasil na grande final do “USA 94”. Tassotti também não teve razões para voltar a sorrir, já que a agressão a Luis Enrique valeu-lhe a posterior suspensão de seis jogos.

Vídeo: ITÁLIA - ESPANHA (1994)

2008
Já diz o ditado que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, e à quinta foi de vez. A Espanha vencia a Itália pela primeira numa fase final de uma grande competição. Feito ocorrido há pouco mais de dois anos durante o Europeu organizado em conjunto pela Suíça e pela Áustria. E mais uma vez... nos quartos-de-final. Este jogo é encarado como a transição de poderes de um país para o outro. Por outras palavras, a Itália, campeã do Mundo em título (alcançado dois anos antes na Alemanha) apresenta-se neste Euro cansada e com um combinado muito perto da sua reforma, em contraste com uma jovem e excitante Espanha que dali para a frente iria dominar o planeta. O local da passagem de testemunho? O mítico Ernst Happel (também mundialmente conhecido como Estádio do Prater), em Viena. 22 de Junho foi a data da célebre cimeira latina.
Desde o apito inicial que os transalpinos esperavam um erro espanhol para chegar ao golo, enquanto a “armada espanhola” comandada pelo experiente técnico Luis Aragonés desenhava o seu jogo com passes curtos no seu meio-campo para ir ganhando metros até à baliza defendida pelo mago Buffon. Muito a custo a defesa “azzurra” foi sempre aguentando as investidas espanholas e só na segunda parte se assistiu a um verdadeiro lance de perigo da Itália junto da baliza contrária, o qual seria prontamente anulado pelo (já) lendário Casillas. A genial dupla de avançados da Espanha (Torres e Villa) estava presa à teia defensiva armada pelo treinador Donadoni pelo que o prolongamento chegou sem surpresa. Ai, ambos os conjuntos quiseram marcar, contudo a ansiedade aliada ao desgaste físico acabariam por aniquiliar os objectivos comuns. Seguiram-se as terríveis grandes penalidades para desempatar tudo. A lotaria saiu então à Espanha, que muito ficou a dever à inspiração do seu guardião Iker Casillas, o qual parou dois remates transalpinos. 4-2 no final, um resultado que ainda bafejado pela sorte dos penaltis consolidou de vez a “armada espanhola” de Fernando “El niño” Torres, David Villa, Casillas, David Silva, Puyol, Xavi, e Fabregas como a nova potência do futebol. A prova dos nove seria tirada alguns dias depois, também no Ernst Happel, onde um tento solitário de Torres (ante a Alemanha) deu o segundo título europeu a “nuestros hermanos”.
  
Vídeo: ITÁLIA - ESPANHA (2008)

2012
Tal como em 1934 o duelo entre italianos e espanhóis teve "dose dupla", ou seja, as duas equipas encontraram-se por duas ocasiões na mesma competição. Facto ocorrido no Euro 2012, disputado pela primeira vez no leste europeu, mais precisamente na Ucrânia e na Polónia. Espanha que partia para este Campeonato da Europa como a principal candidata à (re)conquista do título, não apenas porque era a detentora dos ceptros Europeu e Mundial, mas essencialmente porque continuava a ser a mais poderosa seleção do planeta. No entanto, a "máquina espanhola" seria travada no dia 10 de junho, em Gdansk (Polónia), quando no jogo inaugural do Grupo C do Euro 2012 a Itália ao realizar uma magnífica exibição
arrancou um empate a um golo, deixando no ar a ideia de que afinal o futebol da "roja" não era invencível. Di Natale, veterano goleador da Udinese, saltou do banco no início da 2ª parte para aos 60m colocar a armada espanhola em sentido, apontando o primeiro golo do encontro. A alegria transalpina durou apenas 4 minutos, já que o genial Cesc Fàbregas restabeleceria o empate na sequência de um passe magistral do não menos genial David Silva. As duas equipas voltariam a encontrar-se quase 3 semanas depois... na final desse Europeu. Kiev e o seu estádio olímpico acolheriam a grande final da competição, um duelo que pelo o que as duas equipas vinham fazendo se antevia equilibrado, mas tal previsão não viria a ser traduzida para a realidade. Exibindo o seu magistral futebol, o célebre "Tiki-taka", a Espanha arrasou por completo a Itália, ao construir uma pesada goleada de 4-0 (!) - a maior goleada numa final de um Campeonato da Europa - e renovar desta forma o título de "rainha da Europa". David Silva, Jordi Alba, Fernando Torres, e Juan Mata foram os autores dos golos da "roja" orientada por Vicente del Bosque. Ao revalidar o ceptro europeu os espanhóis faziam desde logo história no planeta da bola, pois tornavam-se na primeira seleção a ganhar 3 grandes competições planetárias consecutivas: Euro 2008, Mundial 2010, e Euro 2012. Para muitos a Espanha era de longe a melhor equipa da história do belo jogo (!), e jogadores como Casillas, Xavi, Xavi Alonzo, Iniesta, Sergio Ramos, Fàbregas, ou Torres, ascendiam definitivamente ao Olimpo dos Deuses do Futebol. (*)
(*) Texto escrito em julho de 2012
 Vídeo: ITÁLIA - ESPANHA (2012)

Legenda das fotografias:
1- Duas lendas das balizas: Combi e Zamora. Os capitães de Itália e Espanha, respectivamente, apertam as mãos de forma amistosa antes do primeiro duelo da história entre ambas as selecções. O pior estava para acontecer nas horas que se seguiram no relvado de Florença.
2- O golo irregular da Itália no primeiro jogo com a Espanha em 1934. Ferrari marca mas Zamora é agarrado e impedido de disputar o lance.
3- A Itália sempre produziu grandes guarda-redes ao longo da sua história, nesta foto aparece Dino Zoff, o capitão e comandante da Azzurra no Euro 80
4- Novo duelo entre os velhos rivais, desta feita em Frankfurt, durante o Euro 88
5- Polémico seria também o jogo de 1994, a contar para o Mundial. Aqui o italiano Maldini luta pela posse do esférico com o espanhol Goikotxea.
6- A começo do reinado da Espanha no trono do futebol mundial é bem capaz de ter começado neste jogo do Euro 2008 contra a Itália.
7-Imagem da final do Euro 2012, onde a Espanha esmagou por completo a Itália

quinta-feira, setembro 09, 2010

Grandes lendas do futebol mundial (8)... Combi - O muro intransponível da Squadra Azzura

Pronunciar o seu nome remete-nos para a magia da era do futebol romântico da primeira metade do século passado. Recorda-lo é também sinónimo de veneração a um dos maiores futebolistas da história centenária do jogo da bola. Senhoras e senhores visitantes a lenda em destaque hoje no MVF é Giampiero Combi, o primeiro grande astro das balizas do futebol italiano.
Nascido em Turim a 20 de Novembro de 1902 Combi desenvolveu toda a sua carreira ao serviça da Juventus, clube por onde percorreu todos os escalões de formação até chegar à formação sénior em 1922. Aí chegado nunca mais largou a baliza da “Velha Senhora” até à data da sua retirada, tendo-se tornado num dos futebolistas de referência do gigante emblema italiano. Durante as 12 temporadas em que defendeu com brilho as cores da Juve venceu 5 “scudettos”, sendo que o primeiro deles surgiu na época de 1925/26. Os restantes quatro títulos nacionais seriam alcançados na sequência de um “poker” efectuado pela Juve entre 1930 e 1934.
Apesar de não ser um guarda-redes muito alto – media 1,71m – Combi primava por uma robustez física impressionante que aliada à sua garra e determinação em jogar futebol, por vezes nas condições mais adversas, fizeram dele um dos atletas mais venerados pelos “tiffosi” daquela altura. Recorde-se neste aspecto uma partida contra o Modena onde actuou com três costelas partidas e um outro encontro ante a Cremonese onde jogou com várias vértebras danificadas.
Possuindo na época um dos conjuntos mais fortes do Calcio não era de estranhar que a Juventus fosse um dos principais fornecedores de jogadores às selecções italianas dos anos 30. Uma década de extrema glória para os “azzurri” que como se sabe arrecadariam dois títulos mundias (1934 e 1938). E no primeiro deles Combi assumiu-se como um dos actores principais da épica conquista italiana. A jogar em casa a “squadra azzurra” do lendário treinador Pozzo foi capitaniada e comanda desde a baliza, o mesmo é dizer por Giampiero Combi que nos céus de Roma teve a honra de erguer a primeira Taça do Mundo arrecadada pela Itália. Nesse Mundial foi titular indiscutível de uma equipa que tinha astros como Meazza, Monti, Orsi, ou Schiavio e que começou a sua cavalgada triunfal por uma goleada sobre os Estados Unidos da América por 7-1. Seguiu-se a épica partida ante outra potência mundial daquela época, a Espanha, selecção que tinha na baliza a sua principal estrela, Ricardo Zamora. Dizer a propósito deste facto que Combi viveu numa era onde abundavam grandes magos da baliza, sendo que para além dele e de Don Zamora há ainda que sublinhar o nome do “monstro” checoslovaco Planicka. Voltando ao Mundial de 34 e ao célebre e polémico Itália – Espanha dos quartos-de final para recordar que Combi foi um dos grandes heróis desse duelo ocorrido em Florença, que seria decidido após um segundo e decisivo jogo. Isto porque no primeiro confronto o resultado cifraria-se num renhido 1-1, renhido e injusto para os espanhóis, pois segundo rezam as crónicas da altura a Espanha foi “assaltada” pelo árbitro do encontro que tudo fez para que a aventura da equipa italiana não terminasse naquela tarde. No segundo encontro a Espanha orfã dos seus principais futebolistas, vítimas das duras entradas italianas no primeiro jogo, vendeu cara a derrota por 0-1, muito valendo novamente a magnífica exibição de Combi.
Nas meias-finais a Itália teve novamente que sofrer a bom sofrer para levar de vencida a “equipa-maravilha” da Áustria liderada pelo astro Sindelar. 1-0 em Milão foi suficiente para os pupilos de Pozzo garantirem o bilhete para Roma onde iriam jogar a grande final desse Mundial tendo Combi mais uma vez dado uma forte contribuição para que esta passagem fosse uma realidade já que efectuou um par de defesas miraculosas já bem perto do final do jogo.
E como não há duas sem três a Itália teve novamente de puxar dos seus galões para vencer a poderosa Checoslováquia por 2-1 na final e desta forma inscrever pela primeira vez o seu nome na restrista galeria dos vencedores do Mundial de futebol e Combi o primeiro transalpino a ter o privilégio de pegar na Taça Jules Rimet.
Pela “squadra azzurra” actuou por 47 ocasiões, tendo-se estreado em 1924 num jogo ante a Hungria, em Budapeste. Para além do título Mundial conquistaria ainda pela equipa nacional a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1928 (Amesterdão).
Abandonou a carreira de futebolista aos 32 anos com um total de 367 jogos no currículo disputados com as cores da sua Juventus. Penduradas as chuteiras Combi continuou ao serviço da Juve por vários anos quer como olheiro quer como colaborador técnico. Morreu em 1956 devido a um enfarte, numa altura em que colaborava com o recém eleito presidente da Juve Umberto Agnelii que procurava recolocar a “Velha Senhora” no caminho do sucesso depois de uma fase menos boa do nobre emblema transalpino.

Legenda das fotografias:
1- Giampiero Combi vestido com as cores da Squadra Azzurra
2- Duas lendas das balizas na final do Mundial de 1934: Combi e Planicka

sábado, maio 12, 2007

Histórias dos Campeonatos do Mundo (2)... Itália 1934

Entrem senhores visitantes, entrem que a entrada é de borla. E hoje vale bem a pena darem uma saltada ao Museu Virtual do Futebol, pois vamos dar uma olhadela a um dos lugares mais deliciosos da história do mundo da bola, a vitrina dedicada aos Campeonatos do Mundo. Pois é, estamos de volta a esta vitrina sagrada, depois de a termos inaugurado com o retrato do Uruguai 1930, o primeiro Mundial da história.
Hoje viajamos até Itália, até ao ano de 1934, onde iremos recordar a história do segundo Mundial da FIFA.

O Mundial da propaganda fascista

O extraordinário êxito alcançado no Uruguai 1930 abriu caminho para que quatro anos passados o número de inscrições duplicasse, passando de 16 para 32. O sucesso da Copa do Mundo estava assim comprovado. No congresso da FIFA de 1932, realizado em Estocolmo, a Itália foi escolhida para organizar o evento, dando desde logo a garantia de assegurar todo o esquema financeiro, aliando a isto o facto de dispor de 8 estádios com capacidades para uma média de 50/60 mil pessoas.
Perante estes argumentos o outro candidato a organizar o Mundial, a Suécia, desistiu de imediato. No entanto, a escolha da Itália para organizar a prova ficou também a dever-se a factores de ordem política. A política que na época já havia ditado leis noutros eventos desportivos importantes, tais como os Jogos Olímpicos. O desporto era por isso um excelente veículo de propaganda para os políticos da altura. E no Mundial de 34 a política representava um papel ainda mais importante. Com o ditador Benito Mussolini no poder, o fascismo ditava leis em Itália. O “Dulce”, como Mussolini era conhecido, sabia o quanto uma vitória nos domínios do desporto poderia constituir para uma auréola suplementar de prestígio do regime. O General Vaccaro, que era o presidente da Federação Italiana de Futebol da época, sublinhou que «o fim último deste Mundial é mostrar ao Mundo qual é o ideal fascista do desporto!» Foi então montada uma diabólica “máquina” para colocar o futebol ao serviço do fascismo.
Foi sem dúvida alguma o campeonato da propaganda de Mussolini. O Mundial do fascismo. Tudo valia para promover o fascismo, e não foi de estranhar que o “Dulce” mandasse construir um novo trofeu, denominado Coppa del Dulce (só podia ser assim!) para premiar os vencedores, numa tentativa clara de ofuscar a Taça Jules Rimet.

A vingança do Uruguai

A recusa das principais potências futebolísticas europeias em viajar até ao Uruguai quatro anos antes para ai disputar o primeiro Mundial da FIFA teve as suas repercussões em 1934. Isto, porque os campeões em título, o Uruguai, decidiu pagar na mesma moeda, isto é recusou-se a defender o ceptro. Esta seria, aliás, a primeira e única vez que um campeão do Mundo não defendeu o título no Mundial seguinte.
Paraguai, Chile, Bolívia e Perú também seguiram as pisadas dos vizinhos celestes. Assim, a representação da América do Sul ficou entregue ao Brasil e à Argentina que se qualificaram automaticamente para a fase final. Contudo, estas duas delegações não se fariam representar em Itália pelos seus principais craques de então, já que os seus grupos foram constituídos maioritariamente por amadores que acabariam por fazer a longa travessia do Atlântico para realizar somente um jogo. Ambos fizeram campanhas paupérrimas, em particular estes últimos, que quatro anos antes haviam chegado à final do Mundial 1930. E assim foi porque os seus melhores jogadores de então transferiram-se para a selecção de... Itália. É verdade. E aqui notou-se, uma vez mais, a mão do ditador Mussolini, que queria que a sua Itália vencesse a qualquer preço. Para isso alterou as leis do desporto, permitindo que todos os futebolistas de ascendência italiana, por mais remota que fosse, adquirissem através de uma simples petição a cidadania italiana. Foram então chamados de “oriundi”. Desta forma o seleccionador italiano, Vittorio Pozzo, um jornalista desportivo que se tornou herói no seu país (e veremos porquê quer no final desta história quer quando contarmos a saga do Mundial de 1938), pôde contar com os mais cotados futebolistas argentinos da altura, casos de Luigi Monti (uma das vedetas do primeiro Mundial), Guaita, Demaria e Orsi. Quatro super craques que se juntavam a outros talentos que formavam a Squadra Azzurra de então, como o fantástico guarda-redes Combi, e os avançados Schiavio e o grande Meazza. A Itália tornava-se assim ainda mais favorita à conquista do “seu” Mundial.

O pontapé inicial
A cerimónia de abertura deu-se em Roma, a 27 de Maio, no Estádio do Partido Nacional Fascista (era assim que se chamava o recinto), o qual seria transformado num mar de “camisas negras” que entraram em delírio quando Benito Mussolini subiu à tribuna de honra, ouvindo-se então os gritos do slogan fascista de então: “Forza Itália”.
Os jogos deste Mundial seriam então distribuídos pelas cidades de Roma, Triste, Florença, Turim, Génova, Milão, Bolonha e Nápoles. Jogos correspondentes aos 1/8 de final, uma vez que contrariamente ao que havia sucedido em 1930 os jogos seriam logo a eliminar em detrimento de uma fase de grupos.
Duas equipas eram tidas então à partida, de forma quase unânime, como candidatas à vitória final, a Itália do “mão de ferro” Pozzo, como já vimos, e a Áustria, selecção conhecida na época como o Wunderteam (equipa maravilha), que era dirigida pelo célebre treinador Hugo Meisl, que tal como Pozzo era um grande adepto do estilo de futebol britânico.
Duas equipas que apresentaram no entanto duas concepções de jogo distintas, ou seja, os italianos exibindo um esquema de grande segurança defensiva (que seriam as sementes do “catanaccio”), e dispondo de rápidos e vigorosos atacantes, enquanto que os austríacos fazendo de uma técnica aprimorada o seu argumento favorito despertavam a admiração do público por toda a parte onde destilavam o seu belo futebol.
Bom, no jogo inaugural do torneio, em Roma, a Itália esmagou os frágeis Estados Unidos da América por 7-1, com Schiavio (que seria o artilheiro deste Mundial) a marcar 3 golos. Aliás, um desses golos de Schiavio foi o número 100 da história da “Copa”. Schiavio entrava desta forma para a história dos Mundiais.
Entretanto, a Áustria vencia em Turim, com dificuldade, por 3-2, a França. Apenas no prolongamento o Wunderteam de Meisl assegurou a passagem aos ¼ de final.
Mas nem todos os cabeças-de-série mostrariam o porquê de terem merecido tal distinção, já que Brasil , Argentina e Holanda seriam afastado logo à primeira, respectivamente pela Espanha (1-3 em Génova), Suécia (2-3 em Bolonha) e Suíça (2-3 em Milão). Dos apurados para os ¼ de final a Checoslováquia encontrou em Trieste grandes dificuldades perante a Roménia (2-1, com 0-1 ao intervalo). Dificuldades também foram encontradas pela Hungria para despachar o modesto Egipto, em Nápoles, por 4-2. E mesmo a Alemanha ao eliminar, em Florença, a Bélgica por 5-2, não encontrou as facilidades que o resultado possa supor.
Chegado aos ¼ de final o Mundial conheceu grandes e épicos jogos. Encontros onde os dois candidatos ao título encontraram grandes dificuldades para seguir em frente. Os austríacos venceram por 2-1 a Hungria, em Bolonha, num confronto angustiante, como afirmou a critica da altura. Em Florença deu-se uma das grandes “batalhas” deste Mundial, protagonizada pela Espanha e pela Itália. Debaixo de um calor tórrido as duas equipas enfrentaram-se durante... dois jogos. É verdade. Foram 210 minutos de intenso futebol. Um tremendo desgaste físico que deixou marcas profundas nas duas equipas. No segundo jogo, a 28 de Maio, doze dos protagonistas que na véspera tinham jogado 120 minutos (com o resultado final a ficar em 1-1) – cinco italianos e sete espanhóis, entre eles o mítico guarda-redes Zamora - não actuaram.
Bem, mas em relação à parte 1 desta célebre “batalha” , isto é, ao primeiro encontro, há que recordar que a Espanha saiu na frente com um golo de Regueiro. Com o passar dos minutos os italianos pareciam cada vez mais nervosos, dentro e fora do campo. Perante a escandalosa complacência do árbitro belga Baert, os espanhóis eram nitidamente agredidos a pontapé pelos transalpinos dentro do relvado, na sequência de jogadas violentas. Seria já quase no fim do jogo que Ferrari empatou a partida. Menos de 24 horas depois, no mesmo estádio, os dirigentes espanhóis lançaram um comunicado onde denunciavam as bárbaras agressões dos italianos que tiveram como consequência o facto de a Espanha não poder utilizar sete dos seus principais jogadores por se encontraram lesionados.
No segundo jogo a Itália venceu por 1-0, com um tento de Meazza, num jogo que foi igualmente bem durinho, como o da véspera. Um jogo onde o árbitro suíço Marcet foi, à semelhança de Baert, italiano, já que anulou dois golos limpinhos aos espanhóis. Era a mão do Dulce a funcionar. A Itália tinha de ganhar a qualquer preço.
Os restantes semi-finalistas foram a Checoslováquia (3-2 à Suíça, em Turim) e a Alemanha (2-1 à Suécia, em Milão).

Final antecipada

Nas meias-finais assistiu-se à final antecipada deste Mundial, à final desejada por todos, um Itália-Áustria. As duas favoritas em confronto. Só uma delas poderia alcançar a final. E se a Squadra Azzura estava de certa forma em desvantagem pelos efeitos devastadores da “batalha” com a Espanha na eliminatória anterior, a Áustria não o estava menos, em virtude da fadiga provocada pelos jogos com franceses e húngaros.
O jogo disputou-se em Milão, num campo completamente enlameado, que se viria a tornar num factor favorável aos italianos, mais poderosos fisicamente. De nada valeriam por isso os ataques madrugadores dos austríacos, liderados pelo mágico Mathias Sindelar, na esperança de resolver cedo os acontecimentos enquanto as forças ainda o permitiam. Contudo, o quase intransponível muro defensivo italiano composto por Combi, Alemandi, Monti e Monzegnio resistiu a todos os assaltos do Wunderteam. Guaita foi o nome do herói do dia, foi ele o autor do único golo do encontro, o golo que colocou a Azzurra na final. Os austríacos despediam-se com tristeza do Mundial, e com alguma frustração também pois já na parte final do duelo com os italianos poderiam ter tido outro destino nesta Copa caso o seu ponta-direita Zischek não tivesse falhado um golo certo, já que na altura do remate não estava ninguém na baliza italiana. Paciência. Na outra meia-final, em Roma, a Checoslováquia bateu a Alemanha por 3-1.

Final em dose dupla

Na tarde de 10 de Junho o Estádio do Partido Nacional Fascista apresentava-se cheio como um ovo, esperando uma natural vitória da Azzurra. 30 000 pessoas aguardavam pelo momento em que iriam finalmente festejar o mais do que sonhado título mundial. Aliás, foi necessário recorrer-se à montagem de bancadas suplementares, visto que milhares de espectadores empoleiraram-se em vigas e traves sobre o terreno de jogo.
Na tribuna de honra lá estava Mussolini, rodeados de inúmeros símbolos alusivos ao fascismo, saudado pelos seus compatriotas como se de um Deus se tratasse. Todos esperavam a vitória dos italianos. Mas, nem tudo foi tão fácil como seria de esperar. Os checos não se deixariam intimidar, eram também uma formação muito forte e temida, onde pontificava o grande guardião Planicka.
Aliás, este foi talvez o Campeonato do Mundo que juntou num só torneio três dos melhores guarda-redes de todos os tempos, nomeadamente o italiano Combi, o espanhol Zamora e o checo Planicka. Três mitos da baliza.
A Itália entrou em campo a todo o gás, desfiando de imediato o seu venenoso ataque suportado por uma sólida defesa. Contudo, na “hora H” deparavam-se sempre com um autêntico muro de betão, o guarda-redes Planicka, que esteve soberbo nesta final. E aos 70 minutos o Estádio do Partido Nacional Fascista ficou em completo e gélido silêncio quando na sequência de um pontapé de canto Puc, de costas para a baliza, disparou com alguma violência à meia volta para o fundo das redes de Combi. Surpresa das surpresas, os checos estavam em vantagem.
O terror tomou conta da massa adepta Azzurra. Em luta contra o tempo os italianos tentarem então desesperadamente chegar ao tento da igualdade, aumentando o seu ritmo de incursões à baliza de Planicka. Os defesas checos Zenisek e Styroky limpavam a sua área de qualquer maneira, mal avistassem a bola perto da sua zona tratavam de a despachar de todos as maneiras e feitios sem grandes rodriguinhos.
O assalto dos azzurros ganhava com o passar dos minutos contornos mais intensos e sufocantes para os checos. Até que a cinco minutos do final o esperado golo italiano surgiu, quando já poucos acreditavam nele, por intermédio do ítalo-argentino Orsi. Tudo voltava assim ao principio para alívio dos italianos e de... Mussolini.
No prolongamento os italianos foram mais fortes em termos físicos, e continuaram a tomar de assalto a baliza checa. O “milagre” surgiu por intermédio do avançado-centro Schiavio.
Após o apito final do sueco Eklind a multidão explodiu de emoção: A SQUADRA AZZURRA ERA CAMPEÃ DO MUNDO.
Mussolini podia sorrir, a sua Itália vencera... o fascino era “campeão do Mundo”. Ainda hoje os teóricos do futebol afirmam que este Mundial foi vencido pelo fascismo e não pelos jogadores italianos. É certo que a Itália fora escandalosamente beneficiada pelos árbitros nos duelos com a Espanha, nos ¼ de final, mas não podemos tirar mérito a super craques como Meazza, Orsi, Schiavio e Combi que sobe a batuta do maestro Pozzo encantaram o mundo com o seu futebol. Mussolini mandou entregar aos seus heróis medalhas de ouro, e correram rumores de que deu igualmente a cada um prémio de 10 000 liras.
Em termos de bilheteira este Mundial foi considerado um êxito, já que rendeu quatro milhões de liras, isto sem contar com os valores das transmissões pagos pela rádio e pelo cinema.


Factos e curiosidades


-395 000 espectadores marcaram presença no Itália 34. Cada jogo teve uma média de 24 000 espectadores. Foram apontados 70 golos (média de 4,11 golo por jogo)

-O italiano Luigi Bertolini, um notável cabeceador, disputou o torneio com um lenço branco amarrado à cabeça. Explicou isto com o facto de as grosseiras costuras da bola ferirem a testa dos jogadores...

-O austríaco Anton Schall foi o primeiro jogador a marcar um golo no prolongamento de um jogo de uma fase final de um Mundial. Aconteceu a 27 de Maio, em Turim, no Áustria-França, que terminou com a vitória dos primeiros por 3-2. Schall apontou o golo do triunfo, um tento mal validado, uma vez que o jogador estava em claríssimo fora de jogo, como o próprio admitiu mais tarde.

-Dois futebolistas que estiveram presentes no Itália 34 tiveram descendentes que mais tarde também jogariam em fases finais do Mundial, casos do espanhol Martin Vantolra e do francês Roger Rio. O primeiro viu o filho, José Vantolra, jogar no México 70, enquanto que o segundo viu o rebento, Patrice Rio, actuar pela selecção gaulesa no Argentina 78.

-Abriu gás quando pressentiu Hitler: A estrela maior da Áustria era, como já referimos, Matthias Sindelar, o “homem de papel” como ficou mundialmente conhecido pela sua figura alta, esguia e de aspecto frágil. Deixou marcas do seu perfume e poder de tiro espalhadas pelos relvados de Itália. A sua Áustria ficou-se pelo 4º lugar da prova, mas nem isso ofuscou o brilho de Sindelar neste Mundial. Passou quase toda a sua carreira pelo FK Austria, onde venceu 3 campeonatos e 2 Taças Mitropa (uma das competições que mais tarde deu origem à Taça dos Clubes Campeões Europeus). Foi um colega seu nazi quem lançou o boato de que Matthias era judeu. Um boato que haveria de levar o “homem de papel” à morte. Isto porque quando se apercebeu que Hitler avançava a caminho de Viena antecipou-se à sua sentença e abriu as torneias de gás do seu quarto. Suicidara-se. Tinha 36 anos. Mais tarde ficaria a saber-se que nem judeu era! A notícia da sua morte abalou Viena, e uma multidão incorporou-se no seu funeral.

-Faltavam apenas cinco minutos para soar o último apito da final entre Itália e Checoslováquia. A Azzurra perdia por 0-1. Orsi recebeu a bola de Guaita, fintou um checo com o pé esquerdo e rematou com o direito. A bola ainda bateu nas mãos de Planicka mas só parou no fundo das redes. A Itália acabava de garantir o prolongamento. O curioso no meio disto tudo é que no dia seguinte à final, e perante um batalhão de fotógrafos, Orsi fez mais de 20 tentativas para executar o gesto técnico que na véspera valera o golo do empate, mas não conseguiu repeti-o!

-Vitória ou morte: Rezam as crónicas da altura que minutos antes de Itália e Checoslováquia entrarem em campo para disputar a final foi entregue no balneário italiano um bilhete assinado por Benito Mussolini onde se podia ler: “vitória ou morte”! Não se sabe porém se a ser verdade esta história a intimidação funcionou como um impulso para a Squadra Azzurra. Porém, Vittorio Pozzo no final do encontro era um homem visivelmente aliviado, tendo dito que “como é belo o futebol quando se ganha, e como teria sido terrível perder este jogo”.

-Africanos entram na alta roda do futebol: Pela primeira vez na história uma equipa africana participava na fase final de um Mundial. Tal façanha foi conseguida pelo Egipto. Mesmo eliminados na 1ª eliminatória pelos poderosos húngaros os egípcios ficariam também para a história como sendo a primeira equipa do continente negro a apontar um golo numa fase final. Tal honra pertenceu ao avançado Abdel Fawzi.

Resultados e Classificações

Oitavos-de-final

27 de Maio, Turim
Áustria – França 3-2 (após prolongamento)
(Sindelar, 45’; Schall, 100’ e Bican, 112’)
(Nicolas, 18’ e Verriest, 117 de g.p.)

Vídeo: ITÁLIA - ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
27 de Maio, Roma
Itália – Estados Unidos da América 7-1
(Schiavio, 18’, 29’ e 64’; Orsi, 20’ e 69’; Ferrari, 63’ e Meazza, 89’)
(Donelli, 57’)

27 de Maio, Florença
Alemanha – Bélgica 5-2
(Kobierski, 18’, Siffling, 56’; Conen, 73’, 77’ e 88’)
(Voorhoof, 24’ e 35’)

27 de Maio, Trieste
Checoslováquia – Roménia 2-1
(Puc, 61’ e Nejeldy, 73’)
(Dobai, 37’)

27 de Maio, Milão
Suíça – Holanda 3-2
(Kielholz, 10’ e 36’; Abbeglen, 57’)
(Smit, 23’ e Vente, 80’)

27 de Maio, Bolonha
Suécia – Argentina 3-2
(Joansson, 33’ e 67’ e Kroon, 80’)
(Belis, 16’ e Galateo, 49’)

27 de Maio, Génova
Espanha – Brasil 3-1
(Chato, 16’ de g.p. e 26’; e Langara, 41’)
(Leónidas, 72’)

27 de Maio, Nápoles
Hungria – Egipto 4-2
(Teleki, 7’; Toldi, 18’ e 87’ e Vincze,57’)
(Fawzi, 26’ e 42’)

Quartos-de-final

31 de Maio, Bolonha
Áustria – Hungria 2-1
(Horvath, 27’ e Zischek, 71’)
(Sarosi, 80’ de g.p.)

31 de Maio, Turim
Checoslováquia – Suíça 3-2
(Svodoba, 36’ e 55’ e Nejedly, 84’)
(Kielhoz, 18’ e Jaeggi, 64’)

31 de Maio, Milão
Alemanha – Suécia 2-1
(Hohmann, 57’ e 74’)
(Dunker, 85’)

Vídeos: ITÁLIA - ESPANHA

31 de Maio, Florença
Itália – Espanha 1-1 (após prolongamento)
(Ferrari, 45’)
(Regueiro, 31’)

1 de Junho, Florença
Itália – Espanha (jogo de repetição) 1-0
(Meazza, 12’)

Meias- finais

Vídeo: ITÁLIA - ÁUSTRIA
3 de Junho, Milão
Itália – Áustria 1-0
(Guaita, 10’)

3 de Junho, Roma
Checoslováquia – Alemanha 3-1
(Nejedly, 19’ e 80’ e Krcil, 71’)
(Noack, 62’)

Terceiro e quarto lugares

7 de Junho, Nápoles
Alemanha – Áustria 3-2
(Lehner 1’ e 40’ e Conen, 15’)
(Horvath, 35’ e Sesta, 63’)

FINAL

10 de Junho
Estádio do Partido Nacional Fascista, Roma
Assistência: cerca de 75 000 espectadores
Árbitro: Ivan Eklind (Suécia)

Itália – Combi (cap.) Monzeglio, Allemandi e Ferraris; Monti e Bertolini; Guaita, Meazza, Schiavio, Ferrari e Orsi. Treinador: Vitorio Pozzo

Checoslováquia – Planicka (cap.), Zenizek e Ctyroky; Kostalek, Cambal e Krcil; Junek, Svoboba, Sobotka, Nejedly e Puc. Treinador: Karel Petru

Golos: Puc (76’), Orsi (85’) e Schiavio (95’)

Vídeo: FINAL DO CAMPEONATO DO MUNDO DE 1934: ITÁLIA - CHECOSLOVÁQUIA



Melhor marcador:

Schiavio (Itália) – 4 golos

Onze tipo do torneio:

Planicka (Checoslováquia)
Allemandi (Itália)
Monzeglio (itália)
Puc (Checoslováquia)
Sindelar (Áustria)
Monti (Itália)
Conen (Alemanha)
Nejedly (Checoslováquia)
Schiavio (Itália)
Meazza (Itália)
Orsi (Itália)

Os campeões do Mundo:
5 jogos: Combi, Allemandi, Orsi, Meazza e Monti
4 jogos: Bertolini, Ferrari, Guaita, Monzeglio e Schiavio
3 jogos: Ferraris
2 jogos: Pizziolo
1 jogo: Borel, Castellazzi, Demaria, Guarisi e Rosetta
não utilizados: Arcari, Calagaris, Cavanna e Varglien

Onze base

Táctica (3x2x5)
Guarda-redes: Combi
Defesas: Allemandi, Monzeglio e Ferraris
Médios: Monti e Bertolini
Avançados: Guaita, Meazza, Schiavio, Orsi e Ferrari
Os golos dos campões:

4 golos: Schiavio
3 golos: Orsi
2 golos: Ferrari e Meazza
1 golos: Guaita

Legenda das fotografias:

1- Logotipo oficial do Itália 1934

2- O "onze" da Itália que pela primeira vez venceu um Campeonato do Mundo
3- O comandante da Squadra Azzurra: Vittorio Pozzo

4- A equipa do Brasil que à semelhança do Mundial 1930 voltou a desiludir... e muito
5- Brasileiros treinam no convés do navio em que fizeram a longa viajem até Itália

6- Fase do encontro entre a Espanha e o Brasil

7- A camisola que a equipa dos Estados Unidos da América usou no Itália 34, exposta no National Soccer Hall, em Oneonta

8- O "onze" checo que defrontou a Itália na final do Mundial

9- O austríaco Horvath marca um dos golos com que a sua equipa derrotou a Hungria nos 1/4 de final

10- Uma das melhores equipas do Mundo das década de 20 e 30, a Áustria, conhecida como o Wunderteam

11- Para surpresa de todos Puc coloca a Checoslováquia em vantagem na final

12- Pozzo dá instruções aos seus jogadores antes do início do prolongamento da final

13- Festejos dos jogadores italianos: A SQUADRA AZZURRA ERA A DONA DO MUNDO

14- O "homem de papel", Matthias Sindelar, a estrela da equipa da Áustria

15- fase do jogo entre a Checoslováquia e a Roménia, com o guardião checo Planicka a controlar o lance

16- Guardião sueco afasta a bola da sua área durante o jogo com a Argentina

17- Fase do jogo entre Checoslováquia e Suíça

18- Dois mitos das balizas, Combi e Zamora

19 -Capitães da Alemanha e Checoslováquia cumprimentam-se antes do encontro que opôs as duas equipas nas meias-finais
20- O Estádio do Partido Nacional Fascista, em Roma, local da final do Mundial 34

21- O melhor marcador do Mundial 1934, o italiano Schiavio

22 - Planicka (Checoslováquia) recebe o prémio de melhor guarda-redes da prova

23- A grande estrela da Itália: Giuseppe Meazza