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segunda-feira, dezembro 23, 2013

Momentos altos da vida... da seleção nacional dos Estados Unidos da América

Decorrem (ainda) neste ano de 2013 os festejos do centenário da United States Soccer Federation (Federação de Futebol dos Estados Unidos da América). 100 anos de uma instituição que tem ao longo da sua existência travado uma luta feroz contra a impopularidade, por assim dizer, da qual o soccer (futebol) foi, num passado não muito distante, vítima num país onde outras modalidades - como o basquetebol, o basebol, o hóquei no gelo, ou o futebol americano - sempre foram amadas de uma forma desmedida e têm gerado ao longo de décadas verdadeiras lendas do desporto planetário. No entanto, e ainda para alguns, o soccer ainda é, de forma incompreensível, o parente pobre do desporto da Terra do Tio Sam. Contudo, o país que ainda - e volto a sublinhar outro "ainda" - é olhado - sobretudo na Europa - como tosco na arte de manusear a redondinha teve os seus momentos brilhantes na história do futebol mundial. Recordemo-los pois então...
New York Astor Hotel House em 1913
Quis o destino que a cintilante Nova Iorque fosse o berço da United States Soccer Federation. No New York Astor Hotel House, situado nas proximidades da mundialmente famosa Times Square, um grupo de figuras ligadas à modalidade importada para a América pela mão de imigrantes europeus em meados do século XIX fundou a 5 de abril de 1913 a United States of America Football Association (USFA), a primeira designação do organismo máximo do soccer norte-americano, que só a partir da segunda metade do século XX se iria denominar United States Soccer Federation. Randolph Manning seria eleito o primeiro presidente do recém criado organismo, que no ano seguinte era aceite pela FIFA como membro da entidade que tutela o futebol a nível global.
A primeira seleção nacional dos EUA, que em Estocolmo efetuou o primeiro jogo da sua centenária história
A partir de então a USFA desenvolveu algumas competições nacionais para coroar os clubes que iam surgindo aqui e ali um pouco por todo o extenso território norte-americano, com destaque para a US Open Cup (a taça nacional), cuja primeira edição ocorreu precisamente em 1914. Seria no entanto preciso esperar até 1916 para ver o primeiro onze nacional - vulgo, seleção nacional - entrar em campo. Facto histórico ocorrido a 20 de agosto do citado ano, altura em que o combinado yankee enfrentou a Suécia, em Estocolmo, no primeiro de cinco encontros amigáveis de uma digressão feita por terras suecas e norueguesas com vista à preparação para o torneio olímpico de 1916, o qual viria a ser posteriormente cancelado devido à I Guerra Mundial. E na capital sueca a US National Team teve uma estreia feliz, vencendo os nórdicos por 3-2. Capitaneada por um dos grandes ícones do soccer norte-americano da época, Thomas Swords, lendário avançado que atuava no Fall River Rovers, os soccer boys enfrentavam uma experiente Suécia no plano internacional - os nórdicos já haviam disputado anteriormente, e desde 1890, 31 jogos. Diante de 21 000 espetadores - onde entre os quais se destacava o rei da Suécia, Gustavo V - os Estados Unidos da América (EUA) apresentaram-se muito bem organizados sobre o terreno de jogo, surpreendendo então os suecos com um triunfo por 3-2. Tommy Swords entrou para a história, pois foi dos seus pés que nasceu o primeiro golo oficial da US National Team. Harry Cooper, e Charles Ellis fizeram os restantes golos dos estreantes norte-americanos.
Seleção norte-americana que esteve presente em Paris nos Jogos Olímpicos de 1924
A bela cidade de Paris acolhe em 1924 a sétima edição dos Jogos Olímpicos. No cartaz do evento surge o torneio de futebol, na época considerada a prova mais importante do calendário internacional, já que vencer as Olimpíadas no retângulo de jogo era o equivalente a ser coroado de... rei (campeão) do Mundo. Entre as 22 equipas nacionais presentes figurava a dos EUA, que faziam desta forma a sua estreia numa competição de âmbito internacional. E logo no maior palco de todos. Para a capital gaulesa o selecionador nacional George Burford levou alguns dos melhores intérpretes do soccer americano da altura, caso dos guarda-redes Jimmy Douglas, ou do avançado Andrew Stradan. E seria este último atleta a entrar para a história, já que foi dele o único golo com que os yankees derrotaram a Estónia em jogo alusivo à 1ª eliminatória da competição, realizado em Pershing Park, e no qual o lendário guardião Jimmy Douglas foi eleito o melhor em campo, garças a uma soberba exibição que segurou a magra mas saborosa vitória. O sonho americano terminou na eliminatória seguinte, fase onde encontraram a mágica seleção do Uruguai, liderada desde o setor recuado pelo homem que haveria de sair de Paris endeusado, com a alcunha de Maravilha Negra, Falamos de José Leandro Andrade, claro. 3-0 para os uruguaios, que mais tarde haveriam de se consagrar como campeões olímpicos, ou do Mundo, como na época eram rotulados.
Quatro anos mais tarde foi a vez de Amesterdão receber os Jogos Olímpicos, e mais uma vez o Uruguai voltaria a provar que era de facto a maior potência do futebol internacional ao nível de seleções, abraçando mais uma vez o título olímpico. Na cidade holandesa também estiveram os yankees, que assim continuavam a figurar entre a elite do futebol internacional. George Burford voltou a ser o selecionador dos EUA, o qual pela frente teve uma tarefa árdua para fazer boa figura em solo europeu. E na verdade os EUA foram vítimas de si próprios nesta sua segunda aparição internacional, ou melhor vítimas da má organização da USFA, que ignorou por completo os apelos de George Burford para que não fosse reunida uma equipa à última da hora antes do embarque para a Europa. O que é certo é que nas vésperas da partida para Amesterdão foram realizadas à pressa duas sessões de treinos de captação com diversos jogadores, sendo 16 deles escolhidos para vestir a camisola nacional nas Olimpíadas. Conclusão, em Amesterdão os EUA sairam cedo de cena no seguimento de uma tremenda goleada imposta pela Argentina: 11-2. Para esquecer.
A lendária seleção yankee que em 1930 conquistou, em Montevideu, a sua melhor classificação de sempre num Campeonato do Mundo
Apesar da má imagem deixada em Amesterdão os EUA foram uma das seleções convidadas pela FIFA para em 1930 marcar presença na primeira edição do Campeonato do Mundo. O Uruguai, e a sua capital Montevideu, tiveram o privilégio de presenciar o primeiro capítulo da história da maior competição futebolística do planeta. 13 seleções estiveram na América do Sul, entre elas uns EUA muito... europeus. E assim o eram pois o selecionado do técnico Bob Miller era composto na sua esmagadora maioria por imigrantes ingleses e escoceses, embora a grande maioria deles vivesse em solo americano desde a adolescência. Foi pois com um estilo muito britânico que a seleção norte-americana se apresentou em Montevideu, estilo esse ao qual seria acrescentada uma pitada do futebol mais técnico do sul da Europa, graças à arte futebolística de um tal de Billy Gonsalves. Sobre este luso descendente o Museu Virtual do Futebol já dedicou longas linhas noutras viagens ao passado, pelo que há apenas a repetir o facto de que para muitos ele foi o melhor jogador de todos os tempos a vestir a camisola dos EUA. Billy Gonsalves, filho de pais madeirenses, era a estrela do combinado de Bob Miller, e um dos responsáveis pela magnífica campanha que os yankees fizeram em solo uruguaio. Gonsalves podia até ser o maestro da orquestra montada por Miller, mas outros músicos de inegável gabarito faziam parte daquele lendário grupo, casos do regressado guardião Jimmy Douglas, Bart McGhee, Bert Patenaude, ou Tom Florie. Integrados no grupo 4 os States deram uma lição à Bélgica no primeiro encontro da chave, disputado no Parque Central, diante de pouco mais de 18 000 pessoas. 3-0 a favor de Billy Gonsalves e companhia, pertencendo a McGhee (aos 23m), Florie (aos 45m), e Patenaude (69m) a autoria dos remates certeiros.
No encontro seguinte, diante do Paraguai, de novo a chapa 3 foi aplicada pelos yankees aos seus opositores, neste caso com o destaque individual a ir inteiramente para Bert Patenaude, autor dos três tentos, atleta que se tornava desta forma no primeiro futebolista a alcançar um hattrick em fases finais de Campeonatos do Mundo. Com estas duas vitórias os EUA estavam desde logo apurados para as meias-finais do torneio! Quem diria, ainda para mais depois da pobre imagem deixada em Amesterdão dois anos antes. A aventura acabaria no majestoso Estádio Centenário, diante da Argentina, que derrotou os norte-americanos por 6-1, mas com uma pequena ajuda extra do árbitro belga John Langenus, que na voz dos yankees fez vista grossa ao jogo violento dos argentinos que dias mais tarde iriam perder o título mundial para o Uruguai. No final da festa o terceiro lugar do pódio seria ocupado em ex-aequo pela Jugoslávia e pelos EUA, que desta forma arrecadavam a sua melhor classificação numa fase final de um Mundial.
A boa imagem deixada em Montevideu contrastou com a pálida performance patenteada quatro anos mais tarde em Roma, na fase final do Mundial de 34. Diante da poderosa seleção da casa, orientada pelo mestre da tática Vittorio Pozzo, os estado-unidenses - orientados pelo técnico David Gould - foram atropelados por 7-1 (!), cabendo a um descendente de italianos, de seu nome Aldo Donelli, apontar o tento de honra dos EUA, que no seu grupo tinham ainda as lendas Billy Gonsalves, e Tom Florie, os únicos que restavam da seleção de 1930.
Os homens que em 1950 escandalizaram o planeta do futebol
Depois de mais uma pobre prestação olímpica em 1948, onde os EUA voltaram a ser goleados pela Itália de Pozzo, desta feita por 9-0, na 1ª eliminatória dos Jogos de Londres, eis que a história do soccer estado-unidense escreve o seu capítulo mais famoso. Capítulo esse traçado no decorrer da fase final do Campeonato do Mundo de 1950, que nesse ano foi realizado no Brasil, onde os amadores yankees provocaram o maior escândalo da história do belo jogo. Sobre ele já traçámos diversas linhas aqui no Museu, recuperando pois agora para esta viagem ao passado algumas dessas linhas que relatam a impensável vitória do modesto selecionado dos EUA sobre a poderosa Inglaterra.
Belo Horizonte, e o Estádio da Independência, fazem parte do cenário desse célebre encontro - referente à 1ª fase do Mundial - ocorrido na tarde de 29 de Junho. Inglaterra que era considerada uma das seleções favoritas para vencer o torneio, juntamente com Brasil, a Suécia e a Itália. Mas, desde o início, a realidade foi bem diferente das previsões. Lutando contra um intenso calor, a seleção inglesa sofreu a bom sofrer para vencer o Chile por 2-0 na sua estreia na Copa, no Estádio do Maracanã. Ingleses que, refira-se, participavam pela primeira vez numa fase final de um Mundial. E como favorita que era à conquista do caneco poucos duvidavam que a Inglaterra não iria no segundo jogo do certame massacrar os amadores dos EUA.
Seleção norte-americana que tinha apenas um jogador profissional, Ed McIlvenny, de seu nome. A crença na vitória fácil era tanta que o técnico inglês Arthur Drewry decidiu dar folga a vários dos seus principais jogadores, entre eles Stanley Matthews, jogador do qual reza a lenda que havia ficado em Copacabana a apanhar sol!
As equipas entraram em campo, e aos 39 minutos do primeiro tempo um estudante, que trabalhava em part-time como lavador de pratos num restaurante em Nova Iorque, produziu um dos resultados mais inesperados da história do futebol internacional. Joe Gaetjens, assim se chamava, recebeu um passe de Walter Bahr e marcou o único golo da partida, garantindo a vitória dos States.
O resultado era considerado tão improvável pelos ingleses que uma casa de apostas de Londres ofereceu 500 para 1 às pessoas que apostassem nos americanos antes do jogo. História curiosa é, aliás, o facto de que quando o resultado foi conhecido em Inglaterra os súbitos de Sua Majestade pensarem de imediato que se trataria de um erro, e que o resultado não era de 0-1 mas sim de 10-1! Como estavam enganados...
48 anos depois desse jogo, o criador da jogada do golo, Walter Bahr, voltaria ao local do crime, por assim dizer, ao Estádio da Independência, onde confessou que «se a Inglaterra jogasse 10 vezes contra nós, naquela época, teria vencido nove vezes. Mas aquele jogo era nosso. O destino ficou do nosso lado. Os ingleses deveriam ter vencido, mas não marcaram nenhum golo, e à medida que o tempo passava, o nosso futebol foi melhorando. Os ingleses foram ficando em pânico... ».
Este resultado ainda hoje é considerado como a maior surpresa de todos os tempos no planeta da bola!
Porém, a impensável vitória sobre a Inglaterra foi recebida com indiferença nos EUA. Os americanos praticamente ignoravam que haviam vencido aquele jogo até a década de 70, altura em que Gaetjens já havia morrido.
Há poucos anos atrás, foi realizado um filme que retrata precisamente este momento histórico do futebol estado-unidense, intituldado de The Game of Their Lives. E seria mesmo o jogo da vida de até então simples desconhecidos como Joe Gaetjens, Frank Borghi, Harry Keough, Joe Maca, Ed McIlvenny, Charlie Colombo, Walter Bahr, Frank Wallace, Gino Pariani, Joe Gaetjens, John Souza, Ed Souza, e o treinador Bill Jeffrey
Apesar da vitória sobre a Inglaterra, os EUA terminaram em último no seu grupo na Copa de 50, sendo eliminados do torneio juntamente com a Inglaterra e o Chile.
Depois da participação no Mundial do Brasil, os americanos demorariam 40 anos para voltar participar numa fase final de um Mundial, o que só viria a ocorrer em 1990, no Campeonato do Mundo de Itália.
Os EUA em 1990, ano em que regressaram à alta roda do futebol internacional
Nem mesmo o fenómeno da National American Soccer League (NASL) dos anos 60 e 70 conseguiu fazer regressar a seleção yankee à montra do futebol planetário. Como já vimos só em 1990 os EUA voltaram a uma fase final de um Campeonato do Mundo. Facto ocorrido em Itália, e sem grande pompa e circunstância, já que os norte-americanos, pouco ou nada conhecidos na alta roda internacional da época, rapidamente regressaram a casa após três derrotas na fase de grupos, ante a Checoslováquia (1-5), Itália (0-1), e Áustria (1-2). Mais do que fazer saber ao Mundo que os States queriam voltar a ocupar o seu lugar nos grandes palcos do futebol planetário, e de revelar nomes como Tony Meola, Eric Winalda, Tab Ramos, Marcelo Balboa, ou Paul Caligiuri, esta presença em Itália serviu essencialmente para iniciar o renascimento do soccer em Terras do Tio Sam, em fazer da seleção norte-americana uma equipa vencedora, habituada a marcar presença - de lá para cá - em todos os grandes eventos futebolísticos do planeta, com destaque para o Campeonato do Mundo, certame que desde 1990 até aos dias de hoje os EUA não falharam uma única edição.
O primeiro título internacional: a Gold Cup de 1991
A primeira grande conquista do futebol norte-americano ao nível de seleções aconteceu em 1991, ano em que foi disputada a primeira edição da Gold Cup, prova continental organizada pela CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe). O certame foi realizado em solo norte-americano, e serviu igualmente de teste ao que iria ocorrer três anos mais tarde, altura em que pela primeira vez o país iria receber a organização de um Mundial. Na final da Gold Cup os EUA, dirigidos pelo lendário treinador Bora Milutinovic, derrotaram no Memorial Coliseum, de Los Angeles, as Honduras na marcação de grandes penalidades, por 4-3, após um empate sem golos no final dos 120 minutos.
A esta Gold Cup seguiram-se mais quatro, até aos dias de hoje, perfazendo um total de cinco títulos na prova da CONCACAF, historial que faz com os EUA sejam a par do México a grande potência do futebol daquela zona do globo.
A lenda brasileira Pelé posa ao lado das campeãs do Mundo de 1991
Se no plano masculino os EUA estão ainda um pouco longe de serem considerados uma potência ao lado de países como Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, Argentina, Holanda, ou Inglaterra, na vertente feminina eles são indiscutivelmente a maior potência mundial! Não deixa de ser de certo modo estranho como uma modalidade pode ser interpretada de uma maneira tão distinta pelos sexos feminino e masculino. O que é certo é que a meninas norte-americanas têm somado títulos atrás de títulos, fazendo deste o país mais laureado na vitrina dos campeões. O primeiro grande ceptro foi conquistado em 1991, na China, nação que recebeu o primeiro Mundial feminino, tendo os EUA vencido na final a Noruega por 2-1. Ainda que de forma algo tímida o planeta da bola, dominado por homens, fez então uma vénia a jogadoras como Michelle Akers, ou Mia Hamm, duas das maiores jogadores de todos os tempos. Em 1999 as soccer girls voltariam a conquistar o Mundo, desta feita em casa, tendo na final - disputada no Rose Bowl, de Pasadena, cheio como um ovo! - batido nas grandes penalidades a China por 5-4. A popularidade da seleção feminina norte-americana rapidamente se alastrou a todo o país, sendo hoje o soccer a modalidade mais praticada pelo público feminino. Ainda no que toca a palmarés os EUA somam quatro títulos olímpicos, e ainda três ceptros mundiais de sub-20. Dominadoras... claramente.
Voltando ao futebol masculino para recordar em poucas linhas aquele que foi sem margem para dúvidas o grande acontecimento futebolístico realizado em terras norte-americanas: o Campeonato do Mundo de 1994. Com o intuito de enraizar definitivamente o soccer no seu território nacional os responsáveis da United States Soccer Federation convenceram a FIFA a atribuir-lhes a organização do Mundial de 94. O resto do planeta torceu o nariz, perguntando-se como podia um país onde a modalidade é praticamente marginalizada acolher um certame daquele nível? A resposta foi dada no verão de 1994, com uma organização estupenda e grandiosa, como só os EUA conseguem fazer sempre que de grandes eventos se trata. Estádios gigantescos, sempre cheios de público, e acima de tudo de futebol de alto nível praticado pelas seleções presentes fizeram deste - quiçá - o último grande Mundial - a todos os níveis - da história recente da competição. Infundadas foram igualmente as suspeitas de que a seleção da casa dificilmente passaria da primeira fase, e que se iria tornar na primeira anfitriã a não passar a fase de grupos, já que com muita classe nomes - hoje lendas - como Meola, Balboa, Tab Ramos, Eric Winalda, Cobi Jones, e o excêntrico Alexi Lalas não só avançaram a fase de grupos - bateram por 2-1 a Colômbia, empataram a um ante a Suíça, e foram derrotados por 0-1 pela Roménia - como fizeram a vida negra ao futuro campeão Brasil nos oitavos-de-final (brasileiros venceram apenas por 1-0).
O Mundial dos States serviu para que o soccer subisse mais uns degraus na escada da popularidade de um povo que sempre olhou a modalidade com indiferença. Hoje em dia o futebol é o terceiro desporto mais praticado no país (no plano masculino, e o primeiro na vertente feminina, como já vimos), sendo para muitos impensável que a seleção nacional não seja uma presença garantida nas grandes competições internacionais. 

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Estrelas cintilantes (15)... Bart McGhee

Depois de algum tempo em que estivemos arredados das maravilhosas histórias do mundo da bola, e desde já pedimos por isso desculpas aos nossos habituais visitantes, o museu aproveita hoje o ditado “ano novo, vida nova” para também ele regressar aos seus contos futebolísticos.
E fazemo-lo com uma longa viagem até às primeiras décadas do século passado para descobrir um pouco da história de um dos grandes heróis norte-americanos dessa altura, de seu nome Bartholomew McGhee.
Conhecido nos meandros da bola como Bart (diminuitivo de Bartholomew) este homem nasceu na Escócia, mais concretamente em Edimburgo, no dia 30 de Abril de 1899, sendo filho do famoso futebolista internacional escocês James McGhee.
Em 1912, a bordo do navio Caledonia, Bart e o seu irmão mais velho, Jim, emigraram para os Estados Unidos da América (EUA), juntando-se a seu pai que dois anos antes havia partido para terras do Tio Sam em busca de uma vida melhor.
Chegado aos States o mais novo membro do clã McGhee, que contava nessa época com 19 anos de idade, começou a mostrar os seus dotes futebolísticos nos New York Shipbuilding, equipa amadora de New Jersey. Corria então a temporada de 1917/18.
Aí ele permaneceria por mais uma época até se mudar para o Wolfenden Shore, onde ficaria até 1921. A partir de 1922 outros clubes se seguiram na sua gloriosa carreira depois de abandonar esta equipa, nomeadamente os conjuntos profissionais (da American Soccer League) do Philadelphia Hibernian, o New York Field Club, o Fleisher Yarn, o Indiana Flooring, os New York Nationals, o Philadelphia Field Club (por empréstimo dos Nationals) e os New York Giants.
Em termos de títulos Bart, que jogava como extremo-esquerdo, alcançaria em 1928, com a camisola dos New York Nationals, a vitória na US Open Cup, naquele tempo a prova mais importante dos EUA. No ano seguinte venceria a Lewis Cup, competição pertencente à American Soccer League (ASL).
Segundo estatísticas da ASL Bart McGhee participou em pelos menos 350 jogos e apontou 137 golos entre 1921 e 1931, ano este em que pendurou as chuteiras ao serviço do New York Shipbuilding.
Mas aquele que é considerado o seu maior feito ocorreu com a camisola da selecção dos EUA, com a qual se tornou num jogador lendário para aquelas bandas. Considerado um dos melhores jogadores norte-americanos da altura não foi de estranhar que Bart tivesse sido convocado para a equipa norte-americana que disputou o primeiro Campeonato do Mundo da FIFA, que em 1930 decorreu no Uruguai. Juntamente com Billy Gonsalves, Jimmy Gallagher, Tom Florie e Bert Patenaude a nossa figura de hoje fez desta aquela que para muitos é considerada a melhor selecção dos EUA de sempre! Equipa que chegaria até à medalha de bronze dessa competição. O maior feito do soccer dos States até à data.
Bart McGhee seria imoralizado nesse Mundial pelo faco de ter sido dele o primeiro golo dos EUA numa fase final, apontado no primeiro jogo do grupo face à Bélgica. Nesse encontro realizado no Parque Central de Montevideo ele faria mais um golo dos três que os EUA bateram o combinado belga. Jogaria ainda as outras duas partidas da sua selecção nesse Mundial, diante do Paraguai e da Argentina, este último referente às meias-finais.
Estes seriam os únicos jogos em que Bart vestiria as cores da selecção do país que em 1912 o acolheu.
Em 1986 o seu nome seria introduzido no National Soccer Hall of Fame (museu de futebol dos EUA). Infelizmente não teve a felicidade e orgulho de presenciar esse justo momento, pois havia já deixado o mundo dos vivos precisamente há 30 anos à data de hoje.
Uma última nota para dizer que Bart e o seu pai James são os únicos jogadores a nível mundial com laços familiares deste género, ou seja, pai e filho, a defenderem as cores de dois países diferentes em jogos internacionais.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Histórias dos Campeonatos do Mundo... Uruguai 1930 (1)

Iniciamos agora uma viagem pela “deliciosa” história dos Campeonatos do Mundo de Futebol. Ao pormenor, tanto quanto nos seja possível, iremos descobrir os factos, os números e as figuras dos 18 Mundiais até hoje realizados. Uma coisa é certa, é de que esta será uma longa viagem, tão longa quanto rica que é a história da mais importante competição do Mundo.
As linhas que se seguem surgem pois na sequência da leitura de inúmeros livros e enciclopédias (da minha cada vez mais extensa “biblioteca de futebol”), do visionamento de vídeos (meu Deus, já não tenho espaço para mais DVD’s nem cassetes VHS sobre futebol em minha casa...) e de pesquisa na internet.
No fundo um trabalho que me deu um ENORME prazer, ou não fosse eu um fanático do fenómeno futebol. E é esse prazer que eu quero repartir com o visitante do Museu, que sinta o mesmo interesse, a mesma curiosidade e sobretudo a mesma paixão que eu tenho pelo belo jogo. Divirtam-se...

Finalmente... o sonho tornou-se realidade

O visitante está confortável? Óptimo, pois prepare-se que vai fazer uma inesquecível viagem até ao longínquo ano de 1930, mais concretamente ao Uruguai. Bom, mas antes de “aterrarmos” neste pequeno país sul-americano há que fazer um pequeno relato sobre o nascimento do Campeonato do Mundo.
Um projecto que demorou mais de duas décadas a ser concretizado. A ideia, ainda de uma forma muito ténue, nasceu por volta de 1905, um ano depois do nascimento da FIFA. Contudo devido a divergências de última hora entre os países (federações) membros da FIFA o projecto nunca passou disso mesmo. Foi preciso esperar por 1921 para que finalmente o sonho de criar uma grande competição planetária “tivesse pernas para andar”.
E 1921 porquê? Porque foi este o ano que o lendário Jules Rimet assumiu a presidência da FIFA. A ideia de criar um Campeonato do Mundo de Futebol era uma obsessão de Rimet, que depois de constatar o sucesso dos torneios de futebol dos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 colocou o seu sonho em andamento.
O Comité da FIFA aprovaria a proposta do secretário-geral da Federação Francesa de Futebol, Henri Delaunay, de criar uma competição que juntasse de quatro em quatro anos as melhores selecções do planeta. Num congresso da FIFA realizado em Helsínquia, em 1927, Jules Rimet anunciava ao Mundo – finalmente – que em 1930 se iria realizar o primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, sendo nomeado para o efeito um Comité Organizador (CO). Foram então apresentadas várias candidaturas para a organização do evento, nomeadamente a Hungria, a Itália, a Suécia, a Holanda, a Espanha e o Uruguai. Foi definido pelo CO que o país que recebesse o evento suportaria todos os custos do mesmo, incluindo deslocações das equipas, alojamento, alimentação das mesmas, etc. Por seu turno, a FIFA exigia 10% de todas as receitas. “Exigências”, ou regras, estas que resfriaram de imediato o entusiasmo de alguns países, que não estavam de acordo em suportar todos os custos da prova. O Uruguai foi o único a aceitar todas as condições. No entanto, não foi apenas por ter aceite as regras da FIFA que este país ganhou o direito de organizar o primeiro Mundial de Futebol, já que os dirigentes uruguaios colocariam em cima da “mesa das negociações” o facto de nos meses de Junho e Julho de 1930 o país ir comemorar o centenário da sua independência, prometendo desde logo a construção de um estádio com capacidade para 100 000 pessoas. Estádio esse que desde logo recebeu o nome de... Estádio do Centenário. Para além disso, o facto de o Uruguai ser na altura a melhor selecção do Mundo, já que encantara o “planeta da bola” com o seu maravilhoso futebol culminado com as conquistas dos títulos olímpicos de 1924 (Jogos Olímpicos de Paris) e de 1928 (Jogos Olímpicos de Amesterdão), teve igualmente um certo peso na decisão da FIFA em atribuir aos uruguaios a organização da prova.
Seria sem surpresas que no Congresso da FIFA de 1929, realizado em Barcelona, a entidade que gere o futebol mundial comunicaria oficialmente que o primeiro Mundial seria no Uruguai. (Na foto ao lado vê-se a chegada de Rimet a Montevideu.)
No entanto, esta decisão não seria recebida de bom grado por todos os países membros da FIFA. Isto porque os clubes europeus consideravam absurdo pagar os ordenados aos seus melhores jogadores durante uma ausência calculada em cerca de dois meses no Uruguai para disputar o Mundial. Perante este recuo dos europeus a federação uruguaia prontificou-se de imediato a pagar os ordenados aos jogadores europeus durante esse período. No entanto, grande parte dos “craques” não aceitou a boa vontade dos uruguaios, não viajando para a América do Sul. Grandes selecções da altura como a Hungria, a Itália, a Áustria ou a Checoslováquia, no fundo, as super potências do futebol europeu da altura, não aceitaram o convite da FIFA para marcar presença no primeiro Mundial.
Abra-se desde já aqui um parênteses para sublinhar que nesta primeira edição do Mundial não houve fase de qualificação, pois as equipas que nele marcaram presença responderam a um convite da FIFA.
Outra super potência do futebol europeu da época, a França, ameaçou seguir o exemplo das selecções acima referidas e não se deslocar ao Uruguai. Não fora a intervenção de Jules Rimet (francês de nascimento), que de imediato satisfez todas as exigências dos seus compatriotas, e os gauleses não teriam ido à América do Sul. (Na foto ao lado está a selecção francesa que actuou no Mundial do Uruguai.)
De qualquer maneira dois meses antes do início do Mundial nenhuma equipa europeia estava inscrita, mas após a resolução deste problema a França, a Roménia, a Jugoslávia e a Bélgica decidiram mandar as suas selecções para o Uruguai.
E eis que em 20 de Junho de 1930 (a cerca de um mês do pontapé de saída da competição) franceses, belgas e romenos estavam em Villefranche-sur-Mer preparadas para embarcar no paquete italiano “Conte Verde” para a longa travessia no Atlântico. No dia 5 de Julho seguinte as selecções chegavam à baía de Montevideu (capital do Uruguai), isto depois de passar pelo Rio de Janeiro para dar uma boleia à equipa do Brasil.
Por seu turno, a equipa da Jugoslávia preferiu viajar sozinha (mais à larga certamente) para a América do Sul, tendo cruzado o Atlântico a bordo do luxuoso veleiro “Flórida”, cobiçado pelos grandes magnatas mundiais da época para as suas viagens. É caso para dizer...e viva o luxo!
À espera das selecções europeias estavam as suas congéneres sul-americanas, o Brasil, o Paraguai, o Peru, a Bolívia, o Chile, a Argentina e claro está, o Uruguai. A estes juntaram-se ainda o México e Estados Unidos da América, equipas que completaram o lote de participantes do primeiro Mundial. Seriam pois 13, os países que participaram no primeiro grande momento do futebol mundial. (Na imagem do lado pode ver-se a equipa da Argentina que se iria sagrar vice-campeã do Mundo nesta primeira edição.)

A bola começou a rolar
Face ao número reduzido de participantes, substitui-se o sistema de eliminação directa pela fórmula de quatro grupos. Designou-se então que quatro equipas seriam cabeças-de-série, tendo sido elas a Argentina, Brasil, Estados Unidos da América e Uruguai, sendo que os vencedores de cada grupo se qualificariam para as meias-finais.
Em jeito de homenagem a Jules Rimet a França seria uma das selecções que daria o pontapé de saída do grande evento desportivo. Como adversário no jogo inaugural os franceses tiveram o México, um jogo que seria realizado no Campo de Pocitos (Montevideu), já que o majestoso Estádio Centenário ainda não estava concluído (dizem que o cimento das bancas ainda estava fresco aquando da abertura do Mundial). A França venceria facilmente os mexicanos por 4-1, não obstante de ter alinhado grande parte do encontro com dez jogadores, por lesão do guarda-redes Thépot, já que naquela altura ainda não existiam as substituições. (Na foto de cima: uma fase do jogo entre o Brasil e a Bolívia.)
Francês foi igualmente o primeiro golo de um Mundial, de seu nome Lucien Laurent, um homem que entrou assim na história do futebol pelo facto de ter apontado o primeiro golo de um Campeonato do Mundo.
O guardião Thépot haveria de ser o herói do jogo seguinte da França, ante a Argentina, já que durante 80 minutos resistiu de uma forma heróica aos ataques avassaladores dos argentinos, e só um livre magistralmente apontado por Luigi Monti ao minuto 80 deu uma magra vitória por 1-0 ao país das pampas. (Ao lado a cerimónia de abertura do certame.) Este jogo será ainda relembrado por um caricato episódio, já que o árbitro da partida, o brasileiro Almeida Rego, daria por terminado o encontro seis minutos antes do tempo regulamentar, e só graças aos protestos dos adeptos uruguaios que assistiam ao jogo (e que torciam pela França, já que a Argentina foi, é e será sempre o eterno inimigo), que entretanto haviam invadido o campo para “acertar as contas” com o juiz da partida, é que o erro foi corrigido e o brasileiro voltou ao campo para dar continuidade ao jogo que terminaria, como já vimos, com a vitória argentina por 1-0.
No grupo 2 ficariam os melhores representantes do futebol europeu neste torneio, a Jugoslávia. Derrotaram o Brasil (2-1) e a Bolívia (4-0), classificando-se desde logo no primeiro lugar do grupo e consequente apuramento para as meias-finais. A França (grupo 1) perdeu as esperanças da qualificação para a fase seguinte após ter sido derrotada pelo Chile (0-1).
A Roménia também não fez melhor, vencendo um jogo (Perú, por 3-1) e perdendo outro (Uruguai, por 0-4). (Na imagem ao lado está a desoladora selecção brasileira que se deslocou ao Uruguai.)
A Bélgica, sem o seu melhor jogador da altura, Braine, não teve melhor sorte, já que sofreu duas derrotas no grupo 4, ante os Estados Unidos da América (0-3) e o Paraguai (0-1).
Nas meias finais encontraram-se Uruguai e Jugoslávia, e Argentina e Estados Unidos da América. No encontro que opôs argentinos e norte-americanos houve “mosquitos por cordas”, originados pelos constantes protestos dos “soccerboys” contra a interpretação do árbitro belga Langenus sobre a lei do fora-de-jogo. O treinador dos americanos, Robert Miller, tentou agredir o árbitro com a mala de massagista, errando o alvo por muito pouco. O resultado do jogo saldou-se por uns claros e controversos 6-1 a favor dos argentinos. Por igual resultado venceriam os uruguaios a equipa da Jugoslávia. Estavam assim encontrados os dois finalistas do primeiro Mundial.

A grande final...

Chegou-se ao dia 30 de Julho, e o Estádio Centenário a “abarrotar pelas costuras” com 100 000 espectadores em delírio. Uma final à qual também não faltaram peripécias. Em Buenos Aires, o ambiente era de loucura total tendo o povo organizado manifestações para que fossem postos à sua disposição mais barcos para atravessar o Rio de La Plata (River Plate) para a outra margem... para Montevideu. Estima-se que mais de 20 000 argentinos atravessaram o rio em dez barcos fretados de propósito para o efeito (diz a lenda que um destes barcos chegou a Montevideu já no fim da grande final). (Ao lado as duas equipas finalistas a entrarem em campo.) Temendo-se incidentes entre uruguaios e argentinos (velhos inimigos) as armas de fogo foram confiscadas à entrada do estádio.
Os árbitros não escapavam a este ambiente frenético e ameaçador em redor do jogo, pelo que dos quatro juizes apontados inicialmente para dirigir a final, o único a aceitar tal responsabilidade foi o belga John Langenus (na foto ao lado). Para tal a FIFA teve de satisfazer algumas exigências do belga, mais precisamente em dar-lhe protecção policial durante 24 horas, fazendo-lhe um seguro de vida e colocando à sua disposição um navio que o levaria de volta a casa logo após o término do jogo.
Seguiu-se o “episódio da bola”, ou seja, cada equipa queria jogar com a sua bola. Por sorteio foi escolhida a bola argentina, mas os uruguaios, supersticiosos, trataram logo de reclamar contra a (má) sorte. Para satisfazer a “gregos e a troianos” o árbitro decidiu que seriam usadas as duas bolas, uma em cada parte. A primeira parte foi jogada com a bola argentina, e de facto foi de má sorte para os uruguaios, que foram para o intervalo a perder por 1-2, com os tentos argentinos a serem apontados por Stabile e Peucelle, ao passo que o tento uruguaio foi de Dorado. Mas na segunda parte tudo se modificou, os uruguaios deram a volta ao marcador graças a uma exibição espectacular e inolvidável. Ninguém os parou. Venceriam por 4-2, tornando-se assim nos primeiros Campeões do Mundo. Perante a multidão em delírio o capitão uruguaio José Nazzazi ergueu o trofeú criado propositadamente para o evento pelo escultor francês Abel Lafleur. (Na imagem do lado vê-se Castro marcar o quarto golo que selou a vitória do Uruguai.)

Factos que ficam para a história...
- A receita de bilheteira deste primeiro Mundial cifrou-se em 255 107 dólares (da altura).

- Foram disputados 18 jogos no total, com um total de espectadores de 434 000, uma média de 24 111 por jogo. Na final estiveram 100 000 pessoas no Estádio Centenário.

- Estados Unidos... da Escócia: A selecção dos Estados Unidos da América, (na imagem) que neste Mundial se classificou em 3º lugar (juntamente com a Jugoslávia), a sua melhor classificação até à data, disputou a competição com vários jogadores europeus naturalizados. Na sua maioria eram escoceses, tais como Bart McGhee, Brown, Wood, e Gallacher. Do grupo fazia ainda parte um luso-americano, de seu nome Adelino “Billy” Gonsalves, nascido em “Terras do Tio Sam” mas filho de emigrantes portugueses. Pela presença no Uruguai os jogadores americanos receberam uma bolsa equivalente a seis meses de ordenado, e outro tanto pelo “bronze” alcançado.

- Um Brasil muito carioca: Devido a divergências entre cariocas e paulistas, jogadores do Estado de São Paulo foram proibidos de integrar a selecção brasileira neste Mundial. Assim só os atletas dos clubes do Rio de Janeiro tinham permissão para representar a “canarinha”. Desta forma o Brasil, orientado por Pindaro de Carvalho Rodrigues, não pôde contar com o seu grande craque da altura, o paulista Fridenreich. Dizem até que os adeptos dos clubes paulistas ficaram bem satisfeitos pelo fracasso que foi a participação da selecção neste evento.


- O grande capitão: José Nazzazi, (na foto ao lado)o capitão da equipa do Uruguai, foi o líder da “celeste” na caminhada para o título. Fez-se notar não só pelo seu talento futebolístico mas também pelos gritos de advertência que lançava aos companheiros. Ele era o verdadeiro treinador da equipa campeã do Mundo...



- O treinador que era... o rei: tal como outras selecções europeias (pelos motivos acima já explicados) a Roménia (a equipa que se encontra na foto ao lado) esteve para não ir ao Uruguai. Valeu a intervenção (foi mais uma ordem do que um pedido) do Rei Carol (o rei daquele país), que não só ordenou que os seus jogadores fossem para a América do Sul como também se encarregou de os escolher. Mais curioso que isso foi ainda o facto de o rei, que era um “doente” pelo futebol, ter sido o treinador da equipa durante o torneio.

- Guillermo Stabile: O título uruguaio foi festejado efusivamente e o próprio Governo daquele país decretou que o dia seguinte ao da final fosse feriado nacional. Os jogadores uruguaios como Nazzazi, Cea, Castro, Iriarte, Dorado, Scarone ou Andrade (A Maravilha Negra) seriam imortalizados pelo povo "charrua".
No entanto, não só de nomes uruguaios se fez este campeonato, visto que o melhor marcador do mesmo foi o argentino Guillermo Stabile (na foto ao lado), autor de oito remates certeiros. Foi ainda o autor do primeiro “hattrick” em Mundiais.



- Três estádios foram utilizados neste Mundial, o Parque Central, o Campo de Pocitos e o magnífico Estádio Centenário (na foto debaixo), todos situados em Montevideu.

-A selecção do México chegou ao Mundial de 30 assustada com os prognósticos dos expertes da modalidade. Para dar ânino aos seus jogadores o seleccionador mexicano, espanhol de nascimento, de seu nome Juan Luqué de Serrallonga, dirigiu-lhes uma mensagem de alento num dos quartos do Hotel de Montevideo, onde a equipa estava hospedada, e assegurou-lhes que a Virgem de Guadalupe estava a rezar por eles no seu país, mais precisamente no monte de Tepeyac. Concluíu a sua palestra com as seguintes palavras: "Muchachos, les quiero suplicar que se olviden de todo, novias, hermanos, padres, madres, y que solo les quede grabado en sus mentes la palabra México. Ahora que lucharemos contra Francia hay que recordar al general Ignacio Zaragoza. Si él pudo vencerlos, también lo podemos hacer nosotros". Convencidos das palavras do seleccionador os jogadores entraram no jogo diante da França a jogar de igual para igual, acabando, no entanto, por perder esse jogo por 1-4.

-Foi frente ao México que o capitão de equipa argentino Manuel "Nolo" Ferreira falhou o único jogo em todo o Mundial. O motivo da ausência deveu-se ao facto de Ferreira ter de se deslocar a Buenos Aires ra fazer um exame na Faculdade de Direito, onde se encontrava a tirar o curso de Escribão Público. Depois de ter passado no referido exame voltou de imediato a Montevideo para continuar a jogar o Mundial. Anos mais tarde reconheceria que os seus professores haviam facilitado a sua apovação no dtio exame, pelo simples facto de estar a representar a selecção argentina no grande certame futebolístico.

-A equipa da casa sofreu uma importante baixa à última da hora, mais precisamente o seu guarda-redes Mazzalli. O episódio foi assim recordado na primeira pessoa pelo capitão de equipa José Nasazzi: "El momento más triste para nosotros fue cuando separaron del plantel a Andrés Mazzalli. Había sido el arquero en París y Amsterdam, pero era muy mujeriego y una noche se escapó de la concentración para ir a encontrarce con una rubia. Lo expulsaron y no hubo defensa para él. Todos sentimos pena, pero la sanción impuesta fue irreductible y ni a mi me hicieron caso".




Resultados e classificações

Grupo 1

13 de Julho de 1930
França – México (4-1)
(Laurent, 19’; Lngiler, 40’; e Maschinot, 42’ e 87’)
(Carreño, 70’)

15 de Julho de 1930
Argentina – França (1-0)
(Monti, 80’)

16 de Julho de 1930
Chile – México (3-0)
(Vidal, 4’ e 86’ e Rosas, 51’ p.b.)

19 de Julho de 1930
Chile – França (1-0)
(Subiabre, 65’)

19 de Julho de 1930
Argentina – México (6-3)
(Stabile, 8’,17’ e 80’, Varallo, 53’ e Zumelzzu, 10’ e 55’)
(Rosas, 42’ e 55’ e Gayon, 78’ g.p.)

22 de Julho de 1930
Argentina – Chile (3-1)
(Stabile, 12’ e 14’ e Mário Evaristo, 51’)
(Subiabre, 15’)

Classificação:

1- Argentina- 9 pontos
2- Chile – 6 pontos
3- França – 3 pontos
4- México – 0 pontos

Grupo 2

14 de Julho de 1930
Jugoslávia – Brasil (2-1)
(Tirnanic, 21’ e Beck, 30’)
(Preguinho, 62’)

17 de Julho de 1930
Jugoslávia – Bolívia (4-0)
(Beck, 60’ e 67’, Marjanovic, 65’ e Vujadinovic, 85’)

20 de Julho de 1930
Brasil – Bolívia (4-0)
(Carvalho Leite, 27’ e 73’; Preguinho, 78’ e 83’)

Classificação:

1- Jugoslávia – 6 pontos
2- Brasil – 3 pontos
3- Bolívia – 0 pontos

Grupo 3

14 de Julho de 1930
Roménia – Peru (3-1)
(Staucin, 1’ e 74’ e Kovacs, 85’)
(Souza, 60’)

18 de Julho de 1930
Uruguai – Peru (1-0)
(Castro, 60’)

21 de Julho de 1930
Uruguai – Roménia (4-0)
(Dorado, 7’, Scarone, 16’, Anselmo, 30’ e Cea, 35’)

Classificação:

1- Uruguai – 6 pontos
2- Roménia – 3 pontos
3- Peru – 0 pontos

Grupo 4

17 de Julho de 1930
Estados Unidos – Bélgica (3-0)
(McGhee, 23’; Florie, 38’ e Patenaude, 68’)

13 de Julho de 1930
Estados Unidos – Paraguai (3-0)
(Patenaude, 10’, 15' e 50’)

20 de Julho de 1930
Paraguai – Bélgica (1-0)
(Peña, 40’)

Classificação:

1- Estados Unidos – 6 pontos
2- Paraguai – 3 pontos
3- Bélgica – 0 pontos

Meias-Finais

26 de Julho de 1930
Argentina – Estados Unidos (6-1)
(Monti, 20’, Scopeli, 61’, Stabile, 69’ e 87’; Peucelle, 80’ e 85’)
(Brown, 89’)

27 de Julho de 1930
Uruguai – Jugoslávia (6-1)
(Cea, 18’, 65 e 81’; Anselmo, 21’ e 39’ e Iriarte, 61’)
(Sekulic, 4’)

FINAL

30 de Julho de 1930
Estádio Centenário, Montevideu
Árbitro: John Langenus (Bélgica)

Uruguai (4): Ballestero, Nazzazi (cap.) e Mascheroni; Andrade, Fernandez e Gestido; Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte. Treinador: Alberto Supicci

Argentina (2): Botasso, Della Torre e Paternoster; Evaristo, Monti e Suarez; Peucelle, Varallo, Stabile, Ferreyra (cap.) e Mário Evaristo. Treinador Franscisco Olazar

Golos: 1-0 por Dorado, 12’; 1-1 por Peucelle, 20’; 1-2 por Stabile, 37’; 2-2 por Cea, 57’; 3-2 por Iriarte, 68’; 4-2 por Castro, 89’.


Onze Ideal do Torneio
Táctica: 2-3-5

1-Thépot (França)
2-Nazzazi (Uruguai)
3-Mascheroni (Uruguai)
4-Torres (Chile)
5-Fausto (Brasil)
6-Juan Evaristo (Argentina)
7-Peucelle (Argentina)
8-Scarone (Uruguai)
9-Stabile (Argentina)
10-Cea (Uruguai)
11-McGhee (Estados Unidos)

Os Campeões do Mundo
4 Jogos: Andrade, Cea, Fernandez, Gestido, Ballestero, Iriarte e Nazzazi.
3 Jogos: Dorado, Mascheroni e Scarone.
2 Jogos: Anselmo e Castro.
1 Jogo: Petrone, Tejera e Urdinaran.

(na foto em cima esté José Leandro Andrade, mais conhecido como a "Maravilha Negra", um dos totalistas da selecção uruguaia no Mundial.)

Não utilizados: Capuccini, Melogno, Piriz, Recoba, Secco e Saldombide.

Os marcadores do Campeão
5 golos: Cea
3 golos: Anselmo
2 golos: Castro, Dorado e Iriarte
1 golo: Scarone

Números da prova

13 países presentes
18 jogos
70 golos
3,89 média de golos por jogo
434 000 espectadores
24 111 média de espectadores por jogo
1 expulsão (Las Casas, jogador do Peru)
2 golos na própria baliza